Ozando no Chb
44 Seymor esporte e fitness
Notas iniciais
Após a observação de Isabela, as três hesitaram, mas por fim adentraram a loja de artigos esportivos. Laura admirava uma bola de basquete e Sara olhava algumas chuteiras pensando no tanto que eram bregas. Diferentemente das outras lojas, essa só tinha um velho vendedor sonolento e elas eram as únicas clientes ali. Elas imaginavam que os garotos não entrariam em uma loja de artigos esportivos em busca delas.Todavia, o projeto de fuga das três não deu tão certo assim.
– Lá vem aqueles nojentos ingratos! -exclamou Isabela observando os amigos se aproximarem.
– Palhaçada mesmo viu... -murmurou Sara.
– Olha aí Isabela, você disse que estava sentindo algo estranho... E essas pragas chegam. -indagou Laura olhando-os com desprezo infinito.
Os três caminhavam como se fossem os maiores responsáveis da face da terra, com um grande ar de "Que saco, viramos babás de três adolescentes". Pararam todos "pozudos" com as mãos em volta da cintura em frente as meninas, feito mães prontas para darem bronca por mau comportamento. Isabela fez um bico como uma criança, Laura e Sara olharam-os apenas esperando o sermão.
– Porra! Vocês três são doidas? Somem assim do nada mesmo? -falou Steve.
– Ninguém mandou vocês serem ingratos. -respondeu Isabela com cara de ofendida.
– Vai se ferrar Steve. Se vocês estivessem mesmo preocupados não tinham tratado a gente daquela maneira quando chegamos. -atacou Sara.
– Vinhemos com a melhor das intenções, tivemos sonhos de vocês quase morrendo por causa de monstros e ficávamos agoniadas e preocupadas. E também com saudades...
– Olha Laura explica nada pra esses daí não. -interrompeu Sara com desdém.
– Então gente, não é querendo quebrar o clima da discórdia nem nada... Mas a gente vai sair dessa loja velha hoje ou não? -disse Leo assoprando uma prateleira cheia de poeira.
O sonolento dono da loja, levantou bruscamente:
– Velha é a Senhora sua vó Valdez! O Seymor esportes e fitness é uma das lojas mais tops do mundo mitológico, totalmente equipada com novidades e modernidades para quem quiser malhar e treinar.
Os semideuses observaram a tal loja que nada tinha a ver com a descrição do dono. Velha, empoeirada e com a maioria dos equipamentos quebrados o lugar não tinha a menor sofisticação.
– Seymor? Encontramos! -exclamou Connor com um sorrisinho.
– Encontramos? Por Zeus! Dá licença que o mérito é completamente nosso. -interrompeu Sara empurrando-o.
– Exatamente. Ridícula essa atitude de vocês! Aliás, essa não, todas.-disse Laura.
Os meninos ignoraram-as e seguiram para Seymor. Afinal, haviam procurado a loja desde que chegaram no Texas.
– Então você é o dono dessa loja?-quis saber Steve.
– Eu mesmo. Seymor Rosseau. Querem comprar alguma coisa? -questionou o homem.
– Bom, vou direto ao ponto Senhor Seymor. Não queremos comprar nada aqui, apenas precisamos de algumas informações. -falou Steve.
– Não acham muito abuso não semideuses? Vão desdenhar da minha incrível loja? -questionou Seymor.
– Quíron nos falou da sua importância para nossa missão, Seymor. -disse Leo na esperança de descobrir alguma coisa útil.
– Semideuses... Sempre interesseiros. -respondeu o velho revirando os olhos.
Ele sentou-se atrás de sua mesa e voltou a fitar o teto, entediado.
– Mas o Olimpo depende do sucesso de nossa missão. -insistiu Connor.
– É... sempre depende... -comentou Seymor ainda mais entediado.
Todos já estavam cansados da falta de interesse do velho e olharam para Sara, que poderia usar o charme para convencer Seymor a falar alguma coisa considerável para a missão.
– Sara, por favor. É nossa missão... -pediu Steve mudando o peso do corpo de uma perna para a outra com cara de cachorro sem dono.
– Pode desfazer essa cara que ela não combina com você. -reclamou Sara.
– Mas Sara... Por favor. -pediu Steve aproximando-se.
Sara deu-lhe uma leve empurrada e foi andando em direção ao Seymor.
– É pela missão seu idota! -falou ela e enconstou-se no balcão.
Laura seguiu a amiga e Isabela começou a discutir com Steve como de costume. Sara olhou para trás, deu de ombros e iniciou sua conversa com Seymor:
– Você quer me dizer algo sobre uma encomenda...
– Eu quero? -ele parecia confuso.
– Algum deus esteve aqui recentemente? -perguntou Sara utilizando o charme.
O homem hesitou, parecendo ainda mais confuso.
– Bem... Ah! Deuses sempre estão por aqui né jovem semideusa. Não me faça perguntas banais. -por fim respondeu.
O grupo revirou os olhos de impaciência.
– Eu apenas servi de mensageiro. -disse Seymor após alguns minutos de silêncio, meio hipnotizado pelo charme. — Um deixou a encomenda aqui enquanto outro veio buscar. -prosseguiu.
– Quem deixou e quem veio buscar? O que era essa encomenda?- perguntou Steve.
– Licença querido, a dona do charme sou eu. -disse Sara e intensificou o tom de sua voz. — O que tinha nessa encomenda? Quem era o destinatário e o remetente?
– Eu não tinha permissão para abrir a encomenda. -respondeu Seymor.
– Nossa Seymor, entendo perfeitamente... Mas que veio até o seu adorável recinto pegar as encomendas? -questionou Sara encostando-se na bancada.
– Bom querida, eu sou um semideus. Ajudei os titãs na grande e terrível guerra por pura indução... Naquela época eu tinha apenas onze anos de idade. -respondeu o velho pensativo.
Sara fez menção de interrompê-lo, pois ela não havia perguntado nada daquilo, todavia, deixou ele contar sua história. Isabela e Steve já estavam impacientes. "Pra porra, vão ficar de conversinha? Quero ir embora daqui.", reclamava a filha de Ares. Após alguns minutos, Seymor pareceu parar de imaginar cada cena de seu passado e continuou
– Alguns deuses foram a favor de me jogar no Tártaro como punição... Mas analisando os fatos e vendo que naquela época eu era dotado de grande inocência, totalmente levado pelos desejos juvenis, conderam-me a viver eternamente nessa linda loja. Não tenho permissão para sair daqui... Porém com anos de experiência com os deuses e suas relações, aqui guardo um enorme acervo de perteces de deuses e heróis... Marcas de discórdias, vitórias e tudo mais. -terminou o homem.
Sara ficou tentada a usar o charme para que o homem lhe mostrasse essas relíquias dos deuses, mas se controlou. Com as declarações de Seymor, dava para concluir perfeitamente o porquê do tal "inimigo" ter ido até aquela loja fedorenta para conseguir as encomendas.
– Nossa Seymor, lamento... Mas tudo tem um propósito certo? -questionou Sara.
– Certo, semideusa.
– Os deuses colocaram você aqui como punição, mas ninguém possui essas preciosas relíquias que aqui estão... O seu propóstio hoje é nos responder quem pegou a encomenda aqui. -concluiu Sara ignorando a sua vontade de fazer milhares de perguntas sobre o tal acervo.
– Um semideus chamado Pedro Wall, filho de Psique. Ele ainda ainda está por aqui. -respondeu Seymor por fim.
Subitamente o velho apertou um botão ao lado do caixa e sumiu, como se um buraco o houvesse engolido. Sara supôs que o lugar que o velho semideus guardava suas preciosidades era subterrâneo e que ele não daria mais nenhuma informação. Frustrada, ela caminhou em direção aos amigos.
–Tá o velho foi embora e eu não quero mais ficar aqui nessa loja fedorenta que tá atacando minha renite. – disse Isabela impaciente puxando os amigos para fora da loja.
–Como assim ir embora? Não! -Steve bateu sua mão na mesa em que Seymor estivera, fazendo um estrondo no pequeno lugar. -Eu quero informações!
–Cara ele não vai sair mais daí. Desencana -disse Connor com a mão no ombro de Steve. -Não conseguimos muita coisa, mas pelo menos ganhamos um norte. Temos que achar um semideus.
–Ganhamos um norte? Eu não sei você, mas já estou cansado de ficar dando voltas e mais voltas nesse fim de mundo quente regado a mosquitos. Como vamos achar um semideus nesse caos?
–Cansamos também, mas paciência. Nos damos um jeito. -disse Leo.
Conseguiram arrastar Steve para fora da loja. As meninas iam na frente desfilando com seus lindos looks novos recém comprados. Os meninos iam atrás desanimados, cansado, desolados, suados e machucados.
Perto da saída do Shopping havia uma loja imensa com uma fila maior ainda. Ela brilhava. Exalava estilo. A música ambiente era da banda preferidas das meninas. Uma modelo bem famosa estava na entrada para cortar a fita de inauguração, um cartaz ao lado dela anunciava "Promoção de inauguração 50% de desconto".
–Ferrou... -murmurou Leo.
Os garotos se entreolharam, pois já sabiam o que aconteceria. No exato momento, Sara olhou para eles com a melhor cara de nojenta. Steve fez menção de reclamar, porém foi interrompido.
– Olha aqui seu palhaço, cala a boca. Sem reclamações. Fomos ofendidas e vocês não tem quem reclamar de absolutamente nada certo? Certo. -disse Sara e seguiu feliz da vida as outras duas meninas.
– Porra... -murmurou Connor.
Se passaram horas esperando as garotas comprarem? Confere. Se foram obrigados a carregar inúmeras sacolas? Confere também. E se reclamassem? Não eram nem loucos.
Agora sim as três meninas estavam satisfeitas e os garotos putos, mas pelo menos já sabiam o que fazer e para onde ir.
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