Ozando no Chb
39 O Segundo Sumiço
Notas iniciais
As meninas estavam lado a lado unidas por um enorme cobertor em frente à fogueira. Isabela estava sem graça ao aproximar-se das amigas, porém precisava se desculpar.
– Olha quem chegou! Ainda estou ofendida com o tapa que você me deu viu? -disse Holiday fazendo um bico falso.
– Me desculpa. -falou Isabela. — Peço desculpa a todas. Eu fui muito bitch, matem-me! -continuou ela colocando uma mão na testa fazendo drama.
– A gente sabia que você voltaria. -disse Sara.
– Mas se der uma de bitch de novo a gente te dá bons tapas. -avisou Laura.
– Que surra hein menina? -disse Holiday dando uma risada e puxando Isabela para um abraço coletivo.
– Só te desculpo quando você voltar a comer seu biscoito de porra. -disse Laura.
– Olha aqui minha filha! -anunciou Isa mostrando um pacote do clássico biscoito de "porra".
– Agora sim! Vem cá, me dá um abraço. -disse Sara.
– Nunca mais invente de fazer isso viu? -advertiu Laura com uma falsa cara de brava.
Os minutos foram passando e as amigas ficaram em frente a fogueira, conversando e tentando resolver alguns problemas enquanto comiam biscoitos. O toque de recolher soou e cada uma foi para o seu chalé tentar dormir e ter uma noite de sono tranquila, visto que o dia fora bem agitado.
***
Tudo estava escuro. Ouviu-se apenas mais barulhos e um clarão causado por uma das explosões causadas por uma das dezenas de monstros presentes no local. Os ruídos e gritos deles eram ensurdecedores e causavam pânico. Olhando para o lado, podia se ver um carro preto em chamas. Era o carro de Steve. Leo veio gritando logo atrás com vários machucados:
– Sai do carro Steve! Vai explodir!
Steve saiu do carro se arrastando a tempo de olhar para trás e ver seu carro explodindo, praguejou em grego antigo, cerrou os punhos e pegou sua espada arremessando-a em uma dracaena que se desfez em pó dourado.
Um pouco atrás dele Connor lutava com dois monstros e por um fio não teve sua cabeça degolada. Finalmente conseguiu matar os dois monstros e correu para perto dos amigos que tentavam fugir e esconder-se dos monstros que estavam atrás. Os meninos caminhavam para uma torre imensa que era arredondada na ponta. Os monstros continuavam a segui-los.
***
Laura acordou excessivamente suada e ofegante. Jogou o cobertor para o lado e ficou olhando para o teto tentando se recompor. Foi nesse exato momento que ela ouviu um barulho na porta.
– Amiga! Abre aqui e anda logo que essas harpias vão me comer. -era a voz de Sara.
Rapidamente Laura levantou-se e abriu a porta. Sara também estava suada e amiga já supôs que elas estavam sofrendo do mesmo problema. As amigas sentaram-se na cama uma de frente pra outra.
– V- você também viu? -gaguejou Laura.
– É eu vi. -respondeu Sara trêmula.
– Isso foi um sonho ou uma visão? -perguntou Laura novamente tentando ter certeza do que estava acontecendo.
– Como se fizesse diferença. Somos semideusas. É só uma questão de tempo. Se for uma visão está acontecendo agora, se for um sonho ainda vai acontecer. -explicou Sara tensa.
–E o que vamos fazer? -perguntou Laura quase em desespero.
– Eu não sei. -respondeu Sara após alguns minutos, derrotada.
As amigas ficaram ali em prantos. Uma olhando para a outra sem saber o que fazer. Procurar Quíron não adiantaria já que o centauro tinha deixado isso bem claro várias vezes. O coração delas estava apertado, temendo pela vida dos amigos.
– Tá! Já chega. -decretou Laura levantando-se de súbito.
– Chega de quê? -perguntou Sara confusa.
– Não consigo ficar aqui parada, olhando as paredes enquanto sei que os meninos correm perigo. -explicou Laura impaciente.
– É... eu sei. É quase impossível pra mim também. -falou Sara.
– Então... O que sugere?
– Não sei...
As amigas fitaram-se por um tempo, pensando em uma solução. Encontraram a mais maluca que poderiam ter.
–Vamos fugir. -disseram em uníssono.
Em tempo recorde elas se arrumaram. Os meninos ficariam até orgulhosos, pois elas são conhecidas pela sua demora. Cada uma estava com apenas uma mochila. Era até estanho, mas Sara disse que o Texas era famoso pelos seus Shoppings e que compraria as coisas que deixou lá, pois não queria carregar peso. Laura apenas concordou ansiosa para ver as tão famosas lojas que Sara havia mencionado.
Elas saíram do chalé em silêncio, suplicando para que ninguém as visse e nem dedurassem. Tinham concordado não chamar Karen e Holiday, pois não encontrariam apoio e elas as impediriam de realizar seu plano. Ficaram mal ao perceber que estavam fazendo a mesma coisa que os meninos fizeram, porém era preciso.
A única pessoa que elas chamariam, era Isabela. As três chegaram juntas ao acampamento e se tivessem que sair de lá para uma missão por conta própria, sairiam da mesma forma que chegaram.
Com toda a cautela para não serem pegas pelas harpias, as duas garotas seguiram até o chalé de Ares em busca de Isabela. Foram até lá e deram uma olhada por uma das janelas que dava para visualizar perfeitamente a beliche de Isabela. A cama estava revirada e Isabela não estava lá.
– Meu Zeus! Não acredito que a Isabela sumiu também. -sussurrou Laura sem esperanças.
Antes que se desesperassem, avistaram Isabela indo em direção ao chalé de Apolo, apressada. As meninas foram atrás e quando se aproximaram perceberam que a mesma estava com seu pijama de bolinha rosa, que nada combinava com seus momentos agressivos. Ela resmungava incessantemente. Sara e Laura ficaram preocupadas quando perceberam que ela estava indo para o chalé de Apolo, onde Bem estava. Com todo cuidado, elas resolveram se aproximar de Isabela para entender o que a mesma resmungava.
– Matar, matar Ben e castrar esse viado. Matar e esfolar. Ben idiota. Eu mato. Mato, mesmo. Pra porra pra porra!
Sara levou a mão à boca para tentar conter o riso, embora estivesse preocupada demais aquela situação era muito engraçada.
Isabela ainda estava dormindo. Seu caso de sonambulismo estava especialmente grave essa noite. Ela estava com uma escova de dente em mãos e golpeava o vento, como se estivesse com uma espada.
– Perfurar fígado do Ben. Furar o viado. Furar e fazer sangrar com espada afiada. Perfurar todinho. -murmurava Isabela sinistramente.
Foi nesse exato momento que as meninas não se contiveram e começaram a rir desesperadamente. Isabela por fim acordou devido ao barulho das meninas e as harpias também notaram as três semideusas fora da cama, pronta para serem jantadas.
Isa, claramente confusa olhou para elas com os olhos arregalados. As meninas com medo de serem pegas pelas harpias apenas puxaram-na, uma de cada lado e assim saíram do Acampamento Meio-sangue às pressas.
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