Ozando no Chb
30 Fogos e praia
Notas iniciais
Ao cair da tarde, Laura e Connor ficaram na praia e os outros foram seguindo para os seus chalés quando Sara começou a reclamar de uma ardência nas costas:
– Oh céus! Acho que vou ficar sem pele. Não acredito que to com insolação! Steve olha aí minhas costas. –disse ela levantando a blusa e ficando de costas para o namorado.
– Ah não branquela! Para de frescura só tá um pouco vermelho. –informou Steve.
– Mas tá ardendo. O que eu fiz pra Apolo? Da próxima vez passo mais protetor. –disse Sara.
– Armaria minha fia! Vai acabar com todo o estoque de protetores da cidade. –debochou Isabela.
Chegaram perto de seus chalés, despediram-se e Sara obrigou Steve a ficar no chalé de Afrodite com ela. Ele revirou os olhos, resmungou, mas foi. A maioria das crias de Afrodite já haviam ido embora exceto Drew e Perry, que deveria estar ainda com Holiday.
Ao entrar no chalé, Sara tirou o sutiã, a blusa e se jogou na cama de bruços reclamando da insolação. Steve ficou parado observando-a e por fim perguntou:
– Por que você me trouxe aqui mesmo?
– Olha meu querido, eu estou quase sem pele. Acho que nessa ocasião, um namorado deveria ao menos passar alguns cremes nas minhas costas, coisa rápida. –respondeu Sara.
– Sério isso? Ou você tá de deboche?
– Sério. Por favor, vai...
– Ai meu Zeus. Só você mesmo.
– Ótimo. Você é um amor. Tá vendo aqueles cremes ali? –perguntou Sara apontando pra uma prateleira cheia deles.
– Não me diga que você vai passar todos eles, porque aí já é abuso.
– Não... Só uns quatro. –disse Sara forçando uma voz meiga.
– Quatro? Exagerada.
– Armaria Steve, tu só reclama. Vai lá pego o da embalagem verde.
Steve foi até lá e pegou o creme.
– Esse aqui? –perguntou ele.
– Não o do lado. É o de amêndoas. –respondeu Sara esforçando-se para olhar pra trás. Steve fez uma cara de impaciente, porém sentou-se perto de Sara, jogou o creme para um lado e disse maliciosamente:
– Tudo bem, eu faço a massagem, mas acho que tenho direito de te dar uns pegas antes.
Rapidamente Steve tirou sua blusa, virou Sara e ficou por cima dela a enchendo de beijos no pescoço e descendo para os seios. Até então ela não tinha reclamado, mas quando Steve foi beijá-la na boca acabou machucando-a.
– Ai Ai Steve! Saí de cima de mim que tá ardendo.
– Que porra! Menina frescurenta. –disse Steve relutante.
– E coloca essa blusa que tá me seduzindo. –pediu Sara.
– Acho que você deveria colocar pelo menos o sutiã já que é assim. –retrucou Steve.
– Mas eu estou debilitada e vai arder, portanto se controle e pega o creme. Acho que em uma hora melhora. –respondeu ela virando-se de bruços novamente.
– Tá. Só porque hoje estou bonzinho.
Steve passou uma boa quantidade do creme nas costas de Sara.
– Ai que mão pesada. Vai devagar.
– Eu não sou massagista, então não reclama.
– Rude.
– Sou mesmo.
Após reclamações, finalmente Steve terminou de espalhar o creme de amêndoas.
– Agora pega aquele spray azul escuro.
– Mais coisa Sara? Nem vem.
– É rápido.
– Você quer que eu melhore logo não quer? –perguntou Sara arqueando as sobrancelhas.
– Sim, quero. Vira direito aí então. Vamos terminar logo com isso. –disse Steve com o spray em mãos e rapidamente terminou a tarefa e colocou-o de volta na prateleira. – Agora vai ficar aí estatelada na cama desse jeito?
– Só uma hora eu acho.
– A Drew vai vim por aqui não né? –perguntou Steve olhando algumas fotos de Sara coladas ao lado do beliche.
– Espero que não. E se vier foda-se ela que eu nem ligo mais.
– É assim que eu gosto. Hum, Arctic Monkeyes, curti. –disse Steve que agora mexia em alguns CDs que Sara ainda iria guardar.
– Claro meu amor. Tenho cultura.
– Eu não namoraria você se não tivesse. –disse Steve sentando ao lado da cama.
Infelizmente Drew entrou no chalé e quando viu que Steve estava lá fechou a cara e reclamou como já era de se esperar.
– Desde quando é permitido ficar namorando no chalé alheio Steve?
Steve levantou-se imponente e sem paciência respondeu:
– Namorando? Por acaso tá vendo alguém se pegando aqui Drew?
– Se pegando não, mas minha irmãzinha tá sem blusa então já suponho o que estavam fazendo.
– Drew, eu fiquei com insolação e precisei do Steve para pelo menos passar creme nas minhas costas. E como eu já falei, não te devo explicações, ele vai ficar aqui sim, a não ser que você queira tirá-lo com sua força. –disse Sara tentando ficar calma. Steve cerrou os punhos e fuzilava a ‘’cunhada’’ com o olhar.
– Nossa! Tem desculpa melhor não querida? –debochou Drew.
– Olha aqui cunhadinha, ninguém aqui tem culpa se seus namoros nunca passaram de fiascos e se a única coisa que importa pra você é status.
– O de vocês não me parece diferente.
– E outra coisa... –disse Steve com um tom extremamente debochado na voz e Drew se encolheu. –Eu sei muito bem que você já quis me pegar e lamento dizer, mas menina descartável do seu nível ninguém leva a sério e se as coisas não são assim com outras pessoas você tem que pelo menos disfarçar a inveja, não?
O clima pesou e Drew pegou algumas coisas e saiu do chalé. Aquelas palavras pareciam ter tocado em algum possível sentimento dela.
– Meu Zeus Steve! Como você é ruim! –disse Sara.
– Eu não suporto essa menina.
– Bom pelo menos dessa vez não fui eu quem falou algo. –defendeu-se. –Vamos glorifica de pé que já tá passando. –comemorou Sara vestindo o sutiã.
– Ótimo, pois daqui a pouco vai ser a entrega das contas dos colares.
Um silêncio tomou o chalé e após olhar pro nada Sara perguntou:
– Steve, você já terminou o ensino médio e tudo mais, o que vai fazer lá fora?
– Arrumar um emprego ou algo assim, e depois quem sabe uma faculdade. –falou aquilo como se fosse óbvio. –Você sabe que lá fora tenho alguns amigos, mas da minha família quero é distância. Minha família era minha irmã, depois que ela foi morta... –disse ele com os olhos cheios de lágrimas.
– Desculpa te fazer lembra disso... –disse Sara abraçando-o.
– Não, tudo bem.
– C-c-omo vamos nos ver lá fora? Eu nem sei em que escola me colocaram pra ser mais exata e nem tenho pensado muito nisso. O apartamento da minha mãe de consideração fica em Boston. Se quiser aparecer por lá, ficar lá com a gente até você se resolver...
– Não se preocupa com isso. Eu vou dar um jeito em tudo, fica tranquila. –disse Steve olhando-a nos olhos.
– Certeza?
– Absoluta.
– Acho ótimo e se você não aparecer te bato mentalmente. –ameaçou Sara.
– Abusada! –disse Steve. –Vou lá trocar de roupa ok? Você já tá melhor, então já posso parar de fazer papel de massagista. Para de pensar nessas coisas. Estou com alguns planos em mente... Mas por enquanto você vai ficar curiosa.
– Ai que maldade!
Steve olhou para trás com um sorriso e foi para o seu chalé. Sara que já estava melhor, graças aos seus cremes com mil e uma utilidades, vestiu uma blusa e decidiu ir até o chalé de Poseidon falar com Laura.
Sara bateu na porta.
– Ô bitch abre ae.
– Perae me deixa achar a chave. –respondeu Laura e Sara escutou algumas coisas sendo jogadas no chão.
– Oh Zeus um dia eu entro nesse chalé. –pensou Sara.
– Achei! –disse Laura que pulou a pilha de roupas que jogou no chão e foi abrir a porta.
– Meu Zeus Laura! Essas roupas são do Percy? Dois lerdos não dão certo. –concluiu Sara olhando em volta do chalé.
– Sim, são e armaria! Pode nem mais ter um chalé bagunçado. –reclamou Laura.
– Senta aí na cama logo que eu estou sentindo que você tem algo pra me falar. –disse Sara.
– Sara você é uma filha de Afrodite não um oráculo. –disse Laura sentando-se na cama ao lado de Sara, terminando de jogar as roupas no chão. –Depois o Percy arruma isso. Ter irmão mais velho é tão legal!
– É né... Tô brincando, é que eu te vi com o Connor, terrível...
Laura corou e Sara apressou-a logo.
– Bora minha filha, pode começar a contar tudo.
– Menina réa apressada!
– Tá, eu vou contar então das novidades do meu relacionamento, ou melhor, do Steve. –disse Sara.
– Tá, conta ai... –concordou Laura.
– Steve tá tramando algo e não quer me falar. Achei ofensivo.
– Novidade... O que ele falou?
– Falou que vai dar um jeito de nos vermos e tals, pra não me preocupar... Coisas do tipo.
– Nossa que românticos vocês. –disse Laura fazendo uma falsa cara de nojo, Sara deu umas risadas.
– Drew chegou lá, levou um esporro do Steve que doeu em mim. Parece que ela já quis dar uns pegas nele.
– Minha querida é melhor perguntar quem a Drew não quis pegar, bicha reá bitch.
Sara soltou uma gargalhada e fez uma expressão mais séria.
– Amiga, já pensou que vão separar a gente? –perguntou Sara.
Laura fez a mesma expressão séria de Sara.
– M-mas por que eles fariam isso?
– Os monstros.
– Isso não é justificativa, sobrevivemos aos monstros esses anos todos e sem saber lutar.
– Concordo. Mas meu Zeus amiga como assim vamos ter que enfrentas as bitchs dos outros colégios sozinhas?
– Eu não sei ir para o colégio sem you. –disse Laura abraçando Sara. –Depois de dez anos juntas. Amiga, sem a gente a Isa vai reprovar.
– Vai mesmo. E vai que ela inventa de ficar revoltada por lá?! Meu Zeus! Não podem separa a gente não. Ai estou chorosa. –disse Sara.
– Broxei agora. –disse Laura. –Vou me revoltar também se fizerem isso.
– Vamos fazer protesto! Ah, quer saber? Vamos mudar de assunto que eu não quero chorar. -disse Sara.
– Isso. -concordou Laura.
Nesse entretempo, Percy entrou no chalé e perguntou se as meninas não iriam se aprontar, pois logo seria a entrega do colar de contas. Ele pegou alguma coisa e logo saiu.
– Oh my Zeus! Temos que nos arrumar. Minha insolação já passou então já posso tirar essa blusa de seda. –informou Sara.
– É pra glorificar de pé que passou tão rápido.
–Minha filha, sabe meu estoque? Pois é, agora consegui um monte de creme medicinal com um filho de Apolo. Fiz o Steve passar nas minhas costas e melhorou rapidinho.
– Hum hum viu, abusada! Pobre Steve que te aguenta.
– Cala boca que nós nos aguentamos desde o primário. –defendeu-se Sara. –Ai! Vou ficar chorosa novamente.
– Tá, quero ficar chorosa não. Vou tomar banho. –disse Laura e Sara seguiu para o seu chalé para se arrumar.
Os campistas iriam se encontrar na praia para receber as contas de seus colares. As meninas estavam ansiosas já que eram as suas primeiras contas. Sara e Laura, que por milagre, se arrumaram rápido e junto com Isabela caminhavam novamente para a praia. Quíron e alguns campistas conselheiros já estavam lá. Elas sentaram-se ao lado de Holiday que contou que alguns filhos de Hefesto prepararam fogos, como no quatro de julho, para a despedida.
As garotas ficaram por um tempo olhando para o mar e alguns filhos de Apolo começaram a fazer uma música de fundo. Steve apareceu e sentou-se ao lado de Sara. Connor apareceu depois e com certa cautela aproximou-se de Laura. Holiday foi ajudar seus irmãos na trilha sonora.
Quíron chamou a atenção de todos e a música parou.
– Meus queridos campistas, mais um verão passou e amanhã vocês estarão seguindo seus caminhos. Como de costume, hoje entregarei as contas de vocês.
Todos levantaram e ficaram aguardando alguns conselheiros entregarem seus colares. A conta desse ano tinha o fundo preto. Um javali se projetava ao meio, ele estava recebendo uma martelada na cabeça, o martelo estava em chamas. Uma crise de riso foi inevitável, apenas Isabela que estava distante das meninas, não sorrio. Laura e Sara viram sua cara de ofendida de longe.
– Aff –murmurou Sara.
– Aposto que ela deve tá ofendida até com o Ben. –supôs Laura.
– Digo mais nada viu. E não culpo o Ben. –disse Sara.
As duas decidiram voltar para onde estavam. Quando todos receberam suas contas, os filhos de Hefesto foram soltar os fogos. Os campistas sentaram-se nas suas toalhas para apreciar o show melhor. Os filhos de Apolo iam voltando com a trilha sonora suavemente e Leo criou uma fogueira para assar marshmallows. Os fogos começaram e eram realmente lindos, um verdadeiro espetáculo. Times Square era fichinha perto do talento dos filhos de Hefesto.
Então Connor aproveitou e chegou um pouco mais perto de Laura, sentia-se um pouco inseguro perto dela, isso nunca tinha acontecido antes, às vezes dava até um friozinho na barriga. Ele estava gostando disso. Laura apenas olhava tudo maravilhada, nunca tinha presenciado os fogos dos filhos de Hefesto antes e eu garanto é uma ótima experiência. Connor sorriu do semblante da filha de Poseidon e por fim a abraçou. E ficaram ali os dois, abraçados assistindo os fogos com mashmallows e chocolates. E claro, alguns beijos de vez em quando.
Perto dos dois estava Sara e Steve. Ele a abraçava pela cintura e ela estava deitada em seus ombros largos.
– Steve.
– Oi?
– Eu já disse que te amo?
– Já. Mas não me importo em ouvir de novo. –respondeu ele com um sorriso.
– Tá. Eu te amo. Assim, só pra falar.
– Eu sei. Se não você não estaria aqui deitada no meu ombro com esses olhinhos brilhando.
– Ai seu rude. Vou falar que te amo também mais não.Estou tentando ser fofa e você fica aí... –disse Sara levantando a cabeça.
– Vai sim que eu sei.
– Idiota.
– Você deve ser mais. Mas tá sua besta, eu te amo também vai. Feliz agora? –respondeu ele com um sorriso no canto dos lábios e a beijou.
Em um momento em que os dois casais se beijavam, em um clima lindo e tranquilo Leo Valdez deu o ar da graça.
– Ei Ei Ei pombinhos... Eu sei que aí tá bom, mas tenho uma missão pra vocês. Uma missão de resgate. –disse Leo em uma posição triunfal.
Todos reviraram os olhos e perguntaram juntos o que Leo queria.
– Seguinte... Ontem eu fui até o chalé 69 porque eu não tinha muito o que fazer e fui dar uma checada básica e quem sabe descobrir o que Quíron iria fazer com ele.
– E... –disse Steve.
– E aí que eu acabei deixando o meu cinto de ferramentas por lá e preciso buscá-lo agora mesmo, pois mais tarde as harpias chegam e vão perceber nossa ausência.
– Vai lá então você ué. –disse Sara.
– Mas é que vocês têm que ir, pois são meus amigos e amigos se ferram juntos quando se precisa.
–Desde quando? –perguntou Connor
–Desde sempre, e tipo assim... Não quero entrar na floresta sozinho uma hora dessas.
Isabela veio se aproximando, entendeu o assunto e falou:
– Vai pra porra vai Leo.
–Eu hein doida, da onde tu surgiu? –perguntou Laura que a essa altura já tinha se soltado de Connor.
–Eu vim participar da reunião aqui, tá todo mundo junto. –explicou-se Isabela.
–Vamos logo gente tô falando sério! Por favor, por favor, por favor, por favor. Sara e Steve o chalé tá intacto viu, e as harpias até limparam os quartos. –disse Leo.
– Osh tá me chamando de pervertida Leo? –perguntou Sara.
– Não, mas... Ha! Vamos lá gente... Não temos muito tempo.
Steve levantou-se impulsivamente, apontou para Leo e disse:
– Você me deve sua alma. Vamos logo buscar sá porra.
– Faço as palavras dele minhas. –disse Sara levantando-se em seguida.
– Eu vou é porra! Levar castigo novamente... –reclamou Isabela.
– Vem logo Isabela, Leo não vai sossegar mesmo. –disse Laura puxando a amiga.
–É né fazer o que? –disse Connor levantando-se e acompanhando o grupo.
Vendo que Leo não sossegaria mesmo, todos seguiram para o chalé 69. Os campistas e Quíron estavam prestando muita atenção nos fogos e ninguém percebeu o grupo saindo. A floresta estava escura e com uma leve neblina. Cenário de filme de terror, Isabela estremeceu.
–Gente eu quero voltar, na boa, e tipo assim o Ben ficou lá.
– Calma, já estamos chegando. E acho que não vamos nos deparar com monstros. –acalmou Leo tentando parecer confiante.
– Acha? –perguntou Laura com medo.
– Vocês estão armados né meninos? –perguntou Leo olhando para trás.
– Não. –responderam juntos.
– Quero morrer não... –disse Sara pálida.
O clima ficou tenso, pois se por falta de sorte algum monstro aparecesse estariam indefesos. Porém, Leo fez um sorriso malandro no rosto e começou a rir da cara de desespero do pessoal e por fim falou:
– RÁ! Peguei vocês! Não têm monstros soltos hoje até porque todos vão embora, pois não serão necessários para treinamentos e tals. Meu Zeus! Vocês precisavam ver a cara de vocês! –e continuou a rir.
Todos fizeram uma cara de serial killer e fuzilaram Leo.
– Vai se fuder Leo. –disse Steve.
– Vai pra porra Leo. –berrou Isabela
– Vai tomar nos seus orifícios anais Leo. –disse Sara.
– Opa Opa! Não precisa apelar minha gente! –defendeu se Leo.
–Ah vamos logo que essa floresta está me dando arrepios. –falou Laura passando na frente como se soubesse o caminho até o chalé.
–É melhor irmos, se não ela se perde. –disse Sara puxando os outros.
– Também acho. –concordou Connor.
No restante do caminho Leo foi fazendo algumas piadas pra ver se o povo desfazia a cara de fadiga. Após alguns minutos, finalmente chegaram. Como Leo havia informado, o chalé 69 tinha sido interditado por Quíron, pois ali ele faria alguma outra coisa. Em volta de todas as janelas e portas havia um tipo de corrente ou algo parecido com uma. Rapidamente Leo desbloqueou a porta principal do chalé e todos entraram.
– Meu Zeus! Nem parece que aqui teve aquela festa de tão arrumadinho. –disse Sara admirada.
– Pois é. As harpias limparam e alguns espíritos da natureza organizaram tudo. –informou Leo. — O que será que o Quíron vai querer fazer aqui em? –perguntou Connor curioso.
– Não faço a mínima ideia. –disse Leo.
– Talvez ele não faça nada. –supôs Sara.
– Vamos logo Leo, pega seu cinto e vamos embora daqui. –disse Steve apressado, pois logo as harpias estariam soltas e os campistas iriam para seus chalés acabando com a possibilidade de não serem vistos.
– Apoiado Steve! Mas que porra, eu não queria nem ter vindo. –reclamou Isabela.
Leo pegou seu cinto feliz da vida como se fizesse mais de anos que não o via e foi em direção à porta, satisfeito.
– Pronto! Podemos ir. Viram como foi simples? –disse Leo com um sorriso já com a mão na maçaneta da porta quando foi interrompido por Laura.
– Gente! Espera... Estão ouvindo?
– Ai minha Zeusa fabulosa! Eu tô! –exclamou Sara com uma expressão atenta.
Os outros não estavam ouvindo nada até então e Steve ignorou achando que era frescura das meninas e foi abrindo a porta.
– Ah! Vamos logo. –disse Steve e Isabela foi atrás dele. – Minha santa porra! Agora eu ouvi. –berrou Isabela com os olhos arregalados.
– Apaga a luz e se abaixa gente! São as harpias e se elas virem que tem gente por aqui já era. –sussurrou Sara que já tinha puxado o namorado para baixo e estava encolhida perto da parede.
Isabela ia falar alguma coisa, mas Laura tapou a boca da amiga e todos fizeram um silêncio absoluto por cerca de cinco minutos até que as harpias se afastassem o suficiente. Sara levantou-se e reclamou:
– Ótimo! Agora vamos ter que passar a madrugada aqui.
– Pá porra viu Leo! Tudo culpa sua. –murmurou Isabela.
– E tipo, como vamos voltar pela manhã sem sermos vistos? Até porque todos vão embora pela manhã. –disse Laura.
– Gente... Já ouvi histórias de harpias que devoraram semideuses que ficaram passeando por aí após o toque para recolher. –informou Sara.
– Tá... Agora sim eu estou com um cagaço no nível galopante. –disse Laura.
– Sara, isso realmente já aconteceu, mas elas já se afastaram daqui e acho que não voltarão. Além disso, não estamos lá fora. –acalmou Connor.
– Tá, mas como vamos embora mesmo? –perguntou Sara preocupada.
– Gata relaxa. Daremos um jeito. –disse Leo.
– Se não me engano, teremos um tempo para ir pouco antes do amanhecer. Creio que nessa hora elas já estão quase se recolhendo e não devem estar famintas. –informou Steve.
– Acho ótimo. –disse Isabela.
– Podemos dormir pelo menos? –perguntou Sara arqueando a sobrancelha e olhando para Steve.
– Claro que podemos. –disse Steve subindo as escadas atrás de Sara.
– Esses dois viu. Nem disfarça. –reclamou Isabela.
– A propósito... Vamos Laura? –ofereceu Connor dando o braço para Laura que sorriu e foi com ele.
– Até você Laura? Nossa viu, só observo esse povo impuro. –disse Isabela retirando o celular que estava escondido dentro do bolso. –É né... O Ben não está aqui mesmo... –pensou ela.
–Armaria Isabela! Vai aprender a largar esse celular quando? Saiba que lá fora não existem barreiras mágicas e vai ser como se você estivesse falando para o monstro: ‘’oi, carne de semideusa na área. ’’ –reclamou Leo.
– Eu tirei o chip. –defendeu-se ela. — Hum... Vou lá pra cima checar alguns mecanismos que fiz na festa e ver se não foram bloqueados. –disse Leo subindo as escadas e logo Isabela procurou o quarto que tinha tomada.
***
Sara abriu a porta de um quarto no andar de cima, que estava incrivelmente arrumado e limpo.
– Ótimo! Assim podemos dormir melhor. –disse Steve malicioso.
– Armaria! Menino foguento gente...
– Como se você não fosse.
Sara sentou-se na cama e ficou olhando pro nada. Steve sentou-se ao lado dela e perguntou:
– E aí? Minha massagem adiantou?
– Sua massagem não, meus cremes sim.
– O importante é que passou e que agora podemos nos pegar direito não é mesmo?
– Ah claro, interesseiro.
– Interesseiro não... Temos que aproveitar, pois vamos embora.
– É mesmo? E a promessa que você daria um jeito de ir me ver?
– Ainda está de pé.
– A propósito você vai para onde mesmo?
– Como eu já te falei eu não considero o pessoal da minha família até porque eles nunca estiveram interessados no meu bem estar e nem no da minha irmã. Minha mãe geralmente só trabalhava e nossa como ela amava o dinheiro.
– O que fez Ares se apaixonar por ela?
– Nem sei viu.
– E seu pai Sara?
– Meu pai também nunca ligou pra mim. Minha mãe adotiva é sem dúvidas a melhor pessoa do mundo.
– Imagino... Como já fui convidado para ir até o apartamento de vocês muito provavelmente vou conhecê-la.
– Acho bom você ir mesmo.
– Pode ter certeza. E ainda vou te dar uma surpresa.
– Steve vai se ferrar! Odeio quando você fica aí me escondendo coisa. –disse Sara levantando-se da cama e olhando para a janela por motivos desconhecidos.
– Ah volta aqui. –disse Steve abraçando Sara por trás.
– Esse chalé, esse quarto me trazem algumas lembranças sabia? –perguntou Sara enquanto Steve beijava o seu pescoço.
– Claro que eu sei disso... Mas a senhorita não estava bêbada?
– Estava, mas de algumas coisas eu lembro.
– Ótima oportunidade para que eu faça outras coisas com você. Dessa vez ninguém tá bêbado... –sussurrou Steve e em seguida tirou sua blusa.
– Adorei a ideia. –concordou Sara com um sorriso malicioso. Sem mais delongas, Steve tirou o vestido de Sara rapidamente e a mesma ficou só com sua roupa íntima. Ele jogou-a na cama e tratou de deixá-la nua. Logo se despiu também, claro, com uma ajudinha de Sara e umas mãos bobas antes. Steve ficou por cima da namorada e sussurrou:
– Te garanto que dessa vez você vai lembrar-se de cada detalhe.
***
Desde o momento em que Connor havia chamado Laura para o quarto, uma insegurança tinha tomado os seus pensamentos. Quando foram entrando, a cena de Connor e a menina ruiva vieram à tona na mente de Laura e ela mais uma vez se perguntou se ele não seria o mesmo com ela. Também se lembrou dos avisos de Holiday, mas estava gostando dele. Uma confusão havia se formado em seu interior.
–Hm... Oi? Terra chamando Laura. –disse Connor estralando os dedos em frente aos olhos da menina.
–Ah oi. –falou Laura que havia “despertado”.
–Estava pensando em que? –perguntou Connor curioso.
–Nada não... –respondeu Laura com um sorriso tímido.
– Ótimo... Porque creio que essa noite será longa. -disse Connor aproximando-se de Laura cada vez mais.
Laura foi se afastando e se encontrou com a porta. Connor chegou e a imprensou contra a mesma, então a beijou com desejo. Laura enterrou suas mãos no cabelo castanho do filho de Hermes e ele agarrou sua cintura. Connor retirou a blusa de Laura e a sua também. Começou a beijá-la cada vez mais intensamente e suas mãos deslizaram para os shorts da menina. Quando Connor iria arrancá-los Laura o deteve.
–Olha Connor... Eu acho melhor não. –disse Laura tirando as mãos dele do seu quadril.
– Melhor não por quê, gata? –perguntou ele tentando novamente tirar os shorts da garota. –Ah... Você não é virgem, é?
–Não, não é isso. -disse Laura afastando-se um pouco.
–Então o que é? Não quero te pressionar...
–Nada, é que... Não está muito cedo pra isso? –perguntou Laura mordendo o lábio inferior demonstrando nervosismo.
– Se você quer assim tudo bem. Eu espero. Mas nem venha com aquele papo de que eu sou assim com todas que já conversamos... –disse Connor vestindo sua blusa e sentando-se na cama.
–V-você espera? –perguntou Laura surpresa, ela realmente não esperava por isso.
–É gata, vou fazer o que? Se foi você que roubou meu coração o que me resta fazer além de esperar? –disse Connor fazendo uma imitação dramática no meio do quarto como se fosse o Romeu, personagem de William Shakespeare. Laura deu umas boas risadas do desempenho do mesmo.
–É você fica rindo né?! –perguntou Connor entregando-lhe sua blusa e lhe deu um selinho. Foi para perto da porta e segurou a maçaneta. –Vamos?
Laura e Connor chegaram à sala e encontraram Isabela deitada no sofá, mexendo em seu celular.
–Nossa que rápido!
–Hehehe engraçadinha. –murmurou Connor indo procurar o Leo.
–Amiga até que ele é gato... Não deu por que mesmo? –perguntou Isabela quando Connor já tinha se afastado.
–Tenho cara de puta por acaso?
–Tem.
Laura arremessou uma almofada na casa de Isa.
–Ah tá parei. Mas você gosta dele, ele estava ai todinho pra você e–
–Quem disse que eu gosto dele? –disse Laura interrompendo Isabela.
–Sua testa.
–Ah... Nossa tá tão na cara assim? –perguntou Laura olhando para o chão.
–Ué minha filha, você saí do quarto com um menino e quer que eu pense o que? –perguntou Isa desaforada.
–Ô menina réa rude. –falou Laura fazendo cara de magoada.
Connor escutou algumas marteladas vindas da cozinha e logo soube onde Leo estava.
–Connor você já por aqui? –perguntou Leo com um sorriso de lado vendo o amigo chegar.
–Não enche.
Leo entrou em uma profunda crise de riso.
–Maldição de Apolo de novo é? –perguntou Leo procurando fôlego.
–Só se ela for em meninas...
Leo que já havia se recuperado da crise de riso começou outra.
–Ah! Cala a boca. Tá fazendo o que ai? –disse Connor louco para mudar de assunto.
–É um frigobar com algumas qualidades especiais que fiz pra festa. –disse Leo sem retirar sua atenção do projeto.
Connor começou a revirar uma caixa de ferramentas de Leo quando achou um pote cheio de graxa e uma ideia brilhante invadiu a sua mente. Colocou um sorriso travesso no rosto e gritou:
– Meninaaaaas!
Ninguém ouviu e Connor gritou mais uma vez até que Isabela surgiu e Laura veio logo atrás.
– O que é? Logo agora que eu tava tentando cochilar. –reclamou Isabela.
– Olha que massa o que o Leo tá fazendo. –disse Connor apontando para o frigobar que Leo havia batizado carinhosamente de Graziella Miranda.
– Acho que eu vi esse negócio aí na festa. –informou Laura chegando mais perto.
Nesse entretempo, Connor preparou a graxa que estava na sua mão e com uma imensa agilidade aproveitou o momento que Laura virou o rosto para apertar o potinho com tudo. Voou graxa para todo lado e o rosto de Laura ficou demasiadamente sujo, por sorte Isabela não se sujou também.
– Vai se fuder Connor! –reclamou Laura.
Connor aproximou-se de Laura e sussurrou com uma voz provocante:
– Ninguém mandou me recusar, gata.
Todos caíram em uma profunda crise de riso e Laura começou a praguejar em grego antigo, seguiu para o banheiro para tentar limpar-se. Os outros ficaram rindo ainda por alguns minutos. Leo havia terminado seu projeto e a "Graziella" estava prontinha para gelar bebidas na temperatura desejada e entregá-las apenas com um comando de voz. Os três resolveram ir dormir na sala. Após aproximadamente uns trinta minutos Laura apareceu com o rosto limpo e uma cara de "um dia me vingarei". Por fim, adormeceram rapidamente, mas não puderam dormir sequer duas horas. Isabela que estava com muita pressa para ir embora logo, vendo que logo amanheceria, começou a acordar o pessoal.
– Bora levantando desse colchão que eu quero ir embora.
Os três levantaram rápido, mas pareciam estar em outro mundo de tanto sono.
– Mas já? –perguntou Laura coçando o olho.
– Já. Agora! –berrou Isabela.
– Hum... Alguém viu a Sara e o Steve por aí? –perguntou Leo.
– Vou deixar essa quenga ridícula aí! Só sabe dar e não larga o Steve por nada. –disse Isa.
–Isso é ciúme ou é impressão minha? –perguntou Laura rindo da amiga. Isabela não respondeu nada por certo tempo e estava com sua cara de ofendida, por fim falou:
– Ciúme é porra! Só quero ir logo.
– Sei... –provocou Connor rindo da situação.
– Gente, acho melhor irmos logo. –disse Leo olhando pela janela e o dia começava a nascer.
– Também acho. –concordou Isa emburrada.
– E quem se candidata a ir chamar o casalzinho lá no quarto? –perguntou Connor.
– Eu vou é porra! Mais rapaz... –murmurou Isa.
– Vou também não, tem que subir as escadas. –disse Laura bocejando.
Connor e Leo se olharam e quando faltavam fazer um par ou ímpar para resolver a situação, Sara e Steve surgiram no corredor, se pegando como se não bastasse.
– Ai que melosos vocês. –comentou Laura.
– Hoje eu tô fofa. Respeite meu momento. –brincou Sara forçando uma cara de pura que não foi sustentada por muito tempo, pois a mesma começou a rir.
– Tá, isso é novidade. –brincou Leo.
– Mas eai... Vamos? Daqui a pouco o sol nasce e ferrou. –disse Steve já caminhando em direção a porta.
– Vamos. –concordaram os outros.
Os amigos percorreram o caminho de volta cautelosamente para o caso de encontrarem uma harpia ou algo assim. Chegaram rapidamente e cada um seguiu para o seu chalé, sem muitos problemas com os irmãos que estavam ansiosos naquele clima de deixar o acampamento e tudo mais. Sara colocou nas malas os seus CDs e algumas coisas que ainda faltam. Deu uma breve olhada no chalé e deixou-o para trás. Laura fez o mesmo e Isabela já estava com tudo pronto desde o dia anterior. As meninas despediram-se de todos e saíram do acampamento prontas para encarar o mundo, coisas e pessoas com novos olhares.
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