Ozando no Chb
49 Disseminando o Caos
Notas iniciais
Em meio a estilhaços voando, uma nuvem de fumaça invadindo o pulmão e em uma corrida com altas temperaturas graças ao fogo estava o nosso querido grupo de semideuses.
– Eu vou morrer! –falou Sara pela milésima vez, porém dessa vez sua voz estava mais fraca, pois a fumaça já estava afetando-a visto que a mesma não calou a boca nos últimos minutos.
Steve fadigou-se e não mais a mandava calar a boca. Uma nova explosão acontecia a cada cinco minutos fazendo os semideuses correrem cada vez mais rápido, de forma exponencial de acordo com o número de explosões.
O fogo já tinha se alastrado por quase toda a floresta deixando-os encurralados.
–Leo você é burro ou o que? Quem mandou colocar fogo na floresta? –berrou Isabela dando um murro no mecânico.
–Pô cara agora os sátiros vão ficar bolados. –comentou Connor meio grogue de tanta fumaça que havia inalado.
–Não foi minha intenção cara, eu só queria ajudar. –choramingou Leo.
–É, ajudou pra caralho! Muito bem Leo Valdez, meus parabéns. –resmungou Steve.
As explosões foram diminuindo e os semideuses após terem corrido tanto, acharam que finalmente poderiam diminuir o ritmo e quem sabe já estariam a uma distância segura.
Entretanto, como a vida de semideus não é assim tão fácil, uma nova explosão mais forte do que a outra ocorreu e todos foram arremessados. Como Laura e Sara estavam sendo carregadas, caíram em cima de seus respectivos machos machucando-os.
–Você quebrou meus órgãos! –murmurou Connor.
–Como vou quebrar seus órgãos Connor? Órgãos não se quebram. –respondeu Laura sem sair de cima dele.
–Trouxas! –disse Isabela jogada no chão, levantando apenas a cabeça.
–Sara, já pode sair de cima de mim. Tá doendo tudo. –sussurrou Steve com dificuldade.
–Eu vi o horror! Eu vi o caos! Steve você esqueceu que eu e a Laura ficamos observando tudo se consumir, destruir... Estou intoxicada com toda essa fumaça. –disse Sara.
–Eu sei que você estava olhando pra minha bunda Sara. –respondeu Steve e Sara não argumentou, pois essa era a verdade.
Todos estavam jogados no chão, sem forças. Faltava pouco para o fogo consumir a única passagem de fuga que ainda restava. Laura já tinha até mesmo considerado a opção de morrer ali mesmo por pura dor e certa preguiça de levantar.
–Onde está o Valdez? –perguntou Connor preocupado.
–Do jeito que é magrelo deve ter sido atirado o mais longe possível. –respondeu Steve.
–Mas a Sara tá aqui... –disse Connor.
–Palhaço, eu estou em cima do Steve, devidamente agarrada nele. Não questione que eu estou passando mal. –atacou Sara.
–Ai... É a mãe natureza se vingando... Santo Hefesto! –murmurou Leo, se arrastando com o rosto chamuscado.
Leo já havia tido péssimas experiências com incêndios, afinal fora assim que tragicamente perdera a sua mãe. A explosão assustou tanto o garoto que ele se esqueceu completamente que era imune ao fogo, até porque ele mesmo era capaz de produzi-lo.
–A mão... A mão do Leo tá pegando... FOGO! –berrou Isabela e desmaiou novamente.
–Isabela... Isso é normal. –respondeu Steve meio confuso.
Leo realmente estava em conflito. As lembranças ruins do seu passado vieram em sua mente e ele não conseguiu controlá-las. Tentava a todo custo apagar o fogo em suas mãos, mas infelizmente acabou produzindo mais.
–A natureza está magoada! Eu taquei fogo nela... –murmurou Valdez sentido.
Exatamente nesse momento, um menino de 1,95 de altura, olhos verdes, pele levemente bronzeada como a de um surfista, porém ele não tinha cara de quem gostava muito de pegar umas ondas, na verdade tinha expressão bem séria e carrancuda. Suas sobrancelhas estavam franzidas de modo que ele parecia um rapaz de poucos amigos, com uma cara de quem está constantemente buscando alguém para discutir. Vestia-se como um professor da área de exatas, usando uma camiseta polo bem passada e tênis devidamente limpos – em um incêndio – não questione como.
–Fogo? Vocês queimaram a floresta? Pois eu vou tacar fogo em vocês! –gritou ele tentando soar ameaçador, mas seu corte de cabelo milimetricamente calculado e penteado não lhe davam uma aparência rebelde.
Ao ouvir a voz do sujeito, Steve levantou-se imediatamente.
–Quem é você garoto? –perguntou Steve.
–Quem é você querido? Porque eu... Eu sou Peter Alphômega Fahrenheit de Mendonça. Com muito orgulho! –respondeu ele.
Todos que ainda se recuperavam do susto entreolham-se sem saber muito bem como reagir a intrigante presença daquela figura singular.
–Estava eu andando tranquilamente na floresta com meus afazeres quando eu vejo fogo! FOGO! Sabe o que é você estar andando tranquilamente na floresta e ver fogo? EU QUASE MORRI! –gritou ele exageradamente –Pois eu não quero saber! Vou é processar todo mundo. Alphômega Fahrenheit, um nome tão forte, tão lindo –ele enchia a boca para falar –sendo quase morto por um incêndio florestal, não pode isso gente. Tenho nome pra isso não.
–Tá. Fala logo quem é você. –disse Steve impaciente.
– É! –concordou Connor.
–Queridos, qual parte do Peter Alphômega Fahrenheit vocês não entenderam?
–Nunca ouvi falar. –comentou Laura.
–Nem eu. –concordou Sara.
Continuaram discutindo alheios ao incêndio. Leo ainda tentava apagar o fogo em suas mãos inutilmente. Isabela permanecia desmaiada.
–Bom, eu pretendo não morrer queimada e vocês? –questionou Sara quando Steve estava prestes a dar alguns tapas em Peter.
Estavam quase cercados pelo fogo e não se deram conta disso.
–Vamos sair daqui -disse Steve. –Mas esse aí vem com a gente não vai escapar de umas não.
–“Não vai escapar de umas não” –repetiu Peter ironicamente. –Escuta aqui querido, quem você acha que é?
–Amiga eu estou começando a achar que esse Alphômega aí é filho de Ares. –comentou Laura para Sara.
–Ou Ares ou qualquer outro deus, está se saindo muito abusado pro meu gosto. –comentou Sara.
–Pra onde vamos? –questionou Connor.
–Sair daqui, obviamente. Já falei que queimado não morro. –respondeu Peter.
–E espancamento, será que é uma boa opção de morte? Vamos, andando cabeça de caixa d'água, ou melhor, correndo. De boca fechada. –ordenou Steve impaciente vendo o fogo consumir tudo.
– Pra porra! Meu santo Iphone! Vocês não me tiraram desse incêndio? Belos amigos, muito obrigada! Pode nem desmaiar mais que morre queimada porque os amigos não salvam. –disse Isabela com a voz extremamente ofendida
–Isabela tá bugada é? Ninguém aqui se salvou não minha filha. –respondeu Leo.
Isabela olhou para os lados com uma expressão confusa.
– Minha cabeça tá esquentando e eu estou ficando mais burra. –afirmou ela em tom sério e os amigos conseguiram dar uma breve risada.
Os semideuses não tinham mais tempo. A fumaça tornava-se cada vez mais densa deixando o grupo confuso e letárgico, pouco a pouco iam perdendo a consciência, mas sabiam que de alguma forma precisavam sair dali.
O barulho causado por toda a destruição era quase ensurdecedor, árvores enormes desabavam no chão e era possível escutar o barulho de sirenes ao longe. Seja lá como o incêndio estivesse sendo interpretado pelos mortais, os adolescentes não teriam oportunidade de descobrir. Uma nova explosão mais forte do que a primeira ocorreu em algum ponto da floresta e todos foram lançados ao ar.
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