Ozando no Chb
48 Barreiras em Chamas
Notas iniciais
Os semideuses saíram de suas barracas completamente desnorteados. Sara foi andando aos tropeços tentando vestir sua blusa, porém o sutiã embolado dificultava seu progresso. Steve estava sem camisa, descalço, vestido apenas com uma bermuda e com os cabelos completamente desgrenhados.
Connor não sabia se terminava de colocar a manga de sua camisa ou pegava sua espada. Então ficou lá preso com o que parecia ter se tornado uma camisa de força com a espada em punho. Laura foi a última a sair. Ela pulava de um pé só e tentava abaixar o vestido simultaneamente.
Laura e Sara aproximaram-se dos garotos, apáticas. Se tem uma coisa que elas não queriam naquele momento era matar monstros, entretanto sobre isso não tinham controle.
– Vocês são os homens, vocês matam! -decretou Laura.
– Apoiada. -concordou Sara.
– E além do mais o meu pé está debilitado. -informou Laura.
– Folgadas! Parece que não aprenderam o que é ser semideus. Se foder mano! –falou Steve irritado e marchou em direção ao monstro, assumindo total papel de macho alfa.
Laura ainda continuava discutindo com Connor sobre os motivos pelos quais ela não poderia lutar. Sara olhava para as unhas com desdém.
O monstro aproximou-se com voracidade e todos, até mesmo Steve deixaram escapar um grito. É que com a mesma rapidez que o monstro chegou, ele deu de cara com uma espécie de barreira mágica causando um barulho estrondoso.
– Por Zeus! –gritou Sara assustada com as mãos nos ouvidos.
Os três obsevaram o monstro berrar e se debater. Nenhum deles conseguiu identificar qual monstro era aquele e não pretendiam descobrir, mas aquela coisa parecia ser algo bem típico do Texas, pois estava vestido a caráter com direito a botas de couro e tudo.
Aos poucos a aberração calçada foi se desintegrando. A barreira mágica continuava a fazer barulho enquanto matava o monstro aos poucos e Laura jurou ter visto faíscas.
– E aí? Que tal? –gritou Leo Valdez com um sorriso orgulhoso estampado no rosto.
– Por Zeus Valdez! Só me diga que essa armadilha só mata monstros. –falou Laura quando finalmente o monstro não era nada mais do que pó dourado.
– Digamos que não exatamente... –respondeu ele.
– E se algum de nós estivesse passado por aí? Afinal essa coisa até então era invisível. –argumentou Steve. No fundo o seu instinto de filho do deus da guerra estava um pouco frustrado, tanto que sua espada ainda estava em mãos.
– Bom meu amigo, eu chequei e tirei conclusões exatas de que você não estava querendo sair da barraca. –disse Leo soando malicioso.
– Leo! Você... –exclamou Sara.
– Calma Senhorita Santa Safadagem! –disse Leo.
– Vai se foder viu moleque. –disse Steve empurrando o ombro magrelo de Leo.
– Espera aí casal! –pediu Leo levantando as mãos em sinal de defesa. – Eu não espionei ninguém, mas convenhamos que já se dá pra ter uma ideia...
– Ok, vou nem comentar Valdez. –disse Sara antes que Steve brigasse mais.
– Valdez, você é incrível ok? Mas o monstro já morreu e se a barreira está aqui estamos seguros. Portanto, podemos voltar a dormir? Meu tornozelo tá doendo. –disse Laura.
Leo encarou o grupo com uma cara de ‘’deu ruim’’. A barreira fez um barulho estranho e oscilou, ora parecia ser real, ora parecia apenas uma projeção holográfica.
Ao escutar o barulho, Isabela finalmente levantou. Ela estava com os cabelos desarrumados, o rosto com marcas de travesseiro, uma calça de pijama furado na bunda e os olhos inchados de sono.
– Monstro! Matar monstros! Cadê? –berrou ela como se estivesse pronta para o ataque, entretanto os amigos já sabiam identificar perfeitamente que ela estava em um estado de sonambulismo.
Os semideuses voltaram à atenção pra Isabela enquanto Leo continuou com a mesma expressão olhando para a sua mais nova criação. De repente a armadilha se estabilizou e o barulho ficou mais intenso, de fato Laura estava certa quando afirmou ter visto faíscas.
De repente, Leo saiu como um foguete e foi catando tudo o que pode. Todos olharam sem entender, mas o filho de Hefesto berrou:
– A barreira só funciona com um monstro!
– E tá pegando fogo! –berrou Laura desesperada.
Isabela só acordou quando escutou a palavra ‘’fogo’’.
– Zeus amado! Meu Hephonestus está na barraca! –berrou Isa e saiu correndo.
– Meu Zeus! Não nasci pra morrer queimada. –murmurou Sara.
Mesmo estando com raiva do Leo por ele não ter avisado nada, Connor e Steve entenderam o olhar de súplica do amigo e ajudaram-no. Em questões de segundos Isabela já estava com todas as suas coisas, com o celular em uma mão e um lençol cobrindo o rosto.
– Eu estou perdendo o ar! –murmurou Sara.
– Ai meu Poseidon, eu também! –respondeu Laura.
O fogo se alastrava pela floresta rapidamente, por Zeus não era fogo grego. Mas mesmo assim os semideuses já tossiam e respiravam com dificuldade.
– Vai explodir! –berrou Isabela ao longe.
– Adeus vida! –lastimou Sara.
– Vou morrer com o tornozelo machucado, sem chances nem de correr! –choramingou Laura.
As duas não morreriam, pelo menos não dessa vez. Steve carregou Sara de um lado e Connor pegou a Laura do outro, nada delicadamente como se pode presumir. Eles correram e ninguém ousou olhar para trás, mas pela quantidade de fumaça a floresta estava sendo consumida desastrosamente.
– Vocês são burras é? Burrianes! –gritou Isabela enquanto corria.
– Cala boca Isabela. –interrompeu Steve e deu um puxão em Isabela pelo coque mal feito.
– Tu não pega no meu coque! –vociferou ela planejando dar um tapa no irmão.
Como aqueles dois conseguiam brigar em meio a essa situação não se sabe, mas adiantou e Isabela correu mais rápido.
– Vai explodir mesmo! –anunciou Sara.
– Corre gente! Mais rápido Connor! –gritou Laura balançando os braços e pernas como uma criança birrenta.
– Como você quer que eu corra rápido se remexendo feito uma minhoca Laura? –questionou Connor e Laura ficou quieta.
Como estavam desajeitadamente acomodadas nos ombros dos dois garotos, as visões de Laura e Sara estavam de frente para o caos.
–Meu Poseidon Socorro! É hoje que eu morro. Olha essas chamas que devoram tudo a sua frente ferozmente até sobrar apenas cinzas do que antes era verde. –falou Laura dramaticamente.
– Vai explodir essa merda! –berrou Sara em desespero.
E explodiu mesmo.
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