Oxente, Meu Amor.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
E mais uma vez Bianca passa as mãos no vestido, um maltrapilho que ganhou da sua madame, seu cabelo estava solto, o que a fazia ficar com muito mais calor, um dia de verão em Salvador em 1932, seu mais novo irmão chorava atrás do peito de sua mãe. A garota se levantou, pegou o irmão que tinha seus dias de nascidos e aninhou em seu colo enquanto cantava uma musica de ninar para ele, realmente a garota não havia nascido para ser cantora, desafinava tanto que sua mãe, que estava sentada em uma cadeira e apoiada na mesa, ri. A garota coloca o irmão deitado no colchão e vai até a janela em busca de ar, fazia muito calor, seu corpo parecia que queria pegar fogo. Seu olha estava fixo a uma arvore que havia em frete a sua casa, a garota se atreveu a pegar nela e lembrar-se dos momentos que teve como seu amado bem ali...
“Suas bocas estavam quases próximas, as mãos da garota que segundos atrás segurava a arvore confiante estavam tremulas, suas respirações estavam sincronizadas. Suas bocas se tocaram e o sorriso da garota era evidente, para que todos pudessem ver, mas ninguém veria, eram duas da madrugada, ninguém estava na rua a não ser aquelas duas crianças, que se beijavam.”
O sorriso da garota é previsível, sua louca e desastrosa primeira paixão havia sido com seu melhor amigo, que hoje só Deus sabe se ainda existe. Sua boca se abre em um sorriso, seus olhos brilham e por fim um suspiro sai lentamente pela sua boca, e tão ouve um grito de sua mãe lhe chamando para dentro de casa. Bianca senta ao lado de sua mãe esperando com que desse as ordens.
— Minha Bianca, pega ali as roupa e lava pra tua mãe? Por favor, sua mãe ainda sente dor do parto do seu irmão e também caso ele acorde atrás de leite.
— Oxente minha mãe, é lógico só basta me falar a onde estão as roupa, lavo sim minha mãe.
A garota pegou a trouxa formada pela sua mãe e com passos lentos ia até a fonte. Seu belo corpo, seu olhar, suas manias, sua forma de carregar a trouxa, fazia com que os homens que a visse a desejasse. Seus olhos percorreram toda a fonte não havia, nem se quer um pé de gente. Logo que viu a água sua sede que já era tamanha, aumentou, fazendo com que Bianca se ajoelhasse próxima e bebesse um pouco da água. Fechou os olhos e jogou a água em sua costa, de tal forma que se livrou do calor que a perseguiam, suas mãos brincavam com a água que caia da fonte. Ao abrir os olhos se sentou e pegou uma das roupas, a garota estava encharcada e ainda assim conseguia sorri feliz.
“– Vem cá Bi! Para de correr... – Disse João, sua roupa molhada mostrava o corpo magro do rapaz, mas ainda assim Bianca estava em êxtase com a possibilidade de vê-lo sem a camisa.
— Por quê? Ta cansado tá? – Bianca provocava o amigo.
João se aproximou de Bianca lhe dando um beijo, suas mãos segurava o cabelo da menina. Seus rostos não estavam vermelhos por causa do sol que batia severamente, e sim pela vergonha que sentiam, a única vez que se beijaram havia sido em frente à casa da menina, Bianca se separou e buscou não mostra a felicidade que batia no peito da menina de 16 anos. João por sua vez nem queria esconder por ele a pedia em casamento ali mesmo naquele estante. João a puxou para mais um beijo e não negado, amavam um ao outro, foram criados para serem amantes, para serem namorados.”
Seus olhos encheram d’água, sentia saudade de seu amado. E quando olhou a roupas já estavam todas lavadas, agora já poderia ir para casa. E novamente voltou para casa chamando a atenção dos homens. Ao chegar a casa viu sua mãe com o irmão mais novo no colo, colocou a trouxa na mesa e se jogou no colchão velho, adorava o cheiro velho colchão. Seu corpo dolorido, talvez pela exaustão do dia ou até mesmo por um mau jeito, a fez querer dormi o mais rápido possível, quando conseguiu cochilar seu irmão começou a chorar o que fez ela acorda e buscar o irmão, que estava em outro colchão próximo dali, deitou ao lado do irmão e começou a cantar.
Bianca se levanta e toma um susto. O filho do coronel esta ali a obsevando, ela coloca a não no peito e retira alguns fios rebeldes que insistiam estarem caídos pelo seu rosto. A garota se aproxima do rapaz, porem seus olhos continua fixo no irmão. O rapaz passa mão no rosto da menina, que o olha e resmunga algo, então ele a puxa para um beijo. Bianca nunca em sua vida gostou de outro rapaz a não ser o seu João, mas o filho do coronel era completamente obcecado pela menina de furo no queixo e olhos castanhos.
Bianca o empurrou e ele deu risada, nada normal, então começou apertar fortemente o pulso da garota, ficaria uma marca mais tarde. E a puxou para um beijo, dessa vez ela não pode resistir ele a machucava, ela era fraca, ela era menina, mil e uma impossibilidade que até ela mesmo havia colocado em sua cabeça que não conseguiria.
- Já esta sabendo?
— Do que? – A garota limpa a boca e é bem evidente sua raiva.
— Do nosso casamento...
A garota o olha pronta para ter um ataque de loucura, como? Era a pergunta que ela fazia a si mesma, seu corpo poderia desmontar a qualquer momento, cairia dura no chão a qualquer momento, sua boca estava aberta, as palavras recusavam a sair, azar! Era a palavra que passava na cabeça de Bianca ela era azarada de mais primeiro seu amor a abandona para viver como um ladrão e agora seria obrigada a se casar com um louco. A garota se pós a chorar. De repente começa a se ouvir cavalgadas, gritos, o filho do coronel entra para casa da menina e pega a criança e entrega a Bianca, que por causa do susto havia parado de chorar.
- Vai pra fonte, se eu for quem eu estou pensando nunca encontrará vocês lá!
A garota pega seu irmão e segue até a fonte.
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