Owari

2 Capítulo 2


Notas iniciais
N/A: Olá leitores! Atualização de Owari, yay! Antes de lerem o capítulo, preciso responder alguns questionamentos que eu recebi por review e acho que pode ser uma dúvida geral. Owari segue os acontecimentos do canon, ou seja: até o capítulo 700. The Last, nova série, novo filme do Bolt, etc e tal não serão levados em conta nessa fanfic. Por quê? Porque eu, PCSP Uzumaki, não os considero canon e vou explicar meus motivos. Nós já temos o enredo de The Last (já que o filme já estreou), mas não foi o Kishimoto que escreveu o roteiro, ele mesmo disse que o roteiro foi ideia do Studio Pierrot e que ele deu “pitacos”. O roteiro é de autoria de Maruo Kyozuka, que inclusive transformou o roteiro em um light novel já disponível pra compra, e não do Kishimoto. E, sinceramente, eu duvido que o Kishimoto tenha dado sequer pitacos (pois pelo que eu vi do enredo de The Last, tem muita coisa ooc), mas se ele disse que deu vamos acreditar, né? Por isso a Sakura aparece em The Last sem gravidez enquanto em Owari ela engravidou no 699. Isso não é falha de plot minha, eu fiz de propósito, já que eu não pensava em esperar o lançamento desse filme para escrever essa fanfic justamente por não considerá-lo algo além de um filler. Road to Ninja também teve “pitacos” do Kishimoto e ele inclusive escreveu um mangá prelúdio pro filme, mas mesmo assim ninguém considera canon, né? Então, seguindo essa mesma interpretação, esqueçam The Last em Owari. O único foco de vocês pra interpretar Owari é o 699 e 700. Lembrando que eu não estou criticando quem considera o filme canon, ok? Eu simplesmente vou seguir o que eu considero canon, porquanto canon significa “de autoria exclusiva do mangaka”. É a minha interpretação e, como a fanfic é minha, eu vou seguir o que eu penso. Vencido isso, vamos aos nomes: Boruto será chamado “Bolt” aqui, que é a versão mais comum do nome dele no fandom internacional. Porque eu achei que soa melhor no nosso idioma do que “Boruto” (Bolt é falado “Boruto” em japonês, é por isso que dá as duas formas de escrita do nome em romaji). Sarada, que também é chamada de Salada (hehehe), pois R e L tem o mesmo som em romaji, será “Sarada”. Esses são os nomes que eu vou usar nessa fanfic: Bolt e Sarada. Por último, mas não menos importante, eu quero deixar claro que não gostei do fim não por causa dos casais (apesar de eu achar que faltou desenvolvimento do Sasuke e Naruto para ficarem com Sakura e Hinata), mas sim por conta das falhas de enredo. Uma das maiores falhas diz respeito ao destino do mundo ninja, e não precisa ser nenhum economista formado pra perceber essa falha. Eu vou entrar nesse mérito no presente capítulo. Capítulo sem revisão e betagem, portanto perdoem erros, ok? Obrigada a todos que comentaram! Espero que gostem da atualização e continuem dando sua opinião, ela é extremamente importante pra mim! Boa leitura!

Owari

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Capítulo 2

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Pai e filha conversaram durante bastante tempo e, a cada minuto que se passava, o patriarca Uchiha se sentia mais orgulhoso e aliviado por Sakura não ter tomado a maldita pílula. Agora ele sabia que, dentre todos os erros que cometeu em sua vida, dormir com a colega do Time Sete com certeza acabou se tornando o melhor deles: o resultado estava aí e não o deixava mentir, ele jamais voltaria atrás naquela noite, mesmo tendo se arrependido à época.

Pensando melhor, agora ele se recusava a pensar na noite que teve com Sakura como um erro; como podia ser um erro se o resultado era tão belo assim?

Sarada era uma Uchiha em essência: inteligente, orgulhosa e, apesar de ter motivos para estar rancorosa pela ausência do pai, acreditou em tudo que Sakura disse e compreendeu porque ele nunca veio visitá-la, mostrando ter uma natureza bastante benevolente tal como a mãe. Ela se portava com uma graciosidade invejável, seu tom de voz era sempre sereno, e Sasuke ficava cada vez mais admirado ao ver perceber que, apesar dela ter claramente herdado alguns traços dele e de sua mãe, ela se assemelhava mais à Itachi do que eles.

A conversa dos dois fluiu naturalmente, Sasuke estava curioso e fazia muitas perguntas e a garotinha, feliz pela atenção do pai, respondia com prazer cada uma delas.

— Então você é a melhor aluna de ninjutsu da academia? — ele questionou, admirado, lançando uma pergunta redundante simplesmente pra continuar ouvindo a voz dela enquanto ela contava as suas histórias de escola.

Por mais bobinhas que pudessem parecer aos ouvidos de um adulto que viu a morte tantas vezes, para Sasuke aquela conversa era uma das mais importantes de sua vida, independente do conteúdo dela.

— Eu sou a melhor em quase tudo, mas Bolt insiste em dize que ele é melhor em taijutsu do que eu. E é mentira!

Ele não estava questionando muito sobre o nome dos amigos da filha naquele momento, mas já havia percebido que muitos dos seus antigos colegas tiveram filhos que agora conviviam com a sua menina. Estava curioso para saber mais sobre isso, é claro, mas sua curiosidade em saber mais sobre Sarada era ainda maior.

— Você herdou a afinidade por controle de chakra como a sua mãe?

Sarada balançou a cabeça em negação; o coração de Sasuke bateu mas forte.

Isso significa que ela puxou a minha afinidade!

— Eu não sou a melhor em controle de chakra como ela era, eu não vou conseguir trabalhar no hospital como a mamãe. Rokudaime me falou que iria me treinar depois da formatura, porque temos os mesmos elementos e que agora que ele se aposentou teria tempo pra isso.

Sasuke sorriu de canto de boca, imaginando o porquê de Kakashi desejar treinar sua filha. Decerto queria relembrar os velhos tempos. De qualquer forma, agora quem queria treinar Sarada era ele, Kakashi que curtisse sua aposentadoria com outra atividade.

— Não será necessário, você deve ter a mesma afinidade que eu. Eu vou te ensinar tudo que você precisa saber sobre a sua especialidade, ok?

Sarada pareceu radiante, realizada por finalmente receber tanta atenção do pai. Ela esperava por anos por aquele dia, já estava cansada ao aguardar durante tanto tempo pelo seu retorno. Sua mãe a orientava a ser paciente e esperar, alegando que certamente um dia seu pai iria voltar. Ela afirmava que Sasuke era uma pessoa que honrava suas promessas, e se ele prometeu voltar, ele voltaria.

Sarada nunca perdeu as esperanças; e valeu a pena esperar!

— Mamãe diz que eu puxei muitas coisas suas, pois o sangue Uchiha é forte. — ela declarou, um pouco orgulhosa de si mesmo; Sasuke chegou a suspirar de admiração ao ouvir aquelas palavras — Mas ela diz que eu puxei o formato dos olhos dela, apesar de não terem a mesma cor, e o formato do rosto, e...

Sasuke começou a procurar algo entre suas vestes de viagem e Sarada calou-se momentaneamente, curiosa para entender o que seu pai fazia. Ele retirou do bolso interno um álbum de fotografias pequeno e entregou para sua filha, que ainda o observava com bastante curiosidade.

— Sakura é muito bonita e você puxou sua mãe em muitos aspectos. — Sasuke falou com ternura, acariciando o nariz arrebitado de sua filha e vendo grandes semelhanças no formato de seu rosto e nariz com os da mãe — Mas você não puxou os olhos dela, Sara.

A garota corou um pouco, feliz pelo gesto carinhoso do pai e pelo apelido que acabara de receber. Sua mãe às vezes a chamava de Sara e, mesmo sem saber, parece que seu pai adotaria o mesmo hábito.

— Mas seus olhos são diferentes do meu.

— Você puxou os do seu tio: Itachi Uchiha. E sabe por que Sakura nunca soube disso?

— Por quê?

— Por que pouquíssimas pessoas olhavam para os olhos de Itachi e saiam ilesas desse encontro de olhar. — ele disse, um pouco orgulhoso do poder que Itachi possuía. Afinal, seu nii-san sempre foi e sempre será o mais forte de todos os ninjas, ao menos em seu julgamento — Seu tio era especialista em genjutsu e sua mãe sabia disso; ela nunca o encarou diretamente nos olhos.

— Que da hora! — a menina exclamou, abrindo um sorriso empolgado.

Sasuke fez uma careta ao ouvir um palavreado informal de jovens sair da boca de sua filha, mas ela certamente não pareceu se importar com isso, olhando com expectativa para o álbum que colocara nas mãos da menina, aguardando que ela o abrisse.

Sarada virou a capa e se deparou com a primeira foto, parecendo surpresa.

— Esses... esse é o famoso Time Sete? — ela perguntou animadamente, olhando pra fotografia que Sasuke conseguiu salvar dentre os escombros do Distrito Uchiha quando voltou para a vila, antes de sua reconstrução. — Mamãe nunca me mostrou a cópia dela.

Estranho... — Sasuke não pode deixar de pensar, se questionando porque Sakura esconderia essa foto da filha.

— Sim, esse sou eu, sua mãe, Kakashi e Naruto quando nós éramos mais novos.

— Nanadaime parece tão emburrado. Você também.

Sasuke achava estranho ouvir a garota se direcionar a si como “você”, visto que ele sempre chamava seu pai de “senhor”. Ainda sim, essa informalidade parecia ajudar na aproximação dos dois, e ele decidiu que não cobraria tamanho formalismo da menina. Ele mesmo podia não admitir, mas detestava quando seu pai cortava sua animação com olhares de reprovação, então não faria o mesmo com sua filha.

Todavia, mais estranho do que ouvir ela chamá-lo desta forma informal foi a maneira altamente formal que se referiu a Naruto, chamando-o pelo seu título de Hokage; era peculiar, principalmente porque o Naruto que ele conheceu não exigiria tamanho formalismo dos cidadãos de Konoha, ainda mais de uma criança que ele muito provavelmente viu nascer.

Sarada virou a página e deu um pulo de surpresa, saindo debaixo dos lençóis com evidente interesse.

— Quem são esses!? — ela questionou animada, quase pulando por cima de Sasuke para lhe mostrar a fotografia.

Naquele momento, o Uchiha viu um pouco de vestígio do seu comportamento de quando era criança na sua filha, e se sentiu feliz por isso. Itachi jamais se exaltaria daquela forma, mas Sasuke, antes do massacre, fazia exatamente esse tipo de coisa, arrancando risadas de sua mãe e censura de seu pai.

— Essa é sua família, o meu lado da família. — Sasuke respondeu docemente, apontando para as pessoas respectivas na foto — Esse é seu avô Fugaku, sua avó Mikoto e seu tio Itachi. Itachi deve ter mais ou menos a mesma idade que você nessa foto, eu era um pouco mais novo.

— Meus olhos realmente parecem com o dele. — ela disse, feliz — Espero ter olhos tão poderosos no futuro.

Sasuke estremeceu de leve, pensando no mangekyou sharingan e em toda sina que aquele poder trazia para o seu usuário.

Eu sinceramente espero que ela nunca consiga esses olhos. — não pôde deixar de pensar, sabendo que cedo ou tarde precisaria conversar com ela sobre essas coisas, mas decidindo não tratar sobre o assunto com Sarada agora. Ela ainda era uma menina, afinal de contas.

Empolgada, ela virou todas as fotos com velocidade, prestando atenção nas várias imagens que Sasuke tinha de Naruto e Itachi — algumas eram inclusive recortadas de jornais, outras, como de Itachi, eram retiradas do bingo book, o que a deixou um pouco surpresa e entristecida. Depois de ver o restante das fotos em silêncio, Sarada fechou o álbum com delicadeza e o colocou no criado mudo, sentando sobre suas pernas e olhando Sasuke com seriedade.

Novamente, o patriarca Uchiha se sentiu diante de seu irmão, tamanho era a austeridade que ela direcionava a ele, possivelmente esperando explicações.

— Você pode me contar sobre a nossa família, pai?

Pai... — ele pensou, suspirando — Eu vou adorar me acostumar com essa palavra.

— Ninguém te contou?

— Tio Itachi é um assunto delicado na escola, mas mamãe me disse que ele foi um herói. Eu não sei muita coisa alem disso, e ver uma página dele no bingo book no seu álbum foi... estranho. — ela respondeu com sinceridade — Ninguém parece querer me contar, pois dizem que é você quem tem que me contar essas coisas, e não eles. Nem mamãe quis me contar.

Isso com certeza tem dedo do Kakashi. — Sasuke pensou, se sentindo grato pelo grisalho deixar as explicações para que fossem feitas por ele, porquanto nem todo mundo sabia todos os detalhes sobre o passado de Itachi como ele sabia. Ela era uma Uchiha e, como o assunto se referia às tragédias envolvendo os Uchihas, nada melhor do que o sobrevivente da tragédia para contá-la.

— Eu vou te contar, não se preocupe, mas agora não é a hora. — ele respondeu com ternura, bastante agradecido pela oportunidade. Sarada sorriu e balançou a cabeça afirmativamente — Nós devíamos nos juntar a sua mãe na sala, ela deve estar preocupada.

— Você sentiu falta da mamãe, pai? — ela questionou timidamente, desviando o olhar com vergonha ao tratar sobre esse assunto — Ela me disse que vocês não foram namorados nem nada, mas ela sentiu muito a sua falta...

Sasuke sabia que aquele assunto eventualmente apareceria. Era claro que Sarada desejaria que seus pais ficassem juntos, que filho no mundo não desejaria algo assim? Decerto ela alimentava alguma esperança de que isso aconteceria.

— Sarada... — Sasuke suspirou, e ela virou os olhos para fita-lo, com aquele olhar esperançoso que o matava de tristeza — Sakura é muito especial pra mim, e se tornou ainda mais por cuidar de você todos esses anos, te tornando uma garota digna de ser chamada de “Uchiha”.

— Então vocês deviam ficar juntos agora!

— Eu gosto muito dela, mas não desse jeito.

A garota pareceu se entristecer visivelmente, Sasuke sentiu seu coração doer por deixar sua filha tão triste daquela forma.

— Você vai partir de novo? — ela questionou, sua voz soando fraca e desesperançosa — Foi só uma visita?

— Não. — Sasuke respondeu convicto, agarrando a mão de Sarada com a sua, tentando demonstrar um gesto de afeição para que ela não chorasse: ele iria se sentir um lixo se ela chorasse. — Eu não vou mais partir, eu vou ficar aqui em casa com vocês. Mas sua mãe e eu não vamos nos casar.

Os olhos da menina Uchiha lacrimejaram; Sasuke sentiu seu coração apertar ao ver essa cena.

— Sarada... — uma voz disse timidamente da porta do quarto, e Sasuke percebeu pela primeira vez que Sakura estava parada próximo à porta, possivelmente veio checar os dos dois. Pelo jeito Sasuke estava focado demais em Sarada e esqueceu-se de prestar atenção em seus arredores; precisaria treinar mais isso para não se distrair na companhia dela, principalmente para protegê-la de qualquer possível ameaça — Nós já conversamos sobre isso filha, você sabe que eu e o seu pai somos apenas amigos.

— Mas isso não é natural! — ela respondeu, puxando a mão para longe de Sasuke e olhando com ares acusadores para os dois enquanto argumentava — Bolt tem um pai e uma mãe casados, todos os meus amigos têm pais e mães casados! Por que só eu não posso ter uma família completa?

Sasuke sabia o que sua filha queria dizer: não era comum em Konoha filhos de pais separados. Não era em sua época e, pelo jeito, não mudou muita coisa com o decorrer dos anos. Realmente, Sarada devia sofrer com isso, principalmente na Academia.

— Você vai ter uma família completa. — Sakura argumentou, aproximando-se dos dois e se sentando na cama de solteiro com eles — Seu pai não acabou de dizer que vai ficar em casa com a gente? Nós vamos ter uma rotina familiar como todas as outras. Tudo que Bolt tem você terá também.

Sakura sorria e tentava transparecer compreensão e gentileza para Sarada e, pela primeira vez na vida, Sasuke se deu conta como ela tinha uma natureza maternal bastante aflorada. Enquanto ele, ao que parecia, teria que trabalhar no seu lado paternal: não sabia o que falar para tentar acalmar Sarada.

— Não vamos! — a menina retrucou, pondo-se de pé e cruzando os braços, sem se virar para encarar os pais; Sasuke estava totalmente perdido perante a explosão da filha, e não sabia se devia censurá-la ou deixar Sakura lidar com isso.

Alias, isso parece herança do temperamento da Sakura.

— Eu vejo o que é uma família de verdade quando vou na casa do Bolt! — ela continuou com sua birra, escapando da tentativa de Sasuke de segurar o seu ombro, andando em direção à saída do quarto, possivelmente pretendendo fugir da conversa.

Sakura, no entanto, foi mais energética que Sasuke e rapidamente agarrou o braço da filha, a impedindo de sair e forçando-a a olhar para eles.

— Pare de trazer o Bolt para essa conversa! — a mulher ordenou, olhando-a com autoridade — Não faça Sasuke achar que eu criei uma menina mimada! Você está fazendo isso pra tentar convencê-lo que eu sei, mas não é com choro e birra que você conseguirá isso!

Acredite filha, eu sei. Eu já tentei. — Sakura pensou, recebendo o olhar Uchiha já totalmente desenvolvido por Sarada e sentindo o frio na espinha costumeiro, imaginando o quão perigoso seria esse olhar quando ela desenvolvesse o sharingan.

Além da imensa insatisfação com a birra de Sarada, Sakura estava desesperada, com um medo palpável de Sasuke descobrir quem era Bolt: se isso acontecesse, ele não iria reagir tão bem como vinha reagindo até agora, ela tinha certeza disso.

E quando Sarada abriu a boca, Sakura soube que seu maior temor iria acontecer:

— Tia Hinata e Nanadaime se casaram e eu vejo a diferença de dois pais que são casados e os que não são!

Sakura sentiu seu sangue congelar, mal conseguindo coragem para olhar para Sasuke, completamente apavorada pela reação que ele teria ao descobrir aquele acontecimento: Hinata e Naruto se casaram alguns meses depois que Sasuke partiu e construíram uma família. Ela sabia o motivo do retorno do Uchiha, e certamente essa notícia não seria muito bem recebida.

Ainda sim, a explosão de Sasuke não veio de imediato. Ele se escondeu atrás da sua tão conhecida máscara da estoicidade, como sempre fazia nos momentos de crise. E, diante disso, Sakura não sabia se pegava Sarada no colo e fugia dali, ou se dava um voto de confiança para Sasuke.

Depois de um longo e tenso silêncio, o Uchiha piscou pesadamente uma única vez e, ao abrir os olhos, focou em Sarada.

Seu olhar estava tão severo e perigoso que a garota nem pensou em abrir a boca novamente.

— Não fale desse jeito com a sua mãe. — ele disse simplesmente, em um tom de bronca digno a parelhar com o de Fugaku, surpreendendo-se um pouco com a familiaridade do seu tom de voz — Hierarquia familiar é algo sagrado para um Uchiha, e como tal você tem que aprender a respeitar seus pais. Eu não quero ver você usar esse tom de voz nessa casa. Nunca mais.

Sarada chegou a abrir a boca para responder, mas logo se acovardou, fechando-a sem ter coragem de pronunciar uma única sílaba. Sakura apreciava a interação de pai e filha com imensa curiosidade, satisfeita pela forma eficiente que Sasuke encontrou de calar aquela birra.

Sakura criou Sarada para nunca agir assim, mas, como toda criança faz ao se encontrar com um novo adulto, ela testava sempre os seus limites para saber o que conseguiria com eles fazendo birra. Sarada era esperta, ela sabia que com sua avó conseguiria quase tudo com um pouco de lágrimas, e agora estava testando pra ver o que iria arrancar de Sasuke agindo assim.

Mas Sasuke, mesmo estando totalmente admirado pela garota, não tinha o coração mole o suficiente para se render a teimosia infantil.

— Sua mãe e eu não seriamos felizes em um casamento. Você quer a nossa infelicidade?

— Eu... claro que não! — Sarada respondeu, indignada com a pergunta.

Era justamente o contrário! Ela queria a felicidade dos dois, e achava que juntos eles conseguiriam isso. Será que seu pai não conseguia entender?

Sasuke se levantou da cama e aproximou-se da menina, ajoelhando à sua frente e pegando suas duas mãos com as dele, olhando profundamente em seus olhos e deixando claro que as palavras que falaria a seguir eram definitivas.

— Eu juro para você que seu dia a dia será como se eu e Sakura estivéssemos casados, até porque o que os adultos fazem em um casamento, criança nenhuma vê. Nem vai fazer diferença.

— Sasuke! — Sakura exclamou, exasperada — Sarada não sabe dessas coisas!

Sarada mordeu os lábios para não rir, abaixando o olhar e deixando bem claro para Sasuke que a nova geração não era tão inocente quanto a sua. Normal, tempos de paz possivelmente gerariam tempo livre para que adquirissem certas curiosidades.

Eu vou ter muito trabalho com ela.

— Ok papai, você venceu. — ela declarou, deixando um sorriso brotar nos lábios e piscando as lágrimas de birra para longe — Me desculpe.

— Eu desculpo. — Sasuke respondeu simplesmente, curvando-se e beijando a testa de Sarada brevemente, surpreendendo as duas mulheres no cômodo pelo gesto carinhoso que certamente não esperavam dele.

— S-sasuke-kun... — Sakura murmurou, levando as mãos sobre os lábios e tentando entender o que acontecia. O Sasuke que ela conhecia estaria explodindo a casa pela raiva que provavelmente sentia por Naruto, e não beijando o rosto de Sarada!

— Não me faça brigar mais com você, por favor. — Sasuke falou para a garota, e ela piscou as lágrimas formadas por um misto de surpresa e felicidade que se acumularam em seus olhos. — Você é tudo que eu tenho na vida.

Então Sakura entendeu a reação de Sasuke: ele estava compreendendo a derrota, percebendo que Naruto não estava mais disponível para ele, que só lhe restava Sarada em sua vida. E, por mais duro que fosse pensar assim, Sakura entendia perfeitamente o sentimento: afinal, era o que ela sentia também...

A menina abaixou a cabeça e se sentiu envergonhada por cobrar algo que seus pais não poderiam dar. Claro, ela queria que eles casassem, mas realmente era muito egoísmo dela exigir isso agora; seu pai voltou pra casa, veio conhecê-la, gostou dela e os dois se deram muito bem. Quem sabe no futuro seus pais se entenderiam e as coisas dariam certo. Ela iria fazer de tudo para a convivência entre eles ser boa, ela ainda tinha uma chance!

— Eu não vou fazer isso de novo. — ela respondeu, observando Sasuke se por de pé à sua frente e levar uma das mãos aos cabelos dela, ajeitando-os atrás de sua orelha com ternura e dando um pequeno peteleco na ponta de seu nariz, antes de voltar sua atenção para Sakura, que ainda parecia totalmente perplexa.

— Sasuke... O Naruto... — ela tentou explicar, mas Sasuke visivelmente se irritou ao ouvir o nome do loiro, e a interrompeu.

— Sarada, peça desculpas para a sua mãe também.

— Desculpe, mamãe.

— Eu desculpo, minha filha. — Sakura respondeu rapidamente, dando um breve sorriso a menina e ganhando outro em retorno, mas logo voltando a atenção para Sasuke e seu humor peculiar — Mas Sasuke...

— Eu preciso resolver um assunto, Sara. — Sasuke interrompeu Sakura, fitando sua filha novamente, trazendo a atenção dela para si mais uma vez. — Mas estarei de volta antes de você dormir, eu prometo.

— Assunto? — a menina questionou, deixando a cabeça se inclinar levemente para a esquerda enquanto fazia aquela indagação.

Mais uma vez, Sasuke lembrou-se de Itachi, e isso acalmou um pouco a sua ira iminente.

Se Naruto sobreviver a essa noite, ele vai ter que agradecer à Sarada. — pensou, ajustando as vestes de viagem e decidindo que não iria trocar de roupa coisa alguma.

Afinal, de que valeria esse esforço?

— Sim, eu tenho que me reportar ao Hokage. Eu sou um ninja de Konoha e tenho que mostrar minha utilidade ao retornar a vila, não é mesmo? — ele murmurou enquanto ajeitava sua luva, testando-a ao fechar e abrir a mão da prótese, formando um punho ameaçador enquanto fazia isso.

Oh meu Deus... isso vai ser feio. — Sakura concluiu, engolindo em seco. O que ela temia iria acontecer: os dois iam brigar, de novo!

— Ah, é verdade. — Sarada respondeu, captando um pouco a apreensão de sua mãe, mas vendo sentido nas palavras do pai e tentando não se preocupar com aquilo — Eu vou te esperar.

Sasuke deu um sorriso genuíno para a garota, novamente acariciando seus cabelos. Deu as costas para as duas e saiu do quarto, andando rapidamente para fora de casa.

— Sasuke, por favor! — Sakura o chamou com um sussurro urgente enquanto corria atrás dele, possivelmente tentando impedir sua filha de ouvir — Por favor, não vá ver o Naruto nesse estado. Amanhã, amanhã é outro dia! Eu vou com você, mas amanhã. Por favor!

— Você não ouviu o que eu disse pra Sarada? — ele respondeu secamente por cima do ombro, não diminuindo a velocidade de sua retirada — É meu dever de ninja me reportar aosaudoso Hokage.

— Não é culpa dele, Sasuke. — ela disse, exasperada, chegando ao lado dele e acompanhando sua passada — Você que nunca teve a coragem de falar nada pra ele. Você realmente acha que ele é tão perspicaz quando o assunto é coração? Ele demorou anos pra perceber os sentimentos da Hinata por ele! Ele não tinha como adivinhar, como cogitar qualquer possibilidade com você!

— Você não entende metade das coisas que acontecem comigo e o Naruto. — Sasuke respondeu sem mais delongas, olhando-a pelo canto do olho de forma acusadora — Ele sabia sim.

Ela engoliu em seco, amaciando a sua expressão e tentando, mais uma vez, implorar:

— Então apenas me prometa que vocês não vão brigar. Por favor!

— Sakura, você tem que parar de me pedir coisas impossíveis de realizar toda vez que eu estou saindo de algum lugar. — ele respondeu secamente, acelerando o passo até iniciar uma corrida. Não olhou para trás, nem se despediu da rosada, irritado demais para lidar com os pedidos dela no momento.

Sakura ficou para trás, parada em frente à porta de sua casa, olhando para o distrito Uchiha com preocupação.

— Eu odeio quando esses dois brigam... — ela murmurou para si mesma, lembrando-se do terrível incidente no teto do hospital; se Kakashi não tivesse aparecido e parado a briga, possivelmente os três se machucariam seriamente: Sasuke e Naruto pela teimosia, Sakura por tentar se jogar na frente dos dois, os três definitivamente não pensando nas conseqüências de seus atos.

— Por que ele esta tão bravo, mamãe? — Sarada perguntou timidamente de dentro da sala de estar.

Sakura suspirou pesadamente, decidindo entrar e arranjar uma desculpa para Sarada que, provavelmente, passaria horas em alerta, ansiosamente aguardando o retorno do pai.

Eu só espero que seja lá o que ocorra nesse reencontro, Sasuke perceba que Sarada também é responsabilidade dele. Ele não pode mais fugir de Konoha. Eu não vou deixar, pelo bem de minha filha.

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(***)

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— Hey, Gaara! Está com tantas saudades que recorreu à uma videoconferência? — Naruto exclamou divertidamente para a câmera de seu notebook [1], tentando retirar as xícaras de café e embalagens de ramen instantâneo que tinha ao redor de sua mesa de trabalho, pois sabia que se seu amigo visse aquilo, possivelmente iria lhe dar uma bronca.

Afinal, Gaara sabia que nos últimos dias Naruto estava trabalhando mais do que deveria, se alimentando sem sair da sala de trabalho e vivendo a base de café; e ele, para parar de receber bronca do colega, prometeu que iria dormir em casa naquela noite.

Bom, ele pretendia cumprir a promessa, mas acabou dormindo sem querer cima da papelada de trabalho, acordando há apenas vinte minutos.

Já bastava o tanto que Hinata iria brigar com ele, pelo menos a bronca de Gaara ele queria evitar. Todavia, não parecia ter dado muito certo a sua tentativa: do outro lado da tela, o ruivo acompanhou sua movimentação com o olhar, analisando tudo que a câmera filmava e logo deixando um suspiro escapar, atraindo a atenção do Hokage.

— Não tão esperto dessa vez, Naruto. — o ruivo comentou casualmente, cruzando os braços do outro lado da tela, aparentando ares de censura.

— O que foi? — o Uzumaki questionou, tentando entender o que havia deixado escapar daquela vez.

— A térmica de café está em cima da prateleira, eu consigo ver daqui. — Gaara comentou, balançando negativamente a cabeça — Você de novo virou a noite trabalhando, não foi?

Não há porque continuar interpretando se ele já descobriu a mentira... — O loiro suspirou, encostando a cabeça na sua mão e apoiando-a no cotovelo, deixando toda a falsa energia de antes desaparecer.

— Sim. — o Uzumaki respondeu, deixando um bocejo escapar — Eu estou tentando encontrar a solução para o problema Gaara, nossa reunião daqui duas semanas vai...

— Naruto. — Gaara o interrompeu, silenciando-o de prontidão — Esse problema não é de agora. Kakashi pensou muito no que fazer, nós já estamos há anos tentando encontrar uma solução para ele. Então não pense que você vai conseguir fazer isso em tão pouco tempo.

Internamente, Naruto sabia que seria muito difícil de conseguir a solução em tão pouco tempo, já que durante anos de mandato Kakashi simplesmente não encontrou uma alternativa definitiva, e não foi por faltas de tentativa. Ainda sim, ele sabia que, como herói mundialmente conhecido, muitas esperanças foram depositadas em suas costas e, agora como Hokage, ele precisava mostrar serviço: era seu dever encontrar a solução para a crise shinobi.

Impressionante como antes, durante todos os seus discursos sobre paz e cooperação entre as vilas, Naruto não pensara que a paz também poderia trazer algo ruim, mas trouxe: o desemprego dos ninjas. Vilas militares, como Konoha, estavam com problemas grandes no quesito financeiro, pois boa parte do dinheiro da vila vinha com as missões contratadas por forasteiros com os ninjas locais. Com a paz, o número de missões decaiu consideravelmente, e isso gerou desemprego em grande escala da população, pois mais de 50% dos cidadãos de Konoha possuíam formação ninja e agora não tinham onde trabalhar.

Kakashi havia realizado algum progresso nessa crise: torneios com prêmios se tornaram algo comum no mundo shinobi nos últimos três anos, a parte civil da população pagava caro para assisti-los, fazendo com que os inscritos ganhassem algum dinheiro das lutas em questão. No entanto, isso já estava virando rotineiro demais, as pessoas não tinham mais interesse em ver os torneios e, com isso, a crise voltou a assolar toda economia das vilas militares.

— Eu acho que você está me subestimando, Gaara. — Naruto respondeu secamente, sabendo que desta vez alguém finalmente estava atrás de uma solução à longo prazo, e não como os outros Kages fizeram até então: eles só haviam encontrado soluções temporárias, de modo que o problema sempre surgia novamente. Pela primeira vez eles estavam dispostos a encontrar uma solução de verdade, e precisou Naruto bater o pé na reunião da semana passada para que eles finalmente começassem a pensar nisso.

É só uma questão de tempo, e eu não posso perder tempo dormindo...

— Não, eu não estou. — o ruivo respondeu, amaciando um pouco as feições — Eu só quero que você não seja impulsivo de novo e ponha tudo a perder mais uma vez com a sua família. Se lembra do que aconteceu no ano passado?

Naruto estremeceu de leve, recordando-se da crise que teve no ano anterior com Hinata.

Ele estava trabalhando demais e ela estava praticamente sem serviço. A crise shinobi refletia até mesmo para eles, mas Naruto, sendo um ninja mundialmente conhecido, ainda conseguia proposta de trabalhos, enquanto Hinata, mesmo não desejando fazer apenas isso, se limitava a ficar em casa e cuidar dos filhos.

Depois que Naruto saiu para uma missão de escolta onde ficou fora durante quatro meses, foi recepcionado de volta a casa com clima de briga. Hinata estava se sentindo ignorada por Naruto, porquanto ele buscava companheiros de outros clãs para acompanhá-lo nessas missões e nunca a levava consigo. Alem disso, eles não necessitavam do trabalho constante de Naruto devido à herança da família Hyuuga, e por isso ele não precisava fazer tantas missões por mês. Mesmo assim, ele não recusava uma oferta; e ela não entendia porque ele queria tanto ficar longe de casa.

Pra falar bem a verdade, nem Naruto entendia esse seu apego tão grande ao trabalho, mas estava sempre tão ocupado com isso que não tirava tempo pra pensar a respeito.

No fundo, Hinata queria trabalhar com ele e Naruto entendia isso. As crianças já estavam grandinhas o suficiente para ficarem na casa de Sakura ou Hanabi por alguns dias, caso os dois saíssem em missão ao mesmo tempo. Todavia, Naruto insistia que as crianças precisavam dela, e os dois tiveram uma briga muito grande por conta disso, pois Hinata não aceitava que Naruto a colocasse na posição de dona de casa e, indiretamente, era isso que ele fazia ao deixá-la de escanteio.

— Nós dois já nos entendemos... — ele respondeu para Gaara, sabendo que isso não era uma verdade completa; eles simplesmente pararam de brigar, o que não significa que encontraram uma solução pro problema. — Foi apenas uma crise dos sete anos de casado, Gaara. É comum de acontecer.

— Sei. — o ruivo respondeu, descrente nas palavras do amigo, mas optando por não continuar aquela discussão — Ainda sim, eu acho que Hinata tem razão: você deveria mandá-la em missões agora que está como Hokage, pois você pode ficar com as crianças de noite enquanto ela vai trabalhar.

— Mesmo se eu quisesse fazer isso, eu não posso. — Naruto respondeu, suspirando fundo e temendo que logo logo sua esposa traria a mesma solução e ele, novamente, teria que repetir aquelas palavras — São pouquíssimas missões que aparecem na mesa do Hokage, eu preciso mandar um ninja de cada família para que eles consigam manter o mínimo do dinheiro familiar. Por exemplo: não posso mandar Sai e Ino em missões no mesmo mês, ou um vai ou o outro vai, porque se não outra família não terá nenhum de seus membros com missão e ficará sem dinheiro naquele mês.

— Eu entendo. — o Kazekage respondeu, compreendendo a problemática. Konoha estava realmente em crise, talvez fosse melhor chamar Temari para voltar para Suna, pois a situação lá ainda não estava tão ruim. Eles só possuíam 40% de cidadãos ninjas, e não 50%, como acontecia em Konoha.

Em suma, a concorrência trabalhista entre os ninjas na vila da areia era um pouco menos selvagem do que em Konoha.

— As coisas por aqui estão realmente complicadas. — o loiro suspirou, apoiando o corpo no cotovelo do outro braço, colocando-o no braço da cadeira desconfortável onde estava sentado há horas — E como agora eu sempre estou trabalhando e recebendo fixo como Hokage, seria inútil mandar Hinata enquanto eu poderia ajudar outra família a ganhar dinheiro, mandando outro ninja no lugar dela.

— E você acha que ela vai entender isso?

— Racionalmente sim, emocionalmente não. Até porque o pai dela anda cobrando que o clã Hyuuga mostre serviço no exterior para manter a tradição e como Hanabi está grávida e não pode sair em missões, então...

— Naruto, os seus problemas matrimoniais são complicados demais. — Gaara interrompeu, piscando pesadamente — Desculpe a sinceridade, mas isso me faz ficar feliz por nunca ter me casado.

Naruto sabia que aquela era uma maneira de Gaara tentar descontrair o assunto, e por isso deixou uma risadinha leve escapar de sua garganta.

— Casamento tem problemas sim, mas tem muitas coisas boas também. — Naruto respondeu, com um sorriso enorme no rosto, pensando em seus filhos — Bolt e Himawari são maravilhosos, toda vez que eu olho para eles eu tenho certeza que nenhum problema do casamento vai ser grande o suficiente para me fazer arrepender de ter casado.

O ruivo também sorriu, sentindo-se feliz por ver Naruto satisfeito com seus filhos, mas não deixando de perceber uma particularidade comum no discurso do amigo: o Uzumaki nunca se referia a Hinata como a razão de seu casamento ser feliz, e sim aos herdeiros.

Talvez ele nem perceba que, apesar de estarem anos juntos, Naruto nunca se apaixonou de verdade por ela. — ele concluiu, lembrando-se das conversas que tinha com seu cunhado sobre a vida matrimonial “problemática” de Naruto.

Se tinha alguém que sabia bastante sobre Naruto, esse alguém certamente era Shikamaru, já que os dois se aproximaram muito como amigos depois da guerra, ao ponto do Nara se tornar o braço direito dele depois de sua eleição como Hokage. Shikamaru e Gaara chegaram a mesma conclusão: Naruto se afogava tanto no trabalho simplesmente para manter distância de Hinata e, no fundo, a Hyuuga também sabia disso. Ela só não queria acreditar no que estava escancarado bem debaixo do seu nariz.

— Se quiser me ligar depois e conversar sobre assuntos particulares você pode, mas só depois que você tiver uma boa noite de sono. Agora vou direto ao ponto: eu te chamei pra tratar de assuntos profissionais. — ele resolveu mudar o teor da conversa, se ajeitando na cadeira e olhando para a câmera com seriedade, vendo Naruto fazer a mesma coisa do outro lado da tela — A reunião foi adiantada em uma semana, será daqui seis dias. O local também foi alterado, não vai ser mais em Sunagakure, será em Kirigakure.

— Por quê?! — Naruto questionou, exasperado, se colocando de pé e debruçando sobre o notebook — Qual o motivo da mudança?

— Recebemos denúncias anônimas de que alguns ninjas de Suna estão tentando sabotar a reunião.

Naruto fechou o punho e bateu com força na mesa, se jogando na cadeira e apoiando testa no teclado do notebook, colocando a cabeça sob as mãos e tentando se acalmar.

— Eles estão sem emprego, Naruto. — Gaara comentou, também com ares cansados — Eles estão ficando desesperados. Acreditam que se alguma baderna acontecer nesta reunião, as pessoas vão novamente se sentir inseguras e contratarão o trabalho de ninjas, dando emprego para eles. Eles querem causar tumulto para voltarem a trabalhar.

Nem precisava explicar, Gaara... — Naruto pensou, extremamente cansado, se perguntando como iriam fazer caso mais pessoas tivessem a mesma ideia. Todos os Kages temiam uma atitude como essa por parte dos shinobis, mas ninguém esperou que fosse ocorrer algo assim ainda naquele ano.

— Nos precisamos achar logo uma solução para isso. — murmurou, levantando a cabeça e olhando pra câmera mais perto do que outrora.

— Você está parecendo comigo com essas olheiras — o ruivo comentou, tentando fazer um comentário lúdico para diminuir o clima tenso do momento.

Naruto sorriu de canto de boca, endireitando a postura.

— Nah, pra parecer com você eu precisaria deixar o cabelo crescer um pouco e virar adepto ao gel. — ele comentou, fazendo o ruivo corar intensamente.

— Qual o problema do meu cabelo? — questionou, passando a mão sobre as madeixas cuidadosamente penteadas — Kankuro disse que me dá a austeridade necessária para um líder.

Nesse momento Naruto riu de verdade, sentindo-se bem mais leve do que antes. Gaara conseguia ser tão inocente as vezes, e outras vezes tão perspicaz. Era peculiar e ele adorava essas qualidades no amigo.

— Kankuro disse isso porque é seu irmão e está zoando com você. — ele respondeu, ainda com o sorriso nos lábios — Você fica melhor com o cabelo de antes Gaara, abandona esse gel se quer casar ainda nessa vida.

O ruivo corou ainda mais intensamente, mas Naruto não entendeu o motivo de sua vergonha.

— Naruto, quantas vezes eu vou ter que dizer: eu não vou me casar. — ele comentou baixinho, irritado com aquele assunto.

O loiro sempre insistia nisso e Gaara detestava conversar esses assuntos, principalmente com a pessoa em questão.

— Mas você é o único que ainda não se casou, eu não entendo isso!

— Eu não quero me casar.

— Por quê?

Gaara suspirou de uma forma tão profunda que mesmo do outro lado da tela Naruto foi capaz de ouvir. Ele fechou os olhos, como se pedisse a Deus por paciência. Depois de um tempo os abriu e encarou Naruto de uma forma bastante profunda.

— Porque eu só me casaria com uma única pessoa, mas essa pessoa já é casada.

Por algum motivo, o loiro sentiu seu corpo arrepiar com o tom de voz de Gaara. Mas, independente disso, percebeu a besteira que sempre fazia ao insistir nesse assunto e tentou consertar seu erro.

— Me desculpe por isso, eu não sabia. Deve ser difícil. — ele comentou casualmente, sentindo seu rosto corar também por estar sem jeito ao tratar sobre aquele assunto.

Naruto não gostava muito de falar sobre amores não correspondidos, já que ele mesmo sofreu com isso e não era uma boa recordação.

— Não se preocupe, não há problema algum. — o outro respondeu, dando de ombros — Tudo que eu desejo é ver essa pessoa feliz, ver quem você ama sorrir e ser feliz trás felicidade para aquele que ama.

— Isso é verdade! — Naruto respondeu, um pouco menos desconfortável com o assunto — E a pessoa que você gosta está feliz?

— Essa pessoa pensa que está feliz, mas está se enganando. — novamente respondeu naquele tom sério de antes, causando calafrios em Naruto — Mas eu tenho esperança de que um dia ela perceba o que está fazendo e consiga reverter tudo isso, e se torne feliz de verdade, como era antigamente.

Do jeito que ele fala, parece que eu deveria saber quem é a pessoa a que ele se refere.

— É, tomara. Detesto pessoas que mentem para si mesmas. Ela tem que perceber isso e voltar a ser feliz.

Gaara sorriu ao constatar a ironia que era Naruto falar algo assim, mas resolveu não levar o assunto à diante. Passou as mãos pelos cabelos, despenteando-os e decidiu que, depois daquele comentário de Naruto, iria rever este penteado. Quem sabe algo mais jovial fosse uma pedida melhor, não é mesmo?

— De qualquer forma, já conversamos demais. Preciso ir agora.

— Ok, eu também. Até semana que vêm.

Os dois desligaram a videoconferência e Naruto abaixou a tela do computador, deitando-se sobre o aparelho quente por alguns instantes.

— Rebeliões... — ele falou baixinho para si mesmo fechando os olhos e planejando cochilar alguns minutos antes de ir para casa — Eu estou com um problemão nas costas...

— Só agora que percebeu, é?

Essa voz!

Naruto instantaneamente se colocou de pé e virou o corpo, dando de cara com a pessoa que menos esperava naquele momento, sentado casualmente no parapeito de sua janela.

— S-sasuke...! — ele exclamou, sentindo-se sem ar e desorientado.

Quando foi que ele apareceu?? Eu não senti nada do chakra dele!! Isso só pode ser uma mentira!!

Naruto, sendo um dos ninjas mais fortes do mundo, se esquecera que havia alguém que tinha a mesma força que ele e capacidade de conter o chakra tão perfeitamente ao ponto de não ser percebido por um ninja do clã Uzumaki (sim, assim como Karin, ele conseguiu desenvolver com o decorrer dos anos uma capacidade fenomenal para percepção de chakras). Possivelmente ele só conseguiria identificar Sasuke se usasse o modo senin. E isso, meus caros, era impressionante.

— Eu vim reportar meu retorno para a vila, me colocar a disposição como shinobi de Konoha e trazer uma mensagem, Hokage-sama. — Sasuke respondeu secamente, pulando do parapeito da janela e entrando na sala sem grandes cerimônias, nem se incomodando em esconder o azedume de seu humor ao ver Naruto.

Tudo em Naruto o irritava naquele momento. Primeiro a revelação de Sarada de que ele havia construído família e, ao chegar na torre Hokage, Sasuke pôde ver Gaara praticamente se confessar pela tela do computador (o que, decerto, não ajudou em nada seu ciúmes). Além disso, ver Naruto mencionar Hinata e os nomes dos filhos o deixou extremamente furioso por saber que, além de se casar com a Hyuuga, Naruto ainda teve não um, mas dois filhos com ela. Ele queria matar Naruto naquele momento e talvez só não estivesse enforcando-o como se não houvesse amanhã porque, ao mesmo tempo em que sua fúria era palpável, sua admiração também era grande:

Naruto estava maravilhoso, não havia outra forma de definir sua aparência. Mesmo tendo passado a noite naquele lugar e estando evidentemente cansado, com olheiras e o cabelo curto levemente despenteado, Sasuke não conseguia desacelerar seu coração ao vê-lo. Naruto usava a capa de Hokage mesmo não estando na rua, e isso o deixava ainda mais sexy perante os olhos do Uchiha. O braço perdido estava lá, porém enfaixado, mostrando que ele recebeu o braço artificial feito pelas células de Hashirama, como Tsunade havia oferecido aos dois antes de sua partida da vila.

Ele está ainda mais lindo do que eu imaginei; e certamente ainda mais idiota. — Sasuke pensou, sentindo suas orelhas corarem com a sensação de raiva e atração ao mesmo tempo.

Naruto, por sua vez, sentia seus braços tremerem enquanto encarava os olhos negros e severos de Sasuke. Ele não estava pronto pra encontrá-lo depois de tanto tempo, não estava preparado para passar por aqueles sentimentos! Ele supôs que se Sasuke não veio no dia de sua nomeação (e com certeza a notícia deveria ter chegado aos ouvidos dele), ele não voltaria mais para Konoha, mesmo que tenha prometido que faria.

Enquanto Sasuke achava Naruto maravilhoso, o loiro não tinha sequer palavras para definir a aparência do Uchiha. Naruto não conseguia parar de admirá-lo de cima a baixo, fitando suas roupas surradas pela viagem, seu cabelo bem mais comprido do que o normal, seu olhar severo e o perfume que comumente sentia toda vez que Sasuke estava por perto, demonstrando que aquele não era um impostor ou um clone.

Era Sasuke, o seu Sasuke. E o maldito tinha decidido voltar depois de anos no exterior! Só pra bagunçar com a sua cabeça!

Meu Deus do céu, isso só pode ser um pesadelo... — Naruto concluiu, irritado consigo mesmo por se sentir dessa forma ao reencontrar Sasuke. Depois de tantos anos com Hinata, ele tinha certeza que isso não iria mais acontecer. Ele gostava de Hinata, ele se sentia atraído por ela; porque seu corpo tinha que acabar com tudo simplesmente por estar no mesmo ambiente que Sasuke?

— Que mensagem? — Naruto questionou depois de um longo silêncio, ouvindo sua voz sair rouca demais para continuar fingindo que não estava afetado com a presença do antigo companheiro do Time Sete.

Sasuke se levantou da onde estava sentado aproximou-se com passos curtos; Naruto sentia sua respiração acelerar cada vez mais. Quando ficaram frente a frente, separados apenas por alguns milímetros de distância entre seus narizes, Naruto instintivamente fitou os lábios de Sasuke, desejando-os sem que pudesse se controlar. O Uchiha, por sua vez, levou sua mão direita para o queixo dele, erguendo seu rosto e fitando-o nos olhos durante uns segundos, apreciando a maneira como suas pupilas dilataram e seu rosto pareceu corar bastante.

— Essa mensagem aqui. — Sasuke respondeu, retraindo o braço mecânico e desferindo um soco muito bem dado na mandíbula de Naruto.

O loiro, ao sentir a dor, instantaneamente viu o encanto se esvair, mas como foi totalmente pego de surpresa, acabou recebendo o golpe em cheio. No entanto, rapidamente revidou o soco, e dentro de instantes os dois já se encontravam em um déjà vu infantil bastante inapropriado.

Pelo menos foram maduros o suficiente de não usarem chakra naquela briga, pois, se assim o fizessem, a Torre Hokage não sobreviveria por muitos minutos àquela ira.

— Sasuke! Mas que bosta! — Naruto tentou esquivar de um golpe e contra-atacou com seu taijutsu, conseguindo derrubá-lo e estendendo o combate para solo, realizando uma imobilização e falhando logo na primeira tentativa.

Em meio a confusão de barulhos de móveis sendo quebrados, Shikamaru invadiu a sala do Hokage com dois ANBUs guardiões, encarando a cena com estrema descrença.

— Isso que eu chamo de problemático... — Shikamaru murmurou ao reconhecer a figura de Sasuke e relaxar visivelmente, aproximando para tentar retirá-lo de cima de Naruto.

— Shikamaru, saia já daqui! — Naruto gritou, enquanto tentava se desvencilhar de uma imobilização, conseguindo uma escapatória com algum esforço — Isso é entre eu e ele!

Shikamaru parou de andar e agarrou o braço dos ANBUs que ainda se aproximavam, compreendendo que, daquela maneira estranha que esses dois sempre se comunicavam, aquilo até poderia ser chamado de uma “reunião de boas-vindas”. Ao menos não estavam usando chakra, e isso era quase que um sinal de paz.

— Abaixem as armas. — Shikamaru ordenou aos ANBUS, que estavam prontos para atacar Sasuke (como se fossem conseguir isso tão facilmente) — Vamos sair daqui.

— Mas... capitão! — um deles exclamou, achando a situação absurda demais para não agirem — Hokage está em perigo! Esse é o Uchiha! Ele pode estar sobre a manipulação do sharingan e por isso fez esse pedido.

— CALE A BOCA, SAI! — Naruto gritou, conseguindo colocar Sasuke em uma chave de braço e olhando para o ANBU mascarado com extrema irritação — Sasuke não saberia quem você é, então eu não estou em um genjutsu.

O moreno gemia, tentando sair da imobilização de Naruto e conseguindo machucá-lo ao desferir uma cotovelada forte em sua costela, utilizando o braço da prótese e, por isso, fazendo doer o dobro que doeria aquele tipo de golpe. Naruto choramingou de dor, mas não o soltou.

— Vamos. — Shikamaru insistiu em voz alta, ordenando aos dois subordinados que se retirassem dali. Não era como se eles pudessem fazer alguma coisa contra Sasuke Uchiha. E, de qualquer forma, Naruto era Naruto: ele sempre sabia o que fazer quando o assunto era Sasuke.

Os dois brigaram até o extremo de seus corpos, nunca recorrendo a chakra. Sasuke, apesar de sua raiva, sequer cogitou a possibilidade de ativar o sharingan, porque ele necessitava aquele contato físico, necessitava de uma briga como aquela, necessitava sentir a pele de Naruto contra a dele, o cheiro de seu suor em suas roupas.

E ele sabia que, bem no fundo, Naruto necessitava disso também.

Havia coisas não dita entre eles, mas totalmente compreendidas — ou pelo menos era isso que Sasuke achava antes de partir há oito anos. Ele acreditava que, ao retornar, Naruto estaria esperando por ele, tal como ele esperou durante todos esses anos. Sasuke achava que Naruto tinha compreendido o sentimento que eles possuíam, que ele sabia que os dois nunca seriam felizes com outras pessoas, pois eram destinados um ao outro.

Mas, pelo jeito, ou ele estava errado e Naruto não entendeu coisa nenhuma, ou o Uzumaki era muito mais teimoso do que aparentava ser.

No auge da exaustão física, os dois finalizaram o combate sem vencedores, cada qual caindo deitado um do lado do outro. A quantidade de cortes e sangue que escorriam do corpo dos dois era relativamente grande, o que tornava a situação ainda mais parecida com a última briga que tiveram, com a diferença de que todo o chakra ainda estava perfeitamente intacto dentro do corpo deles. Não foi uma briga séria, foi apenas a maneira deles de diminuir o estresse e evitar um “olá” constrangedor.

— Por quê? — Naruto questionou, totalmente sem fôlego, percebendo que adiaram demais a conversa e alguém teria que entrar no assunto.

— Você mereceu, cale a boca. — Sasuke disse, passando a mão sobre o corte de seus lábios e percebendo que já escorria uma grande quantidade de sangue dali. Iria inchar, Sarada não ia gostar de vê-lo assim.

— Eu mereci? — Naruto respondeu, indignado, sentando-se e encarando Sasuke de cima — Você é um idiota que apareceu depois de quase dez anos comprando briga, e eu “mereci”?

— Não sei por que você está agindo como o injustiçado aqui! — Sasuke retrucou, também se sentando com dificuldade para fitar Naruto cara a cara — Eu disse que ia voltar e você não esperou.

— Esperar o quê!? Por você!? — Naruto gargalhou ironicamente, jogando a cabeça para trás, mas logo voltando a expressão irritada de antes, olhando Sasuke com desafio — Não me faça rir.

Sasuke sentiu suas bochechas esquentarem e a vontade de bater em Naruto voltar com carga total, mas se refreou, sabendo que deveriam botar aquele assunto em pratos limpos de uma vez por toda. Tinha que confirmar: Naruto disse que sentia o mesmo que ele sentia, não disse?

— Eu disse que iria voltar para resolver as coisas com você! — ele exclamou, cansado de fugir do assunto e desejando ver o que Naruto responderia.

— Ah claro, e você esperou que eu acreditasse nisso? Mesmo depois do que você fez!!?

Sasuke viu o olhar furioso de Naruto, compreendendo a acusação implícita pela intensidade de sua ira. Naruto o acusava de ter dormido com Sakura e, para piorar, ter tido uma filha com ela.

— Eu estava abalado àquela noite, Sakura também, você não apareceu e...

— Me poupe Sasuke. — Naruto exclamou, puxando o moreno pela gola da camisa e encarando ferozmente os seus olhos cor de ônix — Me poupe de ter que engolir desculpinha esfarrapada depois de quase dez anos!

— Não é desculpa, é a verdade. — ele respondeu, tentando manter a calma, mas falhando miseravelmente ao ativar o sharingan, sem, contudo, utilizá-lo. Naruto não pareceu amedrontado, agarrando ainda mais forte as suas roupas — Eu voltei por você, não por Sakura!

Ele viu o lábio inferior do loiro tremer, como se estivesse a um passo de perder a compostura, explodir com as emoções reprimidas. Instintivamente Sasuke tentou levar a mão ao rosto de Naruto, mas recebeu um tapa, retirando-a do caminho ao mesmo tempo em que suas roupas foram liberadas.

— Sasuke, cale a boca. — o loiro ordenou, levando os braços à sua cabeça, tentando cobrir seus ouvidos e não escutar aqueles absurdos que o deixavam esperançoso.

Ele só voltou para me confundir!! — pensou, extremamente cansado com aquela situação. Quantas noites dormiu e sonhou com o retorno de Sasuke, quantos meses fantasiou com aquilo, se sentindo sempre a pessoa mais amada em seus devaneios...

Até que, um dia, ele cansou de sonhar e decidiu viver a realidade. E a realidade até que era aceitável! Até o maldito desejo sonhador voltar para atormentá-lo, e desta vez vestido de realidade. Não era um simples resultado de imaginação fértil.

— Naruto, você pode tentar fingir, esconder tudo e todos e até convencer aquelas pessoas, mas não se esqueça que a gente se entende de um jeito diferente. — Sasuke pegou uma das mãos de Naruto e levou-a para o seu peito, colocando acima do coração; o loiro parou de respirar, surpreso demais pelo gesto para reagir — Você ainda sente o que eu sinto?

Ainda temos aquele laço eterno que tanto tentamos partir e nunca conseguimos? Ainda é capaz de morrer por mim, como eu seria de morrer por você?

E é claro que Naruto sentia...

Naruto sentia o coração de Sasuke bater forte e acelerado debaixo de seu toque, mas não apenas isso: sentia sua dor, seus medos, sua raiva e indignação. Sentia sua paixão, seu temor, e sua surpresa por voltar e descobrir que era pai. Sentia o arrependimento por ter dormido com Sakura se esvair totalmente de seu coração ao ver o resultado daquela noite. Sasuke não se arrependia do que fez, assim como Naruto não se arrependia de ter casado com Hinata e ter ganhado seus dois filhos. Ele não sentia apenas por conta da conexão dos dois, como também sentia por ter feito praticamente a mesma coisa...

Ele sabia que os sentimentos eram recíprocos, sabia que Sasuke foi em busca de se tornar uma nova pessoa para ser digno dele; sabia que ele queria conhecer o mundo com novos olhos e, desta vez, compreendê-los. Isso nunca precisou ser dito com todas as palavras, mas ele compreendia que um dia Sasuke voltaria para por tudo em palavras; era importante para o Uchiha criar a coragem para falar, mesmo que no momento de sua partida não conseguisse fazer isso. Ele voltaria, ele prometeu que voltaria para ajeitar a situação entre os dois!

Mas o tempo passou, as circunstancias mudaram. Sakura engravidou e Naruto começou a duvidar do sentimento de Sasuke por conta disso, pois pela primeira vez na vida ele se sentiu verdadeiramente inseguro. Não pela noite de sexo que os seus colegas tiveram, Naruto sabia que o que ele e Sasuke tinham era maior do que isso, mas sim pelo que Sakura iria dar para Sasuke: ela proporcionou a ele algo que Naruto nunca conseguiria dar, e Sasuke deixou claro quando eles entraram para o Time Sete que pretendia reconstruir o clã. E se o Uchiha não fosse ficar com ele ao retornar, e sim focar nessa reconstrução do clã?

Enquanto todas essas inseguranças e ciúmes surgiam, Hinata o ajudava com os preparativos de maternidade para Sakura (afinal, mesmo não sendo sua filha, Naruto participou bastante da gravidez de Sakura, pois ela era sua melhor amiga). A herdeira Hyuuga estava disposta a fazê-lo superar os problemas e Naruto precisava da companhia de alguém neutro nessa história; alguém que não fosse Sakura, alguém que não trouxesse o nome de Sasuke à tona a todo o momento.

Ele precisava de alguém que não exigiria muito dele, pois ele não podia dar o coração a outra pessoa. Hinata realmente nunca exigiu muito quando os dois começaram a se aproximar, dando tempo o suficiente para Naruto aprender a gostar dela com a convivência. Ela era paciente e o Uzumaki precisava de muita paciência. Para os outros, eles eram namorados: mas nunca haviam se beijado, ou tido um contato mais íntimo para serem chamados assim.

Todavia, quando Naruto viu Sarada pela primeira vez e notou os traços de Itachi e Sasuke tão escancarados naquela garotinha, ele soube que havia perdido. Quando Sasuke voltasse para Konoha ele iria decidir ficar com Sakura, pelo bem da filha, e iria fazer aquela família crescer. Ele ficou ainda mais inseguro, com medo de ser passado para trás (e com a certeza de que cedo ou tarde isso aconteceria). E, por conta disso, antes mesmo de dar o primeiro beijo em Hinata naquela forma estranha de namoro que os dois possuíam, ele resolveu pedi-la em casamento; porque ela era a única certeza que ele tinha, e ele precisava desesperadamente de estabilidade.

Seria injusto demais se a traísse com a volta de Sasuke. Ele podia ter sido covarde no passado, mas ele ainda era um homem de palavra. E os votos de casamento ainda estavam vivos em sua mente. E, por isso, ele não pensou muito para responder:

— Eu não sinto mais, me desculpe. — murmurou para Sasuke, retraindo sua mão e colocando-se de pé, dando as costas para o outro para que não encarar o olhar decepcionado que recebia — Bom saber que está de volta, espero conseguir boas missões para você.

Sasuke também se levantou e esticou a mão numa tentativa de tocar em Naruto, mas desistiu no meio do caminho, sentindo a raiva novamente por ouvir aquela mentira deslavada.

— Se você não sente, eu ainda sinto. — respondeu secamente, com a voz rouca e o coração dolorido — E sei que você está mentindo.

— Não sei do que você está falando. — Naruto sentia-se fraco ao falar, odiando mentir para Sasuke, mas tendo a certeza de que essa era a coisa certa a se fazer; era o melhor que ele podia fazer pelos dois, e por Hinata também — Volte para a sua família, encontre Sakura, tente acertar a diferença dos dois; Sarada precisa de vocês.

Não obteve respostas depois de sua declaração absurda e, por isso, Naruto virou-se a procura do outro, encontrando-o debruçado na janela, pronto para partir.

— Você não vai embora de Konoha de novo, não é? — Naruto questionou, sentindo seu corpo tremer mais uma vez. Não conseguiria deixar que Sasuke saísse da vila mais uma vez, não dava! Ele não iria sobreviver uma terceira vez! Mesmo que tivesse decidido não ceder ao seu desejo e ficar de uma vez com Sasuke, ele o queria por perto. Não, ele precisava tê-lo por perto!

Sasuke o olhou de maneira penetrante, seus sharingan e rinnegan brilhando perigosamente ao serem ativados no auge de sua evolução pela primeira vez desde a batalha no vale do fim. Estava claro o nível de raiva que Sasuke sentia no momento e que ele partia daquela forma era para evitar uma briga de verdade com Naruto. Óbvio que Konoha não sobreviveria se os dois começassem a brigar, e Sasuke já não tinha a mínima pretensão de destruí-la.

— Já que você resolveu fugir do inevitável, eu me abstenho desse cargo. — Sasuke respondeu, estreitando o olhar — Eu vou ficar por ela.

— Sakura? — Naruto questionou com a voz fraca, sentindo o ciúme corroê-lo por completo.

Sasuke estreitou ainda mais perigosamente os olhos, sentindo repulsa por ouvir aquela insinuação.

— Não me compare com você. — ele disse, sem se preocupar em dar maiores explicações — Ficarei por Sarada, é a única pessoa que ainda resta pra mim.

Isso dito, Sasuke saiu da Torre Hokage, deixando Naruto e seu silêncio desolador para trás.

.

... Continua ...

Notas finais
[1] Os personagens agora terão mais aparelhos eletrônicos porque no 700 Naruto apareceu usando o Notebook. Se houver oportunidade, vou explicar como essa evolução tecnológica ocorreu no mundo de Naruto, mas em outro capítulo, portanto aguardem. N/A: Espero que tenham gostado do capítulo! =D O próximo será focado exclusivamente no Naruto e Sasuke, pois eles terão que conviver já que estão morando na mesma vila, não é mesmo?? Muito obrigada pela atenção! Por favor, não esqueçam de comentar e me dizer o que estão achando da história. Isso é algo importantíssimo pra mim, e responderei todas as reviews com muito prazer. Até a próxima! =D Links relevantes: Página do Facebook: https://www.facebook.com/pcspuzumaki Tag de atualizações do tumblr: http://uchihalicius.tumblr.com/tagged/atualizacaofics Aviso sobre plágio: Plágio é crime (artigo 184 do Código Penal) e quem plagiar qualquer fanfic minha, seja totalmente, parcialmente, ou seguindo os mesmos acontecimentos e apenas escrevendo com outras palavras (plágio conceitual) será denunciado e processado judicialmente. Eu sou advogada, sei meus direitos e não vou hesitar em buscá-los, pois pra mim vai ser só mais um processo pra levar a diante, enquanto para você será uma imensa dor de cabeça. Tenha em mente o que te aguardará caso você decida plagiar algo meu, e tenha certeza do seguinte: se eu ou algum leitor meu encontrar o seu plágio de fanfics de minha autoria, eu não terei piedade. Quem não teve respeito com minhas obras não merece minha consideração e meu perdão.