Overdrive & Dark End
29 Prólogo-Análise
Notas iniciais
Falas escritas no formato de script, como em Overdrive
Cinco homens passavam do lado de um grande abismo, que parecia até uma rachadura. Cada homem andava com as mesmas metralhadoras leves e roupas, além de facas, caso fosse necessário. Os cinco usavam jaquetas, calças e sapatos azuis, além de uma máscara preta, cobrindo o rosto, e carregavam um saco. Estavam mantendo uma formação, um ficava no meio e na frente, dois dos lados, e os outros atrás. O que ficava na frente se chamava Sam, os que estavam nos lados eram Lenny e Kenny, e os outros dois se chamavam de Carl, e Harry.
Harry: No que Terry meteu a gente... Sam: Cale a boca... Carl: Mas você sabe que é verdade... Você viu aquilo que aconteceu com os outros... Tentar roubar dos Defensores é quase um suicídio. Terry só mandou a gente como última opção. Sam: Provavelmente eles só morreram por não terem calado a boca. Harry: Bom argumento. Sam: Nós precisamos de comida e água, as coisas só podem piorar. Por um lado estamos em paz com os maníacos de Larry, mas ao mesmo tempo ninguém sabe quando os dragões vão voltar a atacar. Lenny: Dizem que um dragão fica em repouso por seis meses, certas vezes até um ano. Sam: Pena que ninguém tem um calendário aqui, então não tem como saber. Kenny: Mas, e então... Como vai ser o roubo? Sam: Quando a gente chegar lá, nós vamos nos separar. Daí, dentro de uma hora a gente saqueia qualquer lugar que encontrar, silenciosamente, e vamos embora. Kenny: Parece simples. Sam: É simples. Harry: Os outros diziam a mesma coisa. Sam: Tudo tem que ser tão complicado para vocês? Harry: Esses tempos são difíceis, nós sabemos. Então, a gente devia caçar na floresta, e tentar poupar o maior número de homens que conseguirmos. Sam: Esse não é o único objetivo... Harry: Como assim? Sam: Se roubarmos toda a comida deles, logo terão que sair para caçar, procurar suprimentos, e por aí vai. Enquanto isso, Terry quer deixar grupos de guarda em determinados locais, quando eles aparecerem é só atacar, e usar a cabeça deles como penico. Nosso objetivo também é fazer com que eles sofram um golpe bem forte. Harry: Eles devem ter muita comida lá, é impressionante a raridade de ver todos eles caçando. Sam: Deve ter alguns locais bons para plantar... Por enquanto nosso objetivo é roubar o geral, carne e tudo mais. Depois a gente pode tentar queimar algumas plantações, mas chamaria muita atenção. Kenny: Imagino que tipos de coisas podem ter lá dentro... Eles passaram pelo abismo, e continuaram andando por vinte minutos. Dava para ver de longe a cidade, e os muros em volta dela. A área ao redor deles era vazia, e seca. Sam: Prontos? Kenny: Não tem ninguém vigiando? Sam: Esses muros até resistem, mas foram feitos no improviso, então não devem aguentar muito. No entanto, eles são melhores que os nossos. Eles não são idiotas de colocar um peso em cima. Tem uma parte dele que só precisa de um empurrãozinho para derrubar, e fica em um local bem quieto. É o único jeito de entrar. Lenny: Está bem. Sam: E não se esqueçam do plano. Aliás, só atirem se for necessário. Kenny: Excelente. Harry: Como você sabe de tudo isso? Sam: Temos espiões lá dentro. O grupo se aproximou dos muros, ainda mantendo a formação. Sam passava a mão nele quase toda hora, até achar um lugar com a estrutura mais frágil. Ao achar, ele deu um empurrão, que fez pouco barulho. Sam: Viram? É bem frágil. Eles estavam em um estacionamento vazio. Logo, se separaram cada um indo para uma direção diferente. Harry se esgueirava nas sombras, fazendo o mínimo de barulho. Aquilo parecia uma cidade fantasma. Harry: *pensando* Por onde começar? Ele olhou para uma casa com a luz acesa, primeiro pensou em deixar passar, mas logo viu uma oportunidade de roubo. Foi até a parte dos fundos, e viu que tinha uma escada, abaixo de outra janela. Logo em seguida, ouviu barulhos, vindo de uma plantação de tomate. Harry se escondeu, e esperou. Era uma garota, que tinha pegado um brinquedo, e estava voltando para a casa. Harry: ... Harry foi até a garota, silenciosamente, e cortou a garganta dela. Em seguida, pegou o cadáver e escondeu na plantação. Ele subiu a escada, e foi parar no quarto da garota. Ele era decorado de rosa, e estava bagunçado, com roupas espalhadas em todos os cantos. Colocou alguns brinquedos no saco, e continuou. Dava para ouvir o chuveiro ligado, então alguém estava tomando banho. Harry ignorou isso e continuou, indo para a parte debaixo da casa. Harry:*Pensando* Está bem, esse cara pode estar com a escopeta preparada, assim que eu abrir a porta do banheiro, então... Harry foi até a cozinha, e pegou um pacote de arroz, além de feijão. Também achou um cereal vencido, colocou na sacola, mesmo com as possíveis consequências. Pensou que seria melhor ir embora, então foi até a janela da cozinha e a abriu. Ao tentar pular, ele parou imediatamente, pois viu que tinha mais alguém ali na cozinha. Ao se virar para trás, percebeu que era um homem de quarenta anos, usando roupão feminino, e que estava com uma escopeta nas mãos. Ele era careca, e desdentado.
Homem: Isso é por interromper o banho do líder da guarda dessa cidade, desgraçado! O homem deu um tiro no estômago, e outro na cabeça de Harry, o seu cadáver caía no chão, assim como o sangue se espalhava. O barulho do tiro atraiu uma grande multidão de gente. –------------------------=-------------------------------------------- Sam estava roubando um lugar onde ficava boa parte das armas. Pistolas, escopetas com o cano serrado, ele levava tudo que não fosse muito pesado. Ao ouvir o tiro, ele viu que as coisas começaram a dar errado. Também viu o homem que ele cortou a garganta, aparentemente o guarda do lugar. Sam começou a pensar em apenas sair daquela cidade. Sam: Porcaria... Ele deixou a metralhadora pronta, caso tivesse problemas, e saiu daquele lugar, sem fazer barulho, além de passar por áreas mais escuras. Por sorte, ele parecia estar longe da multidão de pessoas que tinha sido formada, logo ficou mais tranquilo. Talvez fosse devido a pouca iluminação, mas tudo parecia tão vazio e escuro... Era estranho, aquele povo parecia viver em uma cidade fantasma. Sam: *Pensando* Quem ainda estiver vivo... Espero que já tenha caído fora daqui. Ele continuou, passando por algumas ruas, até chegar num quintal, aparentemente vazio. Sam sabia que tinha algo errado. Mesmo que o foco era no lugar onde foram disparados os tiros, deviam ter guardas patrulhando, em busca de mais assaltantes. Ele olhou para os lados, e viu que estava nos jardins de uma grande mansão. Ela não estava vazia, pois tinha luzes acesas, e tudo mais. Sam: ... De repente, das janelas, um homem usando um rifle de precisão apareceu, pedindo para Sam largar as suas armas, e se abaixar. Em seguida, Sam se viu cercado de mais homens, todos apontando a arma para ele. Então, não tinha outra opção, a não ser obedecer. Dentre eles, um homem saía da mansão, com a metralhadora apontada para Sam, devido a sua postura, dava para saber que era o líder. Sam: Você deve ser Sam Rewly, não é? Rewly: Sim. Sam: Que coincidência, eu também me chamo Sam. Rewly: Que engraçado. No entanto, vamos falar de uma coisa séria... Primeiro de tudo, você quer invadir meu lar. Segundo, vocês querem roubar minha comunidade. E por último, vocês querem roubar meus homens. São ladrões mesmo, não é? Sam: Cala essa boca. Rewly: Vamos fazer uma análise... Esse povo precisa de comida, assim como muitos outros. Além de abrigo, cuidados médicos, e segurança. Então, o que você pode fazer? Não podemos dar esse luxo para todos, por isso vivem em grupos diferentes, independentes. Sam: Você sabe muito bem do que eu estou falando... Seu povo não é honesto! Rewly: Isso é irônico. O seu amigo que acabou de morrer, por exemplo, na casa em que tentou assaltar, ele acabou matando uma menininha inocente. Eu sou um homem completamente honesto? Não sou. Mas, eu tento manter essa comunidade em segurança, não importa o custo. Sam: Você sabe que não é... Rewly: Aliás, se você acha que chegou perto de cumprir essa missão, passou longe. A gente sempre está observando, não por meio de câmeras, mas em silêncio. Esses muros fracos são uma coisa que pretendo arrumar, mas serve como uma boa isca, igual outras partes ‘’defeituosas’’ desse lugar. Segurança é primordial. Sam: Por que não me matou? Rewly: Nós não somos vilões, e nem assassinos. Outros dois de seus amigos também morreram, pois tentaram reagir. Aquele que sobrou foi levado como prisioneiro. O mesmo vai acontecer com você. Sam: ... Rewly: Aliás, o seu chefe conseguiu roubar de mim algumas vezes, não sei qual é a razão de ele insistir nisso. Sam: Nós estamos ficando cada vez maiores, precisamos de sustento. Mas, vocês não deixam, então decidimos tentar dar um golpe duro nesse povo. Rewly: Entenda... Isso é mais uma análise em relação a esse mundo novo, é difícil saber aquilo que está certo ou errado... Mas, segurança, abrigo e proteção são coisas que todos precisam... Não importa como.
Fale com o autor