Overdrive & Dark End

30 Capítulo 1-Época de Mudanças


Denos: Meu problema sempre foi com as mulheres...

Tinha amanhecido, enquanto Denos e Abel tomavam chá. Ambos estavam na cozinha do novo castelo Verrater, e ficavam observando Noline, ao mesmo tempo. Era estranho eles terem reformado a cidade por completo. No entanto, aquilo não parecia um centro econômico, mas sim uma base. Soldados patrulhavam em todos os cantos, enquanto muitas pessoas morriam de fome, ou viviam escondidas. Logo, os dois voltaram a conversar.

Abel: Eu sei que você sente nojo por elas, está bem. Todo mundo sabe que você não ganharia uma luta contra elas, até vomitaria no chão, só de ver.

Denos: Vá se ferrar. Eu já fiquei com muitas, sério mesmo... O problema é que aquela era minha fraqueza. Eu era jovem, devia ter dezessete anos, naquela época. Eu era famoso por isso, é claro que muitos podiam se aproveitar. Um dia, algumas semanas antes de a gente precisar defender uma cidade, na época em você estava recrutando Verraters. Uma garota veio até mim, e passei a noite com ela. Com o tempo nós ficamos cada vez mais próximos, até que cada um sabia de tudo sobre o outro. Eu contei sobre algumas das minhas táticas de defesa, e tudo mais. Aquilo foi bem rápido... No dia seguinte, os invasores estavam cada vez mais próximos, e ela... Tinha fugido. Algum tempo depois, eles sabiam de tudo sobre as estratégias de defesa, e foi um massacre. Muitos dizem que podem ter chances para o amor verdadeiro, e tudo mais... Mas, aquilo me arruinou, é impressionante o que uma coisa tão simples poder causar. A partir daí, eu mudei... Eliminei a minha maior fraqueza.

Denos costumava usar sua armadura colorida, mas quando está no castelo, anda vestido com roupas espalhafatosas, e cheias de cor.

Abel: Eu entendo... Mas, não pensou em tentar ficar com outros tipos de garotas? Você sabe...

Denos: Nós não estamos seguros, Abel... Não tem como saber se elas são espiãs, ou não.

Abel: Como sabe que eu não mataria você?

Denos: Pois eu sou o único que pode te questionar, sou sua voz da razão. Muitas vezes, você ficaria sem saber qual é coisa certa de se fazer.

Abel: E por ser o único que diz isso.

Denos: Exatamente.

Abel: Você nem sequer sente falta de ficar com uma mulher?

Denos: Não. É como eu disse, não quero cometer o mesmo erro de novo. Eu era novo, e burro...

Abel: É só estranho... Alguém mudar dessa forma, tão rapidamente.

Denos: Não foi rápido, e sim complicado. Mas, em parte eu me inspirei em Ned, e então as coisas foram indo. É raro, alguma tentar arriscar algo comigo. Em Everwinter, tinha uma garota, chamada Nelly... Ela tentou arriscar, eu ignorei. Então, durante a invasão, ela nos traiu e foi para o grupo de Azarok. É difícil alguém querer ficar com a gente, pois sabem que nós somos uns monstros. Esse é outro, dentre os muitos motivos para não arriscar. Amor é algo quase que perdido, nesses tempos.

Abel: Assim como antigamente.

Denos: Sim.

Abel: Faz quanto tempo, afinal?

Denos: Cerca de dez meses, quando a gente venceu naquela batalha aérea.

Abel: Logo a frente de Noline tem o Paredão, a única coisa que nos separa do resto desse mundo...

Denos: Exato.

Abel: E se os que sobreviveram estiverem vivos?

Denos: Essa é a menor das preocupações, lá fora existem três exércitos contra você, mas ambos estão lutando entre si. Não tem como saber das coisas que acontecem lá fora.

Abel: Nós precisamos enviar alguém lá.

Denos: Os melhores soldados estão no Paredão, e não podemos triar eles de lá.

Abel: Essa região é o único lugar onde o dinheiro ainda vale alguma coisa...

Denos: Ouvi dizer que tem um vampiro aqui por perto... Ele aceita qualquer coisa por dinheiro...

Abel: Ele é de confiança?

Denos: Está vivo faz tempos, além de ter um passado perturbador. Foi molestado pelo próprio tio, quando tinha sete anos, além de ter problemas com o namorado. Em todo esse tempo, já sei de gente, que pediu serviços para ele, e o mesmo sempre cumpriu a palavra.

Abel: Como sabe de tudo isso? Ele escreveu uma autobiografia, ou algo assim?

Denos: Vai ficar surpreso, mas sim...

Abel: Nossa...

Denos: No entanto, não é nisso que a gente precisa se focar. Os dragões estão descansando, mas e quando eles despertarem novamente? Precisamos de gente nova, lá de fora. Esse vampiro é só um caçador de recompensas, mas ele pode servir para outras coisas. Obviamente, nós vamos ter a cabeça de Larry, Rewly, e Terry. Mas, a calma é necessária.

Abel: O que sugere?

Denos: Eles estão querendo fazer um movimento em relação a nós, isso é óbvio. A gente está seguro, mas não se sabe por quanto tempo. Precisamos de cuidados médicos por agora, de curandeiros. No entanto, você matou quase todo mundo que sabia mágica.

Abel: Não todo mundo. Tem aquele prisioneiro, Lince, ele sabe magias de cura.

Denos: Então faça trabalhar para nós. Você é especialista nisso.

Abel: Eu vou...

Abel se levantou, e ao tocar na maçaneta da porta, Denos o interrompeu.

Denos: Eu me esqueci... O vampiro tinha problemas com o namorado, mas isso tudo era normal. No entanto, alguns dizem que a destruição, ou melhor, reconstrução desse mundo acabou matando o namorado dele. E os mesmos dizem que ele deseja a cabeça de quem fez isso.

Abel: E você só me diz isso agora?

Denos: Eu tinha me esquecido.

Abel: Todos se esquecem.

Denos: Dizem que esse vampiro é muito forte, seria bom ter ele do nosso lado. Mas, precisamos chegar até ele com outra abordagem. Talvez ele se esqueça do seu desejo, também.

Abel: São muitas as hipóteses... Mas, precisamos ter certeza de que algo funcione.

Denos: Mas, para isso temos que pensar em todas essas hipóteses.

Abel: Você está certo.

Denos: Eu sempre estou...

Abel: ...

Denos: Mesmo assim... Quer que eu faça alguma coisa?

Abel: Descanse, investigue, faça aquilo que achar necessário.

Denos: Pode deixar.

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Schatten e Jack estavam dentro de uma casa abandonada, no meio do nada. Em um campo vazio e seco. Ambos se sentavam num sofá, enquanto no chão tinham dois cadáveres decapitados. Schatten estava cansado, tinha um pouco de gripe e dores musculares, mas nada muito grave. Jack fumava um cigarro, aparentemente aquela casa tinha muita coisa, velha e empoeiradas, mas não inútil. Ambos estavam diferentes, não fisicamente, mas psicologicamente. Passaram meses sem confiar em ninguém, apenas matando, roubando e caminhando. Pareciam nômades.

Schatten: Maldição...

Jack: Consegue se levantar?

Schatten: Talvez. Mas, sério, precisamos tirar esses corpos daqui. O fedor deles é horrível.

Jack: Você pode comer eles, se quiser.

Schatten: Cale essa boca.

Jack: Se quiser eu mesmo jogo esses cadáveres em algum outro canto.

Schatten: Você sabe o que está acontecendo lá fora? Digo, a gente escuta algumas conversas sobre guerras entre facções, mas... O que pode ser tudo isso?

Jack: Loucos, estupradores, assassinos... Gente como nós. Eu não sei.

Schatten: Não tem nem ideia?

Jack: Em algum lugar deve ter alguma segurança, abrigo e tudo mais. No entanto, nesse mundo atual, a gente tá fazendo a mesma coisa, cortando cada vez mais cabeças. É nisso que o mundo se resume, atualmente. Nós estamos aqui, esperando, ou tentando adiar a nossa morte.

Schatten: Enquanto Abel estiver vivo, eu me recuso a morrer...

Jack: Eu também, mas isso não é nossa escolha. Quem escolhe é o idiota que vai apontar a escopeta em nossas bocas.

Schatten: E se eu escolher abrir o estômago desse cara ao meio, e forçar ele a comer suas próprias entranhas?

Jack: Daí você seria um doente mental. No entanto, isso é impossível.

Jack jogou o cigarro no chão, e pisou em cima. Logo em seguida, acendeu outro.

Schatten: Cara... Como eu sinto falta de antigamente. Mesmo assim, é estranho, pois não consigo me lembrar. Não lembro como era o rosto do Azarok, da minha irmã, ou de Daniel e Lince... Nada. Exceto dos piores momentos, me recordo em cada detalhe da maneira que matei Ilere, por exemplo. É estranho.

Jack: Deve ser difícil ter boas lembranças nesses tempos. Eu mesmo, não me lembro de quase nada. Exceto dos cadáveres na arena, é claro.

Schatten: Acho que me sinto bem o bastante para continuar...

Jack: Eu achei uns medicamentos, vou colocar todos eles na mochila, e vamos continuar a jornada...

Jack colocou os medicamentos em uma mochila, em seguida achou muita gasolina, e espalhou por toda a casa. Quando eles saíam de lá, Jack só acendeu um fósforo, e jogou lá dentro. Eles continuaram indo em frente, sem olhar para trás, como sempre.

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Abel passava pelos corredores de sua nova prisão. O local era imundo, fedorento, e horrível, quem ficasse lá por muito tempo iria contrair doenças, sem duvidas. Os corredores eram escuros, e os gritos de agonia, e gemidos se não paravam de surgir em seu ouvido. Mas, no meio disso tudo, tinha uma cela especial, limpa, bem cuidada e restrita. Foi nela que Abel entrou.

Abel: Olá...

Lá estava Lince, amarrado, usando apenas um calção pequeno e apertado. Ele parecia ser bem tratado, sem tortura, e banhado todos os dias, além de nem passar fome.

Abel: Parece que está sendo bem cuidado...

Lince: Eu sou um prisioneiro VIP...

Abel: Não tente bancar um espertalhão, ou sarcástico. Eu não quero fazer nada com você.

Lince: Mas, devia... Eu sou seu inimigo.

Abel: Pare de tentar se achar o melhor, você não serve para nada. Todos os seus amigos conseguiram escapar de lá.

Lince: Tirando sua filha, que morreu.

Abel: Calado!

Abel deu um soco em Lince, que logo ficou quieto.

Abel: Não vai ter tanta sorte, na próxima vez. Sabe, Azarok decepou minha mão, a qual eu consegui recuperar, por sorte. Eu não vou nem falar das coisas que fiz com ele, pois você não vai querer escutar, acredite em mim.

Lince: Vai fazer o mesmo comigo?

Abel: Você é idiota? Não faria isso com você. Azarok era um idiota, fez aquilo com minha mão, e merecia pagar. Aquilo foi apenas uma vingança. As coisas que eu quero fazer com você são diferentes...

Lince: Você gosta de...

Abel olhou para Lince com raiva, e ele nem terminou de falar.

Abel: Algo para dizer?

Lince: Não.

Abel: Muito bem... A gente tratou de seus ferimentos na batalha, e suas mãos voltaram a ser ‘’mágicas’’, digamos assim. Mais da metade dos que usavam magia nesse mundo morreram, não vou falar por quem, pois é óbvio. Eu quero que você trabalhe para mim, apenas isso. Vai estar sobre constante vigilância, mas vai ter comida de boa qualidade, e uma cama bem confortável, mesmo vigiado. Com o tempo você pode ter sua liberdade de volta, talvez.

Lince: E se eu recusar?

Abel: Vai morrer lentamente, da pior forma possível.

Lince: ...

Abel: Gostou da proposta?

Lince: Eu estou dentro.

Abel: Ótimo.

Lince: Já que não tenho escolha...

Lince se sentia péssimo por fazer aquilo, mas talvez fosse uma chance de ter sua liberdade de volta. Ele ainda odiava Abel, mas preferia ver o rumo que as coisas iriam tomar, futuramente.

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Daniel: Só quero a comida, apenas isso...

Era uma tarde como qualquer outra, Daniel estava assaltando um homem qualquer, que tinha suas filhas ao seu lado. Ele passava fome, e sede. O homem carregava uma mochila cheia de comida. Daniel tentava negociar com o homem pacificamente, mas seu temperamento tinha mudado nos últimos tempos. Ele tinha uma pistola, no entanto sem munição, então era inútil, a não ser para ameaçar. O homem não tinha cabelo, usava camisa xadrez, e calças verdes, era extremamente magro. Suas filhas são semelhantes a ele, só que tinham cabelos longos e negros, além de usarem um vestido rosa.

Homem: Minha esposa... Nós temos que sustentar a família...

Daniel estava em uma área florestal, ainda que devastada. Era comum encontrar fazendas, ou grupos menores se escondendo, tentando sobreviver. Árvores derrubadas eram algo bem comum de se ver.

Daniel: Eu não ligo para quem é sua esposa. Eu quero a maldita comida!

Daniel atirou no chão, em um ato de pura e simples raiva. As garotas se encolheram, e não paravam de tremer.

Homem: Senhor, por favor... Você não sabe do esforço que foi para conseguir essa comida.

Daniel: É estranho um homem trazer as filhinhas para um lugar perigoso, como esse.

Homem: Elas foram treinar para atirar, sabe como é o mundo hoje em dia.

Daniel: Eu não quero saber... Me de a comida!

Daniel parecia perigoso demais para o homem usar a pistola como truque, então desistiu.

Homem: Pode ficar com a maioria. Boa parte da comida está enlatada, ou em potes.

Daniel: Por que eu negociaria?

Homem: Posso ver em seus olhos, você não é um assassino ou doente mental... Apenas está tentando sobreviver. As coisas que você faz não são certas, mas... O que é nesse mundo? Contudo, matar um pai na frente de suas filhas, isso é algo que apenas um assassino pode fazer, sem remorso.

Daniel por um tempo pensou naquilo, e logo aceitou. Na verdade, nem ele sabia das consequências daquilo que fazia. Aquele homem era estranho, mas tinha algo especial nele.

Daniel: Você está certo... Nem tudo precisa ser resolvido com violência...

Homem: Então está feito o trato?

Daniel: Fique com a metade.

Daniel estava desequilibrado, certas vezes raciocinava direito, ou agia de maneira extremamente violenta. Naquele momento ele tinha voltado ao normal, ao menos um pouco, e viu que ainda tinha chances de resolver as coisas pacificamente. Depois que dividiram a comida, os dois se despediram.

Daniel: Até mais...

Homem: Até mais, e tente se endireitar...

Daniel: ...

Homem: Bem, eu e minha família... Nós vamos indo.

Daniel: Qual é seu nome?

Homem: Albert Whayt.

Daniel: Só para saber...

Daniel continuou seu caminho, novamente sozinho. Aquele tipo de situação parecia algo estranho, mas complicada ao mesmo tempo. Se fosse com outra pessoa, Daniel provavelmente teria matado no mesmo instante, mas dessa vez ele tinha conseguido manter a calma, algo bem raro. Aquele homem podia ter matado ele no instante que virasse as costas, mas não fez, então dava para confiar.

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Abel estava na saída de Noline, onde esperava encontrar Denos. A segurança do lugar parecia bem forte. Na frente dela está uma grande construção, parecida com uma muralha, onde vivem os milhares de soldados Verraters. E, logo na frente, cercando a cidade inteira, outra construção bem grande e resistente, a qual os Verraters chamam apenas de ‘’Paredão’’. Só podia sair por um portão, que ficava na frente, ou pelos portos.

Abel: ...

Denos apareceu, acompanhado de uma mulher loira, que usava trajes elegantes. Ela parecia séria, sem dar um sorriso.

Abel: Temos um novo médico, caso queria saber.

Denos: Que bom. Mas, Abel, se esqueça do vampiro, trouxe alguém melhor.

Abel: A moça elegante?

Crystal: Pode me chamar de Crystal

Abel: Está bem. Mas, o que ela quer?

Denos: Atendeu aos seus desejos. Quer alguém lá fora? Ela servirá de excelente ajuda, só traga diamantes.

Abel: Estou ouvindo.

Crystal: Como seu amigo afeminado disse, eu aceito diamantes, e só. Eu sei que não quer arriscar seus homens lá fora, e tenho ideia de como as coisas funcionam. No entanto, só não quero prazos.

Abel: Está bem, eu tenho uma coleção de diamantes... Achei que o dinheiro valesse alguma coisa apenas nessa região... Vou te dar dois para começar, depois que o serviço estiver completo... Terá todos que quiser.

Crystal: Fechado.

Abel: Mas, eu vou mandar alguns soldados bem ruins para te vigiar, nem pense em me trair, Crystal.

Crystal: Uma razão para não fazer isso.

Abel: Toda essa cidade estaria contra você, atiradores estão com as miras apontadas em sua cabeça. Você sabe quem eu sou, e aquilo que fiz... Não pense que por viver lá fora isso te da o direito de subestimar quem quiser...

Crystal: Está bem.

Abel tinha muitos defeitos, mas quando precisa ameaçar, ninguém faz melhor que ele.

Abel: E nem pense em matar meus soldados, pois eles vão estar até nos lugares em que não imagina. E se fizer isso, eu vou saber.

Crystal: Quais são os nomes daqueles que tirarei a vida?

Abel: Terry Douke, Sam Rewly, e Larry Feitel... Esses três, e só.

Crystal: Vai ser complicado chegar até eles, mas ninguém nunca tinha me pedido para fazer isso.

Abel: Espero que consiga.

Crystal: Vou indo...

Crystal foi embora, enquanto Abel e Denos voltaram para o castelo, resolver alguns negócios.

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Schatten e Jack continuaram caminhando. As dores que Schatten sentia só pioravam, e não tinha nenhum médico por perto. Ele provavelmente morreria logo naquele mundo vazio, e seco.

Jack: Os medicamentos parecem não estar ajudando...

Schatten: Não diga. Acho que não tenho só uma gripe...

Jack: Duas gripes?

Schatten: Idiota. Deve ter algo pior acontecendo comigo.

Schatten se apoiou no ombro de Jack, e ambos andaram mais um pouco. Uma hora depois, ambos se depararam com uma listra enorme, que se estendia por quilômetros. Parecia uma forma de marcar território.

Schatten: O que é isso?

Jack: Parece uma região meio que dominada...

Schatten: Devem ter ajuda.

Jack: Só tem um jeito de descobrir...

Os dois andaram em círculos por muito tempo, talvez aquilo fosse uma esperança. Mas, eles sabiam que não importava. Os dois eram mortos caminhando, a não ser que saíssem daquela situação.

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Anoiteceu, enquanto Abel e Denos estavam sentados na cozinha, novamente discutindo sobre os futuros planos de guerra.

Denos: Você sabe quem vai lutar essa guerra?

Abel: Eu, Terry, Sam, e Larry... Mas, como vou ter certeza? Eles estão batalhando lá fora, então... É estranho, o mundo lá fora está ganhando cada vez mais forças, mas nós somos fortes o suficiente, que não sabemos onde evoluir. Por enquanto, vamos esperar para ver se aquela assassina vai se sair bem.

Denos: Os nossos que estão lá fora vão ficar olho nela. Ela não vai nem saber que eles existem.

Abel: Por enquanto o exército vai ficar aqui... O problema também vai ser quando os dragões voltarem.

Denos: Você deveria instalar canhões em toda a cidade, além de arpões ou coisa do tipo.

Abel: Boa ideia...

Denos: O Paredão aguenta o fogo de um dragão, mas o resto... Vai ser difícil. Eles podem acabar com aquela construção inteira em poucos minutos.

Abel: No entanto, deve demorar meses para eles voltarem. Vamos nos focar no que importa agora.

Denos: E aquela menina?

Abel: Que menina?

Denos: Aquela que você sequestrou e está mantendo prisioneira...

Abel: Eu não sei do que você está falando.

Denos: Dizem que ela está sendo bem cuidada.

Abel: Denos...

Denos: É estranho... Como eram as coisas entre você e a Kay?

Abel: ...

Denos: Perdeu a filha... Mas, agora está tentando ter aquele sentimento paternal de volta, mesmo que da maneira mais forçada possível.

Abel: Eu...

Denos: Aquilo que você é Abel... Não tem como ela ter o mesmo sentimento por você.

Abel: Quieto...

O jeito que Abel disse aquilo, de maneira calma, e sem gritar, era algo assustador.

Denos: Eu só digo isso já que é uma época de renovação, entende? Não podemos ficar presos no passado, devemos eliminar a maior fraqueza.

Abel: ...

Denos: Kay é uma coisa que te incomoda, eu sei. A filha ter traído o próprio pai, e o mesmo ainda sentir algo por ela.

Abel: É que...

Denos: Eu sou teu conselheiro, sirvo para te ajudar nisso.

Abel: Você só é um idiota que faz planos de batalha...

Abel novamente não gritou, ele estava tentando conter aquele temperamento forte dele. Aquilo ainda assustava Denos.

Denos: Está bem.

Abel: Está ficando tarde, vá dormir logo.

Denos: ...

Era de madrugada, e Abel não conseguia dormir. Estava frio, então ele deixou uma lareira acesa em seu quarto. Tudo estava bagunçado, roupas fora do lugar, alguns móveis quebrados, e livros desorganizados nas prateleiras. As únicas coisas que estavam em ordem eram as fotos de família.

Abel: Droga...

Abel se levantou e ficou andando em volta do quarto. Tinha muita coisa em sua cabeça, e aquilo que Denos disse fazia até um pouco de sentido, para ele. Olhou para as fotos de Kay por quase trinta minutos.

Abel: Kay...

Abel pegou as fotos, e jogou na lareira. Ele não queria mais pensar em Kay, simplesmente isso. Era algo impossível de se fazer, ele mesmo sabia disso. Aquilo que acabou de fazer não era nada mais que tentar provar algo para si, mesmo sendo inútil. No entanto, ele tinha que tentar, era uma época de mudanças, afinal.