Overdrive & Dark End

31 Capítulo 2- Tempo


Estava quase na hora do almoço, enquanto Abel não saía do seu quarto. Ele estava trancado, penteando o cabelo de Pally, sua ‘’filha adotada’’. Ela tinha 11 anos, e antes era doce, além de gentil. No entanto, após ser capturada por Abel, ficou fria, e medrosa. Poucos sabiam das coisas que Abel fazia com ela. Os seus cabelos eram negros, já o seu corpo era bem pequeno e magro.

Abel: Se acalme... Daqui a pouco eu trago comida para você.

Pally: ...

Pally começou a berrar, e Abel logo colocou a mão na boca dela.

Abel: Cale essa boca... Se comporte da próxima vez!

Abel jogou Pally num armário, e a trancou dentro dele.

Abel: ... Aproveite o castigo.

Pally ficou gritando, mesmo que ninguém escutasse. Abel pegou um pedaço de ferro, e ficou batendo no armário até ela se acalmar.

Abel: QUIETA!

Pally se acalmou, e chorava sem fazer barulho. Abel ainda escutava, e aquilo ainda era um incomodo.

Abel: Eu disse... QUIETA!

Denos escutou o grito de Abel, em seguida, foi até o seu quarto para avisar do almoço. A porta estava trancada, mas Abel abriu imediatamente.

Denos: O almoço está pron...

Abel: É tão difícil cuidar das crianças ultimamente.

O relacionamento de Abel com a garota era complicado. Era algo doentio, e repugnante. Muitos gritos de choro se escutavam durante várias noites. Abel estava com problemas, todos sabiam disso só de escutar os berros.

Abel: Vamos?

Denos: Sim.

A garota ainda não tinha desistido, e continuou provocando Abel. Aquilo fazia com que as coisas piorassem ainda mais.

Pally: VOCÊ É UM IDIOTA! VAI VER QUANDO MEU IR...

Abel foi até o armário, e tirou ela de dentro. Logo em seguida, começou a espancar Pally, deixando todo seu rosto ensanguentado. Um segundo depois, voltou ao normal. Ele tampou a boca da garota com uma fita, e foi almoçar.

Abel: Pronto...

Denos tinha presenciado muitas coisas desagradáveis em sua vida, inclusive fez algumas delas. No entanto, nada se comparava a aquilo, ao menos para ele. Aquele sentimento de repugnância ou ódio por Abel passou brevemente em sua cabeça. No entanto, ignorou isso, e seguiu em frente.

Denos: Manhã tensa, não?

Abel: Nem diga. Vou precisar de Lince daqui a pouco.

Denos: Alguns homens me informaram que nossa assassina está se saindo muito bem... Uma gangue tentou raptar ela, e... Todos os caras da gangue estão sem a cabeça, ou partidos em pedaços. Aparentemente ela nem sequer usou sua arma.

Abel: É melhor eles ficarem de olho nela... Isso é algo excelente, mas também pode ser um perigo.

Denos: É o que estão fazendo.

Abel: Então eu não tenho nada que me preocupar, por agora.

Os dois foram até a cozinha e começaram a almoçar. A escrava que preparava o almoço estava assustada com os gritos, mas nem abria a boca. A comida tinha que ser feita do melhor jeito possível, caso contrário, as escravas sofreriam muito nas mãos de Abel.

Denos: Tem alguém que deseja ver você hoje.

Abel: Nem vou perguntar quem é...

Denos: Connery, você conhece.

Abel: Aquele que cria tipo... Aquelas vacas verdes e mutantes?

Denos: Ele não cria isso, exatamente... Mas, é ele.

Abel: Eu sei, só seria engraçado. O que ele quer?

Denos: Falar com você. Ele precisa de recursos, e ajuda. A cidade em que ele vive não tem tudo isso.

Abel: Está bem... Aquela cidade é a única em que a política realmente funciona, mesmo que todos eles trabalhem para nós. Mas, esse Connery... Ele é ambicioso, e devemos tomar cuidado com ele. Percebi isso na primeira vez que o vi.

Denos: E quem não quer fazer isso, agora mesmo?

Abel: Até as empregadas podem estar conspirando...

Denos: Com certeza.

Abel: Ele tem hora marcada ou algo assim?

Denos: Entrada da cidade.

Abel: Não podemos deixá-lo esperando...

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Schatten e Jack ainda estavam perdidos. No entanto, as coisas não pareciam tão mortas como antes. Árvores estavam espalhadas em todos os cantos, e alguns animais apareciam de vez em quando. Schatten estava descansando, embaixo de uma árvore, enquanto Jack caçava. Vinte minutos depois, Jack voltou com a pele de um cachorro, sem a cabeça.

Jack: Ele era bem forte...

Schatten: Da para perceber.

Jack: Podemos comer ele daqui a pouco, só precisamos fazer uma fogueira. Aliás, não trouxe só isso...

Jack tirou da sua jaqueta uma garrafa de vinho, e a deu para Schatten.

Jack: Vou tomar metade daqui a pouco, então beba com moderação.

Schatten: Não posso garantir.

Jack: Tudo bem.

Schatten: Será que existe vida aqui? Quem sabe, uma esperança?

Jack: Talvez. Aquela listra marcando território só podia significar isso. Contudo, eles podem matar aqueles que cruzarem essa linha... Então... É uma incógnita.

Schatten: Como sempre.

Jack: E se forem assassinos loucos... Todos eles vão perder a cabeça com isso, literalmente.

Schatten: ... Como sempre.

Schatten bebeu todo o vinho rapidamente, e se levantou. Jack ficou surpreso, mas não podia fazer nada. Eles continuaram caminhando, dessa vez Schatten já podia andar sozinho.

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Na entrada da cidade, Abel e Connery se encontraram. Ambos estavam sérios, mas isso não impediu Abel de beber uma garrafa inteira de vinho. Eles se cumprimentaram, e logo começaram a conversar. Denos ficou do lado de Abel, apenas escutando A possibilidade de acontecer algo ruim eram muitas, mas isso não era novidade.

Abel: O que traz você aqui?

Connery: Preciso de dinheiro ou material para meus negócios.

Abel: Primeiro de tudo, se eu não te der aquilo que precisa, vai fazer o que?

Connery: Eu nem sei qual é o gosto da carne do meu gado, depois da mutação. Tem uma chance de ele fazer algo bem ruim, e no fim eu morro, junto daqueles que comeram. Então... Eu vou ser bem sincero, toda a cidade vai fazer uma rebelião, e cada Verrater vai perder a cabeça. Fui bem claro?

Abel: Está me ameaçando?

Connery: Não estou te ameaçando, só falando das consequências de cada ação sua. Mas, eu vou te matar agora mesmo, caso não me entregue às coisas que preciso. Isso foi uma ameaça.

O olhar de Connery deixava Abel com medo, mesmo sendo quase imortal. Ele sabia que o mesmo tinha grande influência no lugar onde vive, e não podia fazer nada, nem mesmo matá-lo. Connery era uma ameaça, disso Abel tinha certeza.

Abel: O que você vai precisar?

Connery: Material para construir cercas mais resistentes, e dinheiro.

Abel: Só isso?

Connery: Vou precisar de muito, fora isso, precisamos de reforços médicos.

Abel: Pode deixar... Nesse fim de semana vai ter tudo que precisa.

Connery: Aliás, um Verrater morreu... Encontraram-no crucificado, mutilado, e com a boca costurada.

Abel: Quando?

Connery: Faz alguns dias. E Abel, você sabe que muita gente te odeia, então... Não tente ferrar elas... Ainda mais...

Abel: Está bem...

Connery: Aliás, esses dias uma garota chegou na cidade, filha de pescador, ou algo assim... Ela parece estar bem interessada naquele artefato que você tem. Eu não quero parecer pessimista ou algo assim... Mas, logo pode ocorrer uma guerra de proporções que ninguém pode imaginar... E quando os dragões começarem a caçar... Nem quero imaginar o caos.

Abel parou de beber, e deixou a garrafa quebrar no chão. Ficou tremendo por um segundo, mas parou no mesmo momento. Fora isso, ficou um pouco arrepiado.

Abel: Já vai?

Connery: Sim, tenho assuntos para resolver. Eu te vejo daqui uns dias, Abel.

Abel: Até mais!

Abel e Denos voltaram para as ruas da cidade, e começaram a conversar logo ali. No meio da multidão, Abel estava meio tenso.

Abel: Esse cara foi quem matou aquele Verrater. Ele é um perigo, e está nos ameaçando.

Denos: Só percebeu isso agora?

Abel: Não podemos deixar esse cara vivo, ele é um perigo.

Denos: Você está paranoico. Faça o que ele quer, por enquanto, então pensamos em fazer outra coisa. Por enquanto ele é apenas um lixo qualquer por aí, não podemos perder tempo.

Abel: Talvez você esteja certo...

Denos: Você tem que se acalmar, Abel. Pensar em todos os planos e estratégias, depois você ataca. Temos que nos preocupar com Terry, Rewly, e Larry. Caso Connery se junte a um deles, ao lado de pessoas que apoiam sua causa... Daí nós teremos mais problemas. É mais uma questão de analisar as possibilidades, sem ter certeza. E, quando for para atacar, nós não erramos o alvo.

Abel: Entendi. Nós temos tempo... Mesmo assim, a gente não pode ficar aqui sem fazer nada.

Denos: Exato.

Abel: Crystal já é uma coisa... Talvez se eu mandar os Verraters da região do Connery ficarem mais ativos... Resolva alguma coisa...

Denos: Seria uma boa ideia.

Abel: Tenho que falar com Lince...

Denos: Ele está no canto dele, Abel.

Abel: Excelente, pois tenho serviço.

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Connery andava com seu carro em um lugar sujo, e vazio. Cadáveres estavam em todos os cantos, e era normal o carro passar por cima de algum corpo mutilado. Horas depois, tinha anoitecido, e o combustível acabando. Ele continuou mesmo assim, e os cadáveres espalhados ainda estavam lá. Parecia estar andando em círculos. Depois de tanto procurar, ele achou uma mansão velha, aparentemente abandonada. Connery saiu do carro, e carregou um homem preso no porta-malas. O homem estava dentro de um saco, o qual Connery carregou até a mansão. Ele nem bateu na porta, pois sabia que Kizuato estava esperando. Ao entrar, deixou o homem no chão, sem nem deixá-lo sair do saco.

Kizuato: Ele não parece ser tão alto.

A sala era escura, e dava medo em qualquer um. Marcas de sangue na parede, e até um monte de cabeças sendo usadas como troféu. O sofá estava detonado, e as almofadas rasgadas. Além de ter muita poeira.

Connery: Ouvi dizer que você gosta dos mais bonitos... Eu não sabia escolher, então... Peguei o primeiro Verrater que apareceu.

Kizuato: Ótimo.

Connery: Foi você quem enfeitou aquela área cheia de cadáveres, e tudo mais?

Kizuato: Em partes... Você sabe que certas vezes a natureza ajuda.

Connery: Agora, sobre os negócios, se quiser ajudar o meu grupo...

Kizuato: Eu vou.

Connery: Mas, vai precisar se mudar para a cidade.

Kizuato: Pode deixar. Eu vou com você, mas, só se for amanhã.

Connery: Eu posso dormir aqui.

Kizuato: Pode dormir no sofá. Quero metade de todo o ouro que conseguir, esse é o acordo. Em troca, todo Verrater que estiver naquela região vai morrer.

Connery: Esse já era o combinado, não vou quebrar.

Kizuato: É bom mesmo.

Connery: A Contra-Verrater precisa de ajuda ultimamente. É melhor ir mexendo nas pelas, de pouco em pouco. Eliminando os inúteis, e depois os melhores.

Kizuato: Parece um bom plano.

Connery: Mas ele é um bom plano.

Kizuato: Bem, como você não é vampiro, eu vou deixar você dormir no quarto de hóspedes. E o Verrater que está no saco, ele fica comigo.

Connery: Aproveite a refeição.

Kizuato: Não é só isso que pretendo fazer com ele.

Connery riu, mesmo sentindo nojo, e nem querendo pensar no que Kizuato faria com o Verrater.

Kizuato: Aliás, espero que o porta-malas do seu carro seja espaçoso.

Connery: Eu posso dar um jeito nisso.

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Abel levou Pally para a sala, onde Lince curaria os ferimentos dela. Abel segurava a boca de Pally para não gritar, e procurava manter a calma com ela. Ao chegar na sala, Lince estava esperando, tomando vinho com Denos. Ao olhar para Pally, Lince ficou quieto, não disse uma palavra, só estava chocado.

Abel: Não fale nada, apenas cure os ferimentos dela... Entendeu?

Lince: Sim...

Todas as feridas de Pally foram cicatrizadas, e Lince foi embora no mesmo momento. Ficou quieto, mas seu corpo tremia enquanto andava acompanhado de dois Verraters. Tinha muita coisa errada naquele lugar, principalmente com Abel. Enquanto isso, Abel foi até o banheiro de seu quarto e deixou Pally dormindo em uma jaula enorme, depois fechou a porta. Ao sair do quarto para beber um pouco de suco, não sabia que Denos estava o esperando, no meio do corredor.

Denos: Tudo foi resolvido...

Abel: O que você quer?

Denos: Conversar... É isso que a gente sempre faz.

Abel: ...

Denos: Isso tudo é estranho, não é? A garota, tentar sentir tudo aquilo que sentia por Kay novamente.

Abel: Cale essa boca...

Denos: Eu só quero te ajudar...

Abel: Então fique calado.

Denos: Seu relacionamento com Kay era bem mais que paternal... Todo mundo sabe, por isso ninguém chegava perto dela... Ela era adotada, então não tinha nada de errado... Você tenta se convencer de que pode sentir isso de novo, mas sabe que não tem como...

Abel: Por que diz isso?

Denos: Não quero deixar os problemas atrapalharem.

Abel: Por favor, Denos... Quero ficar em paz...

Abel sabia que Denos falava a verdade, no entanto, não podia aceitar. Ele não conseguia entender nada, sobre o que estava acontecendo, ou coisa do tipo. Em certos momentos ele perdia o controle dele mesmo, sobre aquilo que considerava certo ou errado. Ele precisava se acalmar, de um tempo para ficar sozinho, e recuperar o controle dele mesmo.

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Daniel andava perdido em uma floresta, não sabia em que direção estava indo, ou coisa assim. A floresta não parecia ser morta, já que Daniel conseguiu caçar alguns animais lá. Era madrugada, e ele só queria achar um bom lugar para dormir, coisa que era difícil. De repente, ele começou a ouvir duas pessoas falando, logo na sua frente. Daniel pegou a escopeta, e deixou-a carregada, caso tivesse problemas. Ele seguia as vozes lentamente, geralmente se escondendo atrás de árvores e arbustos.

Daniel: *pensando* Quem são eles?

Daniel conseguiu enxergar os dois. Um deles era jovem, que tinha um cabelo curto e preto, além de usar roupas negras, ele carregava duas espadas. O outro era mais velho, usava roupas verdes e marrons, além de carregar uma metralhadora. Pelas conversas dos dois, o jovem se chamava Hacov, já aquele que usava metralhadora era chamado de Rewly.

Rewly: É melhor você ficar quieto... Sabe como é, espanta os bichos...

Hacov: Eu tenho que caçar com duas espadas... Sabe como isso é difícil, não é?

Rewly: Pode apostar que sim...

Hacov: ...

Rewly: Vamos nos separar... Você vai para direta, e eu sigo em frente...

Hacov: Por que não vai para a esquerda?

Rewly: É perto de onde vivemos... Mas, vamos logo, temos que variar na carne, para o pessoal não enjoar...

Hacov: Pode deixar.

Daniel perdeu os dois de vista quando se separaram. Ele ficou nervoso, caso eles o encontrassem. Guardou a escopeta, e pegou a espada, para se defender melhor. De repente, escutou uma voz que veio por trás dele.

http://www.youtube.com/watch?v=GP0wiHQcHAo

Hacov: Caçador, não é?

Hacov tentou atacar Daniel, mas ele defendeu. Daniel viu que não podia contra-atacar, então tentou se afastar, mesmo que Hacov não deixasse.

Daniel: Droga!

Os ataques de Hacov eram rápidos e brutais, além de difíceis de esquivar ou defender. Daniel tentou atacar com uma bola de lava, mas Hacov se afastou ao perceber o perigo. Daniel jogou a bola, e acertou numa árvore, bem longe de Hacov.

Daniel: Mas que...

Havoc surpreendeu Daniel, e tentou atacar nas costas, no entanto, falhou. Daniel rolou no chão, e conseguiu chutar a mão de Hacov, derrubando uma das espadas. Em seguida, se levantou, e tentou atacar Hacov com sua espada, mas ele defendeu. Daniel estava exausto, era madrugada, e ele não dormia direito fazia dias, o mesmo sabia que lutava em desvantagem. Mesmo assim, continuou, conforme atacava, Hacov defendia, sem nem contra-atacar. Num instante, Hacov contra-atacou um golpe de Daniel, chutando o seu rosto, e derrubando ele no chão.

Hacov: Morra...

Hacov não podia perder tempo, então espancou Daniel até ele desmaiar. Em seguida, pegou sua espada para decepar a cabeça dele. No mesmo momento, Rewly apareceu, interrompendo Hacov.

Rewly: O que está acontecendo aqui?

Hacov: Achei um dos Caçadores. Estava sozinho, aparentemente.

Rewly: Seu idiota... Caçadores não andam sozinhos em nosso território, ele é inocente. Vamos voltar para a cidade, daí cuidaremos dele... Ele sabe lutar, quase ganhou de você...