Overdose

3 Take Me


Notas iniciais
Hoje eu estou inspirada então aqui vai mais um capítulo :3 LEMBRE DE COMENTAR A MÚSICA DESSE CAPÍTULO É Alice, de Avril Lavigne.

NARRAÇÃO TRIS

– Aaah, como assim? — Lena estava espantada com o fato.

– É, eu perdi a virgindade... — respondi baixinho para Lena, para ninguém mais escutar.

O refeitório estava cheio e eu me sentei numa mesa afastada com Lena. Christina faltou, parece que a carne de ontem não tinha feito muito bem a ela. O resto da turma estava do outro lado, inclusive Al. Apenas me limitei a sorrir para ele, estava com vergonha.

– Tris, vocês vão namorar? Você pretende namorar com ele? — Lena estava com seus olhos verdes arregalados, seu cabelo ruivo e suas sardas combinavam com eles.

– Não sei, Al se declarou para mim ontem mas eu não sei se quero. Ele me disse que podemos tentar, mas não quero estragar nossa amizade se não der certo, depois fica o maior climão. — respondi.

– Fica de boa, Tris. Logo logo vocês se resolvem, e por falar em Al... — ela disse apontando para ele que se aproximava.

– Oi, Tris! — ele disse sorrindo de orelha em orelha para mim.

Lena saiu, falando um "com licença" meio sem graça.

– E aí, Al! — respondi enquanto ele se sentava ao meu lado.

Conversamos um pouco, nada sobre a noite passada. Seu sorriso me fazia sentir algo...

O sinal bateu e todos voltamos para sala. O resto da aula foi divertido, adorava a professora Ryna, e assim que o sinal para ir embora soou todos já estava para fora da sala. Eu, Lena, Al, Will, Robert e Martina éramos o tipo de grupinho de "amigos inseparáveis", e nos despedimos logo na saída, pois eles iam de ônibus e eu ia com o carro que meu pai mandava para mim.

Esperei um pouco e nada do carro chegar. Eu estava estranhando, será que havia acontecido alguma coisa? Quem sabe o senhor Gus, nosso motorista, tivesse se atrasado.

Sentei na calçada um pouco, não me importava de me sujar, eu não era desse tipo. 1, 2, 3... 15 minutos e nada do carro chegar. Todos os estudantes já tinham ido embora e a rua estava deserta como sempre, a faculdade ficava num lugar tranquilo da cidade.

Decidi ligar para o papai, mas quando peguei o celular, um carro estranho apareceu e parou em frente a mim.

Papai comprou um carro novo?

– Ah, até que enfim... — eu disse me levantando para entrar no carro.

De repente, dois caras saíram do carro e foram em direção a mim, um deles estava armado.

Meu instinto de sobrevivência se ativou, eu fazia exercícios e já treinei artes marciais uma vez quando fui numa viagem à China com minha família nas férias. O rapaz tentou pegar meus braços mas fui mais rápida e acertei-lhe um soco na cara, o segundo guardou a arma sorrindo.

– Olha só, parece que a princesinha não é tão princesinha. Se você quer luta, terá luta! — o cara tinha tatuagens e piercings.

O outro que era menos musculoso que o tatuado me segurou por um braço e o tatuado tentou me pegar por trás, mas lhe dei uma cotovelada na barriga que o deixou sem ar por alguns segundos, enquanto isso eu chutava as pernas do outro.

– Agora chega! — ele gritou e me agarrou com força.

O outro pegou algo dentro do carro, eu tentei gritar mas a mão do tatuado cobria minha boca, eu tentava sair mas ele era muito mais forte que eu. O rapaz, trouxe um pano e olhou para mim.

– Você vai ficar bem quietinha agora, princesa. — disse cínico e enfiou o pano na minha cara, e em pouco tempo, fiquei inconsciente.

–--

Sonolenta, pouco a pouco eu fui abrindo os olhos. Tentei me mexer, mas minhas pernas e minhas mãos estavam amarradas, tentei falar mas eu estava amordaçada. Entrando em desespero, observei o lugar. Eu estava dentro de uma van, e eu não conseguia ver nada além dos bancos na frente e o retrovisor.

– A princesa acordou! — reconheci a voz do rapaz que colocou o pano no meu nariz.

Comecei a resmungar e a me mexer.

– Não vai adiantar, garota. Poupe suas forças! — a voz era a do tatuado e vinha do carona na frente.

Atrás, estava eu no chão, o rapaz num banco e outro cara "monstro".

Continuei a resmungar.

– Pelo amor de Deus, alguém faça essa menina parar. — o cara marombado reclamou.

O rapaz se levantou e me ergueu pelos cabelos.

– Escute aqui, vadiazinha. Você cala a porra da sua boca antes que eu mesmo faça isso, e não vai ser com pano nenhum não, vai ser com a minha própria mão. — ele me olhou com raiva.

Não desviei o olhar nenhum momento, apenas o encarei, mostrando que eu não me intimidava. Se eu não estivesse amordaçada, cuspia nele.

– Doug, não seja tão duro. Você também agiria assim se fosse sequestrado e precisamos da garota viva. — uma voz que eu não conhecia vinha do banco do motorista, eu não consegui ver quem era, apenas vi pelo retrovisor um par de olhos azuis encantadores.

– Quatro, você que nos manda sequestrar a menina e depois vem com esse papinho de "não maltratem a coitada"? — o tatuado perguntou debochado para o motorista, que pelo visto se chamava "Quatro" (um número?).

– Nós só precisamos dela viva, Eric! — ele respondeu ríspido.

Até agora, eu já sabia o nome de três. O tatuado era Eric, o rapaz que me ameaçou era Doug e o motorista era...Quatro! Faltava saber o nome do outro cara.

Muito tempo se passou e todos estavam calados, eu fiquei desconfortável o tempo todo, não sei quanto tempo se passou, mas parecia ter sido umas três horas. Eu me segurava para não chorar, eu não permitiria me mostrar fraca.

Depois de mais um tempo, o que eu acho que foi uma meia hora, a van parou.

– Chegamos, princesa! — o maromba disse sorrindo para mim e me ajudando a levantar — eu vou te soltar, mas só se você prometer que vai se comportar. Eric e Quatro estão armados, e eu também. Você precisa ficar viva mas isso não impede de atirarmos em uma das suas pernas.

Eu apenas assenti.

Ele me desamarrou e tirou a mordaça. Instruiu a eu segui-lo.

– Yudi, fique de olho nela. — Eric disse, pelo visto, o maromba se chamava Yudi.

Nem Quatro nem Doug estavam ali.

Nós estávamos na entrada de um prédio abandonado, eu não conhecia o lugar. Yudi ficou ao meu lado o tempo todo enquanto entrávamos e subíamos o elevador (que por incrível que pareça, funcionava).

Chegamos ao terraço e eu pude ver ao redor melhor, havia apenas algumas construções e o resto era puro deserto. Chegamos perto do fim do terraço e Eric olhou para mim.

– Pule. — ele ordenou.

Franzi a testa.

– Pular? — eu indaguei — Evitaram de me dar um tiro quando me pegaram para que eu pule? O que é isso? Querem que eu pule para fingir que é um suicídio e os verdadeiros assassinos saírem impunes?

Eric revirou os olhos.

– Não me faça perder a paciência, princesa. Agora, PULE! — sua voz era forte e tinha uma pitada de raiva nela.

Olhei para Yudi e ele apenas me encarou. Caminhei até o fim do terraço e respirei fundo, olhei para baixo e vi que lá tinha um grande buraco. Onde iria dar?

Pensei: se era para morrer, que eu morra ao estilo Beatrice Prior.

– Ei, ahn... Eric, certo? — eu me virei para Eric.

Ele me olhou confuso, mas assentiu.

– Princesa é o meu pau! — mostrei-lhe o dedo do meio e pulei.

Só pude ver a cara de tacho dele e logo estava em queda livre.

Senti meu corpo bater em alguma coisa e depois de quicar um pouco, eu percebi que estava numa rede. Meu coração estava acelerado e eu mal consegui respirar de tanta adrenalina, então senti a rede ser puxada e parei na beirada dela.

Dei de cara com os mesmos olhos azuis que vi no retrovisor, o dono deles era mais encantador ainda.

– Venha, desça. — ele disse, sua expressão era séria.

Ele me ajudou a descer e outros caras estavam lá, todos armados.

Logo escutei Yudi e depois Eric pularem.

Assim que Eric desceu, eu percebi seu olhar furioso em cima de mim. Yudi falava com ele, pelo visto o acalmava.

Senti mãos macias nos meus braços e me virei. Quatro estava com uma algema, seu olhar frio pairava sobre mim e eu me senti sem fala. Não entendi esse sentimento, apenas o fitei.

– Preciso colocar essas algemas. — sua voz era grossa e suave ao mesmo tempo.

– Ahn, ok... — eu respondi quase num sussurro.

Me virei e Quatro me algemou, não fez com pressa nem de uma forma bruta, apenas pegou cada um dos meus braços delicadamente e me algemou.

– Parece que a princesa se rendeu. — Eric disse passando pelo meu lado, dando ênfase no princesa.

Outros caras chegaram perto de mim.

– Levem ela. — foi a única coisa que Quatro disse, ele olhou rapidamente para mim e saiu.

Me escoltaram para um quarto com a porta de ferro, abriram ela e me jogaram lá, fecharam a porta e trancaram. Tinha um colchão velho, com um travesseiro e cobertor velho em cima, do lado, um pote de água.

Me toquei o quão morta de sede eu estava, me ajoelhei em frente ao pote e como um cachorro, bebi a água.

Deitei em cima daquele colchão velho e duro, e comecei a chorar.

Por que eu havia sido sequestrada?

Por que?

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentem :3