Overdose
4 Loira
Notas iniciais
NARRAÇÃO AUTORA
A mansão dos Prior estava cercada de policiais, algumas quadras de distância o motorista da família Gus Simpson foi encontrado morto com um tiro que quebrou o vidro e o acertou bem na cabeça.
Beatrice não tinha sido encontrada até então, e já era noite. Caleb e seus pais choravam copiosamente, sua filhinha estava desaparecida e até agora os policiais não tinha nenhuma pista de onde ela poderia estar. Não tinham nem ideia de quem poderia ter raptado a filha dos Prior, será alguém querendo dinheiro pelo resgate? O melhor a fazer era esperar uma ligação enquanto os policiais a procuravam pela cidade de Chicago.
Mas ela estava muito longe de Chicago para isso.
E seu pai, não poderia dizer nada a polícia, ele sabia. Pois iria se ferrar não só com os sequestradores, mas também com a própria polícia!
NARRAÇÃO TOBIAS
– A algema era mesmo necessária? — perguntei encarando nosso "chefe".
– Pode ter certeza que sim. Aquela garota é esperta e se eu fosse vocês não subestimaria ela. Agora, vá! — sua voz era doce, mas firme.
Sai de seu escritório e andei pelos corredores da sede da Dauntless, a máfia mais poderosa do EUA.
A conversa que tive com o "chefe" foi cheia de "cuidado com ela, ela é esperta, ela é sagaz, ela é audaciosa" me fez refletir o quanto que ela conhece nossa refém. Passei pela cozinha, era lá que vivíamos e até agora ninguém nunca tinha nos encontrado. Peguei um pedaço de bolo de chocolate que havia ali e quando fui dar a primeira mordida, pensei nela.
Em Beatrice.
Encarei o pedaço, pensei de por quê de me importar com aquela garota. De acordo com Eric, ela havia mostrado o dedo para ele, mas comigo ela apenas olhou para mim. Talvez por medo? Só sei que seus olhos azuis era mais bonitos que os meu e seu cabelo loiro era ondulado e grande, ela era bonita sem precisar de maquiagem, sem precisar de toda a empiriquetagem desse povo da alta burguesia da cidade.
Por que eu me importava?
Bem, ela precisa ficar viva.
Peguei o pedaço de bolo e enrolei num pedaço de papel guardanapo e segui até a sua cela. Aquela cela. A cela dos meus pesadelos!
Os corredores não eram muito iluminados, mas eu já havia me acostumado muito bem com isso. Cheguei em frente a porta e olhei pelo buraco, ela estava sentada no colchão, as mãos algemadas para trás e a cabeça apoiada nos joelhos, provavelmente chorando.
Abri a porta, eu sabia a senha. Assim que a porta abriu ela me olhou com seus belos olhos azuis, estava assustados.
Encostei a porta atrás de mim e me aproximei dela, mas sua reação foi se afastar.
– Ei, tudo bem. Só vim lhe trazer esse pedaço de bolo, deve estar faminta. — eu disse tentando deixá-la calma.
Ela apenas me olhou.
– Não quero nada que venha de vocês! — ela disse com nojo na voz, sua voz não era fina como qualquer outra garotinha, era forte e gostosa de se ouvir.
– Eu fiz com que Doug não te machucasse e você me trata assim? — indaguei.
Ela me olhou indignada.
– Eu fui sequestrada, e pelo visto foi VOCÊ que organizou isso. Devo te agradecer também por isso? — ela disse com mais nojo ainda na voz.
– Eu só cumpri ordens dos meus superiores. — respondi tentando me controlar, a forma como ela falava estava me deixando irritado.
– E mesmo que eu coma, como farei isso algemada?
– Não posso te soltar! — respondi.
– Então suma daqui com isso! — ela quase gritou.
Me enfezei.
– Olha aqui, loira. Vou deixar esse bolo aqui, você se vira pra comer! — eu disse jogando o bolo no chão.
– Loira o escambau, eu tenho nome! — ela rosnou.
– Pra mim você é só uma refém, loira. — eu disse saindo, e em seguida trancando a porta.
NARRAÇÃO TRIS
Acordei com Yudi me cutucando, nunca dormi tão mal em minha vida. Me neguei a comer o bolo que Quatro me trouxe ontem a noite, uma pena pois eu amo chocolate.
Yudi notou meu olhar sobre o bolo no chão.
– Gosta de chocolate? — ele perguntou, rindo.
– Ahn...sim, meu bolo de aniversário foi de chocolate. — eu respondi, ele parecia ser legal (tirando o fato que ele ajudou no meu sequestro).
– E quando foi?
– Antes de ontem. — eu disse seca.
Ele percebeu meu jeito.
– Olha, não se alarme. Nós somos legais, só estamos cumprindo ordens. Apenas entre na linha e nada vai lhe acontecer. — ele disse abrindo a algema em meus braços.
– Pensei que não pudessem me soltar. — eu disse me lembrando do que Quatro me disse ontem a noite.
– Não acho necessário, mesmo que você tentasse fugir não iria conseguir. Espero que goste daqui, vai ser seu lar por um bom tempo!
– Lar? — eu disse me assustando — Quanto tempo vocês vão me prender aqui? Por que eu estou aqui? E minha família? Vocês querem dinheiro?
Yudi riu como se não houvesse amanhã, eu não entendia.
– Princesa, a última coisa que queremos é dinheiro, isso temos de sobra. Só queremos ter certeza que seu pai vai entrar na linha conosco.
– Meu pai? — fiquei ainda mais confusa.
– Fique calma, você logo saberá. Mas não hoje, a pessoa que vai lhe explicar não está aqui e não faça nenhuma bobeira, ok? — ele disse dando tapinhas no meu rosto.
Andamos por um tempo até chegarmos a uma espécie de refeitório, algumas mesas estavam separadas das outras. Logo notei que nessas mesas estavam os que me sequestraram e outros.
– Conseguimos permissão para você comer conosco, imagino que a cela deve ser estressante. — ele disse acenando para uma garota em outra mesa.
– Onde eu estou? — eu perguntei transtornada.
– Logo saberá, tenha calma. — ele disse me indicando para me sentar ao seu lado quando chegamos a mesa.
Por azar, sentei também ao lado de Quatro.
Ele mau pareceu notar minha presença ali, continuou comendo e bebendo e conversando animadamente com o resto, que pareceu não notar minha presença ali. Mas eu sabia que eles estavam prestando atenção a cada movimento, uma tentativa de fuga e eu acabaria mal.
– Você não come hamburguer? — uma mulher a minha frente perguntou, atraindo a atenção de todos na mesa. Parece que falar com a refém era algo estranho.
– Como, mas não sou chegada. — eu respondi com a voz baixa, envergonhada.
Ela sorriu para mim, parecia simpática. Logo, pareciam ter esquecido da minha presença de novo. Logo, uma travessa cheia de bolo de chocolate apareceu no meio da mesa e todos atacaram, no fim, sobrou apenas alguns pedaços.
– Ei, Quatro. Foi você que levou aquele pedaço de bolo para a princesa aqui? — Yudi perguntou.
– Sim. — ele respondeu seco.
– Levou, né? Mas nem lembrou de que eu estava algemada e não conseguiria comer sem ajuda. — eu disse olhando mortalmente para ele.
Ele me encarou sério.
– Por que você acha que pode falar assim comigo? — ele perguntou me olhando da mesma forma.
Esperei alguns segundos antes de responder.
– Talvez porquê você é muito receptivo. — eu disse arqueando as sobrancelhas num modo de dizer "chupa essa, otário".
A mesa toda abafava um riso, inclusive Eric.
– Chega disso, loira. — ele me agarrou pelo braço.
– Hey, Quatro! A garota só fez uma piada. — a mesma mulher que tinha falado comigo se opôs.
Quatro ignorou e praticamente me arrastou pelos corredores.
– Me solta, seu lazarento! Eu posso andar. — eu gritei.
– Pouco me importa, loira! — ele me jogou no chão — Você é só uma rica mesquinha e lá fora você pode até ser alguém, mas aqui você é um NADA!
Me levantei e fiquei cara a cara com ele.
– Pra mim, você é menos que um nada. — eu disse e logo em seguida caminhei até a cela — Não vai abrir?
Ele me encarava sério.
NARRAÇÃO TOBIAS
Céus, aquela garota estava me deixando louco.
Se antes eu tinha pena dela, agora eu tenho é raiva.
– Quatro? — escutei Shauna atrás de mim. Ela havia trocado algumas palavras com a loira na mesa.
– Fala, Shau. — eu disse, ficando menos irritado.
– Relaxa, Quatro. Você não precisa prender ela, sei que ela não fez por mal! Venha, princesa. Você precisa de um banho! — ela disse pegando na mão da loira e a levando para outro lugar.
Shauna era como um anjo para nossas vítimas ou reféns, ela tinha bom coração fora o fato de fazer parte da máfia, ela impedia que muita gente acabasse morrendo em vão lá.
Foi até bom ela tirar aquela garota de perto de mim.
Ela era insuportável!
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