Overdose
9 Primeiro Beijo
Notas iniciais
NARRAÇÃO TRIS
– Quatro, é muito longe? – perguntei, já estávamos andando fazia 15 minutos.
– Só mais um pouco e chegamos.
Depois de muitos corredores, chegamos a um corredor e na frente eu pude ver uma grade. Quatro digitou a senha num aparelho ao lado e a grade abriu, revelando uma ponte, ele pegou novamente na minha mão (caramba, hein) e atravessamos a ponte, ele parecia meio tenso. Observei que lá em baixo tinha uma espécie de córrego ou riozinho. Após atravessarmos nós chegamos em outra grade e ele digitou novamente uma senha, a grade abriu e logo atrás tinha uma porta.
– Que segurança! – não pude deixar de comentar.
Ele apenas riu e digitou a senha da porta (mais uma vez) e ela se abriu.
– Vem. – ele me puxou.
Observei cada detalhe do lugar.
As paredes eram de uma madeira escura e o chão era de uma mais clara, havia um sofá, uma mesinha de centro e uma televisão, uma estante cheia de livros e uma mesa também de madeira, tudo era muito rústico. A sala era junto da cozinha e era tudo simples, um pequeno fogão, uma pequena pia e alguns armários. Do outro lado, havia uma porta.
– É aqui que eu “moro”. – ele enfatizou a palavra “moro”.
– Que lindo. – eu disse olhando para o pequeno vaso de flor em cima da mesa.
– Sabe, Beatrice. Viver trancada numa cela não é nenhum pouco legal, então pensei que um pouco de leitura lhe faria bem. – ele disse me indicando o sofá para me sentar.
Me sentei, e ele foi em direção a estante.
– O que você gosta? – ele perguntou me fitando com aqueles olhos azuis.
– Gosto muito de dramas e de romances. – respondi.
– Temos “O Chamado do Monstro”, “Romeu e Julieta”. – ele foi falando enquanto olhava atentamente cada livro.
– “Romeu e Julieta”, por favor. – eu falei – Nunca li!
Quatro se virou e me olhou incrédulo.
– Nunca leu?
– Nunca.
Ele rapidamente pegou o exemplar e foi até mim. Era lindo, a capa era dura e em vermelho, o título era em uma letra sinuosa e bonita e a imagem de dois pássaros e um coração enfeitavam a capa.
– Como é lindo... – eu deixei expressar.
– Essa é uma adaptação de uma escritora que não é muito famosa, sabe. Existem poucas cópias no mundo.
Li o nome da autora, nunca tinha ouvido falar.
– Leia. – ele disse sorrindo.
Não pude deixar de sorrir também.
Abri o livro em minhas mãos, folheei ele um pouco sentindo o seu cheiro, parecia novo. Voltei na página do primeiro capítulo e comecei.
– “Verona nunca foi uma cidade de muita paz, pois duas famílias brigavam como cão e gato, gato e rato, rato e ratoeira. A rivalidade era tão antiga que ninguém mais lembrava o motivo de tanto ódio, mas desde que cada integrante da família nascia, já era incentivado a ter raiva da outra família”.
O olhar sobre Quatro em mim era de atenção, cada palavra que saia da minha boca ele ouvia atentamente, e observava cada movimento de meus lábios para que o som saísse.
Céus, o que está acontecendo comigo?
Devo estar vermelha.
NARRAÇÃO TOBIAS
A voz firme, porém doce de Beatrice era como música para os meus ouvidos. O que ela tinha dito aquele dia tinha me chateado de uma forma que eu não conseguia entender, a sua presença me deixava angustiado mas feliz, eu não entendia o que eu estava sentindo e a ter ali do meu lado me fazia ficar totalmente bobo.
– “Mas em uma das famílias existia uma bela jovem, que era encantadora e delicada como uma flor, o seu nome era Julieta. Na outra, existia um lindo rapaz que cativava qualquer um, tamanha beleza, o seu nome era Romeu. Mesmo com tamanha rivalidade entre as duas famílias, o destino pregou a peça de fazer esses dois jovens se apaixonarem e viverem a mais turbulenta paixão que o mundo já viu”. – Beatrice lia para mim.
– É uma pena que morrem no final. – comentei, interrompendo sua narrativa.
Ela me olhou como se tivessem acertado um tiro nela.
– Ei, eu não sabia disso! – ela exclamou me dando um tapa no ombro – Vai dar spoiler pra sua vó.
– Beatrice, você é massa. – eu comecei a rir.
– Me chame de Tris. – ela disse com um sorriso tímido.
– Ok...Tris! – pensei um pouco antes de dizer o resto – Me chame de Tobias, se preferir.
– Bem que eu pensei que “Quatro” não seria seu nome. – ela deu risada, uma risada gostosa de se ouvir.
– Ah, é um antigo apelido. Meu nome mesmo é Tobias Eaton! – eu respondi rindo também.
Ficamos uns segundos em silêncio, ela observava o livro e eu a observava. Como posso ter estado com raiva dela há apenas algumas horas e agora, estar assim com ela? Com esse sentimento estranho...
– Ele é lindo. – ela disse me tirando dos meus pensamentos.
– Sim, ele é. Se quiser, pode levar pra ler.
– Obrigada. – ela respondeu e deu um grande sorriso, que me fez sorrir também.
Olhar aqueles olhos azuis que eram tão mais bonitos que os meus era bom, poderia ficar ali a eternidade. Aquilo me transmitia serenidade, paz. Seus cabelos loiros estavam amarrados num rabo de cavalo.
– Posso dizer uma coisa? – eu perguntei.
– Claro. – ele disse ajeitando-se no sofá.
– Você fica muito mais linda de cabelo solto.
Sem pensar, levei minha mão até seu rabicó e o puxei lentamente, seus cabelos caíram de uma forma sensual, e rapidamente ajeite-os para não ficarem bagunçados.
– Eu não te dei essa intimidade. – ela disse, mas percebi que reprimia um sorriso, ela estava meio corada.
– Mas eu me dei. – eu rebati bem próximo a ela, nossas bocas a centímetros de distância.
Peguei em sua mão, ela era macia.
*leia escutando isso*
– Tobias... – ela disse quase como num sussurro – O que você está fazendo?
– Eu não sei o que faço e nem o que estou sentindo agora.
– Eu também não.
– Você também sente isso? – eu perguntei.
– Algo estranho? – ela rebateu com outra pergunta.
– Sim, algo estranho no sentido bom.
– Borboletas no estômago? – ela perguntou de novo com uma risadinha.
– Uma vontade imensa de te ter por perto, mesmo sem te conhecer direito? – eu rebati.
– Uma grande vontade de te conhecer direito? – ela rebateu.
– Uma vontade de querer te beijar? – eu finalmente disse.
– Uma vontade de também querer te beijar... – ela sorriu.
Encostei nossos lábios, e uma energia em mim surgiu, peguei-a pela cintura e a puxei para meu colo. A apertava contra mim, e aprofundamos o beijo, ele era calmo mas intenso, nenhuma palavra poderia expressar o que eu estava sentindo com aquele beijo. Meu braços estavam em volta de sua cintura a aproximando mais e mais de mim e os seus em volta do meu pescoço.
Era a melhor sensação do mundo.
Meu coração batia cada vez mais forte, e um fogo emanava dentro de mim. Nessas horas eu desejei não precisar respirar pois logo paramos pois estávamos ofegantes com o beijo.
Continuamos abraçados do mesmo jeito, nossas testas encostadas uma na outra.
– Beatrice Prior, o que você está fazendo comigo? – perguntei brincando com seus cabelos.
– Tobias Eaton, o que VOCÊ está fazendo comigo? – ela retrucou rindo.
NARRAÇÃO TRIS
Meu corpo todo estava em puro êxtase, o melhor beijo que eu já tive. Tobias de uma hora pra outra tinha deixado de ser o sequestrador cruel e virou um típico Romeu.
– Eu não tenho que voltar pra minha cela? – perguntei, temendo um “sim”.
– Pode ficar aqui se quiser. – ele disse brincando com o meu cabelo.
– E vou dormir aonde?
– Comigo, se quiser também. – ele sorriu malicioso.
– Ah, não vou mentir não. Eu aceito! – eu falei – detesto dormir sozinha, tenho um pouco de medo.
Tobias riu, eu tinha o dom de ser direta.
– Não precisa ter medo pois eu estarei com você. – ele disse.
– Ótimo, ou eu arranco seus rins e vendo no mercado negro.
Ele me olhou incrédulo.
– Estou tentando criar um clima romântico.
– Deixa que eu crio. – eu disse e o puxei pela gola da camisa o beijando.
Um beijo mais calmo, mais suave, mais delicado. O sabor da sua boca era delicioso e eu poderia ficar ali pra sempre sentindo seus lábios e sua língua, saboreando seu beijo. Ah, eu até esqueci quem eu era e que estava sendo feita de refém.
– Você surpreende, loira. – ele disse e depois mordeu meu lábio.
– Gosto de surpreender.
– Quer dormir? – ele perguntou, dando um bocejo.
– Mas já? – eu perguntei, fazendo bico – Pensei que gostaria de beijar Beatrice Prior mais um pouco. Depois de tanto tempo como gato e rato!
– Podemos fazer isso lá. – ele apontou pra porta.
Nos levantamos e ele abriu a porta, onde tinha seu quarto.
Era simples também, um guarda roupa, uma cama, uma cômoda e uma mesinha do lado da cama. Tinha mais uma porta e eu imaginei que fosse o banheiro.
– Não tenho nenhuma, então acho que isto aqui serve, coloque esta camiseta. – ele jogou pra mim.
A camiseta tinha a estampa de uma grande estrela e provavelmente seria como uma camisola mesmo pra mim. Ele disse que havia uma escova de dente reserva numa gaveta do banheiro, fiz o que tinha que fazer e saí de lá. Tobias já estava deitado na cama.
Me deitei ao lado dele, a noite estava fria e ficamos de baixo de um edredom, trocando beijinhos e carinhos até pegar no sono.
NARRAÇÃO AUTORA
– Como assim não encontraram? – Layla gritou histérica para os dois homens na sua frente.
– Não a encontramos, madame. Ela sumiu do mapa. – um deles respondeu.
– Isso, ninguém sabe onde ela está. – o outro confirmou.
– IMPRESTÁVEIS, ela tem que estar em algum lugar! Vocês não servem pra NADA! – Layla pegou a arma que estava ao seu lado e deu um tiro em cada um, que no mesmo momento tiveram a vida saindo de seu corpo.
– Madame... – Santiago disse atrás dela.
– Cale-se, ou você será o próximo! – Layla disse.
Saíram daquele lugar o mais rápido possível antes que alguém chegasse, o carro luxuoso andou por quase uma hora até chegar ao seu próximo destino. O relógio de ouro no pulso de Layla fazia tic tac e já passava da meia noite. Pararam em frente a uma loja de eletrônicos.
Santiago pegou seu celular e deu um toque para um número que não estava salvo na sua lista de contatos, e 2 minutos depois as luzes da loja acenderam e um senhor saiu.
– Olá, madame Layla. – o senhor disse dando-lhe um beijo em sua mão, assim que saiu do carro.
– Poupe suas bajulações, velho! Vim aqui saber o que me interessa.
– Claro, claro. Sigam-me.
Atravessaram toda a loja até chegarem ao escritório do senhor, que mantinha tudo organizado.
– Meus homens não conseguiram localizá-la, George. Ela se escondeu tão bem assim? – Layla perguntou.
– Não creio que seja impossível encontrar um vestígio dela, madame. Olhei cada conta, cada lugar onde ela poderia estar, tudo, mas sem sucesso. Graças a alguns contatos, consegui pessoas de olho aqui no EUA, na Rússia e no Brasil. De acordo com fontes confiáveis, ela sempre falou como adorava a cultura do Brasil então era uma boa aposta, com isso conseguimos a informação de que viram uma moça com a aparência parecida com ela num aeroporto justo na hora de um voo para o Brasil.
– E vocês tem certeza que é ela?
– Aquele nariz eu reconheço em qualquer lugar. – George riu – Aqui está todas as informações.
Ele a entregou alguns papéis no qual ela folheou, em seguida entregou para Santiago.
– Estou agradecida, George. Qualquer coisa, nos avise imediatamente! – Layla disse e em seguida se retirou.
Santiago e Layla seguiram para o carro, lá dentro, Santiago nem se atreveu a perguntar o porquê de tanta procura.
– Você saberá, Santiago. – Layla parecia ler seus pensamentos – Você saberá, mas até lá, Jeanine estará morta!
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