Overdose

5 Paciência


Notas iniciais
Comentem, me façam feliz...

NARRAÇÃO TRIS

Shauna havia me levado para tomar banho e trocar de roupa, depois disso voltei pra cela onde agora tinha sempre algum prato para eu me manter nutrida. Passei o resto do dia assim até que alguém destranca a porta.

Era Quatro.

– Agora você vai saber o porquê de estar aqui. — ele apenas disse isso e saiu, eu o segui.

Caminhamos em silêncio até uma sala afastada do resto da... seja lá o que for este lugar, e ele abriu a porta para eu entrar.

– Cavalheiro você... — eu disse cínica.

Ele me mostrou a língua, rapaz escroto.

Um homem estava sentado em uma mesa e uma mulher estava do lado, ela tinha cabelos num tom de vermelho arroxeado.

– Sente-se, Prior. — ele ordenou.

Me sentei, seu rosto me dava medo.

– Imagino que nem deve pensar o que faz aqui. — ele disse sem tirar o olho dos papéis que estava em suas mãos.

Ele suspirou e me encarou.

– Seu pai é um criminoso. — ele soltou a bomba.

O que? Meu pai é um criminoso?

Eu estava em choque, mal respirava. Quer dizer que o homem que me ensinou a seguir o bem, que me colocava pra dormir sempre quando eu era pequena e brincava comigo era na verdade, um bandido?

– Creio que esteja confusa, senhorita Prior. Você está na Dauntless, é aqui onde tudo acontece, tudo é planejado, sinta-se privilegiada por ter a honra de conhecer o nosso verdadeiro lar. É aqui onde todos os nossos membros moram e todos as nossas vítimas ficam até o seu destino, voltar a sua vida normal ou a...morte! — ele deu ênfase na palavra "morte".

A mulher continuou quieta ao seu lado.

– Seu pai nos ajudou em todos os ataques, mas agora podemos dizer que ele quer pular pra trás. Em troca da sua ajuda, nós o ajudamos com milhões em dinheiro, mas acontece que ultimamente ele está nos devendo e ele quer ir embora sem pagar essa dívida, e é por isso que você está aqui! — ele parou um pouco antes de continuar — Para fazer seu pai cumprir com a palavra.

Apenas assenti, digerindo a ideia de meu pai ser um mafioso.

– Agora, vá. — ele ordenou.

Quatro me levou de novo até a cela.

– Parece que seu conto de fadas está se desfazendo, não é? — ele sussurrou no meu ouvido em frente a porta.

Não respondi aquele canalha e entrei na cela.

Agora tudo era trevas para mim.

–--

Algumas semanas se passaram, sim, semanas.

Minha rotina se tornou sair da cela e comer no refeitório, poder andar um pouco pelos refeitórios (sempre acompanhada por alguém), voltar a cela, ficar na cela, ao fim do dia Shauna aparecia para eu tomar um banho e depois voltava na cela para passar o resto da noite.

A única notícia que tive é que durante esse tempo meu pai estava negociando com a Dauntless, mas parece que estavam se desentendendo muito.

Por incrível que pareça, eu permaneci calma. Minha única preocupação era o resto da minha família, e meus amigos.