Overdose

6 Beating Heart


Notas iniciais
O outro capítulo foi curtinho pois eu tinha que almoçar. COMENTEM, POR FAVOR :(

NARRAÇÃO TOBIAS

As últimas semanas tinham sido divertidas, eu atormentava a loira como ninguém, apesar de todos me repreenderem por isso. Não me cansava de lembrar que aqui ela só era um nada e que seu querido papai era um filho da puta, algumas vezes ela me retrucava e outras apenas se mantinha calada. Sua expressão que antes era confusão, agora era fria e eu quase sentia pena dela.

Quase!

– Dê um soco na garganta, lhe dará vantagem. — eu disse ao vê-la treinando com Doug e Yudi.

O senhor Santiago havia nos instruído a treiná-la um pouco pois tínhamos planos para a G-Prior e precisaríamos dela para isso. E ela teria de saber lutar!

– Não preciso da sua ajuda. — ela disse ao tentar acerta Yudi, que se defendeu.

– Vai por mim, Quatro é o melhor. — Yudi disse me soltando.

Ela me fuzilou com o olhar e junto com Doug e Yudi foi se sentar.

– Quatro, cuida da princesa aqui que vamos atrás de algo para comer. Quer algo, princesa? — Doug perguntou pra ela.

– Não. — ela respondeu seca.

A sala ficou em silêncio e a loira estava sentada no chão olhando para as próprias mãos, não se atrevia a dizer nada. Nossa convivência era de duas pessoas que não se suportavam e ela sabia disso.

– Está indo bem, loira. Será que você conseguiria deter as falcatruas do seu pai usando esses golpes nele? — eu disse cínico para provocá-la.

Ela continuou quieta.

– O que foi? O gato mordeu sua língua? — continuei.

Ela se levantou.

– Qual é o seu problema? — ela disse ficando cara a cara comigo, a raiva estava expressa em sua face.

– Qual é o seu? — indaguei.

– Eu não te fiz nada, que saco. Mas você não perde a oportunidade de me alfinetar ou coisa parecida. Você não tem namorada, não tem vida? Um dia desses eu te vi com uma garota no fim do corredor se esfregando um no outro, por que você não se preocupa em ir transar com uma dessas biscates que tem por aqui e me deixa em paz!

Ela estava falando de Nita?

– Posso dizer que te provocar faz parte da minha diversão. — eu disse.

Ela me olhou indignada e se virou, voltou a sentar no chão e se eu não me engano, começou a chorar.

Me senti pesado, eu a havia feito chorar. Eu dei conta que estava pegando demais com ela. Porra, Tobias, pra que isso? Me aproximei dela lentamente e me sentei do seu lado, ela não olhava pra mim, estava com a cabeça apoiada nos joelhos.

– Olha... — comecei — Desculpa, tá? Eu sei que peguei pesado.

– Puxa, agora você reparou? — seus olhos estavam vermelhos — Eu aqui, há semanas presa neste inferno, não sei como minha família e meus amigos estão e você tirando uma com a minha cara.

Por impulso, a abracei. No começo, ela ficou rígida, mas logo me abraçou de volta. Ficamos assim um tempo, ela tinha parado de chorar. Talvez fosse isso que ela precisasse, um abraço, um ombro amigo para se apoiar para não cair.

– Quatro... — ela ia começar a falar.

– Opa! — escutei a voz de Yudi e rapidamente, Beatrice (loira não era apropriado) se soltou de mim.

– Quatro, que eu saiba é proibido isso. — Doug falou rindo.

– Só nos abraçamos — Beatrice se levantou — Me levem para minha cela.

Observei Yudi e Doug a levarem para fora da sala e em seguida a cela, continuei ali na sala parado, pensando. Meu coração batia forte, o que estava acontecendo?

Só sei que seu cheiro de pêssego (sim, ela tinha cheiro de pêssego e eu amava pêssegos) ficou impregnado no meu corpo.

Algo em mim estava acontecendo.

NARRAÇÃO TRIS

Dentro da minha cela eu me senti mais relaxada, o abraço de Quatro havia me tranquilizado, não sei...

Talvez aquele idiota não fosse tão idiota assim.

–--

Mais um dia na Dauntless, eu caminhava em rumo ao refeitório ao lado de Shauna.

– Oh, meu Deus! — ela disse olhando para um lado do corredor.

Olhei também e vi Quatro com outra garota, eles estavam próximos até demais. Ela passava as mãos nos seus braços e seu sorriso ia de orelha em orelha, ele parecia tímido.

– Vamos lá! — Shauna disse me puxando.

– O que? Eu não quero segurar vela. — eu disse com uma certa sensação esquisita perante a isso, mas eu sabia que não era boa.

– Quatro! — ela exclamou chamando a atenção dos dois — Vocês voltaram?

Então eles já namoraram?

– Não, só estamos conversando. — ele respondeu com indiferença.

– Mas bem que poderíamos, né lindo? — a mulher disse fazendo carinho em sua bochecha.

Eu comecei a sentir raiva e olhei para Quatro de cara feia, ele me olhou confuso e eu logo tratei de sair dali.

– Vamos, Shauna. Estou morrendo de fome! — dessa vez eu a puxava.

Eu não entendi isso, por que eu sentia tanta raiva disso? Ele era solteirão, gostoso e bonito, deve ser normal as garotas daqui darem em cima dele. Durante todo o momento eu fiquei de cara fechava e belisquei poucas coisas, tratei de sentar bem longe de Quatro, que do outro lado da mesa me olhava curioso.

Levantei a sobrancelha como uma forma de dizer "perdeu o cú aqui?".

Ele deu risada, e continuou me encarando com um meio sorriso.

Revirei os olhos, o que ele queria?

Notas finais
Ah, o amor. Desentendimentos, amor, brigas, amor, afrontamentos, amor. FourTris, amor