Overdose
7 Não Maltrate os Animais
Notas iniciais
NARRAÇÃO TRIS
– Socorro! — todos do refeitório pararam de comer para dar ouvidos aos gritos que ecoavam pelo lugar.
Muitas pessoas se levantaram para ir ver o que estavam acontecendo enquanto outras se olhavam assustadas. Shauna, Eric e Quatro se levantaram para ir conferir e eu, curiosa desde que nasci resolvi ir atrás.
– Ei, ei. Onde pensa que vai? — Yudi perguntou me segurando.
– Ver o que está acontecendo. — eu respondi o puxando, ele obviamente estava pensando que ia aproveitar a muvuca para fugir.
Os gritos estavam próximas e eu corri junto de Yudi para alcançar os outros que estavam na frente, uma grande porta estava a nossa frente e Quatro conseguiu abrir apenas num empurrão. Havia uma curva no corredor e nós viramos para lá, era lá que estava vindo os gritos.
– Tori? — Eric disse, ao lado dela estava mais um cara — Jones? O que fazem aqui?
Haviam 2 grandes pit bulls rosnando para eles e para nós.
– Eric... — a tal de Tori começou a falar — Esses cachorros estavam lá fora do complexo e nos seguiram!
– Deixa comigo! — Yudi tirou uma faca do bolso.
Logo eu percebi o que ele ia fazer. Os cachorros eram magros como um palito e estavam mais imundos do que um cachorro poderia ficar. Yudi avançou para eles e eu tive que impedir.
– NÃO! — eu berrei correndo para a frente de Yudi, impedindo que ele machucasse um dos animais.
– ESTÁ LOUCA? — ele respondeu quando quase me acertou com a faca.
Os cachorros pareciam assustados e estava rosnando, acuados e esperando um ataque.
– Eles só estão com medo! — eu falei já com lágrimas nos olhos.
Enquanto todos ali observavam, eu me virei e caminhei lentamente até os pit bulls. Eu não me atrevi a olhar diretamente nos olhos deles pois isso significaria para eles um desafio, então abaixei a cabeça e senti seus olhos sem brilho em cima de mim. Quanto mais eu me aproximava, mais eles se acuavam.
Eu ajoelhei em frente a eles e os olhei. Pobrezinhos...
Estiquei minha mão e eles rosnaram ainda mais.
– Beatrice... — ouvi Quatro falar num tom de repreensão.
– Eles só precisam de amor. — eu respondi no mesmo tom de voz.
Foi aí, então. Toquei a cabeça de um deles e comecei a acariciar e ele logo se acalmou e chegou mais perto, ele me olhou com aqueles olhinhos e em seguida deitou com a cabeça nas minhas coxas. O outro me olhou meio desconfiado, mas fez o mesmo que seu colega e se rendeu ao meu cafuné!
– Vocês são umas gracinhas! — eu exclamei quase chorando.
Ignorando que ali também estavam mais gente, continuei o carinho até que senti uma mão no meu ombro.
– Beatrice, venha. — era Quatro — Ninguém fará mal a eles.
– Não! — quase gritei — Não deixarei esses anjos nas mãos de bandidos.
Apesar de não olhar para ele, senti que ele tinha ficado chateado.
– Bandidos? — escutei a voz de Shauna atrás de mim — É isso que você pensa?
Me virei para eles.
– É isso que vocês são. Podem ser bonzinhos e o caralho a quatro, mas são BANDIDOS! — Levantei e gritei, os cachorros se assustaram.
Shauna tinha lágrimas nos olhos, nós tínhamos estabelecido um certo laço de amizade, mas acho que agora ele tinha sido cortado.
– Venha, princesa! — Doug parecia não se importar — Vamos dar um banho e dar comidoa pra esses cachorros, lhe farão companhia na cela.
– Porque você não sairá mais de lá tão cedo. — Quatro disse frio, mas seu olhar era quente como fogo, era como se ele quisesse me fazer entrar em chamas e morrer agonizando.
Doug deu vários pedaços de carne para os cachorros que devoraram em minutos, e depois passou água neles, tirando pelo menos boa parte da sujeira. Depois os secou e me entregou.
– Por que fez isso? — eu perguntei.
– Sabe, eu tinha um cachorro há alguns anos. Mas, Yudi o matou porquê ele havia mijado no sapato dele, ele não é do tipo que gosta de animais. — ele respondeu.
– Como é a frase mesmo? Não confio numa pessoa que não gosta de um animal, mas confio plenamente um animal que não gosta de uma pessoa. — eu disse sorrindo.
– Claro, claro. Tem um pote de água para você e para os cachorros, coloquei umas cobertinhas para eles. — ele pareceu pensar no que falar — Quatro e Shauna estão tristes com você, com o que você disse.
– É apenas a verdade! — eu falei seca.
Logo ele fechou a cela e eu fiquei sozinha com os cachorros, pelo menos agora eu tinha companhia.
– E então, deixe-me dar uma olhada. — eu olhei por baixo deles — Ora, ora. Temos uma dama e um cavalheiro!
Olhei para os dois pensativa, a menina era branca, mas seus pêlos ainda estavam meio marrons pelo banho mais ou menos e seus olhos eram azuis, o menino era preto e tinha os olhos verdes.
– Você vai se chamar Lady Sue e você vai se chamar Conde Philip. — eu disse rindo, agora eu tinha dois lindos animais de estimação.
Caleb teria gostado deles...
NARRAÇÃO ERIC
– Então, Tori...o que faz aqui? — perguntei.
Estávamos eu, Tori, Jones, senhor Santiago e a senhorita Layla.
– Nós viemos nos aliar a vocês, Prior está nos ameaçando para que tirássemos a garota daqui. Ele disse que vai cortar todas as nossas contas onde nós e vocês da Dauntless tiram o dinheiro e que já está dando um jeito de apagar todas as informações que envolvem ele com a Dauntless. — Tori disse seriamente.
– Interessante...acho que se mandássemos um pedaço da orelha da filha dele, ele se tocaria do quão séria é a situação. — o senhor Santiago, quase como um "líder" ali (quase) falou, sorrindo malignamente.
– Cale a boca, Santiago! — Layla, a mulher de cabelos vermelhos arroxeados que Tris havia visto há algumas semanas ordenou, ela era descendente de asiáticos — Preciso da garota viva, ninguém fará nada com a garota!
Santiago resmungou.
– Como quiser, madame! — Santiago disse.
– Continuem! — Layla falou firme.
– Madame, estamos com medo do que pode nos acontecer. Prior não tem contato apenas conosco, lembre-se que ele já ajudou a máfia russa... — Jones começou.
– A máfia russa Erudition! — Layla terminou por Jones e começou a rir — Pode ter certeza que nós acabamos com aqueles lá em um piscar de olhos.
– Mesmo assim, madame. Não podemos arriscar, Erudition mata cada um que entra no seu caminho sem piedade! — Jones insistiu.
– E nós matamos cada um que existe apenas por prazer! — Layla disse chegando perto de Jones, fuzilando-o com o olhar.
Um silêncio permaneceu na sala.
– Diga ao Prior que estarei esperando o seu "ataque", mas que estarei preparada para tudo! — Layla disse já de costas — Suas armas são brincadeira para mim!
Layla, apesar da aparência angelical, era como um demônio por dentro.
Nós tínhamos medo dela, a Dauntless inteira tinha. Inclusive eu!
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