Overdose
8 Esclarecer
Notas iniciais
NARRAÇÃO AUTORA
A paz parecia ter sumido da mansão Prior, todos estavam triste e aflitos e até pensavam que Tris poderia estar morta a esta altura do campeonato. Mas Andrew sabia que isso não era verdade!
Cada dia que se passava era mais angustiante sem notícia. A polícia já tinha desistido mas não pararam por ser a filha do dono da G-Prior.
A G-Prior era a maior empresa para o serviço militar, era lá que 90% das coisas eram organizadas, os planos eram formados e as reuniões aconteciam. O armamento era planejado lá e muitas armas de fogo tinham sido planejadas lá, muitos testes aconteciam lá e em seus arquivos haviam informações suficientes para chocar a população.
Andrew sabia disso, ele era o presidente. Andrew “patrocinava” o armamento da Dauntless e passava informações dos quartéis militares, informações que ajudariam eles a criar um ataque terrorista sem eles suspeitarem de seus planos.
O último ataque da Dauntless foi na própria Chicago onde atearam fogo na escola pública em qual mais de 200 jovens morreram. Desde então, a Dauntless esteve quieta.
O motivo disso foi os conflitos entre a Dauntlesse e Andrew Prior, por algum motivo Andrew queria pular fora da negociação. Ele ajudava a Dauntless enquanto eles o ajudavam com certas coisas que Andrew não falava.
A Dauntless não aceitaria isso, não com Andrew devendo tanto dinheiro e favores! A única forma de mostrar a Andrew que eles estavam falando sério era sequestrar sua filha querida e só devolver quando tudo se acertasse.
A polícia inúmeras vezes tentou descobrir quem era a criatura que comandava toda a Dauntless, mas tudo em vão.
Eles não imaginavam que a criatura era mais doce que um pirulito, e que Andrew não era o pai coruja que todos pensavam.
– Alô? – Andrew disse trancado em seu escritório, atendendo o telefone.
– Você não desiste mesmo, não é? – uma voz feminina falava do outro lado da linha.
– Beatrice está bem? – ele perguntou.
– Por mim, já teriam a matado. Mas eu seguro esses idiotas para não fazerem algo de errado – a mulher deu uma pausa – A personalidade é parecida com a da irmã!
– Cale-se, Layla! – a raiva na voz de Andrew era clara – Nunca a assumirei como filha.
– Pobre, homem... Você me deve milhões, Andrew Prior! A Dauntless acabará com sua filha se você não se der conta disso, e depois dela, mataremos você!
– Você nunca conseguiria me matar, Layla. – Andrew respondeu com certa melancolia na voz.
– Queime no fogo do inferno! – e em seguida ela desligou.
*Do outro lado da linha*
– Queime no fogo do inferno! – Layla disse com fúria e então desligou.
– Mãe? – ela escutou a voz vindo da porta de seu quarto.
– Filha, o que faz aí? – Layla perguntou assustada, o que ela tinha ouvido?
– Com quem estava falando? – os traços do rosto da garota parada na porta eram semelhantes ao da “ruiva” sentada na cama segurando seu iPhone, porém o cabelo curto com franjinha e tingido de verde a deixavam diferente.
– Com ninguém importante. Venha cá, Natasha! – disse Layla lhe chamando.
Quando juntas, todos acham que elas são irmãs. Natasha, ainda com seus frescos 18 anos e sua mãe aos 34, ela havia engravidado muito jovem.
– Natasha, como está a banda? – Layla perguntou tentando desconversar o assunto do telefone.
– Ah, bem! Sabe como é, o treino das danças está sendo mais pesado e o de canto também, dançar e cantar ao mesmo tempo não é fácil. Às vezes eu queria ser um dos garotos, só tocar. – Natasha disse sorrindo, talvez só tenha escutado o final da conversa.
– Que bom, quero muito assistir um show seu!
– E vai, mãe. Só precisamos achar um lugar, quem sabe no Star’s Chicago no próximo semestre? – o sorriso de Natasha ia de orelha em orelha.
– Maravilhoso! – Layla tentava fingir animação.
– E aquela garota desaparecida, mãe? Beatrice Prior, ela ainda não foi encontrada. Que horror! Só falam disso nos jornais. – Natasha disse séria.
– Um horror mesmo, seria desastroso se fosse com você, minha filha! Eu iria até o fim do mundo atrás de você. – Layla não queria dar trela.
– É bom saber disso, mãe. Aliás, vim aqui te perguntar se as meninas podem vir dormir aqui hoje a noite, queremos fazer uma música nova para gravar uma demo! – a felicidade de Natasha tinha voltado.
– Claro, filha! Mande a empregada fazer um belo jantar para vocês. Hoje a noite eu tenho que sair a negócios e vocês vão ficar só com Peter.
Natasha revirou o solhos. Peter era o segurança principal da grande casa de Layla Garcia, estava no lugar do pai que também era segurança, mas estava doente. Peter já tinha seus 21 anos e era insuportável para Natasha, ela nunca se deu bem com ele.
– Espero que ele não invada meu quarto. – ela disse bufando.
Layla forçou uma risadinha e deu um beijo na bochecha da filha, e saiu do quarto.
Natasha também saiu. Antes, apesar da porta estar entreaberta, ela não tinha escutado direito a conversa, mas de uma coisa ela tinha certeza: A Dauntless acabará com sua filha se você não se der conta disso, e depois dela, mataremos você!
NARRAÇÃO TRIS
Passou 2 dias desde o incidente com os cachorros, e não sai da cela desde então. Três vezes por dia alguém vinha trazer comida para mim e para eles (obviamente a mando de Doug, que havia conseguido permissão para os cachorros ficarem comigo) e sempre era alguém diferente.
Será que o que eu disse os magoou? Para bandidos, eles eram meio “bonzinhos” demais.
Os últimos 2 dias foram entediantes, e apesar de meus cachorros, eu me sentia um pouco sozinha. Um pouco triste por não ter a companhia de Shauna e até mesmo de Quatro...
No meio dos meus pensamentos acabei cochilando, mas acordei com um estrondo na porta.
– Que porra é essa? – eu disse arfando com o susto.
– Vamos treinar, você ainda vai precisar disso para a missão. – era Quatro, ele estava sério.
– Eu nem sei que missão é essa. – desde que eu cheguei eles me treinavam para lutar.
– Pode ter certeza que a Dauntless está planejando uma bela reviravolta para o seu papaizinho. Vamos!
Resolvi não discutir, treinei por 2 horas e já era tarde da noite quando Shauna apareceu.
– Venha, princesa. – foi a única coisa que ela disse para mim, me levando até o banheiro em que eu tomei banho os últimos tempos.
– Shauna... – comecei.
– Não precisa se desculpar, eu sei que você estava nervosa com aquilo. Apesar de eu ter ficado chateada, eu te entendo! – ela disse sorrindo e me abraçando – Pode me chamar de Shau.
– Pode me chamar de Tris. – eu retribui o abraço – Como alguém tão puro como você está num lugar como esse?
Ela desfez o abraço e me olhou.
– Não sou tão pura como pensa. – ela disse séria, mas logo voltou a sorrir.
Tomei banho, fiz tudo que eu tinha para fazer e me troquei. Coloquei uma regata preta e uma calça estilo boyfriend, que caiu muito bem em mim, um simples coturno e prendi meus cabelos recém lavados.
– Quatro está nervoso com você. – Shauna disse.
– Ele sempre está nervoso comigo. – eu respondi observando minhas unhas que estavam compridas.
– Mas agora está um nervoso meio “chateado”. Sabe, com o que você disse.
– Não sei porquê, ele nem é meu amigo. Me sequestrou! – retruquei.
– E eu sou a cúmplice, qual a diferença? – ela retrucou novamente, rindo.
– A diferença é que ele me detesta desde que me viu, apesar de já ter pedido desculpas pelas suas alfinetadas.
– Você acha que ele te detesta? Se detestasse não teria se importado tanto com o que você disse e pedido para que lhe retirasse da cela para o café da manhã e que tomasse banho aqui.
Me virei olhando confusa para ela.
– Ele pediu? – eu perguntei.
– Pediu.
Reprimi um sorriso, lembrando do abraço que ele me deu há algum tempo.
– Se quiser, eu te levo para o jantar. – ela disse.
– Mas já são 22 horas. – eu respondi.
– Querida, aqui a noite é como o dia! Vem, vamos comer. – ela deu risada.
– Mas e meus cachorros?
– Pedirei para Doug tratar deles, ele nunca gostou de ir pro jantar, acha que tem muita gente “bêbada”.
– E vocês não tem medo que eu aproveite vocês um pouco tontos e tente fugir?
– Relaxa que eu não bebo e ficarei de olho em você.
– Você é muito suspeita por ser meio que minha amiga. – eu disse e ela riu.
Chegamos ao refeitório que estava pouco iluminado, eu não gostava muito de ambientes assim. Uma música eletrônica tocava baixinho ecoando pelo lugar e as pessoas conversavam animadas, a comida era pouca e o que mais circulava pelas mesas eram bebidas alcóolicas, no meio do refeitório havia um espaço que eu desconfiava que era para dançar.
– Ei, princesa! – Eric disse ao passar por mim – Voltou pra cá?
Ignorei, esse Eric era um idiota.
– Oi, gente! Rapazes, não bebam muito pois temos uma refém aqui e não podemos deixá-la a Deus dará. – Shauna disse olhando para Yudi e Doug – E Doug, vá cuidar dos cachorrinhos.
Shauna não era de descumprir palavra.
Por sorte ou azar, acabei sentando ao lado de Quatro, que ficou tenso. Diferente de todos, ele não parecia beber algum tipo de bebida alcóolica.
Eu não entendi o que senti, mas eu quis puxar assunto. E foi o que eu fiz.
– Bebendo o que? – o líquido do copo dele era de um azul intenso como os seus olhos.
– Energético. – ele foi direto e rápido, não parecia querer conversar.
Quando fui continuar, escutei Yudi me chamar.
– Ow, princesa. Não bebe, não?
– Eu não gosto de bebidas alcóolicas, nem energético...
– Não sabe o que está perdendo! – um ser estranho ao lado de Yudi disse para mim.
– Ah, eu sei o que eu não estou perdendo: minha saúde! – rebati e escutei todos da mesa dizerem um “uou, toma”.
– Turn down for what! – Quatro disse baixinho só para que eu escutasse.
Eu dei uma risadinha, o que o fez sorrir de canto.
– Está bravo? – perguntei baixo – Afinal, eu disse aquilo pois estava com raiva e você nem deveria se importa porquê me odeia.
Ele me olhou com seus olhos azuis.
– Shauna me disse que você está bravo. – eu disse, esperando que ele respondesse de uma vez.
– Eu não sou tão ruim quanto você pensa! – ele falou, calmo e frio.
– Mas parece. – eu respondi no mesmo tom de voz.
Ele desviou o olhar parecendo pensar em alguma coisa e me olhou de volta. Deixou o copo na mesa e olhou por todos os lados e pegou na minha mão.
– Vou te levar pra um lugar, venha. – ele sussurrou no meu ouvido.
Seu sussurro me deixou arrepiada e causou algo em mim, como se alguém fizesse cócegas, eu senti a tão famosa borboleta na barriga.
O que estava dando em mim?
Deixei com que Quatro me guiasse para fora do refeitório, com alguns olhares curiosos sobre nós. Sua mão em contato com a minha transportava uma eletricidade, pelo menos era o que eu sentia. Ele me puxava não como antes, com agressividade, me guiava segurando minha mão delicadamente.
– Está me levando aonde? – perguntei, assim que saímos do refeitório.
– Para um lugar onde eu costumo ir, nunca mostrei pra ninguém.
– E vai mostrar pra mim? – perguntei e ele parou, me olhando.
– Sinto que você gostaria de conhecer esse lugar, você vai gostar.
E continuou a segurar minha mão, me levando a esse lugar.
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