Overdose
25 G-Prior
Notas iniciais
NARRAÇÃO TRIS
Eu não consegui dormir a viagem inteira. Foi 1 dia de viagem e só tínhamos 2 horas para impedir tudo, Tobias já tinha telefonado para seus aliados e de acordo com mais informações que obtivemos quando pousamos em Londres para abastecer, a Erudition percebeu que foram invadidos e agora a segurança na G-Prior estada triplicada e tudo estava mais difícil.
Pousamos em Chicago, e corremos para a G-Prior, não havia tempo a perder. Algumas quadras depois haviam os caras da gangue, umas 100 pessoas, todos armados e a polícia chegando.
— Eles não vão nos escutar, temos que correr! — Tobias gritou para todos.
E no meio da multidão, encontramos Layla.
— Filha! — ela gritou correndo para a filha.
— Oi, mãe. — ela respondeu forçando um sorriso.
Eric já me contou tudo, parece que há centenas de caras armados em frente a G-Prior, está acontecendo um massacre entre eles e os policiais que já foram avisados por Doug quando vocês me ligaram. Layla disse, enquanto fazíamos a viagem o plano já estava formado.
— O que faremos? — perguntei a ela, que me olhou com desprezo.
— Mãe, não. — Natasha a repreendeu, ficando ao meu lado.
Layla nos olhou surpresa, mas logo foi interrompida. Tobias nos empurrou para a van que logo corria acelerada pelas ruas de Chicago, e em menos de 10 minutos chegamos a G-Prior.
Meu coração saiu pela boca.
Sangue, pessoas mortas, tiros por toda parte, pessoas inocentes sendo espancadas, policiais sendo mortos e a iluminação da bomba estava no terraço.
— Quem vai? — Yudi perguntou, enquanto nós nos escondíamos atrás da van.
— Eu vou — eu falei firme — Eu conheço melhor a empresa, já estive aqui muitas vezes.
— Não, é perigoso — Tobias me repreendeu.
— Qualquer lugar agora é perigoso, Tobias. Nós temos que impedir isso e temos só 1 hora e meia para acabar com tudo isso. — eu disse olhando no fundo dos olhos dele — Eu te amo!
Tobias me deu um beijo rápido, o que me fez quase vacilar e querer ficar ali com ele e mandar tudo se danar, apenas ficar com ele.
— Eu também te amo — ele disse com a voz embargada — Volta pra mim!
— Vou voltar. — eu respondi, com medo de não poder cumprir essa promessa.
— Eu vou com você, Tris. — Nita disse.
— Vamos, Nita! — eu disse a puxando rápido para a G-Prior.
A noite caía e deixa o cenário mais assustador, um banho de sangue lavava a grama verde da G-Prior e as flores brancas que antes estava ali, foram pisoteadas. Demos a volta para os fundos, com muito cuidado com todos que estava ali. Às vezes alguém nos via, mas Nita era esperta e logo acertava um tiro neles, eu também atirava em alguns bandidos que estavam barrando nosso caminho.
Olhei pra trás por um momento, vi todos os policiais e os aliados da Dauntless lutando contra todos, meu coração se apertou ao lembrar de que Tobias estava no meio desse rolo.
Chegamos ao fundo, na entrada dos funcionários, não havia ninguém lá.
— Escute, Tris — Nita disse — Talvez tenham seguranças ali dentro e podem estar nos vendo pelas câmeras, você conhece esse lugar melhor do que eu, então qual é o plano?
— Essa entrada nos leva a um corredor que terá todos os materiais de limpeza e uma sala onde os funcionários descansam, tem um elevador nesse mesmo corredor que pode nos levar ao terraço. Mas se alguém estiver nos vendo pode acabar fazendo com que o elevador pare.
— Tem escada?
— Tem, não tem câmera, mas tem nas entradas e saídas.
— Não temos tempo a perder — Nita abriu a porta e entramos — Aconteça o que acontecer comigo, não volte para me buscar, ok? Tudo depende da sua ajuda.
Concordei e seguimos silenciosas pelos corredores em tom cinza, passando por várias portas até chegarmos a porta das escadas.
— Vamos. — Eu disse baixinho para Nita.
Tudo estava dando certo demais, eu estava estranhando.
A G-Prior tinha 10 andares e até chegar lá custava. Fomos o mais ligeiro possível e demorou mais de 20 minutos para conseguir alcançar o terraço.
Tínhamos menos de 1 hora.
— Chegamos! — Nita suspirou forte ao alcançarmos a porta, e então ela abriu.
Mas o barulho de tiro a seguir fez meu corpo gelar.
— Ai! — Nita gritou, caindo ao meu lado.
— Nita! — eu gritei a segurando.
A bala a tinha acertado direto na perna, o sangue escorria e tingia o chão de vermelho, não liguei para as risadas atrás de mim e rasguei um pedaço da minha blusa para estancar o ferimento. A expressão de dor em Nita era perceptível e ela sussurrava para eu acabar logo com tudo aquilo.
— Que fraquinha essa sua amiga! — a mesma voz que eu ouvi na Cicada.
— Jeanine. — me virei, e vi meu pai ao seu lado.
Arregalei meus olhos, Andrew estava magro, feio, e sua cara fria e dura me fez pensar se ele sentia algum sentimento por mim naquele momento.
— Onde está Caleb, mamãe e os outros? — tentei me aproximar, mas Jeanine ergueu a arma para mim.
— Todos vão morrer — Jeanine respondeu por ele — O avião foi sabotado por Kaio, ele nos usou.
Meu coração se apertou, olhei de relance para o relógio da grande bomba verde do meu lado, e marcava 20 minutos para a explosão.
— 20? — eu pensei desesperada.
— Não há mais tempo, Beatrice. — pela primeira vez meu pai se pronunciou.
O olhei com rancor.
— Jeanine, eu não vou morrer sem lutar — joguei minha arma no chão, erguendo minhas mão cerradas.
Ela entendeu o recado e jogou a arma dela no chão também.
— Fique longe disso, Andrew. — ela falou, e ele correu para a porta, saindo do terraço.
Jeanine avançou sobre mim e eu consegui desferir um soco na sua garganta, a deixando sem ar, chutei sua canela a fazendo cair e puxei seu braço para trás com ela ainda no chão. Mas logo ela se recuperou e se mostrou forte, ficando por cima de mim e tentando me sufocar, chutei no meio das suas pernas e ela gritou de dor, aproveitei esse momento de fragilidade e a chutei de novo e a agarrei pelos cabelos, puxando ela para perto da bomba. Ela tentava lutar, mas eu consegui neutralizá-la, a soquei no estômago e lhe dei uma cotovelada na costela e escutei um tiro, Nita havia se arrastado até minha arma e atirado na perna de Jeanine que caiu no chão com um baque surdo.
Ela urrou de dor, e me olhou com fúria.
Mas logo seu sorriso tomou conta de sua face.
— TOLA! ela berrou — Faltam 5 minutos e você nunca vai conseguir desarmar a bomba, eu venci, morrendo ou não. Daqui a 5 minutos, todos que você ama estarão mortos!
Sua risada maléfica me desesperava enquanto eu olhava a bomba, que no momento não me fazia mal algum pois a radiação estava bem protegida, mas assim que explodisse...
3 minutos.
Olhei para todos os fios que estavam ao lado, um deles faria com que a bomba desativasse. Haviam 5 fios: azul, vermelho, amarelo, verde e rosa. Sempre vi que o fio vermelho era o que se devia cortar, então tirei um canivete que eu tinha no bolsa e respirei fundo, mas eu não consegui.
2 minutos.
— Se cortar o errado — Jeanine disse num sopro — A bomba explodirá mesmo sem a contagem acabar.
Mordi meu lábio com força, tinha que pensar rápido.
Uni du ni tê? Não, eu tinha que ser mais esperta. Meu corpo suava e eu tremia, o canivete em mãos e os fios a minha frente. Nita tentava dizer algo mas tudo que saia de sua boca eram gemidos de dor, e a preocupação me deixava mais inquieta. O medo me dominava naquele momento.
1 minuto.
— Não me leve a mal — Jeanine falou — Há uma certa beleza na sua resistência!
Olhei horrorizada para ela, faltava pouco para o fim.
30 segundos.
Meu cérebro trabalhava numa forma de acabar com tudo aquilo, mas o medo me atrapalhava pensar. Lágrimas já escorriam pelo meu rosto e olhei para o céu, precisava de uma luz, mesmo naquela noite.
Larguei o canivete no chão.
10 segundos.
— Que bom que aceita a derrota. — Jeanine falou fraca, entre gemidos de dor.
A olhei fixamente, e sorri.
— Não. eu disse.
4, 3, 2...
Peguei todos os fios e os puxei de uma vez.
EXPLOSÃO UNIVERSAL CANCELADA!
Uma sensação de êxtase invadiu meu corpo e eu cai deitada no chão, rindo como louca. Jeanine gritava e tentava se arrastar até a arma, mas eu fui rápida e me levantei e chutei a arma para longe, Nita chorava não só por dor, mas por alegria. Olhei com desdém para Jeanine, que me olhava de uma forma como pedindo piedade.
Mas eu peguei minha arma, e sem hesitar, atirei.
NARRAÇÃO AUTORA
As pessoas aplaudiram Tris, Tobias, Nita, e todos os outros que estavam ali depois de anunciado o sucesso deles com o impedimento da explosão das bombas. Tris e Tobias selaram um beijo apaixonado em frente a todos.
Nita estava sendo encaminhada para o hospital e os corpos e sangue esparramados pelo lugar estavam sendo retirados e o lugar limpado e logo o estrago seria reparado. Os caras que lutaram contra os policiais agora estavam sendo presos, com a bomba explodindo ou não, iriam sair perdendo mesmo. Os outros, por serem criminosos também estavam presos, mas por terem colaborado para salvar o mundo talvez eles possam ter a pena bem diminuída.
— Você está ferida. — Tobias disse passando o dedo sobre o machucado de Tris na testa, um pequeno corte que sangrava um pouco.
— Não é nada demais. — Tris sorriu.
Eles estavam dentro da G-Prior, sentados na recepção, lá estava mais calmo do que lá fora.
— Tris. — a voz do seu pai ecoou pelo lugar.
Tris se virou, e viu seu pai com uma arma apontando para ela. Lágrimas logo brotaram em seus olhos, e Tobias ficou em sua frente logo que levantaram em defesa, mas não tinham uma arma ali.
— O que pensa que está fazendo? — Tobias rosnou.
— Eu não quero que Tris pense isso de mim, pense que sou um monstro. Ninguém vai pensar isso de mim! — Andrew choramingou, ele estava perturbado, ele parecia instável mentalmente, problemático. Tudo aquilo o deixou louco!
— Eu não sou a única que pensa que você é um monstro. — Tris respondeu fria.
— Com certeza, não. — o som do gatilho seguido pela voz de Natasha surpreendeu Andrew que se virou.
— Como chegaram até aqui? — Tris perguntou.
— Viemos atrás de vocês. — Layla também estava lá.
— Oh, Layla. — os olhos de Andrew brilharam — Esta é nossa filha?
Andrew olhou para Natasha que tinha a arma apontada para ele.
— Minha filha, Andrew. — Layla vociferou — De você eu não quero mais nada.
— Você não quer me conhecer, Natasha? — Andrew sorriu para Natasha, ignorando Layla.
— Você me enoja! — Natasha cuspiu, e entregou a arma para Layla.
Andrew olhou com desespero para Tris, mas ela ignorou. Natasha chegou perto de Tris, Layla continuava com o olhar fixo em Andrew parado a sua frente, congelado, a arma apontada bem na reta do seu negro coração.
— Acho melhor você sair, Beatrice — Layla falou, calma — Por mais que você o odeie neste momento, vai ter pesadelos com isto para o resto da vida.
E Tris, Tobias e Natasha se retiraram.
— Doce Layla... — Andrew começou — Por favor...
— Queime no inferno! — Layla gritou, e em seguida puxou o gatilho.
A bala perfurou em cheio o seu coração, e Andrew caiu no chão, a vida saindo de seu corpo. Um milhão de pensamentos passaram por Layla naquele momento, e ela observou sem remorso o corpo de Andrew, que agora jazia duro no chão, o brilho de seus olhos haviam sumido e uma última lágrima caía de seu rosto.
Layla deixou a arma cair, e caminhou para fora da G-Prior.
E para sua surpresa, Santiago estava ali.
— Vão nos prender. — ela riu.
— Quanto a isso, já tenho tudo organizado. — Santiago acariciou seu rosto.
— Teremos nossa paz, finalmente? — Layla perguntou.
— Teremos, meu amor, teremos! — Santiago a abraçou.
A abraçou para nunca mais soltar.
— Oh, minha filha! — Nathalie exclamou ao ver Tris correndo para seu abraço.
Todos estavam na mansão. Tris abraçou a mãe, depois o irmão que chorava, depois a querida avó e logo depois os amigos que estavam ali depois de saberem que Tris tinha finalmente voltado. Todos choravam de alegria e com Tris não era diferente, e ela tinha muita coisa pra contar do que tinha acontecido nesses últimos tempos.
Tobias observava tudo tímido.
Ela tinha de contar o que o pai era, e que agora ele já não estava mais vivo. Mas aquela não era a hora.
— Galera, tenho uma coisa pra dizer — Tris disse alto, chamando a atenção de todos — Este é Tobias, meu namorado.
Um espanto geral tomou conta de todos, mas logo todos parabenizavam o casal. Al olhava Tris melancólico, mas a parabenizou pelo homem maravilhoso que ela encontrara. Num abraço, ele disse:
— Se ele está no meu lugar é porquê fez por merecer. Seja feliz!
— Serei. — Tris respondeu, soltando-se do abraço.
— Então me deixa entender, você é sequestrada e quando volta, volta salvando o mundo e com um boy magia desses? — Christina brincou, Tris sentia falta disso.
— Sou sortuda, gata! — Tris revidou a brincadeira.
Todos entraram na mansão, e Tris caiu na sua cama que não deitava há meses, que saudade!
Natasha iria ir lá no dia seguinte, num jantar que Nathalie programou para todos para comemorar a volta de Tris, antes disso, Tris já tinha conversado com a mãe sobre seu pai. Não sabia se ela tinha se importado ou não, ela não parecia abalada, mas vai saber, ela era atriz.
Tudo estava bem, tudo agora estava na melhor.
Mas para Tobias, não. Havia ainda uma coisa para fazer!
E assim que ele saiu da loja de jóias com as alianças douradas com seus nomes dentro delas, ele pensou no quanto a noite seria especial para ele e Tris.
(ainda não acabou, tem mais capítulos)
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