Overdose
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Notas iniciais
NARRAÇÃO AUTORA
Nos jornais e na TV só se falava disso: o quase fim do mundo. Tris aparecia em tudo e as pessoas estavam eternamente gratas pelo que Tris e os outros fizeram.
Tris recuperou seus cachorros e ajudava a avó na cozinha para o jantar. Lá fora, Caleb e os empregados organizavam a decoração, mesas com toalhas brancas espalhadas pelo jardim e a piscina estava cheia de balões coloridos. Um lugar estava vago para os jovens (e adultos também) dançarem e um pequeno laser verde dava um toque mais especial ao lugar.
Mais cedo, Caleb discutia com os juízes sobre o que fariam com todos aqueles criminosos, que mesmo tendo salvado o mundo, tinham que pagar pelo que fizeram anteriormente.
Tris lembrou-se da conversa.
– Como conseguiu que eles não fossem presos? – Tris perguntou.
– O dinheiro... é melhor nem saber. Só avise-os para saírem do mundo do crime! – Caleb respondeu, frio.
Num mundo onde a ganância fala mais que a justiça, Tris não se surpreendeu.
NARRAÇÃO NATASHA
O suor escorregava pela minha pele, minha blusa com estampa do Mickey estava grudada no meu corpo e molhada. Mal havíamos chegado e eu já coloquei as meninas para ensaiar de novo. Um castigo por terem abrido a boca.
As perdoei, afinal, são minha amigas.
Nós havíamos decidido o nome do nosso grupo, RadioC.
Enquanto os meninos mandavam ver nos instrumentos fazendo o som, eu e as meninas cantávamos e dançávamos a nova música, e daqui a duas semanas nós começaríamos a gravar o clipe e lançar na internet. Daqui a 4 meses terá o show mais importante de Chicago, o Star’s Chicago, e nós vamos nos apresentar pela primeira vez!
Acabamos de ensaiar e todos se despediam, sentei um pouco ao lado de Mari, pegando uma garrafa de água dando um bom gole.
– Vamos arrasar, não é? Afinal, sempre sonhamos com isso. – ela dizia, distraída mexendo em sua trança.
– Com certeza. – me levantei ao olhar no relógio do meu celular que já era 18:07, e o jantar começaria às 20:30.
Lentamente e ainda cansada, apertei mais o meu pequeno rabo de cavalo verde e peguei minha mochila para sair do estúdio de dança da faculdade.
– E a sua mãe? – Gabi perguntou enquanto entramos no carro de Jeff, um dos meus amigos e baterista da banda.
– Não sei, ela me disse que ia dar um jeito da polícia não ir na cola dela. – Sussurrei em resposta a Gabi.
O carro dirigiu rápido para a mansão, todas as meninas iam se arrumar lá, estavam convidadas. Eu tomei um banho rápido e lavei os cabelos, sequei e o prendi em um coque deixando a franjinha solta. Estava calor, então coloquei uma saia curta preta com uma blusa rendada lilás, coloquei uma sapatilha também preta e comecei a me maquiar. Base, pó, coisa simples, fiz um delineado e passei rímel, finalizei com um batom meio avermelhado.
Ao contrário do que dizem, mulher pode sim se arrumar bem rápido, e perto das 20 horas já estávamos prontas.
Yoko estava com sua calça leggin preta (sempre está) e um top vermelho, salientando bem seus seios, seus cabelos castanhos estavam lisos e o batom também vermelho destacava sua boca. Gabi e Mari sempre simples, Gabi estava com o cabelo preso num rabo de cavalo e com um vestido floral, Mari tinha deixado o cabelo solto e usava um vestido rosinha. Luci usava um shorts roxo e uma blusa bem soltinha branca, seus cabelos estavam presos em uma trança e um gloss lilás deixava o seu look mais legal.
Descemos as escadas e Peter também já estava pronto, fomos todos juntos e logo chegamos lá.
– Bem vindos! – Tris nos saudou ao chegarmos.
Ela estava tão linda, seu cabelo todo cacheado, o vestido azul, linda!
O jantar foi servido e algumas homenagens a Tris foram feitas.
– Ei, Natasha. – Peter me cutucou.
– O que foi?
Ele me olhou estático, parecia que tinha travado.
– Nada não, deixa. – ele falou sorrindo tímido.
Deixei pra lá.
NARRAÇÃO AUTORA
Christina subiu no palco junto de Lena e os demais amigos de Tris, incluindo Al, que aceitou de bom grado não ser a paixão de Tris, ele a entendia. No telão, imagens de Tris com eles apareciam enquanto a música tocava, e Tris chorava enquanto cada uns dos seus amigos diziam palavras amorosas a ela.
– Somos todos irmãos! E Tris, nunca mais vamos te perder. – Christina finalizou.
Tris subiu no pequeno palco e abraçou calorosamente cada um deles ainda em lágrimas, depois todos se abraçaram ao mesmo tempo em um abraço coletivo.
Todos aplaudiam e era a vez de Caleb, ele queria fazer sozinho.
Tris se posicionou ao lado de Caleb no palco, ele fazia questão de olhá-la nos olhos enquanto falava.
– Tris, eu sei que apesar de nós termos muitas brigas, seremos sempre irmãos – ele começou – Eu me lembro quando você nasceu, um bebê gordinho e lindo. No começo, confesso que fiquei com ciúmes, a mãe e o pai acordavam toda hora pra te pegar no colo pra te fazer parar de chorar e viviam te mimando, sempre te enfeitando com tiaras e vestidos cheios de babados, um verdadeiro tratamento de princesa. Quando você ficou maior e o seu cabelo loiro cresceu, mamãe endoidou, vivia enchendo de laços e fitas, e eu mais enciumado. Mas quando a gente está com ciúme esquece de todo o resto, mamãe também me mimava. Mas com o tempo aprendemos a nos amar, fomos crescendo e sempre brincando juntos, sujando o pé de lama e a mãe sempre brigava com a gente por isso, eu me lembro até hoje de elas nos chamando de “Maria-Fedida” no fim da tarde, depois de passar a tarde inteira brincando e se sujando. Você me deu conselhos, e dá até hoje, sobre como conquistar garotas. Eu sempre estive ao seu lado pra te amparar quando você chorava, porque além de irmão, eu sou o seu melhor amigo. Tris, minha querida irmã, este colar que eu te dei eu quero que sempre se lembre dele como um presente do seu irmão, e se um dia algo acontecer com você e nenhuma das pessoas que você ama estiver por perto, lembre-se desse colar, desse pássaro, pois você é como um pássaro. Livre e bela!
Todos aplaudiam e Tris ainda chorava, acariciando o colar que Caleb lhe dera no seu aniversário, ela tinha guardado do medalhão, queria usar o colar naquela noite. Tris abraçou Caleb e disse que o amava, Caleb também a amava. Eram os perfeitos “irmãos unidos”.
Na mesa, Tobias mexia a perna constantemente, estava nervoso, sua hora havia chegado.
– Tobias. – Nathalie disse, ela sabia – Fica calmo, vai dar certo.
Agora todos os chamavam de Tobias.
Um toque soou do seu celular, indicando que uma mensagem tinha chegado. Ele pegou e viu que era uma mensagem de Nita, que estava no hospital ainda.
“Aê, manda alguém filmar pra mim ver depois, hein! Boa sorte.” – Nita.
“Beleza, valeu!” – Tobias.
Tobias entregou o celular para Nathalie, já estava filmando.
Caleb desceu do palco e Tris pegou o microfone.
– Alguém quer dizer mais alguma coisa? – Tris perguntou.
Era a hora, Tobias tremia levemente. Ele tinha que falar que sim, ele queria falar, mas tinha simplesmente travado. Nathalie percebeu.
– Acho que Tobias gostaria de falar algo. – Nathalie falou alto para todos ouvirem.
Tris o chamou para o palco, sorrindo, tinha parado de chorar. Tobias se dirigiu ao palco repassando mentalmente todo o discurso que ele tinha planejado, a caixinha estava no bolso da sua calça e em 5 minutos, dependendo de Tris, tudo ia mudar. Chegou lá, e pegou o microfone, com Tris ao seu lado.
*leia ouvindo isso*
– Bem, eu acho que talvez nem todos de vocês sabem, mas eu sou o namorado de Tris – começou – Ahn, então...Tris, eu sei que nós dois estamos juntos há muito tempo, mas o tempo que já passei com você me fez perceber o quão bem você me faz e o quanto eu te quero por perto, o quanto quero saber mais sobre você. Nesse pouco tempo, comecei a amar você, e eu sei que você também já teve a certeza que agora, também me ama. E o que eu quero dizer é que eu quero ficar com você pra sempre, pois eu te amo. Você é o yin, e eu sou o yang. Quero fazer parte da sua vida, quero estar com você por toda minha vida. Então, Tris...
Tris já estava com os olhos marejados, mas quando viu Tobias tirar a caixinha vermelha de seu bolso e se ajoelhar na sua frente, lágrimas desciam de seus olhos.
– Beatrice, quer casar comigo? – Tobias perguntou, cheio de esperança e ternura em seu olhar.
– Se eu quero? – Tris engoliu o choro pra falar – Mas é claro que eu quero!
Tobias colocou rapidamente as alianças, e se abraçaram forte, não queriam nunca mais sair um do lado do outro. Tris olhou no fundo de seus olhos, ambos sabiam de seus sentimentos.
– Eu te amo. – Tris falou.
– Eu também te amo, ursinha! – Tobias respondeu sorrindo de orelha em orelha.
Se beijaram, aplausos de todos os lados do lugar podiam ser ouvidos, todos assoviavam e aplaudiam os recentes noivos. Alguns fotógrafos tiravam fotos dos dois, que sorriam um para o outro de forma apaixonada.
– Eles são lindos, não são? – Natasha comentou com Peter ao seu lado, teve que falar mais alto para ele escutar devido ao barulho de todos ali, animados.
– Precisa de coragem para falar dos sentimentos em frente de dezenas de pessoas. – Peter comentou de volta – Eu admiro isso, não consigo nem falar pra própria pessoa sem travar.
– Está apaixonado, Peter? – Natasha provocou, apesar de se sentir incomodada com o fato de imagina Peter beijando outra.
– Sim – Peter olhou para Natasha, de uma forma mais calma, de uma forma que ele nunca havia olhado para ela antes – E acho que, no fundo, você deve imaginar quem é.
Naquela hora, a ficha caiu.
– Peter... – Natasha respondeu como um sopro.
– Entendo se você me achar bobo. – ele quebrou o contato visual.
– Desde quando? – Natasha perguntou, se aproximando mais.
– Faz um tempo. – ele respondeu se afastando.
– Eu também. – Natasha resolveu falar também.
– O que? – Peter a olhou confuso.
– Faz um tempo também pra mim. – ela sorriu.
– Está me dizendo que... – Peter segurava um sorriso.
– Sim!
– Então, se duas pessoas se gostam, elas geralmente namoram. – Peter disse.
– Então...? – Natasha olhou-o, indagando.
– Quer namorar comigo? – Peter perguntou.
Natasha sorriu e o puxou para um beijo, no meio daquelas pessoas mesmo, ninguém estava prestando atenção mesmo, a não ser as meninas na mesa, que riam.
Sentir os lábios de Natasha pela primeira vez fez Peter estremecer, seus lábios eram macios e ele poderia ficar ali, sentido aquela boca da garota na qual ele se sentia apaixonado a noite inteira, a semana inteira, a vida inteira. Natasha irradiava de calor, um calor de paixão.
Eles também eram lindos juntos.
O dia amanheceu, e Tris estava deitada do lado de Tobias, que dormiu com ela em seu quarto.
Ela o observou dormir, como um anjo, e olhou para a aliança em seu dedo. Eles se casariam daqui a 4 meses no máximo, como Tobias tinha dito antes de se deitarem e se amarem de novo.
Naquele dia começariam os preparativos.
E ela e Tobias só estariam finalmente feliz, quando estivessem saindo da igreja como marido e esposa.
Próximo capítulo: Crazy.
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