Notas iniciais
PAM PAM PAAAAAAAAAAAM Esse capítulo promete!

NARRAÇÃO TRIS

*leia ouvindo isso*

Eu estava em um sono muito profundo quando senti Tobias me cutucar.

– Tris, se veste logo! A Dauntless está pegando FOGO!

Abri os olhos de uma vez e me levantei rapidamente, peguei minhas roupas íntimas e coloquei-as de uma vez, coloquei a calça preta leggin e a regata branca e calcei o tênis e sai em disparada para fora com Tobias. Os corredores estavam intactos e apenas o refeitório estava pegando fogo, mas logo o fogo se alastraria e eu já sentia o ambiente quente.

Shauna, Zeke, Yudi, Doug e Eric estavam ali.

– Temos que salvar meus cachorros! — gritei enquanto Tobias me puxava.

– Não dá tempo!

– Tenho que ir!

Me soltei dele e puxei Doug comigo, Tobias não tinha jeito com cachorros. Chegamos na cela e ele abriu, meus belos cães saíram de lá com expressão apavorada, pelo visto eram treinados e me obedeceram quando os mandei ficarem perto de mim.

Corremos de volta para o lugar onde eles estavam e apenas Tobias estava ali.

– Onde estão os outros? — Doug perguntou tossindo, a fumaça estava já em nós.

– Foram primeiro, vamos! — Tobias pegou na minha mão.

Corremos, corremos, corremos.

– Essa não! — exclamei quando viramos num corredor e estava em chamas.

– Vamos por outro caminho. — Doug nos chamou.

O fogo se alastrava rapidamente e às vezes esbarrávamos em algumas pessoas que corriam desesperadas. Nita cruzou com a gente e começou a nos seguir, corremos até chegarmos a uma porta e logo em frente tinha uma grande escada que levava para cima.

– Vamos! — Tobias ordenou.

E assim disparamos uma corrida naquela escada que nunca acabava, eu, Tobias, Doug, Nita e meus cachorros.

Assim que chegamos ao topo, a porta no fundo explodiu e chamas irrompiam de lá.

Chegamos a um lugar pequeno com um elevador. Enquanto subíamos, estávamos ofegantes, eu lembrava que era ali o lugar por onde eu tinha entrado a primeira vez.

– Tobias... — eu sussurrei, enquanto olhava em seus olhos azuis.

Todos nós tossíamos por termos inalado fumaça, e em menos de 2 minutos chegamos a entrada do prédio.

Assim que saímos, vimos o resto do pessoal e mais outras pessoas.

– Atenção, membros da Dauntless! — Tobias gritou, atraindo a atenção de todos — Vocês são o que restou do grande grupo de pessoas que faziam parte da Dauntless, a maioria está virando churrasquinho agora e temos que sair daqui o mais rápido possível!

Algumas pessoas choravam enquanto corriam.

Eu senti pela primeira vez em semanas o sol em mim verdadeiramente, e nós corremos por aquela estrada, tudo o que se via era nada mais do que campos meio desérticos e mais campos.

Longe o suficiente, observamos o prédio explodir e lançar para todos os lados seus materiais.

– Tudo está perdido... — uma menina que aparentava ter seus 18 anos fungou ao meu lado.

– O Senhor Santiago estava lá, ele não saiu. Ele morreu! — uma outra pessoa gritou.

– O que será que a Madame vai fazer? — uma outra pessoa perguntou.

– Estamos em no máximo 20, ela com certeza vai nos matar para não precisar arcar com as consequências! — outro respondeu.

– Calem-se! — Tobias gritou — Como sou o braço direito da Madame e do Senhor Santiago, até segundas ordens eu serei responsável por vocês. Agora vamos andar, tem uma vila a umas duas horas daqui, eu sei o caminho. Se não fizerem corpo mole, chegaremos até o meio dia.

Todos caminharam em silêncio, ninguém dizia nada. Uma hora caminhavam mais rápido, outra mais devagar, mas ninguém parava. Ninguém olhava para trás!

– Tobias, o que será que aconteceu? — perguntei baixinho, só para ele ouvir.

– Eu não sei, mas acidente não foi. — ele estava sério, então deixei quieto.

Tobias foi para o lado de Zeke conversar, provavelmente sobre o que iriam fazer.

Fui ao lado de Shauna.

– Onde estamos? — perguntei.

– Perto de Marshfield, fica a uma hora daqui, mais ou menos! — ela respondeu.

– Não estamos em Illinois? — perguntei surpresa.

– Não! — ela respondeu rindo — A polícia nunca suspeitaria daqui. E aliás, a sede da Dauntless sempre foi aqui desde o começo, há uns 5 anos atrás. Apesar de ser nova, nós já somos muito respeitados pelos outros mafiosos.

– Interessante... — respondi.

O sol quente em minha pele não me incomodava, me fazia bem após tanto tempo no subterrâneo.

Mais algum tempo de caminhada, chegamos a tal vila. Tinha várias casas, um restaurante, algumas lojinhas de bugigangas e uma casa grande, devia ser algum tipo de "hotel".

– Estamos em quantos? Deixe-me contar. Eu, Tris, Shauna, Zeke, Eric, Doug, Yudi, Marlene, Lynn, Uriah, Kate, Josh, Maye, Bill, Daia, Harry, Nita e Ellie. 18! Sem contar os cachorros — Tobias contou. — Muito bem, nos dividiremos em 3 grupos: Yudi, você controla o grupo A, nele estarão Lynn, Marlene, Uriah, Ellie e Bill. Eric, você controla o B, que terá Kate, Maye, Harry, Nita, Josh e Daia. O grupo C vai ser eu, Tris, Shauna, Zeke e Doug.

– Desde quando a prisioneira é uma de nós? — uma garota indagou.

– Ela não fará nada, eu garanto. — Tobias respondeu firme — Agora, grupo A vai até a cidade em busca de dinheiro, enquanto o grupo B tenta se instalar naquela pousadinha, nós aqui tentaremos entrar em contato com a Madame e depois ir ver o que restou da Dauntless.

Cada grupo foi fazer o que Tobias mandou, o que iria a cidade sentou-se no restaurante e pediram copos de água antes de ir, para descansarem. Os outros foram até a pequena pousada se registrarem e nós fomos para uma lojinha onde tinha uma senhora atrás de um balcão.

– Olá, senhora. — Shauna sorriu amigavelmente — Teria um telefone para nos emprestar?

– Claro, minha querida. Ali está ele. — ela apontou para um telefone do outro lado.

Shauna discou e esperou a pessoa atender. Os outros estavam aflitos ao seu lado e eu me distrai com uma coisa do outro lado da loja. Era um colar de cor cobre e tinha um medalhão com a imagem de uma chama. Fiquei encantada com ele e nem prestei atenção com a conversa disfarçada de Shauna, para que a senhora não desconfiasse. Mas nem foi preciso pois a senhora foi até mim.

– Vejo que gostou do medalhão, minha jovem. — me assustei ao vê-la ao meu lado.

– Sim, ele é muito lindo. — falei sorrindo.

– Talvez você o queira.

– Desculpe, mas eu não tenho dinheiro! — disse meio sem graça.

– Que nada, minha jovem. Já que gostou tanto, fique para você! Às vezes, a felicidade de ter algo que quer muito já é o pagamento que merecemos ter. — ela disse enquanto afastava o cabelo do meu pescoço e colocava o medalhão em mim — Cuide bem desse colar, muitas pessoas passaram por ele e nunca deram atenção. Essa chama significa o fogo dentro de si, a coragem, a audácia!

– Cuidarei, muito obrigado! — assim que terminei de falar, Shauna apareceu.

– Obrigada, senhora! Teremos de pagar? — Shauna perguntou.

– Imagina, pelo visto foi de emergência. Podem ir, de nada! — ela sorriu carinhosamente para nós e saímos da loja.

Nós entramos na pousada, tinha 3 andares. O primeiro era um bar e no segundo já tinham os quartos. Ao todo, 5 em cada um. Mas eram muito pequenos e só tinham duas beliches e uma cômoda, o banheiro era apenas um e ficava no primeiro andar, e todos tinham que dividir.

Ficamos em um quarto, eu, Tobias, Shauna e Zeke.

Já era fim da tarde e finalmente eu e Tobias ficamos sozinhos, Zeke e Shauna tinham saído para conferir os outros que tinham recentemente chegado da cidade com algumas mochilas (obviamente dinheiro roubado).

– Tobias... — sentei-me ao lado dele e olhei nos seus olhos.

*leia ouvindo isso*

Seus olhos estavam marejados, e eu o abracei. Ele deixou lágrimas solitárias caírem sobre seu rosto, num choro silencioso.

– Quer desabafar? — perguntei.

– Por anos me sufoquei com isso, então sim, eu quero. — ele começou a falar e eu prestava atenção — Eu nasci numa família pobre de Marshfield, minha mãe desapareceu quando eu tinha 10 anos, meu pai a batia com frequência e quando ia bater em mim, ela o impedia. Até hoje eu não sei o que houve com ela, mas sei que meu pai aproveitou isso para me espancar e espancar. Foi assim até ele entrar na Dauntless e me levar junto, lá eles viram em mim a oportunidade de ter um bom criminoso. Eu treinava, malhava, lutava, matava, assaltava e tudo mais. Quando eu errava em algo, Marcus, meu pai, me trancava na cela onde você ficava e me deixava lá por até 2 dias. Minha única luz era meus amigos lá da Dauntless, a Dauntless foi como um lar pra mim, tirando meu pai que morreu há mais de um ano em fogo cruzado. E agora a maioria dos que me ajudaram a ficar em pé, morreram...

Meu coração doeu ao imaginar Tobias machucado pelo próprio pai, e não pude fazer nada além de dizer "eu sinto muito" e o abraçar. Ele me abraçou forte e eu fazia carinho em sua nuca.

– Ok, vamos parar com essa deprê. — eu disse tentando animar ele — Agora me diga uma coisa.

– O que?

– Quantos anos você tem?

Ele deu risada.

– 25! — ele disse — E você? Não tenho certeza ainda da sua idade.

– 20. — ela respondeu.

– Que nova você! — ele exclamou.

– Aah, tá! Falou o idoso aqui, acho que sua primeira namorada deve ter sido um dinossauro! — falei fingindo estar irritada.

Ele me deu um selinho e logo após Shauna e Zeke entraram.

Passamos o resto da noite nos quartos, não queríamos chamar atenção. Tobias conversava baixinho com Zeke, eu não queria ouvir, não queria saber do plano. Shauna tentava animá-los, apesar da perda que tiveram, eles pareciam melhores.

Me perguntava o que iria acontecer agora que a Dauntless tinha praticamente acabado.

Eu poderia muito bem fingir que ia ao banheiro e fugir dali, mas eu amava Tobias e tinha que ficar ao lado dele. Agora que eu sabia o que meu pai era, não aguentaria olhar para a cara dele de novo!

Sem perceber, cai no sono.

NARRAÇÃO TOBIAS

Ainda estava triste com o que aconteceu. Eu tinha perdido tudo!

Mas uma coisa que eu aprendi na vida é que as coisas passam e eu fiquei mais conformado.

E mais, eu tinha Tris ao meu lado!

Era noite, e todos fomos dormir. Eu dormia na parte de cima de uma das beliches e Tris na parte de baixo.

Demorei a dormir.

– Tobias! — escutei a voz de meu pai.

– Pai? — perguntei, não o via, mas escutava sua voz.

Tudo estava escuro, e do nada eu sentia fortes dores, como se alguém invisível me batesse.

– Vai aprender a ser homem, rapaz! — a voz tenebrosa de meu pai me causava pânico.

A dor era tanta que eu berrava.

E uma hora, tudo ficou escuro.

Acordei suado, não sabia que horas eram. Shauna e Zeke dormiam, presumi que Tris também.

A lembrança da minha mãe indo dormir comigo sempre que eu tinha um pesadelo invadiu minha mente. E eu não pude deixar de sorrir, sinto muito falta dela, já fazem 15 anos e até hoje não sei o que aconteceu com ela...

– Tris... — chamei Tris baixinho.

Não obtive resposta.

– Tris... — chamei um pouco mais alto.

– Hm? — ela respondeu, mas acho que ainda estava meio dormindo.

Me levantei silenciosamente para não acordar Zeke e Shauna e a cutuquei.

– Que porra, Tobias... — ela ia começar a falar.

– Desculpe, mas eu tive um pesadelo.

Ela abafou uma risada.

Como se lesse meus pensamentos, ela desceu da beliche e me abraçou. Assim, deitamos na parte de baixo da beliche, era pequena, mas se a gente dormisse abraçadinhos caberia nós dois. Claro, que isso não era problema!

Com ela ao meu lado, não tive nenhum pesadelo com Marcus, nem com fogo, nem com a Dauntless, nem com a resposta da Madame para ficarmos aqui até segunda ordem.

Ela me dava paz!

Notas finais
Bem, é a partir desse capítulo que as coisas vão se revelar. Vocês mal sabem hueheuheueheu Comentem, me façam feliz...