Overdose
16 Ghostnet
Notas iniciais
NARRAÇÃO TRIS
Dessa vez eu que envolvia Tobias em meus braços na cama. O dia já tinha amanhecido e só eu estava acordada no quarto, Tobias dormia feito um anjo e eu não queria acordá-lo.
Observei o colar que ganhara da idosa ontem, e me lembrei do que tinha acontecido nesses últimos 2 meses. 2 meses sem ver meus pais, meu irmão, minha avó, Al, Christina, todos.
A imagem de Al na minha cabeça surgiu, e me lembrei da nossa noite, foi tão bom. Mas apesar de ter sentido aquilo com ele, com Tobias eu me senti melhor, como se tivesse sido mágico! A imagem de Al se tornou borrada, desfocada, e a imagem de Tobias se tornou nítida e clara na minha mente e no meu coração apaixonado.
Sem perceber, acabei tirando um pequeno cochilo...
–--
– Ai, meu bom Senhor! — despertei ao mesmo tempo que Tobias ao ouvir a voz de Zeke — Porra, Tobias. O que significa isso?
– Eu posso explicar... — Tobias resmungou ainda sonolento.
– Zeke, eles estão juntos, mas por favor, você não pode contar pra Madame! Ela vai matar eles... — Shauna explicou por nós.
Zeke para mim e Tobias incrédulo.
– Eu não direi nada, mas se continuarem desse jeito alguém vai perceber. — foi o que ele disse antes de sair.
Shauna sorriu tímida e sentou na cama dela.
– Nós iremos sair para comprar algumas mudas de roupas, não podemos ficar com essas roupas chamuscadas, certo? — ela disse, sorrindo.
– Certo... — respondi.
Tobias foi procurar Zeke enquanto eu, Shauna e Nita fomos comprar roupas para as meninas, os garotos iriam mais tarde.
Não poderíamos ficar todos de preto, teríamos que parecer normais se pretenderíamos ficar por ali.
Nos direcionamos a única loja de roupas e fomos comprar.
– As outras meninas não deveriam estar aqui? — perguntei.
– Relaxa que todas tem mais ou menos o mesmo tipo de corpo. — Nita me respondeu enquanto olhava para uma blusinha.
– Meninas, olha aqui. Roupas íntimas por $10! — Shauna exclamou.
Olhei para elas, eram horrendas. Mas era o que servia!
– Posso ajudar? — uma mulher com uma bela pinta na cara perguntou.
Nita foi conversar com ela super simpática, e até conseguiu um desconto na hora de passar as roupas.
Voltamos, todas as meninas tomaram banho e se trocaram, fui a última a tomar banho e me trocar (não me importei de mostrar a barriguinha). Me dirigi até o quarto onde estávamos e vi Tobias, Zeke, Eric, Yudi e Doug. Eles pareciam tensos e assim que eu entrei ficaram mais ainda. Um notebook estava no meio deles e uma página estranha estava aberta.
– Tirem a princesa daqui. — Eric ordenou.
Antes que Yudi me puxasse, eu olhei para a tela do notebook e vi os códigos que apareciam na tela.
– Ei, eu conheço isso! — me soltei do Yudi indo em direção a eles.
– Pode ir parando por aí, princesa. — Doug me parou.
– Isso é um sistema de hacker e espionagem! — empurrei a mão de Doug.
– Do que está falando, Tr...princesa? — Tobias perguntou.
– Se for o que estou pensando, é mais sério do que imaginam! — me sentei em frente ao notebook — Esses bugs, eu me lembro. Esse sistema se chama Ghostnet e invadiu mais de mil computadores em mais de 103 países, invadiu computadores dos governos, incluvise do Dalai Lama. Tudo indicava que era a China que estava por trás de tudo isso, mas o governo chinês nega até hoje. Ghostnet praticamente é o sistema de hacker mais pica da galáxia.
– E por quê iriam nos espionar? Como espionaram? — Yudi perguntou.
– Porque e como não sei. Mas se queria informações cruciais de vocês, conseguiram. — encarei Tobias.
– Como saberemos de onde veio isso? — Eric perguntou, ainda perplexo.
– É complicado, mas podemos fazer uma lista de países que contém computadores de grande tecnologia, como a China, EUA, Rússia... — estava respondendo e Tobias me interrompeu.
– RÚSSIA, Erudition! — ele exclamou — Lembram do que a Madame estava comentando?
– Porra, cara! Faz sentido. — Todos exclamaram concordando com Tobias.
E a cara deles era de preocupação.
NARRAÇÃO AUTORA
– Alô? — Layla atendeu ao telefone.
– Madame, temos más notícias...– era Eric do outro lado.
Ela olhou para os lados, estava no seu quarto mas não queria correr o risco de Natasha aparecer de repente de novo. Ela se levantou e foi até o banheiro e se trancou.
– Diga. — ela falou em tom baixo.
– Nós fomos invadidos e agora alguém tem todas as informações da Dauntless, de todos os membros, de todas as nossas futuras missões, de planos, e inclusive da senhora...– o medo de Eric era perceptível na voz dele.
Em menos de 10 segundos, ela ficou em choque, ficou com raiva, ficou com medo. E ela teve que se controlar para não começar a gritar com Eric no meio do banheiro e atrair os funcionários ou sua filha.
– Como assim, Eric? Quem invadiu? — Layla perguntou rangendo os dentes.
– A filha de Andrew está tentando descobrir, ela se mostra com grande sabedoria de computadores.– Eric respondeu.
– Beatrice? — Layla estava incrédula — Vocês estão loucos? Eu vou estrangular vocês assim que os encontrar. De 1.000 pessoas que perdemos ontem na Dauntless, só sobraram 18, isso já é um horror, agora essa fedelha mexendo nos computadores com as informações nossas? E se ela mandar um sinal para virem buscá-la?
– Senhora, Tobias está a vigiando, pode ter nossa certeza de que ela não vai fazer nada.
– É bom mesmo, Eric! Se algo acontecer por culpa dela eu vou arrancar os dedos de cada um de vocês! — ela rosnou e em seguida desligou.
Saiu do quarto e se olhou no grande espelho.
Ela estava mais pálida, a raiz do seu cabelo castanho estava crescendo, evidenciando a tintura que precisava ser renovada. Os olhos fundos e olheiras evidentes, e aparentava mais magra do que há algumas semanas atrás.
– Andrew, olha o que está me causando... — ela deixou uma lágrima solitária escapar de seus olhos.
Possuída pela raiva, ela pegou um vaso e jogou com tudo no chão gritando.
Ela precisava esvair sua raiva.
Andrew havia a traído de novo, tinha a usado de novo, como ela pode permitir isso? Como não instalou um espião para observá-lo dia e noite? Como ele conseguiu se aliar a Erudition bem debaixo dos seus olhos?
O homem que ela tanto amou e ama, a traindo mais uma vez.
– Mãe? — Natasha entrou no quarto acompanhada de mais dois funcionários.
O barulho havia os assustado.
Ela estava ajoelhada em cima dos cacos e seus joelhos sangravam, seus olhos marejados borravam sua visão e ela estava paralisada.
– Senhora Garcia, vamos tratar disso! — uma empregada a levantou e a colocou na cama.
– Mãe, o que aconteceu? — Natasha se sentou ao seu lado.
– O amor dói, filha, o amor dói... — algumas lágrimas escorreram de seus olhos evidenciando a tristeza em sua alma.
A empregada limpava os machucados do joelho e colocava curativos enquanto Natasha acariciava os cabelos da mãe.
– Fique calma... — ela pedia.
Mas Layla não estava calma.
Andrew a levava a loucura...
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