Overdose
19 Encontrada
Notas iniciais
NARRAÇÃO TRIS
Mais um dia, dessa vez todos foram para uma outra cidade onde uma quadrilha iria os alojar, exceto Tobias, Shauna, Zeke, Yudi, Eric e Doug (e eu, mas não conta).
Passei os últimos dois dias ignorando Tobias, toda vez que ele vinha falar comigo eu cortava e ia para perto de Doug e Yudi, que se mostraram bem amigos. Layla, que eu descobri por Shauna, era a chefe da máfia e eu me surpreendi ao saber, nós ficaríamos ali a mando dela para investigarmos com tranquilidade. Caso alguém perguntasse, nós éramos um grupo de amigos fugindo das responsabilidades da faculdade e do trabalho (clichê, mano).
Layla sabia que eu estava colaborando a encontrar os hackers, mas mesmo assim pediam para que me tratassem ainda como a refém, e eu tinha leves suspeitas de que ela tinha algo contra mim.
Às vezes quando não tinha ninguém olhando eu entrava na minha conta no fórum a espera de uma mensagem, desde que fiz o teste da Cicada 3301 eu estive inquieta e com mais alguns dados cheguei a uma cidade: Tokyo.
Já era fim da tarde e eu estava saindo do banho, quando Tobias apareceu na minha frente.
– O banheiro está livre. – disse com indiferença, como se não fossemos nada.
– Tris, podemos conversar? – Tobias me segurou pelo braço enquanto eu passava por ele.
– Tenho que rastrear as pessoas que o espionavam, não tenho tempo pra conversa. – tentei me soltar mas ele continuou me segurando para não sair de perto dele.
– Eu queria pedir desculpas por não aprender a confiar em você. – ele disse cabisbaixo.
Analisei sua expressão, estava séria, mas nos seus olhos havia uma certa melancolia, tristeza, e eu me sentia um pouco mal por estar o fazendo ficar assim.
– Tudo bem. – resolvi ceder.
Não adianta ficar de mal, pra que complicar as coisas simples? Se a gente ama, confia e perdoa, confia que a pessoa vai se esforçar pra não errar mais. A vida é muito curta pra desperdiçar com frescuras nossas.
Tobias sorriu e me abraçou, um abraço apertado e cheio de amor.
Ele deu um beijo em minha testa e entrou no banheiro.
– Quer vir comigo? – ele perguntou sorrindo maliciosamente.
– E correr o risco de verem a gente? Não, não.
Mal terminei de falar e ele me puxou para dentro do banheiro, arrancando minha roupa e entrando debaixo do chuveiro comigo.
NARRAÇÃO AUTORA
– Tome cuidado, Nat. – Gabi disse antes de Natasha e Peter entrarem no pequeno carro alugado – Tome conta dela, Peter.
– Que graça! – Natasha mostrou a língua para Gabi.
Depois de 2 dias com mais algumas pesquisas sobre as cidades e vilas perto do lugar da explosão, Natasha resolveu ir para a mais próxima: Vila do Sol. Como de esperado, Peter quis acompanhá-la.
O carro começou a andar para a pequena “cidade-vila” e durante muitos minutos, Natasha e Peter se mantinham em silêncio. Uma música baixinha tocava e Natasha estava dispersa nos pensamentos enquanto observava a paisagem pela janela, de vez em quando, Peter a olhava de esguela e em uma dessas vezes Natasha percebeu e não pode deixar de sorrir.
– Está olhando o que? – ela desfez o sorriso, não queria sorrir.
– O cabelo está desbotando. – ele respondeu.
– É assim mesmo, depois de duas ou três lavadas ele desbota, mas fica bonito.
– Se você diz. – ele disse, por fim.
Mais alguns minutos se passaram, o silêncio incomodava Natasha, ela queria conversar, sempre foi de conversar.
– Então, Peter – já não podia controlar a vontade de conversar com ele – Sabe uma coisa que eu nunca soube?
– O que?
– Sua idade.
Peter, uma risada que fazia uma sensação boa em Natasha.
– 21.
– Novinho. – Natasha comentou.
– Por que Natasha Garcia, uma cantora bela e entusiasmante quer saber a idade do mero empregado? – Peter disse de um jeito enigmático.
– Eu gosto de conversar, conhecer as pessoas – ela deu de ombros – E você não é só um mero empregado.
– Eu sou o que então? – Peter indagou encarando nos olhos castanhos de Natasha.
Aquela pergunta, sem entender, mexeu um pouco com Natasha. Demorou alguns segundos pra responder, e durante isso Peter continuava a encarar ela, deixando pra lá a estrada na qual dirigia.
– Você é o cara que devia prestar atenção na estrada. – Natasha respondeu apontando para frente.
– Não tem nenhum carro. – Peter riu.
– Mas mesmo assim.
– Natasha... – Peter começou e ela o olhou curiosa – Eu não sei se agora seria o melhor momento para dizer isso.
– Dizer o que?
Peter parecia tenso, e mal a olhava. Natasha estava curiosa e a testa franzida, esperando por uma resposta de Peter que demorava a vir. Os olhos dele estavam dessa vez concentrados na estrada a frente e pareciam distraídos com qualquer outra coisa, menos com o que ele pretendia falar. Pretendia.
– Deixa pra lá. – ele disse, irritando Natasha.
– Deixa pra lá o que Peter? Me fala. – ela já falou incomodada, era muito curiosa.
– Olha, não é nada demais, não precisa se preocupar.
– Se não é nada demais, o que tem me dizer? – Natasha indagou.
– Só direi se for recíproco. – Peter respondeu sério.
– O que tem que ser recíproco, Peter? – Natasha perguntou já mais calma, ela tinha uma ideia do que ele estava falando, mas não tinha coragem de perguntar.
– Vamos parar de falar disso. – ele disse seco, e continuou a olhar para a estrada até chegar a vila.
Durante o resto do percurso, ela só olhou pela paisagem e o sol já estava se pondo quando chegaram. Ela observou a simplicidade da vila, e eles se dirigiram a pousada. Saindo do carro, Natasha pegou sua pequena mala e Peter pegou a dele, Peter mal a olhava e Natasha já estava intrigada com aquilo, se dirigiram até a recepção que ficava ao lado do balcão de bebidas.
– Oi, eu sou... – Natasha tossiu, demorou a lembrar seu nome falso – Samantha Corletto, e esse é meu amigo Pe...Bill Kathlen. Nós estamos de férias do trabalho e gostaríamos de poder passar um tempo longe do fervo da cidade, há vagas?
A mulher que estava ali nos observou, tinha uma cara de “amigos, sei” e olhou num caderno ao lado.
– Vocês deram sorte, quase todos os quartos estavam ocupados por um povo aí, mas já foram e vocês podem escolher se querem o quarto no segundo ou terceiro andar. – a mulher disse.
– Segundo andar, por favor. – Peter pediu – Quando é a diária?
– Cada dia são 25 dólares, com café da manhã incluso, sem fica 15 dólares. Quantos dias?
– 5 dias. – Natasha respondeu – Precisa de identidade?
– Precisa não, só o nome, idade e número de telefone para contato. Caso vocês saiam sem pagar.
– Ah, sim. Anota aí, Samantha Corletto, 21 anos – pensou um número de telefone, não podia ser qualquer um – 9078-3434. É o mesmo dele, Bill Kathlen, 21 anos também.
A mulher anotou e em seguida abriu uma gaveta e tirou de lá uma chave com o número 4.
– Todos os quartos tem duas beliches e uma cômoda, são simples e o banheiro todos dividem, não podem demorar mais que 15 minutos no banho. O café da manhã é servido das oito horas da manhã até as nove. Vocês pagam metade agora e a outra metade um dia antes de irem embora, no total 75 dólares, paguem $37,5 agora, por favor.
Peter pagou e pegou a chave, o quarto era o número 4. Eles chegaram ao segundo andar e quando pararam em frente ao quarto eles se depararam com duas pessoas também na porta do quarto ao lado.
Natasha deixou a mala cair e um frio percorreu seu corpo.
– Beatrice Prior. – ela gaguejou.
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