Overdose
20 Meia Irmãs
Notas iniciais
NARRAÇÃO AUTORA
Em uma fração de segundo, Tobias estava com o braço em volta do pescoço de Natasha. Peter tentou acertar Tobias mas ele foi mais rápido, desferindo um chute em sua barriga o deixando sem ar. Ele apertava o pescoço de Natasha que tinha dificuldade de respirar e Tris, sem pensar, deu-lhe um soco no rosto, o que o fez afrouxar o braço e Natasha conseguir escapar.
– Tris! – Tobias grunhiu a olhando incrédulo.
– Sem violência. – Tris o olhou fria e virou para Peter e Natasha.
Peter abraçava Natasha que acariciava seu pescoço vermelho, respirava ofegante.
– Quem são vocês? – Tris perguntou.
– Eu sou Peter, ela é Natasha. – Peter respondeu por Natasha.
– O que vieram fazer aqui? Como nos descobriram? – Tobias perguntou com seriedade na voz.
– Viemos em busca de respostas, nunca imaginaríamos que fossemos a encontrar logo de cara. – Natasha respondeu, já recomposta.
– Me encontrar? Estavam me procurando? – Tris perguntou confusa.
– São agentes? – Tobias perguntou, dessa vez mais sério e andando devagar até eles.
Tris colocou a mão em seu peito impedindo-o de chegar mais perto.
– Eu sou universitária e ele é o segurança da minha casa, a polícia deixou de te procurar faz tempo e depois de eu escutar umas conversas de minha mãe, resolvi investigar por mim mesma. – Natasha respondeu, mas Peter a beliscou – Ai!
– O que está pensando? Dizendo tudo para eles? – Peter falou um pouco baixo.
– Pode confiar em mim, ahn...Natasha! – Tris se aproximou de Natasha – Me conta.
– Essa é uma conversa que não podemos ter no corredor, Eric pode aparecer a qualquer momento – Tobias falou olhando para os lados – Vamos para o bar.
Desceram para o bar e se sentaram numa mesa no canto, afastada de todos. Não estava movimentado!
– Pode começar a falar. – Tobias disse, se sentando ao lado de Tris.
– Há algum tempo, escutei minha mãe falando algo sobre a Dauntless com alguém no telefone e eu fiquei muito intrigada com aquilo, e resolvi pesquisar mais a fundo. Minha mãe sempre saia a trabalho e nunca dizia o que eram essas viagens, o que me deixava mais desconfiada ainda, pensei que ela estivesse envolvida com a máfia. Com algumas pesquisar, descobrimos – Natasha não iria dizer que suas amigas estavam envolvidas – uma notícia de alguns anos atrás que dizia que minha mãe havia engravidado de...Andrew Prior!
Tris, sem querer, deixou escapar um risinho.
– Isso é impossível. – Tris argumentou.
– Esse bebê seria eu, aqui está a foto. – Natasha pegou seu celular e mostrou a foto, e Tobias deixou o queixo cair ao ver a mulher na foto.
– Natasha...Natasha Garcia? – Tobias balbuciou.
– Sim, como sabe meu sobrenome? – Natasha ficou confusa.
– Layla Garcia... – Tobias sussurrou alto o bastante para todos ouvirem – Sua mãe é a nossa chefe. E há alguns anos, quando firmamos acordo com Andrew, ouvimos boatos de que eles tinham tido um caso amoroso.
Uma coisa surgiu dentro de Tris, que olhou friamente para Natasha, Peter e Tobias. Um gosto amargo veio em sua boca e ela se levantou e correu para o banheiro, onde vomitou. Tobias e outros dois correram até onde ela estava, e os olhos marejados de Tris borravam sua visão.
– Meu pai, é criminoso, fornece armas para terroristas, traiu minha mãe e ainda teve uma outra filha, qual o próximo, Tobias? Qual o próximo? – As lágrimas caíam sobre o rosto pálido de Tris, que afundou o rosto no pescoço de Tobias, deixando-o envolver seus braços num abraço apertado.
Depois de alguns minutos, Tris se recompôs e olhou para Natasha.
– Sua mãe abortou aquele bebê? – Tris perguntou.
– Eu sou o bebê. – Natasha respondeu, com os olhos um pouco marejados.
Um choque de realidade caiu sobre elas, e se encararam.
Duas irmãs por parte de pai.
–--
– Eu preciso de você aqui, Andrew. – a voz fina do outro lado da linha disse.
– Eu sei, Jeanine! Mas se eu for para aí agora, alguém pode desconfiar, a Dauntless tem aliados, Layla está de olho em mim. – Andrew respondeu, trancado em seu escritório na G-Prior.
– A Dauntless foi completamente destruída, você acha mesmo que Layla terá forças pra se reerguer contra nós agora? Ela está vulnerável. – Jeanine respondeu com desdém na voz.
– Não sei como topei te ajudar nesse plano louco, tem noção de quanto dinheiro está sendo gasto? Estamos falando de dinheiro, é algo sério. – Andrew falou irritado.
– Estamos falando de bombas radioativas, isso sim, é algo mais sério ainda. – Jeanine riu do outro lado.
– E você tem certeza que vamos escapar no momento certo? – Andrew indagou.
– Mas é claro, meu amor! A Austrália será onde vamos nos instalar, enquanto isso, os outros continentes sofreram com a bela tragédia que a radiação vai causar. – Jeanine ria do outro lado – Câncer, pessoas morrendo em poucas horas, nem vão saber o porquê da morte, bebês nascerão com mutações, e por muitos anos eles irão sofrer com isso!
– E quando a Nathalie, Caleb e Beatrice?
– Oh, você ainda se importa? Eu não sou mais importante? – Jeanine se fazia de ofendida – Mas se você quiser, meus homens podem levá-los a uma ilha próxima ao litoral do sul da África, onde eles podem viver até o fim de suas vidas sem nos importunar.
– E se pegarem a bomba aqui?
– A bomba só será entregue aí um dia antes da explosão. Você deverá evacuar toda a sua empresa...ou não! É uma bela ação para nós deixar que a bomba exploda na G-Prior, Andrew. Quando a bomba estourar, vai ser como em Chernobyl.
– E o que vamos ganhar com isso mesmo, Jeanine?
– O terror das pessoas.
– Esqueci o quando você é sádica!
– É o meu charme. – Jeanine riu enquanto desligava, deixando Andrew ainda parado em sua cadeira, com o telefone ao lado da orelha.
–--
Andando pelas ruas de Chicago, Layla conversava friamente com Santiago.
– Acho que você perdeu tempo se aliando a Andrew. – Santiago comentou.
– Ele é o pai de minha filha. – Layla respondeu ríspida.
– Mesmo assim, Layla. Ele te deixou, e agora está deixando outra vez!
– Todos me deixam! – Layla quase gritou, lembrando-se do seu marido falecido.
– Eu não iria te deixar. – Santiago a olhou com melancolia.
– Eu te deixei por não queria te iludir como Andrew me iludiu. – Layla falou devagar.
– E mesmo assim eu te dei o controle da Dauntless. – Santiago disse se aproximando de Layla.
– Não faça isso... – Layla sussurrou, fechando os olhos.
– Layla, eu te amo e tudo que eu mais quero e quis é te fazer feliz! Mas você complica tudo, por causa daquele canalha que nunca se importou com você. Podemos deixar ele pra lá, esquecer a máfia e ir morar juntos numa fazendinha.
Layla riu baixinho, se lembrando de que era esse o plano de quando conheceu Santiago, em um bar.
–Eu sei que você já me amou Layla. – Santiago colocou as mãos nas bochechas de Layla, a fazendo olhar para ele – Peço que resgate esse sentimento.
E sem esperar uma reclamação dela, Santiago beijou aqueles lábios que por tanto tempo não sentiam a sensação de ser amada. Enquanto o beijo de seu marido falecido era calmo e reconfortante e o de Andrew cruel, o beijo de Santiago acendia uma chama em seu coração, fazendo-a considerar a ideia de ir embora com Santiago. Ela por um momento pensou em dar-lhe um tapa e ameaçá-lo de morte se tentasse repetir isso, mas ela apenas de deixou levar naquele beijo, um beijo que deixava Santiago ansiar por mais e mais de Layla, pelo amor dela!
Por mais cruel que seus corações são hoje, o amor poderia deixar a sombra que emanava neles ir embora, dando lugar a luz da paz...
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