Over Again
10 Capítulo 9
Notas iniciais
– Tenho que falar com você por um minuto. – Falou nervoso pelo o que vem a seguir.
Minhas mãos começam a suar e eu engulo em seco. Annabeth me fita com muita expectativa e curiosidade. Eu realmente não si como começar, tenho medo de nunca mais falar com Annabeth, nunca mais olhar em seus olhos cinza tempestade, nunca mais lhe abraçar nem ver seu sorriso quando sou lerdo ou falou algo bobo. Medo de que ela nunca seja minha, medo de perdê-la para a mentira.
– Você vai ficar muito chateada. – Avisei olhando em seus olhos. Ela franziu o cenho e continuou em silencio, me incentivando a continuar. – Preciso que você me escute antes de me odiar.
– Continue. – Falou cruzando os braços e me encarando.
– Nós fizemos espaguete na floresta. Sanduiches também, mas eu coloquei a panela de espaguete bem no fogo. Quando eu fiz, a propósito eu juntei dois gravetos como uma...como um triangulo... – Eu fala rápido e me embolava com as palavras, gesticulando loucamente com as mãos. Annie me olhava com um sorriso no rosto.
– Percy. – Disse e eu parei de falar. – Comece de novo.
– Certo. – falei e minhas mãos voltaram a suar, fazendo-me esfrega-las a cada cinco segundo na minha calça. – Oi.
– Oi.
– A questão é que eu menti para você. Eu já consertei, mas eu menti. – Ela apenas me encava sem demonstrar nada. – Você me pediu para falar com meu pai para ajudar o Luke. Eu disse que eu tinha, mas eu não falei.
Agora Annabeth me encava com raiva e desgosto. Seus lábios formavam uma linha fina e seus olhos estavam parecendo uma grande tempestade com muitos trovões.
– O meu problema é que, isso é só um de todo um caminhão cheio. Eu perdi minha mãe recentemente, eu não posso tê-la de volta. Eu precisei escalar uma montanha para perceber isso. Mas você estava certa. Eu vim para São Francisco e não fiz nada para mim aqui. – Falei encarando seus olhos. – A não ser você. Você é o que faz isso ser minha casa. Eu estava com medo se meu pai ajudasse o Luke, que eu perdesse tudo isso.
Parei um pouco para respirar. Todo esse tempo eu segurei o ar e apenas falei só me preocupando em não gaguejar. Quando consegui me recompor, continuei:
– Mas eu entendi. Digo, levou um tempo, mas entendi. O Luke é sua casa. Então eu pedi ao o meu pai para ajudar o Luke. Ele vai dar uma olhada nele amanhã. – Falei e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios, mas a raiva era mais presente ainda. – Não que isso compense por qualquer coisa que eu fiz, mas....Está acontecendo. Eu sinto muito.
Annabeth agora me encava com um misto de emoções, raiva, tristeza, alegria, surpresa e muitos outros que não consegui distinguir. Seus lábios estavam entreabertos e sua respiração um pouco acelerada pela surpresa. Ela passou a língua por seus lábios e suspirou.
– Ok. Mas é um pouco tarde para se desculpar. – Falou a ultima frase bem baixo e em seguida se desencostou da porta e fechando-a na minha cara.
– Ok. – Respondi para o vazio. Ainda com os olhos cheios de lagrimas, que foram impedidas de cair, coloquei minhas mãos nos bolsos e sai.
{...}
Estava eu, Annabeth e alguns outros alunos arrumando as coisas para a apresentação de dança da escola. Eu tive que ajudar o grupo a arrumar o palco, pois eu toco piano para eles e com isso eu podia ganhar notas extras e ficar mais com a Annie. Pintamos algumas folhas e conversávamos tranquilamente, sem tocar no assunto Luke.
– Achei que te pagavam para tocar piano. – Falou enquanto pintava o mesmo canto que eu.
– Está duvidando do meu espírito escolar? – Falei brincando. Ela apenas riu de leve e continuou a pintar.
– Lá é o melhor lugar. – Falou apontando para algumas cadeiras vermelhas na primeira fileira. – Todo ano é uma corrida maluca para ver quem consegue os melhores lugares. Eu juro você pensaria que é um conserto do Paul McCartney. Nunca vi pessoas de meia-idade correndo tão rápido. – Disse brincando
– Uma escola secundaria de dança descrevendo as mudanças das folhas. – Sim esse era o tema da apresentação desse ano. Idiota, eu sei. – Ponto alto do período social da Good. Por que isso não me surpreende?
Annabeth me olhou e revirou os orbes cinzas – ela não se cansa de fazer isso? – bufando, mas não conseguindo esconder o sorriso, se levantou e foi colocar a folha de pé para pintarmos o outro lado.
– Na verdade o mercado das flores vendeu tudo ano passado. Todas as garotas recebem buquês, rosas principalmente. – explicou-me
– È bom saber. – Falo já pensando em levar um buquê para ela.
– Menos eu. – Fala e eu a olho indignado. O namorado dela nunca lhe deu flores? – Eu quero dizer, eu nunca recebi uma antes, mas Luke costumava a me trazer flores de qualquer maneira. Nem minha mãe ou qualquer outra pessoas, apenas Luke. – Falou sorrindo e olhou novamente seu relógio.
Annabeth, não sei o motivo, a cada cinco minutos olha seu relógio de pulso ou até mesmo o relógio pendurando no canto da parede branca do auditório.
– Você consultou seu relógio há exatamente cinco minutos. – falo curioso por ela querer saber tanto as horas.
– O encontro de seu pai e os pais do Luke esta quase acabando. – fala e percebo que ela esta apreensiva com a conversa.
– Eu não me preocuparia. – Falo olhando em seus olhos e ela abre um pequeno sorriso. – Os compromissos do meu pai duram tempo o suficiente para quem quer que esteja falando com ele, assinar em cima da linha pontilhada.
Com isso Annabeth fica um pouco mais tranquila, mas não o suficiente. Então tento mais um pouco.
– Eu juro que não me lembro da ultima vez que alguém tenha negada a oferta de ajuda do incrível Dr. Jackson. – Me viro para Annabeth, assim posso olhar seus olhos cinza cheios de preocupação. – A cirurgia do Luke é um trato feito.
Annie sorri para mim e passa a língua entre os lábios, umedecendo-os.
– Eu assisti a aquele programa sobre como outra noite no canal de ciências. – Se apoio na parede e juntou seus joelhos ao corpo. Eu continuava sentado com as pernas cruzadas e encarando-a. – Mostrou pessoas que saíram do coma depois de um longo tempo, seis meses aproximadamente. A maioria delas dificilmente parece ser humano.
Suspirei, já vi algumas pessoas que meu pai tratou e que quando voltaram do coma realmente não pareciam às pessoas que eram antes do acidente.
– Me lembro do rosto de um rapaz que estava fixo em um grito silencioso, como aquela pintura. – Ela falava olhando para a parede, apenas se lembrando do que viu. – E a maioria tinham as mãos distorcidas.
– Sebe, eu não quero dizer isso de uma forma maldosa Annie, mas você esta certa de que quer que ele volte? – Perguntei cauteloso. – Eu quero dizer, especialmente se... eu .... eu só quero dizer que talvez seria melhor para ele se...
Não consegui nem terminar de falar e já fui interrompido pela Annabeth que se virou para mim de forma brusca e com o olhar frio mas com uma ponta de tristeza.
– Eu quero que ele volte! – gritou chamando atenção de algumas pessoas. – Não importa como. – Terminou me olhando com um pouco de desprezo.
Apenas continuei quieto e continuei a pintar.
{...}
Cheguei em casa depois da minha pequena discussão com a Annabeth permanecemos pintando em silencio, até nos cansarmos, então voltei para casa morrendo de fome.
Abri a porta da sala e meu pai estava no telefone.
– Não, não, realmente não a necessidade de explicar. Não, não, não é claro que não. Tudo bem nos falaremos de novo em breve.
Abri a geladeira e a curiosidade tomou conta de mim.
– Quem era?
– Oh, apenas coisa do trabalho. – Meu pai falou simplesmente. Estranhei, ele só estava vendo Luke nesses dias, será que era dele?
– Sobre Luke Castellan? – perguntei curioso e pegando uma caixa de leite pela metade.
– Na verdade, era sim.
– O que eles falaram?
– Quem? – depois fala que eu sou lerdo. – Oh, eles decidiram não prosseguir com a cirurgia. – falou simples
– O que?! – pergunto indignado olhando para meu pai que procurava algo na gaveta da ilha da cozinha
– Bem você nem mesmo pode culpa-los. Eu quero dizer, é uma decisão dura de tomar.
– Espere. – Falo meio irritado. – Então é só isso?
– Nada se “só isso”. O estado de Luke está evoluindo constantemente. Que sabe? Amanha, semana que vem, poderia ser uma partida inteira de futebol.
– Então você vai continuar com essa mentira.
– Não posso obrigá-los.
– Essa é uma coisa nova certo? Essa sua atuação de médico de interior.
– Médicos não têm todas as respostas, Percy.
– Não? – pergunto ainda bravo
– Não. Às vezes pais tem a resposta. – Bufo irritado por ele nem ter insistido! – Ah e quando terminar de deixar o ar frio sair da geladeira ponha a mesa, ok?
Foi só quando ele falou isso que percebo que deixei a porta da geladeira aberta. Fecho a porta com raiva e saio da cozinha, apenas pensado na reação da Annabeth.
{...}
Eu estou encostado na parede de azulejos do colégio arrumando alguma de minhas partituras quando ouço passos perto de mim, apenas ignoro.
– Hey, Percy. – Fala Annabeth chegando perto de mim. Ela vestia uma calça jeans com alguns rasgados, Vans vermelhos e uma blusa mais larga com um desenho do símbolo da paz em varias cores. Ao vê-la me levanto meio atrapalhado com as folhas e lápis, escondendo-os o mais rápido possível.
– Meu pai me contou ontem à noite. Sinto muito.
– Eu não devia ter criado muita expectativa.
– Algumas vezes lá em New York, as pessoas diziam não para meu pai... no começo.
– E depois o que acontecia? – Perguntou curiosa.
– Bem, eles as convenciam de que tinha razão. – falei isso e ela abriu a boca, quase em um “O” perfeito, só que menor. Dava para ver em seus olhos cinzentos que ela estava curiosa. – Sabe exceto...
– O que? – perguntou me interrompendo.
– Aqui as pessoas estão sendo diferentes. Você tem que conhecer a pessoa por mais tempo antes mesmo de deixarem trocar o pneu delas. – falo brincando e ela ergue uma sobrancelha.
– Então você não acredita que seu pai possa convencer os Castellan?
– Eu não sei. Mas talvez você possa. – digo sorrindo e ela fica surpresa.
– Eu? È sério? Você acha?
– Sim. – respondo confiante. – Nós só precisamos fazer...
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