Outra Dimensão
73 Adeus!
Notas iniciais
Sasuke e Sakumo saíram do portal em silêncio, procurando com os olhos se situar no espaço. O rapaz parecia o mais surpreso e curioso, mas sua máscara ajudava-o a esconder bem suas impressões.
Mas qualquer tentativa deles passarem despercebidos foi por água abaixo quando alguém surgiu fazendo-os sobressaltarem-se.
— Você costumava ser mais discreto — afirmou uma voz irônica, saindo da escuridão.
O mais velho revirou os olhos reconhecendo imediatamente o que parecia ser o seu guia. Cabelos loiros, um irritante humor e olhos azuis-piscina?
— E você continua com seu humor sarcástico...
O rapaz apenas sorriu e olhou para o rapaz que o acompanhava, fazendo uma careta.
— Não poderia ter trazido o Daisuke não? Ele pelo menos é simpático.
O rapaz de cabelos prateados nem se deu ao trabalho de responder. Parecia que a idade não tinha ensinado algumas boas lições sobre simpatia e educação ao Uzumaki e estava mais interessado em absorver todas as informações que pudesse, saciando sua insaciável curiosidade, do que se indispor.
— Viemos buscar os meninos...
— Vocês poderiam ter se anunciado... evitaria algumas dores de cabeça — disse Boruto, subitamente sério. Talvez ele tivesse amadurecido afinal. — Entenda, só temos uma pessoa atualmente na Aldeia que resta de sua geração e emoções assim podem ser perigosas na sua idade.
— Desculpe? — disse Sakumo, entre curioso e irônico. Boruto apenas revirou os olhos. Quase tinha se esquecido do quanto o Anbu parecia e ao mesmo tempo se diferenciava do pai.
— Estão esperando por vocês em casa. Sigam-me!
Ele se foi em um rasgo de energia e os dois recém-chegados tiveram de se esforçar para segui-lo. Como sempre, exibido!
— Ei, sensei! Está ficando lento com a idade? Você é muito jovem ainda — ironizou o Uzumaki, rindo, fazendo Sasuke apenas rosnar. Qual era o problema daquele homem afinal?
De repente, ele parou diante de uma enorme casa em estilo antigo. Com quatro filhos, era realmente necessário uma casa grande para acomodar todo mundo. Pelo menos, um quarto para cada um se herdaram parte da personalidade dos pais. Evitaria brigas absolutamente desnecessárias. E, mesmo que apenas um tivesse herdado, se um tivesse seria justo que os outros também tivessem.
— Gostaria que demorassem o menos possível — alertou Boruto, fazendo o Sensei erguer as sobrancelhas. — Não foi um pedido meu, foi da Sarada.
— Por que toda essa história? — perguntou o Anbu, já impaciente. — O que está havendo?
Boruto suspirou, olhando para a casa, mas não deu tempo para que ele respondesse. A porta da casa se abriu e uma mulher idosa saiu caminhando lentamente em direção a eles. Os dois imediatamente ficaram em choque ao se depararem com a figura frágil que só reconhecerem pelos seus inconfundíveis fios cor-de-rosa. Estavam bem mais claros, mas ainda eram reconhecíveis.
Ela abriu um sorriso singelo ao se deparar com os dois, seus olhos esverdeados vivos parecendo ser de uma menina.
— Sakura?
A velha senhora o calou ao pousar a mão na lateral de seu rosto. O homem simplesmente não sabia o que dizer vendo a emoção evidente no olhar dela.
— Não precisa dizer nada! — alertou a anciã, baixando a mão enrugada. — Estou tão feliz que os deuses tenham ouvido as minhas preces... Agora acho que posso me unir aos meus companheiros em paz.
— Só a senhora está viva? — perguntou Sakumo, impressionado. Quando jovem, ouvira que ela provavelmente seria a primeira a morrer, principalmente após a morte repentina de Tsunade-sama, mas não diria isso nem sobre tortura.
Ela fez uma expressão pensativa por alguns momentos antes de sorrir ironicamente.
— De acordo com o último levantamento, dos que tomaram parte na última Guerra, restaram o Lee, o Kankuro, a Kurotsuchi e eu. Provavelmente, eu serei a próxima apesar da super-proteção dos meus familiares.
— Não seja dramática, sogrinha! — disse Boruto, revirando os olhos.
A velha senhora sorriu, inabalável.
— Todos morremos um dia, querido! Eu só durei tanto simplesmente por causa da minha genética, mas tudo tem o seu limite, todos nós sabemos disso — disse, voltando-se em direção a casa. — Venham, os meninos estão lá dentro ainda em estado de choque e com medo de levar uma tremenda bronca. O pequeno Boruto parece certo de que tomará a maior surra de sua vida.
Acabou que Boruto não foi espancado, mas o olhar de seu Sensei foi pior do que qualquer surra. Por segundos, foi colocado em um genjutsu que só conseguiu assustá-lo a ponto dele quase se mijar de medo.
A noite já tinha descido sobre a cidade, então tiveram de esperar até a manhã seguinte. Assim foram todos dormir, mas Sarada não conseguia. Alguma coisa a incomodava desde do dia anterior.
Ela abriu a janela de seu quarto e passou algum tempo olhando para o horizonte até se dar conta de que não estava sozinha no telhado. Uma figura solitária também olhava as estrelas ao longe com um sorriso. Suas duas pernas estavam esticadas e ela estava reclinada apoiada em cima dos dois braços.
Sarada saiu pela janela e se aproximou da pessoa.
— O que faz aqui fora?
— Escapando deles — ironizou a anciã, rindo, mas foi apenas por alguns segundos.
— Eles se preocupam de verdade com você... não devia fazer pouco da preocupação.
— Sarada... sabe o que me diziam na Academia?
A menina balançou a cabeça em negação.
— Que ninjas como eu não sobreviviam nem mesmo a sua primeira missão. Que se eu seguisse adiante e me formasse não viveria nem para ver meus filhos — disse a anciã, flexionando o joelho direito. — Claro que naquela época ninguém sabia que meu sobrenome não era um apelido, todos acreditavam que os Haruno estavam extintos, mas eu nunca desisti de provar que eles estavam errados.
Sarada sentou-se ao seu lado.
— E eu consegui provar que eles estavam errados quando meus pais entraram no quarto onde eu estava sendo examinada depois de voltar da guerra e pude ver o sorriso de puro alívio no rosto da minha mãe. Mesmo com tudo o que aconteceu e tudo o que foi revelado sobre a minha linhagem, ela ainda temia que aquelas previsões sombrias de quando eu estava na Academia se tornassem verdade. E eu me vejo agora, com mais de setenta anos de idade, todos os meus amigos mais próximos mortos, e sinto que fiz por merecer cada segundo que tive de vida.
A garota sentiu que não havia o que falar e simplesmente ali permaneceu fazendo companhia a velha senhora.
— Mas não se preocupe! Você não terá de me ver morrer tão cedo — disse Sakura, dando tapinhas em suas mãos quando o Sol se erguia no horizonte. — Vamos, está na hora de ir.
A moça pegou-a em seus braços e desceu do telhado pulando.
Eles ainda comeram antes de tomarem o caminho de volta para a casa. Sarada ainda encarou a mãe por longos momentos sentindo que a anciã se preparava para fazer a passagem, mas não conseguiu se sentir mal. Afinal, Sakura conseguira fazer tudo o que se propôs ao longo de sua vida, se sentia realizada e que realmente deixara um legado que seria contado por gerações. Como dissera, conseguira superar as expectativas e que seu nome não fosse apenas mais uma anotação no rodapé dos anais da história.
Depois que o portal se fechou, as pessoas se separaram indo fazer suas coisas, mas Sakura passou o dia indo aos lugares que lembravam os anos saudosos de sua juventude. O campo de treinamento, o velho prédio da Academia, a Loja de Ramén, agora um restaurante famoso com várias filiais, mas ainda mantinha a velha barraca onde Naruto passava horas e depois da guerra se tornou o ponto de encontro dos amigos. Em sua mente, ainda podia ouvir as vozes, os risos e provocações.
As pessoas viam a anciã vagar pela cidade, mas sentia uma aura tranquila e pacífica vinda dela. Algumas pessoas que ela ajudara a trazer ao mundo ou cuidara em algum momento de sua longa carreira pararam para cumprimentá-la e ouviram palavras de tranquilidade.
Quando a noite caiu, ela subiu até o Monte Hokage e ficou a olhar as estrelas sobre a cabeça de seu avô, Tobirama. E foi assim que seu filho a encontrou na manhã seguinte, sentada sobre seu antepassado em silêncio, mas um calafrio subiu por sua espinha. Seu chakra desaparecera por completo. Embora soubesse de sua grande habilidade em mascarar sua energia, algo lhe dizia que aquele não era o caso.
Daisuke se aproximou lentamente e tocou seu ombro para só então sentir a pele fria. Ele se ajoelhou, chorando em silêncio, mas de alguma forma sabia que sua mãe agora estava em paz.
Presente
De volta para casa, os dois jovens tiveram de ouvir um longo sermão sobre a total falta de responsabilidade e só não foram rebaixados a genins por se mostrarem verdadeiramente arrependidos e não terem causado maiores danos. Konohamaru foi então orientado a se responsabilizar pelas punições cabíveis aos dois jovens ninjas.
Depois que os dois foram dispensados, Konohamaru ainda ali permaneceu com Naruto e Sasuke e os dois logo perceberam que o jounin não sairia dali sem ter algumas respostas.
— O que eu devo esperar? — questionou, só recebendo o silêncio como resposta. — Eu sou o responsável por essa equipe e tenho que receber informações que facilitem o meu trabalho.
— Justo — concordou o Hokage, suspirando. Ele se levantou, deu a volta na mesa e sentou-se na beirada olhando para o rapaz que ajudara a criar. — Você tem conhecimento dos portais do tempo, não é?
O jovem Sarutobi assentiu.
— E que Boruto e Sarada são nossos herdeiros como guardiões deles?
O mais jovem ergueu as sobrancelhas em dúvida. Como assim?
— Eu sinceramente preferiria que fosse Himawari, ela sim tem noção de responsabilidade, deve estar pensando, não é? — resmungou o Hokage, rindo absolutamente sem humor. — Eu também penso assim, mas o destino é ironicamente preciso em suas determinações. E, com tudo o que aconteceu na última reunião dos Kages, temos que acelerar o treinamento deles.
— O que quer dizer com isso?
— Estamos as portas de um novo ataque, Konohamaru — disse Sasuke, assustando o rapaz. — E provavelmente de mais uma guerra.
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