Out Of Myself
4 Capítulo 3
Ele estava a frente de sua casa, na Bloch Street. Pelo caminho várias criaturas o atacaram. Suas balas já estavam tão escassas que ele as havia guardado no bolso esquerdo da calça. A mochila ele havia jogado fora para poder correr mais rapidamente. A Glock estava guardada no cinto da calça. A doze ele segurava com a mão direita.
A casa havia apenas ficado mais velha. De resto, era exatamente igual como Garcia havia visto pela ultima vez, aos 18 anos.
”Será que eles estarão aí?”
Respirando fundo, Garcia entrou pelo pequeno portão e abriu a porta de entrada.
Algo o alguém havia passado por ali. Os móveis estavam fora do lugar, a TV tinha caído no chão, cadeiras estavam tombadas, diversos papéis no chão. Garcia olhou em cada cômodo da casa. A mesma coisa.
”Eles devem ter passado por aqui”
Quando ia saindo da casa percebeu que haviam duas mensagens na secretária eletrônica. Foi até o aparelho e tocou as mensagens, a primeira era de seu irmão.
Garcia? É você? Espero que seja. Se for saiba que passamos por aqui. Estamos indo para a saída oeste da Old Silent Hill. Tentamos ir pela saída que dá em Brahms porém haviam muitos monstros e decidimos vir por aqui. A casa está desarrumada pois procuramos pelas armas do pai porém, por alguma razão, elas sumiram. No momento que você ouvir essa mensagem vá o mais rápido o possível para a Midwich...
A ligação fora cortada.
”Esperto, Henrique”
Garcia tocou a segunda mensagem:
Por que você voltou ... *estática* .... não precisamos ... *estática* .... você aqui...
A ligação terminava com uma risada rouca. A voz parecia horrivelmente com a de sua mãe, porém era mais... “demoníaca”.
”Terá sido Maria a ter deixado essa mensagem? Aquele megera velha, nem quando venho para ajudar ela não consegue deixar de ser uma bruxa”
Garcia arrancou a secretária eletrônica da parede e jogou longe, foi quando seu celular começou a ter estática. Uma criatura entrava pela porta da casa. Tinha o corpo de uma mulher e apenas um braço. Suas mãos eram garras. As pernas eram tortas. Em sua face os dois olhos pareciam costurados e havia uma boca sem lábios e com uma língua comprida, que saía da boca. Tinha uma respiração rouca. Em vez de se apavorar, Garcia mirou com a doze e, pensando no ódio pela sua mãe, atirou sem titubear. O sangue viscoso jorrou da cabeça da criatura. Garcia dirigiu-se a ela. Cuspiu e depois pisou no corpo nu da criatura, para então sair da casa.
Garcia estava na midwich em frente a um bar. Estava lendo um texto escrito no pedaço de camisa que havia sido posta no chão a entrada do bar, a caligrafia era de seu irmão.
Decidimos voltar e ir pela midway a sentido da rodovia 72, a quantidade de monstros aqui é ainda maior.
- Merda – disse Garcia batendo com a mão na porta do bar. Jogou o pedaço da camisa no chão novamente.
Já estava ficando puto com isso. Parecia que seu irmão estava lhe fazendo de palhaço e deixando-o percorrer a cidade toda através de pistas falsas. A vontade de sair da cidade deixando eles para trás era grande. Decidiu entrar no bar e beber alguma coisa.
Enquanto escolhia o drink que iria tomar, ouviu passos vindo de fora do bar. Decidiu esconder-se em um canto que não era iluminado e atacar de surpresa caso fosse uma criatura. Mas não era.
Um homem alto, de cabelo castanhos e expressão que era um misto de medo e ansiedade entrou pela porta do bar.
- Olá? Tem alguém aí? – perguntou o homem.
Mesmo sendo humano Garcia não podia arriscar, carregou a doze.
- Fique quieto e parado aí, cara – disse Garcia – Qual o seu nome?
- Bronsky – respondeu o homem rapidamente.
- Bronsky? – riu-se Garcia — Minha mãe tem um gato chamado Bronsky.
Garcia saiu do canto escuro do bar ainda apontando a doze para Bronsky.
- Então me diga cabrón, o que faz nessa cidade horrorosa?
- Meu carro... ele enguiçou a 1 km daqui, então eu decidi vir a pé até aqui pra ver se encontrava alguma mecânica.
- E esse bar parece uma mecânica pra você?
- Não, eu só entrei a procura de informações.
- Ah, então você é de fora?
- Sim, sou de fora, é a primeira vez que estive nessa cidade.
- Não é um bom lugar pra se visitar, Silent Hill – disse Garcia, abaixando a doze – Meu nome é Garcia.
- Prazer em conhecê-lo Garcia.
- Eu já abaixei a doze – disse Garcia, debochado – Não precisa mentir par mim cabrón, ou ser educado.
Garcia abriu uma garrafa de Whiskey que estava em cima do balcão. Tomou um gole no bico.
- Garcia, você disse que essa cidade não é um bom lugar pra se visitar porque?
- Você é idiota? Você está vendo o parque de diversões da Disney aqui? Ou o monte Rushmore com os rostos dos quatro presidentes? Tem alguma catarata pra você pular de um barril? Não. A única coisa que tem nessa cidade é neblina meu amigo.
- E as pessoas que moravam aqui?
- Vai ver evaporaram – disse Garcia, dando uma risada.
- Ok então, desculpe incomodar, já vou indo – disse Bronsky, aparentando estar irritado, virando-se pra porta.
- Espera aí cabrón, para onde está indo?
- Vou procurar uma mecânica.
- A única mecânica que tem mais perto é no Centro de Silent Hill. Há três jeitos de você chegar lá, duas pontes ou indo pela Rodovia Bachman, pelo sul. As duas pontes estão totalmente destruídas, partidas no meio. O único jeito é indo pela Bachman.
- Peraí, partidas no meio? O que partiu as pontes?
- Eu não sei, quando tentei atravessar elas vi que estavam partidas – mesmo visto apenas uma partida, Garcia não quis contar sobre Vincent.
- Então você não é daqui também?
- Nasci aqui mas vivo em Brahms. – Garcia pensou um pouco antes de continuar a história — Vim aqui procurar meu irmão, ele disse ontem pra mim que viria a casa de nossos pais, que moram aqui. Quando ele não apareceu hoje de manhã, vim até aqui ver se ele estava aqui ainda, fui a casa de meus pais e não tinha ninguém lá.
Preferiu omitir sobre a carta de seus pais e as mensagens da secretária eletrônica.
- E você acha que os seus pais e seu irmão ainda estão aqui em Silent Hill?
Garcia riu.
- Cabrón, uma vez dentro dessa cidade, você só sai morto.
O celular de Garcia e Bronsky começaram a dar estática.
- O que é isso? – Indagou Bronsky, pegando o celular do bolso.
Uma criatura estava vindo por trás de Bronsky. A doze foi engatilhada de novo e Garcia apontou-a novamente para Bronsky.
- CABRÓN, ABAIXA.
Bronsky se abaixou e Garcia atirou. Um barulho de sangue batendo na parede e carne caindo no chão chegou ao ouvido dos dois, a criatura estava morta.
- Esse é diferente – disse Garcia, chegando junto a Bronsky e o ajudando a levantar.
- D-diferente?
- Sim, olhe.
Bronsky examinou a criatura apavorado.
- Isso parece um focinho pra você? – Perguntou Garcia ao examinar a criatura.
Garcia abriu a boca da criatura.
- Nossa, esses dentes poderiam triturar uma caixa de metal.
- O-o que é isso? – Perguntou Bronsky, perplexo.
- Eu realmente não sei, mas é diferente das outros.
- Outros? Tem outros?
- Claro que tem, já matei alguns desde que cheguei a cidade.
”É totalmente diferente dos outros dois que já encontrei, será que ainda há mais desses?”
- Hey, cabrón, tem algum tipo de arma? – perguntou Garcia a Bronsky, levantando-se e olhando para ele
- Tenho um canivete.
- Seria útil se você fosse matar ratos – debochou Garcia, puxando algo do cinto por baixo da camisa, era uma pistola – Pegue isso, é uma Glock 18, tem 13 balas no pente, faça valer cada tiro, só atire nessas criaturas se alguma o encurralar, caso contrário, seja rápido se desviando delas, ah, e tente sempre atirar na cabeça.
Bronsky pegou a arma e ficou olhando-a.
”Será que é a primeira vez que usa uma arma?”
- Eu tenho que ir – disse Garcia.
- Espera, me explique o que está acontecendo aqui.
- E você acha que eu sei, cabrón? A única coisa que você deve saber é que essa cidade é extremamente perigosa e que se alguma criatura atacá-lo fuja ou atire.
Garcia saiu do Bar em direção a norte de Midwich. Bronsky gritou pra ele.
- Pelo menos me diga aonde há um mapa nessa maldita cidade.
Garcia o olhou e disse:
- Desça pela Midwich, quando você chegar na esquina da Lighting Co. Há um cartaz na esquina com um mapa, pegue-o, ninguém vai sentir falta mesmo.
Dizendo isso Garcia se virou e continuou caminhando.
”Espero que tenha mais sorte que eu”
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