Ousama Game

5 É inadmissível a desistência do Jogo do Rei


Notas iniciais
Cap 5 weee Boa leitura

14 de outubro, terça-feira. 9º dia de jogo.

06:20

Hoje faz uma semana que você morreu, Holy. Como está ai no céu? Tenho certeza que foi pra ele.

– Bom dia, Lin. – A mãe de Lupus batia gentilmente na minha porta.

– Bom dia senhora Wild. – Disse despertando e preparando-me para levantar.

– Desculpe incomodar, mas será que eu posso entrar e conversar um pouco com você, Lin? – Ela perguntou após uns segundos em silêncio.

– Não precisa ser tão formal, você está morando conosco agora. – Parece que começou a trabalhar aqui ontem, mas com toda a euforia com a missão do Ryan eu mal a vi antes da escola. – Pode entrar. Só não posso ficar disponível por muitos minutos, tenho que ir para a escola. – Ela entrou sorrindo gentilmente.

– Lin... – Assim que ela chegou perto riu discretamente.

– Que foi? – Fiquei confusa.

– Está com um chupão roxo no pescoço. – Eu me desesperei e levantei pra ver aquilo no meu espelho. ESTAVA ROXO! EU TE MATO LUPUS! – Não precisa se desesperar Lin, tem maneiras de se esconder um chupão. – Ela riu mais um pouco e voltei pra perto dela.

– Vamos esquecer que isso aconteceu e voltemos ao nosso assunto principal? – Estendi minha mão e ela apertou-a.

– Fechado. – Ela riu, mas logo todo o vestígio de sorriso que estava estampado em seu rosto se desfez. – Sabe Lin, fiquei muito surpresa ao ver o Lupus novamente com os lindos cabelos castanhos que tem. Por acaso foi você quem o convenceu a isso? – Ela perguntou apertando suas mãos.

– De certa forma sim... – Não sei de que jeito dizer isso a ela sem comentar a ordem do Rei.

– Obrigado. – Ela botava a mão em sua face, parecia querer chorar.

– S-Senhora Wild... – Disse tentando conforta-la, mas logo ela pegou em minhas mãos.

– Eu fiz muitas coisas erradas ao meu filho. Culpa-lo por ser parecido com o pai foi uma das tremendas idiotices da minha parte. Eu queria muito que ele parasse de olhar só pra mim e seguisse oque desejasse com suas próprias escolhas. Eu sinto que desistindo da ideia de tingir seu cabelo ele está olhando finalmente pra si mesmo. Obrigado Lin. – Ela disse apertando mais a minha mão.

– N-Não foi nada...Afinal, eu devia isso a ele. – Disse sorrindo para ela.

– Desculpe se for algo egoísta da minha parte, mas por favor Lin... Esteja sempre por perto do Lupus. Você o convenceu a fazer algo que nem eu consegui. – Fiquei um pouco surpresa. – Eu...também não acho que poderia mandar no Lupus agora nem se quisesse. – Ela disse friamente, baixando sua cabeça.

– Oque está dizendo, senhora Wild. Lupus é seu filho, você pode mandar nele o quanto quiser até que faça no mínimo 18 an...

– Eu sou uma péssima mãe, Lin. – Ela disse me fitando com um sorriso triste.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ela se retirou. Até agora não entendia as suas ultimas palavras. O que ela fez com o Lupus para sem culpar tanto...?

07:00

Caminhava pela rua em direção a escola pensando nas coisas. Coisas como “quando o Rei vai parar?”. Ele está levando um de nós a cada dia que se passa... Quantos de nós sobraremos até o fim? Se sobrarmos e se tiver fim.

– Bom dia Lin. – Fiquei um pouco surpresa de ser o Zero a falar comigo. De onde ele havia saído que nem sequer notei sua presença?

– B-Bom dia. – Disse deixando isso pra lá.

Ele manteve-se quieto apenas caminhando do meu lado. Não entendia porque queria me fazer companhia assim tão de repente.

– Você também suspeita de mim? – Ele perguntou sem mostrar nenhuma reação.

Silêncio.

Dizer a ele que sim poderia ser fatal caso fosse o Rei. A rua está mais deserta do que eu gostaria e mesmo se tentar qualquer coisa posso não conseguir me defender por ele ser mais forte que eu. Não sei como sair dessa situação.

– Só foi uma pergunta, não precisa ficar tão tensa. – Ele disse esticando suas mãos aos seus bolsos. – Se bem que pra se calar dessa forma deve sim suspeitar de mim. – Tinha medo que a qualquer momento retirasse algo cortante de seus bolsos. Mantinha-me olhando disfarçadamente ao local. – Fico um pouco triste. – Ele retirava suas mãos do bolso de vagar e eu ficava nervosa. Suas mãos saíram vazias do bolso e me livrei da frustração em um suspiro oculto. – Eu sempre a admirei de longe, Lin.

– Hum? – Disse involuntariamente.

– Desculpe lembra-la disso, mas desde que soube do seu passado passei a admira-la ainda mais. Você é uma mulher muito forte, Lin. – Ele sorriu de lado a mim, porém não via seus olhos com aqueles óculos em frente.

– Obri...gado. – Disse ainda sem baixar minha guarda.

– Sabe porque eu sempre me mantive tão deslocado? – Ele disse e o fitei por completo. – Porque eu assusto as pessoas. – Fiquei um pouco confusa.

– Não me sinto assustada. – Eu comentei, fazendo-o me fitar.

– É porque você não ve. – Ele disse baixo e logo que ia falar mais alguma coisa Lupus passou em nosso meio, empurrando-nos.

– Qual é o seu problema, Lupus? – Acabei caindo com o empurrão que Lupus nos deu e quando fitava-o notei que não parava de olhar em direção a Zero. No momento em que me virei, Zero saiu rapidamente pegando seus óculos que caiu no chão sussurrando algo. – Lupus...? – Me levantei e consegui fitar um pouco seu rosto tenso, olhando ainda na direção por onde Zero corria.

– O olho direito... – Lupus sussurrou ainda tenso.

– Hãm? – Perguntei e logo Lupus voltava a ficar normal. – Oque foi que aconteceu? – Perguntei indo a sua frente e fitando seu rosto por completo.

– Ele saiu falando “a maldição me persegue”. – Lupus parecia confuso.

Eu fiquei confusa. Como assim “maldição”?

Fui à escola junto ao Lupus sem trocarmos uma palavra. Parecíamos pensar em nosso subconsciente a todo percurso até a escola.

– Porque fez aquilo? – Perguntei quase na entrada da escola, o fazendo parar.

– O Zero é muito estranho e suspeito. Não devia ficar perto dele. – Disse sério.

– Porque tanta preocupação? – Perguntei cruzando meus braços após corar de leve.

– Da mesma forma que não queria que eu morresse, eu não quero que morra. – Ele disse coçando seus cabelos.

O silêncio permaneceu por uns instantes e sentia Lupus incomodado.

– Aah...Sua mãe que me acordou hoje. – Comentei retirando o silêncio por completo.

– Hu. Vou manda-la tirar fotos suas dormindo pra coleção de preciosidades. – Ele disse rindo daquela forma convencida. – Vai pra pasta junto com isso aqui. – Ele pôs aquele vídeo do dia em que fui a sua casa.

“P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, ...

– KYA! L-LUPUS! N-NÃO PÕE ISSO AQUI! OU MELHOR! APAGA ISSO JÁ! – Pulava tentando pegar o celular, mas não alcançava com ele esticando sua mão tão pra cima.

Sem nem perceber eu estava literalmente encima de Lupus! Segurando no seu ombro esquerdo, enquanto esticava os pés tentando me levantar mais e alcançar sua mão direita onde estava o celular. Ouvi seu riso baixo e percebi que estava centímetros de seu rosto. Ele sorria daquela forma sexy e eu corava por completo, me afastando dele de imediato.

O que é isso agora? Nunca fiquei nervosa desse jeito perto do Lupus, muito menos sentia vergonha.

– Vamos? – Ele inclinou sua cabeça em direção à entrada e tinha um mini sorriso no rosto.

– Sim. – Disse indo em sua frente.

– Lupus! – Avistei uma garota passar por mim e comecei a dar passos menores. – Que tal andarmos um pouquinho pelo jardim...? – Podia imaginar toda cena dessa garota se esfregando no Lupus.

– Desculpa, mas hoje eu não to com vontade. – Fiquei surpresa de ouvi-lo falar algo assim. Logo Lupus Wild? O homem que não desperdiça uma boa carne pela manhã?

Vi-o sorrir ao passar por mim, e logo voltava a dar meus longos passos até a sala de aula.

Não tivemos a primeira aula.

– Vocês ouviram falar...?

– O Azin matou a Edel e quando fugiu foi atropelado! – Ouvia esses tipos de boatos saírem pela boca dos hipócritas da minha sala.

– Quem disse isso a vocês? – Cheguei em um grupo e perguntei alto a ambos, que ficavam em silêncio. – Hein? – Puxei um dos meninos pela gola da blusa.

– Me solta! – Ele me repeliu e logo avistei sua mão pra cima pronta pra me bater, não daria pra me desviar dela.

Fechei os olhos esperando pela dor, mas quando abri Lupus estava na minha frente.

– Lupus... – Quando fitei melhor a cena, vi que Lupus segurava a mão do garoto que iria me bater.

– É tão covarde assim pra bater em uma mulher? – Ele disse rouco e alto, arrancando suspiros de muitas garotas a nossa volta.

– Ela não é uma mulher! É só uma garota esnobe que acha que é a dona da verdade! – O garoto falou e me mantinha encolhida atrás de Lupus. Sem perceber acabei segurando em sua blusa na parte das costas enquanto abaixava a cabeça.

– Ela é uma mulher sim. Garoto é você que acha que tudo se resolve na violência. – Lupus largou o braço dele. – Podem me responder de onde saiu esse boato? – Lupus perguntou se virando de leve e passando a mão sobre minha cabeça. – Você tem que falar direito com as pessoas, Lin. Ainda mais se quer pedir um favor. – Sussurrou para mim e assenti envergonhada.

– Nós recebemos uma mensagem anônima. – Uma das meninas respondeu. – Você não recebeu, Lupus?

Então foi o Rei... Vai por toda a culpa por cima do Azin e sair impune outra vez? Como eu o odeio.

Larguei a blusa de Lupus e me retirei da sala. Com as meninas o rodeando não poderia vir atrás de mim tão fácil.

“Você recebeu uma nova mensagem”

Agora...? É o Rei?

De: Lire

Assunto: ...

Mensagem: Venham todos para o esconderijo após as aulas...Vocês precisam ver uma coisa.

Não entendi a mensagem muito bem, mas pra Lire faltar aula é no mínimo grave.

– Vocês também receberam essa mensagem? – Vi uma garota mostrar a mensagem as amigas a sua volta.

– Sim...Que cruel! – Uma delas respondeu.

“Você tem que falar direito com as pessoas, Lin. Ainda mais se quer pedir um favor.”

– Com licença, eu posso ver essa mensagem, por favor? – Acho que é a primeira vez que me dirijo de forma tão educada a esses hipócritas.

– L-Lin? – Uma delas parecia nervosa.

– Eu...não recebi essa mensagem, poderia me mostra-la por favor? – Depois que elas se entre olharam, a dona do celular assentiu sorrindo meigamente e estendeu o celular a mim.

De: Desconhecido

Assunto: (Nenhum)

Mensagem: Edel Frost foi encontrada morta encima da cama de Azin Tairin. Parece que ele a matou e tentou fugir, porém foi atropelado.

Maldito...!

– Obrigado. – Devolvi o celular para a garota e saia dali mais que furiosa.

– Sério que a Lin foi tão educada assim...? – Ouvia comentários desses enquanto saia. Fui à biblioteca por ser o único lugar quieto para se pensar naquela escola.

– E-Eu não posso fazer essa ordem, Lass. – Ouvi uma voz chorosa atrás da prateleira onde eu estava. Observei entre os livros e vi Arme junto a Lass.

– Você tem que fazer! Prefere morrer? – Lass dizia tenso a ela.

– É-É que... Ela é minha mãe Lass! Acima de tudo que fez, ela é a minha mãe! Não tenho coragem de fazer isso! – Ela dizia enquanto chorava, logo sendo abraçada por Lass.

– Eu não posso deixar que morra, droga! – Ele disse cerrando os dentes.

– Desculpem me intrometer... – Fui até eles. – Não foi minha intensão ouvir a conversa. – Eles se viraram pra mim assustados e desfizeram o abraço. – Não se preocupem, eu não conto oque vi para ninguém. – Disse dando um sorriso de lado.

– Oque você quer Lin? – Lass falou sério a mim.

– E é por isso que eu não gosto de distribuir gentileza a qualquer pessoa. – Disse o fitando da mesma forma, enquanto minha boca tremia de raiva.

– Lass! – Arme o repreendeu. – Desculpa, Lin. Eu estou ouvindo, pode falar.

– Não que seja da minha conta oque você vai fazer, mas já que a ordem foi de processar a sua mãe depois de nos contar o por que... Porque não faz ao menos a metade da ordem, claro, se quiser. – Ela pareceu pensativa. – Só nos conte o porquê, fica a seu critério processa-la ou não.

– É verdade Arme... Se a ordem for meio cumprida, você só vai receber meia punição. Você não vai morrer. – Lass disse e ela ficou mais pensativa ainda.

– Mas...da mesma forma algo vai me acontecer. – Ela parecia assustada.

– Mas não vai morrer. – Disse séria a ela.

– Porque resolveu nos distribuir gentileza, Lin? – Lass me perguntou.

– Porque eu gosto de desafiar o Rei. – Disse sorrindo cinicamente. – Sem falar que depois de ver tantas mortes, comecei a filosofar que a vida é algo valioso demais pra desistir dela tão cedo. – Olhei pra Arme. – Pense nisso. – Ela assentiu.

– Obrigado. – Lass disse e me surpreendi. – Mas ainda assim você não passa de uma das putinhas do Lupus, pra mim. – Os nervos subiram a flor da pele.

– L-LASS! – Arme o repreendia de novo.

– Quem você acha que eu sou? – Disse de cabeça erguida, com um olhar sério e ainda mais repreensor que o de Arme. – Nunca me deixaria ser usada pelo Lupus dessa forma. – Ele não respondeu nada, apenas ainda me observava sério.

– Acha que vou acreditar nisso depois de ver o chupão que tinha no seu pescoço antes de chegar com o Lupus na casa da Lire?

– ISSO NÃO VEM AO CASO. – Berrei envergonhada e logo sentia um braço sobre meu ombros.

– Desculpe decepciona-lo, Lass, mas infelizmente ela não é uma das minhas putinhas. – Lupus disse de forma superior. Ruborizei por completo.

– Me larga. – Disse dando-lhe uma cotovelada e retirou seu braço dali, rindo da minha reação.

– Lass, isso não é da nossa conta! Pare de se meter na vida dos outros desse jeito. – Arme disse dando um leve soco no braço de Lass.

– Hum. – Lass virou sua face para o lado, ainda sério.

– Desculpa e obrigado, Lin. – Arme disse pegando na mão de Lass e se retirando dali com ele.

Silêncio.

– Eu quero te dar outro chupão. – Lupus disse quebrando todo aquele silêncio que permanecia no ar.

– S-Sai pra lá. – Disse o empurrando e tampando meu pescoço.

– Quem disse que quero no pescoço hoje? – Ele disse rindo maliciosamente.

– Não chega nem perto, seu pervertido! Eu ainda estou tapando isso com maquiagem! HOJE ELE FICOU ROXO! – Disse me retirando rápido da biblioteca. Ao ver que ele me seguia comecei a correr e ele fez o mesmo. Quando eu ia abrir a porta pra sair ele me puxou pela cintura. – KYA! – De novo dei esse gritinho involuntário.

– Não fica dando esses gritinhos, eles são cruéis. – Ele me puxava pra trás indo de volta pra onde estávamos.

– É sério Lupus, me larga! – Disse pisando no seu pé e ele me largou. – Já basta ter que esconder um, não terá um segundo. – Cruzei meus braços, enchendo as bochechas de ar.

– Como você é estraga prazer. – Ele disse também cruzando os braços. – Só estava tentando ajudar mais. – Ele me olhou sério outra vez.

– Já disse que se fosse tentar qualquer coisa dessas comigo não iria querer sua ajuda. – Disse séria.

– Dá pra calarem a boca? Tem alguém aqui querendo estudar. – Ouvi vozes do outro lado da prateleira de onde eu e Lupus estávamos.

– M-MARI! N-Não é nada disso que você está pensand...! – Ia falando até que Lupus me abraçou por trás. ELE ESTÁ FAZENDO DE PROPÓSITO DE NOVO.

Depois de dar um tapa na sua cara ele me largou.

– Eu não pensei em nada, Lin. – Mari disse normalmente séria. Isso lembra que se ela está aqui...Sieghart também está.

– Não me siga, Lupus. – Disse e procurava pelo Sieg. Quando o encontrei ele estava pondo Veigas na parede. – UUUH. – Disse fazendo os dois tomarem um susto.

– L-LIN? – Sieg quase tinha um treco.

– Relaxem, acho que quando eu morrer vão precisar ter outro caixão só pra por esses milhares de segredos que eu guardo. – Disse suspirando.

– Não é nada disso que você está pensando, Lin! – Veigas disse baixo.

– Ah, é sim. – Eles ficaram tensos. – Eu vi vocês dentro do labirinto no jardim da Lire. – Sieg coçava a cabeça enquanto Veigas corava absurdamente.

– Er... – Sieg ia começar a falar, mas o interrompi.

– Pode nos dar licença, Veigas? Queria conversar a sós com o Sieghart. – Ele assentiu e se retirou da biblioteca muito vermelho.

– Quanto quer pra calar a boca? – Ele disse fechando os olhos se encostando a parede.

– Não é disso que eu quero falar. Não pense que a sua vida me importa, eu estou fingindo que não vi isso desde o domingo. – Disse de forma superior.

– Então o que quer? – Abriu um dos olhos.

– Quero saber qual é a sua. – Ele arqueou uma sobrancelha.

– Como assim qual a minh...? – O interrompi.

– Não pense que não percebi o seu joguinho. – Ele ficou sério. – Primeiro mostrou ser um stalker maníaco da Mari, e olha, te dou os parabéns porque naquele dia me convenceu de que gostava dela. – Disse dando palmas a ele. – E agora se envolvendo com o Veigas? Deixando a Mari quase completamente pra lá? – Ele esboçou um sorrido de lado. – Quero que abra o jogo aqui e agora sobre oque está fazendo.

– Você me pegou, Lin. – Ele riu me dando palmas. – Você que merece meus parabéns. – Logo parou as palmas e me olhou sério. – Vou te contar tudinho. – Ele pegou uma cadeira ao lado. – É melhor se sentar.

– Não, obrigado. – Pus apenas meu pé na cadeira, pra apoiar meu braço em meu joelho.

– Desde o início do ano eu sou um cara do tipo que fala com todos, bonito e popular. Poucos sabem, mas sofri um acidente de carro com um amigo no início de abril. – Eu não sabia disso, deve ter entrado nos registros escolares pouco depois de eu copia-los para o meu computador. – O meu amigo morreu, mas eu consegui um dom.

– Dom? – Perguntei confusa e ele me olhou de forma um pouco macabra.

– Eu fraturei a parte direita do cérebro, que é responsável pelo raciocínio. Eu tinha que ter virado no mínimo um débil mental, mas o efeito foi contrário. – Me surpreendi um pouco com aquilo. – Pra testar toda a minha capacidade de raciocínio fui mandado para o departamento de crimes não solucionados da polícia de Daegu.

– Deixa eu adivinhar, resolveu belos casos que ainda não tinham solução? – Perguntei retirando meu pé da cadeira e me inclinando levemente sobre a mesma, cruzando meus braços.

– Exatamente. Logo depois disso virei um detetive honorário*. – Ele disse retirando um pirulito do bolso. – Quer um?

– Não. – O Respondi e ficava em silêncio enquanto abria e começava a comer o pirulito. – Pode continuar, já deu pra processar tudo oque disse.

– Hu. – Ele riu. – Quando esse jogo começou, passei a observar mais a pessoa que me era a mais suspeita: Mari Ming Onette. Mas é sempre bom ter um segundo suspeito.

– Veigas?

– Sim. Aproveitei o quanto ele gostava de mim. – Disse retirando o pirulito de sua boca. – Se tem coisa que aprendi nesse período que brinquei de detetive foi que o lugar onde as pessoas são mais sinceras é na cama. – Fiquei um pouco corada. – Com o Veigas não foi diferente. Ele me disse sobre várias coisas, mas nada sobre o jogo do Rei. Isso pode querer dizer que ele não é o Rei, ou é mais esperto do que eu poderia imaginar.

– Você observa a Mari desde o início, bem antes do Ousama game se iniciar. – Disse ainda séria e cada vez mais pasma com o que ouvia.

– Essa é outra história, Lin. – Ele disse rindo de lado.

– Conte-me. – Ordenei.

– Ela era minha suspeita em um caso que estava investigando. – A Mari tem algum envolvimento em algum crime?

– Entendo...Deu uma de stalker porque ela não seria tão fácil de levar pra cama. – Ele é mais esperto do que eu pensei. – Que crime a Mari está envolvida? – Perguntei séria.

– Isso eu não posso dizer, seria vazamento de informação. – Ele me respondeu sério, logo dando um sorriso sínico e se aproximando. – Você é mais esperta do que eu pensei, Lin. – Ele disse pegando em meu queixo. – Não quer se juntar a mim? – Dei um tapa em sua mão a repelindo.

– Dois cérebros pensam melhor que um, e de lugares e com visões diferentes pensam ainda mais. – Disse e ele riu.

– Você tem razão. – Pôs o pirulito de volta na boca. – Volte a falar comigo se descobrir algo interessante. – Ele pôs a mão em seu bolso e jogou um celular em minha mão. – Me ligue por esse celular, o numero está salvo nele. – Saiu da biblioteca.

O sinal da segunda aula soou e voltei para a sala.

Posso confiar no Sieg depois disso? Pensava nisso todo o tempo que estava em aula. Na hora do recreio fui ver a Kyuubi e alimentá-la, mas logo voltei à sala para tentar pensar nas coisas.

Peguei meu celular e pesquisei sobre o caso do Sieghart. Tudo que ele disse havia sido verdade... E o caso não passou na televisão pelo fato de ele ter se tornado detetive. Precisa esconder sua identidade secreta.

É vergonhoso admitir isso... Mas logo após a pesquisa sobre o Sieghart pesquisei sobre “chupão”, achei em um site todo um tutorial sobre como faze-lo, e como esconde-lo*.

“Ele também é conhecido como "mordida" ou "marca", e é basicamente um hematoma causado por alguém que chupou ou beijou agressivamente a pele da outra. No começo é avermelhado, devido à quebra de vasinhos sanguíneos que ficam debaixo da pele. Mais tarde ele se torna roxo ou escuro conforme vai sarando”.

Está explicado porque ficou roxo hoje...

“Ele é um sinal de que a pessoa fez sexo, e por isso é inadequado na escola, no trabalho ou na visita aos avós, por exemplo. Há quem queira evitar a vergonha de ficar escondendo o chupão ou o estresse de esconder correndo a marca. Portanto, nunca dê um chupão sem permissão”.

EU VOU MATAR O LUPUS! E-Eu não sabia disso! Imagina se a minha mãe tivesse visto! Que vergonha...

Uma parte dessas informações me chamou atenção.

“Um chupão é sinal de que há paixão. Ele é frequentemente feito no calor do momento, por causa do tesão que uma pessoa sente pela outra. Deixar a marca de um chupão é como tatuar o objeto do seu desejo com o seu nome e mostrar ao mundo que aquela pessoa lhe pertence”.

I-Isso que ele quis dizer quando disse que estava deixando a sua marca? P-PANACA!

Que vergonha! Eu não sei lidar com isso...

~

Passei o resto da aula tentando não fitar o Lupus, olha-lo depois de saber uma coisa daquelas iria me deixar envergonhada. Não quero lhe dar esse gostinho de me ver vermelha de vergonha!

Fomos todos juntos até o esconderijo, encontrando Lire chorando encolhida no sofá.

– Lire, oque foi? – Jin perguntou.

– E-Eu recebi...isso hoje de manhã... – Ela dizia entre soluços apontando pra uma caixa que estava encima da mesa de canto.

– Deixa eu ver isso... – Elesis foi até a caixa a abrindo e logo tremia indo para trás. – O-Oque é isso...? – Ela disse se virando pra nós com as mãos na boca e suando frio.

– Que foi Elis? – Arme ia até a mesma e viu a caixa. – AAAH! – Arme caiu no chão com o susto e começava a chorar.

– Arme! – Lass foi até ela. – Oque tem lá dentro? – Arme não respondia e eu fui até lá ver.

Horror.

Medo.

Ódio.

Sentia tantas coisas ao mesmo tempo que só consegui ficar parada enquanto tremia abraçando meus próprios braços.

– Lin...? – Veigas me chamou.

– O que tem nessa caixa? – Sieg completou.

Silêncio.

– A...cabeça... – Tentava falar, mas não conseguia.

– A cabeça...? – Zero perguntou. Me virei pra eles e completei ainda tremula.

– A cabeça...do Ryan. – De novo via aquela cena de desespero geral.

– Meu Deus! – Amy tampava sua cabeça com as mãos enquanto parecia chorar.

– Q-Que droga... – Ronan cerrava seus dentes, batendo na parede.

– P-PORQUE ELE FEZ ISSO? – Lire chorava mais forte. – PORQUE O RYAN...!? – Botava a mão na cabeça.

– Lire... – Parava de tremer aos poucos, e fui até ela no sofá, a abraçando forte.

– Elesis, se acalma. – Ronan a abraçou, tentando acalma-la.

– E-Eu to bem. – Ela respondeu sem se mexer, mas Ronan não a soltou.

– Ta tudo bem, não precisa fingir ser forte pra mim. – Ele disse acariciando seu cabelo.

10 minutos se passaram. Elesis e Arme já estavam bem, porém Lire não dava uma palavra se quer.

– Lire... – Não conseguia falar nada a ela. Estava completamente possuída pelo terror de ver o homem que amava morto de forma tão brutal. O Rei é uma pessoa cruel. Muito cruel.

– E então Arme? – Jin falou, retirando todo o silêncio do local.

– Vai cumprir a ordem? – Mari perguntou.

– Vou contar a vocês e espero que dessa forma a ordem seja ao menos meio cumprida. – Ela sorriu olhando em minha direção.

– Comece quando quiser. – Lupus disse sentado do outro lado, no braço do sofá.

– A minha mãe pratica rituais de magia negra. – Ela abaixou sua face. – Ela capturava crianças e retirava partes delas... – Ela se abraçava e começava a querer chorar. Do nada ela começou a desabotoar a blusa da escola.

– Arme, oque está fazend...? – Lass ia perguntar, até que ela levantou a sua blusa até abaixo do peito, deixando a mostra a grande cicatriz que tinha na metade da barriga.

– Ela tirou o meu rim direito. – Todos ficavam um pouco surpresos e vi Zero pegar em seu peito enquanto respirava fundo. – Quando meu pai viu essa cicatriz me tirou imediatamente da casa da minha mãe e desde que ele morreu vivo com meu avô. Por mais que isso é uma coisa horrível, não posso processar a minha mãe. Ela não faz mais isso, e está doente... Não posso processa-la agora. – Zero deu um tapa em Arme, que caiu no chão com o impacto. – KYA! – Ela pegou no local onde Zero a bateu e ficava com medo.

– Você ficou louco, Zero? – Lass pegava na gola de sua blusa pronto pra bater no mesmo, que deu um soco na costela de Lass e foi até Arme.

– Lass! – Arme se desesperou.

– Por acaso a sua mãe é essa vadia aqui? – Zero mostrou o seu celular pra Arme, que assentiu ainda com medo.

– Zero, oque pensa que está fazendo? – Ronan foi até ele, impedindo de fazer qualquer coisa com a Arme.

– Eu vou processar essa mulher. – Zero disse virado a Arme.

– N-NÃO ZERO, POR FAVOR NÃO! – Arme se levantava e ia até ele, mas Ronan a impedia.

– Você não vai sair impune dessa! – Lass finalmente se levantou e bateu na cara de Zero.

– Parem! Ficaram loucos? – Elesis tentava impedi-los de continuar essa confusão, sem sucesso.

– Sieg! Lupus! Ajudem! – Eu estou com medo. – Lupus! – O chamei de novo, pareceu não me escutar da primeira vez. – P-Por favor, pare o Lass. – Ele me olhou e logo ia até Lass, o segurando.

– SAI DA FRENTE, LUPUS! – Lass tentava o empurrar, sem sucesso.

– DESDE QUANDO É BRIGUENTO ASSIM, FILINHO DE PAPAI? – Lass parou após Lupus berrar essas palavras. – HONRA A DROGA DE NOME QUE CARREGA NAS COSTAS, SEU MERDA. – Lass ia bater no Lupus, mas foi pra trás, bufando.

– Para Arme! – Elesis berrou a mesma que parou.

– Pode começar a falar por que vai processar a mãe da Arme, Zero. – Mari disse indo até ele.

Zero ainda estava virado após o soco de Lass, e avistei seu óculos no chão. Ele se virou.

Medo.

Agora eu conseguia ver.

“Porque eu assusto as pessoas”.

– Por que ela fez isso. – Zero disse após mostrar seu olho direito fechado com marcas de pontos nas pálpebras, e acima das mesmas um pentagrama como uma cicatriz.

– Não... – Arme botava a mão nos olhos. – D-Desculpa Zero. Desculpa! – Ela disse chorando. – Mas por favor! Não ponha a minha mãe na cadeia...Por favor! – Ela ajoelhava diante Zero, baixando sua cabeça.

– Vai mesmo se humilhar a ponto de salvar uma pessoa que não presta como essa? – Zero disse e ninguém ousou responder.

Claro que o Zero não perdoaria a pessoa que fez aquilo com ele.

– Ela é minha mãe Zero... E está doente...! N-Não posso, n-não consigo prende-la. Por favor, não faça isso! – Arme chorava mais e avistava Zero levantando seu pé para pisar na cabeça da mesma.

– Zero. – O chamei. – Não mostre que é igual a ela. – Disse com medo e ele abaixou seu pé. Pôs a mão em sua pálpebra direita e passava o dedo indicador por cima de toda a marca de um pentagrama que havia ali. – A cor do seu olho é linda. – Ele arregalou o seu olho esquerdo. Tinha uma bela cor mel, ainda mais clara com um tom bem amarelo.

– Lin...oque...disse? – Levantei-me deixando Lire no sofá e ia em direção a Zero.

– Olhe a linda cor do seu olho esquerdo. – Disse já em sua frente. – Posso tocar neste...? – Ele virou me impedindo de tocar na sua pálpebra direita. – Tá tudo bem. – Encostava-me em toda aquele desenho e parecia que sentia sua dor.

– Não encoste... A maldição...

– Isso é algo que pega em pessoas fracas. – Eu sorri e ele ficava surpreso. – Eu sou uma mulher muito forte, não é? – Ele pôs sua mão acima da minha e parecia feliz, mesmo que só um pouco.

Lembrei-me de algo que podia ajudar. Fui até minha mochila e peguei um tapa-olho japonês que havia aprendido a fazer com uma antiga colega de classe três anos atrás. Voltei a Zero.

– Toma. – Dei a ele e ficou um pouco confuso.

– Oque é isso...? – Acho que não costumam usar mesmo na Coreia, que burrice a minha.

– É um tapa-olho japonês caseiro. Uma antiga colega de classe me ensinou a fazer, e não me pergunte por que, sempre o levo em minha mochila. – Ele parecia confuso. – É só passar essas partes atrás da orelha e prontinho. – Ele fez e sorri. – Agora não precisa tampar a linda cor do seu olho esquerdo. – Ele despejou lágrimas do seu olho esquerdo. – N-Não precisa chor... – Ele me abraçou e fiquei um pouco sem ação. O único homem que havia me abraçado tirando meu pai era o Lupus... Aos poucos peguei em suas costas e o abracei por uns segundos.

– Obrigado Lin. – Ele disse fungando um pouco.

– Não precisa chorar como uma criança, Zero. – Ri.

Eu consegui. Eu não deixei que o Rei fizesse oque queria. Eu consegui, Holy!

Arme parecia se acalmar e até sorria. Lass pareceu tirar a frustração em um pequeno suspiro. Zero parecia completamente feliz.

Eu consegui.

“Você recebeu uma nova mensagem”

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Obediência meio confirmada!

Meia punição será aplicada.

– Que bom. – Arme apertava seu peito.

– Vocês podem dormir na minha casa hoje? – Lass perguntou, oque deixou todos confusos.

– Que? – Elesis perguntou.

– Estou chamando todos para dormirem hoje na minha casa, não entenderam? – Lass repetiu.

– Isso a gente entendeu, só não entendemos o porquê. – Sieg respondeu.

– A Arme vai receber a meia punição hoje, mas se estivermos todos juntos o Rei pode se limitar a fazer isso, afinal pode ser arriscado se alguém acordar, não é? – Lass disse e todos ficamos pensativos.

– Você pode ter razão. – Jin disse.

– E então? Todos de acordo? – Lass perguntou e todos assentiram.

– E o que... – Lire finalmente falava algo. – Vamos...fazer com o Ryan? – Ela apontou para a caixa.

Silêncio.

– Vamos fazer um enterro a ele. – Lupus disse.

– Antes de irmos pra casa do Lass vamos enterrar a caixa em algum lugar, acho que o melhor seria na floresta nos limites da cidade. – Ronan disse.

– S-Sim. – Lire disse.

Todos foram pra casa e eu era seguida, outra vez.

– Eu te acompanho. – Lupus disse chegando ao meu lado.

– Eu vou passar no hospital. – Disse sem fitar sua face.

– Então vamos passar no hospital. – Ele disse e fomos pra lá.

– Por favor, queríamos ver o paciente Azin Tairin, ele veio para cá no domingo. – Perguntei a recepcionista, que depois de uns segundos pesquisando em seu computador, respondeu.

– Sala 23 ao fim do corredor. – Fomos até lá e ele ainda estava em coma.

Liguei para a casa de seus pais, mas quando falei de Azin o trataram como se não o conhecesse. Oque está havendo aqui afinal?

– Será que vai ser melhor ele continuar assim até o jogo acabar ou acordar logo? – Quebrei o silêncio perguntando a Lupus.

– Eu preferiria acordar só quando tudo acabasse. – Lupus respondeu sério.

– Será que vai acabar, Lupus? – Disse pegando em meu braço. – Mesmo que sobrem poucos...até mesmo só um de nós... Quem garante que o rei não fará de novo? Com novas pessoas, novas ordens, novas formas de matar...

– Logo você falando isso? Pensei que seria a pessoa a derrotar o Rei. – Lupus disse ainda sério.

– Tem razão, não devia pensar nisso. – Senti-o segurar em minha cintura enquanto botava sua cabeça sobre meu ombro.

– Esse dia tá tão chato e dramático que não consigo nem pensar em sexo. É tudo culpa sua. – Apertava meu punho direito para não dar-lhe uma bofetada.

– Você que quis vir comigo, não reclame! – Berrei e logo fiquei envergonhada com a nossa situação. – Me larga, vai. Quero ir pra casa. – Esperava que não me obedecesse, mas me largou e nos retiramos.

~

Lupus só falou um pouco com a sua mãe e se retirou. Tomei meu banho e pensava nas coisas. Acabei me lembrando que tinha que falar com a minha mãe sobre dormir fora hoje. É a primeira vez que peço algo assim, como ela irá reagir...?

– Mãe, posso dormir na casa de um colega de classe hoje? – Minha mãe arregalou os olhos.

– Isso porque você odeia homens né? – Ela soltou enquanto segurava de forma esnobe o chá que estava tomando.

– Todas as pessoas que foram na casa da Lire vão estar lá. Vai ser um tipo de festa do pijama. – Não posso falar que vamos ver se alguém acorda morto de manhã, né?

– Bom, já que a primeira vez que me pede isso e confio em você eu deixo. – Ela disse sorrindo. – Seja responsável e use uma camisinha ou anticoncepcionais. Quer que eu pegue uns na minha gavet...?

– MÃE! – Berrei a mesma. – Você não muda... – Disse num suspiro enquanto deitava no sofá. – Já disse que vai ser só uma festinha do pijama ou coisa parecida.

– E esse chupão ai no seu pescoço? – Droga. Eu esqueci de tampa-lo depois do banho...

– N-Não é nada do que você está pensando, mãe! – Vou ter que ficar o resto do dia tentando explica-la que foi um “chupão roubado”. – Eu estava no hospital vendo um amigo no domingo.

– Domingo? – Ela ficou surpresa.

– Desculpe, eu menti pra você falando que ia entregar um livro na biblioteca. Não queria assusta-la dizendo que ia ao hospital, pra falar a verdade nem sabia que iria pra lá.

– Tudo bem, pode continuar. – Ela deu um gole no seu chá levantando seu dedinho.

– Eu fiquei muito triste porque a situação do meu colega não era das melhores, eu acabei chorando ai o Lupus me deu um abraço e quando eu percebi ele deixou esse chupão no meu pescoço. Fim. – Disse e minha mãe não disse nada, só fazia aquela cara maliciosa enquanto dava goladas no seu chá. – Para com essa cara, eu não gosto dela!

– Filha, se ainda não beijou esse garoto eu vou te bater.

– Como assim? Que mãe é essa que quer jogar a filha pros homens por ai? – Perguntei olhando-a tensa.

– Lin, esse garoto te deu um chupão. Se ainda não o beijou ele deve querer isso, mas se já o beijou acredito que ele quer mais que só uns beijinhos de você. – Fiquei pensativa. – Se está pensando quer dizer que já o beijou. – Minha mãe disse dando outra golada no seu chá.

– Não diria que beijei ele... Acho que isso se chama beijo roubado, não? – Ficava pensativa se era mesmo essa palavra. Minha mãe engasgou com o chá.

– V-Você já beijou ele, filha? – Ela perguntou ainda tentando sessar sua tosse. – Sabia que não era boba!

– Mãe! – Berrei envergonhada. – Foi um beijo roubado! E...foram dois. – Disse e minha mãe pôs o chá na mesa a frente e pulou encima de mim pra um abraço.

– Elas crescem tão rápido. – Minha mãe me apertava com toda a força que tinha.

– M-Mãe, tá me matando! – Ela me largou. – É chá de que?

– Erva doce.

– Eu quero!

– Tá uma delicia, essa sua sogra arrebenta. – Minha mãe disse baixo a mim.

– Mãe, se não for dizer nada produtivo não fala nada. – Disse e ela bufou. – Senhora Wild, eu quero um chá também. Pode trazer pra mim? – Gritei da sala.

– Claro, querida. Já vou ai com o seu chá. – Ela respondeu da cozinha. – Aqui está. – Ela trouxe e eu começava a tomar de vagar por ainda estar quente.

– Hum, que delicia. – Ela sorriu.

– Que bom que gostou, o Lupus também adora. Se quiser posso te ensinar depoi... – Ela não completou ao ver minha face tensa.

– Vocês duas hein, não tem jeito. – Minha mãe e a mãe de Lupus riram. – Por acaso cadê o pai? – Perguntei a minha mãe.

– Ah, parece que um menino da sua escola desapareceu desde ontem. – Ryan? – O que está havendo com essa escola hein Lin? Seu pai tem visto muitos dos seus amiguinhos esses dias.

– Queria saber quem está fazendo isso. – Disse e suspirei.

– Lin, acabo de lembrar que chegou uma caixa pra você. Ela está na lavanderia, esqueci lá. – Ela riu enquanto eu ficava tensa. – Quer que eu pegue?

– NÃO. – Acabei falando mais alto do que queria. – Eu mesma pego, obrigado. – Deixei meu chá na mesa da sala e fui até a lavanderia. Era o mesmo tipo de caixa da Lire... Não pode ser... Abri-a e era a parte inferior do corpo do Ryan. Segurei em minha boca pra não gritar nem chorar nesse momento. Minha mãe e a senhora Wild não podem saber disso.

Passei rápido com a caixa na mão.

– Oque era, Lin? – Minha mãe perguntou.

– E-Era uma correspondência errada, acho que era pro andar de baixo. Quando eu for pra casa do meu amigo desço com ela. – Disse voltando a tomar meu chá, mas sem perceber tremia um pouco.

– Lin, está bem? Está tremendo... – A mãe de Lupus perguntou.

– Não é nada, acho que estou cansada. Deve ter sido efeito do chá. Haha. – Levei o chá até a cozinha e fui ao meu quarto.

~

Mandei uma mensagem pra todos e recebi um retorno de ambos “Eu também recebi uma parte do Ryan”.

Lire recebeu a cabeça, Elesis e Arme receberam as mãos, Lass e Ronan os pés, Amy e Jin as coxas, Sieg e Mari as panturrilhas, Zero e Lupus os braços Veigas o peitoral e eu a parte inferior, castrada.

Essa sua crueldade não sairá impune, Rei.

19:00

Cheguei no esconderijo e estavam todos lá, cada um com uma caixa em mãos, ou perto de si.

– Vamos enterra-lo. – Ronan disse triste e todos o seguimos até a floresta, onde os garotos cavaram um buraco fundo e deixamos as caixas ali.

– Desculpe, Ryan. – Lire disse, sendo a ultima a por sua caixa.

– Nós vamos vinga-lo Ryan. – Disse baixo e logo os meninos o enterraram.

O caminho foi silencioso até chegarmos a casa do Lass. Ele nos levou até uma sala imensa e vazia.

– Ficaremos todos aqui. Não se importam em dormir em cabanas não é? Elas são antirruído, se quiserem falar com pessoas em outras cabanas vão ter que ir até lá, ou todos deixamos a parte da frente aberta. – Lass disse pegando as caixas que tinham as cabanas.

Os meninos montaram todas, que eram ao todo sete.

– Não tem mais, Lass? – Arme perguntou.

– Achava que sim, acho que minha mãe foi acampar com amigas de novo... – Ele disse tenso.

– Vamos ter que nos dividir em grupos de dois em cada cabana e um vai ficar sozinho. – Mari disse.

– O melhor a se fazer são grupos mistos, porque se qualquer coisa acontecer tem um homem em cada cabana. – Sieghart disse.

– Acho uma boa escolha. – Arme disse um pouco vermelha.

– Eu e a Arme vamos ficar nessa primeira cabana. – Lass disse e foi com Arme pra dentro da mesma com suas bolsas.

– Quer ir comigo, Elesis? – Ronan perguntou calmo.

– Tanto faz. – Eles entraram na segunda cabana.

– Jin, faz dupla comigo? – Amy perguntou.

– Claro. – Eles entraram na terceira cabana.

– Mari, quer que eu vá com você? – Sieg perguntou e ela não respondeu. – Vou aceitar isso como um sim. – Ele levou a bolsa dela pra dentro e logo Mari entrou na quarta cabana junto a Sieg.

– Veigas, pode ficar comigo na cabana? – Lire perguntou e o mesmo assentiu. Eles entraram na quinta cabana.

– Lin. – Lupus e Zero falaram ao mesmo tempo. Estou ferrada.

– Que Lin oque, não vou deixar ficar sozinho com ela. – Lupus disse sério e rouco.

– Muito menos eu! A Lin pode não ver, mas você é o mais suspeito aqui. – Zero respondeu da mesma forma.

Enquanto continuavam a discutir peguei minhas coisas e fui até a sétima cabana. Me troquei e deitei-me para dormir, estava cansada.

“Você recebeu 2 novas mensagens”

~

15 de outubro, quarta-feira. 10º dia de jogo.

06:00

Pela manhã acordei me sentindo amassada. Quando abri os olhos Zero estava me abraçando pela frente e Lupus me abraçando por trás. Eles chegaram nessa conclusão ontem a noite?

Sentia a respiração de Lupus em meu pescoço, e uma de suas mãos em minha cintura com seu corpo completamente colado ao meu. Zero estava centímetros do meu rosto, encostado em minha testa e também com uma das mãos em minha cintura, pouco mais acima que a de Lupus.

– AAH! – Berrei mais que vermelha. – S-Saiam de cima de mim, seus pervertidos! – Fiquei constrangida e eles acordaram num susto, se sentando ao meu lado.

– OQUE VOCÊ TA FAZENDO AQUI? – Zero apontava para Lupus e Lupus apontava para Zero.

– Não era pra nem um e nem outro estarem aqui. – Disse prendendo meu cabelo em um coque mal-feito. – Isso é muita falta de privacidade, sabiam? – Disse levantando-me e bati nas cabeças dos dois. – Seus panacas.

– Não chama ele de panaca, eu sou o panaca. – Lupus bufou.

– Eu vou chamar é a polícia se não saírem aqui. – Os dois saíram da cabana. – Ninguém merece. Já era difícil lidar só o Lupus, agora me vem o Zero.

– AAAH! – Ouvi gritos do lado de fora e fui ver. – QUE MERDA É ESSA? – Era o Jin, saindo horrorizado de sua cabana.

– Só pode estar zoando. – Ronan olhou lá pra dentro e soltou essas palavras junto com sua respiração forte. Não me contive e acabei vendo.

Horror.

Amy estava só de lingerie, com sua barriga aberta com um corte na vertical. E o mais maníaco é que ela não tinha nenhum órgão dentro de si. Só havia sangue e mais sangue. Seu rosto era o mais perturbador possível, parecia que eu via a face de Holy outra vez.

– Droga. – Cai no chão desgraçando meus olhos outra vez.

– Porque a Amy...? – Elesis perguntou-se.

– Ela não tinha nada a ver com isso! – Lire disse de longe, não queria ve-la daquele jeito. Olhamos para o Jin.

– Nem me olhem assim! Quando eu a vi já estava desse jeito! Ela dormiu virada de um lado e eu do outro, não aconteceu nem nada entre nós! – Ele disse desesperado.

– Droga... – Lass saia de sua barraca com as mãos sobre os olhos.

– Lass. Eu não consigo abrir os olhos... Está doendo... – Quando Arme saiu da cabana o silêncio foi geral.

– KYAAAAAAAAAAA! – Lire gritava e se virava para deixar de fitar aquilo.

– D-Droga! – Sieg gritava.

Arme estava com as suas duas pálpebras costuradas, assim como um dos olhos de Zero.

Foi o Zero?

– Zero... – Mari falava e todos olhamos pra ele. – Não foi você, foi?

Silêncio.

– Claro que não. Eu nem sei costurar, sem falar que fiquei na cabana sete meia hora depois que todos entraram nas cabanas. E não sai de lá até agora. – Todos ainda ficavam em silêncio.

– Se eu descobrir que foi você, Zero. Eu vou acabar com a sua raça. – Lass o olhava de forma sombria.

– E-Eu não consigo abrir os olhos Lass... Tá tudo preto. – Todos ficavam tensos e eu tinha aquela sensação horrível de angústia ao vê-la daquela forma.

– D-Droga... – Começava a chorar baixo.

– Oque vamos fazer? – Lupus perguntou.

Silêncio.

– O meu pai pode dar um jeito no corpo da Amy... – Lass disse tenso. – Agora a Arme, eu não sei.

– C-Como assim corpo da Amy? – Arme perguntava apertando o braço de Lass.

Droga. Vê-la daquela forma é horrível...Não consigo fita-la.

– Se quiserem se arrumem pra escola e vão logo. Preciso falar com meu pai sem mais ninguém aqui. – Lass disse virado do lado oposto que nós.

Ele nos indicou o banheiro e logo todos estávamos prontos. Saimos e deixamos na casa do Lass o corpo da Amy e Arme, com seus olhos costurados. Olhando para Lupus, notei-o tenso.

– Lupus, você sabe oque eles farão com o corpo da Amy? – Perguntei e logo todos pararam pra ouvir.

– O pai do Lass é um chefão de uma das famílias da Yakuza*. – Arregalei meus olhos. – Por isso ele quase nunca está aqui esses tempos. Deve estar voltando do Japão agora, já que Lass mandou deixar em sua responsabilidade o corpo da Amy.

– O que seria yakuza? – Veigas perguntou. Todos são coreanos, eles não devem conhecer mesmo esse termo.

– É como são chamados os membros de grupos de organização criminosa, do Japão. Se fosse da Itália, por exemplo, se chamariam “Máfia”. – Todos ficavam tensos.

– Então quer dizer que o pai do Lass vai por o corpo da Amy em um latão e jogar no rio? – Jin perguntou tenso.

– Jogar no Rio? Eles são matadores profissionais. – Mari comentou. – E como aqui na Coreia não sabemos da existência de nenhuma Yakuza, faz sentido que ele possa se livrar mesmo dos cadáveres. – Mari disse ajeitando seus óculos.

– Então oque eles vão fazer com a Amy...? – Lire comentou.

– Uma vez eu quis saber mais sobre a Yakuza, esse é um dos maiores medos do mercado negro no Japão. – Comentei e tentava lembrar o que havia pesquisado sobre. – Vi uma vez uma entrevista com um ex-membro da Yakuza. Ele disse algo como queimar o corpo da vítima... – Não conseguia me lembrar de muita coisa.

– Os mafiosos de hoje atiram corpos em uma mistura de piche, carvão e cascalho aquecido a 3.000 graus centígrados. Depois de desfeito, o cadáver é usado para pavimentar a rua. – Mari disse e senti que todos ficaram ainda mais tensos.

Como ela sabe tanto sobre a yakuza? Ao olhar para Sieghart o via com um olhar mais sério que o normal.

– A Amy vai ser usada pra pavimentar a rua? – Elesis berrou assustada.

– Talvez. – Lupus respondeu, baixando sua cabeça.

– Ei, vocês viram a mensagem do Rei? – Ronan disse tenso olhando pro seu celular. Todos pegaram seus celulares.

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Já que a, o 3º Participante: Arme Glenstid, gostava tanto dos mal tratos de sua mãe, mando-lhe uma lembrança.

– Louco! Maníaco! – Veigas berrou assustado.

– Vejam a ordem de hoje. – Jin disse.

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: ORDEM 9;

O celular do Rei está escondido em uma das carteiras da sala de aula. Quem acha-lo sairá do jogo.

– C-Como assim? – Lire perguntou confusa.

– Quer dizer que quem achar o celular do Rei vai estar fora do jogo? – Ronan se perguntou e todos se olharam tensos.

Sem que eu mesma percebesse o silêncio permaneceu até a escola. Todos queriam pegar aquele celular, isto estava estampado em suas faces. Uns apertavam o passo, outros se empurravam de leve, mas quando chegamos em frente a sala todos saíram correndo pra encontrar o celular.

As pessoas a nossa volta se assustavam com a nossa euforia, empurrávamos até pessoas que estavam sentadas pra achar o celular.

– De quem é esse celular? Ousama game...oque é isso? – Uma garota na primeira carteira da segunda fileira disse e todos olhamos pra ela. Quem estava mais próximo éramos eu e o Jin. Eu estava atrás da garota e Jin estava ao lado. Estiquei minhas mãos pra conseguir pegar, mas ele foi mais rápido.

– Consegui. Eu consegui! – Jin falava histérico com o celular na mão. Todos se afastavam dele, por medo. – Adeus idiotas! – Ria mais forte e logo que olhei a janela vi algo ofuscando para a sala.

– Lin, cuidado. – Lupus disse e me empurrou pra trás. Ao bater a minha cabeça na mesa do professor ouvi o barulho da janela se quebrando. Quando olhei para Jin um flecha havia atravessado sua cabeça e esguichava sangue pra todo lado.

“Você recebeu uma nova mensagem”

– AAAAAAAH! – Ouvia gritos de todos que presenciaram a cena.

– PROFESSOR! – Corriam da sala e quem passassem perto e via Jin no chão se apavorava ainda mais.

– Lin? – Lupus estava por cima de mim e quando passei minha mão em sua cabeça vi-a suja de sangue.

– Lupus, você tá bem? – Eu estava tonta por ter batido a cabeça na mesa.

O vi ficar inconsciente enquanto eu pegava meu celular.

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: A regra numero 4 do jogo diz que é Inadmissível a desistência do jogo do Rei, idiotas.

Seu...Rei de merda!

Perdi os sentidos de um em um e apaguei.

~

Eu conheço esse lugar... Estava no hospital? Olhei pro lado e vi minha mãe.

– Que bom que acordou, filha! – Minha mãe me deu um abraço. – Você está bem, Lin? – Ela perguntou e eu só lembrava do cena do Jin com uma flecha na cabeça. Queria vomitar. – Lin...!? – Levantei e fui ao banheiro. Lavei minha cara e a olhava no espelho.

Oque o Rei esta querendo fazer...? Ele matou um de nós na frente de pessoas que nem sabem da existência do jogo. Ele está ficando louco...?

– Filha, deite-se de novo! Precisa ficar de repouso. Por pouco não teve um traumatismo craniano*. – Minha mãe me chamava e sai do banheiro. Logo que me lembrei das coisas antes de perder os sentidos queria vê-lo.

– Mãe! O Lupus! Onde ele está? – Perguntei-a.

– Ah sim, a senhora Wild está com ele na sala ao lado. – Minha mãe apontou pra direita. – Eu não vou te impedir, pode ir. – Ela abriu espaço e passei rápida.

– Lupus! – O avistei sentado, conversando com a sua mãe.

– Oque faz aqui, sua inconsequente? Vai deitar e repousar! – Lupus berrou as palavras e pude ver que estava bem, mesmo com sua cabeça enfaixada. Me sinto aliviada.

– Lupus! Essa não é a maneira de falar com quem está preocupada, não é Lin? – Ela se virou pra mim com um sorriso. – E o inconsequente é você, seu idiota! Nem parece que saiu da minha barriga. – Ela deu um mini soco em seu braço e ele ficou tenso. – Vou comer algo e depois eu volto. Até depois também Lin, precisa voltar ao seu quarto pra repousar hein. – Ela se retirou.

– Você...tá bem? – Perguntei chegando mais perto de sua cama.

– Tô. A flecha só pegou de raspão na nuca, não se preocupa a toa. – Ele disse com o olhar desencanado de sempre e eu queria chorar. – Ei, porque tá chorando? – Ele se desesperou um pouco, enquanto eu fungava.

– Você foi quase atingido por minha causa, idiota! – Lágrimas caiam involuntariamente. – Seu...seu panaca! E se a flecha tivesse te acertado, hein? – Fui até ele e bati em seu peito.

– Mas não acertou, sua estranha. – Ele disse abraçando a minha cabeça e bagunçando minha franja como faz de costume. Logo me larguei dele e ajeitei minha franja, ficando minutos em silêncio apenas o fitando.

– Lupus.

– Hum.

– Me promete que não vai morrer. – Disse a ele e o mesmo sorriu.

– Se parar de se culpar por isso, sim, eu prometo. – Ele disse apoiando sua mão no queixo.

– Hum. – Pensava um pouco. – Eu não precisava ter dito isso. – Ele pareceu confuso. – Vaso ruim não quebra. – Olhei-o de forma superior e ele revirava os olhos.

– Agora volta pra sua cama, representante. – Ele disse estalando as costas antes de voltar a se deitar.

– Podia começar a me chamar pelo nome.

– Hum. Não. E se reclamar ainda te chamo de outra forma diferente. – Olhei-o tensa e ele pensava. – Gosta de nanica? – Me deu língua e sai rindo desse idiota.

– Lin, vim o mais rápido que pude, você está bem? – Meu pai chegava ofegante em meu quarto.

– Sim, estou bem. – Eu respondi-o. – Er, você que está com esse caso...? – Perguntei como quem não quer nada.

– Infelizmente não. Todos os casos dessa escola que estavam em minhas mãos acabaram sendo transferidos a um detetive do departamento de casos não solucionados. – Sieghart?

– Ah sim... – Suspirei involuntariamente.

– Lin, você sabe de algo que eu não saiba? – Ele perguntou sério. – Sobre todos esses casos.

– Não. – Foi a única mentira que consegui tirar da minha boca. Eu odeio ter que mentir para o meu pai, a minha mãe, até mesmo a senhora Wild. Meu ódio por você cresce a cada dia mais, Rei.

~

00:00

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: ORDEM 10;

A 10º Participante: Mari Ming Onette deve contar seu envolvimento com a Máfia aos demais participantes.

Notas finais
Honorário: que possui a honra de um cargo sem os respectivos proventos ou encargos materiais. Site sobre chupão: http://pt.wikihow.com/Dar-um-Chup%C3%A3o-em-Algu%C3%A9m Yakuza: também conhecida como gokudō (極道?), são os membros de grupos de organização criminosa transnacional originários do Japão. Traumatismo craniano: é um tipo de contusão ou ainda lesão na cabeça.