Ousama Game
6 As ordens do Rei...
Notas iniciais
16 de outubro, quinta-feira. 11º dia de jogo.
09:00
Quando recebi alta fui até o quarto de Azin, que ainda estava em colma. Eu e minha mãe terminávamos de juntar minhas coisas para sairmos do hospital.
– Lin, vamos esperar a Senhora Wild. – Ela disse, tirando-me dos pensamentos.
– O Lupus também vai receber alta? – Sim. Fiquei um pouco preocupada.
– Eu acho que não, afinal o caso dele é um pouco mais delicado que o seu. – Minha mãe disse se despreguiçando.
– Lupus Wild! Volte já pra sua cama! – Ouvia a Senhora Wild gritar de onde estávamos.
– Para com esse drama, eu to bem. Odeio hospitais. Posso me tratar muito bem em casa. – Ele disse dando de ombros, com suas mãos no bolso.
– Larga de ser teimoso, seu idiota. – A Senhora Wild deu um soco no ombro de Lupus, mas ele continuou indo em frente.
– Lupus, ficou louco? Volta já pro seu quarto! – Berrei a ele, que me olhava normalmente sério.
– E oque eu ganho com isso? – Disse dando um sorriso malicioso.
– Vai ganhar um soco se não voltar pra lá. – Disse tensa, com os pulsos pedindo pra chegarem na cara dele.
– Nem tenta, hoje tenho uma coisa importante pra fazer. Já estou atrasado. – Ele se inclinou até mim e rápido deu um beijo na ponta do meu nariz. Corei absurdamente segurando o mesmo e ele foi se retirando. A Senhora Wild nem tentou impedir.
– Huhu. – Minha mãe tinha um olhar malicioso, nem precisei me virar pra ela pra saber disso.
– Esse meu filho... – A Senhora Wild disse num suspiro, mas logo riu. – Inconsequente igual o pai. – Falou mais baixo dessa vez, porém consegui escuta-la.
Fomos pra casa e ao olhar a ordem de hoje fiquei curiosa e tensa ao mesmo tempo. A Mari tem algum tipo de envolvimento com a Máfia? Será que isso tem a ver com o caso que está ou estava nas mãos do Sieghart?
O telefone que Sieg me deu tocou.
– Você não morre cedo hein. – Soltei a frase junto a um riso involuntário.
– Pensando na missa pessoa? Fico honrado com isso. – Ele riu. – E espero que esteja certa com isso de que não morrerei tão cedo.
– Não sei confirmar isso, desculpe. – Disse deitando-me na minha cama. – Oque você quer?
– Que cruel falar comigo desse jeito, Lin. Pensei que fossemos parceiros. – Podia imaginar o sorriso sínico que fazia agora.
– Hum. Tá bom, tá bom. – Disse me esticando na cama, para despreguiçar-me.
– Acabei percebendo que as ordens “meio cumpridas” tem uma consequência. – Ele falou rouco e eu voltava a me sentar.
– Continue.
– Pensei que era porque a Edel estava junto ao Azin que acabou morta, mas não. – Fiquei em silêncio esperando o resto das suas palavras. – O Azin que não cumpriu toda a ordem ainda esta vivo, porque a Edel não teve a mesma opção? Fiquei pensando até vir o caso da Arme.
– Está me dizendo que quando a ordem é “meio cumprida” outra pessoa é morta? Enquanto a que não terminou de cumprir tem uma consequência menor...?
– Exatamente, junte os pontinhos comigo. A própria Arme, não diria que “só teve as pálpebras costuradas”, porque isso não é pouca coisa... Mas comparado a morrer é sim uma consequência menor. Já a Amy não teve sorte e acabou sendo a escolhida para morrer.
– Eu sabia que ele não ia dar uma brecha tão grande dessa a nós. O Rei não é um maníaco qualquer. – Disse respirando fundo.
– Já está melhor? E o Lupus? – Sieg perguntou após uns segundos em silêncio.
– Minha cabeça ainda lateja um pouco, mas estou bem sim, obrigado. Já o Lupus “fugiu” do hospital porque tinha coisas pra fazer. Aquele idiota. – Disse coçando a cabeça e ele riu.
– Lembre-se de vir para o esconderijo pra ordem da Mari. – Ele disse sessando os risos.
– Cuidado pra não se expor, Sieg.
– Hum?
– Pra você ainda estar entre nós e não ter sido o morto no lugar da Amy, pode querer dizer que o Rei não sabe que você é detetive.
– Já eu acho o contrário. – Fiquei surpresa.
– Como assim...?
– Acho que eu fui selecionado pra ser um “jogador fantasma”. Afinal nenhuma ordem veio a mim ainda e ele teria que ter alguém na parte da polícia pra ficar com os casos. Não queria admitir isso, mas estou sendo usado pelo Rei desde o início. – Ele disse sério e rouco.
– Então é você que ficou com os casos da escola? Ainda bem. Meu pai estava no caso da Holy e do Azin também. Não iria conseguir mentir pro meu pai caso me interrogasse. – Disse suspirando. Porém isso é muito suspeito. Ele está sendo usado pelo Rei desde o início? Ou seria o segundo Rei que está entre nós? O ditador de tudo que está por fora?
– Lin, sabe de alguma coisa que tem que dividir? – Não sei se devo, mas tenho que mostrar a minha “lealdade” de alguma forma.
– No dia em que fui ao hospital junto ao Lass, levar Lupus e o Dio, vi um homem suspeito. Estava o observando de longe, ele parecia fazer o mesmo comigo. No momento em que tirei os olhos dele, o mesmo fugiu.
– Suspeito?
– Eu já tinha o visto antes na casa da Holy. Ele havia se camuflado em meio aos detetives no local, eu mesma havia achado que era um detetive. – Disse séria, me lembrando da Holy.
– E porque ainda não o acha um detetive?
– Quando tirei os olhos dele ele sumiu. Quando o achei de novo o perseguia de longe o observando. Quando o perdi outra vez de vista logo recebi uma notícia: “O paciente Dio Burning Canyon teve um derrame e não resistiu aos socorros”. Fiquei imaginando oque poderia ter causado aquele derrame. A principal coisa que me vinha a cabeça era que esse homem matou o Dio enforcando-o.
– Faz sentido... Ele poderia ter tirado os aparelhos do Dio e posto nele, enforcou-o e depois pôs os aparelhos de volta em Dio. No final fugiu rapidamente do lugar sem ser visto.
– Foi oque achei desde o início... Porém guardei pra mim. – Disse um pouco surpresa com sua dedução.
– Consigo permissão pra ver câmeras de segurança, vou investigar isso hoje mesmo. Obrigado por confiar em mim, Lin.
– Igualmente. – Disse e desliguei.
12:40
Fui a escola após meu almoço e ia ver a Kyuubi, aproveitando que não haviam saído ainda. Vi o Lupus pondo uma garota contra a parede.
Achei que ele havia parado ao menos um pouco com isso.
– Era essa a coisa importante que tinha pra hoje, Lupus? Já disse pra não fazer suas coisas na frente da Kyuubi. – Disse virada pra Kyuubi, dando-lhe leite e fazendo um carinho na mesma.
– Oque tá fazendo aqui, Lin? – Ele parecia surpreso pelo tom de suas palavras.
– Vamos pra outro lugar, Lupus? – Ouvi-a dizer a Lupus e sinceramente achei que ainda estariam ali quando eu me virasse. Não estavam.
Me senti triste. Pela primeira vez ligava que ele me deixou ali e foi com outra garota para sabe-se lá onde.
Fitava o chão até verem lágrimas no mesmo. Eu estou...chorando? Porque?
– Lin? – Era Ronan. Limpei as lágrimas rapidamente antes de me virar pra ele.
– S-Sim. – Eu acabei soluçando.
– Estava chorando Lin? – Ele perguntou surpresa.
– C-Claro que não!
– Não precisa se fazer de forte na minha frente. – Ele se abaixou até mim. – E não diga que não está se fazendo de forte, porque nisso eu sou especialista. – Ele sorriu. – Eu tenho uma Elesis, lembra?
– Não importa se eu estava chorando! E se estava foi só um pouquinho. – Disse de bico, me virando pra Kyuubi.
– Por acaso foi o Lupus? – Fiquei vermelha. – Acho que isso é um sim. – Fiquei mais vermelha ainda.
– N-Não disse nada! – Me desesperei e ele riu baixo. Ronan era tão sereno e calmo quando Lire. Ele e a Elesis são tão diferentes, e mesmo assim tão compatíveis.
– Olha, ouvi boatos... só boatos. – Ele disse mais baixo, pondo sua mão na boca. – Que o Lupus não “faz coisinhas” com nenhuma das garotas da escola faz um tempinho. – “Faz coisinhas”? Ele acha que tenho quantos anos? – E se isso se espalhou pra chegar até mim, acredito que seja no mínimo verdade. – Ela sorriu meigamente.
– Como se eu me interessasse por isso. – Virei de novo pra Kyuubi e dava de ombros. Ele riu de novo.
– Vamos para o esconderijo agora, você vem? – Ele perguntou se levantando para se retirar.
– Eu já vou. – Disse sorrindo pra Kyuubi, enquanto a acariciava. – Tchau Kyuubi. Desculpa não estar com muito tempo pra você esses dias, mas prometo que vou trazer brinquedinhos pra você da próxima vez. – Dei um ultimo carinho na mesma e fui até o portão, onde todos me esperavam.
Eu me sinto feliz.
– Lin, você tá bem? – Veigas perguntou.
– Sim, ta tudo bem. – Disse dando um mini sorriso ao mesmo.
– Tomamos um susto, Lin. – Zero disse.
– Que bom que você e o Lupus estão bem. – Lire falou, dando um sorriso meigo.
– Obrigado. – Acabei deixando sair essa palavra da minha boca e a tampava de vergonha.
Todos sorriam como se estivessem realmente felizes por me verem de novo. Eu estou feliz por vê-los de novo.
– Todos aqui? – Lupus disse enquanto chegava perto de nós. Mesmo virada já sabia que botaria seu braço em meus ombros, então quando senti sua aproximação dei-lhe uma cotovelada na barriga.
– Sai pra lá. – Disse começando a andar com todos, que seguravam o riso.
Chegamos no esconderijo.
– Será que tem problemas fazermos isso sem o Lass e a Arme? – Sieg perguntou.
– Acho que não, já que na vez da Lin a Rey não estava presente. – Mari falou, logo segurando seus óculos e parecendo pensar. – Se bem que...Não sabemos se ela já estava morta no momento.
– É verdade. – Zero comentou, também pensativo.
– Desculpem a demora. – Olhamos pra porta e era Lass, segurando Arme pela cintura. Lass tinha um olho roxo, enquanto Arme tinha seus olhos enfaixados.
– Lass, você tá bem? – Ronan perguntou.
– Não foi nada. – Não sei porque, mas não acreditei nessas palavras.
– A Arme ta bem? – Perguntei.
– Estou sim. – Ela sorriu.
– O médico particular do meu pai retirou os pontos hoje cedo e por sorte estava tudo bem com os olhos da Arme. – Lass disse aliviado. – Logo ela vai poder tirar essa faixa e enxergar de novo.
Parece que um peso imenso foi tirado das costas de todos ali presentes.
– E... A Amy? – Zero perguntou.
– Também está tudo resolvido... – Lass disse frio.
– Já perguntaram tudo? Quero começar logo, tenho mais oque fazer. – Mari disse sentada com suas pernas cruzadas encima da mesa de centro.
– Pode começar, Mari Ming Onette. – Sieg falou e todos se preparavam pra ouvir oque ela tinha a falar.
– Eu fui abandonada em frente a uma casa de um mafioso. Ele me adotou e fiquei sendo uma próxima chefona da família. – Todos ficavam surpresos. – Esse é meu envolvimento com a Máfia. – Ela se levantou e parecia ir embora.
– Ei Mari! Mas você não disse quase nada. – Elesis falou tensa.
– A ordem dizia apenas para contar sobre meu envolvimento com a Máfia. Eu já disse. – Mari dava de ombros e já ia se retirar.
– Está escondendo algo sombrio demais a partir dai, Mari Ming Onette? – Sieg falou sério e a mesma parou na saída, virando-se completamente a ele.
– Porque de repente resolveu falar meu nome todo ao se referir a mim, Ercnard Sieghart? – Ela respondeu-o da mesma forma séria.
– É porque o seu nome é muito interessante. Ming é nome de uma Yakuza e Onette é nome de uma Máfia. – Ele disse e ela continuou com a mesma expressão de sempre, em silêncio. – Estou errado?
– Não. Está certo. – Ela respondeu e foi andando de vagar até ele. Mari retirou seus óculos, os jogando encima de Lupus deitado no sofá e ficou com uma face mais séria. Quando chegou perto de Sieghart com as duas mãos passou por baixo de sua saia e retirou duas facas, pondo-as centímetros das laterais do pescoço de Sieg. Mas ao mesmo tempo em que Mari botava suas mãos por baixo de sua saia, Sieghart retirou uma arma de baixo de sua blusa e apontava por cima da cabeça de Mari, segurando-a na cintura com a outra mão e juntando seus corpos.
– KYA! – Lire gritou.
– S-Se acalmem gente! – Veigas falava apertando seu peito.
– Oque ta havendo? – Arme se perguntava apertando o braço de Lass.
– Assim eu me apaixono. – Sieg disse com um sorriso quase tão sexy quanto de Lupus.
– Sem brincadeirinhas, Ercnard. – Ela disse encostando as facas em seu pescoço. – Gostaria de ver quem é mais rápido? Minhas facas ou sua pistola?
– Antes disso queria que me dissesse por que dois nomes de duas famílias mafiosas diferentes? Quero saber o início, meio e fim da sua história. – Sieg falou sério outra vez.
– A famiglia* Onette me aceitou de braços abertos quando fui abandonada ainda um bebê no seu portão principal e desde que me intendo por gente sou uma assassina profissional, treinada pelos mesmos. – Todos ficavam nervosos com essa revelação. –Minha missão era sempre me infiltrar e descobrir aos poucos todas as brechas da casa e horários inconvenientes para preparar um ataque interno com a famiglia Onette. Como eu era uma perfeita mini arma, fui usada diversas vezes para destruir outras famiglias.
– Como a família Cordopatri*? – Sieg perguntou sério.
– Chama aquilo de família? Foi a mais fácil de se aniquilar. – Ela disse sem mudar sua feição.
– Continue. – Sieg disse ainda sério.
– Estudei outras línguas, aprendi a esconder meu sotaque italiano, e meu ultimo trabalho foi me infiltrar e ajudar a aniquilar a família Ming, uma Yakuza. – Ela ficou segundos em silêncio.
– E oque houve? – Sieg perguntou.
– Pela segunda vez eu tinha sido recebida de braços abertos em uma família, e não era tratada como uma serviçal, pelo contrário, a chefona da família também havia me adotado como sua filha. Ia desistir da missão não só por esse motivo, mas também sabia que não teríamos chances de vencer essa família.
– Uma sócia a anos da família Cordopatri tem suas vantagens. Deduzo que o motivo de não poderem vencê-los foi todo o estoque de armas, tanto de pequenas pistolas á grandes bombas nucleares. Estou certo? – Sieg comentou.
– Esattamente*. A famiglia Onette não quis me ouvir por achar que eu estava do lado deles, e nessa hora não sabia realmente de que lado estar. Fazendo um breve resumo, ambas as famílias foram dizimadas. Tanto a famiglia Onette quando a família Ming. Eu não pude fazer nada por nenhuma das duas. – Mari terminou de falar e ficou calada.
– E oque fez depois de tudo isso? – Sieg perguntou.
– Com a inteligência que adquiri não foi nada difícil arranjar uma bolsa de estudos. Sem falar que eu tenho uma grande herança da família Onette, e também da família Ming. – Ela disse e ficaram em silêncio em uns segundos.
– E-Eu disse que a Mari era o Rei! Vocês ainda duvidam disso? – Arme berrou. – Ela acabou de confessar que é uma assassina profissional!
– Se não calar essa boca irritante irei realmente lhe deixar cega. – Mari disse e a mesma se calou, parando atrás de Lass. – Matei sim muita gente, porém eram todos mafiosos, pessoas que não valem nem um mísero centavo. Nunca matei pessoas inocentes. Já disse que tenho um futuro brilhante a minha frente, não perderia tempo fazendo esses joguinhos ridículos.
Silêncio.
– Não vai me soltar? Acabou de dizer que nunca matou pessoas inocentes, irá mudar isso agora? – Sieg disse sorrindo cinicamente.
– Quem prova que você não é o Rei? – Mari disse se aproximando mais da face de Sieg.
– Vai ter que confiar nas minhas palavras no momento. – Ele disse ainda sorrindo.
Mari retirou suas facas do pescoço de Sieg e o mesmo abaixou sua arma.
“Você recebeu uma nova mensagem”
De: Desconhecido
Assunto: Ousama game
Mensagem: Obediência confirmada!
– Não vá embora, Mari. – Lass disse e a mesma parou novamente, pegando seus óculos que estavam encima de Lupus. – Tenho que mostrar uma coisa a todos vocês. – Lass sentou Arme no braço do sofá e retirou de sua mochila um notebook, pondo dentro do mesmo um dvd.
– Oque é isso? – Elesis perguntou séria.
– É a câmera de segurança do quarto onde estávamos. – Ficamos tensos e logo ele pôs o dvd para rodar.
Tudo estava normal, cada um entrando em sua barraca...Eu fui a ultima, deixando Lupus e Zero discutirem do lado de fora. Lass passou um pouco a gravação e ambos entraram na minha cabana quando estava escuro. Deve ter sido por isso que nem um viu o outro.
– Quem diria hein Lin... – Veigas comentou, me fazendo corar.
– F-Foram esses pervertidos que invadiram minha cabana! – Berrei envergonhada.
– Prestem atenção. – Lass nos calou e mantínhamos fixados na tela.
Algo estava invadindo a sala. Parecia fumaça, porém era branca.
– Parecem bombas de fumaça...E acredito que tinham gás sonífero. – Mari comentou ainda pensativa. – Assim nos dopou a noite toda e pode fazer oque fez sem interrupções.
– Olhem, a porta abriu. – Zero comentou e era verdade. Quando a porta se abriu ofuscou a luz do outro cômodo até a sala onde estávamos.
Alguém havia entrado no local.
– Entrou primeiro na cabana do Lass e da Arme. – Ronan comentou. Dava para ver porque uma lanterna parecia ter sido ligada.
– Deve ter sido nessa hora que ele estava costurando as pálpebras da Arme. – Lass passou um pouco o vídeo e pudemos ver que fez aquilo em 20 minutos.
– Dá pra perceber que não é um de nós... Quer dizer que foi o segundo Rei? – Lire comentou.
– Você foi esperto, Rei... – Comentei, tentando pensar ainda mais.
– Será que é um profissional? Ou ao menos um adulto com algum tipo de técnica? – Sieghart comentou e fiquei curiosa.
É um adulto? Será que é o mesmo homem que vi duas vezes? Se pelo menos pudesse ver a sua roupa ou fisionomia por uns segundos...Seria mais que suficiente pra confirmar isso.
– Ele está chegando perto! – Elesis comentou.
Ele estava com uma máscara de gás, mas eu não poderia esquecer essa roupa. Era ele outra vez. Agora tenho certeza.
– Oque ele está fazendo? – Ele chegava ainda mais perto. Ficou parado por uns segundos e pegou a bolsa que tinha em suas costas. Começou a mexer na mesma e primeiro retirou uma faca, a pondo de volta na bolsa. Depois retirou uma pistola, mas a pôs de volta. Retirou uma katana, mas a pôs da volta na bolsa.
Oque ele está fazendo? Vendo com oque matará uma pessoa inocente? Seu Bárbaro!
Ele retirou duas tesouras e se levantava do chão seguindo para a minha cabana. Mas assim que abriu observou por uns tempos e assentiu com sua cabeça.
– Até o segundo Rei achou a Lin uma menina ousada. – Ronan comentou e ficava mais envergonhada ainda.
Em seguida ele foi abrindo todas as cabanas até chegar na de Jin e Amy, e entrou. Acendeu a lanterna e permaneceu lá uns minutos. Quando saiu, podia ver a tesoura cheia de sangue quando chegou perto da câmera outra vez.
– Maldito... – Zero comentou.
Ele pegou um pote bem grande que estava na mochila e seguiu de volta para a cabana de Amy e Jin. Permaneceu lá por mais uns minutos e saiu saltitante.
– Oque ele está fazend...? – Veigas perguntava horrorizado.
Ele sentou-se no chão e acariciava os órgãos que tinham dentro do pote. Pegou uns deles com as mãos e jogou os mesmos para o ar, pulando e girando sobre os mesmos.
– E-Eu não consigo ver isso... – Lire se virou, segurando em seus braços. – Isso...é tão cruel.
– Ele só pode estar zoando com a nossa cara. – Lupus comentou tenso.
– Ele está brincando com os órgãos da Amy no local do crime! – Elesis berrou indignada.
Passaram-se uns segundos e o suposto segundo Rei juntou novamente os órgãos no pote, o guardando em sua mochila e... limpava o chão com produtos que tirou da mochila.
– Esse Rei é um pouco idiota. – Zero comentou tenso. – Ele fez questão de brincar com os órgãos ali naquele lugar e depois limpar o chão sujo de sangue? – Realmente não é uma coisa muito inteligente.
– Exatamente. É idiota demais para ser o Rei. – Sieg comentou.
– Como assim? – Perguntei confusa.
– Olhem pra ele... Parece mais um estabanado do que um serial killer. – Sieghart disse. Realmente as imagens dessa pessoa limpando o chão eram um pouco idiotas demais. Ainda mais em cenas que quase caia, porque escorregou. – Achei que era apenas suposição da minha cabeça... Mas vendo essas imagens agora tenho certeza.
– Hãm? – Todos nos viramos pra ele com curiosidade.
– Só existe um Rei. Ele conseguiu apenas uma pessoa pra fazer todo o trabalho sujo e fez uma pegadinha na missão do Azin para nos confundir. – Será que o Sieghart tem razão...?
– O verdadeiro e único Rei está bem aqui, compartilhando do mesmo ar que suas futuras vítimas. – Mari disse e todos ficávamos tensos.
Olhamos de volta pro vídeo e o falso rei havia terminado de limpar o chão. Ele se retirou e Lass parou o vídeo.
– Bem... Depois disso toda essa fumaça é dispensada e quatro horas depois acordamos. – Lass disse fechando seu notebook e guardando-o em sua mochila. – Ué, cadê o Jin? – Lass perguntou após observar o perímetro. – Ele conseguiu sair do jogo? Quando vi a ordem de ontem nem acreditei que perdi essa chance. – Coçou sua cabeça, bufando.
– Ele...está morto. – Veigas disse.
– C-Como assim morto? – Arme ficou um pouco assustada e Lass segurava em suas costas.
– A missão de ontem foi uma pegadinha de mal gosto... – Lire disse ainda virada pro outro lado.
– A missão dizia que se pegássemos o celular que o Rei escondeu na escola poderíamos sair do jogo, claro que uma única pessoa. – Lupus disse.
– O Jin pegou e...bem, olhando de outro ângulo, ele saiu do jogo. – Zero disse coçando a cabeça.
– Ele teve uma flecha atravessada na cabeça segundos depois de ter o celular em mãos. – Mari terminou de contar a história.
– Tá falando sério? – Lass parecia não acreditar. – Podia ter sido qualquer um! Que raios de ordem foi essa?
– A mensagem de confirmação foi a seguinte: “A regra numero 4 diz que é Inadmissível a desistência do jogo do Rei, idiotas.” – Disse a ele, que ficou tenso.
– Jogar desse jeito foi baixo demais. – Ronan comentou.
– Eu vou pegar esse desgraçado, custe oque custar. – Disse baixo. – Você. – Falei alto, e todos olharam pra mim. – Eu vou pegar você, Rei. Guarde minhas palavras. – Disse olhando de um em um.
~
23:50
Hoje não fui perseguida pelo Lupus e nem atazanada pelo Zero. Até que o dia passa rápido quando não se tem essas partes durante o dia.
Hoje tivemos um grande avanço em questões de “quem é o Rei”. Mas resolvi ignorar todas as minhas reflexões sobre os integrantes do jogo e bota-los todos como suspeitos.
Olhando pra todos é difícil de acreditar que temos um lobo disfarçado entre os coelhos, pronto para devorar cada um deles sem que os outros percebam.
Não queria admitir isso, mas o Rei é um estrategista de primeira. Ele é digno de palmas de qualquer outro tipo de assassino ou serial killer. Ele manipula, usa e no fim sabe como descartar cada um de nós e ainda sai impune sempre.
Quem entre nós teria tamanha inteligência, obsessão e sede por sangue?
Deitei na cama e depois de uns segundos peguei o celular que Sieghart me deu e liguei ao mesmo.
– Lin...? Algum problema? – Ele parecia bocejar do outro lado.
– Liguei em má hora?
– Não, pensei em te ligar. Só adiantou o processo. – Ele riu. – Estou vendo as gravações do hospital do dia que o Dio foi morto. Não todas as câmeras, mas do corredor do quarto do Dio, a entrada e a recepção.
– Você já conseguiu vê-lo? – Perguntei me sentando na cama, ficando empolgada com o assunto.
– Não. – Como assim não? – Já vi o vídeo várias e várias vezes e não havia ninguém Lin. Estou te vendo, vendo o Lass, até o seu pai. Mas nada de um homem suspeito.
– Eu não vi coisas! Ele estava lá! – Eu não estou ficando louca.
– Não estou dizendo que ele não existe. Mas agora o fato é que o Rei é mais esperto que nós.
– Isso eu já tinha percebido faz tempo. – Cerrava meus dentes.
– Ele adulterou* a gravação. Essa é a única coisa que pode ter ocorrido. – Sieg disse tenso. – Mas esse vídeo parece verídico*. Ou muito bem editado. – Sieg ficou uns segundos em silêncio. – O Rei não deixa uma falha pra trás...
– Parece que com o passar desse tempo, ele percebeu que estamos cada vez mais próximos de acha-lo. Está mais cuidadoso agora... – Suspirei me deitando na cama outra vez.
– Parece que sim. – Sieghart disse num suspiro. – Será que a modificação desse vídeo foi feita pelo Rei? Ou aquele idiota do vídeo?
– Se o idiota do vídeo for mesmo um idiota, creio que a modificação foi feita pelo próprio Rei. – Disse depois de uns segundos pensando. – Por acaso, o idiota do vídeo é o cara que vi no hospital. Não tenho dúvidas.
– Então pode ser que estejamos certos sobre a morte do Dio. Ou talvez não.
– Como assim talvez não? – Fiquei confusa.
– Deu pra perceber que o que esse cara tem de idiota, tem de psicopata. Ele estava brincando com os órgãos da Amy...
– Você tem razão...
– Acho que se ele estivesse envolvido o Dio teria uma morte mais sangrenta, não concorda? – Sieg perguntou.
– Hum. Mas então oque você acha que ocorreu?
– Nos quartos dos pacientes do Daegu Fatima Hospital há uma porta interior, onde os médicos e enfermeiras podem entrar sem passar pelos corredores. São mais usados para recolherem sangue ou fazerem exames rápidos. A minha suposição é que o verdadeiro Rei usou essa passagem dos médicos e matou o Dio.
– Mas então oque o falso Rei estaria fazendo lá fora?
– Despistando vocês. – Ele pode ter razão... – Eu não acho que o “segundo rei” precisaria se disfarçar diante vocês. Quer dizer, só se o conhecesse.
– Como eu não pensei nisso antes... Eu mesma já vi essa porta interna e não pensei em nada disso. – Realmente as capacidades de raciocínio do Sieghart são superiores.
– Mas isso é só uma suposição minha. Pode ser que eu esteja errado, mas é sempre bom ter mais de uma ideia de como o crime ocorreu. – Ele disse dando outro bocejo.
– Sieg, uma ultima pergunta.
– Pode falar.
– Você está com quantos casos? Dos participantes do OG, claro.
– Da Edel, do Ryan e do Jin.
– Mas... Só? Os pais da Rey não quiseram processar os pais Dio ao saberem que ele estuprou a filha deles? E A Amy... Já tinham que ter sentido a falta dela...! Como assim você me diz que só está com três casos na mão? – Perguntei um pouco indignada.
– Estou tão pasmo quanto você. – Fiquei surpresa. – Os pais dos O-gamers nem se mexeram...
– Oque...?
– É isso mesmo que ouviu. – Fiquei um pouco nervosa. De novo os pais agiram como se não conhecessem os próprios filhos? Não foram só os pais do Azin...?
– Mas esses casos que estão com você... Não foram denunciados pelos pais? – Confesso que fiquei um pouco receosa quanto a resposta.
– O caso da Edel foi uma denuncia anônima, dizendo que foi o Azin quem a matou. Não duvido nada que foi alguém da escola, já que todos receberam uma mensagem. – O...que? – O caso do Ryan foi denunciado por amigos de trabalho, após sentirem a sua falta. E o caso do Jin foi feito pelo diretor da nossa escola.
– Isso...é sério? – Fiquei até um pouco trêmula.
– É muito sério. – Ele disse e eu suava frio. O que está havendo aqui? Oque realmente está havendo aqui? Após uns segundos de silêncio ouvi Sieghart bocejar outra vez.
– Parece com sono, vou deixar você descansar agora. – Disse ainda um pouco nervosa.
– Nos vemos amanhã. – Ele respondeu.
– Até.
Tenho dois assuntos em questão na minha mente agora.
1- Será que eu ou o Lass conhecemos o segundo Rei? Ou melhor, o falso Rei? Sinceramente não gostaria que ele fosse alguém conhecido, seria repugnante saber que convivi com aquele tipo de ser humano nem que fosse só por um segundo.
2- Oque o Rei está fazendo com os pais...? Será que se eu morresse meus pais nem se quer notariam o meu sumiço?
Não... Isso não me parece ser uma coisa que o Rei faça depois da morte de um dos participantes.
“Eu sou uma péssima mãe, Lin”. Oque você quis dizer com isso, senhora Wild?
Você por acaso sabe de algo?
00:00
“Você recebeu uma nova mensagem”
De: Desconhecido
Assunto: Ousama game
Mensagem: ORDEM 11;
A 1º Participante: Elesis Sieghart deve prender a respiração por 40 segundos.
Ham? Que...ordem idiota...
Não. Espera. Pra Elesis... Isso não é uma coisa tão simples.
17 de outubro, sexta-feira. 12º dia de jogo.
10:00
– Vamos lá Elesis! Você consegue! – Ronan incentivava a Elesis, junto comigo, que nem sei oque faço aqui.
Estamos no jardim, sentados no meio dos arbustos na hora do recreio.
– Não é tão simples assim, seu idiota! Eu tenho asma! – Elesis disse ofegante por ter segurado por apenas 20 segundos.
– Não quero ver fraquejar agora, Elis! – Ronan disse levantando suas mãos.
– Oque ta fazendo? – Olhei-o tensa.
– Mandando energias positivas para a Elesis. Faça o mesmo, Lin! – Me sinto um pouco idiota, mas o fiz. Levantei as mãos para... “mandar energias positivas pra Elesis”, se bem que parece que só está saindo energias negativas de mim.
Parece que até a Kyuubi está rindo de mim agora.
– 25! 26, 27, 28... Ah Elesis! Foi quase! Tenta manter só por mais uns 12 segundinhos! – Ele disse enquanto Elesis quase tinha um ataque de falta de ar.
– Ronan! – O repreendi e peguei a bombinha* de Elesis, posicionando na boca dela e fazendo-a respirar melhor. – Está bem, Elesis? – Perguntei e ela pediu tempo com a mão. Respirou e suspirou por uns segundos e logo fez um sinal de jóia. E bateu forte na cabeça do Ronan.
Ronan foi nocauteado.
– Elesis, sem querer ser radical demais, mas precisa cumprir essa ordem de qualquer jeito.
– Estou ouvindo. – Ela disse com um rosto tenso, tampando-o com uma das mãos.
– Me deixe tampar seu nariz e sua boca até o tempo acabar. – Ela fez um rosto pensativo.
– Eu não sei não... Essa é a pior hora pra eu forçar a respiração. Tenho tido muitas crises de asma esses dias. Se eu prender a respiração por 30 segundos vai ser muito... – Ela disse tensa.
– Vamos lá Elesis. Você consegue. Você tem que conseguir. – Disse e ela suspirou. Logo assentiu.
– Ah, te achei. – Lupus passou entre os arbustos e se sentou do nosso lado. – Precisamos ter uma conversinha depois, Lin. – Fiquei confusa. Oque ele quer que não fala logo de uma vez? – Oque fazem aqui? Não me diga que é a missão mais que fácil da Elesis? – Elesis segurava seu pulso para não bater em Lupus.
– Não se mete onde não é chamado sem saber das coisas, imbecil. – Disse dando um soco no seu braço.
“Eu sou uma péssima mãe, Lin.”
Não conseguia esquecer essas palavras, agora que Lupus chegou aqui é que não vou esquecer. Porque você é uma péssima mãe, senhora Wild?
– Eu tenho asma, seu jumento. – Elesis disse com um rosto sombrio e macabro.
– Hoje estou sendo chamado por belos nomes. – Ele disse normalmente sério.
– Faz algo de útil e me ajuda Lupus. – Disse indo para o lado esquerdo de Elesis. – Fica do lado direito da Elesis.
– Só se eu ganhar o direito de um “sim”. – Ele disse sorrindo de lado.
– Tá, tanto faz. Agora anda e me ajuda. – Disse dando de ombros a oque isso de “direito a um sim” significava.
– Prometa. – Ele disse e eu ficava irritada.
– Tá, eu prometo! Agora anda! – Ele foi pro lado direito da Elesis.
– Oque eu vou fazer aqui? – Lupus perguntou confuso.
– Oque vocês vão fazer? – Elesis perguntou confusa.
– Elesis, eu vou até o fim uma única vez. – Olhei para os lados e abaixei minha voz. – Mesmo que você desmaie antes o Lupus vai te segurar e parecer que ainda está consciente. – Peguei um óculos escuro na minha bolsa e pus em Elesis.
– Isso é sério? – Ela falou tensa.
– Claro. Tem que ser logo de uma vez. – Ela suspirou. – Pronto Lupus?
– Sim.
– Pronta Elesis?
– Sinceramente não. Mas vamos logo com isso. – Ela disse ainda tensa.
– Respire fundo e no três prenda a respiração, ok? – Ela assentiu. – 1, 2, 3! – Tampei a boca e o nariz de Elesis enquanto Lupus segurava em suas costas. Comecei a contar... – ...10, 11, 12,... 22, 23,... – Ela parecia sem fôlego e a sentia trêmula. – 30, 31, 32... – Elesis havia desmaiado, tenho 100% de certeza disso. Ao olhar pra Lupus ele assentiu puxando o cabelo dela e a fazendo levantar e abaixar a cabeça, parecendo assentir junto a ele. Eu ri. – 39, 40! Você conseguiu Elesis. – A abracei e esperava que meu plano tivesse dado certo.
“Você recebeu uma nova mensagem”
De: Desconhecido
Assunto: Ousama game
Mensagem: Obediência confirmada!
– Isso! – Me levantei.
– Lin.
– Sim?
– A Elesis tá desmaiada mesmo.
– Ai meu Deus! V-Vai Lupus, faz respiração boca-boca! – Ele chegava perto de mim. – Em mim não idiota! Na Elesis. – Ele olhou pra ela e depois pra mim.
– Eu prefiro fazer em você.
– Lupus!
– Perdi alguma coisa...? – Ronan tinha acordado do seu colma. Quando olhou pra Elesis se desesperou. – ELIS!
– Rápido Ronan, respiração boca-boca! Vai! – Ele chegou perto de Elesis, tampou o nariz da mesma e soprava com sua boca colada a dela.
– Lin, pode desmaiar, por favor? – Lupus soltou essa e só olhei tensa a ele.
– Elis! – Após Ronan fazer uma massagem cardíaca ela abriu os olhos, porém com falta de ar.
– Levanta ela Ronan. – Assim ele o fez. Peguei a bombinha e outra vez pus sobre sua boca, mas não era o suficiente. – Droga.
– Eu vou chamar uma ambulância! – Ronan ligava enquanto eu tentava ajudar a Elesis a respirar, em vão.
~
– Que merda... – Lá estava eu, outra vez no Daegu Fatima Hospital. As recepcionistas já devem estar cansadas de me ver. Pus a mão na cara.
– Não precisa ficar tão tensa assim. – Ele disse e quando me viu direito parecia surpreso.
Eu estava rindo. Desde o inicio eu estava me divertindo.
O Ronan se desesperando por tudo e com seu jeito preocupado além da conta, do tipo “crianção” que acredita em coisas hippies* como “energias positivas”. A Elesis e esse jeito bruto, porém consequente. O próprio Lupus sendo Lupus.
Mesmo que por poucos momentos me diverti e só vi a graça agora, sinto que poderia rir até amanhã.
Só consigo imaginar na Elesis querendo me matar assim que acordar, no desespero do Ronan e o abraço que ele dará na Elesis quando a ver de novo. Eu vou rir ainda mais.
– Quando eu to achando que você deixou de ser estranha me vem essa. – Lupus comentou, dando um pequeno sorriso.
– Vai me dizer que não foi engraçado? Se eu não estivesse tão centrada em ajudar a Elesis eu teria rido a todo tempo. – Disse rindo ainda mais. – A Elesis não vai morrer por tão pouco, afinal ela cumpriu a ordem. – Disse dando um pequeno soco no seu braço e o fitando feliz. Não sei se foi impressão minha, mas ele parecia ter cara de bobo. – Fecha a boca Lupus, tá babando. – O zoei.
– Hum. – Riu pelo nariz. – Nanica. – Ele pegava em uma mecha do meu cabelo enquanto sorria de lado e sussurrava. Ruborizei por uns instantes.
– Er, oque você queria comigo? – Disse sessando os risos, deixando exposto apenas um pequeno sorriso. Ele ainda mexia em meu cabelo e me fitava daquela forma.
– Consegui dois ingressos de pista premium pra um show hoje a noite. Gosta de um j-rock* leve, não é? – Ele perguntou e eu ficava um pouco receosa. – Quer vir comigo?
– Desculpa, mas não. Obrigado. – Respondi depois de uns poucos segundos em silêncio. Ele segurava o riso.
– Acha que tem escolha? – Ele fez um rosto convencido e arqueei uma sobrancelha. – Eu tenho direito a um sim, esqueceu? – Ele cutucou a ponta do meu nariz enquanto inclinava sua face mais perto da minha. Fiquei um pouco incomodada com aquela aproximação dele, meu coração havia acelerado de repente, outra vez.
– N-Não entendi. – Disse me afastando levemente de Lupus.
– Digo que você irá comigo SIM. E você concorda, porque quero usar o meu SIM agora. – Então era isso... Olhei-o tensa. – Não pode voltar atrás com a sua palavra, hein. – Ele disse novamente de forma convencida.
– Minha mãe não vai me deixar ir de jeito nenhu... – Pensei em uma desculpa qualquer no momento. Não vou a um show desde...dois anos atrás.
– Não se preocupe, já falei com ela. – Lupus disse me dando um jóia com a mão.
– Desde quando está tão íntimo da minha mãe? – Perguntei tensa, arqueando a sobrancelha.
– Não lembro, mas ela gosta de mim. Acho que é um voto positivo. – Oque ele quer dizer com isso? Dei um suspiro.
– Eu posso não curtir a banda, vou acabar estragando sua noite. Vai com outra pessoa, vai ser melhor. – Disse pondo a mão em minha face.
– Nem tenta. Tive um trabalhão pra conseguir esses ingressos, você vai. Porque eu digo que SIM. – Ele disse apertando meu nariz por uns segundos, mas logo repeli sua mão.
– Que chato. – Bufei e ele deu aquele sorriso sínico. – Não reclama depois se se arrepender de me levar, tá legal? – Disse com o dedo em sua face.
– Pode deixar que não vou me arrepender.
– Se o som deles não for bom eu vou embora, porque ninguém merece...! – Ia reclamar até que ele desistisse de me levar, mas quando olhei pro seu rosto ele parecia estar em completa hipnose. Tinha um rosto tão calmo, parecia flutuar em sua mente, mas ao mesmo tempo parecia observar cada detalhe de mim. Corei absurdamente com aquele olhar, indo novamente a aquele quarto que tanto visitei esses dias.
– Não vai parar de vir aqui? Quando ele tiver qualquer tipo de melhora, vão te ligar. – Lupus disse quando entrou no quarto de Azin minutos depois de mim.
– Não. – Falei sem fita-lo atrás de mim.
– Não oque?
– Não vou parar de vir aqui.
– Hum. – O silêncio permaneceu por uns segundos. – E por quê?
– Porque quando o Azin acordar vai ser uma guerra.
– Guerra? – Perguntou confuso.
– O Azin sabe quem é o Rei entre nós. Quando ele acordar o Rei virá atrás dele pra cala-lo, se já não está fazendo isso. – Disse fitando Azin.
– Ainda não entendi essa tal guerra. Que o Rei virá atrás dele já era um fato.
– Vai ser uma guerra porque eu não vou deixar isso ocorrer. O Rei vai ter que passar primeiro por cima de mim pra impedir o Azin de desmascara-lo. – Disse determinada.
– Hum. – Lupus riu pelo nariz. – Então ele terá que passar por cima de nós.
– Obrigado.
– Pelo que?
– Por...sempre ficar do meu lado mesmo que eu não peça. Às vezes. – Soltei um riso involuntário.
– Te busco as sete. – Ele chegou perto, depositou um beijo na lateral de meu queixo e saiu do quarto rapidamente, sem dar tempo de receber um soco de mim.
Eu sorri num suspiro.
~
17:30
A Elesis encontra-se bem, oque eu já esperava. O dia hoje passou bem rápido, mais do que eu gostaria... Não sei oque vestir, não sei oque falar e não sei como agir quando estiver naquele show com o Lupus. Não queria admitir isso, mas estou nervosa. Muito nervosa.
– Mãe, o Lupus falou com você sobre algum show hoje? – Fui até a sala falar com ela.
– Sim. E como hoje é sexta eu e seu pai vamos beber um pouco além da conta. Mesmo assim não chegue muito tarde, hein. – Ela disse me fitando séria.
– Ta bem. – Disse sem nenhuma reação, mas acho que estava estampado em meu rosto que eu estava ansiosa.
– Já escolheu sua roupa? – Se eu falar que não ela vai ficar o resto de tarde que me resta “me ajudando” a escolher.
– Já sim. – Corri pro meu quarto antes que ela resolvesse pedir pra ver a roupa.
Eu não sei oque usar... Oque geralmente usam em um show de j-rock? Uma coisa bem punk? Não, ele falou que era leve...então seria uma coisa mais mimosinha? Preciso de ajuda...
Peguei meu celular e via os contatos dos participantes do OG.
Elesis, Lire, Arme e Mari.
Não sei se seria uma boa ligar pra Arme, Mari desligaria o telefone na minha cara... A Elesis vai no mínimo querer me matar depois de hoje... Sem falar que ela não parece que manja do assunto.
Liguei para a Lire.
– Alô. – Ela atendeu.
– O-Oi... É a Lin, desculpa incomodar, mas precisava de ajuda... – Que vergonha.
– Oi Lin, que surpresa. Nunca havia me ligado. – Ela riu. – Que tipo de ajuda precisa? Aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou preocupada.
– N-Não é nada urgente... É que...eu vou sair hoje a noite e queria ajuda para escolher uma roupa. Não precisa me dar todo um look, só dicas, eu não sei... Se não der eu entendo! – Acabei de desesperando um pouco e ela riu por poucos segundos.
– Acalme-se, Lin. Eu a ajudo, não se preocupe. – Podia imaginar seu rosto angelical nessa hora. – Não querendo me meter na sua vida, mas pra estar um pouco desesperada quanto a roupa quer dizer que vai sair com alguém... Estou errada? – Corei um pouco.
– É-É quase isso. – Disse um pouco envergonhada.
– Ah Lin, se abra comigo! Vai me diz quem é? É o Lupus? O Zero talvez...? – Parece que a Lire se abre mais no telefone, que azar o meu...
– É o Lupus... – Disse num suspiro e ela deu um gritinho feliz.
– Sabia que eu acho vocês muito fofos juntos? Vocês combinam tanto! – Fiquei mais envergonhada ainda.
– I-Isso não é um encontro nem nada do tipo...Ele só me chamou pra ir em um show com ele, nada demais. – Disse disfarçando meu nervosismo ao telefone.
– Não deixa de ser um encontro, Lin. – Ela disse e fiquei pensativa. – O show é de que gênero?
– Er... acho que j-rock. – Disse e ela parecia pensar. – Ele disse que era um j-rock leve.
– Hum... Não que você precise ir a caráter a um show, mas se for por exemplo com uma roupa rosinha no meio de roupas pretas vai ser bem engraçado. – Ela deu uma pequena risada. – As dicas que posso dar são primeiramente vá de preto, nem que seja apenas uma peça da roupa. – Rimos. – Bem, outra coisa que ficaria legal seria uma meia calça, tanto normal quanto arrastão! Sabe, para dar aquele toque final!
– Eu tenho sim... Acho que já tenho ideia de um look pra montar. – Disse um pouco feliz.
– Lembre-se que acessórios são sempre bem-vindos! – Ela disse e eu tinha mais ideias ainda pra montar toda a roupa. – Para a maquiagem eu deixo ao seu critério, você sabe destacar seus lindos olhos.
– Obrigado. – Fiquei um pouco feliz e envergonhada ao mesmo tempo.
– Só dou a dica que não use muita maquiagem... Ao se animar no show pode acabar suando com todas a pessoas a sua volta e vai sair um bagaço de lá. Não podemos deixar isso acontecer!
– É, tem razão. Mas não se preocupe. Só devo apelar para um lápis, delineador e rímel. Uma coisa padrão.
– Espero ter ajudado, Lin. – Ela disse feliz.
– Pode ter certeza que ajudou. – Desliguei o telefone.
18:50
A campainha tocou. Meu coração “tocou”.
– Lin, é o Lupus! – Ouvi minha mãe da sala. Peguei apenas meu celular, o pondo no bolso e fui até a sala. – Nossa... Lin, você está... – Minha mãe falava boquiaberta.
– Linda. – Lupus completou com o mesmo rosto que a minha mãe, me deixando um pouco constrangida.
– Você também... – Disse a ele, disfarçadamente.
Eu estava com um short cintura-alta com detalhes em rasgado preta, com uma blusa de lã cinza, com uma grande caveira negra estampada na frente, meia calça ¾ negra e botas de salto não muito alto. Como maquiagem apenas destaquei meus olhos com preto e passei um brilho labial.
Lupus estava com uma blusa negra e por cima um casaco xadrez vermelho, preto e branco. Calça saruel de couro negra e sapatos também negros. Seu cabelo estava daquele jeito desarrumado e de lado tampando seu olho direito.
Nenhum de nós pensava em desviar ao menos um segundo nossos olhares.
– Como estão lindos... – Ouvi a voz da Senhora Wild e me virei pra ela.
– Lin, me deixe tirar uma foto! – Minha mãe havia se retirado pra pegar sua câmera.
– Menos, mãe...! – Disse completamente envergonhada e meio tensa.
– Fique perto do Lupus e me deixe tirar uma foto! – Ela disse me empurrando até Lupus.
– Calma, calma! – Disse me equilibrando e ficando do lado do Lupus.
– Mais perto Lin! – Minha mãe reclamou e cheguei mais um pouco. – Mais perto. – Cheguei mais um pouquinho. – Mais perto! – Cheguei mais um pouco e quando percebi que Lupus chegou perto e agarrou em minha cintura com sua mão esquerda me virei pra ele e vice-versa.
“Flash”
– A foto ficou linda! – Lupus piscou pra mim e logo olhou pra frente, eu fiz o mesmo.
“Flash”
– Tá, chega mãe. Vamos nos atrasar. – Disse e Lupus retirou sua mão de minha cintura.
– Vou indo, mãe. – Ele deu um beijo na testa da Senhora Wild.
– Sua cabeça já está mesmo melhor? – Ela perguntou a Lupus, que assentiu e logo veio até mim.
– Não chegue tarde hein Lin! E juízo os dois! – Minha mãe disse me dando um abraço, e recebendo um de Lupus.
– Mãe! – Fiquei um pouco envergonhada, mais logo sai de casa.
– Lin. – Ouvi Lupus falar quando esperávamos o elevador. – Você está... – Não me virava de vergonha e senti sua mão em meu cabelo, o pondo atrás da orelha. – Perfeita.
– V-Você também... – Fiquei ainda mais vermelha e o elevador chegou. Entramos nele e me incomodava com o silêncio que permanecia enquanto descíamos do prédio.
Quando saímos do mesmo Lupus pegou em minha mão, não conseguia rejeita-lo, apenas pude entrelaçar nossos dedos e não soltar por nada neste mundo.
Pegamos um taxi e já estavam entrando no show. Fazia tempo que eu não frequentava um lugar assim... Sentia olhares tanto para mim, quanto para Lupus. Ele largou minha mão e a pôs em minha cintura, me puxando mais pra perto dele.
– L-Lupus. – Fiquei um pouco envergonhada, e quando vi seu olhar raivoso para os caras que haviam olhado pra mim fiquei mais ainda. – Obrigado.
– Não vou deixar que te observem de forma tão repugnante. – Ele disse baixo, mas pude ouvir, e ficar ainda mais vermelha.
Entramos no show.
– Quer ficar lá na frente? Eu não sou fanático a ponto de querer ficar naquele vuco-vuco. – Lupus me perguntou ao pararmos na primeira grade que separava a pista premium da pista comum.
– Ainda bem que não. Eu prefiro ficar aqui só curtindo o som e de quebra ainda está fresco. – Disse sorrindo de lado a ele, que fez o mesmo.
O local do show era o Daegu Stadium*. Foi montado todo um enorme palco e a parte mais perto era a pista premium, tendo uma grade e atrás dela ficariam fotógrafos. Atrás desses fotógrafos havia outra grade que era a pista comum.
– Então ficaremos aqui. – Ele disse movendo um pouco sua mão que ainda estava em minha cintura, pondo seu dedão no passador do meu short.
– E-Ei, eu não vou fugir! – Disse um pouco envergonhada e quase o empurrava.
– Não vou deixar que fuja, nem que fique sozinha um minutos se quer. – Ele disse normalmente sério e depois de uns segundos notava seu olhar raivoso outra vez olhando pra caras que me fitavam.
– Não preciso de um guarda costas, eu consigo me defender sozinha. – Disse cutucando seu nariz e ele riu de lado. – Qual o nome da banda?
– One ok rock. – Ele respondeu e eu fiquei um pouco apreensiva. – Oque foi? – Ele se inclinou um pouco a minha face um pouco baixa.
– É que... eles são parecidos...
– Não vai rolar de novo. – Lupus disse levantando meu queixo com seu dedo indicador. – Eu vou dar uma surra em qualquer um que tentar se aproximar de você.
– Eu já disse que não preciso de guarda-costas. – Disse tirando seu dedo indicador do meu queixo. – Eu consigo me defender sozinha. – Sorri de novo, e olhei pra frente pois o show ia começar.
~
22:00
– Eles são muito bons! – Disse de cima dos ombros de Lupus, vibrando com aquela batida.
– Eles realmente tem um som legal. – Lupus gritou de volta pra mim.
– Quer descansar? Estou encima dos seus ombros faz mais de uma hora! – Gritei perto de seu ouvido.
– Acho que sim, você só parece leve. – Ele fez um rosto cínico e bati em seu ombro. Quase o acertei na cabeça, mas por sorte lembrei do seu ferimento a tempo de mudar o local do impacto.
– Seu panaca!
Ele se abaixou e eu desci, Lupus se virou pra mim e se levantava aos poucos, pondo suas mãos na grade atrás de mim e estando milímetros de distância. Ele chegava mais perto e arriscava um beijo, mas apenas batíamos nossos narizes, até que após nos olharmos por uns segundos Lupus juntou nossos lábios. Pegou em minha cintura e me beijava de forma normalmente rápida. Apenas segurava em seus braços, tentando ser levada por aquele beijo. Aquela solo de guitarra da musica acabou me deixando louca a esse ponto. Até que nos separamos por falta de ar.
– Lupus. – Tentei falar algo, mas ele tampou minha boca com um dos dedos.
– Lin, por favor não fala nada, não pergunta nada. Só deixa rolar. – Ele chegava perto outra vez e resolvi me render a sua ordem. Lupus segurava em minha cintura outra vez, caminhando com suas mãos em toda ela. Estiquei minhas mãos ao seu pescoço, afundando as mesmas com cuidado por seu cabelo sedoso e cor de chocolate.
O beijo ia ficando mais intenso a cada instante que se passava, mas éramos obrigados a nos largar tanto por estar em um local publico, quanto pela falta de ar. Mas não ficávamos separados por muito tempo, já que nossas bocas e corpos latejavam pedindo por mais.
Não sei como o show acabou, eu e Lupus ficamos do meio até o fim dele. Quando olhamos as pessoas saindo a nossa volta finalmente nos largamos e mesmo querendo mais não nos agarramos outra vez. Ainda ofegantes Lupus pegava em minha mão e me encaminhava junto a ele a saída.
– É, foi um show e tanto. – Ele disse se virando levemente pra mim.
– É... – Disse sorrindo de lado e olhando para ele timidamente, enquanto tocava nos meus lábios de certa forma cansados.
– Bom, agora você vai pra casa e eu vou jogar meu Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm Revolution. – ELE SÓ PODE ESTAR BRINCANDO!
– OQUE? NEM PENSAR! EU QUERO JOGAR! – Ele pareceu surpreso. – Que cara é essa?
– Ah, então foi você que zerou o jogo da ultima vez... Faz sentido. – Ele botava a mão no queixo.
– Não vai me enganar! Você sabia! E só comentou do jogo pra eu querer ir jogar na sua casa! Mas já vou falando que se tentar qualquer gracinha eu te corto em pedacinhos!... – Eu berrava e Lupus parecia segurar o riso. – E-Ei! Já disse que não me engana! Seu panaca!
– Eu não fazia ideia que você jogava, não vem com essa. – Ele disse depois de conter seu riso.
– Essa sou eu, fingindo que acredito. – Disse irônica, apontando para minha face com uma das sobrancelhas arqueadas.
– Desculpa nanica, mas você vai pra casa. – Ele disse chegando perto e bagunçando minha franja.
– Ah, não Lupus! A culpa é sua por me deixar com vontade de jogar! Por favor! Me deixa jogar com você! – EU ESTOU IMPLORANDO?
– Já ta tarde, sua mãe e até seu pai vão me comer vivo. – Ele disse dando de ombros.
– Eles estão bêbados! A essa hora já dormindo que nem pedra! Posso chegar em casa a hora que eu quiser e eles não vão notar que foi tão tarde. – Lupus arqueou as sobrancelhas. – Que foi?
– Que menina rebelde. – Rimos e bati no braço dele. – Ta bem, vamos pra minha casa jogar.
~
Eu estava delirando com aquele jogo! PERFEITO, PERFEITO, PERFEITO!
00:00
“Você recebeu 2 novas mensagens”
– Duas? Só me faltava essa... – Ia pegar meu celular encima da mesa de centro, mas Lupus o pegou antes. – Ei, me da logo isso, panaca!
– Eu não vou deixar que uma ordem estrague a noite. Continue a jogar. – Ele se deitou, pondo a cabeça em minhas pernas dobradas em borboleta no sofá.
– Sai daqui, folgado. – Disse o empurrando com o pé.
– Eu não aguento mais, Lin. – Ele disse se sentando do meu lado e pausei o jogo, curiosa.
– Oi?
– Precisamos conversar. – Lupus chegou perto e me beijou, pondo sua mão direita em minha cintura e sua esquerda em minha nuca. Puxava-me mais e mais para si enquanto pedia passagem com sua língua, oque cedi depois de uns momentos. Quando eu ia parar o beijo, ele parou centésimos de segundos antes.
– Lupus! – Bati em seu braço. – Não faz isso tão de repente e quando bem entender, seu imbecil. – Disse virando pro lado, totalmente ruborizada. – Se tentar mais uma gracinha eu vou embora!
– Lin, se você não me deixar te beijar agora eu sou capaz de surtar. – Me virei pra ele ainda mais envergonhada. – Você me pegou de jeito no meu próprio jogo. – Ele pôs sua mão direita em minha face. – Droga, eu não consigo nem transar sem pensar em você. – De vermelha devo ter ficado roxa de vergonha. – Eu quero você, Lin. Eu quero você de todo jeito. – Ele disse encostando sua cabeça em meu ombro direito.
– E-Eu não sei lidar com isso. – Disse e ele voltou a me fitar de frente. – Ninguém nunca disse isso pra mim... – Disse mais baixo, abaixando minha cabeça.
– Essa é a hora que você diz que também me quer. – Ele levantou minha face.
– Eu...tenho sentimentos por você, não sei se é desse mesmo tipo que o seu, mas eu tenho. – Disse olhando levemente pro lado. – Não lembro desde quando, mas quando estou perto demais de você eu fico envergonhada, eu gosto de ficar abraçada com você, sinto raiva quando qualquer outra chega perto de você e não a deixa pra lá pra ficar perto de mim e da Kyuubi...Eu sinto uma dor. Uma dor aqui no peito esquerdo. – Disse tocando em meu peito, chorosa. – À duas semana atrás eu nem imaginava que estaria tão perto de um homem assim. Mas não me sinto mais estranha por isso. Pelo contrário. Eu gosto de estar perto de você.
– Podia ter simplificado isso tudo e dito só um “eu gosto de você”. – Ele riu de lado e fiquei envergonhada.
– E... você? – Perguntei segurando minhas pernas dobradas em frente a minha boca.
– Você está exigindo demais de uma pessoa que nunca se apegou a nenhuma relação. – Ele coçou a cabeça. – Ai vou eu. – Fez aquele rosto sexy, me fazendo corar. – Você é a primeira garotinha que eu respeitei a ponto de chamar de mulher. Tinha dito a mim mesmo que não ia me envolver com você por ser complicada demais. Mas quando se importou tanto comigo no dia da minha ordem fiquei surpreso, você chorou por mim, mesmo não conseguindo abraçar um homem, me convenceu a pintar o cabelo, pondo também o seu maior trauma exposto. Isso tudo por uma pessoa que você nem falava uns quatro dias atrás. E esse seu rosto ingênuo, inocente e chorão me faziam querer cuidar de você. Mesmo dando uma de bem feitora e forte, você é frágil. – Ele abaixou sua face e riu. – Tentei beija-la de novo pra ver se não era só isso que eu queria, mas não, continuava a pensar em você todo instante. Até mesmo hoje, que ficamos a todo tempo no meio do show ainda não me sinto saciado. Quer dizer que eu não quero só ficar com você. – Ele disse pegando em meu cabelo e o cheirando. – Notei que eu conseguia distraí-la sempre que a irritava, assim tentava sempre ficar perto de você. Um exemplo foi quando você estava chorando demais por causa do Azin, isso me irritava. – O Lupus estava com ciúmes? – E como eu pensei, te dando aquele chupão consegui te acalmar. – Ele sorriu. – Além de ter conseguido por a minha marca em você. Porque você é minha. Só minha. – Corei e ficava um pouco constrangida com a sua aproximação.
Ele me deu beijos no pescoço, descendo um pouco e parecia me dar um chupão mais abaixo. Segurei em sua cabeça e respirava fundo, aquela era uma sensação que eu nunca havia tido.
– Me deixe marca-la mais. – Ele desceu a minha barriga, levantou um pouco minha blusa e fez o mesmo. Desceu a minha coxa, me olhando daquela forma sexy e fez o mesmo. Veio até minha face, segurando em minha nuca e ainda com aquele rosto sexy mais sua voz rouca, pronunciou: – Seja só minha, Lin. Diga que é só minha.
– Ah...Lupus... – Não deixando eu terminar de falar, arriscava um beijo, mas ia a minha orelha e me dava leves mordidas na mesma, logo indo a minha boca outra vez e finalmente depositando um beijo em meus lábios. Pus minhas mãos em seus ombros, se esticando até seu pescoço enquanto ele descia sua mão a minha cintura. Sem que eu percebesse ele me deitou e ficava por cima de mim, com suas duas mãos entrelaçadas em minha cintura.
Eu não queria larga-lo.
Desceu uma das mãos até minha coxa direita, levantando-a e fazendo encostar em sua blusa, a levantando levemente e tocando sua pele. Me envergonhei, porém não repeli-o. Nos separamos por falta de ar, mas logo ele voltou a me beijar, com suas mãos de volta a minha cintura. Ele ficava mais rápido e mais ousado subindo suas mãos por dentro de minha blusa.
– Lupus. – Pus a mão em seu peito e ele se sentou, logo fiz o mesmo. – Eu não quero me magoar. – Disse olhando pro lado. – Sinto que a qualquer momento você seria capaz de parar e me deixar pra procurar por outra garota oferecida da escola. Se for desse jeito eu prefiro que não se envolva comigo e... – Ele pegou em minha boca a apertando, me fazendo fazer biquinho.
– Como você é estranha! – Ficava sem entender. – Eu acabei de dizer que queria você só pra mim, quer dizer que eu seria todo seu, sua idiota. – Ele largou a minha boca e pareceu ficar constrangido. – Eu nunca me declarei antes, tá? Esse foi o melhor que eu consegui fazer! Não consigo tirar da minha boca um “Eu te amo” ou “Seja minha namorada”. – Corava e segurava o riso. – O máximo que consegui foi um “Eu quero você” e “Seja só minha”. – Ele terminou de falar e bufava.
Comecei a rir e ele ficou mais constrangido ainda.
– Seu panaca. – Disse o abraçando. – Se é assim, também quero você e sou só sua. – Eu ri. – Podia rever as coisas que fala. De fofo passou pra um completo pervertido ao trocar essas palavras. – Disse rindo mais dele.
– Para de rir, me sinto idiota. – Ele disse me deitando e ficando por cima de mim.
– Kya. – Acabei dando um gritinho e ele me olhava daquela forma maliciosa. – N-Não me olha assim, pervertido!
– Ah, eu olho sim. – Ele disse rouco e voltou a me beijar. Esticava minhas mãos a suas costas enquanto ele descia sua mão direita sobre minha coxa, retirando minha meia calça, e logo fez isso com a esquerda. Não me sinto nervosa, pelo contrário, me sinto feliz.
Com a mão em suas costas puxei sua blusa, a retirando. Tudo sem largar de seus lábios viciantes. Lupus subia suas mãos outra vez, passando-as pela minha blusa e a tirando. Eu segurava meus seios ainda com o sutiã enquanto Lupus me observava com olhos devoradores.
– Eu não estou te obrigando a nada. – Ele disse me dando um selinho no canto da boca enquanto eu estava imóvel. – Não é excitante se estiver fazendo contra sua vontade ou com medo.
– Não estou fazendo contra a minha vontade, e nem com medo. – Disse com olhos cheios de lágrimas. – Eu estou com vergonha. – As lágrimas caíram de uma em uma.
– Vergonha de que, sua estranha? – Ele perguntou calmo, enquanto se sentava e me puxava pra abraça-lo.
– Vergonha de você não ser o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro e nem o quarto! Isso é humilhante... – Disse abraçando-o pelo eu pescoço. – Desde aquele dia me senti uma puta, nenhum garoto que falava comigo quis se aproximar mais. Nenhum homem sabendo disso queria estar perto de mim. Nenhum homem era capaz de me amar. – Chorei mais forte.
– Eu sou. – Perdi as forças nos braços e me soltei de seu pescoço aos poucos. – Eu te amo, Lin. Eu te desejo. Eu sou seu e você é minha, simples assim. E eu sou o primeiro da sua vida SIM. – Ele limpava minhas lágrimas. – Não sinta vergonha por algo que não importa. Oque importa é o nosso agora, o nosso hoje, o nosso amanhã. Mesmo que ambos não sejamos mais virgens, é SIM a nossa primeira vez.
– Lupus... – Ele me deitava outra vez, enquanto beijava a extensão de meu pescoço até minha orelha. – Eu te amo. – Disse o abraçando e tentando parar de chorar.
– Para de chorar. O seu sorriso é lindo. – Ele falou me fitando. – Sorria pra mim. – Limpei as lágrimas e aos poucos abri o sorriso mais imenso que poderia dar. – Perfeita. – Fiquei um pouco vermelha. – Agora põe o dedo na boca e me chama de senpai. – Eu ri com aquilo.
– Porque todo mundo tem essa tara por ser chamado de senpai? – Não conseguia parar de rir.
– Eu não tenho. Só queria te fazer rir assim. – O abracei mais forte enquanto tentava parar de rir.
– Panaca. – Disse beijando o seu pescoço e o senti tremer um pouco. – Não acredito que achei uma zona proibida de Lupus Wild. – Beijava mais o seu pescoço e ele não falava nada. Dei-lhe um chupão.
– Arque com as responsabilidades agora. – Ele disse rouco em minha orelha. – Fiquei animado. – Corei, mas logo o puxei pra voltar para me beijar. Lupus desceu suas mãos até meu short e o desabotoou, tirando-o aos poucos e o jogou em algum local da sala. Ele me pegou pela cintura e se levantou do sofá, entrelacei minhas pernas em seu tanquinho definido e deixei que me levasse pra onde quer que fosse. Só não poderia largar dos meus lábios.
Me senti imprensada em uma porta, enquanto ele a abria. Entramos no seu quarto e ele fechava a porta, me imprensando novamente nela. Senti-o caminhar com sua mão até meus seios, e no momento em que ele desabotoou-os na parte da frente, dei-lhe uma mordida nos lábios. Senti-o sorrir antes de voltar a me beijar e com suas mãos apalpar ambos os seios.
– Ah... – Acabei deixando escapar um gemido abafado e senti-o rir outra vez. Deixando meus lábios de lado e indo a meu seio esquerdo, o mordiscando levemente enquanto olhava pra minha face completamente excitada. O puxei de volta a minha face e ele começava a nos deslocar pelo seu quarto com um doce perfume amadeirado no ar. Ele me jogou em sua cama e segurava meus seios, fazendo o rosto mais inocente que podia.
– Lin, Lin... – Ele disse rouco e sorrindo maliciosamente a mim. Retirava sua calça e logo que o vi com sua cueca box negra me abanava com uma das mãos. Lupus Wild é uma perdição!
Não é a toa que todas queriam um pedacinho dele, porém não contento com migalhas. Lupus Wild é todo meu! E o devorarei sempre inteiro.
Ele se jogou encima de mim em meio a minhas pernas e voltava a me beijar. Pegava em uma das minhas pernas a levantando para si enquanto eu esticava minhas mãos por todo os seus tríceps e suas costas, fazendo questão de os arranhar. Senti a mão de Lupus descendo por toda a minha barriga e dei um pequeno gemido sentindo que havia chegado lá. Lupus me penetrava com dois de seus dedos, fazendo movimentos em vai e vem, que todo o meu corpo seguia o ritmo. Ao tirar suas mãos de lá, passava a língua sobre um dos dedos com um rosto nitidamente sexy. Mordi meu lábio inferior. Lupus Wild me excitava cada vez mais.
Ele desceu até chegar em minha intimidade, já molhada e retirou minha calcinha com seus dentes. AI. MEU. DEUS. Ele subiu novamente, e me dava longos selinhos, até que se esticava a sua cabeceira e de lá retirou uma camisinha, pondo-a na boca e quando chegou em frente e mim mordi seu outro lado rasgando a embalagem. Ele sorriu de lado, ainda com aquela camisinha na boca. Oque o deixava ainda mais sexy.
Lupus Wild não é uma simples perdição. Ele é a completa perdição!
Sem deixar de me fitar daquela forma que dava agua na boca, Lupus retirava sua cueca. Segurei suas mãos e ele ficou confuso. As tirei de lá e eu mesma retirei sua cueca, sem deixar de fita-lo da minha forma mais sexy. Peguei a camisinha em sua boca com a minha e a abria, esticando minhas mãos até seu órgão exposto e a pus no mesmo.
– Isso garota. – Ouvi-o sussurrar ainda com um delicioso sorriso de lado.
Lupus voltou a me beijar fortemente e me sentia ansiosa sentindo seu órgão roçar em minha entrada, era uma tremenda sensação de desespero.
– Vá Lupus. – Disse em um suspiro entre beijos.
– Oque? – Ele mordiscava minha orelha.
– Não se faça de idiota, vá Lupus, vá logo. – Disse ainda mais desesperada.
– Peça com jeitinho. – Esse idiota.
– Lupus Wild, faça! Faça amor comigo! – Senti-o me penetrar no mesmo instante e respirava fundo, sentindo suas pequenas estocadas se aumentarem, até que ficávamos em completa sintonia. Ele pegava fortemente em minha bunda, enquanto eu arranhava sem dó suas longas e largas costas definidas. O beijava sempre que possível para abafar meus altos gemidos.
Não percebia o tempo passar, mas Lupus ainda não havia se despejado dentro de mim. Eu tinha que fazer alguma coisa.
O joguei para o lado e fiquei por cima do mesmo, oque o surpreendeu. Após uns segundos o fitando, comecei a me movimentar, primeiro de vagar, mas logo aumentava minha velocidade e cavalgava acima de Lupus, que segurava em meus seios, passando as vezes para minha bunda me ajudando no processo.
– Lin, eu vou... – Ele ia se levantar, mas o impedi.
– Não. – Mordia meu lábio inferior, dando uma ultima cavalgada e sentia-o se desfazer em um segundo.
Ofegante, cai ao seu lado e ele retirava a camisinha de seu órgão.
– Lin... – Ele também estava ofegante.
– Sim.
– Está de parabéns. – Ruborizei, mas logo fui novamente pra cima dele e o beijava de vagar.
– Lupus...
– Sim.
– Você é uma perdição. – Ele sorriu de forma maliciosa e entendi aquilo como um “quer mais?”.
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