Ousama Game

7 São ordens realmente absolutas?


Notas iniciais
O fim está próximo! Ou apenas o começo ? Boa leitura

03:00

Levantei-me da cama sem acordar o Lupus e peguei uma blusa dele que estava no chão, pondo de volta minha calcinha e voltava a me deitar em sua frente.

– Tenho que te levar pra casa. – Ele sussurrou ainda com os olhos fechados, apenas acariciando meu cabelo.

– Não queria te acordar, desculpa. – Sussurrei de volta e ele abriu os olhos, chegou mais perto e me deu um selinho demorado.

– Vamos logo. Antes que eu não queira te soltar mais. – Ele disse passando sua mão que estava em meu cabelo para minha cintura, se pondo um pouco encima de mim enquanto me beijava mais.

– Vamos. – Disse o empurrando de cima de mim e saindo rapidamente da cama entes que me agarrasse outra vez. Eu que não iria querer sair dali.

Fui a sala tentando encontrar minhas roupas que Lupus jogou sabe-se lá onde e depois de uns minutos achei tudo. Pus minha blusa, meu short e quando estava pondo minhas meias Lupus chegou a sala pegando a blusa que também havia sido arremessada por mim em algum lugar dali.

– Lupus. – O chamei depois de observa-lo por sua blusa e esconder os seus, os meus, os nossos tríceps magníficos.

– Fala.

– Eu não estava brincando quando disse que você era uma perdição. – Disse normalmente séria e ele sorriu de lado.

– Eu não achei que estivesse brincando. – Ele respondeu de forma superior.

– Convencido. – Joguei uma almofada nele. – Me perguntava agora se só eu acharia isso. Com a sua fama, com certeza não.

– Aonde quer chegar com esse papo? – Ele perguntou já sério e um pouco confuso.

– Você está mesmo disposto a recusar qualquer garota que for, pra ficar só comigo? – Perguntei séria.

– Eu tenho mesmo que repetir que estou totalmente louco por você? Não preciso de nenhuma outra, sua estranha. – Ele disse chegando perto e estendeu sua mão para me levantar do sofá.

– Panaca. – Sorri e peguei em sua mão.

– Vamos de moto, a essa hora não tem problema. – Ele pegou um capacete e deu pra mim, segurando o outro junto as chaves em sua mão.

– Não sabia que tinha uma moto. – Disse subindo atrás dele.

– Eu sou uma caixinha de surpresas. – Ele respondeu acelerando sua moto e fomos até minha casa.

Chegamos e Lupus estacionava a moto na calçada ao lado do prédio, inclinando-se nela.

– Acho melhor ir, o porteiro noturno é um pouco fofoqueiro. – Disse a Lupus, vendo que havia o pior porteiro de plantão naquela hora no prédio.

– Eu não ligo pra oque ele vai falar. Você liga? – Lupus perguntou com sua voz rouca e me puxava pelo passador do short, fazendo-me colar completamente em seu corpo.

– Não, mas sei lá... – Disse um pouco envergonhada com a situação. Ele dava pequenos beijos no meu pescoço sem dizer nada, até que vinha a minha boca e depositava um beijo sobre ela. Sua língua pedia passagem, a cedi fazendo o mesmo e notava as coisas ficarem quentes outra vez. – Tchau Lupus. – O larguei e corri até a entrada do prédio e ele veio atrás de mim me beijando de novo.

– Eu vou com você até lá, não me impeça. – Ele disse e eu revirei os olhos cedendo a condição.

Entramos no elevador.

– Isso é tentador. – Ele comentou olhando pra cima, com seu braço direito em meu pescoço.

– Oque? – Perguntei confusa.

– Tenho muitas fantasias sexuais. Uma delas é transar num elevador. – Ele olhou pra mim com um rosto sugestivo.

– Nem pensar! – Dei uma cotovelada em sua barriga e ficava completamente vermelha. – E-E já digo que não vamos fazer isso todo dia! Eu não sou movida a sexo que nem você, seu panaca pervertido! – Disse me afastando um pouco.

– Quer que eu morra? Sou movido a isso. – Ele disse pondo sua mão na parede do elevador que eu me encostava, com aquele rosto extremamente sexy.

– Vai morrer então. – Disse de bico, completamente vermelha e depois o elevador se abriu. – Até amanhã, eu acho. – Dei uma joelhada em seu saco e ele se contorcia dentro do elevador enquanto eu saia.

– Não...faça isso...com meus filhos... – Ele sussurrava com dor.

– Também te amo. – Apertei o botão para ele descer até o térreo e batia na minha porta de vagar. Se minha mãe bebeu mesmo ela não vai acordar... Espero estar certa.

– Lin! Fiquei preocupada com vocês. – A Senhora Wild abriu a porta já me pondo pra dentro. – Liguei várias vezes para você e para o Lupus! Porque não atenderam? – Ela parecia mesmo preocupada.

– D-Desculpe preocupa-la, Senhora Wild... – Disse um pouco envergonhada. – O Lupus tinha pegado o meu celular e... – É verdade. Ele havia pegado o meu celular para que eu não visse a ordem.

– E...? – Ela queria o resto da explicação.

– Não sei se ele fez de propósito, mas acabamos zerando um jogo novo do x-box dele em apenas 6 horas. Pode me glorificar. – Disse de forma feliz pra tentar conseguir engana-la. Ela segurou um pouco o riso e logo suspirou. Pôs as mãos nos meus ombros.

– Eu conheço o meu filho, Lin. – Ela disse segurando o riso de novo. Q-Que vergonha. – Não se preocupe, eu respeito o espaço de vocês.

– N-Não é nada disso...! – Tentei reverter a situação, mas achei melhor não falar mais nada.

– Sua mãe e seu pai beberam bastante e dormiram cedo, para sua sorte. Posso falar que chegou às onze horas, mas não se acostume com isso hein. – Ela disse apontando o dedo em minha face e apenas assenti ainda envergonhada.

– O-Obrigado, senhora Wild. – Disse tensa e ela sorriu meigamente. Isso me lembra... – D-Desculpe perguntar, senhora Wild. Mas... porque acha que é uma péssima mãe? – Tinha que perguntar isso. Não aguentava mais ficar encucada dessa forma. Ela tinha um rosto tenso e suava frio. – Tá tudo bem, senhora Wild? – Perguntei um pouco preocupada e ela deu um sorriso triste.

– Lupus foi fruto de uma gravidez indesejada. Desde o início eu não fui uma boa mãe. Recusava olhar nos seus próprios olhos durante muito tempo... Fui uma “boa mãe” por obrigação, porém fiz coisas imperdoáveis ao meu próprio filho. – Ela dizia com os olhos cheio de lágrimas.

– Desculpe faze-la se lembrar dessas coisas, senh...

– Ele nunca se deixou levar pela falta de amor da própria mãe. Até hoje ele me trata como se nada tivesse acontecido. – Ela parecia sorrir com vontade agora. – Não sei quando vi que o problema era eu mesma, e não o Lupus... – Ela baixou seu olhar, o deixando sombrio. – Porém é tarde demais pra umas coisas. – Disse baixo, mas pude ouvir.

– Senh...

– Vá logo tomar seu banho e dormir, mocinha! – Ela disse me virando e dando tapinhas na minha bunda.

– T-Tá. – Fui ao meu quarto.

– Gostaria de um lanche? Prepara um sanduiche para você enquanto se banha. – Ela perguntou normalmente feliz, como se não tivéssemos conversado sobre algo tão triste. Ela e o Lupus são extremamente estranhos.

– Não obrigado. – É a melhor qualidade dos dois.

Tomei um banho demorado e quente, sentindo a mesma sensação de estar com o Lupus mais cedo. Terminando o banho estava prestes a por minha camisola, até que notei os chupões em quase todo meu corpo. E-Eu havia esquecido completamente deles! Me desesperava e ao mesmo tempo corava vendo todos os hematomas que tinha em meu corpo... Não tinha só chupões, mas também marcas roxas de tanto que me apertava com suas mãos e arranhões de suas unhas um pouco grandes. Essas eram as marcas dele. As marcas que provam que sou sua. Eu sou do Lupus.

~

18 de outubro, sábado. 13º dia de jogo.

09:20

Pus meu celular para despertar às 9, não poderia mostrar que cheguei tão tarde aos meus pais.

Tomei um banho e escondi as marcas de chupão em meu pescoço com uma base que achei no estojo de maquiagens da minha mãe.

Foram enviadas 3 mensagens ontem à noite...até agora não havia visto elas. Era a hora.

00:00

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: De todos os participantes, você simplesmente é a que eu mais odeio, Lin. Intrometida, irritante com esse papinho de "união", dando uma de detetive e pondo sua fuça onde não deve, tenta contornar as situações de clímax do jogo!... Você é irritante demais. Terei o imenso prazer de lhe matar lentamente quando chegar a sua vez.

O Rei está estressado. Tenho que extravasar minha raiva de alguma forma, não concorda?

Hoje matarei uma pessoa porque sim, e se reclamarem matarei duas!

– M-Maníaco! — Droga... estou preocupada. Uma pessoa morreu...por culpa minha...?

Olhei a próxima mensagem.

00:00

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Ordem 12;

A 15º participante deve transar com um homem em menos de uma hora.

Morra.

O...que? Isso...

Não consigo pensar. Não consigo agir. O Lupus se declarou pra mim pra cumprir a ordem...? N-Não...

00:40

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Obediência confirmada!

... Holy...oque eu faço...?

Para: Lupus

Assunto: (Nenhum)

Mensagem: Você é o pior.

~

12:00

– Lin, está tudo bem? Vamos, saia desse quarto, o almoço está pronto. — A minha mãe batia na porta, mas não queria me mexer. Recebi uma mensagem no celular, mas não queria me mexer. O celular que o Sieghart me deu tocou, mas não queria me mexer.

Estou entrando novamente na escuridão? Porque... Porque Holy?

– Abre essa porta. — Ouvi batidas altas na porta. — Sua estranha. — Tudo clareou. Só de ouvir a voz dele me sinto melhor, e ao mesmo tempo pior. — Prefere que eu arrombe a sua porta? — Não sei porque, mas senti que ele faria aquilo.

Me levantei de vagar da cama e abri a porta, dando de cara com Lupus.

– Vem. — Ele pegou em minha mão e me puxava até a sala.

– M-Me larga. — Não tinha forças nem pra repeli-lo.

– Desculpem por incomoda-los tão cedo, senhor e senhora Myo. — Ele soltou meu braço, abaixando sua cabeça aos meus pais sentados no sofá. — Desculpe ser tão egoísta, mas eu peço a permissão para namorar a sua filha. — Meus olhos arregalaram, enquanto os do meu pai quase se fechavam de raiva e os da minha mãe brilhavam.

– Hãm? — Olhava para Lupus e depois pros meus pais como se não tivesse entendido oque estava havendo.

– Lin... — Meu pai começou a falar e o olhei, ainda com um rosto surpreso. — Você...gosta desse rapaz? — Foi pouco, mas vi lágrimas fundas nos olhos do meu pai. Assenti sendo contagiada pela vontade de chorar.

– Gosto. — As lágrimas caiam junto a um pequeno sorriso. — Eu gosto muito dele, pai. — Meu pai se levantou e me abraçou.

– Q-Que bom Lin, que bom... — Eu sentia em suas palavras a vontade de chorar. Ele estava chorando comigo. Minha mãe se levantou e nos abraçou, parecia muito feliz.

Olhei pro Lupus e ele sorria de lado para mim. Como eu pude duvidar dele? Desculpe Lupus.

Passaram-se uns minutos e meu pai parecia se recompor, parando de me abraçar. Nunca me esquecerei desse rosto que ele fez a mim. Parecia mais que feliz. Parecia liberto. Tirando um peso imenso das costas, saindo de uma caverna escura, iluminado. Realizando seu sonho. O sonho que eu mesma achei que nunca poderia realizar. Esquecer-me do ocorrido de dois anos atrás e seguir em frente. Seguir em frente com um homem que eu ame. Lupus Wild.

– Filha, eu estou orgulhosa de você. — Minha mãe disse mais que feliz.

– Desculpe por demorar tanto, mãe. — Sorri de volta pra ela e logo voltamos ao normal.

Meu pai voltou ao normal...

– Agora o meu assunto é com você. — Botava o dedo na face de Lupus, que ficava tensa. — Quem pensa que é para vir assim tão de repente e pedir a minha filha em namoro? Não pense que porque ela disse que gosta de você que vou deixar fazer oque bem entender com a minha filha, ouviu bem? — Lupus assentiu um pouco assustado. — Ouviu bem? — Falou mais alto.

– S-Sim senhor Myo. — Lupus disse tenso e meu pai o olhava mais que sério.

– Assim que se fala. — Meu pai deu uma batida mais que forte nas costas de Lupus que deu um pulo. Meu pai sorriu e Lupus olhou pra mim ainda mais assustado. Segurei o riso junto a minha mãe.

– Venha almoçar conosco, Lupus. — Minha mãe o puxou até a mesa, onde a senhora Wild observava tudo que ocorria em silêncio.

– Nunca achei que veria meu menininho virar um homem dessa forma. — Ela comentou com os olhos brilhando.

– Mãe... menos. — Ele disse se sentando na mesa, nitidamente envergonhado e me sentei do seu lado, ainda segurando o riso olhando pro seu rosto. — Para de me olhar assim. — Ele comentou ainda incomodado com a situação, o que me fazia querer rir ainda mais.

Senti Lupus por sua mão em minha coxa, subindo um pouco a minha blusa. Ele havia deixado o rosto envergonhado, estampando um malicioso oculto. Só eu saberia desvendar aquele olhar. Sorri de lado e estiquei minhas mãos até sua coxa, mas dei um soco em seu saco.

– AAAH. — Ele gritou um pouco alto.

– Tudo bem, rapaz? — Meu pai arqueava as sobrancelhas.

– Tá...tudo...ótimo. — Ele dizia enquanto protegia seu órgão com uma das mãos, um pouco trêmulo. Dessa vez não segurei o riso.

Eu ri ainda mais que ontem no hospital. Eu estou feliz.

Sinto-me quase digna de ser portadora desses cabelos brancos. Estou em um tom dourado.

Logo vi que todos a minha volta também riam. Minha mãe ria, meu pai ria, a senhora Wild ria, até mesmo o Lupus ria. Eu ria.

~

Naquela tarde tivemos uma conversa franca com meus pais. Falamos como nos conhecemos, e como ficamos juntos (Quase metade do que dizemos era verdade). Meu pai disse os dias em que podíamos namorar. Quarta, sexta, sábado e domingo. Mas prevejo que não obedeceremos meu pai nisso... Qual é? Nos vemos todo os dias!

Fui ao meu quarto ver o celular de Sieg. Ele havia me ligado e eu nem se quer atendi.

– Seu pai é tão estranho quanto você. — Lupus disse entrando no meu quarto e fechando a porta atrás de si.

– Já vai vacilar no primeiro dia de confiança dos meus pais, Lupus? — Disse me sentando na minha cama.

– Seu pai teve que sair, o trabalho o chama. — Lupus comentou chegando perto e se sentou do meu lado.

– E nossas mães...? — Perguntei já sabendo a óbvia resposta.

– Devem estar atrás da porta tentando nos ouvir. Sua mãe me deu a liberdade de ficar aqui até seu pai voltar. — Ele respondeu e olhou pra mim.

– Oque foi? — Fiquei um pouco incomodada, ruborizando.

– Estou aqui faz horas e não tive chance de te beijar. Sabe o tamanho da minha sede agora? — Ele disse e chegou perto beijando meu pescoço e subindo ao meu ouvido como de costume.

– Problema seu, não terá nada a mais que um beijo. — Disse passando meus braços pelos seus ombros e o abraçando.

– Que tal quatro vezes na semana? — Ele falava enquanto me dava pequenos selinhos nos cantos de minha boca.

– Cala essa boca Lupus, vai ser quando tiver que ser. — Cheguei mais perto e ele me beijou, passando uma das mãos em minhas costas e a outra repousava em minha coxa.

O celular que Sieg me deu tocou.

– E-Espera um pouco Lupus. — Disse tentando desgrudar dele, mas o mesmo não ajudava. — Sai Lupus. — Disse o empurrando e rindo, pegando o celular na gaveta da escrivaninha e atendendo em pé.

– Lin, você tá bem? — É lógico que era o Sieg, e pelo tom parecia preocupado.

– Sim, estou muito bem. — Disse e senti Lupus atrás de mim querendo ouvir a conversa. Logo ele me abraçou por trás para disfarçar.

– Quando recebi a mensagem do Rei a meia noite achei que você seria a próxima, fico feliz que conseguiu cumprir a ordem.

– Eu confesso que não vi a ordem. Só hoje de manhã. — Disse rindo um pouco.

– Tem certeza que ta bem, Lin?

– Sim. Por quê?

– Você está rindo mais que o normal... Na verdade acho que nunca vi você rindo. — Ele tinha razão.

– É. Acho que estou feliz. — Disse abraçando um dos braços de Lupus com a mão livre.

– Agora eu acredito no mito "Mau humor significa falta de sexo".

– Sieg! — Disse um pouco alto enquanto corava.

– Isso é verdade no caso das mulheres. — Lupus disse alto suficiente para Sieg ouvir.

– Opa, parece que estou atrapalhando algo. — Podia imaginar o olhar pervertido de Sieg do outro lado.

– N-Não é nada disso...! — Me desesperei um pouco.

– Depois nos falamos, Lin. Curta sua felicidade antes que a perca futuramente. — Ele disse frio.

– Ei, como assim...? — Ele desligou.

– Não sabia que tinha toda essa intimidade com o Ercnard. — Lupus disse sentando na minha cama, me levando junto a ele.

– Eu sou uma caixinha de surpresas. — Disse virando-me de leve a ele e dando língua.

– Eu odeio quando faz isso. — Ele disse bufando.

– Eu sei. — Ri da cara dele até que me calou com um beijo avassalador e foi assim até minha mãe bater na porta para avisar que meu pai estava chegando. Já eram 6 da tarde.

– Tchau mãe, tchau Senhora Myo. — Lupus beijou a testa de sua mãe e a mão da minha. Olhando de longe ele parece um cavalheiro. Bem de longe.

– Tchau filho. — A Senhora Wild disse de volta a ele. — Vá com cuidado.

– Vou leva-lo até a portaria. — Disse a minha mãe, que me olhava com uma face tão cômica que não conseguia identificar oque queria dizer.

– Pelo menos volte antes do seu pai. — Ela disse rindo para nós dois. E quando sai pude ouvir um comentário que respondeu oque sua face anterior significava "Esses dois não ficam cansados de beijar? Passaram quase 5 horas dentro daquele quarto".

Eu segurava o riso. Isso é verdade, ficamos 5 horas no meu quarto nos confortando, beijando, conversando, beijando, discutindo, beijando, brincando, beijando, debatendo, já disse beijando? Nunca fui tão viciada em lábios, como estou viciada agora pelos do Lupus. Tive a pequena impressão de que se minha mãe não tivesse nos chamado, ainda estaríamos lá. Nos beijando.

– Meus parabéns por conseguir toda essa confiança ao menos da minha mãe. — Tive que comentar enquanto entravamos no elevador.

– Eu consigo dar uma boa impressão quando quero. — Ele disse me olhando com aquele olhar que só ele sabe dar. Normalmente sério, porém com um sorriso oculto e extremamente sexy.

– Hoje o dia passou tão rápido... E ao mesmo tempo tão devagar. — Disse sorrindo de lado, olhando pro nada.

– Tive a mesma impressão. — Olhei pra ele e tinha a mesma face que eu. — Sobre a ordem...

– Não. — Disse pondo o dedo indicador em sua boca, o calando. — Não fala de ousama game. Amanhã conversamos sobre, mas hoje não. — Disse num suspiro. O dia estava perfeito demais pra ser estragado com esse jogo.

– Tem razão, desculpe. — Ele disse sorrindo de lado e logo chegou mais perto, me pondo na parede, segurando na mesma com uma das mãos. — É a primeira vez que faço isso, então não seja tão cruel nas críticas. — Ele retirou um cordão de seu bolso traseiro. Parecia um talismã. Era redondo, com um lobo em seu centro, segurando um anel em sua boca. Como portas de casas mal assombradas de filmes. — Eu não sei por que, mas quando vi esse cordão no caminho para cá hoje pensei em você. — Ele esticou-o em minha face.

– Ele...é lindo. — Disse dando um pequeno sorriso. Era realmente bonito, e foi o Lupus quem me deu. — Bote em mim? — Disse me virando e segurando o cabelo para que ele conseguisse por.

Passou suas mãos pelo meu pescoço e o pôs. Logo senti sua aproximação e senti sua mão direita segurar em meu queixo, enquanto recebia um beijo gelado no pescoço. Segurei em seu cabelo, o acariciando até que a porta do elevador se abriu.

– Tchau Lin. — Ele disse dando-me um beijo na testa, saindo do elevador.

– Tchau... panaca pervertido. — Disse após sair da minha hipnose, vendo-o se afastar até a saída do prédio.

Subi pensando nesse dia que nunca havia imaginado que teria. Mesmo sendo um pervertido o Lupus sabe como agradar uma garota, por mais que eu não exija muito dele. Sou tão nova quanto ele no quesito "namoro". Poupei-me de interrogatórios fugindo para o meu quarto, deixando minha mãe curiosa sobre tudo. Deixa pra próxima mãe, parece que agora que o Lupus não está mais aqui eu desejo descansar.

Acabei dormindo às 7 horas da noite.

00:00

Você recebeu uma nova mensagem

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Domingo é dia do Rei descansar, ainda mais quando o fim está próximo. Fiquem ligados, O-gamers.

"O fim está próximo"? Oque isso quer dizer?

Liguei para o Sieghart.

– Opa, só agora que acabaram? — Sieg disse rindo.

– Ha ha ha. Estou rindo por dentro, juro. — Disse irônica e envergonhada.

– Só estou sendo verídico. — Parecia segurar o riso.

– Geralmente as pessoas atendem falando "alô" não é? — Disse mudando de assunto.

– Não causei nenhuma intriga desnecessária, né? — Ele perguntou ignorando minha maneira de mudar de assunto.

– Não. O Lupus não é um ciumento compulsivo. E se é, soube disfarçar bem.

– E eu vou saber? — Sieg riu de novo.

– Não que eu tenha segredos com o Lupus, mas não disse nada sobre você. Afinal ele não perguntou. — Disse normalmente séria.

– Fez bem. Se ele soubesse que minha aproximação fosse por conta do jogo acharia que somos os reis. Sem falar que, você querendo ou não ele também é suspeito. — Sieg disse sério e com uma voz firme. — "Não que eu tenha segredos com o Lupus..." — Disse me imitando.

– Para! — Berrei envergonhada.

– Então estão juntinhos é? — Ele perguntou.

– N-Não é da sua conta. — Disse de bico.

– Tudo bem. Vamos ao assunto principal agora. — Finalmente! — Leu a mensagem da ordem, não é?

– Sim. E segundo o próprio Rei: "O fim está próximo". O que você acha disso? — Perguntei séria.

– Ou ele vai matar todos nós, ou o jogo vai terminar. Agora me pergunto quantos de nós seremos nesse final. — Ele se perguntou.

– Pensei o mesmo... — Ficamos uns segundos em silêncio. — Conseguiu alguma coisa?

– Sim. Como eu havia pensado, há uma câmera na parte interna do Daegu Fatima Hospital que só o diretor e dono do hospital conhecem. Consegui permissão pra ver as gravações do dia da morte do Dio, e nosso querido Rei se descuidou um pouco.

– Conseguiu ver quem é? — Perguntei ansiosa.

– Infelizmente não. Mas da mesma forma isso é uma prova pra por esse maníaco atrás das grades, se não no inferno. — Sieg disse sério.

– Deu pra ver algo como altura, fisionomia, se é homem ou mulher...?

– Era bem alto, mas podia estar usando uma plataforma. Usava roupas largas e parecidas com a do falso Rei. Esse cara é realmente muito chato. Foi descuidado, mas mesmo assim não se comprometeu tanto. — Sieg ria de raiva.

– É realmente muito chato. — Tenho que concordar. — Sieg, eu não sei se essa informação tem a ver com o jogo, mas me deixa encucada da mesma forma.

– Diga.

– Se lembra que os pais e nem parentes dos nossos falecidos companheiros de jogo se quer se mexeram?

– Sim.

– Uns dias atrás a Senhora Wild, mãe do Lupus, me disse "eu sou uma péssima mãe", me pediu para ficar perto dele, cuidar dele e tudo. Porque ela não poderia fazer isso? — Fiquei uns segundos em silêncio. — Na madrugada de ontem perguntei-a porque se considerava uma péssima mãe... Ela disse que sempre odiou o Lupus por ser uma gravidez indesejada. E que foi por esses tempos que ela viu que a errada era ela mesma e o Lupus não tinha culpa. Depois de me falar isso ela sussurrou: "Porém é tarde demais pra umas coisas". — Novamente fiz silêncio por uns segundos. — Que "coisas"? Ela disfarçou pra não responder.

– Eu não havia pensado nisso até agora...

– Pensado oque?

– Não quero falar sem antes confirmar Lin, mas agradeço por essa informação. Acabou me lembrando de algo. Vamos fazer uma reunião amanhã? Com todos? — Então minha informação foi de alguma ajuda?...

– Tudo bem, eu mando uma mensagem coletiva para todos. Pode ser as 14h? Na sua casa?

– Sim, perfeito. — Ele disse parecendo com pressa.

– Bem, assim que se talvez conseguir outra informação me diga tá? Pode me ligar até no meio da noite que não terá problema.

– Tudo bem. Tchau Lin.

– Tchau. — Desliguei o telefone.

Escrevi a mensagem coletiva para mandar a todos.

Para: Arme, Elesis, Lass, Lire, Lupus, Mari, Ronan, Veigas, Zero.

Assunto: Reunião

Mensagem: Amanhã as 14h vamos todos nos reunir na casa do Sieghart para uma reunião. Conto com a presença de todos!

Pra quem não sabe onde é, endereço anexado aqui > [anexo: Endereço do Sieghart]

~

19 de outubro, domingo. 14º dia de jogo.

13:40

– Vamos? Acho que já chegaremos atrasados. — Lupus comentou quando abri a porta do apartamento para que me buscasse e fossemos a casa do Sieghart. — Boa tarde mãe, senhora Myo. — Ele as cumprimentou enquanto eu fui pegar meu celular no quarto.

– Vou indo mãe. — Disse dando-lhe um beijo. — Tchau Senhora Wild. — Nos retiramos.

– Boa tarde. — Lupus disse me imprensando na parede e dando-me beijos, segurei em seus cabelos e os aceitei.

– Boa. — Respondi quando paramos por falta de ar. — Vamos sem enrolação, Lupus. Se não vamos nos atrasar. — Disse o fazendo ficar tenso.

– Hoje é dia de namorar Lin, eles vão ter que entender. — Lupus disse fazendo um rosto malicioso e dei um suspiro cedendo aos seus beijos até que alguém ia entrar no elevador. Saímos e pegamos um taxi até a casa do Sieg.

– Finalmente hein. — Sieg brincou com a minha cara. — Só estava faltando os pombinhos. — Todos arregalaram seus olhos ao ouvir o comentário de Sieghart. Eu vou mata-lo depois disso. Mas de toda forma eles saberiam que estamos juntos, já até havíamos entrado de mãos dadas.

– Estava demorando pra traçar essa, Lupus. — Lass comentou frio.

– Ele não “traçou” ninguém aqui. Não se refira a mim como se fosse qualquer uma e você fosse superior de alguma forma a mim. — Respondi um pouco furiosa.

– Estar com o Lupus já é o suficiente de provas pra te considerar qualquer uma. — Ele disse com uma face sombria.

–S e a Lin fosse qualquer uma não estaria namorando com ela. — Lupus disse fitando Lass da mesma forma.

– Namorando...? — Lire ficou surpresa.

– Para tudo que eu quero descer... — Veigas comentou.

– Cadê a Arme? — Senti sua falta ao ver que ela não estava ali pra por jeito no Lass.

– Morta. — Lass respondeu e todos ficavam em silêncio. — Por sua causa.

– N-Não pode ser... — Comentei suando frio. Então foi a Arme?... — D-Droga.

– Pois é. Ela ia retirar os curativos e voltar a enxergar ontem. — Lass estava mais que furioso olhando pra mim. — Por sua culpa ela morreu! Sua desgraçada. — Berrou.

– Calma Lass. — Zero pegou no ombro de Lass, que o repeliu ainda furioso.

– Não toque em mim! Você não foi de nenhuma ajuda no dia da ordem da Arme. É tão igual quanto aquela desgraçada na minha frente. — Disse a Zero, se levantando e vindo até mim, mas Lupus entrou na minha frente.

– Lass, se acalma! — Ronan ia segura-lo por trás.

– Não vai tocar nela. — Lupus disse segurando minha mão em suas costas.

– Você está se divertindo, né? Você deve ser o Rei e vem com esse papinho de união! Você vai se ver comigo Lin, guarde minhas palavras. — Ele disse em frente a Lupus e depois foi pra trás.

– Lass... — Sieghart ia pegar em seu ombro pra acalma-lo, mas outra vez Lass repelia alguém.

– Não toquem em mim! — Ele disse e Sieg se distanciou.

– Vamos começar a reunião, então peço pra que guarde suas asinhas enquanto está dentro da minha casa. — Sieg disse olhando sério a Lass. — O rei pode ser a Lin, mas também pode não ser. Não aja sem que tenha certeza das coisas. — Lass bufou, o ignorando.

– Pra que essa palhaçada, Sieghart? — Mari perguntou ao mesmo.

– Não acho isso uma palhaçada, afinal o jogo está quase no fim. — Ele respondeu-a.

– Mari, me responda uma coisa. — Elesis falou e chamou a atenção de todos. — Se é tão forte como diz por que não ajuda quando necessário? Fica só quieta e olhando, isso me irrita.

– Não me sinto na obrigação de me envolver em coisas que não me dizem respeito. — Mari respondeu sem mudar sua face.

– Esse jogo diz respeito a todos nós! — Elesis respondeu se alterando, levantando de onde estava sentada.

– Se o Rei não comprar briga comigo, não comprarei com ele. Pra mim pouco importa esse jogo. — Elesis foi até a frente de Mari e pegou na gola de sua blusa.

– Escuta aqui, sua nerd...! — Elesis foi interrompida pela mesma.

– Escute aqui você. Eu não vou mexer um músculo até o fim. Fique ciente disso. — Mari disse e Elesis a largou, jogando-a para trás. — Eu não ligo pra nenhum de vocês.

– Eu vou matar essa desgraçada...! — Elesis chegava perto dela outra vez, mas Ronan a segurava. — Me larga, Ronan!

– P-Pare Elesis... — Lire falava nervosa.

– Ela não é um ser humano! Você ouviu oque ela disse? Ela não liga se nenhum de nós morrermos, nem mesmo se fosse na sua frente! — Elesis não parava de berrar.

– Para Elesis! — Ronan gritou sério para a mesma, que se sentou e ficou quieta.

– Podemos começar agora? — Sieg perguntou.

– Deve. — Disse o Lupus.

– Acabei notando ontem a noite que não nos conhecemos muito bem. Só o rei sabe tanto sobre nós. — Sieg começou a falar.

– Isso todos notamos. — Disse o Lass, ainda com uma face raivosa.

– Onde quer chegar? — Perguntou o Zero.

– Vamos contar sobre a nossa vida aqui e agora. — Disse o Sieghart, sério.

– Porque você não começa, Ercnard? — Perguntou Mari.

– Se é um pedido seu eu ouço e obedeço, Mari Ming Onette. — Ele disse de forma superior e Mari manteve seu rosto sem emoções. — Não tenho muitas coisas interessantes pra contar da minha vida. Mas vou confessar um segredo pra que fiquem cientes de que isso é sério. — Ele vai falar...? — Eu sofri um acidente no inicio do ano e fraturei a parte racional do meu cérebro, mas em vez de perder o raciocínio eu o aumentei. Meu teste de QI* foi tão elevado que quase cheguei a alcançar Albert Einstein* e Stephen Hawking* com meus 140 pontos. — Todos pareciam surpresos. — Vendo esse meu dom, o departamento de crimes não solucionados da polícia da Daegu se interessou em mim. Eu me tornei um detetive honorário. Agora mesmo eu estou com todos os casos envolvendo o Ousama game.

– Quer que acreditemos nisso? — Falou Elesis.

– Se quiser ver meu distintivo. — Ele retirou seu distintivo de dentro do casaco e deu na mão de Elesis.

– Tá zoando... — Ronan comentou tenso.

– S-Sieg, você não está fazendo oque o Rei quer? — Lire falou um pouco preocupada. — Se deixasse o caso para outra pessoa já teriam pego o Rei, não é?

– Eu mesmo não acreditaria no jogo se não estivesse envolvido nele. Sem falar que se envolvermos a polícia ele pode nos matar antes de talvez o capturarem. Era arriscado deixar os casos com outra pessoa.

– O Rei sabia até mesmo disso... — Zero comentou tenso. — Ele calculou que você teria tal atitude e o pôs no jogo pra deixa-lo impune até o fim... Ele é muito inteligente. — Zero suava frio.

– Realmente. E acho que é por isso que não tive nenhuma ordem a cumprir. O Rei não pode se livrar de mim até o fim. — Sieg comentou normalmente. — Agora é sua vez, Lass.

– Realmente também fico interessada pela sua história, Lass. — Mari disse o fitando curiosa. — Temos coisas em comum.

– Coisas em comum suficientes pra eu não precisar dizer oque é ser de uma família mafiosa. — Lass disse frio.

– As famiglias Ming e Onette eram diferentes das outras famiglias que tive o azar de conhecer. Quero saber qual o seu tipo de famiglia. — Mari disse, fazendo Lass ficar tenso.

– Meu pai é o chefão dos Isolet. — Começou a falar. — Tudo que importa pra ele são armas, dinheiro e poder. No máximo, mulheres. Sendo um mafioso desde tão novo rendeu muitas grávidas na sua vida. — Não olhou para nós, mas sabia que se referia a Lupus. — Eu sou apenas um fruto de uma das gravidas, que não duvido nada que foi por sorte que se casou com ele. — Todos ficavam em silêncio, ouvindo oque Lass tinha a dizer. — Nossa relação se resume em um garoto que apronta e um cara que limpa a sujeira depois. Ele se quer perguntou sobre a Amy, apenas se livrou do corpo dela sabe-se como. As únicas pessoas da família que falam comigo são Uno e Grandark, dois sádicos esquisitos que são como braço direito e esquerdo de meu pai.

– Aquele olho roxo... — Lembrei-me de quando apareceu com Arme e estava com um olho roxo. — Foi o seu pai? — Perguntei calma.

– Não que seja da sua conta, mas foi. Foi mais complicado pra ele cuidar do olho da Arme do que se livrar do corpo da Amy. Ele preferia que a Arme também estivesse morta.

– Q-Que doentio... — Lire comentou trêmula.

– Acho que não tenho mais nada a declarar. — Lass disse dando de ombros.

Poderia ser o Lass? Segundo seu próprio depoimento: "Nossa relação se resume em um garoto que apronta e um cara que limpa a sujeira depois". Seu pai está envolvido no ousama game, Lass? Você é o Rei?...

– Da minha vida vocês já sabem depois. — Disse Mari.

– Da minha vida também. A única coisa turbulenta foi o caso de dois anos atrás, não tenho mais nada a declarar. — Disse e Lupus me pôs contra o seu peito.

– Veigas, Lupus, Elesis, Lire e Ronan. Quem se manifesta primeiro? — Disse Sieghart.

– E-Eu falo. — Lire se levantou e ficou de frente pra todos. — Bem... Eu sou rica desde que me entendo por gente e é a primeira vez que passo por uma coisa dessas... Eu não sabia lidar com isso, agradeço por estarem comigo nessa. — Ela sorriu gentilmente. — Minha mãe faleceu ao me dar a luz e meu pai me culpa até hoje por isso. — Fez um rosto triste, mas logo voltou ao seu pequeno sorriso. — Ele contratou uma tutora pra que me transformasse em uma mulher igual a minha mãe, mas mesmo que eu me esforce não vou conseguir ser igual a ela, e muito menos conseguir que meu pai me perdoe. Ele vive viajando, e quando volta nem olha pra mim. Só nos falamos quando ele me da minha mesada. Oque não passa de "oi, aqui está sua mesada. Se precisar de mais mande a empregada me avisar". Ele não ligaria que eu sumisse. Eu sinto isso. — Ela olhava para o chão, escondendo sua face até que caiam lágrimas. — Eu tinha que estar morta agora, não o Ryan, não a Arme... — Ela disse soluçando um pouco e fui até ela, dando-lhe um abraço.

– Já é o suficiente Lire. — Disse me sentando no sofá com ela.

– Minha vez. — Elesis se levantou e cruzou os braços em nossa frente. — Eu sou o homem da minha casa. — Todos seguravam o riso. — Oque é? É verdade!

– Continua Elesis. — Sieg disse segurando ainda mais o riso.

– Eu tenho um irmão mais novo e o meu pai, a minha mãe nos abandonou faz tempo. — Voltamos a ficar sérios. — Meu pai é uma criança grande, que está em depressão porque Naruto acabou. — Ela botava a mão na cara e eu quase não conseguia segurar o riso. — Pelo menos ele sabe cozinhar, menos mal. — Ela comentou levantando uma das mãos pro céu. — Tenho crises de asma desde os 7 anos, mais elas ficaram menos frequentes quando fiz 12. — Ela parecia pensar. — Bem, minha vida era normal até duas semanas atrás quando esse jogo começou. — Deu de ombros. — Querem saber mais alguma coisa? Se a cor do meu cabelo é natural? Quanto que eu calço?... — Ela perguntou zoando da nossa cara.

– Acho que é o suficiente Elesis. — Lupus disse normalmente.

– Quer se manifestar agora Lupus? — Perguntou Elesis, sem resposta.

– Lupus... — Tentei dizer alguma coisa, mas ele se levantou e começou a falar.

– Eu sou irmão do Lass por parte de pai. — Todos ficaram surpresos, menos eu e o Lass. — Minha mãe era uma empregada que trabalhava pra ele, pelo visto foi mais uma que não conseguiu conter seus encantos por aquele homem. — Ficou uns segundos em silêncio. — Eu sou igual àquele homem na fisionomia e aparência. Minha mãe nunca gostou de mim, mas ela tinha seus motivos. Eu fingia não perceber tal sentimento de desprezo, até que não aguentava mais vê-la chorar olhando pra mim. Pintei o cabelo pra tentar amenizar minha semelhança com aquele homem e até que deu certo nos primeiros meses, mas minha mãe veio a mim um dia e pediu desculpas por tudo, que não era culpa minha e sim dela... Quando veio essa ordem a Lin me convenceu a pintar o cabelo outra vez e estamos bem no presente. — Lupus terminou de falar e se sentou. Como Lire já estava melhor eu fui até o Lupus e o abracei, dando-lhe um beijo na testa.

– Q-Quer ir primeiro Ronan? — Veigas perguntou um pouco nervoso.

– Vá Veigas. — Sieg disse sério. — E não esconda nada. — Não acredito que ele vai confessar a todos que já transaram... Mas confesso que quero saber a história do Veigas.

– T-Tá bom. — Ele se levantou um pouco envergonhado e virou para nós. — Eu sempre fui normal, meu pai e minha mãe eram pessoas felizes e faziam todas as minhas vontades, mesmo eles não sendo ricos. — Pausou um pouco. — Até aquela noite... — Falou baixo. — Uma noite de sexta-feira, quando eu tinha 13 anos o meu pai voltou bêbado depois de uma festança com amigos e começou a brigar com a minha mãe, dizendo que ela havia o traído com um amigo dele. Ele pegou uma faca e começou a ameaçar a minha mãe, que dizia que aquilo não era verdade. Eu me pus no meio dos dois e tentei acalma-lo, em vão. Ele largou a faca e me pegou. Minha mãe conseguiu fugir, mas eu me perguntava oque ele faria comigo... — Ele ficou uns momentos em silêncio. — Meu pai me estuprou...Meu pai. — Ele disse olhando pro nada.

– Veigas... — Tentei conforta-lo com palavras.

– Eu gostei. — Todos ficamos ainda mais surpresos. — Eu gostei de ser estuprado. — Que masoquista... — Minha mãe voltou pra casa com policiais que o prenderam por tentativa de homicídio e estupro de menor. Depois daquela noite eu saia todos os dias procurando por algum tarado pelas ruas. Às vezes eles mesmos vinham atrás de mim... Minha mãe acabou enlouquecendo e foi internada em um hospício. Moro sozinho, ou com quem quer uma noite prazerosa. É só. — Ele ia se sentar. — Ah, quase me esqueci de comentar que eu e o Sieg já transamos. — Todos ficaram boquiabertos.

– Eu pensei que fosse o Rei por que emanava uma aura masoquista dessas, mas me enganei. — Sieg comentou normalmente.

– Sieg...Você é gay? — Elesis perguntou franzindo a testa, assustada.

– Quer tirar a prova hoje a noite? — Ele respondeu com uma face séria e sexy.

– Não. — Ronan respondeu pela Elesis, fazendo Sieg voltar a sua face normal.

– Sua vez, Ronan. — Sieg disse.

– Eu não tenho traumas, meus pais são pessoas normais que trabalham e me dão atenção. Tudo bem que somos ricos, mas somos uma família feliz. Igualmente a Elesis, minha vida só mudou à duas semanas atrás. Não tenho nada a declarar. — Ele disse sem se levantar.

– Tudo bem... — Disse o Sieg. — Alguma coisa a dizer Zero?

– De diferente em minha vida só o fato de ser amaldiçoado por aquela mulher que praticava magia negra. Tenho pai e mãe, eles só me dão liberdade demais. — Zero disse dando de ombros. Ainda não entendo essa tal maldição...

– Lin? — Sieg perguntou.

– Meu pai é policial, minha mãe dona de casa... Diria que se não fosse o meu trauma teria tido uma vida normal. Hoje mesmo que considero esse trauma curado, me sinto feliz. — Disse sorrindo e Sieg sorriu junto. Olhou para Mari.

– Nem me pergunte. Já disse tudo que tinha a dizer. — Mari comentou sem mudar sua face. Normal.

– Com isso encerramos? — Perguntou Lass.

– Acho que sim. — Sieg respondeu coçando a cabeça.

– Bem, eu vou indo com a Elis. Ela ainda precisa descansar da ultima crise. — Ronan disse se levantando e Elesis se levantou em seguida.

– Pare de me tratar como se eu fosse um bebê! Eu sei me cuidar. — Disse batendo no braço de Ronan, que ria. Retiraram-se.

– Er, se não se importam eu também vou. — Lire foi caminhando calmamente. Lass se retirou sem nem se despedir.

– Tchau. — Veigas disse e foi embora. Zero acenou e também se foi.

– Adeus. — Mari foi até a porta, até que antes de abri-la se virou para nós outra vez. — Eu sei quem é o Rei.

– Oque? — Levantei. — Quem é? — Ela ficou em silêncio.

– É inútil Lin. Essa é a Mari, esqueceu? — Sieg comentou sorrindo de lado.

– Bem pensado, Ercnard.

– Mari! Porque não nos fala? Mesmo não fazendo nada, nós iremos fazer, droga! — O quão egoísta a Mari pode ser?

– De repente comecei a gostar desse jogo. Quero que ele tenha um fim magnífico. — Ela inclinou seu rosto para trás, dando um pequeno sorriso oculto. Essa era a primeira vez que vi um sorriso tão grande dela. — Pensem bem nas palavras que ouviram hoje. — Ela disse e se retirou.

– Que irritante, não? — Sieg comentou dando um sorriso de lado.

– Demais... – Comentei de bico.

– Vamos, Lin? — Lupus se levantou e esticava sua mão pra que a pegasse.

– Ainda não Lupus. — Peguei a sua mão e o puxei pra se sentar novamente do meu lado. — Não tem mais oque esconder do Lupus, não é? — Perguntei a Sieg e Lupus arqueou uma das sobrancelhas.

– Esconder oque? — Lupus perguntou sério.

– Eu e a Lin viramos parceiros uns dias atrás e dividíamos um com o outro sobre suspeitas do jogo. Ontem ela havia citado uma coisa e eu estava investigando sobre. — Sieg pôs sua mão no pescoço, o massageando. — Bem, vou direto ao ponto.

– Isso quer dizer que conseguiu descobrir algo? — Perguntei animada e ansiosa.

– Sim. Eu consegui localizar o pai do Ryan e os pais do Azin e nessa manhã fui falar com ambos. Fui primeiro a casa do Azin, e antes que eu entrasse fizeram uma vista grossa perguntando oque eu queria. Quando comentei sobre o Azin fecharam a porta sem pensar duas vezes e a mãe dele gritou "Não temos nada a ver com isso, vá embora!".

– Nossa...Isso é jeito de tratar o próprio filho? Nem se quer foram vê-lo no hospital até hoje. — Comentei tensa.

– Quando ia embora a vizinha deles havia me chamado. Entrei em sua casa e ela me ofereceu um café, juntamente com informações.

– Oque ela disse? — Lupus perguntou se interessando pelo rumo da conversa.

– Ela havia me dito que não sabia se Azin que aprontava, ou os pais que eram duros demais, mas todos os dias eles brigavam. Brigas do tipo de tacar vasos de flores um no outro. Ela só ouvia os barulhos.

– Deve ser por isso que ele foi morar sozinho... — Comentei.

– Pensei o mesmo. Ela disse que as brigas pararam quando ele foi embora no início do ano. Pouco antes de mandarem o Azin embora eles haviam comemorado quando receberam a visita de um homem de preto. — Sieg terminou de falar.

– Um homem de preto...? Seria o rei? — Perguntei confusa.

– Não sei.

– E o pai do Ryan? — Lupus perguntou.

– Ele era um viciado em jogos e se envolveu com gente perigosa demais.

– Yakuza. — Lupus comentou.

– Exatamente. — Sieg confirmou sério. — Mas por algum motivo o achei em uma casa bem bonita e farta, sem dizer que tudo que devia havia sido pago.

– Ta zuando... — Comentei tensa.

– Quando comentei do Ryan estar desaparecido, ele me surpreendeu. "Ele está morto, não me engane", ele disse. Depois eu perguntei por que ele achava isso. "Porque tinha que acontecer", ele disse.

– Tinha que acontecer...? Não estou gostando das ideias sobre isso que tenho em mente. — Disse tensa.

– Eu perguntei a ele porque isso tinha que acontecer e não me respondeu. Pôs-me para fora só repetindo as frases "Isso não é da sua conta" e "Ele não é mais minha propriedade". — Sieg terminou de falar e nos fitava sério.

Silêncio.

– Quanto vocês acham que vale uma pessoa querida? — Sieg disse com o rosto obscuro.

– Só pode estar brincando... — Lupus comentou suando frio. — Mas...no meu caso parece verídico. — Lupus botava as duas mãos na cabeça respirando fundo.

– Que foi Lupus? — Perguntei segurando em sua face, tentando vira-lo pra mim.

– Minha mãe deixou eu morar sozinho quando ainda não gostava de mim realmente... Um tempo depois quando me pediu desculpas por tudo me deu uma grande quantia em dinheiro... — Não me diga que... "Eu sou uma péssima mãe, Lin". — Ela me deu 217.108.119.850,00*Won*.

– Não pode ser... — Meus pais também me venderam para o Rei? — D-Droga... Isso não pode ser verdade! Os meus pais... me venderam por 217.108.119.850,00won?

– Não se desespere Lin... — Sieg disse tentando nos acalmar. — Eu acabei notando que o Rei não tinha quem pagar pela Mari, e me lembrei também que na primeira mensagem do Ousama Game a Mari estava destacada com uma seta. Você e a Elesis também estavam. Isso pode querer dizer que vocês não foram compradas! — Ele pode ter razão...

– Mas o Ryan também estava destacado! — Comentei tentando me acalmar.

– Vai ver o Rei fez isso para nos confundir. Já que a Elesis é a numero 1, a Mari é a numero 10 e você é a numero 15. O rei deve ter posto o Rayn porque ele é o numero 5! Assim os destacados foram 1,5,10,15.

– Você pode ter razão... — Disse já calma e fui olhar pro Lupus, que ainda estava de cabeça baixa.

– Isso quer dizer que o Rei é rico. Lire, Lass ou Ronan. — Fiquei tensa. — Bem, vou deixar vocês sozinhos e quando quiserem ir embora não precisam se despedir, só fechem a porta. — Sieg foi para o seu quaro e fechou a porta.

– Lupus. — Disse abraçando-o de lado. — Desde que a sua mãe foi pro meu apartamento ela vem pedindo desculpas a você, me usando como porta-voz e dizendo pra eu cuidar de você por ela. Ela deixou claro que estava arrependida de algo que havia feito a você, e foi isso que comentei com o Sieg pra ajuda-lo a investigar mais a fundo. "Eu sou uma péssima mãe, Lin", ela me disse com um sorriso triste. — Ficamos em silêncio por uns minutos, até que Lupus tremia e me abraçou, afundando sua face em meu ombro. Peguei com uma das mãos em suas costas e a outra em sua nuca, acariciando o máximo possível dos seus cabelos sedosos com cor de chocolate. — Me deixe cuidar de você Lupus. Você é meu. — Disse o apertando mais.

– Eu te amo, Lin. — Ele comentou depois de uns segundos em silêncio.

– Eu também te amo. — Respondi-o e ficamos abraçados ali no sofá de Sieg por mais uns minutos.

~

– Lupus, se quiser vá pra casa, eu volto com cuidado depois de ir ver o Azin no hospital. — Caminhávamos de mãos dadas e Lupus parecia melhor. Era a primeira vez que o via chorar.

– Está tudo bem. — Ele disse sorrindo de lado. — Se eu for pra casa serei obrigado a pensar, e é o que menos quero agora.

– Queria ficar com você pra que não pensasse a noite inteira, mas não dá. Desculpa. — Disse chegando mais perto e fazendo-o por seu braço em meus ombros. Abraçava-o enquanto caminhávamos.

– Não diga como se fosse sua culpa. — Ele se inclinou e me deu um selinho. — Sua culpa é apenas termos gastado o dia todo na casa do Sieg, sendo que era nosso dia de namorar. Não perdoo. — Ele disse tenso e eu ri.

– Temos todo tempo o mundo, seu panaca pervertido. — Fomos para o hospital.

– Essas mulheres da recepção já nos conhecem hein. — Disse o Lupus, ao entrar no quarto do Azin atrás de mim. Foi só mostrarmos nossa cara que a recepcionista já nos deixou entrar no quarto do Azin.

– Viemos tantas vezes aqui? — Disse rindo e Lupus me abraçou por trás me dando beijos no pescoço, me fazendo rir mais.

– Eu não, você. — Me virei pra ele, segurando em suas costas.

– Tá com ciúmes é? — Perguntei com uma face convencida.

– Ele recebe mais suas visitas do que eu. Como quer que eu me sinta? — Disse arqueando as sobrancelhas.

– Não se sinta! Ao contrário de você, ele não me atrai. — Disse olhando pros lados.

– Ah é? Então sinta-se atraída. — Lupus me puxou mais contra si, retirando todo tipo de distância entre nós e me beijou fortemente. Já estava com saudades do seu beijo que me deixa sem fôlego. Foi me empurrando pra trás até que encostei no sofá cama que havia ao lado da cama de Azin. Lupus me deixou aos poucos, sem deixar de ser ágil com a sua língua sobre a minha. Se pôs encima de mim e pegava em minha perna esquerda, até que foi com sua boca a mesma e deu-me uma mordida, fitando-me daquela forma que só ele sabia me olhar. Serio e Sexy. Ele voltou a me beijar e quando pôs a mão por baixo da minha blusa notei que ali não era o local e nem a hora pra isso.

– Ei Lupus, isso não ta certo. — Disse rindo com as cócegas de seus beijos no meu pescoço. — Sério, para. — Segurei seu rosto de frente pro meu. Dei-lhe um selinho e fitei-o repreensiva. — Estamos num hospital, seu doido. — Apertei seu nariz.

– Exatamente por ser um hospital que devíamos continuar. — Ele disse sem deixar de me olhar daquela forma.

– Não me diga que é mais uma fantasia sexual sua? — Perguntei arqueando uma sobrancelha.

– É. — Curto e grosso.

– Quantas fantasias você tem nessa sua mente podre, seu panaca pervertido!? — Berrei, o tirando de cima de mim e me levantando.

– Com você a minha imaginação não tem limites. — Ele disse rouco em meu ouvido e deu uma mordida no mesmo.

– Para Lupus. — Disse pegando nas suas bochechas. — Sinto como se o Azin estivesse ouvindo. Isso é vergonhoso. — Disse ruborizando de bico.

– Mas ele ainda está dormindo profundamente... — Lupus disse e o larguei, me virando pra Azin e chegando mais perto do mesmo.

– Quando será que ele vai acordar hein? — Disse um pouco impaciente.

– Eu sinto que a qualquer momento... O jogo já está em seu final. — Lupus comentou do meu lado e suspirou. — Você já sabe quem é, não é?

– É o Lass. — Respondi-o e concordou comigo. — E eu tenho certeza que ele já sabe que nós descobrimos. O jogo terminou, Lupus. Só falta ele dar a ordem final pra essa palhaçada toda se acabar.

– Vamos, vou te levar pra casa. — Lupus me levou pra casa e falou normalmente com a senhora Wild, como se nada tivesse acontecido. Eu realmente não entendo esse jeito estranho desses dois, mas admiro. Estou tentando ignorar o fato de poder ter sido vendida ao Rei. Espero que o Sieg tenha razão na sua análise.

Agora é só esperar pelo soar da nova mensagem a meia-noite. Acabou Rei. Acabou Lass.

00:00

"Você recebeu uma nova mensagem"

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Ordem 13;

Quero que todos se encontrem na praça de skate perto do Daegu Fatima Hospital em uma hora, onde tudo começou será onde tudo terminará.

– Então o fim será hoje mesmo? Que seja.

Notas finais
QI: Quociente de inteligência (abreviado para QI, de uso comum) é uma medida obtida por meio de testes desenvolvidos para avaliar as capacidades cognitivas (inteligência) de um sujeito, em comparação ao seu grupo etário. Albert Einstein: (Ulm, 14 de março de 1879 — Princeton, 18 de abril de 1955) foi um físico teórico alemão, radicado nos Estados Unidos a partir de 1933, que desenvolveu a teoria da relatividade geral, um dos dois pilares da física moderna (ao lado da mecânica quântica). Seu QI é 160. Stephen Hawking: (Oxford, 8 de janeiro de 1942) é um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas da atualidade. Juntamente com Einstein, seu QI é 160. 217.108.119.850,00 won equivale a 500.000.000,00 reais. Won: WON COREIA SUL/KRW, moeda da Coreia do Sul.