Ousama Game

8 Game over


Notas iniciais
Dedico esse capitulo final a minha o-gamer numero um, Bia Fernandes! Tá ai, gata! Boa leitura

20 de outubro, segunda-feira. 15º dia de jogo.

00:00

Liguei para o Lupus.

– Lin! Quer que eu te busque? – Ele parecia já ter saído de casa com a moto.

– Aceito. Temos que ser um dos primeiros a chegar. E não fale no telefone enquanto dirige, seu inconsequente!

– Chego em um instante. — Ele respondeu e desligamos os celulares. Me arrumei o mais rápido que pude e ia sair de casa. Porém a senhora Wild me viu.

– Onde pensa que vai a essa hora, mocinha? – Cruzou os braços me olhando séria.

– Eu sei de tudo. – Ela ficou nervosa, suando frio.

– T-Tudo o que? – Me perguntou um pouco tremula.

– Porque você é uma péssima mãe. – Ela arregalou os olhos e via lágrimas querendo sair.

– O Lupus...! – A interrompi.

– Ele sabe. – Ela mordia o lábio inferior, tentando impedir seu choro. – Mas ele te entende, e acima de tudo te ama. Se quiser pedir o perdão do Lupus, o terá sem esforço. – Disse sorrindo de lado.

– Oque...Está acontecendo? Por minha causa algo está acontecendo, não é? – Ela perguntou pondo a mão em sua testa.

– A culpa não é só sua, mas isso não importa agora. – Disse sorrindo e me virei para a porta outra vez. – Eu vou acabar com tudo antes do amanhecer. Então me deixe ir.

– Desculpem por isso. E por favor, tomem cuidado. – Ela disse já chorando aos chãos.

– Eu vou acabar com tudo que nos fez sofrer. — Eu digo isso a você também, Holy.

~

00:25

Chegamos na praça e estavam quase todos lá. Só faltavam Mari e Sieg.

– Desculpem a demora. — Sieg chegou correndo e parou em nossa frente.

– Agora só falta a Mari. — Disse o Lass.

Não parava de fita-lo com raiva, porém pensava em oque faria, afinal o Rei está bem em minha frente. Oque eu devo fazer?...

– Calma, Lin. — O Lupus pareceu ver minha frustração e passou a mão na minha cabeça. — Vamos esperar a Mari e saber oque o Rei fará em seguida.

– Você tem razão. — Arranquei meu nervosismo em um suspiro e sorri de lado.

–É a Mari! — Lire gritou e ela se aproximava andando normalmente.

–Não podia ser mais lerda? — Elesis gritou irritada.

–Correr é desnecessário. Das duas formas eu vou chegar até aqui. — Mari disse normalmente séria, irritando ainda mais a Elesis.

–Esfria essa cabeça, Elesis. — Ronan disse a mesma, que desviou seu olhar de Mari.

–Gente...estão sentindo esse cheiro...? — Lire nos perguntou enquanto cambaleava ao andar, quase caindo.

–Ei, cuidado Lire. — Sieg a segurou. — V-Você ta bem? — Ela não respondia.

–Q-Que houve? — Veigas tentou chegar perto de Sieg, mas caiu no chão de repente.

–Veigas! — Gritei, indo até o mesmo.

–Olhem pra cima! — Lass disse, apontando pra cima da pista de skate em que estávamos em frente.

–É ele! — Disse o Ronan. Era o homem que matou a Amy. Ele acenou pra nós...

–Maldito! — Berrei e vi Sieg retirar uma arma do bolso e tentar acerta-lo, porém não conseguiu. Logo minha visão ficava turva, tudo parecia girar. Droga. Perdi os sentidos.

–Lin!

~

– Onde...estou? — Passei a mão na cabeça enquanto observava o local. Eu estava em um quarto com uma pequena iluminação vinda da saída. Me levantei de vagar e observava mais aquele lugar... E ao chegar no corredor eu tive certeza de onde estava.

– Então o rei pretende por um fim no jogo aqui? No Daegu Fatima Hospital?

Porque está tão vazio...? Cadê as enfermeiras, recepcionistas, médicos? Os... Pacientes! O Azin!

Corri até um elevador, porém estava parado. Corri até a escada que era do outro lado. Subindo até o terceiro andar ouvi passos e vozes no mesmo. Abri a porta pra observar quem era.

– Oi! — Gritei e ouvi o eco perambular até o fim do corredor.

Silêncio.

– Tem alguém aqui? — O eco repetia as minhas palavras outra vez.

Ouvi o som de algo afiado sendo arrastado, tremia e ficava sem ação olhando para o corredor de onde eu ouvia tal som tão perturbador.

Arregalei os olhos e meus pelos ficaram a flor da pele. Era aquele homem, e estava com um machado sendo arrastada no chão.

– Quem é você? — Perguntei enquanto era corrompida pelo medo e desespero.

Ele sussurrava.

– Saegiru bonnou soitsu ga iu ni wa touka koukan da To. Yuuwaku shitagai zaregoto ni oboredashita ("Meus defeitos ficam em um caminho. O demônio exige algo em retorno. Então eu venderei minha alma a ele. E mergulharei em seu jogo.") — Ele chegava cada vez mais perto andando de vagar, se quer tinha levantado sua face para me olhar.

– N-Não chegue perto! — Gritei indo mais para trás. Ele continuava a sussurrar.

– Ousama game kyousei sanka. Kyohiken nante kiicha kurenai. Kaserareta quest ni wa ("O mestre mandou, então tenho que jogar. Não tenho direito de recusa. A missão que ele me dá é.") — Estava poucos metros de distância.

– Quem é você, droga!? — Berrei outra vez.

– ano mobu wo korose. ("Tirar uma vida.") — Ele levantou seu olhar a mim e sorriu macabramente, começando a correr.

– Droga! — Entrei na porta que da a escadaria outra vez e subia as mesmas correndo, e ele vinha atrás de mim. — Ah! — Ele tentou me acertar com o machado, porém eu pulei e acertou a escada. Empurrei a mesma com o pé e o joguei escada abaixo, subindo até o sexto andar sem vê-lo outra vez.

Estava ofegante até que ouvi um grito. Não tinha dúvidas de quem era.

– Lire! — Corri até onde ouvi o grito e entrei na sala onde ela corria para o sentido contrário. Ela me abraçou. — Ei, oque foi? — Perguntei enquanto ela tremia e chorava.

– Aquela sala... Eu...eu quero ir embora daqui! — Ela berrava cada vez mais chorosa, apontando pra sala que saiu.

– Nós vamos sair daqui, não se preocupe. — Disse a largando aos poucos. — Espera aqui. — Deixei-a e ia em direção a sala.

Horror. Medo. Agonia. Todos os maus sentimentos que senti vendo meus companheiros caírem de um em um vinha a tona outra vez.

– V-Veigas...! D-Droga! — Ele tinha um corte horizontal em sua barriga e seus braços e pernas presos na parede como a imagem de Jesus cristo que morreu na cruz. — O...seu sacrifício não vai ser em vão Veigas! Não vai! — Berrei cessando o choro e voltava até Lire.

– Lin. — Ela me chamou.

– O-Oi. — Respondi ainda tremula.

– Nós vamos todos morrer...? — Perguntou Lire, um pouco mais calma.

– Só quem vai morrer agora é o Rei. E o seu guarda costas.

– Guarda costas? — Ela perguntou assustada enquanto começávamos a andar.

– O segundo Rei, falso Rei, chame-o como quiser, mas ele é perigoso. — Disse conferindo as escadas para não ter surpresas com o mesmo.

– Você o viu, Lin? — Ela ficou tensa.

– Vi, e por sorte consegui fugir dele. Mas na próxima não vou ter a mesma sorte. — Subimos ao andar de cima e eu procurava por algo que pudesse feri-lo. Achei facas médicas, mas eram muito pequenas. Arranquei uma barra de ferro de uma maca e tirei outra para a Lire. — Toma. — Ela pegou e tinha um rosto tenso.

– E-Eu não sei usar isso Lin! — Ela disse não sabendo nem como segurar direito aquela barra de ferro.

– Bem, de todo modo fique com isso pra se proteger. — Disse tensa. Vou ter que proteger a Lire além de mim...

– Olha só quem eu achei. — Disse a Mari na entrada do quarto que estávamos.

– Mari! — Lire pareceu um pouco feliz.

– Não se anime, Lire. Ela não vai se juntar a nós. E acredito que o Rei não mexerá com ela por isso. — Disse passando pela Mari. — Estou errada? — Perguntei virando-me levemente pra ela.

– Aprende rápido, Lin. — Se Mari não tivesse virado pra mim naquele instante podia jurar ter visto um sorriso em meio a suas palavras.

– Só pra avisa-la, o Veigas está morto no andar de baixo. — Comentei e fiquei em silêncio por uns segundos. — Vamos Lire. Temos que achar o outros. — A chamei e correu até mim.

– Parece que todos estão em andares cronometrados. Faça as contas e os ache, Lin. — Mari saiu andando ao corredor a frente.

– Em que andar você estava, Lire? — Perguntei-a.

– Eu estava no terceiro... subi pelas escadas porque o elevador estava ruim e encontrei o Veigas no sexto andar. — Ela disse enquanto subíamos mais andares.

– Então estão de três em três andares. Eu estava no térreo, você no terceiro, Veigas no sexto, Mari no nono, os outros estão nos andares décimo segundo, décimo quinto, décimo oitavo, vigésimo primeiro, vigésimo quarto e vigésimo sétimo. O Rei é um dos nossos companheiros nesses andares. O Azin está no trigésimo andar e o guarda costas pode estar em qualquer lugar. Parece que esse maníaco pensou em tudo até mesmo antes de começar o jogo. — Subimos ao décimo segundo enquanto eu falava.

– Aah! — Ouvi gemidos do andar acima.

– Parece o Ronan, Lin! — Lire me alertou e corremos para o décimo terceiro andar.

– Ronan! Me responde! Cade você? — Gritei ao chegar no centro do corredor do andar.

– Corram! — Vi Elesis ajudando Ronan com um ferimento no braço, correndo de longe e logo vi Lass com uma imensa faca em mãos.

– Para Lass! — Disse ao mesmo, que parou de correr ao ouvir a minha voz. Sorriu macabramente.

– Você tá bem, Ronan? — Lire perguntou quando ambos chegaram até nós.

– É claro que não sua anta! — Elesis respondeu-a enquanto eu rasgava a blusa de Ronan e estancava o sangue de seu ferimento, sem deixar de fitar Lass a todo instante.

– Era você que eu queria ver, Lin. — Ele disse com um olhar maníaco.

– Era você que eu queria ver também. — Respondi-o com ódio.

– Lin, ele de repente nos atacou. — Ronan disse ofegante.

– Em que andar vocês estavam? — Disse sem deixar de fitar Lass.

– Eu estava no décimo segundo e subi até o décimo quinto e encontrei o Ronan. Encontramos o Lass quando estávamos subindo, e fomos obrigados a descer por causa que achou essa faca por ai e começou a nos atacar feito um louco. — Disse a Elesis.

– O Lass estava no décimo oitavo?

– Acho que sim. — Elesis respondeu levantando Ronan do chão.

– Lin, vamos trancar a porta pra escada daqui e fugir. — Disse o Ronan, indo com Elesis até a porta, de vagar.

– Não. Desçam e esperem que eu volte. — Disse ainda sem deixar de fitar o Lass.

– Tá louca? — Elesis berou.

– L-Lin, venha conosco! O Lass está descontrolado! — Lire disse nervosa.

– O Lass é o Rei. — Eles ficaram surpresos.

– T-Tá zoando né? — Elesis se perguntou, tensa.

– Façam oque eu mandei! Eu quero acabar com isso aqui e agora. — Eles não disseram mais nada. — Vão! — Ouvi o barulho da porta se abrir e logo se fechar. — Agora somos só eu e você. Você não estava puto comigo? Vem pra cima! — O chamei levantando a barra de ferro.

– Cale essa maldita boca. — Ele berrou e correu até mim, tentando me acertar com a faca em mãos, mas conseguia defender com a barra. Ele escorregou a faca pela barra e cortou meu dedo indicador esquerdo.

– Filho da mãe! — Empurrei-o com a barra até a parede e corri para as escadas.

– Cuidado Lin! — Ouvi Lire gritar de algum andar abaixo.

– Vou tomar! — Disse chupando o sangue que saia do meu dedo. O corte foi profundo.

– Você não vai escapar de mim, sua vadia maldita! — Lass berrava enquanto corria atrás de mim com olhos que eu nunca havia visto antes. Ele estava completamente louco. Possuído pela própria insanidade.

– Pare com isso Lass. Acabou! — Gritei de volta, sem deixar de correr.

– Cale essa boca e aceite o seu destino! Eu vou te matar. Hoje! Agora! Então fique quieta! — Ele jogou a faca em minha direção e a mesma havia acertado em minha coxa esquerda.

– AAH! – Parei por uns segundos e retirei a faca do local, voltando a correr com dificuldade. O sangue estava escorrendo. Preciso despista-lo! Entrei no vigésimo andar e peguei uma cadeira para prender a maçaneta. Corri e ouvi Lass empurrando aquela porta a todo custo. Entrei em um dos quartos e achei materiais suficientes para fazer um ponto de mentira em minha perna para parar o sangramento. Ouvi a porta se abrir e me levantei para observar do canto da minha porta onde ele estava. O avistei, mas quando sairia do quarto para ataca-lo vi outra faca em suas mãos, e uma tesoura em outra. – Droga. – Sussurrei sem saber oque faria em seguida.

Ouvi algo fazer barulho no fim do corredor e Lass passou por mim de vagar, observando todos os quartos de longe sem entrar neles e passou para o final do corredor.

Não sei se passo para o andar de cima que tem mais alguém ou ajudo essa pessoa que se descuidou no final do corredor... E se for o Lupus?

– Eu tenho que parar de bancar a heroína. – Comentei correndo atrás de Lass, até ver que a pessoa no fim do corredor era Sieg. O Lass não pode mata-lo... O Sieg é uma peça importante em seu maníaco jogo.

– Pare com isso Lass. – Sieg disse normalmente sério enquanto tentava se aproximar e pegar as armas na mão do Lass.

– Suma da minha frente antes que acabe morto sem necessidade. – Lass disse ainda com seu rosto psicopata. – Você não me interessa.

– Vai me matar? Prove. – Sieg disse ainda sério e Lass arqueou uma sobrancelha.

– Já mandei sair da minha frente. Eu quero perfurar o coração daquela coisa irritante de cabelos brancos e o tarado, depois eu resolvo oque fazer com o resto de vocês. – Respondeu passando por Sieg, que tentou pegar ao menos a faca da mão de Lass. – Me larga! – Lass acertou as costas de Sieg com a tesoura, que caiu no chão.

– O-Que...? – Sieg se perguntava trêmulo. – AAH! – Gritou quando Lass retirou a tesoura das suas costas.

– Estava achando que só por ser um detetivezinho de merda eu ia te poupar se me atrapalhasse? Faça-me o favor. – Ele ia acertar o Sieg de novo, mas corri até ele e pulei nas suas costas, pondo a barra de ferro em seu pescoço.

– Deixa ele em paz! Não sou eu quem você quer? – O enforcava mais enquanto ele largava suas armas pra tentar se soltar.

– V-Vadia. – Ele dizia tentando se soltar, em vão.

– Se levanta e sai daqui Sieg! Se junte a Elesis, o Ronan e a Lire lá embaixo. – Disse fazendo mais força para prender o Lass e Sieg parecia em choque. – Anda Sieg. – Ele se levantou e pegou a faca e a tesoura de Lass que estavam no chão. Lass foi pra trás e me imprensou na parede. – Aah! – Acabei o soltando e ele fugiu.

– Obrigado Lin. – Sieg disse ofegante quase caindo, mas o segurei.

– Aguenta firme Sieg, eu vou estancar o sangue e fazer um curativo! Você vai ficar bem!

– Isso foi...foi estranho... – Ele ficou inconsciente.

– Sieg, por favor fala comigo. – Lágrimas queriam descer, mas peguei em seu pulso e ainda tinham batimentos. – Seu idiota, não me assuste assim! – Berrei a ele e levei-o até um dos quartos e fiz um curativo em suas costas. – Fique aqui até que eu acabe. – Fechei a porta, o escondendo ali e ia para as escadas subir até o vigésimo primeiro andar, que analisei e não havia ninguém. O Sieg devia estar nele. Subi para o vigésimo quarto andar. Chegando lá tudo estava em silêncio, mas escutava um som de longe... Não conseguia identificar de onde vinha.

– ... ano mobu wo korose. (...Tirar uma vida) – Estava atrás de mim.

– AAh! – Era aquele homem outra vez. Quase havia me acertado por trás com aquele machado. Corri sem rumo para dentro do andar vinte e quatro e ele me perseguia com um sorriso no rosto. Avistei uma maca no caminho com objetos cortantes encima e joguei na direção dele, mesmo assim ele não parada. Joguei a maca no chão e corri outra vez. – Socorro! – Esse homem é mais insano que o Lass agora... Não sei se consigo cuidar dele. Estou com medo.

– Pra onde acha que está indo? – Essa voz...

Me virei para trás e Lupus havia dado um chute no homem do machado, fazendo-o cair sentado na parede ao lado.

– Não gosto que maníacos corram desse jeito atrás da minha garota. – Ele disse chutando o machado pra longe, antes que o maníaco a pegasse outra vez.

– Lupus. – Fui até ele e lhe dei um abraço. – Eu estava com medo. – Ele me abraçou de volta beijando e acariciando minha cabeça.

– Tá tudo bem, tudo isso vai acabar hoje. – O abracei mais forte.

– Em uma dança do desespero, o rapaz cheio de ambições riu da realidade que buscaram refúgio nele. – O homem da picareta sussurrava.

– Oque? – Lupus o olhou de forma confusa e ao mesmo tempo com ódio.

– Desde que o encontrei da primeira vez ele só sabe repetir essas frases estranhas. – Disse prestando atenção nele outra vez.

– Mentindo sobre não ter desejos e sendo um hipócrita não ajuda em nada. – Continuou sussurrando.

– Oque ele está querendo dizer? Não entendo nada. – Lupus franzia sua testa.

– O meu processo de pensamento é um hino a desejos materiais. Meu direito de recusar não tem nenhum efeito sobre ele. – Lupus parecia impaciente a cada palavra desse homem.

– Quem é você? – Ele perguntou e o homem se calou. – Estou falando com você! – O homem olhou para Lupus de uma forma assustadoramente macabra.

– É algo importante para você. Então você não vai abandoná-la, certo? – O homem retirou um cortador de pizza do bolso e tentou me acertar, mas fui para trás.

– Vai pro inferno, seu esquizofrênico! – Lupus deu um chute no rosto do homem que caiu inconsciente de uma só vez.

– Vamos sair daqui Lupus, precisamos chegar no Azin... – Enquanto eu falava, algo havia sido arremessado em nossa direção e acertou a parede ao nosso lado. Era uma faca. – Kya!

– Achei os dois coelhos de uma única vez. Isso seria sorte? – Lass sorria pondo uma das mãos em seu cabelo como um maníaco e a outra segurava muitas facas médicas, com agulhas penduradas em seu cinto.

– Lupus... vamos sair daqui, rápido. – Disse a ele sem deixar de fitar Lass.

– É só o Lass, porque está com medo desse jeito? – Me perguntou confuso.

– As facas na mão dele... Ele está fora de controle. Tentou matar todos nós...

– Ele está longe, fica calma.

– Você não está entendendo Lupus. Ele tem uma ótima pontaria. – Disse e Lass jogou uma das facas em nossa direção. – Abaixa! – Disse pulando em direção a Lupus e caímos, conseguindo nos desviar da faca. Nos arrastamos até o quarto do lado.

– Me da essa barra, quando ele chegar perto eu vou ter que ir pra cima. – O Lupus disse e eu dei a ele.

– Toma cuidado Lupus. – Disse um pouco apreensiva.

– Eu não nadei tanto para morrer na praia. – Ele disse pondo a mão em minha cabeça. – Nós vamos sair dessa. – Se aproximou e me deu um selinho. – É uma promessa.

– Se a cumprir faremos duas vezes na semana. – Não pensei em coisa melhor pra fazê-lo cumprir essa promessa a todo custo.

– É assim que se fala. – Ele sorriu daquela forma maliciosa e Lass tentava abrir a porta. Lupus contou até 3 com os dedos e abriu a porta empurrando Lass até a parede, o imprensando com a barra de ferro.

– Lupus, seu desgraçado. – Lass cerrava os dentes tentando afastar Lupus. Lupus o deu uma rasteira e caiu no chão. Lass olhou para o lado e parecia surpreso vendo o homem do machado no chão. – Uno? – Se perguntou e Lupus ficou confuso. Lass aproveitou a distração que Lupus tinha e acertou-lhe um soco no rosto, ficando por cima dele e tentando acerta-lo com uma das facas que tinha.

– Não! – Segurava Lass até que Lupus o socou de volta e ambos se levantaram.

– O jogo acabou, seu merda! Para com isso! – Lupus disse me pondo atrás de si.

– Esqueçam essa droga de jogo. Eu vou matar vocês dois! – Lass disse e jogou mais facas em nossa direção. Uma delas acertou na barriga de Lupus.

– S-Seu merda. – Lupus arrancou a faca do local.

– Lupus, idiota! Não pode tirar desse jeito! O sangramento não vai parar! – Ficava em desespero.

– Se acalma. – Ele disse passando uma das mãos em minha cabeça outra vez.

– Você sabe que não dá. – Disse chorosa.

– Eu tenho que empatar, você não acha? – Ele disse ofegante.

– Oque? – Antes que pudesse me responder foi para cima de Lass e com a mesma faca que lhe foi acertada, fincou no lado direito da barriga de Lass. Cuspiu sangue. Lupus acertou algum órgão.

– Parece que eu sempre soube...que acabaríamos nos matando. – Lass dizia ofegante junto a Lupus.

– Vá na frente e mande lembranças ao demônio. – Lupus disse girando a faca na barriga de Lass.

– AAh..A-AH. – Lass sorriu daquela forma macabra. – Vamos juntos, irmãozinho. – Lass acertou uma faca na lateral da costela de Lupus.

– NÃO! – Gritei e os afastei, sentando Lupus.

– Aah... – Lupus estava ainda mais ofegante e quando olhei para o lado, Lass não se mexia e mantinha seus olhos abertos e angustiados. Fui até ele sentir seu pulso e o mesmo me segurou.

– Kya! – Me assustei e tentava me soltar, em vão.

– Eu vou levar vocês dois para o inferno junto comigo! – Lass ia me acertar com uma das agulhas que tinha no seu cinto. Preparava-me para a dor.

– Tire suas mãos imundas da minha garota! – Ao ouvir isso abri os olhos, e observei mais uma cena que não esqueceria. Lupus fincou o machado no crânio de Lass, esguichando o seu sangue em meu rosto.

– Lupus... – Tremia e me virava pra ele começando a chorar.

– Desculpe. – Ele sussurrou me abraçando. – Se algo acontecesse com você não me perdoaria.

–... Acabou. – Disse e ele parou de me abraçar para fitar a minha face. – Acabou Lupus. – Chorava mais forte e o abracei.

– Acabou. – Ele sussurrou rindo.

– Me deixa cuidar desse ferimento, só espera um pouquinho. – Levantei-me, entrando em uma das salas e achando todo o material para fazer um ponto falso nele. Mesmo ainda trêmula e com todo aquele sangue em meu rosto, Lupus me acalmava apenas acariciando meu rosto assustado. Terminei de fazer o curativo. – Está...tudo bem? – Mesmo que não se gostavam, Lass era irmão de Lupus.

– ... Sim. – Ele disse dando um sorriso de lado. – Eu faria de tudo pra que não sujasse as suas mãos.

– Eu...não sei se conseguiria sujar minhas mãos. – Disse refletindo um pouco. – Mesmo sendo o Rei, primeiramente ele é um ser...vivo. Não consigo nem dizer “humano”, mas mesmo assim não sei se conseguiria mata-lo.

– Vocês estão bem? – Elesis, Ronan e Lire saíam da escadaria e vinham até nós.

– L-Lass... – Lire não se aproximou mais, vendo-o no chão ainda de longe.

– Então acabou...? – Perguntou Ronan, emocionado.

– Finalmente... – Elesis se emocionou. – Se bem que... eu queria ter perguntado tantas coisas.

– Eu também. – Disse num suspiro.

– Lin, não ia ver o Azin? – Ronan comentou e me lembrei.

– Sim, é verdade... Fiquem todos aqui, eu vou vê-lo e dar a boa notícia! Bem, se estiver acordado. – Disse sorrindo um pouco.

– E-Eu vou com você, Lin! – Lire me seguiu e subíamos as escadas rapidamente. – Lin, f-foi você quem...fez aquilo...? – Ela perguntou timidamente e um pouco assustada.

– Foi o Lupus. Ele me protegeu. – Disse sorrindo de lado. – Eu, que dizia que ia acabar com tudo isso, no fim fui salva pelo Lupus. – Fiquei uns segundos em silêncio. – Seria muito egoísmo dizer que fiquei aliviada? Que fiquei feliz em não carregar a culpa de tirar essa vida? Eu me sinto a pior pessoa do mundo agora com isso em mente. – Parei na porta do trigésimo andar.

– Lin... – Lire pegou em meu ombro. – Qualquer um sentiria isso no seu lugar, e acredito que o Lupus a protegeu sabendo disso. Ele deve te conhecer melhor que eu. – Ela sorriu gentilmente.

– Obrigado Lire. E desculpe ter sido tão dura com você quando falou comigo pela primeira vez. É que...você me lembrou a Holy. – Sorri triste e ela me deu um abraço.

– Não diga bobagens, você foi a pessoa que mais me ajudou. Eu só tenho a agradecer, Lin. – A abracei mais forte.

– Bem, vamos ver o senhor dorminhoco. – Disse e rimos.

Entramos no quarto do Azin.

– Já pode acordar, Azin. Agora está tudo bem. – Disse sorrindo entre finas lágrimas. – Vai ser difícil viver sem andar novamente, mas nós vamos te ajudar a passar por tudo isso e quem sabe com bastante fisioterapia você não volte a andar?

– Você é uma boa pessoa, Lin. – Lire disse sorrindo encostada a parede atrás de mim.

– Ah... – Ouvi Azin e me aproximei.

– Azin! – Ele abriu os olhos de vagar e parecia tenso. – Acabou Azin, o jogo acabou. Nós derrotamos o Lass e está tudo acabad...!

– Lin... – Ele dizia baixo e fraco. – O rei...está bem atrás de você. – Arregalei os olhos. – O rei é a Lire. – Me virei e ela tinha uma faca em mãos, consegui segura-la antes que conseguisse me acertar.

– Surpresa. – Ela disse com um sorriso mais perturbador que o de Lass.

– Não! Não pode ser! Droga! – Lire conseguiu me empurrar mais pra trás e caímos no chão, com ela ficando por cima.

– C-Cuidado Lin... D-Droga, não consigo me mexer... – Azin dizia o mais forte que podia.

– Que cara é essa Lin? – Ela ria.

– Como pode? Porque fez uma coisa dessas com todos nós? – Perguntei chorando outra vez.

– Eu estava com tédio. – Ela disse normalmente séria.

– Sua maníaca! Maníaca! – Gritava a ela, que ria ainda mais. Larguei sua mão esquerda e dei-lhe um soco no rosto, mas ela continuava a rir. – Para de rir, sua maníaca! – Os risos dela me levavam ao mais fundo desespero. Me afastei dela, me encostando a parede pondo as mãos nos ouvidos.

– Coitadinha. Nem imaginava que o rei estava tão perto. – Ela disse com uma voz meiga, inclinando sua cabeça.

– Cala a boca! Para! Sua maníaca! Louca! Psicopata! – Gritava e chorava ao mesmo tempo. – Como pode? Como pode matar a Holy? O Ryan, que você tanto amava!? Todos eles? – Berrei e ela retirava uma arma da lateral de sua saia.

– Se encontre com a sua amiguinha no céu e pergunte-a. – Ela sorriu de lado e disparou.

– Lin! – Azin gritou.

Senti um forte impacto no peito e perdi os sentidos de uma só vez.

~

Eu estou viva...? Onde estou agora...?

Abri os olhos de vagar e eu estava em uma imensa sala, e no fundo dela via Lire sentada em um trono e com uma coroa, ambos feitos de ouro, tenho certeza. Ela acaríciava uma caveira em mãos. Olhei para os lados e todos estavam ali. Desde o Lass, com sua cabeça perfurada, até o Veigas que foi novamente apedrejado na parede. Azin estava deitado em uma pedra no meio da sala. Lupus estava do outro lado, amarrado e quieto, junto com Zero, Elesis e Ronan. Sieg estava deitado ao lado de Lire, que tinha o homem do machado do seu outro lado. Denominado como “Uno”, pelo Lass. Mari estava sentada em uma mesa pouco distante de Azin.

– Então você só verá todo esse espetáculo, Mari queridinha? – Lire disse apoiando seu queixo em sua mão esquerda, enquanto a direita acariciava a caveira que tinha no seu colo.

– Enquanto não fizer nada a mim, não farei nada a você. – Respondeu pondo uma das pernas encima da outra com seu único olhar sério.

– É por isso que eu amo a máfia. Esse coração sem sentimentos, esse rosto sem expressões, essa facilidade para matar. – Lire sorria, com um olhar vitorioso. – Mas fique esperta, porque a qualquer movimento em falso vindo de você... – Esticou a mão direita a Uno, que abriu seu sobretudo negro e haviam vários tipos de armas, de pistolas até facões.

– Hum. – Mari não disse nada.

– Uno. – Ela estendeu a sua mão direita e o mesmo a pegou, levantando-a de seu trono e chegando perto de Azin.

– O-Oque vocês farão? Porque eu não consigo me mexer? – Azin ficava desesperado e Lire deu-lhe um tapa.

– Cale essa boca. – Apertou a boca do mesmo, fazendo-o olhar para ela. – Você não pode mais andar, está tetraplégico. Farei um favor o matando. – O largou e Azin chorava em silêncio.

– Sua monstra. – Ele sussurrou trêmulo.

– Muito obrigado pelo elogio. – Ela sorriu de lado.

– Porque... – Ela olhou pro lado. – Porque estamos aqui? Porque nós? Porque criou esse jogo idiota? – Elesis berrou.

– Uno. – Lire o chamou e foi até Elesis e deu-lhe um soco na barriga.

– Elesis! – Ronan se desesperou.

– Não grite comigo como se eu fosse qualquer uma. – Lire disse séria a ela. – Ainda não entende que a sua vida está em minhas mãos?

– Não está não. – Lupus respondeu ainda com a cabeça baixa.

– Uno. – Uno foi até Lupus e pegou em seu cabelo, lentando sua face para que Lire pudesse ve-lo. Ele estava chorando. – Oh, coitadinho. – Lire chegou perto e dispensou Uno, enrolando seu dedo indicador nos cabelos do Lupus. – É triste perder a namoradinha não é? Mas veja pelo lado positivo, já havia comido ela. – Lupus fazia cara de nojo e ela levantava seu olhar puxando seus cabelos. – Sabe, eu acho que tenho uma queda por você. Não quer se juntar a mim, Lupus? Vamos fazer um próximo Ousama Game juntos. – Lupus se mantinha em silêncio.

– Eu parei de comer carne de segunda já faz uma semana. – Ele cuspiu na cara da Lire.

– Kya! – Ela foi pra trás e Uno lhe deu um pano para limpar seu rosto. – UNO! – Ela foi para trás. Uno deu um chute no rosto de Lupus e sacou uma faca, que acertou sua barriga.

– A vida da Elesis não está em suas mãos, não é mesmo? – Lupus levantou sua face que estava no chão, o suficiente para fitar Lire.

– Então vocês descobriram minha primeira pegadinha? Ao menos isso. – Lire disse em um suspiro.

– Primeira pegadinha? – Ronan perguntou confuso.

– Os nomes da Elesis, Ryan, Lin e Mari estavam destacados na primeira mensagem. – Lupus respondeu.

– E oque isso queria dizer? – Elesis perguntou.

– Eu comprei todos vocês. – Elesis e Ronan arregalaram seus olhos. – Mais pela Lin ser filha de um policial não corrupto não pude compra-la. E a Mari não tem pais para que eu pudesse compra-la. E você, o seu pai não quis vende-la e ainda quase nos processou. – Eles ficavam mais tensos a cada palavra. – Devia agradecer por ele estar vivo ainda.

– Sua maldita! – Elesis gritou.

– Uno. – Uno deu um tapa na cara de Elesis.

– Pare com isso! – Ronan berrou.

– Uno. – Uno deu um soco no rosto de Ronan.

– Mesmo não tendo comprado você ainda posso mata-la, fique esperta, ruiva. – Lire disse inclinando-se na pedra em que Azin estava deitado. Ele me viu. Pedi pra que ficasse em silêncio. Preciso bolar um plano antes que mais um de nós acabe morto.

– Desembuche. – Mari disse a Lire. – Eu sabia que era você, portanto eu venci. Nada mais justo que contar tudo sobre esse jogo antes de seu término.

– Eu esperava que falasse isso. – Lire riu. – Vou contar tudo. – Todos prestavam atenção. Inclusive eu. – Nasci e cresci com meu pai jogando em minha cara que eu matei a mamãe. Fazia tudo que aquele velho estúpido mandava. Desde a aulas de teatro, até dança. Tudo pra que eu me tornasse a minha mãe. Eu tinha certeza que aquele pervertido queria que eu a substituísse. Um ano atrás eu matei o meu querido pai a facadas, atuando que ele queria me estuprar. Até que as aulas de teatro serviram de algo. – Ela sorriu. – Foi ai que me interessei pelo trabalho de meu pai. Oque ele fazia pra ganhar tanto dinheiro? Eu não sabia até entrar em seu computador. Ele era dono de um site “do submundo”, sites que são pagos pelos maníacos que querem ver coisas como estupros de menores, brigas de cadeiras e mortes lentas de pessoas inocentes. Um dos meus melhores clientes era o senhor Isolet, sabendo da morte de meu pai e vendo que eu ficaria com o site, me deu seu braço direito pra me ajudar em muitos dos processos para continuar ganhando dinheiro por cima desses crimes cibernéticos. E pra me ajudar ainda mais me vendeu seu lindo filinho Lass, e conseguiu que tivesse o Lupus também. – Então a senhora Wild foi ameaçada para fazer isso? – Foi então que comecei esse novo projeto chamado “Ousama Game”. Vasculhei a vida de todos vocês com a ajuda do Uno e fiz um jogo perfeito. Escolhendo as marionetes perfeitas.

– Nada é perfeito. – Zero finalmente se pronunciou e todos olharam pra ele.

– E onde está o defeito do meu jogo, Zero? – Ela perguntou arqueando uma das sobrancelhas.

– O seu defeito sou eu. – Tudo ficou silencioso.

– Você está exatamente onde eu quero, na hora que eu queria. Não vejo nenhum defeito no meu jogo, muito menos em você. Na verdade você é um dos que menos atrapalham. – Lire disse cruzando os braços e Zero sorriu de lado. – Qual é a graça?

– Você vai morrer. – Ele disse abrindo mais o seu sorriso.

– E porque acha isso? – Ela perguntou séria, mas sabia que por dentro estava um pouco nervosa.

– Porque o meu olho está coçando.

– Uno. – Uno foi até Zero e retirou o tapa-olho que dei a ele.

– Oque...? – Lire se perguntou, vendo que o olho de Zero começava a sangrar. Cobrindo quase metade do seu pentagrama.

– A maldição me persegue. – Ele respondeu em um sussurro.

– Você devia ser internado, seu louco. – Lire o ignorou. – Vamos começar o show, Uno. – Ela ia em direção a seu trono e se sentava. – Vá Uno. – Uno ia em direção a Azin.

– Mas é o Ryan? Ele também estava destacado, você o matou! – Elesis perguntou e Lire começou a rir histericamente.

– Q-Qual é a graça? – Ronan perguntou.

– O Ryan foi um tolo por me dispensar. Ele teve oque mereceu. – Ela levantou a caveira em suas mãos. – Não é mesmo, Ryanzinho? – Beijou a caveira. – Eu vou te amar pra sempre, ainda mais agora que não pode falar nada.

– Maníaca! – Azin gritou.

– E-Essa caveira é o Ryan? – Ronan perguntou trêmulo.

– Ele mesmo. – Ela abraçou a caveira. – Não é uma gracinha? – Começou a rir outra vez.

– Você é louca. Como pode usar as pessoas assim? Você não tem direito de comprar uma vida! – Lupus berrou a mesma.

– Até que fizessem 18 anos eu tinha sim o direito de compra-los, desde que seus pais concordassem. E concordaram sem pensar duas vezes. Aceitem o fato que vocês são um farto da humanidade, e sumam. Sumam de uma forma que me de grana. – Lire sorria macabramente. Sieg acordava, e em silêncio observava tudo em seu redor. Me viu e notou que estava atrás de Lire. Foi até a mesma e fez um mata-leão nela, tampando seus olhos. Com Uno também olhando pra lá fixamente, fui até Lupus e os outros e os desamarrava de vagar.

– Lin... – Lupus sussurrou baixo e me abraçou forte. – Que bom...que bom...! Como você...? – Mostrei-lhe o cordão que me deu, ele avia me salvado.

– Você me salvou oura vez, Lupus. – Disse a ele, que me abraçou fortemente mais uma vez. Terminei de soltar os outros.

– Oque vamos fazer? – Elesis sussurrou.

– Por enquanto fiquem quietos, Sieghart já me ajudou a solta-los. Preciso pensar. – Eles assentiram e eu voltava ao meu lugar. Eles continuaram ali fingindo estar amarrados.

– Sieghart, fique ciente de que eu também lhe comprei. Eu posso mata-lo, mesmo que você seja a minha rainha no tabuleiro de xadrez. Se não andar do jeito que eu ordenar você será aniquilado. – Sieghart viu que eu havia terminado e a largou, sentando-se em seu lado. – Assim está melhor. Agora fique quieto e aprecie todo o show. – Ela sorriu. – Pode começar, Uno.

– A musica. – Ele disse olhando para ela, e a mesma revirou os olhos.

– Irei por para tocar enquanto faz o seu trabalho. – Ela respondeu e Uno deu um sorriso.

– Rádio. Hero . – Lire pronunciou alto e uma musica começou a tocar, tinha um ritmo pixado como de velhos games, como Mario. Porém seu ritmo era aumentado e Uno abria seu sobretudo indo até Azin com um sorriso macabro. Retirava um facão e uma tesoura do local e estava prestes a fincar as armas em Azin, que estava desesperadamente assustado.

– Pare! – Me levantei sem pensar duas vezes. Não posso deixar que a Lire acabe com a vida de mais um de nós.

– Oque? – Lire parecia surpresa ao me ver. – Eu acertei o seu coração, não devia estar viva! Uno, seu idiota, não a viu viva? – Ela se virou furiosa pra Uno, que não responde nada.

– Eu tenho um talismã comigo. Eu não iria morrer com uma simples bala. – A olhava séria.

– Hu. – Ela sorria de lado. – Poupou a vida do seu amigo por uns minutos, porém oque fará agora, Lin? – Fiquei um pouco nervosa. – Do que adiantará chegar a mim, se tem medo de sujar suas mãozinhas? – Ela se levantou e vinha até mim. – Eu esperava mais de você no fim desse jogo, Lin. Mas você não passa de uma garotinha medrosa. Toda sua pose de heroína caiu desde que descobriu que o rei sou eu. – Ela chegou até minha face, séria. – Ponha-se no seu lugar e assuma sua derrota. – Tentei dar-lhe um soco, porém Uno segurou minha mão. – Patética. – Cerrava os dentes com raiva. Tentava chegar perto dela, porém Uno me segurava forte.

– Lin. – Lupus tentava se levantar.

– Não venha. – O impedi que se mostrasse solto, ao contrário de mim ele foi comprado. Pode ser morto a qualquer instante com os ferimentos que tem. Ele já perdeu muito sangue.

– Patéticos. – Lire falou ainda séria. Zero se levantava e corria até nós. – Todos vocês são patéticos. – Uno sacou uma arma, tentando acertar Zero.

– Zero! – Gritei e ele conseguiu se desviar, chegando perto de Lire. Uno me arremessou para trás, me fazendo bater as costas na parede e ia até Zero.

– Lin. – Lupus gritou tentando se levantar outra vez. Acho que quebrei uma costela... Esta doendo. – Lin, fala alguma coisa. – Eu estava ofegante, logo olhei para Lupus.

– Eu...to bem. – Disse ainda ofegante e olhei pra frente. Zero conseguia se esquivar de Uno, porém ficava sem saída. – Fujam! Agora! – Gritei o mais forte que pude e Elesis e Ronan se levantaram.

– Vamos Lupus. – Ronan o pegava pelo braço.

– Não, a Lin!... – Ele olhava pra mim.

– Você acha que vamos deixar essa louca aqui? Ela também vem com a gente. – Elesis me pegava de vagar.

– Elesis... – Disse ainda um pouco ofegante.

– Fica quieta e me deixa ser a heroína dessa vez. – Ela disse sorrindo de lado.

– Onde pensam que vão? – Lire apareceu em nossa frente com uma arma em mãos. – Vocês todos vão morrer hoje. Esse é o fim do meu jogo, e não serão vocês que vão acabar com ele! – Ela olhou pra Elesis. – Para de me olhar desse jeito, sua mulher-macho. Se não será a primeira a receber uma bala no meio dessa testa.

– Tem uma mira tão boa assim, princesa? – Elesis disse e Lire apontou pra ela.

– Morra. – Lire atirou.

Pew

– Eu...já disse pra vo...cê...se acalmar, Elis. – Ronan virava sua face para nós, logo cuspindo sangue.

– Ronan! – Elesis gritou, me largando e indo com Ronan ao chão. – S-Seu idiota! – A bala havia acertado na barriga de Ronan, que foi ao chão já com seus olhos fechados. Elesis começava a chorar, segurando no rosto de Ronan. – P-Por favor, não vá embora. Não me deixe aqui... Eu preciso de você! Ronan! Eu...Eu te amo! Droga!

– Hu. Há...ha haha hahahahahahahahaha. – Lire ria como se fosse a coisa mais engraçada que já havia visto.

– Sua monstra. – Uma lágrima caia dos meus olhos, que a olhavam com o máximo desprezo que eu poderia ter.

– Patético, patética. – Ela ria ainda mais. – E essa cena? Patéticos! – Ela parava de rir e olhava séria para Elesis. – Se fechasse essa matraca, talvez seu paquerinha estivesse vivo agora.

– Vai pro inferno, seu demônio! – Elesis berrou para a mesma.

– Cale-se enquanto eu estiver falando, o-gamer. – Lire atirou.

Pew.

– Pare! – Eu gritei ao ver que havia atingido a coxa direita de Elesis, que caia agoniada no chão.

– Aaah! – Gritava e segurava em seu ferimento. Olhei para Lire e estava trêmula com uma das mãos no rosto. Quando retirou tinha um olhar excitado.

– Esses gritos de agonia, essas cenas de horror... – Ela botava sua mão em seus cabelos enquanto parecia delirar. – O desespero é saciador. – Olhava outra vez para Elesis e apontava a sua arma para a mesma mais uma vez. – Grite, berre, se desespere! Me faça feliz com sua angustia. – Lire atirou.

Pew.

– Kya! – Sieg havia a empurrado, e sua bala não havia acertado ninguém. – Uno! – Quando olhei para Uno, Zero estava quase completamente ensanguentado, sentado no chão e encostado a parede. Porém tinha um sorriso no rosto.

– Sua...patroa...o chama. – Disse e Uno o deu um chute no rosto, vindo até nós. – Hu. Melhor se despedir dela o quanto antes. – Zero disse enquanto Uno se afastava e Sieg ia para trás.

– Mate esse homem que atrapalha a minha diversão. Não importa se ele for o detetive desse Ousama game. – Lire disse se levantando com a ajuda de Uno e logo o mesmo preparava-se para acertar Sieg com uma onyx wakizashi* que retirou de baixo de seu sobretudo.

– Sieg! – Gritei e o vi tropeçar no ultimo instante antes que seu peito fosse perfurado pela arma. Arregalei os olhos ao ver algo que não pensei que veria algum dia. Mari segurava a onyx wakizashi de Uno com sua pequena faca que tem sempre colada a suas pernas.

– Oque está fazendo Mari? – Lire parecia nervosa.

– Você não disse que não ia interferir, Mari? – Perguntei sem deixar de fita-la.

– Ela me ama. – Sieg disse retirando rapidamente uma pistola do sobretudo de Uno sem que o mesmo pudesse se mover. Mari continuava em silêncio segurando firme sua faca para manter Uno ocupado.

– Voltando atrás com a sua palavra, Mari? Não havia dito “Enquanto não fizer nada a mim, não farei nada a você”? – Lire perguntou indo para trás.

– Acontece que não posso deixar que o mate, se não eu serei a principal culpada pelo crime. Logo, você está me fazendo algo. – Mari disse chutando a mão de Uno, o fazendo larga sua arma.

– Uno, acabe com ela! – Lire ordenou e disfarçadamente se afastava de nós.

– Lin. – Sieg chamou a minha atenção e jogou a arma que pegou para mim. A peguei. – Acabe com o ousama game. – Ele disse sério e olhava um pouco turva para aquela arma. Eu conseguiria? – Você consegue. – Olhei para Sieg e ele tinha um sorriso no rosto.

– Lin. Me de essa arma. – Lupus tentava se levantar, em vão.

– Chega de ser o herói por hoje, Lupus. – Disse ao mesmo, que parou de tentar levantar. – Eu vou por um fim nisso, como havia prometido. – Disse sorrindo para tranquiliza-lo e logo fiquei séria, indo atrás de Lire. – Ajudem a Elesis e o Ronan!

– Lin! Não! – Lupus gritava tentando me impedir de ir atrás de Lire, porém não podia o dar ouvidos agora.

– Me desculpe. – Só pude gritar isso. Desculpe sujar minhas mãos depois de você se esforçar tanto pra que eu não precisasse fazer tal coisa. Mas eu vou cumprir a minha promessa, porque esse é meu jeito ninja. Eu precisava de uma frase de efeito dessas.

Achei escadas e as segui. Vi uma luz lá de cima e a segui. Virei e acabei em um corredor longo com apenas uma porta ao seu interior. Ouvi a voz da Holy.

– I-Isso não pode ser verdade! – Eu tenho certeza que é a Holy!

Corri sem pensar duas vezes até a ultima porta, de onde vinha o som da voz da Holy. Quando entrei me deparei com uma sala cheia de tvs, mostrando a imagem da Hol aos choros. Ela estava com a mesma roupa de quando fomos ao parque.

– A...Minha mãe não me quer mais? – Ela disse ainda mais aos choros. – Ela...me vendeu? – Eu chorava vendo aquela imagem.

– Pobrezinha, você não acha? – Olhei direito para o interior da sala, e Lire virava a cadeira que estava sentada para minha direção. Pausou a gravação de Holy, deixando a imagem do seu rosto entre lágrimas na tela de todas aquelas tvs. – De todos os o-gamers, ela era realmente a mais frágil e mais influenciável. – Lire segurava seu riso. – Sabia que depois de todo aquele discurso que ela deu a você sobre “Querer viver”, bastou falar que os seus queridos pais a venderam pra que quisesse morrer novamente.

– Eu vou matar você, sua desgraçada! – Gritava entre lagrimas e soluços, apontando a arma para ela, com as minhas mãos trêmulas.

– Acalme-se Lin. Veja o espetáculo até o fim. – Ela retirou o pause da gravação e eu continuava a ter imagens da Holy.

– Estamos aqui pra cumprir o trato com a sua querida mãezinha. Vamos te matar. – Lire disse pegando no rosto de Holy.

– Não. – Holy abaixou o olhar. – Não precisam fazer isso... Se é isso que a minha mãe quer, a presentearei com a minha morte. Perdoe-me senhor. – Minhas lágrimas silenciosas caiam mais fortes, juntas com meus gritos.

– D-DROGA! Hooooly! – Lire ria, não sabia se era de minha reação ou da imagem da Holy cortando todo o seu corpo com uma faca que Lire a deu. – PARA! – Atirei e acertei uma das tvs. – PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! – Gritava e atirava enquanto Lire apenas ria. Com o meu nervosismo não conseguia acertar um tiro se quer perto de Lire, e pelos seus risos sabia que eu não iria mesmo conseguir.

– Desculpe mãe, eu acho que sou forte demais para morrer desse jeito. – Holy, quase toda cortada e ensanguentada tentava se levantar. – Desculpem, mas poderiam amarrar uma corda de arame no teto? Eu acho que só morrerei dessa forma.

– PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! PARA! – Não! Eu no quero mais ver aquilo! Não!

– Vocês poderiam dar um recado a Lin, por favor? – Parava de gritar e atirar ao ouvir que disse meu nome. – Deem aquela foto pra ela. – Apontou para a foto que tiramos. – E digam “Me diverti muito saindo e vendo filmes com você. Você foi a melhor amiga que eu poderia pedir a Deus, por isso me desculpe lhe abandonar tão cedo. A mulher que me pôs no mundo quer que eu saia dele, então assim o farei. Por favor, demore para me visitar. Venha só depois que tiver um lindo casamento e tiver muitos filhos, depois que ver seus netos e até bisnetos. Quando tiver 200 anos venha me ver, eu estarei lhe esperando no céu. Se Deus me permitir ir a ele.” – Ela dizia subindo na cadeira e esticando seu pescoço até a corda de arame que foi posta enquanto falava seu recado.

– Eu não me lembrarei de todo esse textinho comovente. – Lire disse.

– Então diga apenas um “Obrigado e me desculpe”, por favor. – Ela sorriu daquela forma fofa e saltou da cadeira, morrendo de imediato. Lire pausou na imagem que eu havia visto naquela noite. O rosto agoniado e perturbador de Holy, com se corpo inteiro transbordando sangue.

– P-Porque... – Estava nos chãos, aos prantos. – Porque me mostrou isso? – Olhei com desprezo para Lire, que sorria macabramente.

– Pra provar que não sou nenhuma mentirosa, afinal já havia lhe dito que eu não matei a Holy. E também ver a sua reação, não esperava nada mais magnífico de se ver. – Ela começava a rir.

– Você não devia nem ser chamada de ser humano. – Disse ainda com mais desprezo, oque não achei que seria possível.

– Não vim aqui para mostra-la apenas isso. – Ela apertava um botão atrás de si e caiam em minha frente milhares de cartas. – Está vendo tudo isso, Lin? Todas essas cartas são de pais que querem vender seus filhos de 16 anos, com traumas e histórias perturbadoras. Leia uma delas. – Peguei em minhas mãos uma das cartas e começava a ler. Ficava trêmula a cada palavra. Como tantos pais poderiam odiar seus filhos dessa maneira? Capazes de vendê-los para morrerem...? Peguei outra carta e ainda não podia acreditar nas coisas que lia. – Eu adoro essa sua expressão indignada, Lin. Só a sua horrorizada que supera. Tive que tampar meus olhos muitas vezes pra não mostrar meus olhar maravilhado a todos os desastres que tive que presenciar.

– Então deu uma de sensível porque não conseguia disfarçar sua maluques insana? – Perguntei-a, já recuperada do meu choro.

– Como diria a Mari, “essatament”. – Ela disse sorrindo e, logo apertando outro botão.

– Oque vai fazer agora?... – Perguntei me levantando rapidamente.

– Relaxe Lin, apenas vou lhe mostrar todo o ousama game em poucos segundos. Quero ver o seu olhar uma ultima vez. – Em cada uma das tvs ali presentes via um dos participantes morrendo. A Arme tendo duas facas atravessando seus olhos. O Lass sedo acertado por um machado em sua cabeça. O Ryan sendo cordado em pedaços, ainda vivo. Ronan recebendo o tiro de Lire. Amy sendo aberta e tendo seus órgãos retirados. Jin recebendo o tiro de flecha em sua cabeça. Dio sendo enforcado no hospital. Rey cortando seus pulsos. Edel sendo esfaqueada até a morte. Veigas sendo preso com pregos no quarto de hospital, e recebendo um corte na barriga até que morresse.

– PARA! – Disse fechado meus olhos e tapando meus ouvidos.

– Quer ver um ao vivo? – Ela mostrou Azin, que até então chorava sobre aquela pedra.

– Não! Não faça nada a ele! – Disse tentando acalma-la e impedi-la de fazer qualquer loucura.

– Quer salvar este homem que ajudou no processo da morte da nossa querida Holyzinha? – Ela dizia passando seu dedo em volta do botão que aparentemente apertaria.

– Eu não quero ver mais mortes. – Disse encarando seu dedo, com medo de que ela o apertasse.

– Eu acho que estaria fazendo um favor a ele agora. Você não acha? Ele não tem pais do seu lado, não tem mais namorada, não tem mais amigos por pensarem que ele é um assassino... E olhando para os comentários dos meus telespectadores, eles querem que ele morra. Não vejo motivos para não apertar esse botão. – Ela parava seu dedo sobre ele.

– Se você apertar eu também vou apertar. – Disse apontando a arma para ela.

– Que frase mais sem nexo. Você vai atirar, não vai apertar. – Ela bufou. – Logo você que é filha do policialzinho... Pensei que sabia mais sobre armas.

– Saber mais sobre armas? – Fiquei confusa.

– Você sabe quantas vezes atirou? Sabe quantas balas haviam nessa pistola? – Atirei, porem as balas haviam acabado. – Como pensei.

– Lire, n-não aperte esse botão. – Ficamos uns segundos em silêncio.

– Ops. – Ela apertou. Olhei para a imagem do Azin e uma pedra havia caído encima dele. O esmagando por inteiro e espalhando seu sangue por toda aquela sala.

– Desgraçada! – Corri até ela que ria de mim, mesmo dando-lhe um soco no rosto. – Pare de rir, sua louca varrida! – Ela pegou uma arma e atirou.

Pew.

– V-Vadia. – Ela acertou em meu ombro direito, mas não podia deixar aquela arma em sua mão. Segurava naquela arma, tentando pega-la. Atirei.

Pew.

– A-Ah! – Dessa vez o tiro acertou no pé de Lire. Ela me deu um soco, pisei em seu pé ferido, mas mesmo assim nem eu e nem ela largávamos aquela arma. Largar aquela arma significa morrer. Eu não posso morrer. Eu só posso morrer depois que tiver um lindo casamento e tiver muitos filhos, depois que ver seus netos e até bisnetos. Apenas quando tiver 200 anos. Nesse dia eu verei a Holy outra vez, no céu.

Joguei meu peso sobre Lire e cai encima da mesma. Dei uma cotovelada em sua face e ela nos virou ficando por cima de mim. Me deu uma mordida na mão, eu chutei seu quadril e depois de usar muita força, consegui tirar a arma d suas mãos. A joguei para trás e levantei, apontando pra ela que ficava em pé em minha frente.

– Vamos lá Lin. Atire. – Ela esticava suas mãos em minha frente, sorrindo daquela forma macabra que me deixa nervosa.

– Eu sempre desejei essa situação. Eu, uma arma e o Rei. Mas quem imaginaria que o Rei seria aquela garota frágil que eu tinha que cuidar sempre que algo acontecia? – Olhava com desprezo pra ela. – Você é o pior tipo de ser humano que existe.

– Eu me sinto honrada escutando tantos elogios da representante intocável da Daegu High School. – Ela arqueava suas sobrancelhas e sorria, enquanto eu ficava séria, sem deixar de apontar a arma para ela. – De repente uma garota de cabelos negros, pele bronzeada e olhos azuis veio para um local onde só temos pessoas bem brancas... Eu fiquei curiosa com a sua vinda, ela ocorreu no mesmo momento em que eu criei o projeto do ousama game. Logo quando hackeei o computador central fiquei bem surpresa de saber que ele já havia sido hackeado por você.

– Cale essa boca! Eu não quero saber de nada disso.

– Deixe-me falar, tenho coisas a agradecer a você. – Ela sorriu mais.

– Coisas a agradecer? – Perguntei séria.

– Por mais que atrapalhasse o meu programa as vezes, a sua história foi a melhor de todas. E também a história que viveu com nosso querido Lupus foi a que teve mais audiência. Após essa magnífica cena de vocês dois, tive estudantes, filho de mafiosos querendo entrar no ousama game pra ter uma historinha de amor como você. – Ela sorriu.

– Que cena? – Perguntei nervosa.

– Se me permite, apertarei esse botão e verá. – Ela ia para trás de vagar e apertou no botão. Foi mostrada a cena em que estávamos prestes a transar.

– V-Você expos a minha vida dessa forma? Sua...! – Ficava com cada vez mais raiva dela.

– Imagina que trágico se nosso querido Lupus morresse agora? – Ela estendia sua mão até um botão, porém atirei.

Pew.

– Não se mexa! – Acertei perto de sua mão.

– Olha, quando mexem com o Lupus ela fica realmente revoltada... – Ela deu um risinho.

– Se tentar fazer alguma gracinha, vou atirar e dessa vez eu vou acertar. – Disse mais que séria e ela pareceu ficar nervosa. – Venha para frente. – A chamei e ela vinha com as mãos para o alto.

– Mudou sua feição Lin. Agora estou curiosa pra oque fará. – Ela riu.

– Se fazer esse risinho de novo eu vou atirar. – Disse ainda mais séria.

– Vai ficar só na ameaça, Lin? – Atirei.

Pew.

– Ameaça o suficiente pra você? – Acertei em seu braço e ela ia ao chão.

– Hahahaha. Olhem só quem conseguiu atirar. – Ela ria daquela forma. Atirei.

Pew.

– Cale essa maldita boca e vá pro inferno, seu demônio. – Acertei seu outro braço.

– Realmente você era a peça mais rara do meu jogo, Lin. Os mafiosos queriam você, todos eles me mandavam altas propostas só para compra-la. Eu devia ter tentado lhe comprar. Eu perdi uma grande oportunidade. – Atire.

Pew.

– Já mandei calar essa boca, infeliz. – Acertei em sua cintura.

– Porque não dá logo o tiro de misericórdia Lin? Acerte minha cabeça. – Ela fazia um rosto mais que maníaco. – Quando me matar, continue esse jogo. Seja o Rei no meio dos participantes angustiados. Seja o falso-herói. – Ela começava a rir de novo.

– Você me da asco. – Atirei.

Pew.

– Game over. – Acertei em sua testa.

Fui até o computador que Lire mexia em todos os comandos e paguei todos os arquivos e gravações e descia de vagar pelas escadas.

– Lin! – Lupus foi o primeiro a me avistar. Olhei para Mari e estava sentada encima de Uno, que foi completamente cortado pela mesma. Olhei para Elesis e tinha seu rosto triste, transbordando mais lágrimas. O Ronan realmente...se foi.

– Lin, você conseguiu? – Sieg vinha até mim e segurava-me de vagar, pondo um dos meus braços sobre seu pescoço.

– Ela conseguiu. – Zero disse e pude ver o seu pentagrama no olho completamente ensanguentado. – A maldição me diz que sim. – Ele sorriu. – Agora eu posso descansar em paz.

– Zero, do que está falando? Você tem que viver! – Disse fazendo Sieg me levar até ele.

– Essa estava prevista para ser a minha ultima premonição. Agora eu descansarei, assim diz a maldição. – Ele sorriu outra vez e fechou os olhos por completo. – Obrigado Lin. Naquele dia eu me senti realmente feliz.

– Zero... – Lágrimas caiam mais uma vez. – Porque todos estão indo embora agora? Agora eu tudo acabou...

– Lin. – Lupus havia se levantado e me deu um abraço. – Eu não vou embora. E aposto que esse sujeito do seu lado também não. – Apontou o olhar para Sieg, que sorriu. – A esnobe também não. – Olhou para Mari. – E creio que uma ruiva vai precisar de uma amiga agora. – Olhou para Elesis. – Isso significa que nem ela e nem você poderão ir embora.

– Eu te amo. – Abracei Lupus fortemente, largando Sieg.

– A policia e ambulâncias já estão a caminho. Ainda bem que tudo acabou, finalmente posso concluir muitos casos de uma só vez. – Sie disse cainhando até Mari.

– Oque quer? – Ela o olhou séria.

– Quero sair com você depois que tudo for ajeitado. – Ele disse agachando na frente de Mari.

– Saia da minha frente. – Ela se levantou e saiu andando. – Nos vemos na escola. – Ela balançou sua mão, já virada para a saída.

– Essa vai ser páreo duro. – Sieg comentou sorrindo de lado.

~

Depois que a ambulância e os policiais chegaram deixamos tudo na conta de Sieghart. Eu, Lupus e Elesis fomos levados para o hospital e para sermos tratados.

Expliquei tudo para os meu meus (quase tudo. Oque aconteceu comigo e com o Lupus muitas vezes não precisa ser contado). A senhora Wild pediu perdão para Lupus, oque recebeu sem demora. O Lupus ama a sua mãe, acima de qualquer coisa. Após uns dias se passarem eu tentava alegrar a Elesis e faze-la seguir em frente, mais seu imagino o quão duro seria a sua situação. Sieghart voltou a perseguir a Mari, não porque ela era suspeita de algum crime, mas porque ainda não havia aceitado sair com ele. Eu e Lupus estamos bem. Depois de um longo tempo com as garotas ainda não aceitando a nossa relação, elas pararam de procurar pelo Lupus.

~

20 de dezembro, sábado. Dois meses após o fim do jogo.

09:00

~Escola~

– Este ano foi turbulento, principalmente para o 2º ano D. – A diretora falava encima do palco enquanto todos estávamos sentados.

– Ela precisa nos lembrar disso o tempo todo? – Lupus disse apoiando seu queixo em meu pescoço.

– Realmente isso é irritante. – Disse bufando e acariciando o cabelo do Lupus.

– Hoje faz um mês e dois dias que estamos juntos, temos que comemorar. – Ele disse com o rosto malicioso de sempre

– No comemoramos anteontem Lupus, tire o seu cavalinho da chuva. – Apertei o seu nariz.

– Você é muito cruel. – Ele disse passando uma das mãos e volta da minha cintura.

– Comporte-se ao menos um pouco Lupus, a diretora está olhando pra nós.

– Chamarei agora a representante de classe, Lin Myo, do 2º ano D para dar umas palavrinhas. – A diretora apontou para mim.

– Ela ta de sacanagem? – Falei pondo a mão no rosto.

– Vai lá, representante. – Quando me levantei Lupus deu um tapinha na minha bunda. Dei um tapa em sua cabeça vendo que muitos riram da cena.

– Bem, eu não esperava por isso e não tenho nenhum discurso pronto, então sejam bomzinhos e batam palmas no fim, por favor. – Disse e uns riram. – Quando eu entrei nessa escola foi para fugir de um medo. Por muito tempo eu tive um trauma forte, forte o suficiente pra não me deixar criar nenhum laço, não conhecer nem virar amigo de ninguém. Porém no dia 6 de outubro tudo mudou. Eu criei meu primeiro laço, mas esse se desfez no dia seguinte. Eu sempre estive na escuridão, mas fui clareando aos poucos com ajuda de amigos e mais que isso. – Olhei pra Lupus. – Muitos dos amigos que eu fiz se foram de uma só vez, mas eu os uso como incentivo para continuar vivendo, e quem sabe eu não esteja vivendo por eles? – Respirei fundo. – Eu vou pedir um pequeno minuto de silêncio para os nossos amigos de classe que se foram naquele turbulento mês de outubro. – Fechei os olhos e me lembrava de todas as cenas que vivi com todos eles, mesmo poucas, foram quase todas marcantes. Passou-se um minuto. – Por fim eu resolvi mudar, não por ter passado por tudo que passei, mas porque vi que a vida é algo valioso demais. Eu gastei dois anos da minha vida alimentando meu trauma, que agradeço ao meu namorado por me ajudar a tira-lo de mim pra sempre. – Sorri pra Lupus, que piscou pra mim. – Você só tem essa vida uma vez, então precisa aproveita-la todos os dias como se fosse o ultimo. – Levantei uma das mãos e gritei. – Que 2015 seja o ano do “novo”. – Todos aplaudiram e desci do palco voltando a me sentar com o Lupus, que me de um abraço forte e um beijo, e logo toda aquela cerimônia terminou.

– Sabe oque você lá encima de “Viver todos os dias como se fossem o ultimo”?

– Hum. – Afirmei revirando os olhos.

– Que tal viver hoje como se fosse o ultimo? – Ele beijava meu pescoço.

– Você é persistente hein. – Disse cedendo a aqueles beijos. – Vamos ver se você está merecendo até o fim do dia. Ta bom assim, senhor? – Perguntei pegando em sua face e a tirando de meu pescoço.

– Já é um começo. – Rimos e ele me deu um selinho enquanto me abraçava.

– Lin. – Elesis me chamava. – Desculpem atrapalhar esse momento tão meloso do casal. – Elesis voltou ao normal depois de um mês frequentando uma psicóloga. Eu sei que ela não esqueceu o Ronan, mais assim como eu tentei transmitir a todo tempo “O Ronan não iria querer te ver sofrendo, e sim feliz e vivendo por ele. Pôs ele deu a vida dele para te salvar”.

– Fale Elis. Sou toda ouvidos. – Sai de perto de Lupus e ia andando com ela para o jardim.

– Não era nada especial... Eu acho que o se discurso me tocou um pouco. – Ela tinha os olhos com lágrimas. – Me ajude a fazer do ano de 2015, o “novo”.

– Vamos todos ter uma nova vida nesse ano novo. Pode ficar tranquila Elis, eu vou te ajudar sempre que preciso. – Disse a abraçando forte.

– Obrigado, amiga. – Ela me abraçou de novo. – Bem, agora vou encontrar uns amigos. Até mais tarde. – Ela se distanciava me dando tchau com uma das mãos.

– Tchau Elis. – Me despedi. E ouvi vozes atrás do jardim que eu fico com a Kyuubi. O mesmo que fizemos a missão da Elesis de não respirar por 40 segundos. Sorria me lembrando de como Ronan era atencioso, bobo e preocupado. Realmente Elesis vai demorar a esquece-lo. Se um dia esquece-lo.

– Me deixe em paz, Sieghart. – Mari estava sentada embaixo de uma arvore e apontava uma faca para ele com seu pé direito.

– Eu não sou de desistir facilmente, já se esqueceu disso? – Ele disse dando língua para ela.

– Eu já disse que vocês são uma gracinha? – Disse rindo da cena e Mari abaixava sua faca e me olhava.

– Era com você mesma que eu queria falar, Lin. – Mari ajeitou seus óculos.

– Mari. – Sieg olhou sério pra ela.

– Oque foi? – Perguntei confusa.

– Eu quero reerguer minha famiglia, e preciso primeiramente de gente que eu possa confiar.

– Mari, você mesmo disse eu tinha um futuro pela frente. Qual é a necessidade de criar novamente uma família mafiosa? – Sieg a perguntou, sério.

– Vendo toda aquela história do ousama game, vi que alguém precisa por um fim nesse “submundo da internet”. Quem melhor que eu?

– Não ai adiantar eu falar nada com você... – Sieg se deu por vencido e sentou-se na grama.

– Mas porque eu? – Perguntei um pouco surpresa.

– Eu vi o corpo da Lire. Você nos escondia uma bela mira, Lin. – Ela disse apoiando o queixo no seu braço.

– E como pode provar que terei sua lealdade? – Perguntei séria.

– O chefão dos Isolet está pestes a vir atrás de você, fiquei sabendo revirando os computadores da princesinha.

– Vir atrás de mim? – Ficava tensa.

– Não sei exatamente para que ele te quer, mas virá atrás de você. – Ficava ainda mais tensa.

– Mari, olha lá oque vai dizer agora. – Sieg suspirou, pondo a mão no rosto. – Quer saber, eu vou fingir que não te conheço, assim é melhor. – Ele deitou na grama.

– Apenas uma palavra, Lin. Uma palavra e assim o farei. – Parecia que via um sorriso nos lábios de Mari.

– Mate-o.

Por um 2015 “novo”.

Notas finais
Onyx wakizashi: Um tipo de Katana curta, com aproximadamente uns 20 a 30 cm. Obrigado por terem conferido até o fim e espero que tenham gostado ;) Até uma próxima vez. hihi. Deixem comentários dizendo oque acharam desse fim. Reviews e críticas construtivas, please. Kissu eterno de gelo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!