Ousama Game

4 O não-cumprimento da ordem encarretará em uma punição


00:05

O Rei não dará uma ordem hoje...

Oque aconteceu aqui?

Sair sozinha a essa hora é perigoso, mas não posso dormir após uma ligação dessas. Tenho que ir até a casa do Azin.

Ainda não estava com minhas roupas de dormir, então apenas sai de meu quarto e peguei meu telefone. Só agora ficava ciente do que eu iria fazer.

Eu ia ligar para o Lupus.

– Ainda acordada, Lin? – Era minha mãe.

– Acabei dormindo a tarde toda, acho que vou demorar pra dormir de novo... – Disse um pouco tensa. Passar pela minha mãe é mais difícil que pelo meu pai, e esse horário não ajuda nada.

– Então vem cá, filha. – Ela me chamava ao seu lado no sofá. – Faz tempo que não conversamos não é? – Não tenho escolha, terei que sair quando ela dormir.

– Você devia estar dormindo, amanhã vem a empregada conversar com você e o pai. – Disse sentando ao seu lado e ela me puxava pra mais perto, me abraçando.

– Como a minha filha é chata. – Ela disse num suspiro após um abraço apertado.

– Isso não é ser chata, só estou preocupada. – Disse de bico.

– Está tudo bem, não tem nada pra se preocupar. – Acabei me aconchegando em seu colo e sentia minha mãe fazer um cafuné em minha cabeça, deslizando seus dedos nos meus fios grisalhos. – Você cresceu tão rápido, Lin. – Sentia tristeza nas suas palavras fracas.

– É... – Disse num suspiro.

– Queria muito saber oque a motivou a seguir em frente tão de repente. – Ela perguntou querendo fitar meu rosto, e logo voltei a ficar sentada em seu lado.

– Eu...acabei encontrando alguém um pouco parecido comigo. Não temos o mesmo tipo de história, mas odiamos o nosso cabelo. – Ri e vi minha mãe ficar surpresa.

– E essa pessoa é um garoto? – Ela perguntou fazendo um rosto malicioso.

– Q-Que cara é essa mãe? – Falei um pouco alto enquanto ela ria da minha reação.

– Se não quiser dizer nada tudo bem, sabe que respeitamos o seu espaço. – Disse, fazendo-me novamente me aconchegar abraçada a ela. – Só lembre de agradecer essa pessoa por mim.

– Ta bom...

12 de outubro, domingo. 7º dia de jogo

09:00

Acordei num susto.

Estava deitada em minha cama com a mesma roupa de ontem à noite. A conversa com a minha mãe me distraiu e quem acabou dormindo foi eu! Preciso me arrumar e correr para a casa do Azin. Quando terminei meu banho ouvia a campainha tocar... Será que é a mãe do Lupus? Admito que estava um pouco ansiosa pra vê-la pessoalmente.

– Bom dia, senhor e senhora Myo. – Que voz alegre...Ela não me parece uma pessoa que sofreu tanto. – Bom dia Lin, e muito obrigado por procurar pelos meus serviços. – Ela disse apertando minhas mãos após as dos meus pais.

A mãe de Lupus era loira e tinha belos olhos vermelhos. Me parece tão jovem que poderia confundi-la como a “sua irmã mais velha”.

A observando fico a pensar... ”e se fosse eu?”. Vendo sua aparência tão jovem, deduzo que ela foi trabalhar ainda nova na casa dos Isolet. E teve também o Lupus ainda nova... Se eu estivesse engravidado daqueles homens não queria nem imaginar a dor que sentiria todos os dias olhando pro meu filho...

Caia em pensamentos negativos até ouvir uma voz familiar.

– Mãe, se controle. – Lupus entrou em minha casa coçando sua cabeça.

– Desculpem o transtorno, mas meu filho insistiu em vir comigo. – Ela disse com um rosto risonho.

– Não tem problema algum. – Meu pai disse sorrindo a mesma.

– Espero que futuramente cuide bem de nós assim, Lin. – Minha mãe comentou e riram. Lupus segurava o riso e eu tinha vontade de bater nele, pra variar.

– Entrem. – Meu pai os chamou e ambos se sentaram no sofá. – Podemos começar discutindo sobre os horários... – Nem ligava para oque conversavam, não parava de fitar negativamente o Lupus.

Ele não pediu desculpas.

Mesmo não sendo de meu feito ter uma reação de criança como essa, eu não vou falar com ele até que se desculpe.

Nem notei o quanto o tempo passou, adultos conversam demais... Já eram quase onze horas e estavam ali batendo papo e rindo.

Meu pai recebeu um telefonema e pediu licença para atender.

– Venha conhecer a casa antes que se mude completamente pra cá, senhora Wild. – Minha mãe dizia enquanto ia com a mesma a cozinha.

Espera... Se mudar completamente pra cá? Eu estou tão distraída assim que não vi como a conversa deles havia fluido?

– Eu sei que é difícil, eu sou bonito, mas precisava ficar me olhando desse jeito na frente da minha mãe e ainda dos seus pais? – Lupus tinha que comentar algo assim. Tinha vontade de bater nele, porém me contive apenas olhando para o lado enquanto bufava. – Oque é isso? Vai me ignorar? – Ele perguntou e continuei sem dizer nada, até peguei em meu celular pra ignora-lo por completo.

– Filha, houve um imprevisto e tenho que ir mais cedo a delegacia. Avise a sua mãe e peça para assinar o contrato com a senhora Wild. – Meu pai disse pegando suas coisas, já arrumado com sua roupa de policial. – Onde está a minha...?

– Chave? – Peguei-a acima da mesa e dei a ele.

– Ah sim, obrigado Lin. – Ele deu um beijo em minha testa e saiu rápido.

– Tenha cuidado no trabalho! – Disse e ouvi gritar já de longe um “sempre”, como era de nosso costume.

– Agora pode falar porque está me ignorando? – Ouvi Lupus falar com sua voz rouca em meu ouvido e me arrepiei de pé a cabeça.

– P-Panaca! – Disse saindo de perto do mesmo, corando de leve.

– Estou esperando. – Ele disse se encostando a parede ao seu lado e cruzando seus braços.

– Você ainda não me pediu desculpas. Mesmo que não vai mais me ajudar, eu exijo-as. – Disse virando pro lado, de bico.

– Quando foi que ficou tão sensível? Antes não ligava pra essas coisas. – Parei e refleti por uns segundos... Ele tem razão. Oque aconteceu comigo hoje? – Mas da mesma forma não vou pedir desculpas. – Ele disse dando um leve sorriso de lado.

– Não sei nem porque esperava que pedisse. – Que idiota da minha parte.

– Eu só peço desculpas se me arrependo de algo que fiz. Até agora não me arrependo de nada. – Ele disse me fitando daquela forma sexy que me fez corar completamente.

– P-Panaca pervertido! – Disse um pouco alto enquanto ia até a cozinha, mas no caminho percebia que nossas mães nos observavam escondidas.

Droga. Se ouviram tudo, isso não vai prestar quando estiver sozinha com a minha mãe.

– Mãe, o pai teve que ir pro trabalho e mandou avis... – Não conseguia falar com as duas me fitando com um rosto malicioso. – D-Desmanchem essas caras já! – Berrei envergonhada.

“Você recebeu uma nova mensagem”

Ouvi o celular de Lupus tocar da sala junto ao meu.

Não entendo...O Rei não ia dar ordens hoje, estou enganada? Tinha medo de ver a mensagem, mas quando tomei coragem senti um braço em meu pescoço.

– Nos mandaram uma mensagem, Lin. – As caras das nossas mães só ficaram mais maliciosas ainda.

– S-Sai panaca! – O empurrei e ele se afastou. Agora eu tenho medo é de fitar a minha mãe.

– Agora sei como minha filha te achou. – Ouvi-a comentar.

– Agora eu sei porque meu filho insistiu tanto... – A mãe de Lupus comentou.

– A Lire está nos chamando pra um almoço com todos daqui a duas hora, quer companhia pra ir? – ELE ESTÁ FAZENDO ISSO DE PROPÓSITO.

– NÃO. – Berrei. – Eu sei o caminho... Se eu for!

– Não seja chata filha, saia com...os amigos. – Minha mãe disse ainda com aquele olhar.

– PORQUE ESSA PAUSA ENTRE O “COM” E O “AMIGOS”? – Berrei a mesma.

– Também é um tipo de reunião Lin. – Lupus disse sério, encostado a parede.

– Tudo bem, eu vou. – Disse e logo mudei de assunto. – Mãe, o pai mandou assinar o contrato. Houve alguma coisa no trabalho e ele acabou de sair correndo pra lá.

– Seu pai não tem jeito mesmo... – Minha mãe disse num suspiro, deixando só agora aquele rosto malicioso. – Bem, seja oficialmente bem vinda, senhora Wild. – Minha mãe apertou a mão da mãe de Lupus.

– Obrigado, senhora Myo. – Ela retribuiu com um sorriso. Logo ela olhou de canto para mim e Lupus. – Acho que seremos uma grande famil... – Ela não terminou de falar, olhei-a com um rosto amedrontador.

Acabo de me lembrar do Azin...!

– Mãe, eu preciso dar uma saída agora, vou devolver um livro para a biblioteca. Se me permitir de lá irei para a casa da Lire para o almoço que ela nos ofereceu. Tudo bem? – Perguntei e ela pareceu pensar, até que virou seus olhos para o Lupus.

– Oh, sim, claro. Pode ir filha. – Ela disse sorrindo mais que o normal.

– Não gostei dessa cara. – Disse fitando-a séria.

– Filho, devia acompanha-la. – A mãe de Lupus disse ao mesmo.

– QUE. – Berrei.

– Você vai ficar bem? Já pegou tudo de que tinha que pegar daquela casa não é? – Ele perguntou sério e ela assentiu sorrindo de lado. – Quando for embora vá pra minha casa, ouviu bem? – Lupus é tão atencioso com a mãe dele. Fico feliz que não desconte a raiva que sente pelo seu pai nela, é o contrário, Lupus a protege.

– Tudo bem papai, digo, filho. – Ela disse e Lupus depositou um beijo em sua testa, seguida pela sua mão direita.

– Vou indo. – Ele se despediu e virou pra mim.

– Vai indo pra onde? Não quero a sua companhia. – Disse enquanto saia da cozinha, ouvindo nossas mães rirem.

– Só vou porque minha mãe pediu que a acompanha-se, não misture as coisas. – Ele disse sério como sempre, com suas mãos no bolso.

– Eu recebi uma ligação do Azin ontem a noite.

– Hum.

– Eu tenho que ver se ele e a Edel estão bem. – Disse séria.

– Azin e Edel? Pensei que fossem as pessoas que você mais odiasse nesse jogo. – Ele disse arqueando uma das sobrancelhas.

– E são... – Disse passando uma das mãos em um dos olhos enquanto ria. – Mas eles precisam estar vivos pra que eu possa continuar os odiando. – Disse de bico, olhando pro lado.

– Sua estranha. – Ele disse rindo e bagunçando a minha franja.

– T-Tira a mão! – Bati em sua mão e saia de casa.

Chegamos em frente a casa do Azin e lá tinham policiais.

– Não... – Abaixei-me juntando minhas mãos em frente minha face. – Droga...

– Lin? E você? Oque fazem aqui? – Era meu pai.

– Desculpe perguntar senhor Myo, mas oque houve aqui? Somos amigos do Azin, que mora bem nessa casa. – Ouvi Lupus perguntar, mas não conseguia mais abrir os olhos, não queria mais abrir os olhos.

– Parece que ele matou a namorada e fugiu, mas acabou sendo atropelado.

De novo você não conseguiu fazer nada, Lin! Do que adianta se opor tanto ao Rei se só consegue salvar a si mesma com isso? Porque eu não consigo salvar todo mundo?

Eu não quero entrar e ter que fitar uma coisa daquelas de novo. Só de pensar eu me arrepio.

– D-Droga...! – Segurava meus braços, eu sentia frio. Um frio pior do que de uma temperatura abaixo de zero, um frio na alma, no coração. Eu perdi mais pessoas que pode parecer que não, mas considerei-as amigos.

– Eles estão mortos...? – Lupus perguntou mais baixo, mas consegui ouvir.

– A garota já estava morta quando chegamos, mas o garoto está no pronto-socorro do Fatima Daegu Hospital. Parece que quebrou algumas costelas ou algo parecido. – Ele respondeu e consegui abrir os olhos. O Azin está vivo...!

– Ei, Lin! – Tanto meu pai quanto Lupus gritavam enquanto eu corria até o hospital. Eu preciso vê-lo. Após correr por quase um minuto Lupus agarrou em meu braço. – Me larga Lupus, eu preciso ir no hospital...! – Berrava ao mesmo tentando me soltar.

– Vamos de taxi, sua louca! – Ele berrou de volta. Relaxei, deixando de me debater. – É longe daqui, ia mesmo correndo? – Ele retirou o estresse em um suspiro e falou mais calmo.

– Se preciso, ia... – Ele largou meu braço e andamos até o ponto de taxi mais próximo.

– Estranha.

~

12:00

Não podíamos entrar ainda, Azin estava em uma operação. Só tivemos a informação que ele havia quebrado a coluna. Após ouvir isso não me contive a sentar em um canto qualquer e chorar.

– Você não vai parar de chorar? – Lupus perguntou em pé ao meu lado.

– N-Não dá. – Disse tentando sessar o choro, oque parecia impossível.

– Porque não dá? – Ele parecia incomodado.

– Pensei que eu não fosse uma menininha, meu choro está incomodado agora? – Disse mais calma.

– Não é essa a questão. E ainda não respondeu a minha pergunta. – Ele disse ainda incomodado.

– Você não sabe oque isso quer dizer, Lupus? – Mais lágrimas caiam. – Ele pode não conseguir andar nunca mais! – Que aperto no peito. Isso seria pior que morrer? – C-Como alguém é capaz de fazer uma coisa dessas? Nós, todos nós estávamos quietos tendo uma vida normal! Porque o Rei está fazendo uma coisa dessas com todos nós? – Levantava com dificuldade, encostada na mesma parede que Lupus. – Quem vai ser o próximo, Lupus? E como vai ser? Ele vai nos manipular de novo e fazer com que um companheiro mate o outro? Ou será que dessa vez ele vai vir atrás de nós, nos matar, e sair impune? Eu...Eu não aguento mais, Lupus. Não aguento mais! – Batia na parede e Lupus só me observava sem dizer nada.

– Para de chorar, sua estranha. – Ele puxou meu rosto até seu peito. – Ou vou ser obrigado a me aproveitar da situação de novo. – Ele comentou olhando pra cima, enquanto eu afundava meu rosto em seu peitoral, apertando-o com minhas mãos enquanto chorava ainda mais. Senti sua mão acariciar minha cabeça, isso me ajudou um pouco ao longo de quase trinta minutos de angústia.

– A operação foi um sucesso, porém ambos sabem o destino de ter a coluna quebrada não é mesmo? – Uma enfermeira veio até nós e nos constatou. Ainda agora me mantinha agarrada no peito de Lupus, não conseguia fita-la.

– Sim. – Lupus disse enquanto voltava a acariciar mais minha cabeça contra seu peito.

– Mas não podemos perder as esperanças, a fisioterapia pode ter um bom resultado futuramente. – Ela pareceu sorrir. – Peço que entrem em contato com parentes do paciente, por favor. – É mesmo, Azin morava sozinho... Mais tenho os números de seus pais dos registros do colégio.

– E-Eu v-vou fa-falar com e-eles. – Tentava falar algo, mais tudo saia picotado com a quantidade de soluços que eu tinha naquele momento. Lupus botava sua outra mão em minhas costas e me abraçava, não tinha forças nem pra repelir aquele abraço.

– Nós vamos avisar os pais dele sim, obrigado por nos constatar como ele está. – Lupus disse após me abraçar mais forte.

– Eu que agradeço. Com sua licença. – Ela se retirou do local.

Ainda permanecemos ali por mais uns minutos, não sei ao certo, estando ali daquele jeito com qualquer outro homem que não fosse meu pai era estranho. Não me interessei em notar os minutos passando.

– Já mais calma? – Ele perguntou me tirando de meus pensamentos.

– Hum. – Não conseguiria falar nada sem soluçar, preferir não dizer nada e me afastar dele de vagar. Eu ainda queria ficar ali, era relaxante...

– Eu só perguntei. – Ele pegou em minha cabeça e me encaixou novamente em seu peitoral, não me atrevi a sair dali. – Hoje é meu dia de folga também, não transo aos domingos. – Deu vontade de bater nele. Oque ele queria dizer com aquilo? – Eu tenho o dia todo pra ficar aqui. – Não conseguia dizer nada ainda, apenas fiquei ali e estiquei minhas mãos até suas costas. Isso é estranho, mas tenho que me acostumar.

Com a ajuda do Lupus eu consigo tocar em um homem de novo.

Consigo pegar na mão de um homem, consigo conversar com ele, consigo acaricia-lo, consigo abraça-lo, consigo sentir compaixão, coisas que eram impossíveis a uma semana atrás.

Uma semana... Já vai fazer tudo isso desde que esse jogo começou? Ainda não consigo acreditar nisso.

– Com licença. – Lupus falava com alguém. – Desculpe incomodar, mas podemos ver o paciente Azin Tairin? – Lupus perguntou. Eu sei que ele nem ligava pra oque houve com o Azin, então acho que ele fez isso por mim. Obrigado, Lupus.

– Desculpem, mas ele está descansando agora após uma operação. Só depois de amanhã podem vê-lo, e mesmo assim não temos certeza se ele sairá do coma até lá. – Ela respondeu.

– Obrigado pela informação. – Lupus respondeu num suspiro.

– Estou aqui pra isso, podem perguntar oque quiser. – Ela pareceu sorrir e logo se foi.

Lupus voltou suas duas mãos em minha cintura e abaixava sua face em meu pescoço. Ele vai se aproveitar da situação de novo...? Sentia sua boca deslizar em meu pescoço, o cheirando. Isso me arrepia. Logo ele parou de deslizar pelo local e depositou um beijo ali, quando percebi já era tarde demais. Ele havia me dado um chupão!

– Aah. – Gemi sem querer, e logo depois me afastei dele dando-lhe um soco na cara.

– P-P-Porque fez isso!? – Disse tapando o local com minha mão. Se aquilo estivesse marcado? Que vergonha!

– Não preciso de motivos pra querer distribuir chupões. – Ele disse com uma face normalmente sínica, logo pondo sua língua pra fora.

– TINHA QUE SER EU?! – Berrei.

– Na situação atual, sim. – Ele respondeu dando um sorriso de lado, oque me fez ruborizar por instantes.

– É-É bom que não tenha nenhuma marca aqui, me ouviu!? – Disse e fui ao banheiro.

FICOU UMA IMENSA MARCA VERMELHA. E como diabos isso pode estar aparecendo tanto na minha pele bronzeada? Tinha que estar discreto!

Nem imagino com que cara chegarei em casa... Minha mãe já marcou o Lupus, e se ela ver essa marca vai querer todo um relatório do que NÃO aconteceu!

Suspirei me olhando no espelho. Notei meus olhos com a pouca maquiagem borrada e de certa forma inchados... Eu chorei tanto assim? Nada comparado ao que já chorei antes, mas foi quase o tanto que chorei com a morte da Holy...

Após jogar uma agua em minha face sai do banheiro pronta pra dar um soco bem dado na fuça do Lupus. E foi oque eu fiz, depois de pedir um band-aid pra ver se conseguia disfarçar aquela marca imensa no meu pescoço.

12:50

Pegamos um taxi até a casa da Lire, que sinceramente não poderia chamar aquilo de casa... No mínimo uma mansão. Poderia comparar aquilo com o shopping. Quando chegamos lá todos já estavam presentes e logo nos encaravam.

– Porque esses olhares? – Lupus perguntou sem nenhuma discrição.

– Nada. – Arme riu um pouco.

– Agora só faltam o Azin e a Edel... – Disse a Lire, sorrindo. Abaixei meu rosto. Vi Lupus se virar pra mim e logo depois falou baixo e fraco a todos, enquanto botava a mão no cabelo.

– Eles não virão. – Senti que o clima no local ficou tenso. – A Edel está morta e o Azin está internado...com a coluna quebrada. – Todos tinham reações diferentes, uns arregravam os olhos, outros botavam suas mãos sobre a boca, outros olhavam frustrados para o chão, e a Mari não se mexia muito como normalmente.

– E-Esta brincando, né Lupus? – Jin perguntou um pouco frustrado. Ele era muito amigo do Azin, também não acreditaria na morte da Holy se não tivesse visto com meus próprios olhos.

Lupus apenas abaixou um pouco sua face.

– EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO! E-EU TENHO MEDO, MUITO MEDO QUE EU SEJA A MORTA AMANHÃ! – Amy se desesperou.

– Todos nós temos, Amy... – Ryan comentou baixo.

– Quando isso vai acabar...? – Lire comentou frustrada.

– Ficar se lamentando não vai adiantar de nada. – Zero comentou, enquanto coçava seus cabelos. – Temos que agir, não ficar resmungando.

Esperava essas palavras de qualquer um, menos o Zero.

– Estamos todos aqui, vamos debater sobre nossas ideias sobre o Rei. – Elesis disse.

– Comece você, Lin. – Mari voltou seus olhos sem emoções a mim.

– O Azin me ligou ontem a noite. Ele estava ofegante, deduzi que estava correndo fazia tempo. Ele disse “Você e a Mari estavam certas. São dois reis”.

– Dois...? – Lire pareceu ficar tensa.

– Quando todos foram embora, ficamos eu, Mari, Lupus, Lin, Edel e Veigas junto ao Azin. Todos recebemos a mensagem que tinha escrito que ele sofreria “meia-punição” porque a ordem foi “meio-cumprida”.

– Meio pode ser metade... Dividido por dois... – Zero pensava. – Foi ai que chegaram a pensar que eram dois reis? Faz sentido... – Não sabia que o Zero era tão inteligente. Até a Mari demorou certos segundos pra chegar a essa conclusão. O Zero levou menos tempo que ela.

– Isso mesmo. – Lupus respondeu.

– Então são dois reis...? – Lass se perguntou tenso.

– Estamos perdidos. – Amy disse num suspiro.

– Espera ai. – Elesis se pronunciou levantando do sofá. – Isso quer dizer que ele tocou em um dos reis. – Ela fitava um de cada vez. – Um de vocês é o rei? Isso é sério? – Ela berrou.

– Provavelmente sim. – Veigas comentou se reprimindo.

– Só podem estar de brincadeira! O desgraçado é um de nós? Nós respiramos o mesmo ar? Nos vemos todos os dias? Compartilhamos experiências e ordens com ele presente e camuflado aqui? – Jin se desesperou, falando alto.

– É oque parece. – Mari disse.

– É a Mari! Eu só consigo acreditar se seja você! – Arme apontava a Mari. – Esse rosto sem emoções, a forma que digita tão rápido que nem vemos, só pode ser você Mari!

Silêncio.

– Desculpe decepcionar, mas não sou eu. – Mari disse sem mostrar nenhum tipo de nervosismo. – Acha que perderia meu tempo com isso? Eu tenho um futuro brilhante pela frente. Não faria algo imprudente como esse jogo sem sentido pra talvez acabar me ferrando no fim de tudo.

– Eu acho que é o Zero. Sempre calado na sua, sempre deslocado, não acho que ligaria em eliminar qualquer um de nós. – Ryan debateu.

– Desculpe se pareço ser suspeito, mas sempre fui calado na minha e deslocado. Isso não prova que seu seja um serial killer. – Ele respondeu também tranquilo.

– O Rei pode ter mandado uma mensagem pra si mesmo pra se camuflar mais! Como o Lupus. A ordem dele era só pintar o cabelo. – Lass comentou.

– Só podia ser o branquelo magricela. Você só pensa que sabe da minha vida, Lass. Na verdade, você mais que qualquer outra pessoa aqui devia estar ciente que essa ordem teve sim uma consequência pra mim. – Lupus o olhou sério. – Ou você só está comentando dessa forma porque quer se livrar as suspeitas! Pode ser muito bem você, Lass.

– G-Gente, se acalmem... – Lire tentava amenizar a situação. Em vão.

– Pode ser até mesmo o Veigas! Pode usar essa fachada de menininho só pra disfarçar o quanto pode ser maníaco! – Elesis comentou.

– M-Mas...! – Veigas ia tentar se defender.

– PAREM COM ISSO JÁ! – Berrei e voltaram seus olhares pra mim. – Era por isso que não queria dividir isso com vocês. – Disse já baixo. – Agora estão todos acusando o outro de ser o Rei. É isso mesmo que o próprio Rei quer!

– A Lin tem razão. Vocês estão exagerando. – Ronan comentou. – Temos que continuar unidos e...

– Unidos? Do que adiantou a nossa união até agora? – Jin berrava indignado. – Deixamos o Dio estuprar a Rey, que deu um tiro nele e morreu por conta de um derrame! Ai a Rey se mata depois sabe-se lá porque! Ai agora vem o Azin e acaba muito machucado e a Edel quem não tinha nada a ver com isso acabou morrendo! Não estou vendo nada que essa união nos trouxe de bom.

Silêncio.

– Eu acho que se não fosse essa união eu não teria feito a minha ordem, muito menos convencido o Lupus a fazer a dele. – Comentei baixo. – Eu não sei o quanto o Rei pode ser inteligente, mas ele sabe usar as pessoas... Não duvido nada que ele deve estar rindo por dentro agora nos vendo dessa forma... Afinal ele pode ser qualquer um mesmo. Pode ser um maníaco interno, uma pessoa de dupla personalidade, eu não sei. – Dizia com a cabeça latejando de dor, pegando na mesma pra tentar ameniza-la.

– Eu não posso confiar em mais ninguém, não me peça o impossível. – Amy comentou. – Pode ser até mesmo você, Lin. Foi você que nos disse sobre a Holy, mesmo sem ninguém saber ainda. Acompanhou o Dio no hospital. Segundo oque você mesmo disse o Rei ligou pra você por livre e espontânea vontade. O Azin ligou logo pra você falando que você tinha razão sobre os dois reis... São inúmeras as provas que você pode ser o Rei!

Silêncio.

Eles olhavam pra mim de forma duvidosa. Eles...acham mesmo que eu sou o Rei?

– A Lin também era minha principal suspeita. – Mari começou a falar. – Mais as principais provas que eu tinha desde o início não era nenhuma dessas que você citou, Amy.

– Então tem mais provas é? – Amy me olhava com um rosto sério e ambos começavam a me olhar claramente de forma indiferente.

– A Lin é a representante de classe, e pelo que eu vi também é hacker. – Fiquei surpresa ao ouvir isso, mesmo sendo verdade.

– Hacker? – Sieg perguntava.

– Eu a vi naquele dia, Lin. No computador central da escola, vendo todos os arquivos dos alunos da nossa sala. Não duvidaria nada que nos escolheu a partir disso. Se fosse você. – Ficava um pouco tensa.

– Ainda não vi as provas que ela não é o Rei. – Elesis debateu.

– Não é óbvio? A Lin não ligava a mínima pra nenhum de nós. Mesmo sabendo nosso endereço, nossas informações escritas nos registros escolares, ela nunca saberia tirar dai problemas pessoais. – Todos ficavam pensativos. – O rei é uma pessoa que nos observou por bastante tempo, a Lin entrou na escola esse ano, mesmo que já estamos no fim dele não daria pra ter conseguido juntar tantas informações nesse período.

– Tem razão... – Amy disse num suspiro. – D-Desculpe Lin. A frustração me subiu a cabeça. – Ela me olhava respirando fundo, enquanto botava suas mãos na cabeça. – É que...a Holy era muito importante pra mim. – A sentia tremer e parecia começar a chorar.

– Tá tudo bem... – Disse ficando boba com toda essa informação que a Mari tinha de mim, isso a deixava mais suspeita ainda. Porém todos são suspeitos. E a questão mais provável aqui seria a dupla personalidade. Todos aparentam ser pessoas normais, ter uma vida normal. Sinceramente ainda não imagino nem quem seja o Rei, ele está muito bem camuflado.

– Alguém tem mais alguma coisa a dizer? – Ronan perguntou.

– Eu não sei vocês, mas estou com fome. – Lupus olhou pra Lire e a mesma ruborizou-se por completo.

– S-Sim! Vamos pra sala de jantar e está tudo pronto! – Ela disse nos chamando.

– E o nosso debate vai acabar assim? – Sieg disse tenso.

– Precisamos nos alimentar pra combater o Rei, não acha? – Mari disse normalmente séria, oque junto a frase ficou engraçado.

Nos deparamos com uma imensa mesa recheada de inúmeros pratos e comidas diferentes. Me sinto uma mendiga perto da Lire, nada mais a declarar sobre aquele banquete.

– Nossa Lire, eu sabia que era rica...mais isso estava fora até dos meus pensamentos. – Arme comentou surpresa.

– D-Desculpem, eu até dispensei os empregados por hora pra não deixa-los incomodados... – Lire comentou com todos já sentados a mesa.

– Acho que os empregados não eram o problema... – Elesis comentou tensa.

Enquanto comíamos podia ver olhares de um a outro. Eles estão todos pensando.

Eu também estou pensando, porém ainda não sei por onde começar. Vejamos:

Temos a Elesis. Até agora nenhuma mensagem foi designada a ela, tem uma forte personalidade, mas esse forte não se encaixa nos padrões psicopatas. Não dá para ser a Elesis. Eu imagino-a como “a salvadora das pessoas fracas”, e pelo contrário, o Rei é “o manipulador das pessoas fracas”. Imagino que assim como eu, ela deve estar tentando ao máximo chegar ao Rei.

Temos a Lire. Até agora nenhuma mensagem chegou a ela também. Mas sempre a observei tão calma e serena que não posso imagina-la sendo o Rei. Sem dizer que temos certas observações que poderiam tira-la da lista de suspeitos:

Lire é rica. Oque ela ganharia fazendo esse jogo mortal?

Ela é totalmente influenciável. Até agora a vejo ficar apenas do lado de nos unirmos, o lado que foi a maioria, posso levar em conta que é um voto positivo de que não é o Rei.

Ela é frágil. Em situações extremas como quando Dio levou um tiro a mesma passou mal só de olhar para o sangue.

Posso dizer que Lire não é uma suspeita principal.

Temos a Arme. Não sei se tem alguma influência do Lass, que ela aparenta ter uma paixão secreta, mas ela sempre se encontra encima do muro. Não sabe qual dos lados permanecer. Vai com a maioria? Espero que seja isso, pois até agora não vejo motivos de não marca-la como suspeita. Tudo bem que seja também frágil, mas ainda temos a observação na qual estou me espelhando até agora: “Dupla personalidade”. Mas igualmente a Lire, tem certos pontos a relevar:

Primeiramente Arme não acreditava no jogo, mas após a morte da Holy ficou em pânico. Poderia ser um teatrinho? Ou realmente estava surpresa com tal brutalidade?

Desde o inicio ela parecia estar do meu lado. Quando conseguia influencia-los como no dia que nos unimos, ela ficou do lado certo. Não posso dizer que é uma prova, mas uma evidência talvez.

Mas hoje ficou novamente desesperada e acusou até a Mari com suas suspeitas não muito visadas corretamente. Esse seria um efeito da influencia do Rei ou o próprio Rei tentando se camuflar como “vitima” da sua obsessão maníaca?

Temos o Lass. Não sei se é por influencia do Lupus, mas não o vejo como uma boa pessoa. Seria porque é um pouco esnobe? Isso seria influencia do seu pai magnatas*? Ou seria porque ele nos odeia ao ponto de nos matar sem pensar duas vezes? Lupus falou algo interessante outro dia. “Ele tem poder suficiente até para matar a minha mãe e sair impune”, ele falou do seu pai, mas será que o Lass também teria esse poder?

Não tenho observações claras de faze-lo não entrar a lista de suspeitos, mas tenho que pensar mais. Afinal mesmo eu não querendo, o Lupus pode ser o Rei. Seria algo frustrante, mas não posso deixar escapar uma pequena observação que seja. Em qualquer brecha que ver em qualquer um terei que salvar em minha memória como evidência.

Temos o Ryan. Seria o segundo cara ideal para estar no comando do jogo, em minha opinião livre. O primeiro seria o Dio, um homem de caráter duvidoso que ficou clara toda a dúvida ao vê-lo estuprar a Rey e logo em seguida tentar até mata-la. Se o Dio estivesse vivo ele seria o meu principal suspeito. O que leva a pensar o quanto o Rei pode mesmo se camuflar. Se o Dio estivesse vivo seria apedrejado mesmo inocente. E só nos ligaríamos do nosso erro quando algo acontecesse após qualquer providência que tivemos sobre ele.

Ryan é um pouco parecido com Dio. Isso o torna também adicionável a lista de suspeitos.

Atuou pouco em todo tempo, se deixando quase em branco e em até uns momentos parecia off-line diante nós. Não o observei tanto pra confirmar tais coisas como atitudes, faces e reações. Mas o conheço um pouco.

Ryan é um homem um pouco rancoroso. Em uns momentos no calor do jogo pareceu se mostrar mais sensível, oque me deixou encucada. Ele poderia estar fingindo? Ou a faixada de bad-boy que é uma farsa? Estou sem observações claras sobre ele, preciso observa-lo mais.

Temos o Ronan. Sobre ele não teria nada a declarar de forma negativa. Sempre parecendo um líder, de certa forma maduro e sempre aparenta pensar em algo nas situações extremas, mas sempre acaba que não fala nada. Parece que se limita, ou o limitamos. Não sei se poderia encarar isso como uma intimidação ou limitação. Ele pode estar evitando falar demais para deixar claro o quão por fora dessa realidade está ou que quer ficar um pouco em branco, limitando suspeitas de que é o Rei. Isso pode ser verdade com ele sendo ou não o Rei. Mesmo assim não acho que Ronan seria o mais suspeito.

Temos o Jin. Suas atitudes parecem uma junção da Arme e do Ronan:

Primeiro se mostrou totalmente em branco, encima do muro e também ia sempre para ao meu lado, como a Arme.

Deixava de dar opiniões, mesmo parecendo pensar em retira-las da sua boca, como o Ronan.

E por fim delirou. Seria porque seu adorado amigo acabou ferido? Ou foi porque se cansou de estar em branco? Sua raiva seria porque está frustrado ou porque se arrepende de não ter dado um fim definitivo a Azin?

Isso me lembra que tenho que ficar de olho a qualquer melhora do Azin. Afinal ele sabe quem é o Rei. E meu erro foi ter contado a todos aqui. O Rei presente entre nós vai tentar usar seus meios para cala-lo assim que acordar, se acordar.

Temos a Amy. Até agora estava totalmente por fora das minhas suspeitas. Uma patricinha mimada não iria querer sujar de sangue suas hidratadas mãos com esmaltes frescos. Como o Jin ela também surtou, e posso usar a mesma questão que a dele. “Seria porque sua adorada amiga está morta? Ou foi porque se cantou de estar em branco?”.

Eu achei que me rebelando contra o Rei o mesmo tentaria focar em mim, pois oque atrapalha precisa ser eliminado, não é mesmo?

Só a Amy abriu sua boca para dar seus indícios de que eu seria o Rei. Será que os outros também tinham a mesma visão? Ou tinham medo de que eu fosse mesmo o Rei e preferiram depositar suas suspeitas em outros participantes?

Porém mesmo com esse surto de hoje da Amy não acho que mereça ser chamada de suspeita. Por mais que faz aulas de teatro sempre foi essa patricinha mimada, não acho que tudo oque passou desde o início do jogo foi só uma interpretação.

Temos o Sieghart. Ercnard Sieghart. Mostra-se uma pessoa com personalidade, até que comecei a vê-lo como um stalker qualquer. E tinham tantos boatos sobre sua fama de popular, sua fama com as garotas e até com garotos...se bem que nunca houve nenhuma fofoca sobre envolvimento com os mesmos. Sua popularidade caiu ao decorrer do ano, o vi ficar mais fechado de certa forma. Ainda o via sair, o via conversar com os outros, mas não sei se eram os meus olhos, mas Sieg sempre parecia mostrar que de certa forma que “idolatrava” Mari. A todo tempo a olhava, mesmo falando com outra pessoa. A todo tempo que ela se deslocava, ia atrás como se fosse uma sombra em um dia nublado. Mesmo tendo uma breve conversa com ele sobre a Mari, ainda imaginei aquilo um tanto superficial. Porque ele não fala diretamente com a Mari? Vergonha não parece o caso, já que quando debatemos dirige as palavras a ela com tanta tranquilidade. Sieghart parece uma pessoa misteriosa ao meu ver, porém esse mistério por trás dele não parece ser algo como um serial killer. Não penso em inclui-lo em minha lista de suspeitos. Não tenho provas de que seja inocente, mas também não tenho provas que seja o culpado.

Temos a Mari. Então não era só eu que a observava. Confesso que me surpreendi com toda sua análise sobre mim, isso me deixou ainda mais encucada. Não sei se meus argumentos sobre ela estão de certa forma corretos após tudo que se passou. Ou eu estou sendo manipulada por ela agora mesmo? Não posso deixar de fora minhas suspeitas de que ela causou o caso do Azin, sendo Rei ou não. Eu estou de olho em você, Mari Ming Onette.

Temos o Zero. Até agora não tinha indícios que era o culpado, muito menos que era inocente. Sem querer me sentir a gostosa, mas ele parecia ter uma queda por mim desde o primeiro momento em que trocamos poucos olhares. Isso me deixou um pouco curiosa ao ver o quanto que o Rei gostava de me ver angustiada. Isso seria uma tara do Zero? Ele poderia ser o Rei...? Não é impossível. Caso eu esteja certa em minha reflexão ele mandou uma ordem que sabia que eu iria fazer, pois viu a determinação em meu olhos de querer a todo custo acabar com a raça do Rei. Isso teria despertado sua empolgação. E também acho que se fosse outra pessoa entre nós teria mandado a segunda ordem a mim algo como me fazer transar com um homem. Isso eu não faria. O que ele pensou e mudou-a, deixando apenas como um “dormir com um homem”. Mesmo sendo difícil o mesmo faria com que fosse cumprido, se o Lupus não tivesse estragado seus planos.

Eu nunca havia pensado nisso antes, mas o Zero é o mais suspeito entre todos aqui, claro que aos meus olhos. Todos os outros não devem saber da sua queda por mim, se ela existe mesmo. Tenho que observa-lo e descobrir mais sobre ele, ou será que só uma aproximação de minha parte o faria se entregar, caso fosse ele...?

Temos o Lupus? Qualquer indício que poderia o por como suspeito acabou quando o conheci melhor. Isso é uma coisa boa na parte de que confio nele, mas é uma coisa ruim se ele for o Rei e eu não consegui enxergar por conta de nossa proximidade. Eu resolvi confiar em você Lupus, não me decepcione por favor.

Temos o Veigas. Confesso que sempre o achei ter uma cara fechada de uma pessoa de mal caráter, mas ao decorrer do ano ele ficou mais amável, mais delicado. Eu diria que ele virou gay. Não só pelo fato de ter cara e corpo de uke*, mas também tem ações que se tivesse uma peruca o chamariam de menina, sem contar que persegue o Sieghart, isso seria um amor não correspondido?

Não achava Veigas merecedor de estar na lista de suspeitos, mas o comentário que a Elesis fez me deixou um pouco encucada: “Pode usar essa fachada de menininho só pra disfarçar o quanto pode ser maníaco!”. Só de perseguir uma pessoa eu já o chamaria de maníaco, e ele persegue. Ficarei mais de olho em você, Veigas. Na minha lista você só está atrás de Zero e Mari no momento.

Com toda essa análise os que eu não chamariam de suspeitos seriam apenas Elesis, Lire, Ronan, Amy, Sieghart e Lupus.

Pessoas que tenho certa indiferença seriam Arme, Lass e Jin.

E os mais suspeitos seriam Ryan, Mari, Zero e Veigas.

Tenho que focar nos últimos quatro nomes. Hoje observarei o Veigas.

Acabamos de comer e todos se espalharam pela casa comendo a sobremesa. Notei que Veigas ainda parecia tenso desde que Elesis o acusou. Logo o vi se afastar timidamente até o imenso jardim de Lire. Esperei uns segundos e logo que iria atrás dele me surpreendia com Sieg fazendo o mesmo, se retirando de vagar, sem que notássemos sua falta de presença. Esperei mais poucos segundos e fui atrás deles.

Avistei-os entrarem em um tipo de labirinto de arbustos, seguia-os de vagar sem mostrar minha presença e logo que Sieg achou Veigas parei pra observar oque falariam em seguida.

– Você está bem? – Sieg perguntava e Veigas se assustava com sua presença, com um olhar abatido.

– S-Sim, senpai*... Digo, Seig. – Ele disse tímido e totalmente vermelho, se virando para o outro lado. E eu me perguntava por que chamava-o de senpai.

– Me chame assim de novo. – Sieg o abraçou por trás e via uma de suas mãos ir até boca de Veigas, com a outra passando por baixo da blusa do mesmo.

– S-Senpai...! – Sieg beijava o pescoço de Veigas, e sentia-o se desfazer em pequenos suspiros. Agora entendi o “senpai”. Ficava um pouco vermelha vendo aquela cena, mas estou ali para investigar o Veigas! Tenho que observa-lo até o fim! É por isso que ficarei aqui!

Sieg o virou e o beijou de forma bruta e rápida, encostando Veigas na parede de arbustos do lado. Veigas ainda parecia sem ação, já Sieg ia com sua mão até por baixo das calças do mesmo.

– Senp...ai...Ah! – Via Sieg o masturbar com movimentos em vai e vem, enquanto Veigas gemia, sendo abafado por beijos.

– Diga ao seu senpai oque deseja agora. – Sieg falava em seu ouvido, mordendo-o no local.

– F-Faça amor...ah! Comigo...Senpai! – Veigas falava finalmente tomando providências de por suas mãos por cima das costas de Sieg. Vi um sorriso malicioso de Sieg e logo o mesmo retirava sua blusa e sua calça, fazendo o mesmo com Veigas. Que vergonha...velos nus... Mas tenho que ficar e observar o Veigas! Tenho que investigar mais!

Sieg botava outra vez Veigas na parede, pondo-o quase de quatro ao mesmo. Começou a penetra-lo, e Veigas dava gemidos mais altos, sendo abafados com Sieg afundando sua cabeça nos arbustos.

– Gema só para mim, Vei-chan. – Sieg disse rouco e um pouco ofegante, enquanto tinha um olhar mais malicioso ainda. Botava uma das pernas de Veigas acima de seu ombro esquerdo, virando-o levemente para a direita e o penetrava mais forte.

– S-Sim, Sieg S-Senpai! – Veigas gemia mais baixo, mas com toda aquela excitação ele mesmo acabou gozando.

– Mas já, Vei-chan? – Sieg tirou a perna de Veigas de seu ombro e colou seu corpo junto ao dele, mordendo seu pescoço enquanto continuava a penetra-lo.

Não sei por quantos minutos fiquei ali, mas não tinha sido nada rápido. Só agora Sieg parecia estar em seu clímax e caiu sobre Veigas ao chão. Os dois estavam ofegantes e descansavam até que ouvi passos e vozes atrás de mim. Sieg e Veigas pegaram as roupas no chão e foram mais a dentro do labirinto.

– Onde será que eles est...! – Tapei a boca da Elesis e a puxei pra trás. – Tá maluca? – Ela berrou pra mim, já fora do labirinto.

– Shii! – Fiz sinal pra que permanecesse quieta e me escondia com ela na lateral do labirinto. Poucos segundos depois vi Sieg sair, sendo seguido por Veigas metros atrás.

– Oque faz aqui? – Elesis me perguntou depois que eles se afastaram.

– Pelo que parece, o mesmo que você. – Disse a ela, fitando-a da mesma forma séria. – Também estava suspeitando do Veigas, mas minhas suspeitas foram todas embora nesse momento. – Disse me afastando.

– E porque? – Ela perguntou curiosa e só conseguia corar lembrando de tudo que vi.

– Acredite Elesis... Ele tem motivos pra “dar uma de menininho”, e não tem nada a ver com o Rei. – Disse tentando voltar a minha cor normal.

– Que pena, agora minhas suspeitas caíram acima de você, Lin. – Ela disse ainda mais séria.

– Está perdendo seu tempo, porque não sou eu. – Disse e me retirava. – Pelo visto minhas observações sobre você eram corretas. – Disse e sorri. – Continue assim, bem feitora.

– Lin, onde estava? Nem comeu sua sobremesa! – Lire comentou ao me ver de novo.

– Não obrigado, não sou muito fã de doces. – Disse com um pequeno sorriso.

– Er, Lin. – Ela falava mais baixo.

– Sim...? – Perguntei confusa.

– O band-aid não está disfarçando esse chupão. – Corei de imediato e Lire riu um pouco da minha reação. – Não se preocupe, eu acho que tenho um corretivo que pode disfarçar isso até o seu próximo banho. – Ela pegou em minha mão e subíamos as escadas até o seu quarto. – Opa! – Quando ela ia abrir se afastou um pouco da porta ficando constrangida.

– Oque foi? – Perguntei confusa.

– E-Er...Não conte a ninguém, mas a Arme está se declarando ao Lass aqui no meu quarto e havia me esquecido disso! Que vergonha... – Ela disse ficando vermelha e pondo suas mãos no rosto. – D-Desculpe Lin, mas se importa em espera-los junto comigo aqui fora? – Ela parecia frustrada.

– Se acalme... Está tudo bem. – Disse rindo da reação dela. Lire se parece um pouco com a Holy, mas aparenta a ser ainda mais tímida.

Olhava pela brecha da porta e conseguia ver Arme super corada em frente e Lass que estava normalmente sério.

– Então...L-Lass. – Arme estava completamente nervosa. – Eu não sei se fui muito obvia sobre os meus sentimentos, mas queria saber os seus. – Ela virava-se pra ele e logo suspirou. – E-Eu gosto de você, Lass. – Disse e abaixou sua face outra vez, ainda mais vermelha.

– Hu. – Ele riu um pouco e botava sua mão direita sobre a cabeça da roxinha. Logo se aproximou e entrelaçava suas mãos entre os pequenos fios de cabelo de Arme, depositando-lhe um beijo em seus lábios.

– N-Não consegui ouvir nada! – Lire reclamava baixo ao meu lado. – Mas fico feliz que estejam bem, torcia muito pelos dois. – Ela disse com um rosto realmente feliz. – Só espero que a felicidade geral não acabe com outra ordem amanhã. – Ela disse num pequeno e triste suspiro.

– Eu também, Lire. – Disse respirando fundo.

18:40

Hoje foi um dia bem longo... Passamos o resto da tarde na casa da Lire. Ela conseguiu esconder aquela marca com maquiagem e não se aprofundou no assunto, certamente ela saberia que eu não ia dizer quem foi que fez aquilo... Mesmo sendo óbvio pra eles. Talvez seja por isso que ela não perguntou... Você me paga, Lupus.

Passei a observar Ryan, após passar Veigas para a lista de “pessoas não suspeitas”. Ele era bem na dele e fechado. Mesmo com a aproximação de Lire, que parecia tentar chamar sua atenção o mesmo dava de ombros. Era bastante comunicativo com Ronan, quase a todo tempo conversavam um pouco.

Sobre Arme, após vê-la se declarando daquela forma fui obrigada a passa-la para a lista dos “não suspeitos”, afinal ficou claro que ela só estava tendo a influencia de Lass nas decisões do jogo até agora. Como eu imaginava.

No momento estou indo para casa a pé, sendo seguida...

– Vai embora Lupus. – Disse passos a frente do mesmo, pondo a mão na cara.

– Minha mãe ainda está lá, já disse pra não confundir as coisas. – Sempre que ele usa a mesma frase duas vezes parece que ambas foram mentiras. – Por acaso quem mandou tampar o chupão com maquiagem? Acha que eu não vi?

– E oque você tem a ver com a minha vida? Por acaso que diabos estava pensando ao fazer isso, seu panaca pervertido!? – Perguntei me segurando para não espanca-lo ali na rua.

– Deixando minha marca. – Ele disse pondo sua mão no meu pescoço sem eu perceber, logo a repelindo dali.

– Vai se ferrar Lupus! – Fazendo uma recapitulação do momento em que ele me deu esse chupão notei que segundos antes eu estava super mal e chorando bastante, mas ai o Lupus fez isso e me esqueci completamente... Você fez mais isso por mim, Lupus? Mesmo que ocultamente? Pensava até que chegamos em casa. – Ah, antes que eu me esqueça... – Já tocava a campainha.

– Hum. – Ele pareceu confuso, me olhando normalmente sério.

“Só lembre de agradecer essa pessoa por mim.”

– Obrigado. – Abriram as portas e entrei virando-me levemente a ele e dando um pequeno sorriso. Ele fez o mesmo, junto com um olhar confuso.

– Vamos, mãe? – Ele perguntou sem sair da porta e ela se despediu de nós e foi com o Lupus.

Preciso fugir antes que a minha mãe...!

– Lin? – Fingi não ouvir, mas ela chamou mais alto. – Lin Myo venha já até aqui! – Droga. Fui até ela e a mesma parecia me analisar de pé a cabeça.

– Q-Que foi? – Perguntei incomodada.

– Não fez nada que eu não faria não é mesmo, Lin? – EU SEI LÁ OQUE VOCÊ NÃO FARIA!

– O-Oque ta tentando dizer? – Perguntei ainda incomodada.

– Só ficou nos beijinhos com esse rapaz não é? Não fez nada além disso? – Ela perguntou apontando para minha face.

– MÃE! Eu não tenho nada com aquele panaca pervertido! Ele só agiu assim na frente de vocês hoje pra me provocar, ignore-o! E eu estava na casa da Lire. Lembra? Eu fui pra lá pra almoçar! – Berrei isso tudo e respirava fundo pra tentar descarregar a minha raiva.

– Sei. – Eu vou bater nela!

– Mãe, você mais que ninguém sabe que eu odeio homens! Não iria me envolver com um agora. – Disse séria e entrei pro meu quarto. Tomei um banho e me preparava para dormir, mas o sono não vinha.

23:45

“Você recebeu uma nova mensagem”

Mas já?

De: Lupus

Assunto: Sei lá

Mensagem: Não é o Rei, caso pensou que fosse. Porque me disse obrigado quando chegou em casa?

Respondi-o.

Assunto: Re: Sei lá.

Mensagem: Estou me sentindo a maioral sabendo que a esta hora está perdendo seu sono pensando nisso, quem diria? Hasuhsuahuahs. E o “obrigado” foi por tudo.

“Você recebeu uma nova mensagem”

De: Lupus

Assunto: Re: Sei lá

Mensagem: Seja mais clara.

Respondi-o outra vez.

Assunto: Re: Sei lá.

Mensagem: Você é um pé no saco, vai dormir. Talvez um dia eu te conte com mais clareza.

00:00

“Você recebeu uma nova mensagem”

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: ORDEM 7;

O 5º Participante: Ryan Woodguard deve escolher uma garota para “usar” como desejar por duas horas, em menos de um minuto.

Tenha cuidado Ryan... Parece uma ordem simples, mas se escolher errado vai estar entrando na enrascada do Rei.

Vendo as opções de meninas, temos agora a Elesis, a Lire, a Arme, a Amy, a Mari e eu... Quem ele vai escolher?

“Você recebeu uma nova mensagem”

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: O 5º Participante: Ryan Woodguard escolheu a 3º Participante: Arme Glenstid para “usar” como desejar por duas horas.

Ryan... Que burrada você fez.

13 de outubro, segunda-feira. 8º dia de jogo

07:30

Hoje faz uma semana desde que tudo começou, e já se foram quatro de nós. Esperava que esse numero não aumentasse, mas ao chegar na escola tive certeza que isso aconteceria de qualquer forma.

– P-PAREM! – Arme pedia enquanto Ryan e Lass distribuíam socos entre si.

– Você ficou louco? – Lass puxava a blusa de Ryan e berrava em sua face.

– A Arme era a única escolha, seu idiota! – Ryan berrou de volta, dando-lhe outro soco na cara.

– Porque não escolheu a Lire? Eu sei que estavam juntos! – Lass dava uma rasteira no mesmo que caia no chão junto a ele.

– Oque eu tinha com a Lire acabou, escolhe-la só ia iludi-la agora! – Olhei pro lado e avistei Lire chorando e logo se retirou. Ryan e Lass se levantaram e iam de encontro outra vez, dando socos ao mesmo tempo e caindo pra trás com o impacto. – Porque está com raiva? A Arme é a única sem namorado e compreensível pra uma ordem como essas!

– PAREM JÁ COM ISSO! – Arme gritava mais e assim que Ronan chegou no local segurava Lass, pedindo ajuda a Sieg para segurar o Ryan.

– VOCÊS DOIS! DIRETO PRA DIRETORIA! – O professor saiu segurando Ryan e Lass.

Eu queria ajudar. Mas parece que desde ontem tem um enorme muro que me impede de passar e chegar até todos os outros. Dentro desse muro eu posso gritar, berrar, chorar e ninguém vai me ouvir. Ninguém quer ouvir.

Eu definitivamente não tinha que ter falado que são dois Reis, muito menos que um está entre nós. Desculpa Holy, acabou que eu tentei ajudar, mas no fim o Rei prevaleceu.

– Você é tão previsível que posso até dizer oque está pensando agora. Se bem que dessa vez só de olhar pra sua cara já da pra perceber. – Lupus disse sentado em sua cadeira, com os pés acima da mesa.

– Se teve tempo pra ficar me observando, porque não foi ajudar a parar a briga? – Disse me virando um pouco ao lado oposto de Lupus.

– E deixar de fitar o Lass levando uma surra? Nunca pararia essa briga. – Ele disse de forma desencanada.

– Hum. – Ainda mantinha-me a pensar que eu não fui capaz outra vez. Outra vez não vou conseguir proteger ninguém.

– Sabe qual é o seu problema? – Me virei um pouco a Lupus, curiosa. – Você se culpa por tudo. Isso é irritante. – Ele disse sério.

– Dessa forma me sinto melhor as vez...

– Não estou vendo você “se sentindo melhor” daqui. – Ele cruzou os braços se ajeitando mais na cadeira.

– É que...algo teve realmente a minha culpa. Não é por causa do Ryan ou do Lass. – Sorri triste ao mesmo e ia me sentar.

Parecia sentir algo me impedindo de continuar andando até minha cadeira. Holy...? Oque a Holy falaria nessa situação? Não sei ao certo, mas algo como “Vai desistir agora?”. Parece que a ouço falar isso em minha mente. Olhei para a janela e lembrava de todo o meu esforço pra nos unir, meu esforço pra cumprir minhas ordens e só pensava em uma coisa agora: Oque eu estou fazendo? Eu estou deixando ele vencer a minha determinação? Isso não vai acontecer!

Me virei séria ao Lupus e o mesmo sorriu de lado, inclinando sua cabeça em direção a porta da sala. Fui atrás de Lire. Se a deixasse desse jeito seria como deixar que oque ocorresse com a Holy se repetisse. Dessa vez não, Rei!

A procurei e nada de acha-la, até que lembrei-me do local em que sempre tem alguma hipócrita chorando por causa de namoradinhos. A dispensa do banhei feminino!

E foi lá que a achei.

– Lire... – Ela estava sentada no chão, tapando seus olhos com seus braços acima de suas pernas dobradas.

– S-Saia daqui! Eu quero ficar sozinha! – Não posso deixar que ela seja influenciada agora.

– Lire, você é bonita, amável e uma boa pessoa. Qualquer garoto que preste iria querer ter você como namorada. Não devia ficar correndo atrás de quem não te ama mais. – Disse ajoelhando em sua frente.

– N-Não é tão simples assim Lin... E-Eu me entreguei pra ele! De corpo e alma! Ficamos escondidos por quase três meses. Ele tirou a minha virgindade, Lin! E-Eu tenho vergonha de mim mesma agora! Sem falar que ele usaria a minha amiga também! S-Se não usará! – Ela disse entre choros, porém não me mostrava a sua cara.

– Não misture as coisas, Lire. A Arme ama o Lass, não é? Você mesma a ajudou ontem. Ela jamais a trairia dessa forma. O Erro foi dele, não sinta raiva da Arme por isso. – Disse e ela ficou uns segundos em silêncio.

– O-Oque eu ia fazer...!? – Parecia se condenar em mente. Eu consegui fazer ela desistir de alguma loucura? Espero que sim. Tirei minha frustração em um suspiro.

– Não sinta vergonha. Todo ser humano erra, e pelo que eu saiba você não é um robô. – Ela levantava um pouco sua cabeça. – Eu também senti muita vergonha de mim mesma quando perdi a minha virgindade...

– L-Lin! Nunca que devia comparar o seu caso com o meu! Foi da minha escolha me entregar ao Ryan! Você não teve culpa de ser estuprada. – Ela disse me fitando por completo.

– Então olha pra mim e me promete uma coisa. – Ela assentiu. – Você vai levantar daqui, lavar esse rosto e ver no espelho a garota linda que você é. Logo depois disso vai correr atrás só de caras que te fazem sorrir e que borrem o seu batom, não seu rímel. – Disse pegando nas suas mãos a levantando.

– Obrigado, Lin. – Ela disse sorrindo gentilmente.

– Agora vamos voltar pra sala, ok? E vai voltar pra lá com um sorriso gigante! – Ela assentiu e fomos até a sala de volta.

Eu não vou deixar você levar as pessoas próximas a mim às sombras de novo, Rei!

Isso me faz lembrar que eu estou cada vez mais clara. Talvez esteja com um tom vermelho. Mas só de ter conseguido sair da cor preta já estou mais que feliz. Obrigado outra vez por me ajudar a abrir os olhos, Lupus. Holy.

~

Hoje o dia passou rápido. Preferi não me envolver no problema do Ryan, afinal ele não me ouviria. Eu mesma não poderia fazer nada.

23:50

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: O 5º Participante: Ryan Woodguard tem 10 minutos para cumprir a ordem.

Desculpe Holy. Desculpe Ryan.

Adormeci.

00:00

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Por não ter obedecido as ordens do Rei, o 5º Participante: Ryan Woodguard foi sentenciada ao desmembramento à lá OG.

00:00

“Você recebeu uma nova mensagem”

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: ORDEM 8;

A 3º Participante: Arme Glenstid deve denunciar a sua mãe, contando o porque diante seus amigos O-Gamers.

Notas finais
Magnata: pessoa muito rica e influente; pessoa milionária. Uke: Passivo em Japonês. Termo usado em Boy’s Love (histórias gays) para distinguir o passivo da relação. Senpai: Veterano em japonês. Termo usado para impor respeito a uma pessoa mais experiente ou maior que você.