Ousama Game
2 É obrigatória a participação de ambos os escolhidos para o jogo
Notas iniciais
A cor negra me consome outra vez.
Além de repugnar a cor branca de meus cabelos, condeno a mim mesma por se quer merece-lo.
A cor branca é pura, a luz, a solução, a libertação, o céu.
A cor negra é corrompida, a escuridão, o problema, a prisão, o inferno. No qual estou...desde aquele dia.
– Lin...
– Filha... – Vozes me chamavam. Mas eu ainda estava mergulhada naquela escuridão.
Isso foi só um pesadelo? Esperava tanto que sim. Tinha medo de abrir os olhos, e encarar a realidade que me encontro. Mas eu não sou uma mulher que é facilmente controlada pelo medo.
Abri meus olhos.
Havia uma luz forte ofuscando em minha face. Não demorou um segundo e eu sentia um abraço apertado... É você, pai?
Abria os olhos por completo me acostumando com toda aquela luz e o fitei, olhei para os lados e eu estava em um hospital.
– Pai...? – Ele me soltou e lágrimas caiam pelo meu rosto. – Diz que foi um pesadelo. – Meu pai pôs a mão em minha peruca negra e abaixou sua face.
Lágrimas silenciosas caiam sem sessar...
Porque? Porque agora? Agora que eu estava saindo da minha escuridão infinita... Logo agora...que eu fui a esperança pra alguém.
– Pai! – As lágrimas ficavam mais grossas e eu finalmente reagia a um choro de verdade. – Ela não se matou! Eu tenho certeza! – Berrava enquanto ele ainda mantinha-se com a face baixa.
– Eu sei que pode ser difícil pra você entender isso Lin... Eu não sei que tipo de ligação tinha com aquela menina, mas ela se suicidou. Isso é um fato já comprovado. – Meu pai disse pegando em minha mão.
– ELA NÃO SE MATOU! ELA DISSE QUE QUERIA VIVER! DROGA! – Disse batendo nos ferros laterais da cama do hospital enquanto cerrava meus dentes.
Não posso falar nada, não posso fazer nada. Se eu expor o Jogo do Rei ao meu pai eu posso por em risco a sua própria vida.
Maníaco.
É isso que você é, seu maldito “Rei”.
– Eu já posso sair daqui...? – Após me acalmar, só tem uma coisa que eu posso fazer.
8 de outubro, quarta-feira. 3º dia de jogo
– Sim... Só estava em observação. Já passou o efeito do remédio. – Eu me levantei e peguei minhas roupas ao lado da cama e me troquei no banheiro.
– Desculpe o transtorno no seu trabalho, pai. – Essa foi a ultima coisa que disse a ele, antes de sair e ir direto a escola.
Pulei os muros do colégio, arrombei a porta da frente e andava normalmente até minha sala. Que quando cheguei a mesma a abri rapidamente e caminhava dentro dela normalmente.
– Lin Myo, isto é jeito de entrar na sala de aula!? – A Professora presente me repreendia, mas já estava diante do meu destino.
Edel.
Não sei com que forças, mas a peguei pela gola de sua blusa com uma das mãos e com a outra dei um soco em sua face, com toda a raiva que tinha dentro de mim.
Todos ficaram surpresos e a professora corria até nós. Mas o tempo em que ela vinha em nossa direção foi o suficiente para que eu desse um tapa bem dado do outro lado de sua face.
Edel caiu no chão.
– VOCÊ TÁ LOUCA!? – Ela berrou.
– Não. – Respondi ainda com a face sombria que tinha desde que sai do hospital. – Se eu estivesse louca você estaria queimando até sobrarem apenas cinzas agora. – Senti que o medo a possuiu naquele instante.
– Lin Myo, para a diretoria já!
– Depois das aulas vamos para a toca, o-gamers. – Olhei quase que de um em um antes de me retirar daquela sala com a professora logo atrás.
Sussurros e até mesmos gritos altos eram ouvidos de onde eu estava na diretoria.
“Ela ficou louca?”, “A Edel levou uma surra da Lin”, “Ela entrou na sala e deu um soco e depois um tapa na Edel!”, “O que será que aconteceu?”
Hipócritas.
Um bando de pessoas sem moral alguma pra espalhar boatos. Se os mesmos caírem na boca do povo chamariam isso de bullying* e tomariam decisões impensáveis como processar a tal pessoa que começou isto. Eu não odeio só homens. Odeio todos os tipos de hipócritas dessa sociedade. Não posso generalizar um tipo de pessoa. Um exemplo disto é que se mulheres tivessem pênis, estuprariam. Se homens tivessem vagina, seriam estuprados. Existem tanto homens quanto mulheres de mal caráter e capaz de ver só o seu bem.
Agora eu enxergo totalmente o que esse mundo podre tem a oferecer.
Não sei oque me foi dito pela diretora, e nem quero saber.
A todo tempo em que ela falava qualquer coisa, eu tinha a imagens de Holy em minha mente. Machucada, ensanguentada e sufocada, com um visível rosto perturbador.
~
Quando cheguei ao local todos me fitavam tensos. Ainda mantinha minha face séria e obscura que não desfiz até agora.
– AGORA VOCÊ VAI VER! – Edel me pegou em um mata-leão, voltando seu braço em meu pescoço. E como aprendi com meu pai, me virava um pouco e a puxava para a frente, a fazendo cair de costas no chão e segurava em seu braço o girando, com o pé em seu peito. – A-AAAI! – A deixei sentir dor por mais 10 segundos, e logo a soltei. Por fim quando saia dei um chute em sua barriga.
– L-Lin... – Elesis chamou minha atenção, segurando em meus braços. – Já chega. – A fiz me largar e fui até a mesa que tinha no meio da sala e me sentei na mesma.
– Fale oque queria dizer, Lin. – Ryan disse tenso.
– Você queria dizer algo, não era? – Lire perguntou, também tensa.
– A Holy está morta. – Todos os olhos presentes se arregalavam, mesmo que ocultamente.
– COMO ASSIM LIN, NÃO DIGA BOBAGENS! – Amy veio até mim e pegou em minha blusa. – A HOLY NÃO ESTA MORTA! – Amy tinha uma lágrima escorrendo em sua face.
– LIN! Diz que isso não é verdade... – Azin me fitou choroso.
Abaixei a minha face e as lágrimas caíram outra vez. Empurrei Amy e a mesma caiu no chão. Me levantei da mesa e logo levantei também a minha face.
– Eu vi com os meus próprios olhos. – Pus a mão em meu pescoço e cerrava os dentes. – Eu te disse Azin... EU DISSE QUE SE ALGO ACONTECESSE A ELA EU NÃO IA TE PERDOAR NUNCA! – Fui até ele e segurei na gola de sua blusa. — ESPERO QUE ESTEJA FELIZ, PORQUE POR UM PUTA CAPRICHO SEU A HOLY MORREU! – O larguei e fui até Edel.
– E VOCÊ, SUA VADIA! – A chutei outra vez e abaixei em sua frente pegando em seus cabelos, fazendo-a me fitar. – VOCÊ É UMA DAS PESSOAS QUE EU QUERO ENCONTRAR NO INFERNO! QUEIMANDO PELA ETERNIDADE, E SOFRENDO INFINITAMENTE OQUE A HOLY SOFREU. – A larguei e fui até a estante, jogando tudo que encontrava-se encima dela no chão.
– DROGA! DROGA! DROGA! DROGA! – Chutava a estante, quebrando vidro que havia embaixo e o socava diversas vezes. Ficaria ali até meus pulsos sangrarem. Porém alguém tocou em meu ombro.
– Calma, Lin. – Era Zero. Não pensei duas vezes antes de soca-lo para parar de tocar em mim. Ele ficou um pouco zonzo com a pancada.
– Não toque em mim. – Disse com toda a raiva que transbordava em mim.
– Ficar desse jeito não vai adiantar nada Lin... – Ronan disse com dor. – Ela...já se foi.
– COMO VOCÊ QUER QUE EU FIQUE SABENDO QUE OQUE ESSA GAROTA MAIS QUERIA ERA VIVER?! QUE ELA QUERIA MORRER, MAS COM O INCENTIVO QUE EU A DEI, NO FINAL DESEJOU A VIDA MAIS QUE TUDO! PRA QUE? PRA EU ACORDAR AS TRES DA MANHÃ COM MINHA MÃE FALANDO QUE ELA HAVIA “SE MATADO”? ENCONTRA-LA, CHEIA DE CORTES PELO CORPO, ENFORCADA EM UMA CORDA DE ARAME E PENDURADA NO TETO DO SEU QUARTO E TRANSBORDANDO SANGUE!
Todos ficavam horrorizados.
– O meu pai veio me dizer que ela havia se matado e isso já tinha sido comprovado... COMO ACHA QUE EU ME SENTI? SABENDO QUE FOI AQUELE MALTIRO REI QUE FEZ ISSO COM ELA E EU NÃO POSSO NEM FALAR NADA!
Amy caia aos prantos junto comigo ao chão. Lire não se sentia bem e Ronan e Ryan a abanavam. Arme chorava e Lass a confortava. Os demais se encontravam com faces baixas e caladas.
Passou-se cinco minutos e eu me recuperava do choro só agora.
– Eu não contei isso tudo pra que vocês ficassem cabisbaixos ou se preparassem pra morrer. – Todos olhavam automaticamente pra mim. – Tudo que eu mais quero agora e encontrar o Rei e acabar com ele. Mas até isso acontecer temos um imenso caminho de espinhos pra trilhar. – Disse e estendi minha mão pra Amy, que a pegou e se levantou.
Olhei para Azin.
– Não é que eu tenha te perdoado.
Olhei para Edel.
– Muito menos você. – Respirei fundo. – Mas deu pra perceber bem que era isso que o “Rei” queria. Nos por um contra o outro dentre essas coisas pessoais. – Me ajoelhei a frente de todos. – Por favor, lutem pra viver. Eu tenho certeza que... a Holy quer isso. – Tinha outra vez vontade de chorar.
Me levantei.
– Vamos obedecer as ordens. Isso com toda a certeza vai ser melhor do que perder a vida...
Eles ficavam pensativos.
– A Lin tem razão gente. – Lire se manifestou e veio até mim. – Vamos nos unir, desse jeito o Rei vai ver que o seu jogo não funciona mais com a gente. Se o objetivo dele for nos abalar assim.
– Isso ai! – Arme veio e estendeu sua mão, Lire logo pôs a sua acima da dela. Eu hesitei por uns segundos, mas toquei na mão da Lire.
– Eu queria isso desde o inicio. – Ronan pôs sua mão acima da minha.
– To dentro. – Jin pôs sua mão.
Ryan pôs sua mão.
Amy pôs sua mão.
Elesis pôs sua mão.
Lass pôs sua mão.
Zero pôs sua mão.
Mari pôs sua mão.
Sieg pôs sua mão.
Veigas pôs sua mão.
Faltavam Lupus, Dio, Rey, Azin e Edel.
– O que ainda faz parado ai, panaca? – Disse arqueando uma sobrancelha a Lupus.
– Eu acho isso um pouco, muito clichê. Finjam que minha mão está ai. – Ele dava de ombros deitado no sofá, folgadamente.
– Eu... – Azin tinha um rosto cabisbaixo e choroso.
– Sabemos que você está arrependido, Azin. Vem logo pra cá. – Jin disse.
– Como eu já disse, ainda não o perdoo. – Disse séria. – Mas todo o ódio que tenho por você, e até mesmo pela Edel vão ter que ficar por fora desse jogo. Eu não vou fazer oque o Rei quer.
Azin pôs sua mão.
Edel se mantinha quieta e Dio não parava de olhar pra Rey, que estava pensativa.
Edel pôs sua mão sem fitar nenhum de nós.
– Dio e Rey... – Elesis ia falar alguma coisa.
– VOCÊ ACHA QUE ISSO VAI SER FACIL PRA MIM? – Rey deu um chilique.
– Do que ela ta falando...? – Eu perguntei aos demais, que se mantinham quietos e tensos.
– A ordem de hoje, Lin... – Lass disse.
– É pro Dio e a Rey transarem. – Lupus completou. – Traça logo ela Dio, elas só fazem cu doce no inicio. Com o calor do momento isso se desenrola.
– Quem você acha que eu sou, seu nojento! – Rey disse dando um soco no braço de Lupus, que riu.
– Eu acho que você é uma riquinha muito gostosa. – Sempre tão vulgar...
Dio pôs sua mão.
– Acho que é o suficiente. – Dio tirou sua mão e logo as abaixamos.
Ele foi em direção a Rey.
– F-FICA LONGE DE MIM, DIO! EU TE ODEIO, DESPREZO! – Ele segurou nos pulsos de Rey.
– Não seja egoísta. Não é só você que vai sofrer a consequência se essa ordem não for cumprida. – Ele beijou o pescoço de Rey.
– N-NÃO! – Todos se mantinham quietos e outros até se viravam pra não ver aquilo acontecer.
Quando juntamos nossas mãos foi como fazer um pacto pra que todos sobrevivessem no final de tudo. E pra isso, sacrifícios como o de Rey seriam precisos.
– Você não é virgem, que drama todo é esse!? – Dio perguntou apertando nos seios de Rey.
– EU NÃO QUERO VOCÊ, É SÓ ISSO! – Ele se estressou e a virou de costas. – N-NÃO! IDIOTA! – Dio a imprensava na parede enquanto uma de suas mãos acariciava a bunda de Rey.
– Relaxa, vai ser uma rapidinha. – Dio mexia na calcinha de Rey, a penetrou com um dedo.
– AAH! DIO, I-IDIOTAAA! AAAH! – Logo foram dois dedos e aumentava sua velocidade de movimentos em vai e vem no orifício anal de Rey.
– Que dia louco. Quem diria que algum dia eu transaria com a riquinha turbinada. – Dio falava de forma macabra e assustadora.
Medo. Outra vez o senti... Isso esta indo longe demais... Ver a Rey ali... I-Isso... Não é legal.
– Se prepara Reyzinha, não sei se vai doer. – Ele desceu seu zíper e penetrou-a.
– KYAAAAAAAAAAAAAAA! D-DIO, N-NÃAO! AAAAH! – Ele ia rapidamente sem nem notar em como a Rey poderia estar sentindo dor. – V-VOCÊS VÃO FICAR PARADOS AI! M-ME AJUDEM! AAAH! – Dio ia mais e mais forte, pondo Rey de quatro com a cara achatada em uma mesa de canto. – PARE!
Pare.
Essas palavras... Porque agora que eu estava me sentindo bem tive que voltar a ter essas más lembranças? Porque, Holy? Vendo tudo agora eu queria tanto ter te contado meu segredo naquela noite, você foi a primeira pessoa que eu senti necessidade de compartilhar esta dor. Achei que você seria capaz de cura-la. Achei.
– Já foi o suficiente, Dio. Para! – Disse e ele não me dava ouvidos. – Dio, já chega!
Todos os celulares tocaram ao mesmo tempo.
“Você recebeu uma nova mensagem”
De: Desconhecido
Assunto: Ousama game
Mensagem: Obediência confirmada!
– Dio! – Eu queria ir até ele, mas começava a tremer.
Lupus pareceu olhar pra mim, e logo foi até o Dio.
– Ei cara, já chega. Te ver dali já esta me dando inveja. – Lupus disse encostando no ombro de Dio.
– Quer que eu divida? – Dio ria como um maníaco e Rey já não reagia, apenas a via chorar baixo, com os braços acima da cabeça.
Porém um dos braços se esticava até sua bolsa. De lá ela tirou uma arma.
– LUPUS! – Tentei avisa-lo antes que fosse tarde.
“PEW”
Dio e Lupus caíram no chão.
Rey apontava a arma a Dio, tremendo com a mesma nas mãos.
– LUPUS! – Até agora eu não via em quem ela havia acertado.
– Rey... Calma! – Sieg falou e ela apontou a arma para o mesmo. – Ei ei! Abaixa isso! – Sieg levantou as mãos com medo de uma loucura da parte de Rey.
– VADIA! – Dio pulava encima dela, e os dois caíram no chão.
A primeira bala acertou Lupus... Via sangue escorrendo pelo seu braço.
“PEW”
Foi disparada outra vez, e esta acertou Dio.
Rey o tirou de cima de si e jogava a arma no chão pondo as mãos na cabeça.
– D-DROGA! QUE MERDA EU FIZ!? TÁ FELIZ AGORA, DIO! IMBECIL! – Rey berrava.
– Lupus! – Fui até ele e rasguei a manga de sua blusa, tinha recebido um tiro de raspão.
Amarrei a parte rasgada da manga acima do ferimento.
– Rápido, alguém ligue pra ambulância! Resolvemos todo o resto depois. Temos que salva-los!
Lass pegou o celular e ligava enquanto as meninas ficavam horrorizadas e não queriam ver a cena a sua frente.
Fui até Dio e o tiro que o acertou foi exatamente em seu órgão sexual... N-Não vou tocar nisso! E não sei como parar o sangramento.
– Rapido, Lass! – Ronan o apressou.
– Saiam todos daqui! Temos que deixar o mínimo de testemunhas pra isso. – Berrei pra que pudessem me ouvir, as meninas choravam forte demais. – Vão logo! – Todos foram saindo e só ficou ali eu, Rey e Lass que conseguia finalmente falar com a ambulância.
~
A prioridade foi para Dio, que seu caso era mais delicado. Cada um deles precisava de um acompanhante. Rey guardou sua arma e foi embora sem demonstrar emoções, deixando que os acompanhantes fossem eu e Lass.
Chegando ao hospital ficamos sentados e me surpreendia com Lass tão apreensivo e nervoso.
– Você está bem, Lass? – Não é de meu feito me importar com os outros, mas após nosso “pacto” me sentia como uma tutora de ambos. Do tipo que perguntaria de cinco em cinco minutos se você estava contente ou precisando de algo.
Ele não me ouviu. Ou simplesmente fingiu não me ouvir.
Um médico chegou até nós, e Lass se levantava totalmente desesperado... Porque? Despreza tanto Dio quanto Lupus. Não estou entendendo nada.
– Vocês vieram com os jovens Lupus Wild e Dio Burning Canyon? – O médico perguntou e assentimos. Ele limpou sua garganta e falou calmo. – O senhor Lupus Wild encontra-se bem, por sorte foi um tiro de raspão e os primeiros socorros foram de grande ajuda para não perder muito sangue. Fico feliz que jovens como vocês tenham noção de como agir em uma situação extrema como esta. – Ele fez uma reverência de respeito e senti Lass perder toda a sua frustração em um suspiro.
– Muito obrigado pelo elogio, senhor. – Disse devolvendo sua reverência. – Mas como está o Dio? – Não que este ser, que não posso considerar humano, seja de alguma importância pra mim.
O médico suspirou outra vez.
– O caso deste rapaz é mais delicado. Eu entendo que não puderam parar o sangramento da mesma forma que o outro paciente, mas isso resultou a uma grande perda de sangue. Já estamos resolvendo este problema, mas o caso ainda é sério.
Assim o médico se despediu de nós. Sentamos outra vez e eu notava uma presença familiar.
Havia um homem com a mesma roupa negra de detetive como a de madrugada, na casa da Holy. Este homem me parece suspeito...
– Lass. – O chamei disfarçadamente e ele me respondeu com um “hum” sem muito interesse. – Não olhe agora, mas ao nosso lado, encostado a parede, tem um homem vestido de preto. E eu tenho certeza de que o vi na cas...
– Lin, não tem ninguém ali. – Me virei e ele tinha razão.
Não tinha ninguém ali.
– Você deve estar cansada...Não quer descansar? Passou por muita coisa hoje. – Não é isso.
Por mais que esteja cansada eu não posso negar oque meus olhos viram... Pelo visto não posso contar com nenhum deles, como fui uma tola e ingênua.
– Você pode ter razão, vou pegar uma água e dar uma volta. – Disse já me afastando de Lass, enquanto procurava por aquele homem.
Eu o vi.
Escondia-me e o seguia com os olhos de longe, me aproximando assim que ele andasse.
– Lin, nós já podemos ver o Lupus, segundo o médico. – Tomei um susto tão grande que respirava fundo. – Oque foi? – Ele perguntou, e assim que virei novamente meus olhos até onde o homem de preto estava, ele havia sumido outra vez.
– Tcs... – Bufei. – Eu não tenho nada pra falar com o Lupus. Se também não tiver é só se manter sentado na sala de espera. – Lass conseguiu me tirar totalmente do sério.
O ignorei e continuei a procurar pelo homem de preto outra vez, em vão. Não conseguia mais acha-lo.
Fui ao encontro de Lass, que não estava sentado na sala de espera, oque significa que está com o Lupus. Fui vê-los.
– VOCÊ NÃO PODIA TER TRAGO PROBLEMAS MAIORES NÃO, LUPUS? – Ouvia Lass berrar com o mesmo e preferi não entrar no quarto, porém ouvia por trás da porta.
– Não enche o saco, branquelo magricela. – Lupus o respondeu de tom normal.
– VOCÊ É UMA DOR DE CABEÇA! NÃO DEVIA TER EXISTIDO! SÓ PRECISAVA CHEGAR UM POUCO PRO LADO E DEIXAR QUE AQUELA BALA ACERTASSE BEM NO SEU CORAÇÃO, PRA VER SE MORRIA DE UMA VEZ!
– Não estou mandando você dar uma de babá ou coisa parecida, vai seguir o seu rumo e me deixa em paz.
– E você acha que é simples assim!? Aquela vadia da sua mãe vai pedir dinheiro outra vez pra nós...! – Ouvi um pequeno estrondo e as palavras de Lupus.
– NÃO FALE SOBRE A MINHA MÃE COM ESSA BOCA IMUNDA! – Entrei no quarto e via Lass no chão, segurando em seu rosto.
– Oque está havendo aqui? – Perguntei e Lass se retirou do quarto. Lupus me fitou como se eu fosse a coisa mais repugnante que já havia visto na vida. – Se está com fome diga, eu compro algo pra você comer. Só não fique com essa cara feia para os outros.
– Não se meta na minha vida. – Ele disse com olhos amedrontadores.
– A sua história não me interessa nem um pouco, ver a grama do meu jardim crescer é mais interessante. – Disse dando de ombros. – Mas quero que deixe seus problemas pessoais fora do ousama game.
– Já disse pra não se meter na minha vida. – Ele disse com seu olhar já normal.
– Vamos rápido! – Ouvia médicos passarem correndo e quando sai do quarto de Lupus pra observa-los entravam rapidamente no quarto de Dio.
Eu não podia acreditar no que houve.
– O paciente Dio Burning Canyon teve um derrame* e não sobreviveu aos socorros, eu sinto muito. – O médico se abaixou mostrando condolências. – Meus pêsames.
– Não...pode ser... – Cerrava meus dentes enquanto sentava e respirava fundo.
Foi o Rei? Um derrame teria algo a ver com o tiro em seu órgão? Droga.
Quantos de nós ele ainda vai levar?
– Lin... – Era meu pai.
– S-sim. – Meu pai fitou Lass de cima a baixo com um olhar repreensivo.
– O que você tem a ver com este caso? – Meu pai está nesse caso...? Quem denunciou? E de que forma denunciou?
– Que caso, pai? – Tive de perguntar antes que falasse coisas que seriam desnecessárias e o deixaria curioso, tanto como pai quanto detetive policial.
– O caso de estupro de uma das suas colegas de classe. – Será que foi a Rey que o denunciou? – Acabo de ver que vocês dois vieram como acompanhantes dos feridos. Me diga oque você tem a ver com esse caso, Lin.
Respirei fundo.
– Estávamos passando quando ouvimos os gritos de Rey...Quando os vimos Dio largou Rey e ela pegou uma arma que tinha em sua bolsa. Ela não teve uma boa mira e logo acertou o braço de Lupus, que está aqui na UTI se quiser interroga-lo. Quando atirou de novo acertou Dio e ele acaba de morrer com um derrame cerebral. – Disse e meu pai me observava sério.
– Você está bem, Lin? – Eu sabia que ele perguntaria isso.
– Estou, meu pai. – Disse mostrando-lhe um pequeno sorriso. E ele pôs sua mão direita acima de minha cabeça.
– Soube pelos médicos que você fez os primeiros socorros daquele rapaz, acabou que eu fiz bem em te ensinar coisas assim. Fico tão feliz que a minha menina cresceu... – Ele me abraçou e eu retribui.
Meu pai é o único homem que eu admiro, o único homem que tenho vontade de dar um abraço todos os dias e dizer o quanto eu o amo.
– Obrigado por me ajudar a crescer, pai. – Ele parou o nosso abraço. — E como está a mamãe? — Tive de perguntar, mal a via fazendo as tarefas de casa.
– Acho que teremos que contratar uma empregada, sua mãe anda com medo de voltar a cozinha. — Ele disse passando a mão na nuca e respirando fundo.
– Vou ficar atenta a empregadas por ai, pode ficar tranquilo. — Disse rindo da reação dele
– Só vocês dois foram testemunhas? – Ele perguntou depois de voltar a sua pose de detetive policial sério.
– Sim. – Não posso envolver os demais.
Desculpa mentir pra você, pai.
– Eu vou deixar vocês descansarem e logo vou investigar melhor o caso, até depois filha, Lass. – Ele se despediu de nós.
Mandei uma mensagem para Lupus, pra confirmar minha história caso meu pai fosse até ele. Mandei uma mensagem pros demais O-gamers pra que soubessem também da história que eu contei ao meu pai, os deixando de fora.
~
00:00
“Você recebeu uma nova mensagem”
Eu não quero mais ter que esperar até a meia noite pra saber oque temos que fazer pra continuarmos sobrevivendo sabe-se lá até quando...
Não... Não pode ser...
De: Desconhecido
Assunto: Ousama game
Mensagem: ORDEM 4;
Não gosto de meninas más que tentam acabar com a minha diversão.
Sua punição será a pior de todas se não cumprir a ordem a seguir, 15º participante, Lin Myo. Sua ordem é contar a história por trás de sua peruca negra na frente de todos os seus colegas “O-gamers”. Eu saberei se estiver mentindo. Porque eu sou o Rei.
Não...Holy, eu não consigo! Não consigo!
Tremia aos chãos do meu quarto escuro, com uma madrugada chuvosa.
– MALDITO! MALDITO! – Gritava indo a minha mesa e despejando aos chãos minhas coleções de mangas, meus livros e até mesmo meu notebook. – D-Droga... – Pegava em meus amaldiçoados cabelos brancos os condenando por tal cor, tal tristeza e tal destino que eles me proporcionaram.
Como o Rei sabe tanto sobre nós?
Não duvido nada que ele sabia que a Rey andava armada, que o Dio seria capaz de estupra-la caso ela não se rendesse a ordem...
Oque eu também não duvido nada é que foi ele outra vez. Foi ele que fez o Dio ter um derrame. Isso não é impossível, ainda mais se for aquele homem que vi. Tenho que me manter em alerta, se em uma próxima vez o ver terei certeza que é o “Rei”.
Meu celular tocou.
– Olá, Lin. Sei que havia dito que não ligaria mais, mas te ver assim tão desesperada me excita tanto! HAHAHAHAHAHA. – Era o “Rei” outra vez.
– MALDITO! VAI VER QUANDO EU POR AS MINHAS MÃOS EM VOCÊ! EU VOU VINGAR A HOLY, E ATÉ MESMO O DIO! – Disse apertando a cabeceira de madeira de minha cama.
– Quem disse a você que eu matei a Holy? – Meus olhos se arregalaram e me arrepiava de pé a cabeça.
– Eu tenho certeza. – Disse cerrando os dentes. – A HOLY NÃO SE MATOU!
– A Holy se matou. Não cheguei nem perto dela.
– Pare de dizer bobagens e assuma sua culpa. – Não sei que reação ter.
“Eu não sei que tipo de ligação tinha com aquela menina, mas ela se suicidou. Isso é um fato já comprovado”. Você está certo, pai...?
Me diga que não.
– Até quando vai ficar de cabeça baixa? Levante sua face, quero ver sua reação sabendo que sua amiguinha que queria tanto viver se matou. – Eu ri. – Me diga qual a graça.
– Porque está me mandando olhar pra cima? Por acaso é por uma câmera que consegue me ver? – Olhei para o perímetro em que a câmera podia me pegar deitada em minha cama, e como eu não a havia visto bem encima de meu guarda roupa?
Ri outra vez, pondo aquela câmera bem perto de meu rosto.
– Não pense que eu vou acreditar em você, muito menos deixar que me influencie em qualquer merda que seja. – Não ouvia nada do outro lado do telefone, mas sabia que ele ainda estava lá. Se contorcendo de raiva por seu descuido. – Eu vou vencer o seu joguinho, ouça muito bem as minhas palavras. – Desliguei o telefone e cortei os fios em que a câmera estava conectada, a guardando na minha mochila.
~
9 de outubro, quinta-feira. 4º dia de jogo
Fui à escola e todos me olhavam como se eu fosse alguma novidade.
“Foi ela que bateu na Edel! Olha!”
Ah, ainda falam disso? Achava que hipócritas tinham mais oque fazer, como procurar fofocas mais recentes.
Parei-me no meio do corredor e fitava todas pessoas que olhavam pra mim, de um em um. Logo os mesmos desviavam o olhar e ficavam sem graça.
– Vão estudar pra álgebra, ou todos vão repetir no fim do ano. – Disse de forma superior enquanto voltava a andar até minha sala sentindo que estava sendo odiada por eles. Que se foda.
Quando a aula começou a professora entrou na sala e se surpreendia com a minha presença.
– Oque faz aqui, Lin Myo? – Ela disse cruzando seus braços.
– Acho que meus pais pagam a escola pra eu vir estudar, você não acha? – Falei com o mesmo olhar sério e desinteressado de sempre, ouvindo risos após meu comentário.
– Você foi suspensa. Se esqueceu do seu show de ontem durante a minha aula, mocinha? – Ela chegou perto e ficou de frente pra minha mesa.
– Ah, então foi isso que a diretora disse. – Peguei meu material e me levantei. – Desculpe, não tinha interesse em ouvir oque ela tinha a me dizer. – Ouvi risos outra vez e a professora ficava com um rosto raivoso. – Eu não estou contando piada pra ninguém rir. – Todos me olharam sérios. – A hora do recreio ta chegando, não precisam ficar com essa cara de fome. – Assim que disse sai da sala.
Eu acordei cedo e vim à toa a esse lugar, ir pra casa é que eu não vou agora.
– Lupus, já disse pra mudar de locação. – Disse após vê-lo se agarrando com outra garota no mesmo lugar em que eu ia alimentar a Kyuubi, outra vez.
– Você foi suspensa, oque faz aqui me atrapalhando de novo? – Ele perguntou enquanto deixava a garota totalmente de lado. – A gente continua depois, tá? – Ele disse a ela, que assentiu e o beijou outra vez antes de sair.
– Nossa, me senti até honrada. – Ele chegou perto e eu ia chuta-lo, porém oque ele realmente queria fazer era retirar a minha peruca. – N-NÃO! – A segurei, tendo ele tentando a tirar.
– Qual é, me mostre seus lindos cabelinhos por trás dessa peruca. – Ele disse rindo macabramente.
– Nunca o mostrarei de novo. – Disse chutando seu braço e consegui o afastar, largando minha peruca. – Não importa se vocês souberem da história por trás dele ou não, eu não vou mostrar pra vocês o meu verdadeiro cabelo. – Disse apertando firme na minha peruca enquanto me lembrava do ocorrido.
– De novo mostrando sensibilidade? Você é realmente estranha. – Ele disse se sentando no chão encostado a parede.
– Não quero a sua companhia. – Disse sentando de baixo da arvore que havia em frente de onde Lupus estava, com uma distância de 100 metros. – Você não foi suspenso, pelo que eu saiba. Vai estudar. – Pus leite para a Kyuubi e a acariciava.
– Quem disse que estou te fazendo companhia? Eu gosto desse lugar, aqui bate uma boa sombra e uma boa brisa. Motivos suficientes pra me manter perto.
– Você é mesmo um imprestável. – Soltei as palavras num suspiro e logo ri.
– Eu vi a sua preocupação ontem comigo quando achou que eu havia morrido com aquele tiro. – Ele abaixou seu olhar até minha face. – Já disse pra não se apaixonar por mim.
– Já disse pra tirar seu cavalinho da chuva, essa é a ultima coisa que aconteceria. – Disse normalmente séria. – Mas mesmo assim obrigado. – Disse voltando a acariciar a Kyuubi.
– Obrigado pelo oque? – Ele perguntou confuso.
– Eu vi a sua preocupação ontem comigo quando eu pedia pro Dio parar com aquilo. – Disse de forma superior, rindo de lado. – Já disse pra não se apaixonar por mim.
– Já disse pra tirar seu cavalinho da chuva, essa é a ultima coisa que aconteceria. – Ele disse dando de ombros. – Odeio choros de menininhas. Só evitei que começasse a chorar ali.
– Para de posar de garoto mal. No fundo você é um garotinho cheio de compaixão. – Ele bufou e puxou um cigarro do bolso e ia começar a fumar. – Nem pensar! – Me levantei rápido e chutei aquele cigarro pra longe.
– Tá louca? – Ele quase pegou na minha perna, mas me afastei.
– Se quiser fumar vá pra outro lugar, aqui eu quero ar puro. E a Kyuubi também. – Voltei a me sentar e acariciar a Kyuubi em meus braços.
– Vai se fuder. – Ele pôs os braços atrás de sua nuca e parecia tirar um cochilo.
– Ei panaca. – O chamei.
– Oque você quer agora? – Ele disse ainda com olhos fechados.
– Posso te fazer uma pergunta?
– Já está fazendo.
– Porque pinta seu cabelo dessa cor? – Da pra ver que não é natural, e quando a raiz cresce eu vejo um tom escuro.
– Não é da sua conta. Só não gosto da cor natural dele. – Ele demorou um pouco a responder.
E ficamos ali quietos fitando sabe-se lá oque até dar a hora da saída.
– Ah, achei vocês... – Lire comentou quando nos achou sentados e quietos ali.
– Já está na hora? – Lupus perguntou não querendo se levantar.
– Sim, acabamos de sair. – Ela respondeu normalmente calma e serena. Ela olhou pra mim. – Vai cumprir a ordem, não é mesmo Lin-chan?
– Não me chame assim... – Disse fitando o chão.
– D-Desculpe... mas então, vamos? – Ela ficou um pouco sem graça e tentava mudar de assunto.
– Vamos. – Me levantei deixando a Kyuubi ali e fui, logo sendo seguida por Lupus e Lire.
– Lire, nunca havia notado que era tão bonita. – Eu serei mesmo obrigada a ouvir isso? – Quer dar uma volta depois?
– Desculpe Lupus-san, mas eu... err... estou... num relacionamento, se posso chama-lo assim. – Como ela é ingênua.
– Se não sabe se é um relacionamento não precisa se prender a ele. – Ele disse e ela pareceu pensativa.
– Você não vai cair nessa, né? – Comentei me virando a ela. – Esse tipo de garoto só quer te comer e jogar fora. Ignore-o, vai ser melhor.
– T-Tá. – Ela apertou o passo e se afastou de nós.
– Você já atrapalhou de novo a minha transa da manhã, agora DE NOVO a transa da tarde? – Ele disse indignado.
– Tomara que seu pênis caia um dia.
– Pode ter certeza que ele nunca vai cair, o garoto já é especialista. – Não queria nem fita-lo, sabia que fazia um rosto mais que sujo.
– Você é repugnante. – Disse apertando o passo, não aguento mais ficar perto de um ser desses.
~
– A Rey faltou... será que isso vai ser um problema? – Veigas comentou.
– Acho que não... – Jin comentou.
– Você vai falar, Lin? – Ronan perguntou.
– Fiquei surpresa em saber que isso é uma peruca, parece tão natural e combina com você. – Arme comentou, fofa.
– Eu também queria que fossem naturais. – Comentei pegando minha mochila. – Antes de mais nada tenho que contar isso a vocês. – Peguei a câmera. – Essa belezinha aqui estava no meu quarto.
– Uma câmera? – Jin perguntou.
– É. – Quase que respondia algo como “não, é um cavalo”, mas me contive. – O Rei me ligou ontem a noite.
– E oque ele disse? – Elesis perguntou.
– Ele queria zombar de mim pela ordem de hoje. Mas eu acabei virando o jogo. – Sorri de forma superior. – Não me lembro se havia comentado, mas quando o Rei me ligou pela primeira vez ele disse que estava me vendo. Mesmo com as luzes apagadas, e até toda as portas e janelas fechadas ele disse “Eu ainda estou te vendo, Lin”.
– Você não comentou que ele havia falado isso, mas eu sabia, porque ele me disse isso também, mesmo eu duvidando e achando que era um trote. – Ryan disse.
– Ele te ligou? – Amy perguntou.
– Sim. – Ele respondeu. – Mas não dei muita importância, achei que era trote, deliguei o celular e tudo.
– Ele também me ligou. – Elesis disse.
– Então porque não ligou pra mim também? – Lass perguntou.
– Quem quer ligar pra você, Lass? – Lupus comentou, deitado espaçosamente no sofá do esconderijo.
– Você está muito feliz pra quem ainda está com o braço enfaixado. Não se esqueça que quase morreu ontem. – Lass tinha que lembrar daquilo?
Eu acertei o braço dele mais cedo...tinha me esquecido do seu ferimento.
– Para de latir. – Lupus comentou dando de ombros.
– Então o Rei só ligou pra Lin, pra Elesis e pro Ryan? Porque? – Sieg perguntou
– Ele também ligou pra mim, e eu descobri a câmera de primeira. – Mari disse encostada na parede. – E olhem pra primeira mensagem que ele nos enviou... – Ela buscou a mensagem no celular e nos mostrou.
De: Desconhecido
Assunto: Ousama game
Mensagem: ORDEM 1;
Sejam bem-vindos ao Ousama game!
Pesquisei sobre a vida de todos e por isso achei as pessoas perfeitas para entrarem nesse jogo. A lista por ordem de escolha é:
1º Participante: Elesis Sieghart
2º Participante: Lire Eruel
3º Participante: Arme Glenstid
4º Participante: Lass Isolet
5º Participante: Ryan Woodguard
6º Participante: Ronan Erudon
7º Participante: Amy Aruha
8º Participante: Jin Kaien
9º Participante: Ecnard Sieghart
10º Participante: Mari Ming Onette
11º Participante: Dio Burning Canyon
12º Participante: Zero Zephyrun
13º Participante: Rey Von Crimson
14º Participante: Lupus Wild
15º Participante: Lin Myo
16º Participante: Azin Tairin
17º Participante: Holy Serenity
18º Participante: Edel Frost
19º Participante: Veigas Terr
Com toda certeza se encontrarão na escola e irão conversar sobre.
A ordem de hoje é:
17º Participante, Holy Serenity deve se declarar a pessoa que ama na frente de todos os participantes.
As regras são as seguintes:
É obrigatória a participação de ambos os escolhidos para o jogo.
A ordem especificada na mensagem do Rei deve ser cumprida dentro de 24 horas.
O não-cumprimento da ordem encarretará em uma punição.
É inadmissível a desistência do jogo do Rei.
As ordens do Rei são absolutas!
– Nossos nomes estão marcados, prestem atenção. – Mari disse. É verdade. No nome da Elesis, do Ryan, da Mari e do meu tem uma seta. Isso seria só pra marcar quem ele ligou?
– E porque não nos contou? – Veigas perguntou.
– Porque não senti a necessidade de dividir algo tão óbvio com vocês. – Ela deu de ombros.
– Então quer dizer que nos nossos quartos também tem câmeras? – Jin perguntou.
– AAH! E a minha privacidade!? – Amy se desesperou.
– Procurem câmeras pelos seus quartos... e quem sabe até pela casa. – Disse um pouco tensa. – Isso poderia explicar um pouco como ele sabia que a minha mãe estava na cozinha e como pode ter a acertado da janela. Sabendo onde ela estava, era só direcionar a trajetória do tiro, e ele podia ter acertado a minha mãe até do prédio do lado. Pensando bem, eu tinha que ter notado essas câmeras desde o início.
– Nossa Lin, você sabe bastante dessas coisas... Eu fiquei surpresa com a sua reação quando o Lupus levou um tiro. Você ficou tão calma, e depois fez tudo como uma profissional... – Arme comentou.
– Sem falar que pratica parkour. – Lupus comentou.
– É tão madura. – Lire comentou.
– Eu queria ser normal, desculpem decepciona-los dessa forma. – Eu disse fria.
– Não diga isso Lin, você é uma boa pessoa. – Veigas comentou.
– E o seu tipo de pessoa é um tipo raro, eu admiro isso em você. – Zero disse.
– Ta bom, ta bom, chega de falar de mim. – Disse já incomodada com tantos elogios ocultos.
– Você ainda não respondeu se ia cumprir a ordem, Lin. – Lire disse e eu fiquei em silêncio.
– Eu não ia falar, ontem a noite oque mais fiz foi pedir desculpas a Holy porque eu preferia morrer a contar isso a vocês. É tão vergonhoso... – Disse cerrando meus dentes. – Mas quando o Rei me ligou poucos minutos depois eu vi que o fato de eu ter de certa forma nos unido mais o incomodou...e essa é uma coisa que eu adoro fazer. – Sorri. – Assim que eu achei a câmera fiquei totalmente disposta em quebrar ainda mais a cara dele. Essa é pra você, seu Rei de merda. – Dei dedo olhando pro céu.
Respirei fundo.
– Eu vou contar em terceira pessoa porque me sinto melhor assim. – Pus a mão no peito. – Eu não vou dar detalhes, muito menos nomes, só vou dizer oque aconteceu. – Me virei de costas. – Desculpem, mas não quero fitar vocês depois que souberem disso. Por favor, quando eu acabar vão embora.
Nessa hora até o Lupus se ajeitou pra ouvir melhor tudo que eu diria a seguir.
– Uma garota cuja pele era bronzeada, seus cabelos grisalhos, seus olhos azuis. Uma moradora de Tokyo. Chamava atenção por onde quer que ia por sua aparência completamente exótica naquela região.
Essa garota venceu uma promoção e teria seu sonho realizado: Ver seus ídolos de uma banda de frente, ao vivo e a cores. Era isso que ela pensava.
– N-NÃAO! P-POR FAVOR, ME LARGUEM! NÃAAAAAAAO! – Ela implorava e suprimia por piedade.
Eles responderam com uma penetração.
Por quê? Porque queriam provar de uma estrangeira. Porque era diferente. Por causa de sua pele bronzeada, seus cabelos grisalhos, seus olhos azuis.
Essa garota foi estuprada pelos quatro integrantes da banda. Da banda que ela sempre esteve ouvindo musicas com significados bonitos. Da banda que ela acompanhava pela internet, vendo vídeos engraçados e fotos espontâneas de seus integrantes. Da banda que dormia noites sonhando com o dia que poderia dizer “Eu amo vocês”.
O efeito foi contrário.
– “Eu odeio vocês”. – Ela cansou de repetir após ser deixada no quarto de hotel, com suas roupas rasgadas e completamente machucada. De seu olho roxo, arranhões em suas costas até sangramentos em ambas as entradas.
Os integrantes foram presos pelo seu pai. O caso foi explanado pela mídia. Todos em Tokyo saberiam quem era ela. Ela queria morrer.
Sua mãe chorava diante de sua filha, ainda pura, ainda virgem, ser corrompida por maus elementos.
Seu pai chorava, porém depois que sua filha se recuperou a ensinou a se defender contra sua vontade. Com ele não existia o termo “Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”.
Com a pressão eles foram obrigados a se mudar. Mas pra onde? Se esse caso foi mundialmente publicado?
Se mudar não seria a única solução.
Mudaram de nome, de país, de fisionomia, de vida. Até serem completamente irreconhecíveis por todos. Após dois anos migrando pararam em Daegu, na Coreia do Sul.
E ali estão até hoje.
– Fim. – Disse e me ajoelhei no chão segurando em meus braços. – Por favor, v-vão embora. – Disse mordendo meus lábios para segurar meus gemidos da dor que sentia compartilhando aquilo. – Que fique claro que eu contei isso a vocês porque queria dar uma na cara do Rei, mas também foi porque resolvi confiar em vocês. Que essa seja a prova da minha lealdade.
“Você recebeu uma nova mensagem”
De: Desconhecido
Assunto: Ousama game
Mensagem: Obediência confirmada!
– Um ponto pra Lin, zero pontos pro Rei. – Disse rindo entre lágrimas.
Logo ouvia passos de todos se retirando, não ouvia mais nada e resolvi me virar.
Ele ainda estava lá.
– Oque ainda faz aqui, panaca? – Havia me virado, mas não olhava pra face dele.
– Eu gosto desse lugar, aqui bate uma boa sombra e uma boa brisa. Motivos suficientes pra me manter perto. – Ele disse com olhos fechados e braços abaixo da cabeça.
– Eu acertei o seu braço mais cedo...Desculpa. – Disse sentando no braço do sofá, do lado dos seus pés.
– Aquilo não foi nada. – Ele ficou uns segundos em silêncio. – Oque está esperando?
– Hãm? – Fiquei confusa.
– Chore, grite, berre, finja que eu não estou aqui. – Por que ele está fazendo isso...?
– Você não disse que odeia choros de menininhas? – Disse quase desabando de verdade.
– Você não é uma menininha. Você é uma mulher, é diferente. – Me sinto feliz.
– Não vou chorar nem nada. O que tinha pra sair já terminou. – Limpava minhas lágrimas. – Não vou dar esse gostinho pro Rei.
– Você me surpreende a cada dia, estranha. – Ele disse dando um mini sorriso de lado.
Era tão bonito.
“Você recebeu uma nova mensagem”
– Espera, só tínhamos receber outra mensagem a meia noite! – Fiquei com medo.
De: Desconhecido
Assunto: Ousama game
Mensagem: ORDEM EXTRA;
Você não pode desafiar o Rei desse jeito, Lin. Darei uma punição leve pra que aprenda que quem manda nessa porra sou eu, valeu, falou?
A 15º participante, Lin Myo deve dormir com um homem.
Não.
Isso eu não quero, não, não, não!
– Droga...! – Mordia meu lábio inferior pra não ser levada outra vez pelas lágrimas, enquanto segurava meu celular com as mãos tremulas.
Lupus olhou pra mim e depois pegou seu celular.
Ele me puxou.
– O-OQUE TA FAZENDO? – Me deitou em sua frente e ficava de conchinha comigo.
– A ordem é essa, você não vai cumprir? – Ele perguntou deixando de me segurar, e minha tremedeira cessou.
– Esse maldito Rei... – Disse abraçando meus próprios braços.
Lupus me virou pra ele.
– Agora você precisa dormir. Se não sobreviver não vai conseguir deter o Rei, não é? – Ele disse normalmente sério.
Me virei pro outro lado.
– É... – Fazia o máximo para não encostar no Lupus, até que peguei no sono.
“Você recebeu uma nova mensagem”
Acordei ao som do meu celular. E sentia um peso sobre meu corpo.
Era o Lupus. Tinha sua cabeça em meu pescoço, sua mão em minha cintura e uma das pernas acima da minha.
Por incrível que pareça não me desesperei. O Lupus poderia me ajudar a perder o medo dos homens? Me mantive parada e ainda fingia dormir e ficaria assim até que ele acordasse.
Lupus é o tipo de homem que usa uma garota sem nem mesmo ela perceber, e depois finge que nunca a conheceu. Esse seria o tipo de homem que me ajudaria a finalmente enfrentar meu medo? Eu não vou me deixar levar até sua cama, muito menos deixa-lo me usar com sua própria vontade. Mas por ser um homem assim, não devia nem estar perto dele agora.
Porque eu posso estar, ao menos um pouquinho, gostando dele.
Ele se mexia, sentia medo do que poderia fazer, mas me mantive quieta e aparentando dormir.
Ele retirou sua perna de cima da minha e com sua mão que estava em minha cintura mexeu em meu cabelo, o pondo atrás de minha orelha e logo o senti cheirar meu pescoço.
Me arrepiei, e foi ai que precisei “acordar”, me levantando rápido e sentando onde estavam seus pés. Ele fez o mesmo, mas sentava-se do outro lado do sofá.
– Desculpe. – Ele falou baixo e rouco, quebrando o silêncio. Me virei pra ele. – A mensagem ainda não havia chegado nem quando você dormiu, então eu me aproximei mais e acabei dormindo sentindo o cheiro do seu perfume. – Ele disse passando a mão em seus cabelos dourados.
– A mensagem chegou. – Disse já mexendo no meu celular.
De: Desconhecido
Assunto: Ousama game
Mensagem: Obediência confirmada!
– Obrigado Lupus. Se não fosse você aqui agora eu não faria essa ordem. – Disse com um mini sorriso no rosto. – E desculpe. – Me levantei do sofá e pegava minha mochila pra ir embora. Já eram cinco da tarde.
– Porque pediu desculpas? – Ele perguntou também se levantando e se ajeitando pra sair de lá, e espero eu que ele vá para a sua casa.
– Por causa que ficou aqui e me ajudou a completar a missão, perdendo a sua transa da tarde. – Soltei um riso.
– Só se lembre que me deve seis favores. – Eu arqueei uma sobrancelha, cruzando meus braços. – Cinco são as transas que você atrapalhou e mais um por te ajudar na ordem do Rei hoje.
– Não pense que vou devolve-los do seu jeito. Você vai precisar da minha ajuda uma hora. – Disse e sai do esconderijo.
– Só não deixe acumular muito, dez favores só podem ser pagos com uma coisa. – Ele disse um pouco longe saindo logo atrás de mim. Me virei pra ele e tinha aquele rosto malicioso e nojento de sempre.
– Eu não vou deixar acumular, fique tranquilo. Mas a partir de hoje pare de contar as transas que eu atrapalho, ainda mais quando é na frente da Kyuubi. – Disse sem me virar pra ele, apenas levantando uma mão o dando tchau.
~
O que meu pai diria vendo que a sua garotinha finalmente quer lutar contra esse medo?
Eu posso contar com o Lupus?
Pensava nessas coisas enquanto esperava pela meia noite.
00:00
Eu queria sinceramente ajudar o Lupus em algo pra retribuir sua gentileza de hoje. Só não sabia que seria no dia seguinte.
De: Desconhecido
Assunto: Ousama game
Mensagem: ORDEM 5;
O 14º participante, Lupus Wild deve pintar seu cabelo da cor natural.
Não sei por que Lupus não gosta da cor natural dos seus cabelos, mas pra ser uma ordem do Rei, no mínimo Lupus vai se recusar a fazer por algum motivo.
Não posso deixa-lo morrer.
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