Ousama Game

3 A ordem na mensagem do Rei deve ser cumprida em 24h


Notas iniciais
Aqui o capitulo 3

00:00

– Lupus? – Liguei para o mesmo, que atendeu o telefone, porém não respondia.

– Oi. – Ele disse baixo e rouco.

– Tá...tudo bem? – Perguntei um pouco preocupada.

– Você parece a minha mãe. – Ele disse e podia imaginar a cara tensa que ele fazia.

– Desculpa se eu não quero ver mais companheiros morrerem! – Quase berrei. – Você vai fazer a ordem, não é?

– Não. – Ele desligou na minha cara.

QUE

Isso é sério, Lupus? Eu vou ter que te obrigar a pintar o cabelo? PINTAR O CABELO?

Não vou nem tentar ligar de volta pra ele, terei que me virar.

Suspirei e logo dormi de novo.

~

10 de outubro, sexta-feira. 5º dia de jogo

05:00

Minha mãe não usa uma peruca como eu, ela pinta seus cabelos brancos. Por sorte gosta sempre de mudar. Em seu banheiro tem um estoque de tintas de várias cores, do loiro até o castanho, do ruivo até o preto. Tenho quase 100% de certeza que os cabelos do Lupus são castanhos... Mas seriam castanhos escuros ou castanhos claros.

Quando fui ao banheiro da minha mãe de fininho para não acorda-la analisava as cores, acho que o chocolate combinaria com ele... Levarei ele.

Tomei meu banho, me arrumei com a roupa escolar e ia até sua casa.

– Lupus! – Toquei sua campainha mais de dez vezes, estou na sua porta faz vinte minutos!

Hora de apelar. Pulei seu muro e me surpreendia com seu cachorro, era um Boxer*!

– KYAAAAA! – Corri dele e me pendurei no muro da sua varanda, logo subindo mais pela pilastra, impedindo o seu cachorro de se quer conseguisse me cheirar.

– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. – Olhei pra janela e era o Lupus rindo.

– VOCÊ TÁ AI A QUANTO TEMPO, PANACA!? – Berrei com uma imensa vontade de soca-lo. – Anda Lupus, me ajuda! Prende ele! AAAH! – Quase caia.

– Você não disse as palavrinhas mágicas.

– Por favor! – Disse de bico.

– Não são essas as palavrinhas mágicas. – Ele deu um sorriso sínico. – Repita comigo: “Por favor, mestre”, com o dedinho na boca.

– Para de brincadeira, Lupus! AAAH! – Tentava subir mais na pilastra até segurar no teto da varanda. – Lupus! Eu vou cair, é sério!

– Então diga. – Ele disse mexendo no celular.

– P-Por favor, mestre! Me ajude!

Silêncio.

– Não achei que você fosse falar mesmo isso. – Ele quase caia no chão de tanto rir.

– LUPUS!

– Isso vale ouro. – Ele disse mexendo no celular.

– E-EI, OQUE VALE OURO?! VOCÊ NÃO GRAVOU ISSO NÉ? – Eu vou mata-lo.

– Gravei sim. E ainda fiz uma edição rápida com você repetindo isso por 10 minutos. – Ele disse virando o celular pra mim. – “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude...”

– LUPUS, IMBECIL! – Ele riu mais até que eu quase cai. – KYA! – Ele saiu e prendeu o seu cachorro. Minha mão escorregou e eu bati o joelho no muro. – AI! – Segurei-o enquanto me contorcia da dor que teve no momento.

– Você tá bem? – Ele disse chegando perto.

– Sai de perto! Não quero papo com você, olha só isso aqui! – Estava começando a sangrar e ele entrou na sua casa.

Sério que ele vai me deixar ali?

– Espera só um pouco. – Ele pegou no meu joelho e me afastei um pouco. – Calma, só vou por um curativo. – Ele lavou a ferida e depois passava um algodão com álcool nela.

– A-Ai. – Ele parou e me fitou. – Desculpa, não tava preparada. Pode continuar agora. – Ele continuou passando o algodão.

Ele parece outra pessoa numa situação dessas. Achava que o mais provável seria ele me deixar ali mesmo e voltar a dormir. Mas não, ele está cuidando de mim...

– Pronto. – Ele passou um merthiolate* e depois pôs um band-aid delicadamente.

– Eer... Obrigado. – Disse um pouco sem graça, mas logo que tive a chance dei um chute em seu queixo, o fazendo cair pra trás. – ISSO É POR ME FAZER PASSAR POR ISSO TUDO, PANACA!

– ISSO DOEU, MALDITA! – Ele disse pondo a mão no seu queixo.

– Você mereceu! Fica quieto e aceita que é melhor. – Disse de bico.

– Oque você quer? – Ele perguntou já sério.

– Oque eu quero não, oque eu vou fazer. – Disse indo em direção a minha mochila que havia caído no jardim quando corri do seu cachorro.

– Então vou mudar a pergunta. Oque você vai fazer? – Ele perguntou cruzando os braços encostando-se a parede.

– Vou pintar o seu cabelo. – Assim que voltei à varanda tirei a tinta da mochila e mostrei-a pra Lupus.

– Já disse que eu não vou pintar. – Ele disse entrando na sua casa.

– Lupus! Prefere se machucar, perder a vida, e até mesmo dar esse gostinho ao Rei porque não quer pintar um cabelo? Faça-me o favor! – Disse indo atrás dele.

– Você não sabe de nada, Lin. – Ele se virou sério pra mim, pondo sua mão na parede em que eu me encostava. – Eu vou te contar por que eu não quero pintar o meu cabelo. Então escute com atenção! – Ele disse pegando forte em minhas bochechas, me fazendo fazer bico.

– L-Luxus, exa ma maxuxando! (Lupus, está me machucando!) – Disse tirando sua mão dali, porém ele pegou ainda mais forte em meu queixo.

– Fica quieta e escuta! – Parei de me debater, mas o Lupus desse jeito está me dando medo...

Eu estou com medo.

– Se eu pintar o cabelo eu vou ficar igualzinho ao cara que comeu a minha mãe. E eu não quero parecer com esse idiota nunca na vida! – Ele disse sério, chegando mais perto e apertando ainda mais meu queixo. Bati em sua mão.

– Pra mim ainda continua sendo idiotice! – Disse o encarando, mesmo com medo. – Não importa se você for parecido com ele na aparência! Você por acaso é igual a ele nas ações? Se não, não vejo problema de pintar o seu cabelo de volta!

– VOCÊ NÃO ENTENDE QUE PRA MIM PINTAR O CABELO DE VOLTA É A MESMA COISA QUE VOCÊ PARAR DE ANDAR COM ESSA PERUCA? – Ele disse segurando forte nos meus braços e gritando na minha face.

Estou com medo. Fechava os olhos e tremia. Foi desse jeito que a minha tarde com aquela banda começou. Com o vocalista me imprensando desse mesmo jeito na parede.

– M-Me larga... – Disse com vontade de chorar e logo ele me soltou e fui ao chão, me encolhendo e pondo minhas mãos em minha face.

– Desculpe. – Ele disse baixo e rouco.

O silêncio permaneceu por cinco minutos.

– Se você diz que as nossas dores são semelhantes então compartilhe a sua comigo. – Me levantei e fiquei de pé em sua frente, sentado no sofá.

– O homem que comeu a minha mãe é o pai do Lass. – Fiquei um pouco chocada, mas agora tudo está se encaixando.

Por isso Lupus e Lass se odeiam. Por isso Lupus queria desistir no OG, não se importaria que o homem que nem consegue chamar de pai morresse. Por isso eles brigaram no hospital, a mãe dele com certeza deve pedir ao pai dinheiro para cuidar do Lupus. Se bem que...ele mora sozinho.

– Minha mãe foi trabalhar como empregada na casa dos Isolet. As escondidas aquele homem abusava sexualmente da minha mãe, e quando ela ficou grávida ele a afastou pra que a mulher não soubesse da traição, também estava grávida. O Lass puxou a sua mãe, porém eu puxei aquele homem. Com esse desgraçado cabelo castanho e esses olhos vermelhos.

– Eu daria tudo pra ter cabelos castanhos e olhos vermelhos. – Comentei baixo, pra não tirar sua concentração.

– Essa história foi a tona quando a mãe de Lass me viu e ficou chocada com a nossa semelhança. Foi ai que a minha mãe me contou essa história. Logo a mãe do Lass descobriu a traição do marido, mas mesmo assim não se separou. Pelo contrário, ficou mais junto ainda dele, fazendo a minha mãe assistir os dois em noites de sexo, maltratando-a e minha mãe não pode fazer nada...Porque esse é o seu ganha pão. – Ele disse cerrando os dentes. – Eu não posso fazer nada contra aquele homem. Além de ter poder suficiente pra matar até mesmo a minha mãe e sair impune, a idiota continua amando esse canalha. Continua trabalhando naquele lugar. Aturando tudo de boca fechada, só pra se manter “perto do homem que ama”. – Sentia o ódio o consumir. – Que idiotice. – Ele disse com o rosto obscuro. – Sempre que ia visita-la, chorava olhando pra mim. Porque eu sou igual a ele.

– E você passou a pintar o cabelo pra não fazer a sua mãe se lembrar dele quando te via? – Perguntei o óbvio.

– É. – Ele disse com dor.

Eu sinto dor. Mas não tenho coragem nem para dar um abraço em Lupus. Eu ainda não tenho coragem de sentir compaixão por um homem.

– Eu sinto muito. – Disse com a mão no peito e com os olhos cheios de lágrimas. – Eu não consigo nem te dar um abraço. – Ele olhou pra mim com os mesmos olhos que eu. – Desculpe ser tão egoísta, mas eu não posso deixar mais ninguém morrer porque eu não fui capaz de fazer essa pessoa mudar de ideia. – Dizia já com as lágrimas caindo.

– Você é tão chorona. – Quando percebi ele estava levantado em minha frente, e com sua mão direita limpou minhas lágrimas do olho esquerdo. E logo com sua mão esquerda limpava as lágrimas do meu olho direito.

Eu não estava com medo. Aqueles toques são gentis, são aquecedores.

Pus minha mão direita na sua esquerda, sem tremer ou ter medo, o fitando de tão perto.

– Da vontade de cuidar de você. – Ele sussurrou chegando em minha face e depositando um beijo em meus lábios.

Eu ainda não estava com medo. Ele era delicado a cada toque e deslizamento de sua mão em minha nuca.

Começava a me beijar mais rápido, descendo uma das mãos em minha cintura puxando-me para ele.

– N-NÃO! – Larguei-me dele o empurrando com minha mão direita em seu peito. Logo puxando-a de volta a mim um pouco trêmula, encostando-a delicadamente em meus lábios e finalmente o fitando de novo.

Lupus tinha um rosto que jamais vou esquecer, era sério porém com um sorriso oculto, seus olhos quase fechados, oque deixava-o lindo.

– Desculpe, eu não sei oque houve. – Ele disse ainda olhando em meus olhos.

– Lupus. – Pus minha mão no peito. – Se você pintar o cabelo eu vou parar de usar a peruca. – Ele fazia um rosto indignado.

– Lin... – Ele ia novamente chegar perto, porém pus novamente minha mão em seu peito para impedi-lo.

– Por favor, me deixe pintar seu cabelo. – Disse respirando fundo. – Eu não quero que mais ninguém morra. Por favor. – Disse abaixando minha cabeça o implorando.

– Não precisa fazer isso...

– Preciso sim! – Disse determinada e ele ficou surpreso. – Não vou deixar que você passe por isso sozinho. Podemos dividir a dor, nem que seja um pouco. – Olhei pra ele. – Eu quero superar meus medos, quero finalmente olhar pra frente e dizer “eu superei”. Gostaria muito da sua ajuda, Lupus. Porque o caminho vai ser longo e cheio de obstáculos. Mas quando se tem alguém dando apoio ao lado, quando você cair essa pessoa vai te ajudar a se levantar e até mesmo começar do zero se necessário. – Ele me olhava confuso.

– Tudo bem. – Ele disse e eu fiquei tão feliz.

– Oque estamos esperando então? – Fiquei tão empolgada no momento que nem percebi que o puxei pela sua mão. – A-Ah, desculpa. – Larguei-a quando lembrei que não estava em casa, não sei nem onde fica o banheiro.

– Você é muito estranha mesmo. – Ele comentou dando um mini sorriso e coçando seus cabelos. – O banheiro é ali. Eu pinto meu cabelo, lá tem tudo que precisa.

– Então vamos! – Fui pra lá e me lembrei que tinta mancha, e muito. – Ah... Lupus, por acaso não tem uma blusa velha? – Assim que perguntei ele jogou em minha cara. – Ubrugadu (Obrigado). – Disse com a blusa ainda na cara. – Um momentinho. – Fechei a porta e tirei a blusa escolar, pondo a dele. Fica tão grande que chega a ser engraçado.

Abri a porta de novo e o fitei tirando a sua regata, deixando de fora seu peitoral e seus...tríceps! sarados...! Fiquei com um pouco de calor, logo voltei a fitar o banheiro e lavei meu rosto pra voltar a temperatura normal. Quando olhei de novo pra sua direção estava pondo uma blusa parecida com a que eu estava.

– Sabe como pintar, não é? – Ele perguntou se sentando num banco no banheiro, em frente ao espelho.

– Não, mas já que você sabe, pode ir me falando como fazer. – Disse normalmente.

– Ta bom. – Ele riu pelo nariz. – Não quer se juntar a mim? Tem tinta suficiente. – Ele disse virando levemente pra mim.

– Não, ainda não planejo em pintar o meu próprio cabelo. Mas no dia em que eu quiser, deixo você pintar. – Disse sorrindo a ele.

– Vamos logo, ou a representante vai faltar aula hoje? – Ele disse arqueando uma sobrancelha.

– AI MEU DEUS! A ESCOLA! – Ele riu.

Acho que essa é a primeira vez que eu sorria tanto desde 2 anos atrás, e também era a primeira vez que eu via o Lupus sorrindo tanto.

Depois de um longo trabalho passando hidratante por todos os lugares no seu rosto que a tinta poderia pegar, separando seu cabelo em partes e pintando-o por inteiro esperávamos pelo resultado.

– Lupus. – Estava sentada na pia.

– Hum. – Ele estava sentado no banco que encostou na parede a minha frente.

– É a primeira vez que eu te vejo rindo tanto, e olha que esta fazendo uma coisa que não lhe agrada. – Comentei.

– Não se acostume muito. – Ele disse sério. – É que hoje houveram muitas coisas pra se rir. – Ele puxou o celular do seu bolso. – Tipo isso. – Botou aquele vídeo meu de novo. – “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude!”, “P-Por favor, mestre! Me ajude...”

– APAGA ISSO, LUPUS! – Bufei.

– Nunca. – Ele disse guardando o celular de novo no bolso, fazendo um rosto convencido.

– Eu vou me vingar, guarde minhas palavras. – Disse com um rosto sombrio.

– Tá, mas primeiro temos que enxaguar o cabelo, já tá na hora. – Ele disse sorrindo triste, de lado.

– Enxagua enquanto toma banho, tá quase na hora de irmos pra escola. – Disse saindo do banheiro. – Lembre-se da hidratação, pra deixar seus cabelos sedosos. E a garota da transa da manhã vai se sentir muito sortuda. – Ele me fitava avoado. Logo sai do banheiro e fechei a porta.

Porque eu disse isso? Me sinto até um pouco incomodada... Falando em transa, será que tem uma garota dormindo por aqui? Ou será que o Lupus é tão estranho que só tem a transa da manhã e a transa da tarde. Isso não é uma coisa pra se fazer a noite?

Tem um horário certo pra transar?

Ih, pare de pensar nessas coisas, Lin sua estranha. Eu ri.

Acho que o adjetivo “estranha” até combina comigo... Já me chamaram de tantas coisas, mas acho que o que mais e encaixou comigo foi “a estranha”.

– OOOOOOOOOOH... – Ele tem um x-box... Será que ele vai se importar se eu pegar e jogar um pouquinho?

Fui até lá e liguei a tv juntamente com o console, parando na ultima coisa que ele havia jogado. Naruto Storm 3, brincou!

Ah, ele já está na parte final, na luta com cada Bijuu... É bem chatinho, mas eu consigo passar dessa parte!

Isso me lembra até aquela musiquinha dos bijjus... Como era mesmo...? Ah! Lembrei.

– Hitotsu hi-toyoli inamori Shukaku

Futatsu faiya moeteru Matatabi

Mitsu mizunara makoseru Isobu

Yotzu yoka atzu ise Son Goku

Itzuzu itsu-demo kake-ashi Kokuo

Mutzu muri-sezu awatezo Saiken

Nanatzu nanajushi soratobu Chomei

Yatzu yappai yi-taji Gyuki

Ko-kon natzu ko-kon umto saikou Kurama

Koto soro-yoto bijuu uno nakama

Jo-oi muzutaketo ei namae

Muna-ripaa namaee danee

Mina zutakira namaee danee.* – Cantava enquanto jogava, já estava no Bijuu de seis caldas, o Choumei. Odeio esses ventinhos chatos que essa mariposa gigante solta. Pra mim isso é uma mariposa gigante!

– Morra com um bijuu dama da Kyuubi! HÁ! – Dei o ultimo hit e a Choumei foi para o espaço. – Hehe. – O que vem agora mesmo...? Ah sim! O Uchiha Emo supremo, Obito! Agora ele invoca o ultra apelação: gedo mazo e pega as bijuus... UUUUUH. Kurama sem chakra, novidade...Agora vem a batalha do “OBITO! É VOCÊ!”. Saudades ao menos o Full Buster.– Como o Lupus ta demorando... Eu vou zerar isso e ele não sai daquele banheiro. Será que ta batendo uma?

Porque hoje eu estou tão vulgar? Primeiro o papo das transas agora falando de punheta? É essa casa, a perversão e contagiosa!

– Ah. – Acabei de notar que estou com a blusa dele ainda. – Observei em volta e não tinha porta nem janelas abertas. Retirei aquela blusa e procurava a minha. – Ué, onde ela tá? – Sai procurando-a pela sala.

– Acabei... – Ele saiu do banheiro sem camisa e secando seu cabelo com uma toalha e me viu de sutiã.

– KYAAAA! – Joguei almofadas nele.

– Ei, calma. – Ele disse se virando. – Não é a primeira vez que eu vejo uma garota de sutiã, não vou delirar. – Comentou já virado.

– E q-quem perguntou!? – Berrei chorosa.

– Sua blusa da escola ta dentro do banheiro, Lin. – Eu sabia que ele fazia aquele rosto pervertido de sempre nessa hora.

– FICA DE OLHOS FECHADOS! – Disse totalmente vermelha. Que vergonha! Passei correndo por ele, peguei a blusa e a pus. – NÃO SAI ASSIM DO BANHEIRO SEM AVISAR! – Eu ia falar muito, mas quando o vi perdi a fala. – Você está...bonito. – Disse fitando seu rosto, pela primeira vez depois de muito tempo, fofa. – Só falta agora secar com a escova, porque natural não vai dar tempo.

– Me sinto honrado com esse tipo de elogio vindo de você. – Ele disse com um rosto malicioso, pondo uma das mãos no queixo.

– Vai logo por a roupa da escola. – Ou meus olhos não vão querer parar de fitar seus tríceps!

– Primeiro para de babar. – Ele disse convencido.

– ANDA LOGO! – Berrei, jogando a blusa que eu estava em seu rosto.

– JU VULTU. (Já volto) – Ele disse ainda com a blusa no rosto.

Quando ele foi pro seu quarto eu voltei ao banheiro, fitava toda aquela bagunça que deixamos e ria um pouco. Logo me olhava no espelho e fitava aquela peruca negra, minha companheira por dois anos... Eu finalmente a tiraria?

– Hora de ir pra escola, Lin. – Ele estava encostado na parede.

– A quanto tempo está ai?

– Uns segundos. Não quis atrapalhar sua reflexão interna. – Sai do banheiro e o vi já arrumado do seu jeito e com seus cabelos secos.

– Eu sabia que ficaria bom. – Disse tentando dar um sorriso parecido com o de Holy, extremamente fofo. – P-Posso...? – Estendia minha mão até seus cabelos, levantando um pouco meus pés por ele ser centímetros maiores que eu. Pus o lado esquerdo acima dos seus olhos e os arrepiei mais. – Assim combina com você. He.

– Como sabia que o meu cabelo é dessa cor? – Ele perguntou, depois de parecer sair de uma hipnose de silêncio.

– Pelo que observei poucas vezes quando sua raiz crescia, via castanho. Agora quando eu bati de cara com essa tinta no estoque da minha mãe eu achei ela a sua cara. Não sei, só achei que combinaria com você. E combinou. – Disse com um mini sorriso.

– Quando chegarmos na escola qual vai ser a sua personalidade? Depressiva ou esnobe? – Ele perguntou.

– É assim que aparento ser? Que cruel. – Ri. – É verdade que quando voltar pra aquele lugar recheado de hipócritas eu vou mudar. Só consigo mostrar a verdadeira Lin pra quem eu defino que seja merecedor. Você foi a segunda pessoa. – Sorri triste.

– A primeira...

– Foi a Holy. E eu nem tive tanto tempo de mostrar toda a verdadeira Lin. Estava começando a me abrir... Mas com você foi tão rápido que parece que foi uma continuação de onde eu parei. Parece que eu te conheço há anos. – O fitei normalmente séria.

Virei novamente pro espelho e soltei minha frustração em um suspiro.

– Agora é minha vez. – Sentia que ele falaria algo, mas não o deixei falar.

Retirei a minha peruca por completo, e desamarrei meus cabelos grisalhos que caiam sobre meus ombros.

– Acho que está na hora de corta-lo... Não trato dele a muito tempo. – Disse enquanto notava que minha franja de lado tampava todo o meu olho direito, e meu cabelo havia crescido bastante. Já estava em minha bunda.

Fiquei com medo de fitar Lupus. Mas suspirei outra vez e levantei minha face até ele.

Ele parecia maravilhado, tinha cara de bobo. Isso me deixou com um pouco de vergonha e acabei olhando de volta ao chão.

– São... – Me virei pra ele quando começou a falar. – Os cabelos grisalhos mais bonitos que eu já vi. – Sentia meu rosto arder, foi a primeira vez que alguém fora de minha família elogiava meus cabelos, tirando aquela banda.

Lupus está sendo muito gentil hoje. Isso me deixa tão feliz.

– O-Obrigado. – Disse indo em sua direção, que demorou um pouco, mas foi para trás me dando passagem para ir a sala outra vez.

Acabo de me lembrar de uma coisa.

– Lupus! – Chamei sua atenção. – A sua mãe...! Ela é empregada não é?

– Sim, algum problema? – Ele perguntou incomodado.

– Mande ela se demitir do seu trabalho! Peça pra ela trabalhar pra minha família. Nós a pagaremos até o dobro, mas a tire daquela casa. – Disse determinada e Lupus me olhava surpreso.

– Eu não quero que faça uma coisa dessas por pena, Lin. – Ele comentou sério.

– Quem tem pena é galinha! – Respondi com o mesmo rosto sério. – Estamos precisando de uma empregada lá em casa, eu disse ao meu pai que procuraria uma. – Ele pareceu pensativo. – É só aquele termo: “Dois coelhos com uma cajadada só”. – O fitei mais séria. – Por favor, fale com ela.

– Você não se cansa de sair por ai distribuindo boas ações? – Ele disse sorrindo, enquanto disfarçava mexendo no cabelo.

– Não distribuo pra qualquer um. Tem primeiro toda uma análise pra ver se essa pessoa é merecedora do meu esforço pra ajuda-la. – Comentei com um sorriso oculto.

– Agora é minha vez de ajuda-la. – Ele chegou perto.

– Oque vai fazer...? – Ele foi com sua mão direita ao meu rosto. Mesmo que seus toques agora sejam delicados tenho medo do que fará depois.

– Pare de tremer, eu não vou fazer nada. – Ele disse sério e me acalmei.

Ele acariciava meu rosto, subindo aos meus cabelos e passando seus dedos pelos meus fios tão odiados.

– Ta vendo? Não é tão mal. – Ele disse desarrumando minha franja e repeli sua mão, sorrindo e ajeitando minha franja.

– É... – Eu respondi a mim mesma.

– Quer comer alguma coisa? Eu sempre vou sem comer pra escola. Eu como quando chego lá. – Ele disse dando sua língua.

– Não, já comi. Café da manhã. – Disse normalmente séria.

– Então vamos. – Ele disse pagando sua mochila e eu respirava fundo.

– Vamos... – Assim que pus os pés do lado de fora me sentia incomodada.

O caminho até a escola foi totalmente silencioso. Fitava apenas o chão, aproveitando o quanto minha franja estava longa pra tampar minha face.

Lupus parecia fazer o mesmo quando me virava levemente para fita-lo andando ao meu lado. Com sua mochila em apenas um dos braços, suas mãos nos bolsos, parecia estar tão nervoso quanto eu, para deixar a mostra a dor que sentimos. Mesmo que nenhuma outra pessoa se importe com a cor dos nossos cabelos.

Chegávamos perto da escola e já ouviam pessoas passando por mim e até pelo Lupus com comentários como “São alunos novos? Que lindos”, “Eu adorei aquele cabelo!”, “Espera, aquela é a Lin?”, “Aquele é o Lupus! Tenho certeza!”.

Parei e Lupus se virava de leve pra me fitar.

Por mais que os outros acham meus cabelos bonitos, eu só consigo ouvir a voz dos garotos da banda que um dia eu amei. Eles falavam as mesmas coisas antes de fazerem tal barbaridade comigo. “Você tem lindos cabelos”, “Podemos tocar neles?”. Tudo começou de forma muito simples. Como eu poderia adivinhar que eles estragariam a própria fama só para “experimentar uma estrangeira”, como os mesmos disseram.

– Lupus. – O chamei indo até ele de vagar. – V-Você vai ficar mais tranquilo se eu segurar a sua mão? – Disse levantando minha face pra fitar seu rosto, e vice-versa.

Quem eu estou querendo enganar? Quem quer se sentir tranquila sou eu. Quem quer uma mão, mesmo que seja de um garoto qualquer, sou eu.

– Vou sim. – Eu sei que você percebeu que quem quer esta mão sou eu, Lupus. Obrigado.

Ele pegou em minha mão esquerda, com a sua direita e começava a andar de novo. Ficava um pouco atrás, ele dava passos largos, enquanto eu tinha pernas mais curtas.

Acho que não foi uma boa ideia pegar na mão de Lupus, os comentários agora eram maldosos.

“É essa que o Lupus vai traçar hoje de manhã?”, “Se já não traçou”, “Quem é essa vagabunda de hoje?”, “Droga! Eu queria fazer com o Lupus pela manhã!”.

Larguei a sua mão.

– Tudo bem? – Ele perguntou se virando pra mim.

– Não. – Disse e logo peguei toda a minha franja e a prendi para trás com uma presilha que tinha na mochila. – Vamos mostrar que somos mais fortes que os nossos traumas, Lupus. – Disse determinada, levantando a minha face.

– Que traumas? – Ele falou sorrindo de forma macabra. Passou a mão em seu cabelo de forma sexy, os arrepiando ainda mais. Porém deixava o lado esquerdo acima dos olhos, realmente assim combina com ele. Assim que se virou pra mim tentei sorrir da mesma forma.

– Não sei, esqueci. – E assim começamos a andar de cabeça erguida, fitando quem quer que fosse olhando para nós.

Chegamos em frente a escola e deixávamos a brisa passar por nós. Nos entreolhamos e logo entramos na escola da forma mais chamativa, mesmo que não queríamos isso.

Estávamos atrasados, mas mesmo assim andávamos de vagar.

“Você recebeu uma nova mensagem”

Pegamos nossos celulares e fitávamos a mensagem.

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Obediência confirmada!

– Hoje você chegou muito atrasada, mensagem. Porque? – Disse guardando meu celular novamente em minha meia calça três por quatro. Já que não tenho bolsos, tenho que apelar para lugares estranhos.

– Gostei do local onde guarda o celular. – Ele disse me fitando com um sorriso malicioso.

– É que seria estranho eu usar um coldre* aqui na escola. Mesmo que sendo meu porta-celular. – Disse o fitando de forma convencida, um pouco sexy como ele.

Entramos na sala de aula.

– Bom dia, hipócritas. – Disse baixo como era de meu feito todos os dias. – Podemos entrar professor? – Estávamos um pouco atrasados, o professor já estava começando sua aula.

– Que o atraso não se repita. – Ele disse nos fitando sério. – Podem se sentar. – E assim eu e Lupus nos sentamos.

Eu, ao lado da janela na ultima carteira. Ele também na ultima carteira, porém do outro lado, encostado a parede.

Olhares. Um pouco deles se voltava a mim e os outros ao Lupus.

“Nossa, que cabelo legal”, “Eles resolveram pintar juntos?”, “O Lupus conseguiu ficar ainda mais lindo!”, “Não sabia que a Lin era tão bonita assim”, “Vou chamar ela pra dar uma voltinha comigo”.

Cerrei meus dentes. Quem eles acham que são? Quem acham que eu sou? Eu odeio todos vocês com todas as forças em mim depositadas.

– Eu acho que o professor quer dar aula. – Lupus disse rouco, auto e claro o suficiente para que todos pudessem ouvir.

– Fico surpreso que você se pronunciou pra dizer uma coisa dessas, Lupus. – O professor comentou.

– Dá pra começar logo essa aula? – Disse auto o suficiente pra que pudesse ouvir.

– Mais respeito comigo, mocinha. – Ele disse e dei de ombros.

Mas quem disse que alguém assistiu a aula? Todas as conversinhas e olhares dentro daquela sala caiam sobre mim e o Lupus, e nossos odiados cabelos.

Tenho vontade de me levantar e dar um soco na cara de todos esses malditos hipócritas. Eu odeio, odeio todos vocês!

E foi essa angústia até a terceira aula.

Acabei notando que um olhar hipócrita não estava novamente presente... Rey.

– O que faz aqui outra vez, Lin? Só veio pra mostrar seu cabelo novo? – A professora entrou indignada ao me ver.

– Não tem nada de novo no meu cabelo. Muito pelo contrário. – Disse baixo.

– Eu não ouvi. – A professora falou e não falei mais nada. – Você está suspensa, esqueceu?

– É que eu não sabia por quantos dias. Ai resolvi vir te perguntar. – Disse normalmente séria e uns riram. Realmente havia me esquecido da suspensão, e pelo visto só ela se lembrava.

– Foi suspensa por dois dias, Lin Myo! Agora retire-se da minha aula e não quero vê-la até segunda-feira! Estamos entendidas? – Assenti, enquanto botava minha mochila nas costas e me retirava.

– Tchau hipócritas. – Disse novamente baixo, como de costume.

Não sei porque ela me fez sair nessa hora, falta pouco para o recreio. Que se dane.

Fui até a Kyuubi e fazia carinho na mesma.

– Como foi seu dia, Kyuubi? – Não esperava que ela me respondesse, só queria me distrair.

Ela começou a brincar com o meu cabelo, o pegando com a ponta das suas patinhas negras.

– Você gosta de branco? – Perguntei sem esperar uma resposta, mas parecia que ela dizia sim. – Já eu, gosto mesmo é da sua cor. Até do seu tom laranja eu gosto. – Peguei uma bola de crochê que achei em casa. – Olha oque eu trouxe pra você! – Disse sorrindo e a mesma tentava pegar a bola. – Que fofinha. – Só pus a bola no chão e deixei com que brincasse sozinha, eu só iria atrapalhar que brincasse junto. – Sabe Kyuubi, hoje o dia foi...mais produtivo que o normal. Eu consegui fazer o Lupus cumprir a ordem e de quebra ainda consegui um colega de dor. – Ri. – Estranho eu falar assim né?

Olhei pro céu.

– Sabe... Parece que eu consigo confiar em alguém de novo. – Kyuubi caiu da bola de crochê e deu um miado. – Se é o Lupus? É difícil acreditar né? Parece que só compartilhando as nossas histórias pudemos virar amigos em um instante. – Lembrei-me do beijo que ele me deu e corei instantaneamente. – S-Somos só amigos! – Berrei um pouco ficando vermelha.

“Desculpe...não sei porque fiz isso”

– Eu não consigo sentir nada além de certo respeito pelo Lupus. Nem sei se já estou pronta pra algo a mais que isso, mesmo que confie um pouco nele... – Uma garota vinha em minha direção.

– Você aqui, Lin!? Era pra você ir embora! – Ela batia os pés no chão.

– Oque você quer, hipócrita? – Perguntei e ela me fitou feio.

Uma das garotinhas do Lupus não deve nem saber o significado de “hipócrita”.

– Eu estou esperando o Lupus. Nós marcamos de nos encontrar aqui agora, será que pode dar licença? Ou vai ver coisas que talvez não queira. – Ela disse cruzando seus braços, me encarando feio.

– Vai comer alguma coisa primeiro, com essa cara feia nem o Lupus vai querer transar com você. – Disse normalmente séria e ela ficava estressada.

– Então você sabe oque ele faz com as garotas no seu “cantinho”? – Ela arqueou uma sobrancelha.

– Que idiota não sabe? – Disse novamente normal e ela ficava cada vez mais estressada.

– Se você sabe, quer dizer que ele já pegou você. Quem diria. A representante de classe, Lin Myo, a intocável já foi levada pro “cantinho” pelo Lupus. – Não mudava minha expressão a ela. Esse joguinho ridículo não cola comigo.

– Eu nunca tive nenhum tipo de aproximação carnal com o Lupus, se é isso que quer saber. – Disse pegando a Kyuubi outra vez e a acariciando. – Sente ai e quando ele chegar, mande-o pra outro lugar. Já está mais que avisado a ele que eu não quero que faça suas orgias na frente da Kyuubi.

Nem fiz mais esforços pra continuar ouvindo as asneiras que aquela garota dizia. O sinal tocou e nada da presença do Lupus ali.

– Acho que alguém foi esquecida... – Comentei segurando o riso, enquanto tirava um sanduiche natural da minha mochila e botava leite pra Kyuubi.

– CALA A BOCA! – Ela disse se levantando e querendo vir até mim.

– Não acha melhor perder seu tempo indo procurar o Lupus? Melhor do que levar uma surra não é? – Disse a olhando séria e logo ela foi pra trás.

– Arrumando confusão já pela manhã, representante? – Lupus chegou me fitando, e logo olhou pra garota ao lado. – Oi.

– Oi? Só isso que tem a me dizer? Eu fiquei te esperando toda a terceira aula e nada, Lupus! – Ele parecia não ligar muito pra oque ela dizia.

– Não tem problemas se for agora, não é. – Ele a puxou pelo braço, beijando o pescoço da mesma.

– Saiam logo daqui, já falei que na frente da Kyuubi nunca vai rolar, Lupus. – Disse e se retiraram.

Essa foi a primeira vez que ele não deixou a sua “transa da manhã” e também não ficou ali sentado em minha frente me fazendo certa companhia. Não entendi.

~

Como a ordem foi individual não nos encontramos hoje.

A aula havia acabado e vim para casa. Sabia que ao entrar seria surpreendida.

– Lin... – Minha mãe largava tudo que estava fazendo e vinha me dar um abraço apertado.

Era o sonho da minha mãe. Que eu conseguisse dar adeus a aquela peruca.

Fui surpreendida duas vezes ao ver que meu pai estava em casa.

– Filha...! – E assim recebia dois abraços apertados.

– Eu sabia que um dia veria seus lindos cabelos de novo. Não foi culpa deles. Não foi sua culpa. – Minha mãe começava a chorar e eu quase não me continha.

– Eu sabia que a minha menina estava crescendo. – Meu pai falou e não pude conter minhas lágrimas.

Lágrimas de felicidade.

– Pai, eu achei uma boa empregada. Posso manda-la vir para conversarem? – Disse após cinco minutos naqueles abraços confortantes.

– Claro, filha. Domingo pela manhã, porque só vou trabalhar a partir da tarde.

– Não precisavam fazer isso... Eu vou me recuperar. – Minha mãe disse bufando.

– Já é hora de você descansar, amor. – Meu pai disse e resolvi subir logo ao meu quarto.

Tomei meu banho e guardava minha peruca outra vez, pra talvez nunca mais tira-la do armário.

Deitei-me em minha cama e ficava pensativa.

A Holy conseguiu me passar pra um marrom escuro naquele dia, antes de voltar a minha escuridão ao vê-la daquele estado. Será que o que o Rei disse é real? Sou obrigada a pensar sobre, mesmo não querendo acreditar.

Você se matou, Holy?

Não. Não vou me deixar levar pelas palavras desse desgraçado.

Hoje eu mudei de cor. Agora passei para a cor chocolate. Não porque o Lupus agora tem essa cor acima da cabeça, mas porque avancei o marrom escuro que a Holy tinha me pintado. Espero que um dia possa estar branca.

“Você recebeu uma nova mensagem”

Oque? Mas...ainda são 2 horas.

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Aviso!

Parece que a 13º participante, Rey Von Crimson não está mais entre nós.

Vamos fazer um minuto de silêncio pela tolice da dessa besta peituda de cortar os próprios pulsos.

Não pode ser... A Rey? A patricinha, riquinha, mimada e de forte personalidade? porque ela faria uma coisa dessas? Porque ela poderia ser presa por atirar no Dio? Ela poderia pagar a fiança, se fosse mesmo presa! Porque ela se matou...? Isso foi obra sua de novo, Rei?

Eu te odeio.

Odeio como sabe tanto de nós, como consegue nos provocar, nos intimidar, como ele sabe criar um conflito entre nós...

Eu vou te matar, Rei. Guarde as minhas palavras.

~

Estou esperando, Rei. Mande a sua ordem pra que possamos cumpri-la e pra que eu possa ficar ainda mais perto de te encontrar.

00:00

“Você recebeu uma nova mensagem”

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: ORDEM 6;

O 16º Participante, Azin Tairin deve escolher a próxima ordem em menos de um minuto.

Novamente uma mensagem pra escolhermos? Oque será que o Azin vai ordenar...?

“Você recebeu uma nova mensagem”

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Ordem dada pelo 16º participante, Azin Tairin. Ele mesmo deve tocar no Rei.

Ele ficou maluco?

– Azin, oque está tentando fazer? – Tive que ligar para o mesmo.

– Eu não sei...Talvez apostando a minha vida. – Ele suspirava e ria.

– Ficou louco? De onde você tirou essa ideia!? Era só pedir alguma coisa fácil como, sei lá, respirar! – Falei um pouco indignada.

– A Mari veio falar comigo ontem. – Ele parecia calmo, logo fiquei também. – Já pensou na possibilidade do Rei ser um de nós?

Silêncio.

Eu nunca parei para pensar nisso, mas juntando todos os fatos é provável que pode sim ser um de nós.

Evidência 1: O Rei sabe sobre nós. Tudo bem que quando me ligou disse que poderia ser de fora da escola e poder mexer nos arquivos, mas pra saber de assuntos tão pessoais ele nos observou. Pode ter sido na escola.

Evidência 2: As câmeras em nossos quartos. O Rei é humano, não é nada sobrenatural.

Evidência 3: As mensagens que ele manda as vezes são formais, mas outras vezes possuem linguagens cibernéticas. Não acredito que adultos poderiam usar essa linguagem tão atual para adolescentes. E acho que também não dariam esse mole.

Evidência 4: Não seria uma evidência clara, mas até mesmo um adolescente como todos nós é capaz de ser um psicopata oculto. Na verdade é até mais fácil. Até mesmo eu tenho 3 faces. Não estranharia se um deles, qualquer um, fosse o Rei.

– Lin? – Azin tirou-me desses pensamentos.

– Você tem razão Azin. Não é impossível. – Disse tensa.

O Rei está entre nós e eu nem se quer suspeitava?

Fiquei tão vidrada em encontra-lo que não via oque está bem em frente aos meus olhos...?

Não...

– Mas eu ainda acho que está se arriscando demais, Azin. Pode ser que seja um de nós, mas e se não for? – Disse dando-lhe um choque de realidade.

– Isso vai ser um problema, né? – Ele riu num suspiro.

– Idiota. – Disse a ele.

– Vou mandar uma mensagem pra nos encontrarmos todos mais tarde. Às duas da tarde está bom? – Me perguntou enquanto eu sentia a sua voz fraca e tremula.

– Vai ficar tudo bem. – Disse a fim de tranquiliza-lo. – Pense bem, só teve uma punição até agora. E segundo o Rei aquela era a mais cruel...Tenha esperança, talvez sua punição deva ser algo que dará pra superar, afinal não vai perder a vida. – Ele suspirou do outro lado. – Vamos, alegre-se. Pode ser que o palpite da Mari esteja certo. Ai seremos todos gratos a você.

– Obrigado Lin. – Ele desligou.

– De nada. – Disse fitando o teto.

Mari Ming Onette. Talvez ela não fosse uma nerd qualquer. Ou é na verdade uma manipuladora nata.

Ela falar com o Azin sobre isso pode significar duas coisas:

1: Ela quis mesmo compartilhar a ideia com alguém, alguém que pudesse confiar... Já que ele foi pego pela primeira e a segunda ordem de jeito, ou ela falaria com a Edel ou com o Azin. Acredito que a pessoa que a ouviria seria mesmo o Azin.

2: Ela pode estar usando o Azin pra conseguir essa informação. Pode ter sido da maneira mais simples possível quando foi compartilhar com ele essa reflexão que teve do rei ser um de nós. Mas deve ter deixado alguma coisa na cabeça dele. Algo como “Queria ter como comprovar essa informação”. Vinda a mensagem para o Azin hoje, ele caiu como um patinho.

E se foi a segunda opção, tenho que afirmar que ela sabe os próximos passos do Rei, ou ela é o Rei.

~

11 de outubro, sábado. 6º dia de jogo

14:00

Todos nos encontrávamos presentes no esconderijo. Estava sem minha peruca, e o Lupus com seus cabelos cor de chocolate, deitado folgado no sofá. Fico feliz que não os tenha pintado e volta, afinal, a ordem era pra pintar, e acredito eu que depois que ele pintasse a ordem fosse dada como cumprida, dali em diante ele faria oque bem entendesse.

Sentia que olhavam pra mim, mas logo disfarçavam. Queria tanto enfiar minha cabeça em algum lugar. Dividi algo que não compartilhei nem com a Kyuubi, com eles. Literalmente pessoas estranhas. Não sei oque pensaram sobre isso, oque sentiram...

Pena de mim? Medo que isso aconteça com algum deles? Alívio de não ter sido com eles? Vontade de rir da minha desgraça?

Eu não tenho como saber, e nem queria saber... Se isso significasse olhar nos olhos deles eu jamais iria querer. Ainda sinto a imensa vergonha dentro de mim.

Ainda sinto o imenso ódio dentro de mim.

Eu te odeio, Rei. Te odeio mais que tudo na vida!

– Eu não entendi a sua ordem, Azin. – Jin se pronunciou, retirando todo o silêncio e a angústia que prevalecia no ambiente onde estávamos.

– É que eu resolvi arriscar um palpite. – Ele disse coçando sua cabeça e olhando ao nosso lado.

– Tolo. – Ouvi Mari sussurrar enquanto fazia o mesmo rosto de sempre.

Ela estaria falando “tolo” com que sentido? Seria “Não era pra ter feito isso, tolo!” ou seria “Você caiu direitinho, tolo!”. A face de Mari é totalmente indecifrável.

– Já pensaram na possibilidade de um de nós presentes aqui sermos o Rei? – Todos ficavam tensos. Menos a Mari. Ela ficaria calma porque não é ela? Ou porque é ela?

– E-Então a sua ordem seria... – Lire perguntava.

– Tocar no rei? Que pode ser um de nós? – Ronan completou.

– Ai a mensagem vai chegar quando você tocar em nós... – Elesis terminou a reflexão.

– Exatamente. – Ele respondeu sério.

– Mas...Se não for nenhum de nós? – Edel perguntava preocupada.

– Vou ter que esperar a meia noite. – Ele respondeu sorrindo triste, de lado.

Silêncio.

– Vamos lá, façam uma fila pra que eu possa tocar em um de cada vez. – Ele disse quase depois de 30 segundos de silêncio.

A primeira foi Arme.

Azin a tocou e esperou uns segundos. Nada.

A segunda foi Lire.

Nada.

Ryan

Nada.

Ronan

Nada.

Lupus

Nada.

Sieg

Nada.

Edel

Nada.

Elesis

Nada.

Amy

Nada.

Jin

Nada.

Lass

Nada.

Veigas

Nada.

Zero

Nada.

Sobrávamos eu e Mari.

O silêncio permaneceu por uns segundos.

– Oque você faria se eu fosse o Rei, Lin? – Ela perguntou e todos ficavam tensos e de olhos arregalados, principalmente eu. Tanto por essa sua pergunta, quanto com os olhares de todos voltados a mim. — Vai me matar? Me prender? Oque faria? – Após essas palavras eu não sabia oque dizer.

– Primeiro tenho que provar que é mesmo você, porque se matasse uma inocente quem seria presa sou eu. Se prendesse uma inocente seria punida pelo Rei porque não podemos envolver a polícia nisso. Ou até mesmo nossa família seria vítima da barbaridade dele. – Disse e ela se levantou.

– Bem pensado, mas isso não respondeu a minha pergunta. – Ela ia até Azin. – Oque fará se receber a mensagem quando o Azin me tocar? – Mari pegou no braço de Azin e botava a mão do mesmo poucos centímetros distantes de seu ombro.

– Eu vou acabar com você. Em todos os sentidos. – Disse séria.

Ela estava falando sério? Eu estava falando sério?

Mari encostou o braço de Azin em seu ombro.

Todos os celulares tocaram ao mesmo tempo

“Você recebeu uma nova mensagem”

– N-Não pode ser... – Sieg ficava tremulo.

– M-Mari? – Lire se perguntava com as mãos em frente aos lábios.

De: Mari

Assunto: Ousama Game

Mensagem: O Rei não sou eu.

– Sua palhaça! – Berrei jogando meu celular longe ao ler essa mensagem.

– Queria saber a reação de vocês se por acaso fosse eu. – Ela disse ainda com aquele olhar sem emoções, mas via um sorrido oculto.

– Não faça mais isso, Mari. Nos assustou! – Veigas comentou tremulo.

– Ainda falta você, Lin. – Ela comentou e todos me olhavam tensos.

– Agora... Ou é a Lin ou é o Azin a sofrer uma punição. – Arme comentou.

– Desculpe Azin... – Fui até ele que tocou em meu ombro. – Mas não sou eu.

“Você recebeu uma nova mensagem”

Oque?

De: Mari

Assunto: Ousama Game

Mensagem: Eu não resisti.

– Mari! – Ronan berrou com a mesma.

– Como consegue escrever tão rápido assim?! – Jin perguntou, ainda respirando fundo com mais um susto.

– Isso não se faz, Mari! – Amy disse de bico.

– Eu vou mata-la. – Disse a mim mesma. Até voltar meus olhos a Azin, que ia aos chãos.

– Que droga, né...? – Coçava sua cabeça.

– Azin...

Todos iam embora de um em um e só ficávamos lá eu fitando Azin no chão, Edel que se recusava a sair e deixa-lo ali, Lupus deitado ao sofá, Mari sentada na mesa de canto, de quebra Sieg que não desgrudava seus olhos da mesma e vi de relance Viegas se escondendo em um canto um pouco escuro.

– Lembre-se do que eu disse no telefone, Azin. – Estendi minha mão ao mesmo e o puxava, mas largou minha mão sendo surpreendido por Edel pulando encima de si, ainda sentado no chão.

– Azin...seu...seu idiota! – Edel chorava e mordia os beiços enquanto abraçava Azin o mais forte que parecia conseguir.

– Tá tudo bem. – Ele disse retribuindo o abraço da mesma.

– Droga Azin! – Ela o abraçava ainda mais. – P-Por favor, seja meu hoje. – Fiquei um pouco envergonhada em ouvir tal coisa assim. Logo me afastei deles, mas a sua resposta era evidentemente visível ao ver que se beijavam de forma calma após as palavras de Edel.

– Ei Lin. – Lupus chamou minha atenção e me virei pra ele. – Por favor, seja minha hoje. – Acho que corei absurdamente. – Hi. Ficou vermelhinha. – Ele riu.

– B-BABACA! P-PANACA! – Berrei ao mesmo.

“Você recebeu uma nova mensagem”

Oque?

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Obediência meio confirmada!

Meia punição será aplicada.

– Oque ele quis dizer com “meio confirmada”? – Veigas perguntou a si mesmo de voz alta.

– “Meia punição”? – Me perguntei.

– Oque acha que isso pode significar, Mari? – Azin a perguntou e a mesma ficava pensativa, até eu ver que ficava um pouco tensa.

– A-Algum palpite, Mari? – Sieg a perguntou, engolindo o seco de sua garganta.

– Eu não sei... Mas “meio” pode significar metade. – Ela... tem razão.

– Metade significa 1/2, logo seriam dois... Droga. – Sabia oque aquilo poderia dizer.

– Isso mesmo, Lin. – Mari disse a mim e fiquei ainda mais tensa.

– Podem compartilhar a informação, por favor? – Edel perguntou.

– Não sei se estou certa, mas...são... são dois Reis. – Completei o palpite de Mari, pondo as mãos na cabeça.

– Não pode ser... – Veigas ficava apreensivo.

– Faz sentido. – Lupus comentou. – Um deles está entre nós, já o outro não. O Azin tocou em um deles, mas não tocou no outro. Por isso a ordem foi “meio cumprida”.

– Mas... quem é o Rei entre nós? – Azin cerrava os dentes. – Isso não é justo! Tínhamos que ter recebido a mensagem quando eu toquei nele!

– Fomos ingênuos demais. – Eu disse bufando.

– É lógico que o Rei não mandaria a mensagem assim que o Azin tivesse encostado nele. Afinal quem faz as regras é o próprio. – Mari comentou. – Eu vou embora, boa sorte Azin. – Ela se levantou e se retirava, logo Sieg iria atrás e até Veigas.

– Obrigado. – Azin respondeu baixo e recebeu um beijo de Edel.

– Vamos pra sua casa? – Ela se levantava e estendia sua mão.

– Só hoje. – Ele segurou em sua cintura e saiam.

Ver toda aquela cena “amorzinho” me deixa envergonhada. Por mais que tenho medo de homens, admiro os que sejam carinhosos com suas companheiras. Por isso amo tanto o meu pai. Ele é bravo em seu trabalho, pode chegar as vezes muito estressado em casa, mas nunca se quer descontou em minha mãe, e muito menos em mim.

O meu pai é o meu herói, meu ídolo. Não tem pessoa que eu admire mais.

Acabei viajando nesses pensamentos e sentei-me no braço do sofá, sorrindo feito uma boba. Quando me virei pro lado Lupus estava com seu celular virado pra mim.

– Isso também vale ouro. – Ele comentou enquanto fazia alguma coisa no celular.

– EI! DE NOVO ISSO?! V-VOCÊ NÃO ME GRAVOU NÉ? – Berrei enquanto o cozinhava em minha mente.

– Gravei. E vou por isso de gif no perfil do meu twitter. – Ele virou pra mim e eu tinha cara de mongoloide.

– E-EI! Apaga isso! Tentava pegar o celular, mas ele esticava sua mão pra trás. – M-Me dá isso, lupus! – Acabei caindo encima dele, que deu um sorriso malicioso e ficou por cima de mim.

– Eu não consigo me segurar nessa situação, Lin. – Ele dizia fazendo um rosto malicioso.

– N-Não. – Disse pondo meu pé em sua barriga e tentando tira-lo de cima de mim.

– Como você é estraga prazeres. – Ele se sentou do lado direito do sofá, e logo me escolhi no lado esquerdo. – Tem certeza que não quer ser a transa da tarde? – Ele virou seu olhar pra mim, não malicioso, mas extremamente sexy.

– Q-Quem pensa que eu sou!? – Disse chutando seu braço. – Panaca pervertido. – Pus os joelhos quase em minha boca.

– Uma mulher muito complicada. – Ele disse depois de sorrir pelo nariz.

– E você é um panaca pervertido. – Bufei. – Se quer ter sua transa da tarde vai pra casa e chama uma das suas putas. – Disse dando de ombros.

– Então hoje não quer ajuda? – Ele perguntou já sério outra vez.

– Não precisa ser todo dia nem toda hora... – Disse um pouco sem graça.

– Eu estou aqui e estou à toa, não custa nada. – Ele disse se levantando e esticando sua mão a mim, pra que pudesse pega-la e levantar. Assim o fiz. – Parece que segurar a mão de um homem não é mais um sacrifício pra você. – Ele tem razão. Pensava enquanto observava minha mão.

– Oque...vai fazer? – Perguntei com um pouco de medo.

– Relaxa. Se ontem acariciei o seu rosto, hoje vou te dar um abraço. – Ele disse pegando em minha cintura e puxando de vagar a ele.

– N-Não, espera. – Encaixou minha boca em seu pescoço, enquanto suas mãos largas abraçavam minha cintura fortemente. Juntando nossos corpos sem deixar nenhum espaço para o ar passar entre nós. Fiquei imóvel, e tremula. Isso é demais...Eu ainda não estava pronta. – M-Me larga Lupus...P-Por favor...!

– Para de tremer. – Ele disse sem me largar, ao lado de meu pescoço. Sentir sua respiração ali arrepia.

– N-Não dá... Essa...é a primeira vez que abraço um homem, tirando o meu pai, desde dois anos atrás. – Disse quase desabando a chorar. – V-Você é muito cruel.

– Como está a sua mãe, já está melhor? – Porque ele está perguntando uma coisa dessas nesse momento...?

– N-Não muito, só se finge de forte.

– Alguém aqui tem a quem puxar, não é mesmo? – Ele disse cínico.

– Cala a boca. – Bufei. – Ah, Lupus! Eu falei sobre a sua mãe, ela esta livre amanhã na parte da manhã? Meu pai quer contrata-la, eles precisam conversar.

– Eu falei com ela, com muito custo consegui convence-la de sair daquela casa. Ela vai amanhã sim. – Ele parecia feliz.

E acabei de perceber que não estou mais tremula. E aquele abraço ficou tão confortável que parecia que eu estava deitada em minha casa, sob os edredons macios.

– Obrigado. – Ele sussurrou quase que impossível de ouvir, mesmo com sua boca literalmente em meu ouvido.

Tomei forças pra levantar minhas mãos e retribuir-lhe o abraço, as pondo em seu pescoço.

– D-De nada. – Sussurrei no mesmo tom que ele e logo senti-o afrouxar seus braços, retirando sua cabeça de meu ombro e vice-versa. – O-Oque...? – Antes que pudesse dizer qualquer coisa ele colou seus lábios aos meus.

Ele continuava delicado, deslizando suas mãos apenas ao redor de minha cintura, abraçando-me não tão forte. Mas mesmo assim me mantinha imóvel. Sentia sua língua pedindo passagem, não sabia oque fazer.

Logo nos deslocávamos, ele me empurrava pra trás até que bati na parede, tudo sem largar nossos lábios. Ele ia mais rápido, baixando suas mãos a minhas pernas e o empurrei, dando um tapa em sua face.

– Se for continuar com isso esqueça a ajuda que pedi. – Foi a única coisa que consegui dizer antes de sair correndo daquele lugar.

Oque ele falaria depois desse beijo? “Desculpe, eu não sei oque houve”? Uma vez poderia até ser, mas duas não existe.

Ele está se aproveitando da ajuda que lhe pedi. Não posso deixar que ele me use desse jeito.

Fui pra casa sem olhar pra trás.

~

Quase meia noite. Dormi a tarde toda e agora nenhum pingo de sono.

Queria estar com cabeça pra ler algum mangá, ver algum anime ou qualquer outra coisa não tão produtiva agora. Mas só consigo pensar nesse maldito jogo, no Lupus, no Azin, na Mari, até mesmo na Edel. Só consigo pensar se amanhã eles vão estar comigo. Ou pensar em “quem o Rei vai levar amanhã?”.

23:58

Meu telefone tocou.

– Lin! Lin é você!? – Era Azin, falando ofegante.

– Sim, oque foi? – Perguntei enquanto ele parecia respirar fundo.

– Vocês tinham razão! Você e a Mari tinham razão! São dois Reis!

– Oque houve com você? Ta tudo bem? – Ficava preocupada.

– Eles foram até a minha casa, e-eles pegaram a Edel! DROGA! – Ele parecia estar correndo muito.

– Onde você está? Oque ta acontecendo? – Já me levantava da cama.

– Me escuta bem, Lin! Eles estão atrás de mim! Não vou conseguir fugir deles...!

– Não diga isso! Se esconda, eu vou até ai, onde está agora? – Ouvi um barulho de carro e logo após um estrondo. – AZIN! – Ele não respondia.

– L-Lin... – Ele falava baixo. – Os reis...são...!

A ligação caiu.

A-Azin...

Tentei ligar outra vez a ele, mas o mesmo não atendia. Tentei ligar para Edel, mas a mesma não atendia.

O-Oque ta havendo aqui...?

00:00

“Você recebeu uma nova mensagem”

De: Desconhecido

Assunto: Ousama game

Mensagem: Aviso;

Domingo é o dia do Rei descansar em seu trono. Portanto descansem também, plebeus o-gamers.

Notas finais
Fotos da raça Boxer (Cachorro do Lupus): http://www.jasabia.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Boxer.jpg Merthiolate: É uma substância normalmente utilizada como conservante em certos medicamentos e vacinas. Sempre usado em primeiros socorros pra tirar infecções de cortes. Musica dos Bijuus: http://letras.mus.br/naruto-shippuuden/musica-de-contagem-bijuu/ Coldre: É uma espécie de suporte para carregar armas, como uma pistola na cintura (no caso da Lin, ela usa na perna direita). Até a amanhã com o próximo cap