Notas iniciais
Esse capítulo foi basicamente todo escrito por mim (filha do submundo) e é uma releitura de uma outra fic que eu escrevi (a fic tem o mesmo nome que esse capítulo). Esperamos que gostem!!

— Ed! quantas vezes eu já disse pra você parar de agir como criança? — Eu praticamente gritava, então era provável que todos na casa pudessem ouvir. A vovó e o tio Al estavam na cozinha, lavando a louça do almoço

— Se eu não sou criança por que eu ainda preciso beber essa coisa? — Edward apontava para a garrafa ainda cheia de leite que eu segurava.

—Faz bem para os seus ossos! E... Ed, volte aqui! Ainda estou falando com você! — Continuamos discutindo por um tempo, até que o seu pai se irritou e acabou derrubando a garrafa da minha mão. Ela caiu no chão e quebrou, fazendo o leite sujar o piso todo.

Na hora eu me assustei. Pensei que talvez eu pudesse ter ido longe demais e que talvez o Ed tivesse realmente ficado bravo comigo. Entretanto não achava que ele pudesse fazer algo como aquilo de propósito, afinal era o Ed.

Mas eu não queria dar o braço a torcer e pedir desculpas. Então abaixei a cabeça para que ele não visse o meu rosto e falei, tentando manter a voz firme:

— Ótimo, se não quiser, não beba. Mas ao menos limpe essa bagunça... — Percebi que um pouco da minha decepção e angústia haviam transparecido na minha voz então saí correndo até o meu quarto, batendo a porta quando entrei.

Estava brava com o Ed. Não queria falar com ele, mas secretamente eu queria que ele viesse falar comigo e pedir desculpas.

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— E ele foi, não foi? — Perguntou a menina, seus olhos ainda brilhando em expectativa. — Aí vocês fizeram as pazes e se beijaram, né? né?

— B-bem... Não foi exatamente assim — Winry coçou a cabeça. — Eu e seu pai eramos bem teimosos naquela época.

— A vovó Pinako ainda acha que o Ed é teimoso. — Disse o garoto. — Ela vive dizendo isso.

— Bem, talvez ele ainda seja um pouco teimoso sim. — Winry riu e pensou que talvez ele nunca fosse mudar, e esse pensamento a encheu de uma alegria nostálgica que parecia aquecê-la. — Certo, vamos voltar para a história.

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Eu comecei a pensar em várias coisas, cheguei a pensar se o Ed não gostava mais de mim ou se o ano que ele passara estudando e viajando teria sido o suficiente para que ele se esquecesse da promessa que tínhamos feito. Mas talvez eu que tenha entendido errado e aquilo não tivesse sido o que eu achava que era.

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—Eu já contei sobre como seu pai se declarou para mim, não é? — Perguntou Winry, interrompendo a narração.

— Sim, mamãe. — Disseram os dois juntos.

— Foi na estação de trem, ele falou que te daria metade da vida dele. — A pequena sonhava acordada. — Não é tão romântico, usar alquimia pra fazer isso, mas eu amo essa história.

— C-certo... — Winry disse meio sem jeito. — Continuando. Onde eu tinha parado? Ah, lembrei...

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Nesse momento, ouvi o barulho de algo caindo no chão e também um grito no andar de baixo. Fiquei tentada a descer para ver o que era, mas algo me disse para ficar no quarto, então eu fiquei. Me joguei na cama e abracei um travesseiro. Foi aí que ouvi passos no corredor e em seguida uma batida na minha porta, respondi automaticamente um "se for o Ed, vá embora," enquanto esticava a mão para pegar uma ferramenta no criado mudo ao lado da cama.

A porta foi aberta bruscamente e quando eu vi quem estava ali, atirei a chave inglesa sem pensar duas vezes. O objeto passou ao lado da cabeça do seu pai, sem acertá-lo. E então ele começou a gritar:

— Você está querendo me matar, sua maníaca por automail?! — Ele berrava enquanto uma veia saltava de seu pescoço. Como eu poderia ficar brava com ele? Já deveria estar acostumada com isso depois de tantos anos, mas aquela expressão sempre me dava vontade de rir.

— Ora, Ed... Isso é injusto, não posso mais te chamar de viciado em alquimia. — Sorri para ele, que imediatamente parou de gritar. Ele abaixou os braços e se acalmou. Edward sorriu de volta, o que me surpreendeu um pouco, e então começou a andar na minha direção.

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— E foi aí que vocês se beijaram? — A garota interrompeu a narração.

— Deixa ela contar a história, que chatice. — Resmungou o mais velho.

— Tá bom, tá bom... Pode continuar, mamãe.

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Quando o seu pai já estava perto o suficiente, ele disse algo como:
— Mas ainda tem uma transmutação que eu quero fazer. Você sabe, uma última troca equivalente. — Ele sorria pra mim.

Eu não entendi na hora, mas fui me lembrando da cena na estação e comecei a corar. Acho que ele percebeu que eu tinha lembrado, pois continuou falando:

— Quanto você disse que podia me dar? setenta porcento? Não, Oitenta e cinco porcento, estou correto?

— Ed... — Sem pensar muito bem no que eu fazia, peguei algumas porcas e parafusos que estavam sobre o criado mudo e atirei na direção dele, enquanto tentava esconder o rosto. — Não lembre de coisas constrangedoras assim!

Não que eu não estivesse feliz por saber que ele também se lembrava, e que ainda estava disposto a compartilhar uma vida comigo, mas aquilo tinha me pego desprevenida. Acabei dizendo aquilo sem pensar em como seu pai interpretaria. Ele arregalou os olhos por um segundo e depois deu as costas pra mim, andando em direção à porta.

— Ed? — Minha voz saiu tremida, porém consegui o que queria. Ed parou de andar. Entretanto, ele não se virou para mim quando falou:

— Win, me desculpe sobre mais cedo. Vou tentar tomar meu leite sem reclamar da próxima vez.

E com isso, fechou a porta atrás de si. Fiquei sem entender. Apenas continuei sentada. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Nem me incomodei em limpá-la.

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— Mas mãe. — A mais nova interrompeu novamente. — Você disse que iria contar sobre seu primeiro beijo com o papai. Mas não estou vendo beijo nenhum aí!

— Calma, pequena, a história ainda não acabou. — Winry sorriu pra sua filha e retomou a narrativa.

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A primeira lágrima logo foi seguida de inúmeras outras, que escorriam livres pelo meu rosto, enquanto os pensamentos corriam livres por minha cabeça.

O que foi que eu disse? O que eu fiz dessa vez pra fazê-lo ir embora assim? Ele só tinha vindo pedir desculpa pelo leite? Eram coisas que a sua mãe estava pensando.

Olhei para o lado, onde ficava o espelho, e pude ver meu rosto marcado pelo choro. O brilho no caminho que as lágrimas faziam, os olhos vermelhos e a expressão triste e magoada. Sequei as lágrimas, pois imaginar o que aconteceria se Ed me visse chorando me deixava ainda pior.

Ele uma vez me dissera que a próxima vez que ele me fizesse chorar seria de alegria, então não podia deixá-lo me ver nesse estado.

Pensar nele doía. No que ele estaria pensando agora? Queria que ele viesse me ver, mas ao mesmo tempo não queria que ele me visse agora.

Quando alguém bateu novamente na porta mal encontrei forças para responder, e o que saiu foi apenas um fio de voz, trêmulo e fraco:

— Quem é agora? — A porta foi aperta bruscamente, fazendo-a bater na parede do quarto. Quem estava do outro lado era ele, que entrou marchando no quarto. Escondi o rosto como pude, para que não reparasse que eu estivera chorando.

Precisava fazer ele sair do meu quarto até que eu tivesse me acalmado e meus olhos voltassem ao normal então falei:

— Ed... Saia do meu quarto. — era tudo o que eu queria ter dito, mas acabei dizendo mais coisas. — Estou cansada de você vir aqui, nós nos entendermos e brigarmos de novo.

— Win, eu sinto muito — Ele se jogou ao meu lado na cama e me abraçou forte. Pude ouvir seu coração acelerado, o que fez o meu disparar, como se estivesse apostando uma corrida com o dele. — Eu fiz você chorar de novo, não fiz?

Isso me pegou desprevenida de novo, porém desta vez eu queria fazer tudo certo pra nos entendermos. Empurrei-o com delicadeza para poder encará-lo nos olhos. Me perdi em seus olhos dourados que expressavam um misto de preocupação, culpa, ansiedade, medo e algo a mais que fez meu estômago revirar, como se centenas de borboletas lutassem para se libertar.

— Ed... Mais cedo, por que você se virou do nada e saiu daquele jeito? — Sustentei seu olhar, não conseguia parar de olhá-lo.

— Eu também não sei. — Parecia estar sendo sincero. — Acho que pensei que talvez você não gostasse de mim... — Foi ele quem desviou o olhar primeiro. — Win, eu não quero mais errar com você, mas sempre que estamos juntos eu não sei o que dizer e nem como agir. Sempre falo besteira e por isso brigamos. Win, eu te amo tanto que não consigo suportar saber que te faço chorar.

Eu estava sem palavras, um sorriso brotou em meu rosto, senti uma lágrima arder nos olhos, mas a forcei a voltar. Queria falar alguma coisa, mas não conseguia. Edward serrou os punhos, seu rosto estava vermelho e ele não olhava diretamente. E foi assim, sem olhar pra mim que ele continuou falando:

— Por favor Winry, me diga; o que eu posso dizer para não te fazer chorar dessa forma nunca mais?

Decidi que era melhor demonstrar com ações, até que encontrasse minha voz. Abracei-o e encaixei minha cabeça na curva do seu pescoço. Seu cheiro inundou minhas narinas, um cheiro que eu reconheceria em qualquer lugar. Meu sorriso se alargou ainda mais, meu coração galopava de encontro ao dele.

—Ed, o que acabou de dizer... Apenas isso já basta. Eu também te amo, meu alquimista tampinha.

—Winry... — Ele beijou o topo da minha cabeça. — Quantas vezes vou precisar te lembrar que eu cresci? — Completou de forma terna, enquanto me embalava em seus braços, fazendo-me carícias no cabelo e deixando que eu o abracasse.

—Pra mim você sempre será meu tampinha viciado em alquimia. — Ergui a cabeça e dei uma risada, mostrando a língua pra ele. E novamente ele me mostrou aquele olhar que revirara meu estômago, um olhar totalmente apaixonado e arrebatador.

Foi nesse momento que ele se esticou na minha direção e me beijou. Foi um beijo calmo, e cheio de sentimento.

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—Eu teria ficado ali, beijando o seu pai durante horas, mas Al apareceu dizendo que a janta estava pronta. Lembro que nessa hora, eu e Ed nos separamos e eu fingi que estava concentrada em observar uma mancha no papel de parede. Bem, a história é essa... Gostaram?

Como não houve respostas, Winry olhou para os filhos e viu que ambos haviam adormecidos durante a história.

— Parece que alguém terá que contar esse final para eles outro dia. — Disse uma voz vindo da porta. — Se bem que eu não me importaria de ouvir a sua versão dessa história mais vezes. Adorei como você dramatizou e romantizou tudo, deve ser coisa de mulher, afinal. — Por trás da brincadeira havia sinceridade sobre ouvir a versão dela da história, assim ele podia saber que não era o único nervoso e ansioso naquela situação.

— Ed! Desde quando você está escutando? — Winry sentiu o rosto esquentar, ela se levantou e saiu do quarto dos filhos, fechando a porta atrás de si.

— Desde que o Ed do passado estava sendo atacado por porcas e parafusos, eu acho. — Ele sorriu e puxou sua mulher pela cintura e colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. Quando ele ia se inclinando para beijá-la ela interrompeu o contato.

— Ed, estamos no meio do corredor. – Repreendeu-o.

— Qual o problema, estão todos dormindo... — Nesse momento, ouviu-se um barulho no andar de baixo e uma luz foi acesa. — Okay, talvez nem todos estejam dormindo, mas somos casados há vários anos.

— Idiota. — Ela deu um leve tapa no braço dele e se afastou. — Se quer ficar no corredor, tudo bem, mas eu prefiro ir para o quarto. — Deu uma piscadela para o ex-alquimista e foi em direção ao quarto que os dois dividiam.

— E-eu... ei, Win, e-espera. — O loiro, que ficara completamente vermelho, se apressou para alcançar a mecânica de próteses. — Eu também prefiro o quarto.

...

No andar de baixo, Al enchia um copo de água enquanto murmurava:

— Esses dois realmente não tem jeito...

Notas finais
Comentem, favoritem, etc.. Espero que tenham gostado e que continuem acompanhando!! Acho que está cedo demais pra pedir uma recomendação, mas... Sintam-se a vontade pra deixar essas duas escritoras felizes. bjs de sombra da filha do submundo (E bjss da Anã, ops... Ana Flávia tbm kkkkkk)