Notas iniciais
Desculpem-me pela mega demora, estava de mudança e não tinha internet em casa. E quando finalmente coloquei internet aqui, estava cheia de trabalhos e provas da faculdade pra fazer (a mesma coisa se aplica às duas autoras) Espero que gostem do capítulo, eu(Ana Flávia) acabei escrevendo esse sozinha, só pra ter alguma coisa pra postar. Não estava previsto na história original e não sei se vão gostar. Foi uma ideia que me surgiu esses dias então resolvi escrever.

Winry e Edward estavam deitados na cama de casal que dividiam desde que haviam se casado. Cada um virado para um lado, com os olhos abertos e as mentes teimosamente acordadas e alertas.

O ex alquimista federal virou de frente para Win e envolveu sua cintura com os braços, enterrando o rosto nos longos cabelos loiros da mulher, que estavam soltos. Depositou um beijo na nuca dela, que estremeceu com o contato repentino. Tentou virar-se de frente para o marido, porém este a segurou com firmeza pela cintura impedindo-a de se mover.

—Ed, o que... — e foi interrompida por ele.

— Win, você se lembra de quando eu te pedi em casamento? Digo, sem ser aquela história do trem e da troca equivalente.- o tom de voz de Ed era suave e terno, fazendo com que Winry sentisse que seu corpo derretia. Podia sentir a respiração quente de Ed batendo na parte de trás do seu pescoço, o calor do corpo dele irradiava para o dela, aquecendo-a enquanto ele mantinha os corpos colados. Queria virar-se para encará-lo, porém o aperto das mãos do rapaz em sua cintura ainda a prendia.

— Claro que me lembro, mas por que lembrou disso agora? — Com um movimento rápido, ele a girou e ela pôde, finalmente, ficar de frente para Edward, que a encarava como se estivesse tentando decorar cada pequeno detalhe de seu rosto. Isso a fez corar ligeiramente fazendo-o sorrir e depositar um beijo cálido em sua testa.

— Não sei. — admitiu. — Acho que ouvir você contando aquela história para as crianças me despertou algumas lembranças. — Ele riu, e seu rosto pareceu se iluminar ainda mais. Os olhos dourados transbordavam carinho e felicidade. Ele levou a mão até o rosto da garota e colocou uma mecha do cabelo dela para trás da orelha e em seguida acariciou sua bochecha com a ponta do dedo. Winry ainda não conseguira se acostumar a esse Edward carinhoso e atencioso.

— E do que você se lembrou exatamente? Aposto que não das vezes em que você implicava comigo ou com a minha avó. — Comentou com um brilho no olhar e a voz maliciosa.

— Em minha defesa, sua avó é que implicava comigo. — Ambos riram e mergulharam nas próprias lembranças de uma época que parecia estar em um passado muito distante. Os anos que se seguiram à guerra contra os homunculos pareciam pertencer à uma vida passada.

Não parecia que tinha sido há menos de dez anos que Edward estivera andando de um lado a outro em seu quarto, praticando mentalmente o que dizer à Winry para pedi-la, oficialmente, em casamento. Sentira que devia isto à ela.

Na época, o garoto ficara extremamente nervoso, mesmo seu irmão insistindo que aquilo era bobagem. Estavam no quarto que dividiam na época e Ed andava nervosamente pelo quarto, resmungando. Al estava sentado na cama, observando-o.

— Irmão, por que você continua ansioso com isso? — Alphonse dizia enquanto devorava um pedaço de torta de maçã que Winry fizera naquela manhã. — Vocês já se beijaram então é claro que ela vai aceitar.

—Ah!! — Ed gritara, tapando os ouvidos. — Dá pra você parar de ficar repetindo isso, Al?

— O que? Que vocês já se beijaram? — Al inclinou a cabeça para o lado, fingindo inocência. — E tecnicamente você já a pediu em casamento, não se lembra? Na estação de trem. Por que quer pedir...?

Ed gritou mais uma vez,interrompendo o irmão, e começou a se descabelar. Começou a recitar os nomes de diversos compostos orgânicos para tentar se acalmar, fazendo seu irmão rir.

— Ed, Al, está tudo bem por aqui? Ouvi gritos. — Disse Winry enquanto abria uma fresta da porta e espiava para dentro do quarto.

— Estamos bem, foi o meu irmão que gritou. — Al apontou para o Ed, que estava de costas para a garota, o rosto completamente rubro. — Ele quer te falar uma coisa...

O ex alquimista praguejou e xingou o irmão mentalmente antes de se virar para Winry, coçando a cabeça ao falar:

— Win... Eu queria dizer... É que eu... Digo... Você poderia dar uma olhada na minha prótese, acho que ela pode estar precisando de uma ajustada.

Ed reparou na cara de reprovação que Alphonse lhe lançava, e também a cara decepcionada de Winry, que certamente esperava outra coisa.

— Claro, Ed. Se quiser posso dar uma olhada agora, espere só dois minutos para eu poder arrumar um espaço no sofá da oficina. — E com isso ela saiu do quarto, murmurando algo que Ed não conseguiu escutar.

— Irmão, não era isso que você ia falar. — Ele havia terminado de comer a torta. Deixou o prato em cima de uma cômoda e caminhou até onde Ed estava. — Você tem que falar logo com ela, isso já está ficando ridículo.

— O que está ficando ridículo? — Ouviram uma voz vinda do corredor. Quando olharam, encontraram a velha Pinako escorada no batente da porta. Ela fumava seu cachimbo e encarava os garotos com os olhos semicerrados cheios de suspeitas. — O que você fez desta vez, anão de jardim?

— Do que você me chamou, velha nanica?

— De anão de jardim, sua miniatura de gente. — Rebateu a senhora.

— Olha quem fala, pulga de circo aposentada. E saiba que eu não fiz nada!

— E este é o problema. — Al interrompeu o que seria uma guerra interminável de apelidos pejorativos. — O Ed ainda não conseguiu...

Edward correu para tampar a boca do seu irmão mais novo antes que ele falasse alguma coisa para a vovó Pinako.

— Ainda está tentando pedir a minha neta em casamento? O que está esperando, tampinha? Ou você está com medinho?- Ed encarou-a com um olhar perplexo e surpreso. — O que foi? Não sou uma velha gagá e burra, e nem sou cega, se é o que pensa de mim, nanico.

Ele não respondeu, apenas destampou a boca do irmão.

— Viu, irmão. Até a vovó Pinako concorda. Ela já aceitou aquele seu pedido estranho na estação de trem. Não tem como ela recusar agora.

— Isto é uma espécie de complô contra mim? O que falta agora? O Roy e a Riza aparecerem aqui para me darem dicas sobre romance? — Quando ninguém respondeu, ele prosseguiu. — Certo, vocês venceram. — Ed jogou as mãos para o alto em sinal de rendição. Pegou uma pequena caixinha de veludo azul e saiu do quarto, indo em direção à oficina.

Pôde ouvir os últimos comentários de Al e Pinako antes de chegar até a escada.

— Já não era sem tempo, não acha? — Dizia a velha e Alphonse concordava, rindo.

Winry estava esperando o ex alquimista aparecer enquanto pensava no pedido repentino do garoto. Estivera óbvio que aquilo havia sido apenas uma desculpa esfarrapada e que não era o que o garoto realmente quisera falar, porém quem era ela para pressioná-lo? Se ele quisesse lhe dizer algo, cedo ou tarde acabaria dizendo.

Para falar a verdade, desde que haviam se beijado — cerca de cinco dias atrás. — Ele mal conseguira olhá-la nos olhos. Sempre que estavam juntos ele corava violentamente e desviava o olhar pra qualquer lado, mantendo-a longe de seu campo de visão.

Suspirou ao pensar nisso. Queria tanto conversar com ele novamente, beijá-lo e se aninhar em seu colo. Por que havia se apaixonado por um garoto tão complicado feito o Ed?

Ouviu o barulho de passos descendo as escadas e se ajeitou no sofá, dando uma leve arrumara no cabelo. Podia parecer besteira, porém nesses últimos cinco dias, Winry pegara a mania de reparar na própria aparência sempre que o loiro estava por perto. Notando as pequenas imperfeições em seu visual, como manchas de graxa em sua roupa ou no rosto, o cabelo despenteado, as unhas sujas e a falta de maquiagem.

— Olá. — Ele se aproximou dela e sentou-se no sofá. — Desculpa te pedir pra olhar minha prótese assim tão de repente...

— Tudo bem, Ed. Afinal, eu sou sua mecânica. — Ela sorriu pra ele, que estranhou a calma da garota. "Isso não pode ser um bom sinal", pensou o Ex-alquimista federal.

— Mas Winry, você não é só a minha mecânica! — Ela olhou-o espantada e ele começou a se embaralhar com as palavras. — Digo... Você é... Sabe... e você está sempre ocupada, e sempre fala que eu tenho que ligar antes de aparecer e você sabe, eu poderia ter pedido pra vovó Pinako e você é sempre tão... Está sempre tão... E nó dois...

— Edward, você está morando na mesma casa que eu, acha mesmo que precisa ligar pra marcar uma revisão? E eu sei que sou mais do que sua mecânica, digo... Bem, você sabe do que eu estou falando. — Winry foi ficando vermelha conforme ia se embaralhando com as palavras.

Edward começou a rir. Uma gargalhada espontânea e leve, como ela não via desde a estação de trem, um ano antes.

—Ed! Eu estou falando sério aqui, não é pra você rir! — A garota deu um soco na cabeça do garoto, que se curvara para a frente, rindo com as mãos na barriga. Ele resmungou de dor e esfregou o local atingido.

— Desculpa, Win, não foi minha intenção. Mas você sempre me surpreende e eu adoro isso. — Ele a puxou para um abraço e a garota não pôde evitar uma sensação de dejá-vú.

— Ed, o que você queria realmente falar comigo? Sei que essa história de prótese foi só uma desculpa esfarrapada.

Eles se afastaram um pouco para encararem um ao outro por um tempo.

— Winry, eu queria fazer as coisas corretamente dessa vez. Deixar as coisas claras. Não quero que nossa relação seja difusa como uma mistura de...

— Ed, sem química, por favor... — Ela o interrompeu antes que ele fizesse outra analogia nerd.

— O que eu quero dizer é que. — Ele olhou ao redor, para a bagunça que era a oficina. As ferramentas e peças espalhadas pelas mesas e bancadas, o sofá praticamente desaparecendo embaixo de uma pilha de sacolas e caixas. — Esse não é exatamente o lugar onde eu gostaria de falar sobre isso.

— Bem, pra começar, você que nos fez vir pra cá com a sua desculpinha barata. — Ela sorriu, provocando-o.

Ele pegou-a pelo braço e levou-a até o jardim, onde Den estava deitada na grama tirando um cochilo sob o sol da tarde.

— Winry, o que eu queria te dizer é que. — Ele tirou a caixinha de dentro do bolso e jogou para ela. — Eu sei que já pedi antes, e que talvez você ache que isso não seja necessário, mas eu gostaria de te pedir em casamento formalmente, da maneira que você merece. Sem alquimia.

Por um momento, a loira ficou sem reação, apenas olhando do garoto para o embrulho, e de novo para o garoto.

— Ed, eu nem sei o que dizer... — Ela abriu a caixinha e examinou a aliança que havia ali dentro. Um anel duplo de prata, com um pequeno desenho do lado — É lindo, não esperava isso vindo de você. A minha resposta você já sabe, suponho.

Ed sorriu e beijou-a ali mesmo. Sabia que Alphonse poderia estar na janela observando os dois, mas no momento isso não importava. Porém, o beijo foi rápido, e logo ele se afastou, rindo.

— Bom, então você já pode oficialmente parar de me chamar de maníaco por alquimia. Agora só precisamos curar o seu vício por Automails. — Disse de forma bem humorada, usando um falso tom de superioridade.

— Boa sorte com isso, tampinha. — Ela sorriu de volta e ambos voltaram para o interior da casa. Andando de mãos dadas.

Alphonse correu para recebê-los na porta, dando-lhes as parabenizações oficiais. Pinako esperava-os ao pé da escada e também parabenizou o casal. Naquela noite, houve um jantar especial para comemorar o noivado.

Ed se lembrava claramente da correria que se seguiu. Nunca tinha imaginado que um casamento poderia ser tão trabalhoso e exaustivo. Mas o pior momento foi quando chegou o momento de... Contar a novidade para Roy Mustang.

— Ed, por quanto tempo pretende enrolar? — Dissera Win, que esperava Edward ligar para o amigo, convidando-o para a cerimônia.

— Por quanto tempo eu puder. — O garoto realmente não estava preparado para as piadas que Roy faria, e muito menos para os conselhos que daria.

— Edward Elric, deixe disso e ligue pra ele. — Winry colocou o telefone na mão do ex-alquimista federal e se afastou em direção à cozinha. — E acho bom você já ter ligado quando eu voltar!

O Elric mais velho suspirou e ficou encarando o aparelho em suas mãos antes de finalmente efetuar a ligação.

— Roy?

— Fala, baixinho, a que devo a honra da sua ligação? Está em apuros e precisa desesperadamente da ajuda de um adulto? Ai, Riza, foi só uma brincadeira.

Ed não gostava de lembrar do resto da conversa. Mas, por mais perturbador que tivesse sido o diálogo dos dois ao telefone -com algumas interrupções dos colegas de Roy — nada se comparava à visão de Roy e Riza na porta de sua casa, cerca de três dias depois da ligação.

— O que diabos vocês estão fazendo aqui?

— Surpresa! — Dissera o militar.

Agora, anos depois, Edward voltou a sentir um calafrio ao lembrar daquela desastrosa visita.

— Win, você se lembra?

Notas finais
Desculpem por qualquer erro de português,acabei não tendo muito tempo pra revisar, então se acharem algum erro, por favor, digam para que possamos corrigir. Deixem comentários para eu saber se estão gostando ou não, favoritem e recomendem também, se gostaram... Até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.