Our last hope
1 Tráfico
Notas iniciais
Mas como não queria que ela ficasse parada decidi só começar agora que consegui criar um cronograma.
A fanfic será atualizada todas as sexta-feiras.
Falamos nas notas finais :)
Califórnia ano 2033 ( 12 anos depois do inicio do apocalipse zombie)
-Você trouxe a mercadoria? – Mike olhou ao redor visivelmente assustado. Revirei os olhos assentindo.
-Você trouxe o pagamento? – Mike assentiu em confirmação. Negociar com soldados era extremamente arriscado, mas hoje em dia tudo era extremamente arriscado. Mike Newton era um soldado inexperiente que havia conseguido a sua posição apenas por ter um nome influente no exército americano, o que o tornava um alvo fácil no que dizia respeito ao tráfico de armas. Não que eu precisasse assim tão desesperadamente de armas dentro do campo de refugiados, mas era sempre bom ter proteção, afinal das contas os zombies não eram a pior ameaça que poderíamos enfrentar.
-Eu quero ver… Não lhe dou nada sem me mostrar a mercadoria primeiro. – Mike gaguejava ansiosamente. Suspirei e retirei a mochila das minhas costas. Abri o fecho da mochila e retirei duas barras de chocolate Snickers. Mike estava praticamente salivando e estendeu a mão para o chocolate que eu rapidamente escondi na mochila.
-Você conhece as regras. Me dê o que eu quero e eu lhe dou o seu precioso chocolate. – Mike engoliu em seco. Eu podia ver o suor escorrendo por sua têmpora. Ele estava arriscando muito por apenas duas barras de chocolate. Pode parecer algo banal. Mas nos dias de hoje era praticamente impossível conseguir chocolate, o que o tornava mais valioso que ouro. Ouro era apenas um metal descartável. As pessoas matavam por comida e não por dinheiro…
-Eu sei. – Mike desapertou o fecho do seu casaco de soldado e abriu o enorme colete à prova de bala, deixando uma Glock 21 visível assim como 4 cartuchos. Mike olhou novamente em redor se certificando de que estávamos mesmo sozinhos. Retirou rapidamente a arma do coldre do colete e a entregou. Arrumei a arma na minha mochila e lhe entreguei a primeira barra de chocolate. Logo em seguida Mike me entregou os cartuchos e lhe joguei a segunda barra de chocolate. Fechei o fecho da mochila e fiz sinal para que Mike prosseguisse com o negócio.
-SEU IMUNDO. VAI APRENDER O QUE ACONTECE POR ANDAR NA RUA DEPOIS DO TOQUE DE RECOLHER. – Mike me socou com força e acabei caindo de joelhos. O deixei me pontapear algumas vezes e algemar. Mike me arrastou para fora do beco.
-De novo esse idiota? Serio, Cullen se continuar assim vai acabar lanchinho de zombie. Não vamos avisar você mais nenhuma vez. As regras são para ser cumpridas! – Laurent era apenas mais um soldado idiota que fazia uso dos meus serviços. Mas claro que era sempre bom manter as aparências e fingir que eu era apenas um fora de lei que não estava em casa na hora de recolher e não a fazer transações no conhecido “mercado negro”.
-Não irá se repetir. – fui jogado contra a porta do meu pequeno refúgio e suspirei cansado. Abri a porta do meu “apartamento” e subi até ao terceiro andar. Todos tínhamos um apartamento dentro do campo de refugiados. Na verdade… Eu tenho dois. Esperei meia hora que os soldados se afastassem e desci até à cave do edifício. Entrei pelo pequeno acesso que meu apartamento tinha aos esgotos da cidade e percorri os túneis escuros até ao meu verdadeiro refúgio. Eu havia descoberto esta passagem há 7 anos enquanto andava a explorar os esgotos. Pensei que talvez pudesse haver uma saída mais prática do campo de refugiados sem ter de fazer um buraco na vedação e arriscar a entrada de algum infectado na cidade. Eu lutava a cada dia por sobrevivência, e para mim, sobreviver era matar alguns infectados. Sim, é uma ilusão achar que talvez eu um dia possa matar todos os infectados do mundo. Mas é o jeito que eu achei para descarregar toda a raiva que sinto dentro do meu peito, me sufocando a cada dia.
Subi a pequena escada no fundo do túnel e entrei no pequeno abrigo subterrâneo. Infelizmente eu nunca havia sido uma pessoa que pensou na possibilidade de ter de enfrentar um possível apocalipse. Como a maioria da população mundial, eu não estava preparado. E paguei bem caro por isso.
-Hey Ed. O que conseguiu? – Kate estava deitada no enorme sofá comendo carne seca. Senti meu estômago revirar com aquele cheiro. As saudades que eu tinha de comer um bom bife…
-Consegui uma Glock e alguns cartuchos.
-O Newton de novo? – Kate se espreguiçou no sofá.
-Sim. – caminhei até à minha parte do abrigo e joguei a mochila ao lado do meu pequeno colchão. Despi meu casaco e minhas botas me deitando em seguida no meu pequeno colchão. Kate era uma mulher legal. Me deixava viver com ela no abrigo que havia sido de seus pais antes de morrerem e me introduziu no mercado negro. Confesso que a minha vida dentro do campo era mais fácil desde que conheci Kate. Mas infelizmente nem tudo era perfeito.
Kate sempre tentava saber mais da minha vida antes do apocalipse, e isso não me agradava de jeito nenhum. A dor era demasiado grande para suportar, partilhar ou sequer deixar alguém entrar tão profundamente na minha intimidade. A perda, a dor e a guerra mudam as pessoas. Eu não sou nem nunca mais serei o Edward que fui antes do apocalipse. Só queria deixar o passado para trás. A vida feliz que um dia tive nunca mais seria possível e o melhor era aceitá-lo.
-Sabe, às vezes eu só queria que você conversasse um pouco comigo Edward. Não é como se eu fosse sugar a sua alma ou algo do tipo. – Kate suspirou ainda deitada no sofá pronta para dormir.
-Eu falo com você.
-Não, não fala. Você parece um bloco de gelo e indiferença. Sabe que eu também perdi as pessoas que amava. Você não foi o único a ver o seu mundo ser destruído. – Kate bocejou no escuro se cobrindo com um cobertor.
-Ok Kate. Agora me deixe dormir. – Kate bufou mas desligou a luz do pequeno criado mudo que iluminada o pequeno refugio. Fiquei deitado no meu colchão apenas me concentrando na minha respiração e nas batidas do meu coração. Assim que escutei o leve ressonar de Kate liguei a minha pequena lanterna e peguei o meu pequeno caderno. Assim que o abri me deparei com a única fotografia que tinha conseguido salvar da minha pequena Sophie. Já se passaram 12 anos… Mas nunca iria conseguir superar a sua perda. Senti as lágrimas se formarem em meus olhos e meu coração se rasgar mais um pouco.
Passei as páginas do meu pequeno caderno relendo as minhas 4 regras de sobrevivência. Aquelas quatro regras eram os meus 4 mandamentos.
1-Nunca olhar para trás.
2- Não confiar em estranhos.
3-Nunca jamais em momento algum falar do passado.
4-Não criar laços afetivos com ninguém.
Até hoje nunca havia quebrado nenhuma das minhas quatro regras. Prova disso é a pequena cicatriz que Kate tem em seu pescoço. Mesmo depois de nos conhecermos já faziam uns 2 anos eu não consegui conter o meu impulso defensivo quando Kate tentou me abraçar. O meu cérebro entrou em modo defensivo e achei que Kate estava me atacando. Me senti péssimo por aquilo, mas Kate entendeu e se desculpou. Acho que depois desse episódio ela desistiu de qualquer esperança que tivesse em vir a ter algum envolvimento afetivo ou amoroso comigo.
Aprendi que são as coisas que mais amamos que nos destroem… E aprendi isso da pior forma possível.
********
-Onde essa tal de Rosalie está nos esperando mesmo?- ajudei Kate a empurrar a enorme lata de lixo para conseguirmos subir a escada de incêndios que levaria ao topo do prédio.
-Ela está no porão deste prédio. – me agachei ligeiramente estendendo minhas mãos entrelaçados deixando Kate se impulsionar com o pé direito a ajudando a alcançar a escada meio quebrada. Assim que se firmou Kate me ajudou a subir. Estávamos começando a ficar sem alguns recursos e Kate havia conseguido um trabalho que implicava sair do campo de refugiados. Era difícil achar alguém que estivesse disposto a sair da proteção do campo de refugiados, algo que eu fazia com todo o prazer. O que seria o pior que poderia acontecer? Morrer? Morrer não seria a pior coisa. A pior coisa seria ser infcetado por um zombie. Algo que eu jamais permitiria. Antes que isso acontecesse eu enfiaria uma bala na minha cabeça.
Subimos até ao porão procurando pela tal Rosalie. Kate fez uma batida sincronizada na porta que foi aberta em seguida por uma mulher loira.
-Entrem. – entrámos rapidamente. Segurei minha arma firmemente e analisei o local. Ela não vivia ali. Aquilo havia sido apenas um local escolhido para nos encontrarmos e isso estava óbvio pelo estado do porão.
-Ele é mesmo de confiança? – a loira me analisava furtivamente com os olhos gélidos. Percebi de imediato que ela tinha uma arma escondida na parte traseira e logo lhe apontei a minha.
-Edward! Baixe a arma! Kate tentou baixar o meu braço mas a empurrei levemente não a querendo machucar.
-Ela está armada. Não vou largar a minha arma até ela estar desarmada. – a loira levantou os braços em rendição e me aproximei lhe retirando a arma.
-Satisfeito agora? – a loira me cuspiu aquilo de um jeito arrogante e assenti baixando a arma.
-Sim. – Cruzei os braços apenas observando Kate e a tal de Rosalie. Queria saber qual era o tal negócio.
-Vamos então ao que interessa que não temos muito tempo. Vocês terão de transportar uma mercadoria. — a olhei atento enquanto a loira se aproximou da pequena mesa de centro onde tinha um mapa dos EUA.
-Eu preciso que a levem até Washington onde irão se encontrar com um membro Ben Jackson que é um dos nossos. Deverão entregar a mercadoria para ele. – franzi a cenho.
-Washington? Você tem noção que são quase 1600km daqui até Washingtin certo?
-Sim. É por isso que preciso mais de você do que de Kate. Sei que você é mecânico. Ou pelo menos era antes do apocalipse. Você pode concertar um carro e dirigir até lá. – revirei os olhos apertando meu nariz tentando conter minha raiva e impaciência.
-Eu sou mecânico, mas não faço milagres. Acha que se fosse fácil eu já não teria concertado um carro? As baterias estão todas mortas. Não é fácil achar uma bateria funcional. – a loira sorriu presunçosamente.
-Não se preocupe. Eu tenho uma bateria. Você só precisa de a colocar em um carro compatível.
-Isso são pormenores Rosalie. Vamos falar de pagamento. Qual o pagamento? Sabe que arriscar a nossa vida para fora do refúgio, ainda para mais atravessar dois estados com zombies por toda a parte, sem um refúgio fixo e seguro… Não é algo que saia assim tão barato.
-Se a mercadoria chegar intacta receberão 2000 cupons. – me senti ofegar. 2000 cupons ???? Quem era esta mulher para nos oferecer 2000 cupons? 2000 fodidos cupons. Meu Deus. Eu não conseguia nem imaginar ter 200 cupons. Eu poderia comer enlatados o resto da minha vida. Comer comida decente, por anos.
Como vivíamos em um campo de refugiados tudo é racionado. Todos temos direito a 2 cupons por mês dependendo do trabalho “prestado à comunidade”. Cada cupon permite-nos ir buscar algo ao banco alimentar. Sem carros para concertar a única coisa que me restava era eventualmente fazer a manutenção de alguns aparelhos como uma máquina de café ou concertar alguma tenda, o que não me rendia mais do que 2 cupões por mês extra. Por esse motivo entrei nos negócios “subterrâneos”.
-Nós aceitamos! – Kate se precipitou em falar e a loira sorriu presunçosa.
-Calma aí. Você vai ter de me explicar onde conseguirá todos esses cupons. Eu não acredito que você tenha tudo isso para nos pagara. – a loira olhou para Kate interrogativamente e percebi que elas estavam me escondendo algo.
-Você não falou para ele? – Kate mordeu o lábio e me olhou temerosa.
- O que você não falou para mim? – segurei minha arma firmemente.
-Edward… Rosalie é a líder dos Vagalumes… — senti meu sangue gelar.
-VOCÊ ENLOQUECEU?! MAS É QUE NEM FODENDO! – senti a raiva percorrer cada centímetro do meu corpo. Odeio todos os Vagalumes. Odeio com todas as minhas forças! Nunca jamais eu ajudaria esses nojentos filhos da puta!
-Edward se acalme! Eu nunca entendi esse seu ódio pelos Vagalumes. Mas caramba estamos a falar de 2000 cupons! – eu estava vendo tudo vermelho e já estive mais longe de dar um tiro em Kate para a fazer calar a merda da boca.
-EU NÃO VOU AJUDAR NENHUM DESSES MERDAS! – eu estava quase espumando pela boca. Os Vagalumes eram uma associação constituída no inicio do apocalipse. Os seus integrantes eram sobretudos médicos e soldados. O principal objetivo era achar uma cura para o vírus e acabar com os zombies. Nunca acharam uma cura… Os Vagalumes não olhavam a meios para atingir os seus fins, eles mataram pessoas inocentes simplesmente por acharem que elas poderiam estar eventualmente transportando o vírus… Eles mataram a minha Sophie.
-Você vai! Você me deve isso Cullen! Por 7 anos eu deixei você viver no meu refugio. Se não fosse por mim você seria um morto de fome! Você me deve! — senti minha garganta secar e um ódio tremendo por Kate. Ela sabia que aquilo não era verdade. Eu havia salvo a vida daquela ingrata inúmeras vezes. E eu havia sobrevivido muito bem durante 5 anos antes de a conhecer. Mas agora era uma questão de honra. Edward Cullen não era homem de ficar em dívida com ninguém. Eu iria transportar a porra da mercadoria até Washington. Mas depois disso a minha divida com Kate ficaria saldada e com os 1000 cupons que eu receberia para mim não precisaria mais de ficar com ela.
-Ok. Eu fico com 1000 cupons e você com os outros 1000. Depois disso nunca mais quero ver você. – Kate engoliu em seco e o arrependimento estava agora estampado em seu rosto. Mas eu não voltaria atrás.
-Edward… Me desculpe eu… -
-Então onde está a mercadoria? Quero sair logo daqui. – interrompi as desculpas idiotas de Kate e me concentrei na líder dos Vagalumes.
-Carlie. Pode entrar. – Rosalie falou em voz alta e a porta do que devia ser o banheiro se abriu. Meu queixo caiu assim que vi uma garota que não devia ter mais de 14 anos aparecer. Tinha longos cabelos castanhos com algumas mexas loiras. Ela era pequena, apenas uma criança… Mas me lançava um olhar desafiador me analisando com seus enormes olhos que só podia descrever como cor caramelo.
-Esta fedelha é a mercadoria? Você quer que eu transporte uma pirralha? Uma fodida criança?! Você é louca?! Ela não devia estar em um internato de refugiados? – apontei o dedo para a criança mas com meus olhos fixos em Rosalie. Pode parecer estranho, mas há mais de 10 anos que eu não via nenhuma criança. Todas as grávidas e crianças saudáveis com menos de 10 anos foram levadas para internatos de refugiados seguro alguns meses depois do inicio do vírus.
-Hey! Eu tenho nome! Me chamo Carlie e não sou nenhuma pirralha, seu marginal! – a criança me olhou com seus olhos em chamas.
- Você não tem escolha como já confirmámos há pouco. – cerrei minhas mãos em punho apertando fortemente minha arma. Aquilo não daria certo. Não daria certo de jeito nenhum! Tentei controlar a respiração e me concentrar nos 1000 cupons e na dita dívida que eu tinha para com Kate. Suspirei passando a mão pela testa.
-Ok. Mas porque esta pirralha vale 2000 cupons? Porque você mesma não a leva até lá?
-Você faz demasiadas perguntas Edward. Nada disso lhe diz respeito. São assuntos dos Vagalumes. Você apenas terá de se certificar de que Carlie chega segura a Washington. Só lhe posso dizer que eu estarei indo para New York ainda hoje com os soldados da paz, mas por motivos de protocolo superior não posso levar Carlie comigo. Você devem entrega-la em Washington ao meu colega. Carlie sabe onde o achar. Ele estará esperando você com o pagamento.
Olhei para a criança que me lançava punhais com os olhos. Suspirei derrotado.
-Quando partimos? – olhei para Kate e Rosalie.
-Agora mesmo.
Notas finais
Antes que me perguntem, para quem não leu a One-shot e não sabe como a Bella irá entrar na fic, eu só posso dizer não irão se deparar com uma Bella bobinha. Tenham em mente que estamos em um cenário pós-apocalíptico onde as pessoas tem de lutar para sobreviver.
Bella irá aparecer no final do 3º capitulo.
Amanhã é sexta então amanhã haverá 2º capitulo dependendo do feedback que receber.
Gostaram??? Me deixem saber *----* Comentários são bem vindos assim como criticas construtivas, gosto que me digam o que estão a achar para eu melhorar a cada capitulo :D
beijos e até amanhã ;)
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