Our Song
10 Turbilhão de Sentimentos
Notas iniciais
Meu coração acelerou rápido e minhas mãos congelaram com o celular de frente para o meu rosto. Apertei " atender " e prendi a respiração.
_ Oi Mônica.
Meu coração parou. Ele nunca me chama de Mônica, a não ser que a conversa seja séria.
_ Oi Do Contra! -- forcei um ânimo na voz --
A linha ficou silenciosa e eu abri a boca para falar mas não saiu som algum. Era simplesmente impossível falar alguma coisa sem saber o que ele queria comigo.
_ Precisamos conversar... -- ele começou--
_ Eu sei. -- o interrompi--
_ Sabe ? Parece que a notícia se espalhou mesmo hein ?
Suas palavras me cortaram e eu não tinha nada em minha defesa. O que dizer em uma situação dessas ?
_ Olha... Não é culpa minha, eu...
_ Não se preocupe amor. Eu sei disso. Acontece que realmente o tempo teve que se estender.
Parei de falar e me toquei de que não estávamos falando a mesma língua.
_ Espera. O quê ?
_ Eu sei que três meses é muito mas...
_ Você vai ficar aí por mais três meses ?
_ Vou.
Respirei fundo e desliguei a ligação. Eu estava no meio da rua do condomínio, com uma camisola nenhum pouco sexy, de chinela e com os cabelos bagunçados. E para piorar ? Comecei a chorar. Eu tive um distúrbio emocional sem motivos por causa do DC de repente. Minhas lágrimas rolavam por ter sido grossa com ele. Apesar de tanto tempo juntos, nós nunca brigamos. Nunca. E agora parece que está tudo se escorrendo pelo ralo. E eu ainda não descobri o porque.
Um garoto que estava de boné aba reta e de skate passou por mim e sorriu. Por um instante eu não tinha o reconhecido. Se não fosse pelo sorriso malicioso e brincalhão que só uma pessoa tem.
_ Nossa! Assim você acaba comigo desse jeito! -- ele disse parando o skate--
_ Cala a boca Cebola! -- eu disse irritada--
_ Espera. Você estava chorando ?
Seu tom de brincadeira mudou rapidamente para preocupado e olhei rapidamente em seus olhos.
_ Não é da sua conta.
_ Somos amigos, certo ? Por que não me fala o que houve ?
Não respondi. Abaixei a cabeça e cruzei os braços.
_ Viu a capa das revistas ? Somos nós! Eu não sei como o DC não viu ainda! — Debati as revistas contra seu peito e me virei irritada -Aí está a sua " amizade "! -- eu disse irônica -- Fotos nossas da semana inteira estão aí!
Antes que eu pudesse contestar, ele pegou no meu pulso e me puxou contra seu corpo. Me afastei e o olhei brava, mas ele não me soltou.
_ Vamos dar uma volta no parque com o meu carro blindado ? -- ele disse baixinho para mim com o seu velho tom de brincadeira --
Corei com a altura da sua voz e seu proximidade e evitei olhá-lo.
_ Não quero.
_ Quer.
_ Não quero.
_ Quer.
_ Não quero.
_ Quer sim.
Ele me pegou no colo — de novo — e me pôs no skate. Cebola subiu em cima logo após e sorriu antes de começar a andar.
_ Segura firme Mô.
O Cebola era um louco! Ele acelerou ao máximo em cima daquela tábua e desviava nos últimos momentos dos carros. Quando finalmente paramos, saí de cima daquilo e me deitei na grama e quase beijei o chão.
_ Você é um louco! Finalmente estou em terra firme! -- eu disse quase desesperada --
Ele ficou rindo de mim e ficou atrás de mim me olhando. Eu queria muito não ter perguntado, mas a curiosidade foi maior.
_ O que foi ?
_ Sua calcinha é rosa.
Vocês sabem o que é ficar um pimentão ? Não, vocês não sabem. Porque eu passei disso! Levantei na mesma hora e antes de ele perder o ar de tanto rir, dei um chute na sua canela. Cebola começou a gritar de dor e a me xingar. Comecei a rir e ele me olhou furioso.
_ Vai ter revanche!
Eu saí correndo e gritando com medo do que ele pudesse fazer comigo, enquanto ele vinha atrás. Só para não perder o clássico de quando duas pessoas estão correndo, eu tropecei. Só que a diferença é que eu caí de cara no chão. Senti meu rosto arder e para completar, o Cebola caiu em cima de mim. Só que o pior, é que ele estava de frente pra mim. Senti seu peito bater contra as minhas costas e gritei de dor e raiva.
Que " romântico "!
_ Sai. De. Cima. De. Mim. Agora! -- eu disse me virando para olhar para ele--
_ Não! Eu estou todo dolorido! -- ele protestou--
_ Ah, claro, vamos ficar no meio do parque um em cima do outro! -- eu disse irônica -- E eu estou de pijama ainda!
Corei ao lembrar que estava sem sutiã e tentei colocar o cabelo disfarçadamente para frente. Droga, era muito curto.
_ Você tem olhos avelã. -- ele disparou --
Fiquei calada, tentando decifrar seu olhar sobre mim. Sorri timidamente e ele colocou uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha. Nossas respirações estavam no mesmo ritmo e eu pude perceber o quanto estávamos perto um do outro. Eu poderia ter ficado simplesmente ali olhando para aquele garoto sexy que estava em cima de mim. Mas isso seria errado. E eu sabia disso.
Levantei rapidamente empurrando ele para o lado. Comecei a andar em passos largos e rápidos, até que ele me alcançou com uma expressão confusa.
_ Nós precisamos conversar. Olha, se ainda está brava comigo...
_ Não estou. Por que estaria ? -- perguntei secamente -- E se eu quisesse conversar... Não acha que eu teria respondido a mensagem de ontem ?
Ele parou de andar e me olhou com frustração. Um arrependimento bateu forte no meu peito, mas eu ignorei e continuei andando. Eu cheguei em casa confusa e sem saber o que fazer. Três meses sem ver o DC. De novo. E mais três convivendo com o Cebola. Me joguei no sofá e bufei de raiva. Eu poderia estar mais perdida ? Por que isso estava acontecendo ? Eu fiz alguma coisa ruim para isso ?
Peguei meu celular e olhei o número do Do Contra. A foto dele que eu havia tirado no nosso primeiro dia de namoro ainda permanecia. Comecei a chorar com as lembranças desse dia. A foto que antes estava na minha tela desapareceu, mudando para um Cebola que fazia uma careta engraçada para a foto. Apertei em " recusar a ligação " e me encolhi em um canto do sofá. Me sentia mal com tudo. Nada parecia estar dando certo.
_ Mônica. Onde esteve ? -- minha mãe perguntou com o seu mesmo tom de sempre --
_ Fui pegar o correio. -- respondi me levantando do sofá -- Estou indo mostrar a música que escrevi.
_ Tá. Estarei aqui.
_ Tudo bem, só vou tomar um banho.
Entrei no meu quarto sem a menor vontade de ouvir o tom arrogante da minha mãe. Tomei um banho quente e me arrumei. Coloquei uma regata branca, uma calça jeans da Calvin Klein e um salto não muito alto. Dirigi até o estúdio e quando cheguei lá não vi o Cebola em lugar algum. Me senti mais triste ainda por ter sido grossa com ele. Agora ele não vai ouvir pela primeira vez a música que nós escrevemos. E não eu.
_ Oi James! Já estou com a música!
_ Ótimo! Pode entrar na cabine para ouvirmos!
Eu estava entrando na cabine, quando senti alguém me puxar para trás. Era o Cebola.
_ Primeiro... -- ele começou-- Eu quero que ouçam a minha música. Eu a fiz hoje. Praticamente agora. Mas já havia combinado o ritmo aqui no estúdio.
Fiquei paralisada com a sua atitude e ele entrou rapidamente no lugar. Fiquei do lado de James esperando o som começar a tocar.
" Once again you're home alone Tears running from your eyes And I'm on the outside Knowing that you're all I want But I can't do anything I'm so helpless baby "
Um frio na barriga me tomou conta quando ele cantou o primeiro trecho. É impressão minha, ou a letra fala de mim ?
" Everyday same old things So you're still feelin pain Never had real love before And it ain't her fault She knows better but She can't help it Wanna tell her But would that be selfish How do you heal A heart that can't feel, it's broken His love is all she knows, all she knows, All she knows His love is all she knows, all she knows, All she knows "
Sua expressão era séria e triste ao mesmo tempo. Ele olhava diretamente para mim.
" You've been livin this way so long You don't know the difference And it's killing me Cause you can have so much more I'm the one your looking for But you close your eyes on me So you still can't see Everyday same old things So you're still feelin pain Never had real love before And it ain't her fault I want her to know It can be better than this I can't pretend Wish we were more than friends She knows better but She can't help it Wanna tell her But would that be selfish How do you heal A heart that can't feel, it's broken His love is all she knows, all she knows, All she knows His love is all she knows, all she knows, All she knows "
No último verso sua expressão foi de frustração para mim. Ele se levantou e James amou a canção. Eu fiquei estática antes de qualquer reação. Pedi licença e fui para o banheiro. Molhei o rosto e olhei para meu reflexo no espelho. Aquela música havia mexido comigo e eu nem sei porque ainda. Não tem razão pra ele ter escrito uma música pra mim, não é ? Claro que não... Tenho que parar de imaginar as coisas.
Saio do banheiro e volto para a sala de gravação.
_ Agora é a minha vez.
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