Our Song
11 A Loira Oxigenada
Notas iniciais
Cebola me lançou um olhar sorridente, o que me fez estranhar. Entrei na cabine um pouco estressada e ansiosa. Respirei fundo e limpei a garganta. James fez um sinal com a cabeça para eu prosseguir e então comecei a ouvir o som da música nos meus ouvidos. E comecei a cantar totalmente entregue a letra.
" You left me spinning like a disk I'm trying but I don't know If I can stand straight You took me left when you knew I was right And now I gotta fight Just to make it through the day "
Olhei para o garoto de cabelos rebeldes e ele estava com os braços cruzados. Ele parecia orgulhoso. E isso só me fez despertar ainda mais para a música.
"I never knew what you were capable of Baby I woulda kept my heart But I gave it all Baby I fell in love Now I don't know where to start It's so cold, with nobody to hold me You're so wrong for leaving when you told me You would never leave me by myself Out in the middle of nowhere Now I'm lost, tryin' to make it on my own I thought I could never do this alone But now I'm walking by myself Out in the middle of nowhere I thought I could never do this alone But now I'm walking by myself Out in the middle of nowhere "
Levantei o olhar para Cebola e ele estava sem expressão. Ao mesmo tempo que parecia feliz por eu ter cantado a nossa música, parecia triste. Saí da cabine e James ficou bastante contente com a música e a letra. Pensei que talvez devesse falar a verdade.
_ Obrigada James! Mas eu nunca teria conseguido sem o Cê.
Cebola ficou estático e descruzou os braços na mesma hora. Fiquei confusa com a sua reação. Até que James ficou sério.
_ Venha comigo por favor. -- ele se dirigiu para o Cebola --
Fiquei em silêncio tentando entender o que aconteceu, mas estava muito confusa. Será que falei algo que não podia ? Os dois ficaram uns 10 minutos em uma sala, até que saíram. Cebola passou direto por mim sem dizer nada. Fui atrás dele.
_ Cebola! Cebola! -- o chamei gritando --
Ele parou de repente de costas para mim. Parei atrás dele, alguns centímetros longe. Ele parecia uma estátua, mas foi o primeiro a dizer algo.
_ Sai. Vai embora. -- ele disse --
_ Está falando sério ? -- perguntei ofegante --
_ Estou.
_ O que eu fiz ?
O silêncio tornou a reinar e eu me esforcei para não gritar de ódio e frustração.
_Você foi ingênua. Por que falou para o James que eu te ajudei a compor ? Sabe que ele nunca teria me deixado te ajudar. Ele queria ver seu potencial. Agora ele nem deve querer mais a música. -- ele me perguntou finalmente se virando --
Seus olhos castanhos me encaravam sem fundo. Não, não estavam castanhos. Dessa vez estavam pretos. Eu queria muito responder com cuidado ou inteligência. Mas dessa vez não tinha argumento. A única saída que achei foi outra.
_ E aquela sua música ? O que foi aquilo ? Escreveu para mim ?
Sua expressão se suavizou e seus músculos relaxaram. Mas eu ainda sabia que não devia ter mencionado isso. Ele veio correndo até mim e meu medo do que ele poderia fazer cresceu. Só que ele me abraçou. Seus braços apertaram forte minha cintura e eu não consegui passar meus braços em volta por vergonha.
_ Por que não consigo brigar com você ?
Suas palavras me pegaram de surpresa e eu não consegui responder. Ele se inclinou e apoiou a cabeça em um dos meus ombros ainda me abraçando. Senti ele inspirando forte o meu perfume e expirando seu ar quente que batia contra o meu pescoço. Suspirei tentando afastar certos pensamentos e me afastei.
_ Ainda vai precisar fazer algo por mim. -- ele disse com um sorriso maroto -- Ou acha que esqueci que iria fazer " qualquer coisa para mim " ?
Resmunguei frustrada e revirei os olhos. Por que ele tinha que ter uma memória tão boa ?
_O que vou ter que fazer ? -- perguntei --
_ Você vai saber.
Um calafrio me bateu forte. Eu fui muito burra de ter dito que faria qualquer coisa para ele me ajudar a escrever a música. Decidimos ir embora até a casa do Cebola. Ele insistiu para que eu conhecesse a irmã dele de qualquer jeito. Chegamos no prédio luxuoso onde ele morava e subimos pelo elevador enorme. A porta alta e estreita se abriu e dela saiu uma menina com a mesma altura que a minha, magrinha, de cabelos negros e curtos até o ombro. Ela lembrava o Cebola.
_ Oi irmãozinho! -- ela disse o abraçando forte --
Fiquei ao lado dele um pouco sem jeito e cruzei os braços por impulso, algo que sempre faço quando não sei como agir.
_ Ai meu Deus. -- a garota disse quando me olhou -- Você é a Mônica Sousa ? Eu sou sua maior fã!
Ela me abraçou quase me esmagando e o Cebola riu.
_ Mônica, essa é a Maria, minha pirralha.
Maria mostrou a língua para ele e entrou dentro da casa.
_ Vem. -- ele me segurou na mão --
Entramos de mãos dadas e Maria sorriu quando viu. Me senti desconfortável, porém somos amigos, certo ? A cozinha era americana, ou seja, era ligada com a sala. Havia uma bancada, onde tinha quatro cadeiras de cada lado. Maria se sentou em uma delas, ao lado de uma outra garota. A outra menina era loira, dos cabelos lisos que batiam até a cintura, olhos azuis, pele clara e reluzente e magra, mas com o corpo perfeito. Se eu me senti humilhada ? Imagina.
E sabe o que é pior ? É a garota que eu vi no apartamento do Cê aquele dia.
A menina olhou para a minha mão junta a do Cê e ficou séria. Seu olhar pousou em mim e eu desviei. Impressão minha ou ela não gostou ?
_ Cê! -- ela o chamou -- Está pronto para jogar Mortal Combate ?
_ Só se for agora! -- ele disse animado -- Ah, Lídia, essa é a Mônica.
_ Ah, sei. A garota que pensou que estávamos " aprontando " aqui no apartamento e saiu correndo feito uma patricinha. -- ela me estendeu a mão direita e sorriu -- Prazer!
Sorri forçado e estendi a mão fazendo o mesmo.
_ Partiu Mortal Combate ? -- ela perguntou novamente para o Cebola --
_ Só se for agora! -- ele disse pegando um controle e entregando o outro para ela --
_ Não acredito que arranjei uma melhor amiga que divide o cargo com o meu irmão. -- Maria resmungou --
Me sentei ao lado da Lídia, cruzei as pernas e arrumei minha postura, pois odeio ficar corcunda. Observei a Lídia que estava debruçada, com as pernas abertas e descalça. Ela estava usando um blusão escrito: Do you hate me ? Fuck it. E um short jeans que sumia na blusa. Seus cabelos estavam bagunçados. Conclui que talvez nunca daremos certo. O que eu fiquei fazendo ? Apenas observando a " bela amizade " do Cebola com a loira oxigenada. Me senti incomodada o tempo inteiro, até que um acontecimento me fez desistir de ficar ali.
_ Uhu! Ganhei! -- Lídia gritou e beijou a bochecha do Cê -- Chupa!
_ Merda! -- ele gritou de volta --
_ Eu tenho que ir! -- eu disse me levantando em um pulo --
_ Ué, por quê ? -- o Cebola perguntou --
_ Minha mãe daqui a pouco chega em casa e eu to ferrada se eu não estiver lá.
_ Ui, sua mãe te controla ? -- Lídia se intrometeu -- Deve ser horrível! Minha mãe é bem de boa! Tanto que estou morando aqui.
Meus olhos se arregalaram por impulso e eu fiquei sem palavras. Me senti um pouco tonta e esperei a sensação passar para falar algo.
_ Você... Mora aqui ?
_ Bem... Tecnicamente. Estou seguindo a carreira de modelo então... Que lugar melhor do que aqui certo ?
Assenti sem jeito. Ela ficou séria de repente e se aproximou de mim.
_ Você é modelo não é ? Eu adoro o seu trabalho! Sério.
_ Obrigada!
_ Gostei de você. Apareça aqui mais vezes. De preferência não entre 15:00 e 16:00. Estamos ocupados esse horário. -- ela disse baixinho apontando para o Cebola --
Cebola corou e empurrou ela para o lado.
_ É brincadeira dela! -- ele riu sem graça -- Vem, eu vou com você até a porta.
Saímos do prédio e descemos até o estacionamento sem dizer uma palavra. Quando entrei no carro, ele abriu a boca.
_ Sabe... Ela é legal. Só que é muito impulsiva e fala tudo que vem na cabeça. Ela gostou de você, eu sei disso.
_ É...
_ Bom, tchau.
_ Tchau.
Pisei no acelerador sem piedade e dirigi até a minha casa. Joguei as chaves no sofá e suspirei cansada. Por que eu me senti daquele jeito com aquela garota ? Talvez tenha sido porque eu os vi e tive aquela impressão. Tomei um banho demorado e pus meu pijama logo em seguida. Peguei meu telefone na minha bolsa e vi dez chamadas perdidas do DC. Liguei para ele de volta rapidamente.
_ Oi DC! O que aconteceu ?
_ Mônica, o que significa essas revistas ?
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