Our Song
12 Confusões
Notas iniciais
Suas palavras pareceram uma faca enfiando no meu peito. Como ele havia descoberto isso só agora ? Levei uma mão na testa e suspirei forte, porém silenciosamente pois ele sabia que eu fazia isso quando estava nervosa.
_ Do Contra... -- eu comecei --
_ Foi só eu viajar e você começa a dar em cima do Cebola ? Jura ? O que você tem ?
Fiquei calada controlando meu ódio. Ele pensava que eu estava o traindo com o Cê. Será que ele tem essa imagem tão ruim de mim ?
_ Do Contra, você acha mesmo que eu seria capaz de te trair ou não desconfia nem um pouco de que isso é só uma mentira da revista para gerar ibópe ? Ou você só é idiota mesmo ?!
Ele se calou e sua respiração estava fraca do outro lado da linha. Balancei a cabeça revoltada e desliguei a ligação. Relacionamento sem confiança é algo que não funciona comigo. De repente a imagem do Cê com a Lídia me perturbou por míseros segundos. Afastei as lembranças da minha mente focando no que havia acabado de acontecer. Eu amava o DC, mas parecia que esse amor estava se esgotando. E me esgotando.
Levantei para pegar um copo d'água quando minha mãe abriu a porta do seu quarto e saiu usando uma camisola de cetim com uma cara séria. Minha sede passou em um segundo.
_ Eu estava vendo o jornal... -- ela começou -- E passou uma notícia sobre você. E seu " novo " namorado.
Engoli em seco. Mamãe sempre odiou traições e términos de namoros pois nunca tivemos nenhum na família dela. Com exceção de mim. Outro motivo para ela ser "super feliz " comigo.
_ Mamãe, eu posso explicar, eu...
_ Não tem o que explicar, Mônica. Você só me traz decepções.
Minha raiva apareceu mais do que tudo e meus olhos embaçaram com as lágrimas.
_ Decepção ? -- eu perguntei com a voz falhando -- Eu faço tudo perfeito pra você! Tudo por você! Eu tento ser a filha perfeita mas você nunca enxerga isso! Eu estou completamente cansada de ter que aguentar sua voz arrogante todas as vezes que te vejo! E seu olhar de reprovação! Acha que você é a única que sofreu depois da morte do papai ?! -- eu perguntei gritando --
Antes de reagir, eu senti a mão da mamãe batendo contra o meu rosto. Eu paralisei enquanto ela ficou me olhando. Eu estava assustada e com horror. Mamãe nunca havia levantado uma mão para mim, mas parecia que não era ela. Ficamos silêncio nos entreolhando assustadas.
_ Desculpa... -- ela começou--
_ Não encosta em mim! -- eu gritei chorando --
Entrei dentro do meu quarto e tranquei a porta. Deitei na minha cama e coloquei meu rosto de frente para o travesseiro e me pus a chorar até pegar no sono.
Meus olhos abriram lentamente tentando se acostumar com a luz do Sol da manhã. Minha cabeça estava doendo e a minha vontade era de ficar na cama para sempre. Me sentei na cama e coloquei devagar meus chinelos. Andei até o banheiro os arrastando apenas me concentrando no som que faziam. Fiquei de frente para a pia e olhei o meu reflexo no espelho. Estava horrível. Escovei os dentes e coloquei um vestido branco rodado. Abri a porta do meu quarto com a certeza de que minha mãe já havia saído de casa. Eu teria uma seção de fotos agora a mesmo, mas resolvi cancelar. E é óbvio que Estevan iria me perturbar até existir a última coca cola do mundo. A campainha tocou e eu fui atender.
_ Ah, oi Cascão! -- eu disse sorrindo--
_ Oi " Baixinha "! -- ele disse me abraçando e me dando um beijo na bochecha --
Pedi para ele entrar e nos sentamos no sofá. Conversamos bastante sobre esses últimos dias que não nos vimos e ele ficou envergonhado para me contar algo, mas eu continuei insistindo.
_ Por favor.
_ Não...
_ Por favor, por favor, por favoor!! -- eu implorei--
_ Tá legal...
_ Eba!
_ Bem, eu achei que seria uma boa vir aqui porque você saberia como lidar com isso como ninguém.
_ Nossa, você está me assustando.
Soltei um riso com a cara nervosa que ele fez. Então ele suspirou e falou.
_ Eu estou gostando da Magali.
Primeiro, a minha reação foi rir. Segundo, eu soltei um gritinho de alegria e surpresa. E terceiro, eu segurei suas bochechas com as mãos.
_ Mentira! Não acredito! Cascão, promete que você vai falar com ela!
_ Nam. -- a voz dele saiu assim enquanto eu apertava sua bochecha--
_ Vai sim. -- eu disse apertando mais --
_ Bá, bá, bá! Be solta! -- ele na verdade disse: Tá, tá, tá, me solta! --
Eu comecei a rir da sua cara e ele esfregava as bochechas vermelhas.
_ Tá achando que não vai ter revanche né ? -- ele disse sorrindo --
_ Não, não!
Cascão começou a fazer cócegas em mim e eu não conseguia parar de rir. Quando olhei para cima, vi o Cebola. Que porra ele tá fazendo aqui ?! Ele estava sério, então eu parei de rir e o Cascão também. Só então percebi que ele estava em cima de mim. Ele se levantou e eu me sentei.
_ O que você está fazendo aqui ? -- perguntei surpresa e confusa --
_ A porta estava aberta. -- ele respondeu olhando de uma forma irritada para o Cas --
_ E isso te dá o direito de entrar ? -- devolvi me levantando --
_ Mô, acho que já vou... -- o Cascão disse sem graça -- Tchau.
Ele cumprimentou o Cê com um leve aceno com a cabeça e o mesmo também o fez. Cruzei os braços e o olhei com raiva. Ele me lançou um olhar confuso e em sua defesa ele disse:
_ Mô ? Achei que só eu te chamava assim!
Bufei de raiva e me aproximei dele pisando duro.
_ O que te faz pensar que pode chegar aqui em casa assim, expulsando o meu melhor amigo ?
Ele mexeu o maxilar nervoso e cruzou os braços. Como eu detestava esse jeito dele!
_ Achei que eu era seu melhor amigo.
_ Fala sério! -- eu disse revirando os olhos -- Sai daqui Cebola! Eu não estou muito bem pra ninguém hoje! -- eu disse o empurrando até a porta --
_ Mas pro Cascão você está!
_ Ai meu Deus, que pecado eu cometi ? -- eu me perguntei em voz alta -- Sai Cebola!
_ Não. -- ele disse parando e cruzando os braços --
Contei até dez para manter a calma com a criatura que estava na minha frente. " Calma Mônica, são só mais dois meses com ele ".
_ Sai.
_ Não.
_ Sai.
_ Não.
_ Sai!
_ Não!
Comecei a bater em seu peito para ele sair, mas ele estava fazendo cara de entediado com aquela situação, já que ele nem saía do lugar com os meus braços magros e pequenos se debatendo nele.
_ Para com isso! -- ele disse tentando pegar nos meus braços -- Para! -- ele disse finalmente os pegando --
Ficamos nos encarando com raiva e por algum motivo desconhecido, eu comecei a chorar. Sua expressão mudou de raiva para confuso.
_ Olha, desculpa... -- ele começou --
_ Não... -- eu disse segurando as lágrimas -- Você não tem nada haver com isso. Só que... Não sei...
Minhas lágrimas caíram sem controle e o Cebola veio me abraçar. E pela primeira vez, eu também o abracei. Passei os braços em volta do seu tronco e o apertei forte, como ele fazia comigo. Ficamos em silêncio e eu não conseguia dizer nada. O único barulho que tinha na casa eram os meus soluços. Levantei a cabeça e nos olhamos mais uma vez. Eu não podia esconder como eu ficava mexida com a sua preocupação comigo, mas a Lídia veio na minha cabeça de novo e me separei. O ódio que eu sentia por tudo no momento estava me interferindo em estar feliz pelo Cebola estar ali.
_ Mô... Eu queria pedir desculpas, porque mesmo quando eu tenho amigas eu fico com ciúmes.
_ Tudo bem.
Ele limpou uma lágrima minha e depois se afastou. Parecia que ele queria se aproximar, mas deu um passo para trás.
_ Eu sou uma pessoa cheia de problemas. -- eu disse e ele levantou o olhar para mim -- Vivo cercada deles. Devia repensar suas amizades.
_ Como assim ?
Cruzei os braços e fiquei alguns segundos em silêncio. Não era justo com o Cebola estar sendo tão legal e eu o trazer problemas. _ Não quero que sejamos amigos.
_ Como " não quer " ?
_ Saia daqui.
_ Você ficou louca ? Por que não quer ? -- ele perguntou se aproximando --
_ Desde que nos conhecemos só tenho problemas. Eu cansei disso. Sai da minha casa.
Ele me deu as costas e abriu a porta. Cebola parou por cinco segundos e depois a fechou com toda a força. Me encostei no sofá e chorei. Acho que agora é o momento em que paro pra pensar no que fiz. Eu não queria dizer aquilo para ele, mas ele estava sempre ao meu lado me deixando sem tempo para pensar. E isso estava me estressando. E estávamos sempre brigando. Minhas amizades não se baseiam em brigas constantes.
Acabei pegando no sono sentada no sofá e acordei com o barulho da minha " velha " campainha.
_ Entrega para a senhora Mônica Sousa. -- o homem disse --
_ Obrigada.
Peguei o pacote que ele segurava e o abri. Era um convite para uma festa da Magali hoje à noite. Será que eu ia ? Estava com saudades dela, mas não sei se queria encontrar outros famosos por lá. A festa seria 20:00. Meu Deus, já são 18:00! Eu dormi cinco horas ? Corri para me arrumar e quando terminei só faltava a roupa. E agora ?
Peguei um short branco curto e uma regata azul escura de cetim. E por último, um salto preto brilhoso. Coloquei minha bolsa de pendurar no ombro dourada e fui para a festa. Chegando na mansão dela, havia milhares de carros milionários por lá. Ou seja, muita gente famosa. Era o que eu temia. Entrei na casa e é claro que estava lotada. Havia uma mesa de doces, salgados e várias outras comidas. Enquanto outra, acreditem, tinha drogas e bebidas. Não iria dizer nada. Sabia que teria esse tipo de coisa e cansei de falar para a Magali. E é por isso que não gosto de ir à essas festas de famosos. Sempre há drogas e bebidas. Sempre. Peguei um ponche e andei até a pista de dança. Avistei o Estevan ao lado de um cara musculoso e muito gato. É claro.
_ Estevan! -- gritei --
_ Mô! Sua vaca morena! Por que não foi no ensaio de fotos ?
Esse é o tipo de gente com quem eu me envolvo. Parabéns Mônica.
_ Porque eu não queria. Estava cansada. -- eu disse olhando para o seu copo de vodca --
_ Entendi. -- ele disse fazendo um bico -- Cade o bofe acebolado ?
Bufei de raiva ao lembrar dele. Ele podia estar aqui e eu havia me esquecido dessa possibilidade.
_ Não sei e não quero saber. -- eu disse tomando um gole do meu ponche --
_ Querida, é claro que quer.
Me calei e olhei para a esquerda. Um frio na barriga incrível me bateu. Era o Cê. E ele estava com a Lídia.
_ Quem é a loira oxigenada ? -- Estevan perguntou fazendo careta --
_ Lídia. -- respondi com desdém --
Os observei irem até a mesa das drogas e bebidas. Eles pegaram os dois. Saí de perto do Estevan para observar melhor. É, pelo visto eles estavam se divertindo. Cebola pegou Lídia pela mão e a levou até a pista de dança. Ambos começaram a dançar de uma forma provocadora e eu peguei o primeiro cara que eu vi e fiz o mesmo. E o que o meu melhor amigo estava fazendo nesse momento ? Além de me ajudar, ele ficou assistindo tudo de camarote, achando um máximo. Me virei de costas por raiva do que via e senti duas mãos pousarem nos meus quadris.
_ Eu sabia que ia vir.
Era a voz do Cê. Levei um susto e me virei para vê-lo. Ele parecia muito bem, porém um pouco bêbado.
_ Se afasta de mim.
_ Não. Por que ? Poxa, nem quando eu quero dançar com você, você não quer.
É, com certeza ele não estava bem.
_ Cebola...
Antes de eu terminar a frase, ele me bateu contra a parede e colocou uma mão na minha cintura.
_ Por favor. Eu estou implorando.
_ Você está bêbado. -- afirmei --
_ Não me conhece mesmo né ? -- ele disse sorrindo de um modo bobo --
O desespero de qualquer ação que ele faria ali me tomou conta. Peguei o meu copo e joguei o líquido no seu rosto. É claro que ele ficou irritado.
_ Porra! O que você fez ?
_ Desculpa!
Ele levou a mão até o rosto e o secou. Que merda. Ele só ficava mais atraente ainda daquele jeito.
_ Eu quero que venha comigo.
_ Com você ? Pra onde ?
_ Um lugar onde vai estar só você e eu.
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