Our Lives
5 Particular Taste
Notas iniciais
( P.O.V Olivia Gardner)
Acordei atrasada, para variar. Levantei e fui fazer minha higiene matinal, tomei café e logo saí para ir à escola. Meus pais estavam estranhamente quietos hoje, mas não falei nada, apenas comi como se não desconfiasse de nada e logo eles foram para o trabalho.
Tive que quase correr para chegar a tempo na escola para a primeira aula, como me atrasei acabei perdendo o ônibus e cheguei suando na escola. Procurei a sala e entrei calmamente, como se nada tivesse acontecido, todos já estava na sala, menos o professor. Vi Emily, mas decidi sentar em outro lugar, arrumei meu material e esperei a aula começar. O professor logo atravessou a porta e deu início, matemática era uma das poucas matérias que conseguia prender minha atenção, me interessava dependendo do assunto.
No meio da aula escutamos batidas nas portas e Elliot aparece, se desculpa pelo atraso e vai para sua carteira, o observo e ele aparenta estar preocupado com alguma coisa, mas deixo para lá.
— Liv. — Alguém me chama. – Nem te vi aí. — Era Emily, ela sussurrava.
— Oi, também não te vi. – Mentira.
— Você devia ter ido ontem lá em casa, descobri uma coisa. — Continua. – O...
— Garotas. — O professor chama nossa atenção. — Se concentrem na aula, por favor. — Pede educado e obedecemos.
— Depois. — Ela sussurra e me dá um leve sorriso.
A aula passa rápido e quando percebo já bate o sinal do intervalo. Espero por Emily para comermos, ela está falando com Elliot, os dois se aproximam e ele fala:
— Olivia! Justamente a pessoa que eu estava procurando, como você está? — Não respondo. — Continua emburrada, gosto disso, torna tudo mais interessante.
Ela não escuta nada, a não ser que pareça certo
Ela pode te enfrentar cara-a-cara se ela quiser
Você implorará por misericórdia, misericórdia
— Interessante como? — Pergunto.
— Não sei, seu jeito de durona faz com que a nossa relação seja um desafio. — Diz com um sorrisinho e Emily dá uma risada baixa.
— Nós não temos uma "relação".
— Viu? Um desafio. — Prova seu ponto. — Mas não estou aqui para falar disso, eu ia te apresentar ao meu amigo, mas ele simplesmente sumiu do mapa. — Revira os olhos. — Enfim, hoje o pessoal vai se reunir em uma lanchonete aqui perto depois da escola, se quiser vai lá com a gente.
— Não vai dar, tenho que chegar em casa cedo.
— Ah, vamos sim, você já não foi lá em casa ontem. — Emily se manifesta.
— Não vou, não gosto muito de sair. — Respondo.
— Antissocial. – Elliot provoca.
— Eu não sou antissocial, apenas não gosto desse tipo de coisa. — Me defendo.
— Isso te faz uma antissocial, não tem como negar. — Me olha como se fosse óbvio. — Qual é o problema de sair para apenas comer alguma coisa com os amigos? — Emily pergunta e Elliot me olha curioso.
— Eles não são meus amigos, vocês estão se tornando, mas não me sinto totalmente confortável. — Tinha que confessar, esses dois conseguiram ultrapassar as barreiras que eu impus. Vi um sorrisinho no rosto dos dois e eles trocaram um olhar cumplice.
— Se é assim, vamos sair só nós três, não tem problema. — Elliot decide e Emily concorda.
— Tudo bem. — Desisto. Eles tinham vencido.
— Ótimo! — Elliot comemora. — Vamos tomar sorvete, então? — Assentimos.
— Mas eu tenho que voltar logo para casa, isso é verdade. — Falei.
— Então a desculpa de ontem era falsa mesmo? — Emily me olha com uma cara de quem sabe das coisas.
— Não, eu... — Elliot me interrompe.
— Era sim, nós sabemos, consigo sentir quando alguém está mentido. — Cerra os olhos. — E você, dona Olivia, mente mais do que devia. — Arregalo os olhos. — Só pela sua cara sei que estou certo. — Me olha vitorioso e dá uma risada. — Estava congelada, não sabia o que falar.
— Para Elliot, vai acabar fazendo com que ela desmarque a nossa saída de hoje. — Emily diz. Ele me encara e sorri.
— Tudo bem, só estava querendo deixar você sem jeito, é encantador. — Me dá uma piscada e estranho. Ele tinha dado em cima de mim? É isso?
Se eu tento ser legal, nunca dá certo
Me deixou afogando, me afogando, uh
— Vamos, tenho que ir para a aula. — Saio daquela conversa e pego meu celular.
— Tudo bem, vamos. — Elliot diz e nos levantamos da mesa em que estávamos sentados. Seu celular começa a tocar e ele atende. — Alô? Isso, sou eu. Ele está bem? Como assim viajar para Washington? Onde ele está? Assim que acabar a aula vou aí, pode deixar. -Ele encerra a ligação e vejo que está confuso.
— Quem era? — Emily pergunta.
— Minha mãe, meu pai vai para Washington hoje...vou ter que ir me despedir dele, não vai dar para ir tomar sorvete, desculpa meninas. — Sai apressado e entra no banheiro. Ele não estava falando a verdade, alguma coisa tinha acontecido.
— Que estranho. — Falei e Emily concordou.
O sinal toca e voltamos para a aula. A manhã passa normal e não vejo mais Elliot, ele tinha desaparecido. Decidi ficar com Emily nas aulas, melhor do que ficar sozinha, sentia que podia confiar nela e quem sabe poderíamos ser amigas.
Mesmo com tudo dando certo não consigo de parar de pensar em meus pais e naquela mensagem que recebi.
Estava com Emily na sorveteria, conversávamos sobre várias coisas, ela era bem divertida e animada, falava de meninos até não poder mais.
— Na nossa escola não tem muitos meninos atraentes, acho que já percebeu. — Comenta.
— Na verdade eu não reparei, não estou muito interessada em me envolver com alguém. — Digo com um gosto ruim na boca.
— Bom, nem tem como se envolver já que um dos poucos meninos bonitos é Elliot. — Fala e dou risada.
— Quem são os outros? — Pergunto curiosa.
— Bom, tem o Shawn, que é um amigo de Elliot, aquele que ele comentou hoje mais cedo. — Assinto. — Mas não tem como ter alguma coisa com Shawn, ele pode ser muito bonito, mas também é muito isolado. Elliot me falou que ele sofre de depressão, essas coisas. — Faz gestos com as mãos. — A única pessoa com que ele se relacionava era Emma, sua melhor amiga, os dois não se desgrudavam, mas agora ela se mudou e ele aparenta estar mais estranho, fechado. — Termina.
— Para onde ela foi?
— Acho que foi para Washington. — Diz, não dando muita importância.
Washington.
(P.O.V Shawn Mendes)
Acordo assustado, estou em um lugar diferente. O cheiro que me invade não é das minhas cobertas, a cama em que estou deitado não é tão macia quanto a minha, a roupa que estou usando não é apenas minha cueca e a forte luminosidade que consigo sentir mesmo estando de olhos fechados entrega que estou em um lugar, até então, desconhecido por mim.
Não consigo me mover, o simples fato de não saber o que está me aguardando me deixa apreensivo. Abro os olhos lentamente e encaro o teto branco, escuto alguns barulhos e percebo que estou ligado por fios à uma máquina que mede meus batimentos e não sei mais o que. Sento na cama e olho para frente, tinha um espelho enorme na parede. Me concentrei na minha aparência: estava abatida, meus cabelos estavam bagunçados e conseguia ver que meus olhos estavam cercados por enormes olheiras.
A porta se abre e uma moça entra no quarto.
— Olá, Shawn. Como se sente? — Pergunta animada.
— Me sinto um lixo, onde estou? — Respondo com voz de sono.
— Se sentir assim é normal, isso é por conta dos remédios. — Explica.
— Onde estou? — Insisto.
— Você está na Clínica Psicológica de Toronto, aqui vamos te ajudar a se recuperar. — Fala com calma.
— Vocês não vão conseguir. — Falo firme e ela me encara surpresa. — Só uma pessoa conseguiu fazer isso até hoje.
— Garanto que vamos te ajudar, Shawn.
— Todos falam isso, você acha que eu já não procurei ajuda médica mesmo sem os meus pais saberem? Claro que já. — Perco o controle e falo com uma voz mais alta. — Todos me garantiam que eu iria me curar, que esse vazio iria embora. Era tudo mentira. — A moça já estava mais afastada de mim e me olhava com medo. Merda. — Me desculpe, não queria agir assim, mas só estou querendo explicar que não tem cura para a minha situação. — Ela me olha com pena, odeio isso. — Só estou querendo poupar o seu trabalho que logo vai perceber que será em vão.
— Shawn, todas as pessoas que ajudei conseguiram sair dessa, e vou fazer de tudo para que você não seja uma exceção. — Dá um sorriso leve e por um momento acredito em suas palavras.
— Vai perder seu tempo. — Aceito a verdade.
— Não, ela não vai. — Olho assustado para a porta, assim como a moça, meu pai estava ali parado com seus olhos frios e postura impecável de sempre. — Poderia nos dar licença? — Olha para a mulher que nem sei o nome e ela sai logo em seguida.
— Você não tem vergonha? — Não respondo. — Não tem vergonha de ser tão fraco? Olhe para mim, é assim que você deve se comportar, tem que demonstrar que está no comando, tem que fazer com que as pessoas te respeitem, não que tenham pena de você.
— Como eu vou demonstrar algo que não sinto, que nunca senti? — Pergunto.
— Pois deve começar a sentir. Eu sei que você está fazendo tudo isso para chamar atenção, então parabéns, você conseguiu, está feliz? — Me dá um sorriso forçado.
— Você não cansa? — Faço o mesmo tipo de pergunta que ele me fez.
— Vá direto ao ponto, garoto. — Passa a mão na testa, mostrando estar sem paciência.
— Você não cansa de ser uma pessoa tão egoísta, que só se importa com status e dinheiro?! — Ele me olha irado.
— Não ouse... — Começa, mas eu o corto.
— Você não se importa comigo, com a minha mãe, nem com ninguém. Adora me tratar como uma criança que não sabe de nada, mas quem não sabe de nada aqui é você. Na primeira oportunidade me coloca em uma clínica porque não sabe nem como lidar comigo, eu sei que sou uma pessoa complicada, mas não sou burro. — Ele me encara friamente e chega mais perto da cama.
— Estou cansado sim, Shawn, estou cansado dos problemas que você me traz, das suas esquisitices, dos seus surtos, dos gritos durante a noite. Eu sei que não te dou muita atenção, mas não precisa de tudo isso, né? - Do que que ele tá falando?— Agora você vai ficar aqui, e se não melhorar em dois meses, vai estar em grandes problemas, eu te garanto. — Se vira e sai pela porta, fazendo com que ela bata com força.
Estou sozinho nesse quarto tentando entender o que estava acontecendo e assimilando onde eu vim parar. Era para eu estar em Washington com Emma, feliz, mas ao invés disso estou em um lugar que nem sei onde é o banheiro. Parando para pensar, o que eu tentei fazer foi uma burrada, como eu iria conseguir ir para outro país sozinho? Eu estava louco, só um idiota faria isso. Seria muito melhor se estivesse na escola, treinando para o campeonato de Hóquei, seria muito mais fácil. Parabéns Shawn Mendes, você ferrou com tudo.
Ouço batidas na porta e vejo a mesma moça entrando.
— Você tem uma visita. — Anuncia e vejo um moço loiro e alto surgir atrás dela. Elliot. — Vou deixar vocês a sós. — Sai e fecha a porta
Ficamos um longo tempo em silêncio, eu estava envergonhado, não queria que ninguém me visse assim: vulnerável. Ele se senta em uma cadeira que tinha na minha frente e passa uma das mãos pelos cabelos. Estava perdido.
— O que aconteceu? — Pergunta apenas.
— Bom, como pode ver estou preso nessa...
— Não! — Me interrompe. — Desde o começo. — Exige e me olha sério.
— Você sabe a história, já te falei. — Me recuso a falar tudo em voz alta.
— Tudo bem, então me responde uma coisa: — Levanta da cadeira e começa a caminhar pelo quarto. — Como você pensou que essa ideia maluca de ir para Washington iria dar certo?
— Simples. — Ele aguarda minha resposta. — Eu não pensei.
— É claro que não pensou! Estava ocupado demais mentindo para todo mundo e sumindo de nossas vidas! — Explode.
— Ei, eu sei que errei, tá? Percebi a merda que eu fiz, mas eu tinha minhas razões para ao menos tentar. — Tento me defender.
— Ah, é? Me fala pelo menos uma razão bem considerável. — Me encara. — Vamos Shawn, me fala! — Exige.
— Por que você se importa? Eu não sou apenas seu colega problemático? — Me estresso.
— Não cara, você é como um irmão para mim! — Esclarece. — Eu me importo com você, quando sua mãe me ligou eu fiquei desesperado, não sabia o que fazer. Crescemos juntos, é claro que eu me importo. — Não acreditava em nenhuma de suas palavras. Me irritei.
— Não Elliot, você não se importa, nunca esteve do meu lado de verdade. Não sabe o inferno que passei para pelo menos ter uma vida que para mim é considerada normal! Então não venha com esse papo, porque é tudo mentira, a única pessoa que esteve do meu lado esse tempo todo está em outro país. — Ele dá alguns passos para trás como se minhas palavras tivessem o ferido de verdade, abre a porta, me encara uma última vez e sai sem dizer uma palavra, me deixando sozinho novamente.
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