Our Lives

6 Dúvida


Notas iniciais
Oii pessoal! Sei que demorei muito para postar dessa vez e sinto muito de verdade :( Espero que gostem do capítulo! Liv, Xx

(P.O.V Shawn Mendes)

Ficar encarando o teto tinha se tornado meu passatempo, cheguei ontem aqui e já não aguento mais. Depois da visita desastrosa de Elliot, a única pessoa que passou por aquelas portas foi a enfermeira, ainda não sei seu nome. É melhor assim, ficar sozinho me deixa pensar nas coisas que vem acontecendo, nas loucuras que estou enfrentando. Em um dia estava empolgado, no seguinte estava trancado em uma sala totalmente branca com apenas um espelho enorme na parede e vendo apenas uma pessoa.

Se aquele porteiro não tivesse aberto boca, poderia estar bem longe daqui agora. Por que ele foi contar aos meus pais? Talvez ele só é mais um de seus empregados.

Levanto da cama e vou até uma porta, onde é o banheiro. Tomo um banho e escovo os dentes, não tenho relógio, mas sei que já é cedo. Alguém abre a porta, estou deitado na cama com os olhos fechados.

— Shawn. — A voz é masculina. — Seu tratamento com o psicólogo vai começar hoje. — Abro meus olhos e me levanto.

— Tem apenas um psicólogo que vou aceitar fazer as consultas. — Digo. O homem não é mais alto que eu, tem olhos escuros e pele morena, deve ter por volta dos trinta anos.

— Nós sabemos. — Fala com um sorriso, olho para ele confuso. — Dr. Collin, não é? — Assinto. — Seu pai nos informou que havia procurado alguém antes e que achou melhor continuar com ele. — Não falo nada, apenas tento entender.

— Vamos, ele já está nos esperando. — Avisa e abre a porta.

Sigo o homem, pela primeira vez consigo ver onde realmente estou: É quase que um hospital, mas é tudo mais calmo, todas as portas são cinzas, as paredes brancas assim como o chão e não há ninguém nos corredores.

Ao sair do corredor em que meu quarto está, viramos à direita e no final desse corredor subimos por uma escada, entramos na sala em que a escada nos leva e vejo Dr. Collin parado, nos esperando.

— Shawn, que bom te ver novamente. — Ele abre um sorriso e retribuo. Ele foi um dos poucos especialistas que passei que conseguiu me fazer bem por pelo menos um tempo, estava errado por dar todo o crédito à Emma. — Sente-se, por favor. — Aponta para a cadeira em frente a sua mesa e eu me sento.

— É bom ver o Doutor novamente também. — Respondo. Collin é um homem com um pouco mais de sessenta anos, tem grande parte do cabelo grisalho e usa óculos de grau.

— Acho que podemos começar, não é mesmo? — Diz sentando-se na sua cadeira.

— Ele vai ficar? — Aponto para o rapaz.

— Não é necessário, pode ir Joe. — O moço olha novamente para mim e sai da sala fechando a porta.

— Bom. — Ele se ajeita na cadeira e sobe mais os óculos em seu rosto. — Soube o que aconteceu no aeroporto. — Abaixo a cabeça envergonhado. — O que você sentiu para tentar sair do país? O que te motivou? — Levanto a cabeça, olho em seus olhos e ele me analisa.

— Eu me senti sozinho. — Digo apenas e ele não parece contente com a minha resposta.

— Shawn, eu sei que tem mais alguma coisa, você não iria sair daqui para ir para um lugar totalmente desconhecido. — Talvez ele não saiba de Emma.

— Estava indo atrás de Emma, aquela menina que foi comigo na única consulta que tivemos. Ela se mudou antes de ontem para Washington. — Ele parece me entender agora.

— Certo, você se sentiu sozinho por Emma não estar mais aqui com você. — Afirmou e eu assenti, ele anotava tudo em um papel. — Também fiquei sabendo que um amigo seu veio te visitar e que saiu daqui nervoso, o que aconteceu? — Me senti desconfortável e suspirei.

— Ele apenas não gostou de ouvir a verdade. — Falo apenas.

— E qual seria essa verdade?

— Apenas falei que ele nunca esteve do meu lado e que não acreditava no que ele falava. Não adianta ele vir atrás de mim agora sendo que nunca demonstrou importância comigo.

— O que ele te falou? — Eu já estava cansado.

— Que estava preocupado e que se importava comigo, mas ele já entrou no meu quarto querendo explicações, me acusando. — Me defendo.

— Entendo, o que você sentiu quando ele começou a falar essas coisas?

— Raiva. — Respondo.

— Parando para pensar agora, você teria feito algo de diferente? Já que a raiva passou? — Aguarda minha resposta.

— Não passou. — Falo um pouco mais exaltado. — Toda vez que lembro de suas palavras, ela volta. É como se a mentira dele me machucasse cada vez mais. — Dr. Collin anota mais alguma coisa em seu bloco de notas e fica em silêncio por alguns segundos.

— Vamos supor que ele não estivesse mentindo. — Dá uma pausa. — Como você se sentiria em relação as palavras dele?

— Eu adoraria saber que tem alguém que se preocupa de verdade comigo. — Não penso duas vezes antes de responder, e Collin abre um leve sorriso.

— Você não acha que apenas o fato de ele vir aqui não significa que ele se importa pelo menos um pouco? — Não respondo. — Shawn? — Insiste.

— Não sei. — Falo derrotado. Querendo ou não, fiquei com essa dúvida, e Collin percebeu.

— Acho que por hoje é só, pense sobre isso e me traga a resposta semana que vem, nos vemos toda quarta-feira. — É isso? Acabou? — A não ser que queira me falar mais alguma coisa. — Sugere.

— Não, não quero falar mais nada. — Decido. — Te vejo semana que vem, então?

— Isso, aqui nessa sala. — Me dá um sorriso. — Vou chamar alguém para te levar até seu quarto. — Pega o telefone que estava na mesa e disca um número, mas o interrompo.

— Não precisa, sei o caminho. — Abro a porta e saio.

— Shawn! — Ouço ele me chamar, mas não ligo, queria dar uma volta.

Desço os degraus da escada e sigo reto, passo pelo meu corredor não me importando de voltar para o quarto. Vejo alguns funcionários e me escondo atrás de um armário que tinha no corredor.

— Como está indo o novo garoto? — Não reconheço a voz, mas é uma mulher.

— Tudo certo até agora, estamos monitorando ele pelo espelho e não há nada com que devemos nos preocupar. — Espelho?— Nem sei o que ele está fazendo aqui, não demonstra nenhum sintoma. — Conhecia essa voz, era do rapaz que foi me buscar.

— O pai dele nos avisou que era para termos cuidado com o menino, que ele poderia dar algum surto qualquer hora. — A moça falava. — E exigiu que "curássemos seu filho o mais rápido possível", palavras dele.

— O garoto tentou sair do país sozinho, está em problema com a justiça. — Comenta o homem. — E o pai é idolatrado no mundo dos negócios, com certeza o Sr. Mendes quer acabar logo com tudo isso. — Diz com um tom de dó na voz. Não consigo mais ouvir tudo isso e saio de trás do armário tentando não fazer barulho, quando consigo sair sem ser notado corro até meu quarto.

Se bem que nem lá tenho privacidade.

(P.OV. Olivia Gardner)

Acordei com o despertador gritando, estava muito cansada. A noite de ontem foi como qualquer outra, fingi que estava tudo bem entre mim e meus pais e depois que jantei me tranquei no quarto.

Me levantei e fiz tudo que tinha que fazer antes de ir para a escola, quando já estava saindo meu pai me chama.

— Olivia! Já tá saindo? — Pergunta.

— Sim, não quero chegar atrasada.

— Claro. — Dá um sorriso. — Vou te buscar na escola hoje, pode ser?

— Tudo bem, vai sair mais cedo do trabalho?

— Vou, deixei tudo com o meu assistente, tenho que ir para um outro lugar à tarde. — Estranhei.

— Tudo bem, então. — Falo e saio.

A manhã se passou lenta, estava na última aula e não via a hora de sair da escola, estava tudo muito chato, era aula de Geografia, Emily tinha faltado e Elliot estava esquisito, parecia estar bravo com alguma coisa. Assim que bate o sinal vou até ele.

— Elliot, tá tudo bem? — Ele estava arrumando seu material.

— Tudo certo. — Coloca a mochila e me olha.

— Não parece. — Desconfio.

— E você se importa? — Me dá um olhar julgador.

— Não, não me importo. — Falo friamente, percebo que ele tinha se arrependido do que tinha falado, mas eu não sou obrigada a lidar com seu mau humor.

— Olha, me des.. — Começa a se desculpar.

— Não, não precisa. — Dou um meio sorriso forçado e saio.

Meu pai já está na rua da escola quando atravesso os portões, acena para mim e vou em direção ao carro. Entro e coloco o cinto de segurança.

— Como foi a escola?

— Normal, o de sempre. — Falo um pouco chateada e ele concorda.

— Se importa de passar a tarde comigo? — Olho para ele confusa. — É que o lugar que eu tenho que ir adiantou o horário que eu tenho que estar lá, e se não sairmos daqui o mais rápido possível não consigo chegar a tempo. — Espera minha resposta.

— Por mim tudo bem, onde tem que ir?

— É em uma clínica no outro lado da cidade. — Dá partida no carro e sai da vaga.

— Clínica, como assim?

— Há dois dias atrás um menino que sofre de depressão tentou sair do país sozinho, aí o pai dele para não ter que lidar com a lei decidiu colocá-lo em uma clínica psicológica aqui da cidade. — Explicou.

— Entendi, mas por que você tem que ir até lá? — Não entendia o motivo.

— Tenho que ver se está tudo certo, se ele realmente está lá.

— Por que não mandam outra pessoa?

— Porque fui eu que aceitei esse acordo, ele vai para a clínica, mas se não mostrar resultados vamos entrar com outras medidas.

— Nossa, mas ele tem uma doença, não é algo que se cura da noite para o dia. — Me sensibilizo.

— Eu sei, Liv. Mas só haverá resultados se ele tiver mesmo a doença. — Demoro um pouco, mas percebo onde ele quer chegar.

— Você acha que ele mentiu? Como o garoto iria querer mentir sobre isso e acabar sendo internado? — Não fazia o menor sentido.

— Eu não falei que o menino pode estar mentindo? — Me olha esperando que eu adivinhasse. Mas não queria pensar na outra alternativa, ela é cruel demais.

— O pai? — Pergunto com receio e ele concorda com a cabeça. — Por que ele faria uma coisa dessa?

— Ele é uma pessoa pública, deu para perceber que estava mais preocupado com sua imagem do que com a saúde do filho. — Que horror. — E quando eu sugeri que se ele não apresentasse resultados dentro de seis meses irámos ter que fazer alguma coisa a respeito, ele não demonstrou nenhuma reação a não ser aceitar. — Olho para ele surpresa.

— Entendi, quantos anos o menino tem?

— Acho que a sua idade. — Diz prestando atenção na estrada.

Depois de uns trinta minutos chegamos na clínica, até que era bem grande e parecia um hospital. Saímos do carro e fomos até a entrada. Um segurança estava no portão e só depois de ver nossos documentos e saber o motivo de estarmos ali, nos deixou entrar.

Uma enfermeira nos guiou até uma sala onde todas as luzes estavam apagadas e só havia alguns computadores, em uma das paredes tínhamos a visão de um quarto, mas ninguém estava lá.

— Onde ele está? — Meu pai perguntou.

— Está com o psicólogo, já deve estar chegando. Vou ligar para ver se já estão terminando. — Pega o telefone que estava em cima da mesa e disca um número.

— Dr. Collin? — A outra pessoa fala na linha. — Ah, ele já saiu? Faz muito tempo? — A enfermeira arregala os olhos. — Como assim sozinho? — Olho para o quarto e vejo a porta se abrir rapidamente e um menino alto entra pela porta, ele parece cansado e quando chega até a cama olha diretamente para nós. Será que ele consegue nos ver? — Tudo bem eu vou ver...

— Moça, é ele? — Chamo sua atenção e a de meu pai, que estava olhando alguma coisa no celular. Os dois olham para o quarto e encontram ele de pé nos encarando.

— Sim, é ele. — Meu pai responde. — Ele consegue nos ver? — Aponta para o menino que continua de pé, e olha para a enfermeira.

— Não, é um espelho, ele só vê seu reflexo. — Analisa o garoto. — Os pacientes não sabem que são monitorados. — Acrescenta.

— Bom, parece que ele sabe. — Dou uma risada baixa e meu pai me cutuca. — Que foi? — Sussurro e ele me repreende com o olhar. — Desculpa.

— Não tem como, ele não tem contato direto com ninguém que entra aqui. — A moça se vira para nós e muda de assunto. — O que tem interesse em saber sobre o tratamento dele? – Pergunta ao meu pai.

— Ele demonstrou algum tipo de comportamento anormal?

— Por incrível que pareça, ele é como qualquer outro adolescente. — Meu pai olha para mim. — Mas ele recebeu a visita de um amigo e os dois brigaram. — Conta.

— Qual foi o motivo da briga? — Meu pai quer saber. Olho para o quarto e ele está sentado na cama com os cotovelos na perna e olhando para o "espelho"

— Não sabemos, não é permitido escutarmos o áudio da sala. Mas o paciente se alterou muito.

— Entendi. Você falou sobre uma consulta que ele acabou de ter com um psicólogo. — A enfermeira assente. — Já tem o relatório?

— Vou ver se Dr. Collin colocou no sistema. — Senta em frente aos computadores e fica alguns minutos concentrada nos monitores.

— Você realmente acha que ele não tem nada? — Falo baixo e meu pai se vira para mim, aponto para a sala encontramos o menino andando de um lado para o outro, falando sozinho e passando a mão pelos cabelos.

— Não sei de mais nada. — Meu pai suspira e volta a atenção para a enfermeira.

— Ainda não temos nada, mas assim que tivermos mandamos para ao senhor. — Ela dá um sorriso e caminhamos até a porta.

— Tudo bem, vou ficar no aguardo. — Meu pai fala e saímos da sala.

Caminhamos pelos corredores e chegamos até a saída, nos despedimos do segurança, entramos no carro e meu pai dá partida.

— Como é o nome dele? — Falo do nada e meu pai me olha confuso. — Do menino?

— Ah. — Dá um sorriso. — Shawn Mendes.

Notas finais
Peço desculpas novamente pela demora, gente. Espero que tenham gostado, e um Feliz Ano Novo!! Nos vemos em breve. Liv, Xx