Our Lives

1 In My Blood


Notas iniciais
Olá! Bom, os primeiros capítulos são para apresentar os personagens e saber o que se passa na cabeça deles. Espero que gostem. Liv, Xx

(P.O.V Shawn Mendes)

— Você tem mesmo que ir? — Pergunto tentando me enganar de que ainda havia esperança em fazê-la ficar.

— Shawn, você sabe que eu tenho que ir, mesmo que eu quisesse não poderia ficar – Ela fala com a mesma calma de sempre – Se alguma coisa acontecer basta você me ligar — Continua com um sorriso reconfortante e dá uma leve risada que se transforma em uma careta de choro quando ouvimos o seu voo ser chamado pela última vez.

Estamos no aeroporto de Toronto para que Emma vá para Washington, lugar em que seu pai conseguiu um ótimo emprego, e fique longe de mim. Somos amigos desde sempre e nunca lembro de termos brigado, fazíamos muito bem um ao outro e com o tempo passei a depender dela, da sua companhia e da sua voz serena.

— Acho que agora você tem que ir mesmo – Digo com um gosto amargo na boca e tento um sorriso, foi em vão, então eu a abraço e continuo — Vou sentir muito sua falta Em, você sempre esteve ao meu lado e sempre me apoiou, quero que você saiba que eu te amo muito – Me afasto um pouco olhando nos seus olhos — Você foi a minha luz no fim do túnel — Os olhos dela começam a lacrimejar e a abraço mais forte – Eu só não quero te perder.

— E você não vai – Diz rapidamente – Shawn, para tudo que precisar eu vou estar aqui – Coloca a mão em meu peito – Eu também te amo muito, mas infelizmente eu tenho que ir – Me dá um beijo no rosto e me abraça bem apertado, pega suas bagagens de mão e começa a se afastar com um fraco sorriso no rosto – Tchau – Acena e começa a caminhar em direção ao portão de embarque, mas para abruptamente, se vira e fala alto para eu ouvir:

— Seja forte, você sabe que consegue! — antes que me desse chances para responder, vi seus cabelos ruivos sumindo do meu alcance, me deixando paralisado.

Forte? Como vou ser forte se não tenho a pessoa que me ajuda a ser? É ela que me motiva todo dia a levantar da cama e comer alguma coisa, a ir para a escola, a ser alguém. Vou ter que encarar meus pais e vê-los desviarem o olhar dos meus porque não conseguem encarar quem eu realmente sou, como sou. Vou ter que ir até o Dr. Collin sozinho, sem ela do meu lado para me ajudar a falar tudo que realmente penso e sinto.

Vou fazer com que ela se orgulhe de mim, o seu último pedido foi para que eu fosse forte e eu vou ser, por ela, por todas as noites que a liguei chorando, com medo, confuso, irritado, perdido.

Me ajude

É como se as paredes estivessem desmoronando

Às vezes, sinto vontade de desistir

Mas eu não posso

Não está no meu sangue

Fui até o ponto de taxi do aeroporto e acenei para um carro, logo estava a caminho de casa. O motorista me olhava às vezes, me perguntava o que ele estava pensando. Comecei a encará-lo e percebi que ele me olhava cada vez mais, não sentia o carro se movendo, não perdia meu tempo olhando para fora da janela, eu apenas o olhava fixamente como se fosse um jogo de quem aguenta mais o olhar do outro. O moço já estava com os olhos arregalados, rosto pálido. Falou rapidamente me tirando do transe:

— O senhor está bem? — Não entendi, ele que estava estranho, eu estava ótimo, me divertindo com a brincadeira.

— Muito bem, porque a pergunta?

— É que o senhor não me ouviu da primeira vez que perguntei e não se moveu quando eu disse que já tínhamos chego em sua casa – Me permiti desviar o olhar para fora e vi que já estávamos em frente aos portões do condomínio em que morava.

— Ah, me desculpa, acho que me distraí — Dei a primeira desculpa que pensei , o motorista concordou com a cabeça — Aqui está o dinheiro, pode ficar com o troco e obrigado pela corrida – Entreguei o dinheiro e me despedi ainda pensando no que tinha acontecido, me apressei não dando chances de ele responder e adentrei os portões do condomínio indo em direção a minha casa.

— Cheguei! — Gritei e não tive resposta. Vi o carro na garagem e sabia que meus pais estavam, mas eles não se importavam o suficiente para pelo menos gritarem de volta.

Fui em direção ao meu quarto, me joguei na cama e pensei. Pensei na situação com o taxista e cheguei à conclusão de que só estava sendo o Shawn Mendes de sempre, o esquisito. Pensei novamente em Emma e deixei que nossas memórias invadissem minha mente.

Conheci Emma aqui onde moro, ela era minha vizinha e por um acaso encontrei com ela quando estava indo para a escola há 10 anos atrás e até agora, com 17 anos, somos melhores amigos. Foi com ela que falei quando gostei de uma menina pela primeira vez, meu primeiro beijo, as minhas músicas favoritas e sobre tudo que tinha direito. Nós sempre fomos bem abertos um com o outro, falávamos sobre tudo, cantávamos as nossas músicas favoritas e contávamos todos os nossos problemas e segredos. Com o passar dos anos comecei a não ter mais tanta vontade de sair para festas e para conhecer pessoas novas. Emma percebeu isso. Comecei a ter muita insegurança sobre quem eu era e se as pessoas gostavam de mim do jeito que eu era.

Nunca tive uma relação boa com os meus pais e acho que isso foi uma das causas para eu ser tão inseguro, já que nunca tive apoio deles. Quando eu era pequeno eles viviam sendo chamados na escola por conta do meu comportamento: tímido e quieto demais, eu não tinha amigos. Eles apenas conversavam entre si e fingiam que estava tudo bem, nunca me perguntaram se eu estava bem e eu não estava. Emma foi a primeira pessoa que eu consegui ter uma relação saudável, ela era totalmente o oposto de mim: extrovertida e amiga de todos. Com o tempo que passávamos juntos fui conseguindo me expressar melhor e fiz vários amigos, mas eu sentia que era tudo muito superficial.

Levantei não querendo mais remoer coisas que ficaram no passado, Emma tinha ido embora e ponto final, não posso mudar isso. Fui até a cozinha ver se o almoço já estava pronto e encontrei Joana de costas para mim preparando alguma coisa.

— Oi Joana – Falei e ela deu um pulo e eu abri um sorriso discreto.

— Sr. Mendes, não me assuste desse jeito pelo amor de Deus! — Falou levando as mãos ao peito – Meu coração não é tão jovem para aguentar sustos desse jeito – Disse descontraída, se virou para o fogão rapidamente e continuou com uma voz impessoal – O almoço já vai estar pronto, pode deixar que mando alguém avisar o senhor — Aí estava o jeito monótono com que todos me tratavam, uma hora ela estava sendo espontânea e no segundo seguinte parece que tomou um banho de água fria.

Não falo nada e vou ao escritório, onde encontro meu pai.

— Pai? – digo apenas.

— O que foi? – fala não tirando a atenção do papel que estava lendo.

— Podemos conversar? — perguntei receoso e temendo sua resposta. Ele levanta a cabeça e pela primeira vez em três dias me olha nos olhos.

— Agora não dá, estou cheio de trabalho, talvez outra hora – talvez. Saí sem dizer mais nada e uma raiva estava prestes a me consumir quando escuto:

— Shawn! — era ele, meu pai, voltei a passos apressados até à porta e vi que ele me encarava por cima de seus óculos– feche a porta, não gosto de trabalhar com ela aberta – falou com uma voz fria e voltou a ler o que estava em cima de sua mesa. Um soco doeria menos, não acredito que ainda continuo tentando ter pelo menos uma conversa normal com ele, uma conversa de pai e filho.

Fecho a porta com mais força que deveria e me arrependo de ter pensado que com ele poderia achar a resposta para as minhas perguntas: por que todos me tratam com tanto desprezo, como se eu não existisse? Por que ele me trata como se eu fosse uma criança, ou pior, como se eu não fosse seu filho?

São tantas as perguntas que me canso só de pensar. A insegurança me atinge em cheio.

Deitado no chão do banheiro, sem sentir nada

Eu estou sobrecarregado e inseguro, me dê algo

Que eu poderia tomar para relaxar minha mente lentamente

Me desespero e corro em direção ao meu quarto, entro e tranco a porta, tiro todas as minhas roupas e vou em direção ao banheiro, ligo o chuveiro e deixo a água no mais gelado possível, prendo a minha respiração e apenas sinto a água caindo pelos meus cabelos e chegando na ponta dos meus pés. Depois de uns 20 minutos em que prendia e soltava todo meu ar quando necessário saio do banheiro mais relaxado.

Vou almoçar quando um empregado vem me chamar e depois volto ao meu quarto, ficando lá o dia inteiro sem fazer nada. Sozinho.

Odeio Domingos.

Para mim todo dia era domingo.

Quando já está anoitecendo pego meu celular e vejo se tem alguma mensagem da Em, para minha surpresa não tem nada, nem um 'Oi', um 'Cheguei viva', nada. Resolvo então mandar alguma coisa.

"Oi Em, espero que tenha chego bem. Já sinto sua falta, acredita?"

"Quando puder me liga, queria falar com você"

"Shawn."

Olho para o celular esperando pela resposta, mas ela não vem e desligo o aparelho.

Mexendo no meu celular de novo, me sentindo ansioso

Com medo de ficar sozinho de novo, eu odeio isso

Estou tentando encontrar um jeito de relaxar, não consigo respirar, oh

Será que tem alguém que poderia me ajudar?

— Seja forte, Shawn. Você não quer desapontá-la – sussurro para mim mesmo e me preparo para dormir mesmo sendo apenas seis e meia da noite, quero acabar logo com esse dia desastroso.

" — Eu tenho que ir – sussurrou o taxista.

— Feche a porta quando sair – disse Emma.

— Seja forte, Shawn—gritou meu pai

— Você está bem? — escutei minha própria voz em prantos"

Acordo assustado, gritando, não consigo mais dormir. Levanto, pego meu celular e vejo que Em me mandou uma mensagem.

" Oii Shawn, desculpa não ter avisado que já tinha chego, tudo está uma loucura"

" Estou bem, e você?"

" Também estou morrendo de saudades, queria que tivesse vindo comigo, aqui tudo é tão lindo."

" Podemos nos falar amanhã? Estou morta e acabei de chegar em casa"

"Te amo, Em"

Sorri para o celular e digitei rapidamente.

"Também estou bem" — menti

"Pode ser amanhã então"

" Te amo, Shawn"

Antes de desligar o celular vejo o horário: 5:30 da manhã. Deito novamente e fico encarando o teto até o sol entrar pela janela. Para minha surpresa eu estava bem, mas até quando? Disso é o que eu tenho medo, e o pior: não há ninguém com que eu possa contar. Não estou mais bem, a sensação boa passou.

É como se as paredes estivessem desmoronando

Às vezes, sinto vontade de desistir

Nenhum remédio é forte o suficiente

Alguém me ajude

Estou rastejando dentro da minha pele

Às vezes, sinto vontade de desistir

Mas eu não posso

Não está no meu sangue

Não está no meu sangue

"Emma, sinto muito. Não vou conseguir ser forte o suficiente para não desmoronar novamente, tudo vai voltar, já está voltando. Aquela tempestade depois de um tempo de calmaria, eu sinto isso. Eu já sei o que devo fazer, é a única solução para fazer com que tudo isso acabe. Te amo.

Shawn XX."

Desligo o celular, tomo meus remédios e deito a cabeça no travesseiro. Sem pesadelos dessa vez.

Notas finais
É isso, espero que tenham gostado, deixem seus comentários assim consigo saber se está bom ou não kkk . Aceito críticas e sugestões, me avisem se tiver qualquer tipo de erro ortográfico. Liv,Xx