Our Last Summer
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
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Pov. Edward.
Acordei com o maldito apitar do despertador, eu estava em um puto de um sonho bom, soquei o despertador com força, pouco me importando se ele iria se quebrar ou não. Quando o maldito bip cessou, virei-me na cama esperando para que ela estivesse ali e que me mandasse não socar o despertador, porque ele não tinha culpa se eu havia acordado de mal humor. Só que infelizmente ela não estava ali, e ela já não estava ali há sete meses. Eu estava vivendo um inferno.
Levantei da cama antes que eu me atrasasse para o trabalho, me arrastei até o banheiro onde tomei um banho gelado, e ao fechar os olhos sentindo a água gelada escorrendo e carregando o shampoo que havia usado, eu desejei sentir, pelo menos, mais uma última vez, as mãos dela pelos meus ombros enquanto seu corpo desnudo encostava-se às minhas costas e sua boca macia depositava um beijo em meu ombro. Balancei a cabeça para afastar as lembranças, de tanto que eu ansiava por isso eu quase podia sentir suas pequenas e delicadas mãos apertando de leve meus ombros.
Deixei o banheiro e segui até o armário, com uma toalha amarrada na cintura. Meu armário era enorme, até porque metade eram coisas dela, e ainda é as coisas dela ainda estavam aqui. Roupas, sapatos, bolsas e maquiagem, eu não deixei que ninguém se livrasse delas, eu queria fazer quando me sentisse pronto, e eu ainda não me sentia, e percebia que pelo visto eu nunca iria me sentir. Peguei um terno Armani preto e o vesti, amarrando a gravata de qualquer jeito, eu nunca fora bom com gravatas, ela sempre revirava os olhos e reclamava enquanto ajeitava, porém mesmo com os revirar de olhos e as reclamações eu sabia que ela gostava de dar os nós nas minhas gravatas.
Peguei minha pasta em cima da cadeira do quarto e meus óculos em cima da penteadeira, ainda cheia com as coisas dela, do jeito que ela havia deixado da ultima vez. Suspirei saindo do quarto e descendo as escadas do nosso apartamento, quer dizer, agora ele era apenas meu, apanhei as chaves em cima da bancada da cozinha e sai de casa, sem comer mesmo, comeria alguma coisa no trabalho. Antes de fechar a porta do apartamento, esperei por ouvir um “Volte aqui, Cullen, você não vai tirar essa bunda desse apartamento até tomar o café da manhã.” Só que não veio e nem iria vir, eu tinha que parar de ficar esperando por coisas que não viriam mais.
Apanhei o elevador até o estacionamento que ficava debaixo do prédio e entrei no meu volvo prata, sentando no banco do motorista e jogando a pasta no banco do passageiro. Liguei o carro e deixei a garagem do meu apartamento no centro do Soho e dirigindo até o banco que eu trabalhava o Banco das Américas, na filial próxima ao Central Park, no Upper East Side.
Graças a Deus o transito estava bom, era como um grande milagre, mas também eu tinha que me lembrar de que essa é a primeira semana do verão, as escolas e universidades estavam fechadas, se tinham poucos alunos andando por Manhattan, os turistas compensavam. Parei o carro no estacionamento do prédio, e desci dele pegando minha pasta, peguei o elevador indo para a minha sala, não demorou muito para que o elevador parasse no meu andar, deixei-o e caminhei até a minha sala.
— Bom dia. – a minha secretaria parou a minha frente com um enorme sorriso nos lábios e arrancou meus óculos, só porque ela é minha irmã, ela acha que pode fazer essas coisas. – Você tem três reuniões hoje e uma enorme papelada para assinar até o final do dia. – disse ajeitando a minha gravata e eu respirei fundo. – E a mamãe espera ver você hoje à noite lá em casa para jantarmos em família. – me entregou um café e eu a encarei. Rosalie era completamente diferente de mim, principalmente por ela ser loira, igual ao nosso pai e eu tenha o cabelo ruivo, igual ao da nossa mãe, ela era uns centímetros mais baixa do que eu. Rosalie era linda, e sua roupa destacava muito bem isso, uma camisa social azul clara com listras brancas, com os dois primeiros botões abertos e com as mangas dobradas até os cotovelos e uma saia de cintura alta, azul marinho e saltos altos vermelhos. – Então, você vai? -
— Outro dia. – falei indo para a minha sala e deixando-a para trás. A minha sala era generosamente grande, com uma enorme parede de vidro que dava para o Central Park, movei de mongo encostado na parede com um quadro no meio e uma mesa em formato de L perto da janela.
— Outro dia? Não! – ela me seguiu e fechou a porta atrás de si. – Você já está falando isso há meses. Edward, por favor, a mamãe e o papai sentem a sua falta e se não que ir por causa deles, o que eu duvido muito, vá por mim. O Emmett está planejando me pedir em casamento hoje à noite no jantar, por favor. –
— Rosalie, eu não estou com cabeça para isso. Por favor, peço eu, eu... – falei tentando encerrar o assunto e me sentando em minha poltrona.
— Você o que? Edward todos nós sentimos a perda da Bella, mas irmão, já se passaram sete meses, você tem que seguir em frente. –
— Não. – eu quase rosnei para ela.
— Edward. – ela se sentou na cadeira do outro lado da mesa e me encarou. – A Bella morreu, eu sei que dói e que é difícil de superar, mas você tem que seguir em frente. Eu sei que você a amava, mas se fechar e viver trancado nessa sala e naquele apartamento não vai trazê-la de volta. –
— Sai Rosalie. – falei entre os dentes me controlando para não gritar com ela.
— Céus. – ela se levantou da mesa irritada. – Ela morreu e levou toda a sua vida, sua alegria. Bella não ia gostar nem um pouco de ver você desse jeito. – resmungou saindo da sala e batendo a porta com força.
Coloquei os cotovelos na mesa e a minha cabeça entre minhas mãos sentindo uma dor rasgar meu peito, eu sentia minhas mãos tremerem enquanto puxavam meus cabelos. Por que Deus? Por que teve que levar a minha mulher? A única que eu amei em toda a minha vida? Isso não era justo, estávamos casados há tão pouco tempo. Tirei as mãos do meu cabelo e, com elas ainda tremendo, levei-as até o porta-retrato que ficava perto do computador e o pegando.
Era a foto do dia do nosso casamento, que minha irmã havia batido quando estávamos bem distraídos. Eu lembrava muito bem daquele dia, daquela hora. Uma musica agitada tocava na pista de dança e todos dançavam no ritmo da mesma, menos nós dois, sua cabeça estava apoiada em meu ombro, minhas mãos enlaçavam sua cintura e minha cabeça estava encostada em sua testa. Seus lindos cabelos castanhos estavam presos em um coque com algumas mechas soltas, seus belíssimos olhos castanhos, que eu tanto amava, estavam fechados e ela estava completamente deslumbrante naquele vestido.
Coloquei a foto no lugar e abri a gaveta no armário atrás de mim e puxei um envelope pardo, o abri e despejei seu conteúdo em cima da mesa. Eram milhares e milhares de fotos de Bella, algumas que eu tirei, porém em sua maioria eram fotos de seu trabalho. Isabella era modelo, uma das Angels da Victoria’s Secrets. Eu pegava uma a uma e a dor no coração apenas se alastrava mais ainda, poderia ser masoquismo, mas eu simplesmente não podia largar, e muito menos segui em frente.
Enquanto eu encarava as fotos eu sentia varias lágrimas escorrendo pelo meu rosto, livremente, ela se fora tão cedo, com uma vida inteira pela frente, com a nossa vida inteira pela frente, tantos planos que havíamos feitos, para nada no final. Soltei a foto e levei as mãos ao rosto, quando meu telefone tocou, respirei fundo, eu tinha que trabalhar, eu sequei as lagrimas e respirei fundo antes de pegar o telefone.
— Fala. –
— O Sr. York está aqui e deseja falar com o senhor, posso manda-lo entrar? – Rosalie falou em tom altamente profissional. Ela estava com raiva, porém ela não entendia que eu havia perdido o grande e único amor da minha vida, ela não havia passado por isso e eu esperava que ela nunca passasse.
— Manda. – coloquei o telefone no gancho e devolvi as fotos ao envelope, peguei a ultima que faltava e beijei-a. – Eu te amo, meu amor. – e voltei a guarda-la, fechando o envelope e colocando dentro da gaveta. Ouvi uma batida na porta. – Entre. – e Eric York entrou.
Eric queria abrir outra conta e contar um valor absurdo na mesma, quando perguntei o motivo ela disse que era para uma pessoa, eu duvidava muito que seria para a esposa dele, já que ela já possui uma aqui. Eric me amolou por horas, especificando a cada frase que falava que essa conta deveria ser totalmente sigilosa que ninguém, além dele, da outra pessoa da conta, e de mim, é claro, mais ninguém deveria saber sobre essa conta, mas um bom motivo para eu ter certeza que não era para a esposa dele.
Finalmente Eric se foi e eu pude voltar a minha papelada, fiquei uma boa parte do dia assinado transações, realizei alguns estornos, concedi empréstimos e outras coisas, eu trabalhava muito para ocupar minha mente, porque se eu não fizesse isso eu provavelmente voltaria aquele mês seguinte à morte da minha esposa. Rondando minha casa no escuro, com a mesma roupa, barba por fazer e me entupindo de álcool e eu tenho certeza de que caso Bella me visse daquele jeito iria me encher de tapas.
Por perto da hora do almoço eu atendi mais um grande cliente do banco que veio acompanhado da filha de seis anos. Uma filha, eu suspirei. Era nosso sonho, meu e de Bella, de termos quatro filhos, dois meninos e duas meninas, mas isso nunca vai acontecer. Depois de atender ao cliente sua filha levantou a mão, como se estivesse na sala de aula e quisesse fazer uma pergunta ao professor.
— Sim? – perguntei calmo.
— Quem é a moça bonita? – perguntou encarando a foto perto do meu computador, eu já havia notado que ela estava a encarando desde que se sentou naquela cadeira.
— Minha esposa. – respondi sorrindo.
— Ela é bonita. Cadê ela? – um bolo se formou em minha garganta e eu precisei engolir duas vezes em seco e uma terceira com um gole d’água para poder falar.
— Ela faleceu há sete meses. – respondi e senti meus olhos arderem.
— Desculpa ter perguntado. – se desculpou encarando a barra de seu vestido amarelo.
— Não foi nada. – apertei de leve sua bochecha e ela sorriu. – Qual seu nome? –
— Amber. –
— É um belo nome, Amber. –
— E qual era o dela? –
— Isabella, mas ela preferia que a chamasse de Bella. –
— Ela era bem bonita. – disse voltando a encarar a foto.
— Era mesmo, a mulher mais bonita que eu já vi. – ela riu e eu sorri com ela. Como eu já havia terminado com o pai dela, Amber e seu pai foram embora, depois dela encarar mais uma vez a foto e de acenar com sua mãozinha pequena para mim.
Na hora do almoço eu me peguei encarando a mesma foto, não tinha nenhuma cliente, só a partir das duas horas da tarde e toda a papelada já estava assinada, quando Rosalie invadiu minha sala sem avisar, tirei os olhos da minha foto de casamento e girei na cadeira vendo-a parada aos pés da minha mesa.
— Fala. –
— Não vai almoçar? – perguntou e eu me lembrei de que eu não havia comido nada o dia inteiro, apenas bebi café, muito café.
— Agora não, estou sem fome. Talvez mais tarde. Pode ir se quiser. – respondi e voltei a girar a cadeira de frente para a janela. Rosalie saiu do quarto sem dizer uma única palavra, fechei os olhos, encostando a cabeça no encosto da cadeira quando a porta voltou a abrir. – O que foi agora? – perguntei sem abrir os olhos ou me virar.
— Essa caixa acabou de chegar para você. – abri os olhos e me virei, vendo-a com um embrulho mediado em mãos. Ela deixou a caixa em mãos e saiu, arrastei a cadeira para perto da mesa e abri o embrulho com cuidado pegando uma caixa, a abri, ela era grande demais para apenas um cd, sem nome, sem capa, sem nada, apenas o disco dentro da capa e um envelope de carta na cor branca. Peguei-o e vi meu nome escrito ali. Rompi o lacre e retirei a carta de dentro, passando os olhos rapidamente por ela e senti mais uma vez uma dor no peito, dessa vez de raiva e não de dor.
— ROSALIE. – gritei me levantando da cadeira e derrubando a mesma, ela entrou na sala correndo, como se procurasse o foco do incêndio. – Você passou dos limites. –
— Está falando do que? –
— Não tem graça. – sibilei entregando a carta a ela. Ela pegou a carta confusa e eu arregalando os olhos quando terminou de ler.
— Não fui eu. – ela me olhou com os olhos arregalados e marejados. – Eu juro que não fui eu. O carteiro me entregou agora a pouco. –
— Então descubra quem fez essa brincadeira sem graça, agora. – gritei e ela saiu correndo. Eu odiava gritar com a minha irmã, mas haviam passados dos limites, brincaram com meus sentimentos e eu não deixaria isso barato. Levantei a cadeira bruscamente e me joguei nela, colocando a cabeça entre as mãos e apoiando meus braços nos meus joelhos. Por que Deus? Por que estão fazendo isso comigo? O senhor pelo visto gosta de ver sofrer.
— Ed... Edward. – levantei a cabeça e vi Rosalie parada na porta, acuada, como se estivesse com medo de se aproximar. – Eu... Eu liguei para os correios, para saber quem havia enviado a caixa e... E... –
— E o que? – perguntei mal-humorado.
— Eles falaram que a caixa fora deixada lá há quase um ano, com pedido de ser entregue hoje. –
— E quem a deixou lá? –
— Foi a Bella. –
O que? A Bella? Minha Bella? Minha Bella havia deixado isso aqui na agencia de correios? Por quê? Isso não fazia o menor sentido, tinha que ser um erro da agencia, eles devem ter entregado para a pessoa errada, se confundido. Os carteiros também costumam cometer erros, não?
— Não... –
— É a letra dela, a assinatura dela e o funcionário dos correios disse que foi ela. Talvez devesse ler a carta. – ela colocou a carta sobre a mesa e saiu da sala.
Devia mesmo? Eu encarava aquele papel branco aberto na ponta da mesa como se fosse um animal com sete cabeças, Bella tinha essa mania de mandar cartas, quando ela tinha que viajar e ficava muito longe de casa ela me mandava cartas ou e-mails gigantes, contando como havia sido o dia. Levei meus dedos trêmulos até o papel branco e o puxei, passei os olhos pelas letras, e realmente eram as letras e a assinatura dela, segurei a carta e levei até o nariz e tinha ainda o cheio do perfume favorito dela, bem fraco, mais tinha, mas uma mania que ela tinha perfumar as cartas e bilhetes que mandavam. Resolvi ler a carta e saber o motivo dela existir.
“Oi amor, como está? Eu sei que isso deve parecer um pouco mórbido, mas eu sinto que tinha que fazer isso. Conhecendo-te tão bem como eu conheço eu sei que depois da minha partida você se fechou para o mundo, não acertei? Eu quero morrer se você falar que eu estou errada, foi engraçado, não foi?”
— Não, não foi. – respondi para a carta com a cara fechada.
“Está certo, não foi, porém eu sei que você se fechou para o mundo e só quer saber de trabalhar e de ficar trancado dentro de casa, com certeza nem a sua família você está vendo. E é por isso que eu escrevi esta carta, e, aliás, eu tenho que escrever rápido, eu não tenho muito tempo. Não literalmente, mas você saiu para comprar nosso jantar e logo está voltando. Eu ainda não podia me despedir e é o que eu pretendo fazer, porém antes de me despedir eu quero jogar um joguinho simples com você, e você não pode ser o chato cabeça dura de sempre e tem que fazer tudo que eu mandar.
Para começar, para ser do jeito que eu planejei, essa caixa tem que chegar na hora do almoço, e ela chegou não é? E mais uma vez você não foi almoçar, como costuma fazer com frequência, para adiantar trabalho, porém hoje não será assim. Pouco me importa se você tem uma reunião agora, você vai cancela-la e vai levantar essa bunda linda da cadeira e vai ‘me levar’ e quando eu digo ‘me levar’ eu obviamente estou falando da carta e do cd que tem dentro da caixa, porém não é para ouvi-lo agora, é bom que não tenha ouvido ainda. Então como estava dizendo você vai ‘me levar’ até o restaurante onde você me pediu em casamento, lembra-se dele? Quando chegar lá você vai saber o que é para fazer. Ah, cancela todas as suas reuniões porque você não vai voltar tão cedo.
Eu te amo – Bella.”
Tentado em saber até onde isso iria e para ter mais um pouco de Bella depois de tanto tempo, me levantei da poltrona dobrei a carta e coloquei no bolso do paletó e o cd dentro da minha pasta, peguei-a junto com as chaves do meu carro e deixei a sala, quando minha irmã me viu saindo da sala com pressa indo na direção do elevador ela me gritou.
— Vai aonde? –
— Sair, cancela todas as minhas reuniões que eu não vou voltar hoje. – gritei antes das portas.
O elevador seguiu até o estacionamento e eu praticamente corri para dentro do meu carro e dirigindo para o restaurante que eu lhe pedi em casamento, eu lembrava muito bem dele. Era o The Boat House, no Central Park. Era um restaurante com uma varanda flutuante no grande lago do Central Park, o caminho do banco até o restaurante era curto, eu podia ir a pé muito bem, mas como Bella “disse” eu não voltaria ao banco, portanto resolvi ir de carro. Parei-o em um dos estacionamentos e corri para dentro do parque.
Ele obviamente estava lotado, era verão, muita gente vinha correr, fazer piquenique, encontros aqui no parque, além dos milhares de turistas, eu sabia muito bem como era fazer um encontro aqui, tinha feito vários com a Bella, e muitos eram de improviso, abandonava o trabalho sem falar com ninguém e a tirava de onde ela estava e vínhamos para cá e eu comprava alguns cachorros quentes em uma barraquinha, quando não tínhamos ou não queríamos algo mais “requintado” por assim dizer. Cheguei ao restaurante e antes que pudesse entrar fui barrado pela hostess.
— Desculpe senhor, o restaurante está cheio. Tem reserva? –
— Não, quer dizer, não sei... – se Bella havia premeditado isso ela teria previsto que estaria cheio, ou não? O que eu poderia dizer a hostess? Que minha esposa falecida havia mandado uma carta me mandando vir até aqui?
— Qual seu nome senhor? –
— Edward Cullen. – respondi e ela olhou em seu caderno.
— Oh está aqui. – olhei confuso.
— Está? –
— Está e parece que essa reserva fora feita há quase um ano. – apontou olhando sem entender para o caderno. – Bom, por aqui. – ela me guiou até a única mesa vazia do restaurante, que ficava na varanda, com vista para o lago, eu tinha 100% de certeza de que essa era a mesa aonde eu pedi minha esposa em casamento.
Eu sentei-me a mesa e fiquei esperando pelo garçom e para que a próxima instrução chegasse talvez ela fosse cair do céu, eu estava com o cotovelo apoiado na grade olhando para o lago quando vi algo sendo colocado na minha mesa. Era um prato, um filé com batatas e agrião e uma taça de vinho, mas eu nem havia pedido ainda.
— Desculpe, mas eu não fiz o pedido ainda. –
— Eu sei. – virei-me para ver o garçom e vi que era o Tomas, o mesmo que havia me atendido no dia que fiquei noivo. – Isabella fez quando veio fazer a reserva e disse que era para eu lhe entregar isso. – ele tirou uma carta do bolso do avental e me entregou. – Com licença. – ele saiu e eu rompi rapidamente o lacre da carta e li.
“Oi meu amor, pelo visto veio almoçar mesmo. Eu tomei a liberdade de pedir o seu prato favorito, e nem tente negar porque eu sei que é esse. Eu via seus olhos brilhando quando comia um pedaço desse filé delicioso, gente eu morreria por esse filé agora, tudo bem, prometo que é a ultima vez que brinco desse jeito. Você precisa saber que é um péssimo mentiroso, porque sempre que eu tentava recriar esse prato em casa, e ele não ficava nem perto dessa perfeição, você falava que ele estava ótimo, porém eu sempre soube que era mentira. Agora aproveite esse filé e a vista, quando estiver pronto, me encontre onde nós tivemos a nossa segunda noite juntos, se é que me entende. Procure pelas nossas inicias. E não tenha pressa, eu não vou a lugar nenhum.
P.S. Seja um bom cavalheiro e pague a conta.
Eu te amo. Bella.”
Dobrei a carta e peguei a que estava no meu bolso e guardei-as com cuidado dentro da pasta, junto ao cd, e tratei de comer, foi apenas quando coloquei o primeiro pedaço na boca que me dei conta que estava morrendo de fome. E Bella mais uma vez tinha razão, eu amava esse filé, ele era delicioso, e os que ela fazia também eram deliciosos, completamente diferentes desse aqui, até porque o dela era mil vezes melhor.
Eu segui suas ordens, quem diria que depois de morta eu ainda a obedeceria, e comi com calma, apreciando a vista e me lembrando de quando a pedi em casamento, havia sido hilariante e quase mortal, eu pedi para o chef colocar a aliança dentro de um dos bombons que ela fazia e como eu iria imaginar que ela inventaria de naquele dia colocar o bombom todo de uma vez na boca? Ela havia ficado roxa e quase foi parar no pronto socorro. Um sorriso bobo surgiu nos meus lábios ao me lembrar da cena ao mesmo tempo em que uma lágrima solitária escorria pelo ombro e eu tratei de seca-la rapidamente.
Ao terminar de comer e pagar a conta e segui para o local onde nós tivemos a nossa segunda vez, e eu nem precisava caminhar muito, porque fora aqui mesmo no Central Park, próximo até do restaurante. Eu era um pervertido como a Bella adorava falar. Obviamente a nossa primeira vez fora romântico, alias eu era um homem romântico, teve direito a velas, pétalas de rosas e chocolate, até porque era a nossa primeira vez, e a primeira vez de ambos, porém a segunda... Nós estávamos passando pelo Central Park, em uma área vazia, até porque já era bem tarde da noite e bom... Quase fomos pegos por um guarda.
Cheguei ao Wagner Cove, alias, não era nenhuma caverna. Era um pequeno gazebo de madeira, com dois bancos, de frente para uma das ramificações do lado, muita gente usava aquele lugar para se casar, era bem bonito, tanto para casamentos quando para ficar com a mulher da sua vida. Aquela área estava vazia, o que era difícil nessa época, mas as pessoas devem estar almoçando.
Eu lembrava muito bem de onde eu havia gravado nossas iniciais, fora no banco, perto do lugar, onde, por acidente, eu havia descoberto que levantando o estofamento do banco, amostrava um pequeno compartimento. E bom, eu havia descoberto aquilo quando eu chutei o banco por acidente, enquanto fazia Bella minha, pela segunda vez. Olhei em volta para saber se não havia ninguém por perto e bati com força no estofamento e tateei o pequeno buraco encontrando algo dentro, puxei-o, era um envelope dobrado ao meio, sentei-me no banco e rompi o lacre.
“Estou surpresa que tenha se lembrado do buraco, meus parabéns. Lembrou-se também do que fizéssemos aqui, seu pervertido? Até hoje eu pergunto como pode me convencer de fazermos aquilo, quase que aquele guarda nos pegou, e eu quase lhe matei. Graças a Deus eu não lhe matei, senão ia perder a oportunidade de ver essa bunda redondinha que eu gosto todas as manhãs. E nem pense em revirar os olhos, você sabe como eu sempre fora tarada pela sua bunda. Agora vamos ao que importa. Edward você me conhece a minha vida inteira, literalmente. Lembra-se da nossa infância em Forks? Você era um babaca insuportável, porém era o meu babaca insuportável.“
Respirei fundo passando as mãos pelos olhos antes de continuar a ler, obviamente, meu amor, eu me lembrava da nossa infância, eu amava implicar com você só para te ver com raiva, céus, você ficava mais linda quando estava com raiva.
“Eu lutei tanto para reprimir o que sentia por você, até porque nós havíamos crescido juntos e todos, principalmente nossos pais nos viam como irmãos. Até sai com outras pessoas e eu sempre soube que você ficava com raiva e ciúmes, mas todos, e principalmente eu, achávamos que era ciúmes de irmão e seguiu assim até que você finalmente disse que me amava e eu notei que o que eu sentia por você não era errado, porque você não me via como uma irmã e sim como uma mulher, e se eu soubesse que era só falar que estava pensando em ter a minha primeira vez com o Mike para você dizer aquelas três palavras que eu tanto desejei ouvir toda a minha vida, eu teria dito antes, mesmo que você ficasse com raiva depois. Você não imagina quantas noites eu passei em claro, chorando, porque doía imaginar que eu não passava de uma irmã para você, lembra-se da cara que nossos pais fizeram ao saber que estávamos juntos?“
Um riso escapou dos meus lábios enquanto algumas lágrimas escorriam dos meus olhos, eu lembrava muito bem, os quatro ficaram por um longo tempo com os olhos esbugalhados, quase saltando do rosto, e com a boca aberta, voltei a ler a carta, algumas palavras eu tinha que fazer um pouco de esforço para ler, porque algumas delas estavam borradas, eu estava chorando, mas nenhuma das minhas lagrimas haviam caído no papel, então aquelas lagrimas eram de Bella.
“Quando eu disse que iria vir para New York para cursar direito você não pensou duas vezes antes de largar sua bolsa em Harvard para cursar economia na faculdade de New York comigo, apenas para poder ficar comigo. No inicio havia sido difícil, éramos muito cabeças duras e não aceitávamos ajuda dos nossos pais para mantermos nosso pequeno apartamento no Queens, trabalhávamos de manhã e estudávamos a noite e mesmo assim arrumávamos um tempo para ficarmos sozinhos, até que naquele dia no shopping, aquela mulher estranha nos barrou e disse que eu tinha que tentar ser modelo, e acabou que eu fui, lembra? Fui com a intenção apenas de me divertir, porque eu sabia que não ia conseguir nada, e acabou que eu havia conseguido e eu fiquei tipo Como assim? É serio? É uma pegadinha não é? Cadê as câmeras? Depois disso e de você insistir que eu tinha que me dedicar a minha nova carreira de modelo, eu larguei a faculdade e me foquei em apenas em desfilar e foi quando as coisas começaram a melhorar e nos mudamos para o grande apartamento no Soho.“
Dei um tempo na leitura para poder respirar um pouco, era um turbilhão de emoções que estavam em meu coração e um turbilhão de pensamentos em minha cabeça, eu quase não enxergava mais nada devido as lágrimas que escorriam livremente de meus olhos, eu chegava a soluçar, eu não chorava tanto assim desde a sua morte. Foram necessários mais de dez minutos para que eu pudesse me acalmar e voltar a ler.
“E é para lá que você precisa ir agora. Querido já passou da hora de empacotar as minhas coisas, pegue aquele armário todo para você logo e tire a minha penteadeira de lá e instale uma televisão gigante para que você possa assistir aos jogos da NBA e do Pro Bowl, eu permito, mas o que eu não permito e que continue mantendo minhas coisas ai. Livre-se delas de uma vez, peça ajuda a Rosalie, ou então a sua mãe ou a minha se precisar, mas você precisa fazer isso hoje. Hoje não, agora. Quando chegar ao quarto, procure na terceira gaveta da penteadeira uma carta.
Eu te amo. Bella.”
Eu precisei de mais um tempo para tomar coragem de me levantar do banco e seguir para meu apartamento. Eu fiz todo o caminho em silencio, talvez eu devesse ligar para minha mãe, Rosalie, ou talvez para a minha sogra e pedir ajuda para empacotar as coisas dela, mas eu não queria ajuda e nem empacotar. Cheguei a casa e corri imediatamente para a terceira gaveta da sua penteadeira, eu havia a aberto tantas vezes, porém nunca prestara atenção naquele envelope.
“Bom querido, eu vejo que você tomou coragem e abriu a minha penteadeira, nunca entendi o motivo de você ter tanto medo dela, é apenas uma penteadeira com coisas de mulher, maquiagem e algumas calcinhas, só não pergunte o que elas estão fazendo ai, é apenas isso que tem ai e não um plano para dominar o mundo ou para eliminar os homens, até porque se eu fizesse isso eu ficaria sem você e isso seria imperdoável. Você já começou a empacotar as minhas coisas? Não? Então comece. Talvez você encontre algumas camisas velhas suas no meio das minhas, sabe aquelas que você sempre me perguntava onde estavam e eu falava que não sabia? Bom, elas estavam comigo, e eu as usava quando você ia viajar, ou quando eu viajava, era um jeito de ter o seu cheiro sempre perto de mim quando eu fosse dormir. Ah é provável também que você encontre o seu jogo do Call of Duty, não fique chateado, mas você só dava atenção a ele então eu tive que me livrar da ameaça, peça ao Emmett desculpas por eu ter colocado a culpa nele e devido a isso vocês ficaram quase três meses sem se falar. Quando acabar, eu quero que tome um banho e fique lindo do jeito que eu gosto e que vá jantar com sua família, há quanto tempo você não vê Esme e Carlisle? Pois bem vai hoje, talvez você queira ter uma conversinha em particular com seu pai, e por que você não leva o cd que lhe dei mais cedo. Espero que não tenha o ouvido ainda.
P.S. Agora vá empacotar tudo.
Eu te amo. Bella.“
Tomei coragem e me arrastei para o armário, abrindo a parte dela e vendo suas roupas e pensar que eu teria que tirar tudo dali era pior que levar um soco no estomago, porém fiz o que ela pediu. Cuidadosamente tirei suas roupas dos cabides e dobrava, colocando-as dentro de caixas de papelão, e como ela disse eu encontrei minhas camisas e meu jogo do Call of Duty, se eu soubesse do que iria acontecer eu nunca teria dado tanta importância a esse jogo estupido.
Ao terminar com o armário eu segui para a penteadeira, eu podia até me livrar dela, mas eu deixaria o espelho. O espelho o qual eu deixava mensagens todos os dias que eu tinha que sair cedo, antes dele acordar, e ela fazia o mesmo, o espelho que assistiu todas as nossas noites românticas, o espelho que me permitia ver minha esposa tomando banho, o espelho que ainda tinha fotos nossas pressas na moldura. A cada coisa colocada dentro da caixa era mais uma lagrima que escorria de meus olhos, mas eu empacotei tudo, doeu, doeu muito, mas eu fiz.
Depois de tudo empacotado eu fui tomar um banho e ficar lindo, como ela havia pedido. Vesti uma calça preta e uma camisa de botões preta, com o primeiro botão aberto e com as mangas dobradas até o cotovelo. Peguei o cd dentro da minha pasta e voltei ao estacionamento, até o meu carro, indo para a casa da minha mãe, em Manhattan Valley.
Depois que eu e Bella nos mudamos minha irmã, ao completar dezoito, resolveu que também queria vir para a grande maçã, então meus pais também vieram, a diferença é que eles só permitiram que Rosalie saísse de casa depois de ter um diploma na parede e os pais de Bella vieram um pouco depois dos meus. Cheguei ao apartamento da minha mãe e bati na porta respirando fundo.
— Edward! Que surpresa, filho. Rosalie disse que não ia vir. – disse surpresa por me ver.
— Oi mãe. – falei simplesmente entrando no apartamento.
— Como está? Você está muito magrinho, não tem se alimentado direito não é? –
— Eu estou bem mãe. Cadê todo mundo? – alias hoje não teríamos um pedido de casamento?
— Rosalie está se arrumando ainda. Emmett ainda não chegou e nem seus pais, sabe o motivo desse jantar, Edward? –
— Não faço a mínima ideia. E o papai? –
— No escritório. –
— Vou falar com ele. – ela assentiu e caminhei até o seu escritório, batendo na porta, e ao ouvir um entre, eu entrei.
— Estou surpreso, você realmente veio. Bella estava certa. – falou quando eu fechei a porta.
— Do que está falando? –
— Nem vem Edward, você só veio porque estava escrito na carta da Bella que era para vir, porque eu provavelmente teria algo para você. –
— O senhor sabia? –
— Ela me contou, quando explicou o motivo de eu ter que guardar aquela carta por tanto tempo. Eu achei e ainda acho um absurdo isso que ela fez. Você já está sofrendo demais para essas cartas virem agora. – resmungou se levantando da cadeira.
— Pai. –
— E quando as cartas acabarem? O que vai acontecer? Vai voltar para aquele estado? Bêbado? Ela não estava aqui para ver o que a morte dela lhe causou e eu não quero que essas cartas lhe causem aquilo de novo. – ele reclamava andando de um lado para o outro. – Você não sabe a vontade que eu tive de queimar essa carta. Essa e todas, até porque ela havia me dito onde todas elas estavam... Você tem que seguir em frente. –
— Isabella era o amor da minha vida. – gritei.
— Eu sei. E ela morreu, ela era muito nova, vocês dois tinham toda a vida pela frente, mas ela morreu. Acorde, faça a barba e siga em frente. –
— Acha que é fácil? –
— Eu sei que não é. –
— Não, não sabe. Porque a mamãe está viva, viva e bem. Há quanto tempo estão juntos? Há quase quarenta anos, eu não fiquei nem dois anos casado com a minha esposa. Então não me venha dizer que sabe o que eu estou sentindo porque o senhor não sabe. – gritei a ultima sentença e enfiei as mãos no cabelo, bagunçando-o.
— Tem razão, eu não sei, e gostaria que você também não soubesse e esse foi o motivo por eu não ter queimado as cartas. Ela está em cima da mesa. – disse baixo e saiu do escritório e eu corri até a sua mesa, pegando a carta e rompendo o lacre.
“Oi amor, espero que não tenha sido muito duro com seu pai, ele sempre disse que era um erro eu fazer isso, mas eu sentia que você iria precisar disso. Acho que agora é uma boa hora de colocar o cd que lhe dei para tocar, vai lá, eu espero, também para onde mais eu iria?“
Levantei-me da cadeira com o cd na mão e o coloquei no radio do meu pai, apertando o play, foi preciso me agarrar a estante onde estava o radio para não desabar no chão ao ouvir os primeiros acordes da musica. — The summer air was soft and warm / The feeling right, the Paris night / Did it's best to please us. (O ar do verão era suave e quente / A emoção exata, a noite de Paris / Davam seu melhor para nos agradar.)— Era a nossa musica, Bella era apaixonada pela banda Abba, e por essa musica, voltei a cadeira, desabando sobre ela e pegando a carta. — And strolling down the Elysee / We had a drink in each café / And you. (E passeando pelo Elyseé / Tomamos um drink em cada café / E você).—
“Lembrou-se da musica? É a nossa musica. Amor, você sabe que dia é hoje? Eu respondo. Hoje é dia 21 de junho, sabe o que isso significa?”
— You talked of politics, philosophy and I / Smiled like Mona Lisa / We had our chance / It was a fine and true romance. (Você falava de política, filosofia e eu/ Sorria como Mona Lisa / Tivemos nossa chance / Foi um romance puro e verdadeiro.)— Significa o primeiro dia das nossas ultimas férias, quando fomos a Paris pela primeira vez como um casal, e não separados, ela para desfilar e eu trabalhar.
“Significa as nossas ultimas férias, as nossas maravilhosas férias, em Paris, antes de tudo. Antes do tumor. Nossas férias estavam sendo maravilhosas até que eu passei mal, voltamos apressados quando o medico francês disse que havia encontrado uma anomalia em meu cérebro e o oncologista disse que eu estava com um tumor no cérebro, inoperável no estagio 4.“
— I can still recall our last summer / I still see it all / Walks along the Seine, laughing in the rain / Our last summer / Memories that remain. (Eu ainda consigo recordar do nosso último verão / Ainda vejo tudo isso / Caminhadas ao longo do Sena, risos na chuva / Nosso último verão / Lembranças que perduram.)—
“Eu fiquei devastada, não sabia como agir e você meio que surtou. Primeiro passou pela fase de negação, cismou que os exames estavam errados e quando teve certeza de que não estavam, quis chamar todos os médicos possíveis, mesmo sabendo que seria inútil e eu tive que lhe impedir. Doeu ter que pedir para não fazer nada, mas pelo menos você me entendeu, e entendeu que eu não queria viver o resto dos meus dias em uma cama, sendo entupida por medicamentos em todos os minutos e sentindo dores, eu agradeço a Deus por você ter entendido e desistido de procurar uma cura ou um milagre que não iriam acontecer. Eu queria que você e todos se lembrassem de mim do jeito que eu era, feliz, bem e apaixonada por você, eu não queria que ninguém sentisse pena de mim, ou de você, por me ver naquela cama. Portanto eu fui forte. Fui forte por mim e principalmente por você, até porque você ficou pior com a noticia do que eu.”
— We made our way along the river / And we sat down in the grass / By the Eiffel tower. (Fizemos nosso caminho ao longo do rio / E nos sentamos na grama / Perto da torre Eiffel.) —
“Eu aguentei todas as dores, toda a fadiga, para que você não sofresse por me ver sofrendo, mas quando piorou e eu tive que ir para o hospital por não conseguir respirar direito, por não conseguir comer direito ou por não conseguir mais ficar em pé. Foi a pior parte, ver você e colocar um sorriso no rosto, apenas para que você pensasse que estava tudo bem, enquanto eu pedia a Deus para morrer logo para que nosso sofrimento acabasse, foi a pior coisa de tudo. Eu sei que se sentia culpado por não poder me curar, mas querido, não se sinta, não havia nada que você pudesse fazer.”
Eu parei de ler já que não conseguia enxergar mais nada devido as lágrimas, lendo aquilo era como se eu vivenciasse aquilo de novo, só que dessa vez sabendo o que ela sentia de verdade e não o que ela me dizia. — I was so happy we had met / It was the age of no regret / Oh yes. (Eu estava tão feliz por termos nos conhecido / Não era tempo para arrependimentos / Oh sim.)— Eu chorava de soluçar e ainda bem que ninguém veio até o escritório, limpei os olhos, inutilmente, já que eu não tinha controle sobre o meu pranto e voltei a ler.
“Só Deus sabe de onde eu tirei forças para escrever isso, aliás, a força veio Dele. Ele sabia melhor do que ninguém que eu precisava dizer isso, e o que eu não tive forças e nem coragem para te falar antes eu vou falar agora, e você vai me ouvir Cullen, no caso, ler. Eu quero, eu exijo que você siga em frente. Eu amei você mais do que amei outra pessoa, mais do que me amei e sei que você também me amava, eu sei, você dizia com frequência, que eu era o amor da sua vida. Mas amor, você é novo e tem que seguir em frente, se apaixonar de novo, realizar os sonhos que não pode realizar comigo. Você me mudou, para melhor, e eu sei que também lhe mudei, e lhe ajudei e assisti você se tonar esse homem incrível que você é hoje. Apenas com o seu amor, você me fez ser uma mulher melhor. Você sempre me perguntou o motivo dos meus sorrisos saírem tão lindos e espontâneos nas fotos, e o motivo é simples, é você. Eu imaginava que aquela lente da câmera eram seus lindos olhos verdes e isso era o suficiente para me fazer sorrir.”
— Those crazy years, that was the time / Of the flower-power / But underneath we had a fear of flying. (Aqueles loucos anos, era a época / Do "Força das Flores" / Mas secretamente nós tínhamos medo de voar.)—
“E acredite quando eu digo que sou eternamente grata por você ter me tornado essa mulher que eu sou hoje, ou no caso, na mulher que eu fui. Sabe o motivo de eu ter planejado para que você buscasse essas cartas justo hoje? Porque foi nesse dia, há um ano, onde nossas vidas estavam perfeitas e eu quero que se lembre daquilo, apenas daquilo para trás, não precisa se lembrar de mim depois que soubemos do câncer, esqueça essa época. Eu quero, eu preciso, que lembre-se daquele verão, de como éramos felizes, de nossos passeios, nossas conversas, nossas noites, apenas isso. Se precisar voltar a Paris para reviver aquilo, faça, porém depois, quando voltar, por favor, querido, siga em frente. Você pode e vai se apaixonar de novo, não estou dizendo que é para me esquecer, estou apenas dizendo que você foi a minha vida inteira, mas que eu fui apenas um capitulo, apenas uma pagina da sua, e você ainda tem muitas paginas para escrever. “
— Of getting old, a fear of slowly dying / We took the chance / Like we were dancing our last dance. (De envelhecermos, um medo de morremos lentamente / Nós aproveitemos a oportunidade / Como se estivéssemos dançando nossa última dança.)— Eu já não estava mais sentado na cadeira e sim no chão, encostado na estante, debaixo do radio, que tocava nossa musica repetidas vezes. Eu precisei de mais um tempo para me acalmar antes de prosseguir. Eu vivi minha vida inteira ao lado dessa mulher, como ela podia pedir para que eu seguisse em frente? — I can still recall our last summer / I still see it all / In the tourist jam, round the Notre Dame / Our last summer / Walking hand in hand. (Eu ainda consigo recordar do nosso último verão / Ainda vejo tudo isso / Caminhadas ao longo do Sena, risos na chuva / Nosso último verão / Lembranças que perduram.)—
“Porém quando você estiver pronto para me encontrar, e eu espero que seja quando você estiver bem velhinho e com todos os seus sonhos realizados e sem arrependimentos, venha me encontrar, eu vou estar te esperando no nosso apartamento aqui em cima, porém caso você faça algo que vá fazer com que você vá para o inferno, procure uma médium antes e me avisa que é para que eu mexer os pauzinhos e ir te esperar lá embaixo. Porque eu não ligo se estarei na danação eterna ou tocando harpa ao lado dos anjos, eu não me importo, contanto que você esteja do meu lado.”
— Paris restaurants / Our last summer / Morning croissants / Living for the day, worries far away / Our last summer / We could laugh and play. (Os restaurantes de Paris / Nosso último verão / Croissants pela manhã / Vivendo o momento, as preocupações distantes / Nosso último verão / Podíamos rir e brincar.)—
“Querido, eu espero que se apaixone novamente por quem você quiser, por quem lhe completar, contanto que não seja a Tanya, aquela vadia do RH do seu banco, porque se for ela, eu volto para te atormentar para sempre, e se você não me obedecer e seguir em frente eu também volto para te atormentar e puxar seu pé a noite. Caso não tenha notado ainda, essa será a ultima carta, até porque eu já lhe disse tudo que queria, e eu não tenho mais forças para escrever. Querido não haverá mais, portanto quando acabar de ler esta carta, tire o tempo que precisar, contanto que não seja a vida inteira e siga em frente. Eu vou repetir isso até isso entrar na sua cabeça.”
— And now you're working in a bank / The family man, the football fan / And your name is Harry / How dull it seems / Yet you're the hero of my dreams. (E agora você trabalha em um banco / O homem de família, o fã de futebol / E seu nome é Harry / Quão tolo isso parece / Ainda assim você é o herói dos meus sonhos.)—
“Tem mais uma coisa que quero lhe dizer antes de me despedir. Eu quero que saiba que foi uma grande honra ser a senhora Cullen, mesmo que por pouco tempo, foi uma hora ser sua esposa e tudo o que vivemos, as dificuldades e tudo, eu viveria novamente contanto que no final do dia eu visse seu sorriso ao me dar boa noite. Fique atento para aquele sinal que lhe dirá que a pessoa certa cruzou seu caminho, e por favor, por favor, não se afaste mais de sua família, eles são seus pilares de sustentação, se apoie neles, e acredite eles irão lhe receber de braços abertos. E lembre-se. Você foi a minha vida inteira, mas eu fui apenas um capitulo da sua. Vá viver, viva de verdade. Viaje, divirta-se e quando for a hora, venha se juntar a mim. Eu agradeço muito a Deus por ter te tido, por ter sido sua esposa, mesmo que por pouco tempo. E não se preocupe, eu estou bem, aqui em cima, e estou cuidando de meus pais, seus pais e Rosalie e principalmente de você, meu amor.
P.S. Sempre se lembre do nosso ultimo verão.
Eu te amo Edward Cullen, meu babaca insuportável. Bella. ”
— I can still recall our last summer / I still see it all / Walks along the Seine, laughing in the rain / Our last summer / Memories that remain. (Eu ainda consigo recordar do nosso último verão / Ainda vejo tudo isso / Caminhadas ao longo do Sena, risos na chuva / Nosso último verão / Lembranças que perduram.)— terminei de ler a carta e deixei todo o pranto que guardava dentro do peito saírem, era uma dor que rasgava, dilacerava meu coração, já dilacerado. Eu nunca a esquecia, ela sempre seria a minha esposa, o amor da minha vida, mas eu seguiria seu pedido, ela queria que eu me apaixonasse de novo, e se a situação fosse ao contrario, seria o que eu pedira pra ela fazer, eu tentarei.
— Eu prometo meu amor, eu vou tentar. – falei para o nada. – Mas ninguém vai substituir você, ninguém nunca vai me fazer esquecer você, esquecer nossos momentos, ninguém. Eu te amo, meu anjo. – falei entre os soluços e continuei no chão até que me acalmasse por hora.
— I can still recall our last summer / I still see it all / In the tourist jam, round the Notre Dame / Our last summer / Walking hand in hand. (Eu ainda consigo recordar do nosso último verão / Ainda vejo tudo isso / No aglomerado de turistas, perto da Notre-Dame / Nosso último verão / Caminhando de mãos dadas.) — Quando me senti bem e firme para me levantar, pelo menos por hora, me levantei do chão e desliguei o radio, guardando o cd de volta na capa, eu sempre guardaria essas cartas e essa sempre seria a minha musica favorita, sempre seria a nossa musica, e eu mal podia esperar para me encontrar com ela de novo.
Recompus-me e deixei o escritório do meu pai a caminho do banheiro, eu ouvia vozes animadas e risadas vindas da sala, pelo visto Emmett e seus pais já haviam chegado. Dentro do banheiro, abri a torneira e lavei meu rosto, respirando fundo mais algumas vezes antes de seguir para sala.
— Irmãozinho. – Rosalie veio correndo, deixando Emmett sentado no sofá. – Onde estava, perdeu o pedido de noivado. –
— Desculpe Rose, eu estava me despedindo de Bella. – falei baixo apenas para que ela ouvisse.
— Você está bem? – perguntou quando eu a abracei, e eu não fazia isso a muito tempo.
— Agora eu estou. Agora eu estou. – garanti a abraçando mais forte. Mesmo ela não estando mais perto de mim, eu sempre a teria dentro do meu coração e da minha cabeça, para sempre e sempre.
— Paris restaurants / Our last summer / Morning croissants / We were living for the day, worries far away. (Os restaurantes de Paris / Nosso último verão / Croissants pela manhã / Vivíamos o momento, as preocupações distantes.)—
Fim.
Notas finais
E caso alguém queira participar do grupo no facebook -> https://www.facebook.com/groups/165299457243973/
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