Our Last Summer
2 Bônus
Notas iniciais
Pov. Edward.
Bip – bip – bip. O bip irritante do monitor ao lado da minha cabeça me impossibilitava de dormir direito, revirei-me na cama, não podendo mexer direito meu braço já que estava com aquela maldita agulha enfiada nele há alguns dias. Era imensa a vontade que eu tinha de arrancar aquela agulha e os eletrodos, que estavam em meu peito, e sair desse maldito hospital. A porta fora aberta e Alice, a enfermeira que cuidava de mim, veio com uma bandeja do café da manhã, entrou no quarto devagar e em silencio, até ver que eu estava acordado.
— Bom dia, senhor Cullen. – disse sorridente como sempre e colocando a bandeja em cima da mesinha.
— Bom dia, que bom dia o que. – resmunguei. – Quando é que eu vou sair daqui? Não aguento mais essa agulha e esse bip no meu ouvido. –
— Meu Deus, agora eu entendo a expressão “velho rabugento”. Por Deus... Senhor Cullen, o senhor sofreu um infarto, por sorte está vivo. O senhor não tem mais trinta anos não, o senhor já tem setenta. – ela cruzou os braços me dando esporro. – O senhor vai ficar aqui até que o medico lhe libere. – bufei. – Agora vamos tomar o café da manhã. – voltou a sorrir como se nada tivesse acontecido e empurrando a bandeja na minha direção.
Enquanto eu tomava o meu café, ela checou meus batimentos no monitor e mediu minha pressão. Terminei de comer e ela, graças a Deus, tirou a agulha do meu braço e os eletrodos para que eu pudesse ir ao banheiro e tomar banho, ela chamou por James, o enfermeiro, e eu o dispensei, eu posso estar velho, mas ninguém, principalmente um homem, vai me dar banho.
Era muito drama para pouca coisa, por Deus, fora só um enfarto, eu estou bem, posso muito bem voltar para a minha casa, minha vida, minha família. Terminei meu banho e me vesti voltando para a cama, e sendo ligado ao soro e ao monitor mais uma vez, isso era um inferno. Eu odiava ficar parado, e aqui eu não tinha nada para fazer, apenas ver televisão ou ler alguma coisa, e fazer isso todos os dias durante uma semana era um saco...
Zapeie os canais da televisão atrás de algo interessante e nada de bom passava pela televisão, enquanto zapeava vi o comercial de que o próximo desfile das Victoria’s Secrets e desliguei a televisão, melhor ficar encarando a parede branca. Eu não sabia quanto tempo eu havia passado desviando os olhos da parede branca para a janela, vendo a neve cair, porém havia passado muito tempo já que quando dei por mim, já era a hora do almoço e um pouco depois começou o horário das visitas.
A primeira a entrar no quarto foi a minha pequena moreninha, ela entrou no quarto, jogando a mochila em cima da poltrona e se aproximando da cama e de mim, com os longos cabelos, castanhos e levemente enrolados.
— Oi Bella. – falei quando ela deu um beijo na minha testa, igual ao que eu costumava fazer com ela.
— Oi Vovô. – ela se sentou na cama ao meu lado.
— Como foi à aula? –
— Foi muito boa, e como o senhor estar? –
— Entediado, eu quero ir embora. –
— Se quiser eu falo com o papai para que ele veja se você já pode sair. –
— Não é esse tipo de ir embora, querida. –
— Não entendi. –
— Amor, eu acho que esse infarto foi um aviso, um sinal de que já está na minha hora. Eu já cumpri meu papel nesse mundo e agora eu sinto que estou fazendo hora extra aqui. –
— Vovô pare de falar besteira. – ela deitou-se ao meu lado, apoiando a cabeça em meu ombro. – O senhor ainda tem muita coisa para viver, e quanto à vovó, vai deixa-la? –
— Você sabe que eu amei a sua avó, mas que ela não foi o amor da minha vida. –
— Eu sei o senhor já contou essa história. –
— E eu sinto que já chegou a minha hora, e não quero prolonga-la com remédios e aparelhos. Eu me casei, tive dois filhos e seis netos, o que mais eu posso viver? –
— Seus bisnetos. – disse com o rosto contra meu pescoço e passando seu braço sobre minha barriga.
— Até vocês resolverem terem filhos... – resmunguei. – Vocês são novos para ficarem pensando nisso, e além do que eu estarei olhando por vocês lá de cima. – garanti dando um beijo em sua testa.
— Eu entendo vovô, mesmo, mas duvido que meu pai vá permitir isso. –
— Ele não tem que permitir nada. – resmunguei de novo e ela riu, quando uma ideia atingiu-me em cheio. – Eu preciso que me faça um favor. –
— O que o senhor quiser vovô. –
— Eu preciso que vá até a minha casa e vá até o escritório. Sabe o quadro que tem na parede? –
— O que era do seu escritório? –
— Esse mesmo. Vá até ele e o tire da parede, tem um cofre ali e digite a senha 1309, e pegue uma caixa que tem lá, e me traga, e não deixe ninguém saber. –
— O que tem lá? –
— Umas coisas que eu quero ter por perto de mim. Por favor, faça esse favor para o vovô, sim?! –
— Pode deixar vovô. Amanhã eu trago. – ela garantiu se levantando. – Agora eu tenho que ir, está tarde já, amanhã eu volto para lhe fazer companhia. –
— Tudo bem, princesa. – dei um beijo na sua bochecha, ela pegou suas coisas e saiu.
Ajeitei-me na cama e voltei a olhar pela janela, o quarto estava tão silencioso que eu acabei dormindo e depois de muito tempo eu sonhei. Eu não sabia explicar muito bem o sonho, e nem conseguia ver direito a mulher que o habitou por algum tempo, quando acordei de novo, o quarto estava todo escuro, e lá fora também estava, bem escuro, olhei para o pequeno sofá no canto do quarto e vi que Kate, minha esposa, estava ali, deitada, dormindo. Apertei o botãozinho azul ao lado da cama chamando a enfermeira, e quem veio era Alice.
— Chamou Sr. Cullen? – perguntou baixo ao lado da minha cama.
— Que horas são? –
— 1 da manhã. Eu vim trazer seu jantar e como o senhor estava dormindo tão calmamente sem precisar do remédio, a sua esposa pediu para que lhe deixasse dormir. Quer que eu lhe traga algo? –
— Sim, por favor. –
Alice saiu e eu sentei na cama, tentando fazer o mínimo de barulho que eu conseguia para não acordar Kate. A enfermeira veio bem depressa com um sanduíche saudável, provavelmente que ela comprou na cantina do hospital e eu comi, e com sua ajuda fui ao banheiro, tomei um banho sozinho e voltei para a cama, esperando que Bella conseguisse pegar a caixa.
E ela conseguiu no dia seguinte ela me deixou a caixa depois de sair na escola e não ficou muito tempo já que tinha aula de piano agora a tarde e Kate também não estava, já que ela ligara para Thomas, nosso filho mais velho, tio de Bella, e pedido para almoçar com ele, até porque ela tentava fazer com que ele viesse me visitar, porque um pouco antes de eu sofrer o infarto nós havíamos discutido, porém eu não o culpava, pelo menos não pelo infarto, mas quanto a discussão... Thomas não aceitava o fato de que mesmo depois de muito tempo eu ainda pense em Bella, minha primeira esposa, e não aceitava também o fato de que Richard, meu filho mais novo e pai de Bella, tenha colocado o nome da filha com o nome da minha primeira mulher.
Thomas era casado e não havia perdido a esposa, aliás, ela está muito bem, então ele não entende o motivo de eu ainda pensar em Isabella. Céus, Kate entendia, sempre entendeu, desde quando nos conhecemos, ela sempre soube que a mulher da minha vida havia sido Isabella, e pensando bem, ela sabia disso muito bem porque ela fora minha psicóloga.
Depois de ler as cartas que Bella escrevera quase um ano antes de morrer, eu resolvi que iria, por ela, tentar seguir em frente. Voltei a Paris sozinho e refiz todos os nossos passos, me lembrando de tudo, e havia doido muito, mas nunca me arrependi. Entretanto quando eu voltei eu resolvi procurar uma psicóloga, quem melhor para me fazer seguir em frente do que um psicólogo? E eu fui por vontade própria e foi ai que Kate entrou na minha vida. Três anos depois, que eu comecei a me consultar com ela, foi quando a chamei para sair pela primeira vez e dois anos depois nos casamos, e ela nunca havia reclamado por eu ainda pensar e ainda ter a foto de Isabella em meu escritório.
Infelizmente eu não podia dizer o mesmo sobre Thomas que sempre tentou me fazer me livrar da foto e das cartas, e nós sempre brigávamos sobre isso, ele só entenderia quando perdesse alguém que ele amasse muito, porém eu não queria que ele passasse por isso.
Peguei a caixa que Bella, minha neta, havia trazido, e a abri, após ela ter ido embora. Tudo estava ali... As cartas, o cd com a música do Abba, as fotos, tudo, absolutamente tudo. Alice, antes de ir embora, depois de seu plantão de setenta e duas horas, veio em meu quarto ver como eu estava e se eu estava bem, ou precisava de algo. E eu precisava, pedi para que ela colocasse o cd para tocar e me arrumasse papel e caneta, e ela fez o que eu pedi sem perguntar, o que era um milagre, até porque Alice não calava a boca.
Apanhei a foto do dia do meu casamento com Isabella e abracei enquanto ouvia a musica, com a cabeça encostada no travesseiro e um sorriso bobo surgiu em meus lábios. Depois de alguns minutos eu beijei a foto e a coloquei ao lado do meu corpo na cama e apanhei os papeis e a caneta que Alice havia me arrumado.
‘Kate’ eu escrevi e achei ridículo, ate porque não era apena para ela, troquei de folha.
‘Família, eu sei que isso pode parecer estranho e um pouco mórbido, até porque eu espero que quando vocês lerem está carta eu já não estarei mais com vocês. Eu tenho tantas coisas para falar, porém como vocês não vêm me ver muito aqui no hospital, com exceção de Kate e da pequena Bella, que estão aqui todos os dias eu resolvi escrever-lhes.
Eu sei que todos vocês tem seus compromissos, trabalho e famílias para terem que vir sempre me ver aqui no hospital ou em casa, então eu espero que leiam isso. Eu estou muito feliz pela família linda que eu montei, e eu queria agradecer a todos vocês por isso.
Bella, minha princesinha, você sempre soube que sempre fora minha neta favorita, eu amo você do mesmo jeito que amo meus outros netos, mas você... Eu fiquei muito chocado quando Richard disse que seu nome seria Isabella em homenagem a minha Bella. Você sempre esteve por perto quando eu precisava e sempre ouvia minhas estórias e você sempre esteve interessada no “antigamente”, não igual aos seus irmãos, que viviam com o rosto grudado em seus celulares, eu os entendo, eu também vivi com o rosto grudado em meu celular. Bella, eu espero que você continue sendo esse amor de menina, essa menina doce, cheia de sonhos e expectativas. Eu espero que você realize tudo que sonha e quer, espero que você arranje o amor que tanto deseja e que ele seja correspondido e com isso vocês possam ser muito felizes. Não permita, que ninguém, ninguém, lhe impeça de fazer o que você quer, e nunca permita que ninguém imponha o que você deve fazer. E sim, isso foi uma indireta para seu tio. Saiba que o vovô te ama muito, e vai estar te olhando de onde quer que ele esteja.
Alexis, Ryan, Logan, Sam e Stevie, não fiquem com raiva, ou impliquem com Bella porque eu disse que ela era a minha neta favorita, até porque ela é e vocês sempre souberam, mas ela sendo ou não a minha neta favorita eu amo vocês, muito, eu amo vocês igualmente e nada vai mudar isso. O que eu desejo para ela e o que eu desejo para vocês também, desejo que realize todos os sonhos e que encontrem alguém que vocês amam. E depois que vocês realizarem todos os sonhos, não fiquem parados, arrumem outros, procurem outros e meninos, eu juro que eu ver, porque eu vou vigiar vocês lá de cima, se eu vir vocês brincando o coração de uma menina, eu juro que eu volto só para dar uns socos em vocês.
Richard você é um filho maravilhoso, nunca me causou problemas ou dores de cabeça, deveria, mas não fez, deixou todo o trabalho para o seu irmão. Eu nunca vou parar de lhe agradecer por ter colocado o nome da sua filha, a única menina que teve de Isabella em homenagem a minha querida Bella, eu fiquei surpreso, com o nome e com o fato de você prestou atenção nas minhas estórias. Eu tenho que lhe agradecer também por nunca ter achado que só porque eu nunca deixei de pensar na Bella que eu não amava a sua mãe, porque eu amava, digo amo. Filho eu tenho um trabalho muito importante para você, eu quero que cuide de todos, principalmente de Bella e não permita que Thomas imponha, a ela e a ninguém, o que eles devem fazer como ele tem mania. Obrigado por ser um filho incrível.
Thomas, eu amo você, mesmo depois de tudo eu te amo, não se você estará presente quando todos forem ler esta carta, ou se você vai querer saber o que está escrito aqui. Eu não sei qual foi o motivo de você ainda não ter vindo me ver aqui no hospital, vindo ver se eu estou realmente bem, porque você sabe que eu estou porque te falaram. Mas permita-me lhe dizer, se por acaso você esteja se sentindo culpado pelo meu infarto, filho, não fique, por Deus, eu já sou velho, a culpa não foi sua. Mesmo você me irritando naquela hora, a culpa não foi sua, então caso se sinta culpado, esqueça. E caso não se sinta... Ótimo. Mas não espere que eu me sinta culpado por, mesmo depois de todos esses anos, eu dizer que ainda amo a Isabella, porque é a verdade e nunca vou me arrepender de falar isso. A sua mãe entende tão perfeitamente e porque você não consegue? Você corta meu coração sempre que fala com arrogância que ela morreu e que eu tenho que seguir em frente. Acredite Thomas, eu segui, eu fiz o que Bella me pedira na carta que ela me escrevera, eu segui em frente, eu encontrei um novo amor e criei uma família, e eu não fiz isso porque ela pediu, eu fiz por mim, e sua mãe me ajudou e muito nisso. Você age assim porque não entende, não passou pelo que eu passei, nunca perdeu ninguém querido, e eu realmente espero que nunca passe por isso, que nunca perca alguém querido, que nunca sinta a dor que eu senti, eu me senti um inútil, um imprestável por não poder salva-la e era isso o que mais me doía. Filho, por favor, viva a sua vida e não queria que seus filhos e seus sobrinhos vivessem o que você quer, por Deus, é irritante, você não sabe como me irrita o fato de você querer impor o que os meus netos devem fazer, pare com isso, estou falando serio, se não deixa-los seguir a vida deles e tomarem as próprias decisões e quebrarem as próprias caras eu volto para te dar uns tapas. Filho, mesmo depois de todas as nossas brigas, desavenças e tempos, longos tempos sem se falar, eu te amo, muito, e me arrependo, sim, me arrependo por termo ficando tanto tempo sem nos falarmos e por todas as brigas, espero que me perdoe por isso, porque eu lhe perdoo.
Kate, querida, a ultima, porém a mais importante, eu só tenho lhe agradecer porque tudo que eu penso sobre você, você já sabe, então lá vai, obrigado por me remendar, você me conheceu em um dos meus piores momentos e não desistiu de mim, nunca desistiu de mim durante todos esses anos, mesmo sabendo o que se passava em meu coração, eu amei você, uma coisa que eu achava que nunca iria conseguir fazer de novo depois de Isabella, mas eu lhe amei, não como eu amei Bella, porém eu amei e você sabe disso e nunca reclamou e me instigava a pensar mais nela, e é por isso que eu lhe agradeço, por além de ter me remendado, você me amou, mesmo sabendo que eu não conseguia te amar do jeito que merecia. Obrigado por tudo, pelos nossos filhos e netos. Obrigado e espero que seja feliz.
Thomas e Richard me façam um grande favor e cuidem de sua mãe, de minhas noras e de meus netos, eu estarei cuidando de vocês daqui de cima, e eu espero que sejam felizes. Obrigado por me permitir ser seu marido, pai e avô, foi uma honra.
E eu só quero lhes pedir um favor, e espero que o realizem, por favor, como meu ultimo pedido, me enterrem ao lado de Isabella e com todas as coisas que estão nessa caixa, é só o que lhes peço.
Eu amo todos vocês. Edward. ’
Terminei de escrever a carta e a coloquei dentro do envelope, colocando o nome de Kate na parte da frente e o fechando, repousando-o sobre a mesinha de cabeceira ao lado da cama e voltei-me para a caixa, no fundo, bem no fundo, tinha uma caixinha de veludo vermelho, peguei e abri-a, revelando as duas alianças, a minha e a de Bella, que eu havia guardado, tirei a minha aliança, de meu casamento com Kate e coloquei as alianças que estavam na caixinha, colocando por cima a do meu casamento com Kate, ficando com as três, ainda bem que eu havia pedido para alargar um pouco a aliança de Bella após o enterro e passei a usa-la junto com a minha.
Olhei pela janela e vi que estava anoitecendo já, daqui a pouco Kate deveria estar voltando, isso se ela não fosse dormir em casa, eu esperava que ela fosse dormir lá, esse sofá me parecia ser muito desconfortável. Fiquei o resto da tarde vendo as fotos da Bella e ao chegar a ultima, guardei tudo na caixa, fechando-a e colocando ao lado de meu corpo e pegando o porta-retrato com a minha foto de casamento. Ajeitei-me na cama, apoiando a cabeça no travesseiro e abraçando a foto, suspirei e fechei os olhos, apertando mais forte a foto contra meu peito, em cima de meu coração. Finalmente, fora a ultima coisa que pensara antes de ir.
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— I can still recall our last summer, I still see it all, Walks along the Seine, laughing in the rain, Our last summer, memories that remain… (Eu ainda consigo recordar do nosso ultimo verão, ainda vejo tudo isso, caminhadas ao longo do Sena, risos na chuva, nosso ultimo verão, lembranças que perduram...) – abri os olhos ouvindo a musica que ainda tocava e vi as paredes brancas, eu ainda estou vivo, me virei para pegar a carta e guarda-la antes de alguém a lesse e dei de cara com a Bella. – I can still recall our last summer... Ah, Oi, bom dia amor. – foi quando ela falou que eu me dei conta de que a voz que cantava a musica não era a do Abba e sim a de Bella.
— Eu estou sonhando? Ou enlouquecendo? – perguntei e ela sorriu.
— Não, para as duas perguntas. – respondeu calmamente enquanto acariciava meus cabelos, e a caricia parecia ser tão real.
— Foi tudo um sonho? – Sonho, pesadelo era a palavra melhor para descrever.
— Não. Eu morri mesmo, mandei as cartas e mandei você seguir em frente. –
— Então... –
— Você morreu. – respondeu simplesmente e eu dei um pulo da cama olhando em volta. Eu não estava mais no quarto do hospital, eu estava em um quarto parecido com o meu, depois que me casei com a Bella.
— Eu não estou entendendo mais nada. –
— Simples. – me virei e vi que ela estava sentada na cama, ao lado de onde eu estava deitado. – Enquanto você escrevia a sua carta de despedida, você começou a sofrer outro infarto e nem notou, e quando deitou para dormir, seu coração parou. E como eu pedi. – ela se ajoelhou na cama e se aproximou de mim. – Quando chegasse a sua hora era para vir até mim, e você veio. Eu fico feliz por ter feito o que eu pedi e ter seguido em frente, encontrado um novo amor e ter construído uma família. –
— Mas eu nunca parei de amar e de pensar em você. –
— Eu sei. Eu estava te vigiando. Querido, eles vão ficar bem. –
— Bella. – me joguei em seus braços, como se finalmente tivesse me dando conta de tudo que ela havia falado e percebido de que ela era que estava ali, de que estávamos no paraíso. Bella caiu para trás na cama quando eu me joguei em seu colo e afundei o rosto em seu cabelo. – Você ainda tem o mesmo cheiro. – falei contra seu cabelo fazendo-a rir.
— Querido. – levantei o rosto a encarando.
— Finalmente nos reencontramos, demorou tanto. – ela segurou meu rosto com suas macias e delicadas mãos e me encarou.
— Pode ter demorado meu amor, mas ninguém nunca mais vai nos separar. – garantiu. – Eu te amo. –
— Também te amo. –
Dessa vez ninguém nunca mais iria nos separar, finalmente eu havia me reencontrado com o amor da minha vida, uni os lábios dela mais uma vez e após tantos anos, eles ainda tinham o mesmo gosto e macieis que minha mente recordava, aliás, ela estava linda e perfeita do jeito que eu me lembrava. Meu amor, minha vida. A mulher da minha vida.
Fim.
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