Our History

5 O Bom Samaritano


Notas iniciais
Hey, foi até rápida essa atualização. Então... Espero que gostem... Enjoy ;)

Houve um longo momento de silêncio depois que apertei o botão que desligava a ligação. Sam foi o primeiro a quebrá-lo.

— Então você mente de forma compulsiva… Há quanto tempo apresenta esse pequeno problema? Dei de ombros. Esse era um assunto que eu não trataria com ele. Irritantemente, ele não o deixou de lado.

— Pequeno acidente? Arranhãozinho?

— Sim, depois passei para uma mentira maior e disse que estava com um amigo.

Então a expressão em seu rosto se suavizou, como se de repente ele reconhecesse que não deveria me pressionar naquela questão.

— Não. Quanto a isso, você disse a verdade.

Sua mão se estendeu sobre o cobertor, e Sam entrelaçou seus dedos nos meus com delicadeza. Senti a pressão de meu anel na pele da palma de sua mão, e me perguntei se foi por isso que ele soltou minha mão quase tão rapidamente quanto a havia segurado.

— Certo, então vamos ligar para esse seu noivo – determinou ele, e havia um distanciamento em sua voz que eu podia jurar que não tinha estado ali um momento antes. – E, dessa vez, conte a verdade.

O telefone tocou por cinco minutos no apartamento de Kurt antes que eu desligasse. Era certo que ele estaria em casa àquela hora, não? E o telefone ficava no quarto. Não seria possível que ele continuasse a dormir enquanto o aparelho chamava insistentemente, seria? Olhei para o meu relógio. Quase três da manhã. Ele tinha me dito que seria uma despedida de solteiro discreta, com uns poucos professores da escola em que ele trabalhava, apenas, além de alguns caras do clube de rúgbi. Nada de mais. Pensei no olhar que Finn, o padrinho, dirigira a Kurt ao ouvi-lo descrever os planos para a noite.

Suspirei e teclei o número do celular de Kurt no aparelho de Sam. A música alta foi a primeira coisa que ouvi, isto e o zumbido de um bar ou clube barulhento ao fundo.

— Kurt?

Mais barulho, uma gargalhada espalhafatosa e o tilintar de copos. A despedida de solteiro ainda estava a todo o vapor.

— Kurt, está me ouvindo?

— Quem é?

Nāo era um bom começo.

— Kurt, sou eu, Blaine.

Fez-se uma longa pausa, que parecia precisar de algo que a preenchesse.

— Seu noivo.

— Blaine – repetiu ele, como se o nome lhe fosse apenas levemente familiar.

Ouvi outra voz que reconheci, e ela falava no que devia acreditar que fosse um sussurro. Não pude distinguir todas as palavras, mas decididamente captei a frase “ele está controlando você, camarada”, e então a expressão “Noivo Encrenca”. Era Finn. Mais uma razão para que eu não gostasse muito dele.

— Kurt, aconteceu uma coisa horrível. Sofremos um acidente e estamos todos no hospital. Minhas palavras foram mais eficazes que um balde de água fria jogado em cima dele, só não foram tão satisfatórias.

— Blaine, você está bem? Está machucado?

— Nada grave.

Olhei para Sam, que aguardava com mal-disfarçado interesse para ver como eu completaria minha frase.

— Tenho um corte feio na cabeça, e minhas pernas estão bastante machucadas, mas Rachel e eu tivemos muita sorte. Só que Tina…

De repente nāo pude terminar, pois minha garganta se fechara e a única coisa que conseguia emitir eram soluços.

— Tina? O que tem Tina? – perguntou Kurt, e sua voz agora soava totalmente sóbria. – Blaine, acalme-se, conte tudo.

Mas eu não conseguia: as palavras haviam se perdido no emaranhado de medo e pânico do qual eu pensava que tivesse escapado, só para descobrir que eles continuavam ali, à espera de me enredarem novamente. Balancei a cabeça, impotente, sabendo que não conseguiria dizer mais nada.

O aparelho foi gentilmente retirado da minha mão por seu proprietário, e uma voz calma e controlada falou por mim:

— Estamos no hospital Queen Victoria. Venha para cá assim que puder.

Sam parecia prestes a finalizar a ligação sem nem mesmo se identificar, mas se deteve, a fim de acrescentar um último comentário:

— Pegue um táxi, cara. Nem pense em vir dirigindo.

Sam me abraçou enquanto eu soluçava, e nem por um momento me ocorreu como era estranho que eu estivesse me apoiando tanto em alguém que eu nem conhecia. Ele poderia ser qualquer um. Ele era qualquer um. O acaso ou o destino simplesmente o haviam colocado na estrada certa no momento certo. Se ele não estivesse lá, tanto Kurt quanto meu pai teriam acabado de receber um telefonema com notícias muito piores. Esse pensamento me fez soluçar ainda mais.

— Está melhor? – perguntou Sam por fim, depois que o tsunami se extinguiu, tornando-se apenas um pequeno fio d’água.

Ele me passou uma caixa de lenços de papel que mais pareciam lixas, e tentei enxugar o rosto da melhor maneira possível. No entanto, não havia nada elegante nem refinado em assoar o nariz. Ele esperou até que eu estivesse apto a conversar de maneira sensata.

— Onde é a festinha dos rapazes? É longe daqui?

— Você deveria vir com legendas. A “festinha dos rapazes”, aqui, é chamada de “despedida de solteiro”.

Ele deu de ombros e sorriu, e surpreendentemente percebi que meus lábios ainda sabiam retribuir.

— Não sou destas bandas, senhor – disse ele, imitando as palavras que eu ouvira em inúmeros filmes de faroeste.

— Eu já imaginava. O que você está fazendo na Inglaterra, se não se importa que eu pergunte?

— Sou escritor, e meu editor estipulou um prazo para que eu entregue um romance ambientado na área rural da Inglaterra. Assim, pensei que devia passar uns dois meses aqui, fazendo pesquisa de campo. Aluguei um chalé no litoral, perto de Trentwell.

Em outras circunstâncias, era certo que eu teria ficado curiosa o bastante para fazer outras perguntas, mas havia questões mais relevantes em minha mente naquele momento.

— Que tal eu sair para procurar um daqueles médicos e ver se consigo notícias da Tina?

Era um pouco desconcertante descobrir que Sam, um homem que mal me conhecia, era capaz de ler meus pensamentos como se eles estivessem estampados na minha testa.

Depois que ele saiu, o cubículo pareceu muito mais espaçoso, porém – o que era curioso – sem graça e sem cor. Sam era o tipo de homem cuja presença preenchia todo o espaço à sua volta. E isso não se devia apenas à sua boa aparência ou ao seu charme, que mesmo numa noite como aquela eram inegáveis. Ele provavelmente teria que lançar mão dos dois em toda a sua capacidade se quisesse obter alguma informação sobre Tina, pois eu tinha quase certeza de que eles só mantinham informados os parentes próximos. Mas que merda! Nós éramos a família de Tina. Rachel e eu – não no sentido consanguíneo, mas de uma forma mais profunda e duradoura, que nos ligava de maneira mais íntima do que o laço de sangue jamais poderia fazer. Imaginei que a essa altura a polícia já teria telefonado para os pais de Tina, mas, como eles haviam se mudado muitos anos atrás e viviam a quatro horas de viagem, até que chegassem aqui Rachel e eu éramos tudo com o que ela poderia contar.

Ergui os olhos, em expectativa, quando as cortinas do leito foram abertas, mas não foi Sam quem entrou, e sim uma senhora idosa, de aspecto frágil, que caminhava com a ajuda de um andador. Seus olhos examinaram o cubículo e rapidamente voltaram a mim. As mãos ossudas e enrugadas que agarravam o aço tubular de seu andador mais pareciam as garras de uma ave no poleiro que dedos humanos.

— Não consigo encontrar. Não sei onde está – falou, a voz rouca e desesperada. – Você sabe onde está? Pode procurar?

Toda a expressão corporal dela transparecia agitação, e uma força intensa dentro de mim me puxou em sua direção.

Torcendo para que o que ela procurava tão desesperadamente não fosse o banheiro – porque eu não tinha a menor ideia de onde ele ficava –, deslizei as pernas para fora da cama e me pus ao seu lado.

Reconheci o tom da minha voz quando falei com ela. Era um que eu infelizmente vinha praticando bastante.

— Está tudo bem. Deixe-me ajudá-la. O que a senhora está procurando?

Ao ouvir minhas palavras, a senhora ergueu a cabeça, e de repente pareceu surpresa ao me ver ali. Em sua desesperada inspeção do quarto, talvez nem tivesse notado a minha presença. E é para isso que estamos seguindo, disse uma voz que eu não queria ouvir. Principalmente não naquela noite. Repeti a pergunta à senhora, cobrindo delicadamente sua mão trêmula com a minha.

— O que foi que a senhora perdeu?

— Meu tricô. Eu o deixei na cadeira. Mas agora desapareceu. Você sabe onde ele está?

Percebi então o que deveria ter notado no momento em que ela entrou no cubículo: a mulher na certa era uma das residentes do lar de idosos que havia pegado fogo. Ela provavelmente se afastara de quem deveria estar tomando conta dela.

— Por que não saímos e vemos se um dos médicos ou enfermeiros pode nos ajudar a encontrá-lo para a senhora? – sugeri, conduzindo-a delicadamente para o lado que eu queria que ela seguisse.

Uma vez fora do cubículo, acertei meu passo com sua marcha instável e a guiei em direção ao som de vozes que se faziam ouvir mais além no corredor. Fomos encontrados simultaneamente pela enfermeira que a havia “perdido” e por Sam.

— O que você está fazendo fora da cama? – perguntou a enfermeira, dando um passo à frente e reivindicando sua paciente perdida.

— Esta seria a minha fala – disse Sam, com seu olhar estranhamente intenso enquanto eu entregava com deliberado cuidado a confusa senhora.

A pobrezinha já estava assustada e tonta o suficiente, e eu não queria atemorizá-la ainda mais. Por mais estranho que pudesse parecer, fora bom ter outra pessoa com quem me preocupar mesmo que por poucos minutos.

Mas a realidade voltou com violência enquanto Sam e eu percorríamos o caminho de volta ao meu leito.

— Descobri que Tina está sendo operada neste momento – informou Sam, estendendo a mão para me ajudar a voltar à cama.

Cobri minhas pernas machucadas com os lençóis e deixei que a preocupante notícia que Sam trouxera se assentasse em minha mente.

— Cirurgia? No rosto?

Ele balançou a cabeça com tristeza.

— Não. Acho que ela sofreu algumas lesões internas, mas não consegui descobrir o que especificamente.

Senti a rajada de um medo frio percorrer toda a extensão de minha coluna, atingindo cada uma das vértebras no caminho. “Lesões internas” soava como um eufemismo hospitalar para “ferida muito, muito grave”. Nada mais que Sam dissesse ou oferecesse para me confortar poderia me fazer deixar para trás essa frase aterrorizante.

Felizmente ele parecia ser o tipo de homem que preferia o silêncio a uma conversa sem sentido – o que era uma sorte, visto que eu não estava em condições de me concentrar em nada, exceto no pesadelo que estávamos vivendo. Precisei da ajuda dele até para preencher alguns formulários do hospital que uma enfermeira me entregou em uma prancheta. Minha mão tremia demais até mesmo para que eu escrevesse meu nome e endereço, por isso permiti, agradecido, que ele pegasse a caneta e a prancheta das minhas mãos e completasse o formulário com letras firmes e claras enquanto eu ditava meus dados.

A meu pedido, ele deixou a cortina do cubículo aberta, como se de alguma forma, sem a fina barreira de tecido que as pudesse deter, as notícias fossem nos alcançar com mais rapidez. De nossa baia, observamos o fluxo contínuo de profissionais das equipes de saúde: alguns passavam correndo, objetivos e com pressa, outros apenas vagueavam por ali. Outros ainda tagarelavam despreocupados, aparentemente alheios ao fato de que a estrada para o nosso futuro estava prestes a ser alterada de maneira irreparável. Quando ouvi duas enfermeiras mergulhadas em uma discussão sobre uma ridícula reviravolta na trama de Game of Thrones, uma raiva vigorosa me inundou. Game of Thrones? Elas só podiam estar brincando! Deveriam estar salvando vidas, fazendo procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar nos pacientes emergenciais, ou gritando instruções que me pareceriam ininteligíveis, mas nunca discutindo sobre o destino de Bran Stark, pelo amor de Deus! Sam percebeu minha agitação e deu tapinhas na minha mão, compreensivo.

— Para elas, é apenas mais um dia de trabalho.

— Mas não para mim.

— Eu sei.

— -

Kurt chegou em um tornado de pânico, preocupação e cheiro de álcool. Seus passos precederam sua chegada, ressoando ruidosamente no ladrilho enquanto ele corria pela extensão da área de triagem, chamando meu nome. Entrou de supetão no cubículo, e Sam imediatamente se levantou da cadeira que estivera ocupando ao lado da cama. Eu pensei que já tivesse chorado o suficiente, pensei que já houvesse secado todas as minhas lágrimas nos braços de Sam, mas parecia que não. Um único olhar para o rosto familiar de Kurt, tomado de preocupação, interesse e amor, e de repente o deserto foi substituído por uma cachoeira. Kurt me abraçou, embalando-me como se faz com uma criança, e embora ele cheirasse mais como uma destilaria que como uma pessoa real, era bom estar em seus braços.

— Shh, shh – sussurrava ele de encontro ao meu cabelo, na tentativa de me acalmar.

Procurei ignorar o leve – embora ainda perceptível – arrastar de sua voz, assim como o cheiro de cigarro em que ele parecia ter sido defumado. Fora a despedida de solteiro de Kurt, e não havia fundamento em sentir raiva do fato de termos estado em meio a destroços e a chamas, na beira de uma estrada, enquanto ele se embriagava em um bar. Mas, ainda assim, era o sentimento que eu nutria.

— O que foi que aconteceu, Blaine? – perguntou ele, aparentemente não percebendo que eu me encolhi de dor quando ele se sentou aos pés da cama e descansou um braço na parte inferior das minhas pernas.

Sam mergulhou como um falcão, removendo o braço de cima das minhas canelas e ganhando um olhar irritado do meu noivo, que ergueu os olhos para ele como se tivesse acabado de perceber sua presença ali.

— As pernas dele estão bastante machucadas – explicou ele sucintamente, e embora Kurt parecesse desconcertado e exibisse uma expressão de desculpas, alguma coisa me disse que, no quesito primeira impressão, Sam acabara de ser reprovado.

— E seu rosto… – prosseguiu Kurt. – Parece que foi feio.

Não há muito que se possa dizer diante de uma observação assim. Felizmente, não tive que dizer nada.

— Ele cortou a cabeça quando o carro capotou, antes de cair na vala e prendê-lo nos destroços. Depois disso, ele explodiu em chamas.

O relato feito por Sam; embora preciso, foi deliberadamente duro e chocante.

— Meu Deus, Blaine! Você poderia ter morrido. Eu poderia ter perdido você.

Havia tamanha vulnerabilidade em sua voz que só me restou estender os braços para ele. Por um momento, fiquei tão absorto em nossa inversão de papéis que quase não percebi que Sam se encaminhava para fora do cubículo.

— Espere! – gritei quando ele já estava de costas, e por um momento pensei que Sam não fosse se virar. – Você já vai? – perguntei incredulamente, sabendo que não tinha direito de me sentir surpreso, mas ainda assim me sentindo.

Ele já havia extrapolado o papel do Bom Samaritano, com tudo o que tinha feito naquela noite. Por que ficaria, agora que Kurt estava ali? No entanto, senti algo semelhante a pânico ao vê-lo partir.

Os olhos de Sam encontraram os meus, e vivi um momento de verdadeiro pavor ao me dar conta de que talvez nunca mais fosse vê-lo. Será que ele estava percebendo aquela reação, aquele sentimento? Talvez. Fora bastante intuitivo ao interpretar o que se passava em minha mente ao longo de toda a noite. Ele hesitou, e então recuou um passo em direção à cama. Ambos ignoramos o olhar confuso que Kurt nos lançava, enquanto sua cabeça ia de mim para Sam como se tentasse compreender uma trama complicada em uma peça cujo início ele perdera. Sam sorriu gentilmente para mim e pegou uma de minhas mãos, mantendo-a com cuidado na sua.

— É hora de eu ir. Você vai ficar bem. Espero sinceramente que dê tudo certo para sua amiga. Assenti, minha garganta de repente obstruída, impedindo que qualquer palavra passasse pelo bolo que estava preso ali.

— Cuide-se, Blaine – disse ele suavemente, inclinando-se e beijando minha testa.

— O que…? – começou Kurt, virando-se para acompanhar a silhueta alta de Sam, que rapidamente deixara o cubículo. – Que diabos…? Por que aquele médico acabou de se despedir de você com um beijo?

— —

Dois cafés fortes depois, Kurt provavelmente poderia ter passado em um teste básico de sobriedade. Quando acompanhou o cortejo de enfermeiros e auxiliares que deslizaram minha maca para o setor de radiografia, ele pelo menos era capaz de manter uma conversa com coerência. Não que eu recomendasse encarregá-lo de alguma coisa mecânica ou de operar qualquer tipo de equipamento, não depois de ver suas tortuosas tentativas de enviar uma mensagem de texto ao meu pai, para informá-lo do que estava acontecendo.

Naturalmente, ele adquiriu um desagradável tom pálido quando limparam e suturaram o ferimento em minha testa, mas isso se devia mais a uma constituição fraca e a uma fobia de agulhas que ao álcool. No fim, alguém que trouxe uma cadeira de plástico – o que, considerando a maneira como ele vinha oscilando em pé, provavelmente foi uma boa iniciativa.

À medida que se aproximava a manhã de um novo dia, Kurt permanecia ao meu lado, recusando-se a sair de perto de mim, mesmo quando fui transferido para um pequeno quarto particular, por terem insistido em que eu ficasse em observação pelo restante da noite. Ele só deixava o quarto nos momentos em que ia até a enfermagem, a fim de pedir notícias de Tina, e repetidamente ouvia a mesma resposta.

— Ainda está em cirurgia – relatou-me algum tempo depois das cinco da manhã.

Deixaram o quarto em penumbra, presumivelmente para estimular meu sono, mas não havia a menor probabilidade de que eu dormisse. Nunca uma noite me parecera tão longa.

Quando a notícia que ele recebeu foi outra, eu soube imediatamente. Juro que a maçaneta da porta girou de um modo estranho, e a sombra de Kurt se esgueirou pela abertura de uma forma peculiar enquanto a porta se abria devagar. Ele ficou ali parado, desajeitado, e em seu rosto havia uma expressão que eu nunca vira. Rezei para que nada jamais acontecesse em nossa vida que me fizesse voltar a ver aquela expressão.

Ele estava imóvel e calado, e eu simplesmente soube.

— Não – protestei, balançando a cabeça e negando o que ainda não fora anunciado. – Não, não, não!

Seus olhos começaram a se encher de lágrimas, mas ainda assim ele não se moveu.

— Não pode ser verdade. Eu não acredito. Não vou acreditar.

Então ele finalmente se moveu, dando passos curtos e vacilantes em minha direção.

— Há cerca de dez minutos – confirmou ele, com a voz rouca, pegando a minha mão.

Eu mal podia enxergar por causa das lágrimas. Acho que ele deve ter dito algo mais, algo sobre os médicos terem feito tudo o que podiam… Ou teria sido algo sobre a gravidade dos ferimentos dela? Eu simplesmente não sei. Não conseguia chegar à notícia, não conseguia ir além da horrível frase inicial.

Tina, uma de minhas melhores amigas havia mais de vinte anos, estava morta.

Notas finais
E é isso... espero que tenham gostado, e peço que mandem review. Produzi esse capítulo ao som de Bird Set Free - Sia. Foi magnífico.