Our Hands Tied - Brittana
23 The One About 26 years old And A... Scooter?
Notas iniciais
Para Lucy Quinn Fabray, nada é por acaso. Não é algo que saia dizendo para os quatro ventos, mas é o que sente. É o que sempre sentiu. Então o que ela mais fez depois que descobriu sobre o incêndio em seu apartamento foi pensar, pensar e repensar quantas vezes fossem necessárias à razão para tudo aquilo. Mesmo quando achou sustento nos braços de Santana e Brittany.
Qual era a mensagem que o universo estava tentando te mandar, afinal?
Talvez, que uma noite de sono saudável valesse muito mais que uma série de noites viradas de inspiração. Talvez, que velas são altamente traiçoeiras e o melhor fosse manter distância dali em diante. Ou talvez que... Puta que pariu, a porra do sistema de alarme de incêndio do condomínio – que ela fez questão de averiguar se tinha no prédio, antes de se mudar para ele – estava com defeito.
Como é que ela estava deixando isso lhe escapar?
É óbvio que a culpa do acidente é sua, óbvio. Poderia acontecer com qualquer um de seus vizinhos, ou qualquer um no mundo inteiro. O fato é que: não foi o alarme de incêndio que os salvara do pior. Ninguém nem tocou no assunto. Se bobear, nem lembravam da existência do sistema também. Altas doses de tensão e estresse causam esquecimento. Outro adendo importantíssimo é que todos estavam sonolentos. Acabou que o responsável real por salvar o resto do prédio foi seu vizinho gamer da porta ao lado, e não a tecnologia programada para isso.
— Eu preciso de um advogado. — Ela se levanta do sofá, onde residia com a os pés sobre as coxas da prima e a cabeça sobre as de Santana e destrava o celular, inquieta, limpando as lágrimas semi-secas do rosto inchado e avermelhado. Murmura sozinha: — Deixa eu ver, deixa eu ver...
— Tem alguma coisa que você não contou pra gente? — Brittany pergunta, percebendo o tom de voz da outra loira se transformar radicalmente da tristeza para raiva. Ou, no caso, uma mistura de ambos. — Quinnie?
— Na verdade, sim. Tem sim, Britt. — A Fabray confirma, grudando seu smartphone ao ouvido, enquanto se vira para o lado das garotas novamente. — O condomínio possui todo um sistema de alarme de incêndio. Eu me certifiquei de procurar saber, antes de tomar a decisão de ir morar lá. E como devem ter percebido... Um instante. Alô, Sam?... Sim, tô bem. Quer dizer... Não muito, sei que percebeu pelo jeito que saí daí, mas você não precisa se preocupar. E me desculpa por isso, te explico melhor depois... — Do sofá, a Lopez se intriga com a conversa da amiga. — Não, você não precisa vir pra cá. Sério... Vai dormir, por favor. Confia em mim... É, eu busco amanhã. Ok... Obrigada por entender... Também te amo. Boa noite.
A designer tira o celular da orelha, e fixa os olhos nele de novo.
— O Evans não tá sabendo ainda?
Quinn para o que faz e fita a latina, por um segundo.
— Não. — Olhos na tela. — Eu saí correndo de lá, Santana. Tinha que ver com os meus próprios olhos e eu não tô a fim de atrapalhar ele com isso agora.
— Compreensível... — Brittany comenta.
— Pois é. Mas então, como eu ia dizendo pra vocês, meu prédio é todo equipado com um sistema de alarme de incêndio. Só que, pasmem: o dito cujo não funcionou. O que significa que...?
— Não está recebendo manutenção. — A morena completa.
— Que sacanagem...
— Demais.
— Nem me falem. Quero muito saber o que o FDP do síndico e os amiguinhos andam fazendo com a grana que pagamos do condomínio. — Lucy diz nervosa, revezando olhares entre o aparelho nas mãos, Santana e Brittany. — Não sou a única culpada nessa bagaça e não vou sair como se fosse, ah se não vou... Preciso de alguém com a cabeça no lugar dirigindo pra mim, senão eu mato um no caminho... Volta lá comigo, Britt?
— Claro. — A mais nova se põe de pé. — Só preciso trocar de roupa. Já volto.
Quinn assente e continua com total atenção no celular, fazendo sabe-se lá o que. Concentrada. Nervosa e chateada, todavia não mais fragilizada como até pouco tempo, o que é um ótimo sinal.
— Vou fingir que não fiquei ofendida. — Santana declara.
— Lopez, eu te amo pra caralho. Mas vamos combinar que você tem que trabalhar amanhã. E você entra bem mais cedo que a Britt, e trabalha quase 5 horas a mais que ela. — Olhos verdes acham castanhos. — Então, volta a dormir... Por favor, tô te pedindo. Já atrapalhei demais.
— Tá legal, me escuta. — Ela vai ao encontro da outra. — Para com essa história de que tá atrapalhando a gente. A Britt já falou que não, eu já falei que não. Papo encerrado. Tô aqui pra você sempre, não importa o que. Não importa como, quando ou onde. Então sugiro que comece a lidar com isso logo, Barbie. Ainda mais agora que vai ver muito a nossa cara.
— Ok...
Lucy dá um sorriso chateado e balança a cabeça, tentando absorver as palavras para si. Suspira, e volta a olhar para a tela de seu smartphone. Está, claramente, ansiosa.
— Tá procurando o advogado, é?
— Sim e não. Tô esperando resposta do Joe... Aquele meu amigo de infância na cidade, sabe?
— Uhum. E ele costuma estar online e responder a essa hora?
— Sim. É o horário de expediente dele... Por isso ainda não os apresentei.
— Ah, sim...
— Perguntei se ele conhece algum advogado decente... Aah, ele respondeu!
— Que bom!
Alguns minutos depois, Brittany retorna arrumada a sala de estar, sendo seguida por Dino. Agacha e afaga as orelhas do animal, fitando as outras mulheres periodicamente. E Quinn se aproxima, para ajudá-la.
— O que eu perdi?
— A Fabray conseguiu um advogado. — Santana resume.
— Nossa, isso foi rápido...
— Pra isso que servem os amigos. Né, Dino?
“Aw!”
— É, cara... — Ela encosta a testa nos pelos do cão. — A vida já não é fácil com eles. Imagina sem eles?
(...)
No fim das contas, a menina Fabray descobriu que não perdeu absolutamente tudo. A maioria de seus trabalhos finalizados ela digitalizava e salvava nas nuvens assim que terminava, de seus documentos ela mantinha cópias autenticadas na casa dos pais, o notebook ela levou a casa do Sam, o estojo de lápis, borrachas e réguas caras também – juntamente aos desenhos da clientela atual; e, por um milagre, seu microondas e geladeira estão intactos, do mesmo modo que a lava-louças. Sem mencionar o fato de que, nunca teve o costume de manter uma quantidade muito alta de dinheiro em espécie dentro de casa e metade sempre carrega em sua carteira, a qual leva para todo canto. O que significa que, alguns dólares se foram torneira abaixo, mas outros permanecem vivinhos da silva.
Em compensação, seus esboços de novos trabalhos, suas roupas, a TV, a impressora cara, o videogame, cama, sofá, mesa, cadeiras, lençóis, pelúcias, DVDs, quadros, armários, canetinhas e tudo o mais... Estes? Foram pegos pelas chamas, reduzidos a pó ou, parcialmente, isso. É difícil, ela não ia fingir que não. Mas, apesar de ter um apartamento próprio (e morar sozinha) pela primeira vez por apenas quatro meses – talvez, um tantinho menos; e tudo acabar assim, desse jeito... Esses quatro meses tinham sido uma experiência e tanto, e Quinn não faria nada de diferente. Nada. Ainda mais quando se deu conta que o perigo real não era ela ter esquecido uma vela acesa, mas sim, o sistema de alarme de incêndio não dar um pio em plena madrugada, com várias pessoas vulneráveis pelo sono.
Com o auxílio de seu novo advogado (e dos moradores que conseguiu apoio), a Fabray entra na justiça contra o síndico e companhia por desvio de verba, danos materiais e falsificação de documentos (no caso, os que diziam que a manutenção dos alarmes de incêndio estava em dia), pois quando ela e os vizinhos os colocaram contra a parede, os senhores não souberam explicar uma vírgula, muito menos de suas fortunas repentinas de 6 anos para cá nunca declaradas em imposto de renda.
(...)
— Ok, Brittany. Você disse que só queria o melhor pra sua namorada quando terminou com ela, sumiu e a bloqueou nas redes sociais. Eu entendo, você possivelmente lembrou daquela história de que quando se ama um passarinho, você precisa libertá-lo da gaiola e se um dia ele voltar será por livre e espontânea vontade. É uma verdade. Só não acho que tenha feito da melhor maneira. Mas, o que eu quero saber é... — Holly faz uma pausa. — Em que momento nisso tudo você pensou em você?
Deitada no divã, a Pierce olha para o lado encarando a loira com certo receio.
— Como assim?
— Você se incomoda com sua falta de certezas, metas, sonhos... E pelo que me disse, quando não estava mais com sua namorada, preencheu esse vazio com outras pessoas. Então, nunca esteve sozinha de verdade. Apesar de se sentir sozinha. Você também mencionou que o que mais gostava de fazer e o que mais te entristecia nos últimos anos eram relembrar momentos com ela e sua família. Em nenhum momento citou lembranças que tem sozinha como algo bom... Sabe, uma coisa que todo mundo deveria apreender a gostar desde a infância é da própria companhia. Antes de amar alguém, nos precisamos nos amar. Ter momentos em paz, de puro e simples silêncio. Outra coisa que você se incomoda bastante é distância, mas tem dificuldades em estabelecer meios-termos, foi bastante radical quanto à forma que arrumou pra convencer sua namorada a ir pra Nova York. Percebe?
— Não sei ao certo...
— Tudo bem, eu explico. Primeiro, você se chateou por ela não revelar o motivo pelo qual não queria ir e ficou em cima dela, pressionando-a para conseguir tal resposta, não conseguiu. Depois, se afastou e traiu sua confiança, indo pessoalmente à avó dela contar algo que ela pediu especificamente pra você não contar. Em nenhum momento pensou em, simplesmente, dar o espaço que ela precisava e estar ali para apoiá-la e ouvi-la, talvez se propondo a usar mais o celular como ela também se propôs a ver e escutar seus filmes e músicas favoritas...
— Nossa, eu sou péssima...
— Não, você não é péssima, Brittany. Você só é uma pessoa como qualquer outra. E olha, sei que é difícil quando os outros não se abrem com a gente, principalmente quem nós amamos, mas não podemos esperar que eles façam isso o tempo todo. Seu temperamento foi e provavelmente ainda é muito 8 ou 80, precisa achar um equilíbrio. Precisa ter momentos de paz consigo mesma sozinha, refletir sobre tudo sem se martirizar e ao mesmo tempo, estar presente pras pessoas que ama. Não pode ter medo de perdê-las a todo instante como comentou comigo que tem, porque assim não conseguirá aproveitar um segundo sequer do agora.
— Faz sentido. Eu... Meio que fazia isso antes de conhecer minha namorada.
— É mesmo? — Ela sorri. — Isso é bom... A gente acaba pirando quando se apaixona, às vezes é impossível saber onde termina a linha do saudável e começa a da loucura. Ainda mais com términos doloridos.
— Eu que o diga...
Elas gargalham e a Dra. Holliday indaga, interessada:
— Acha que consegue resgatar essa Brittany pra gente lapidar?
(...)
Já é novembro.
Dia 11 de novembro mais especificamente. Fim de semana.
Falta uma semana para o aniversário de 26 anos de Santana e a primeira coisa que ela constata ao despertar, é que Brittany não está do seu lado na cama. O que é incomum... Bom, nem tão incomum assim se comparado ao walkman repousado numa das mesinhas de cabeceira com um papel escrito “me escute” colado a ele.
Estranhando toda a situação, a latina se põe de pé e o apanha – depois de fazer sua higiene matinal; coloca o headphone e então é surpreendida por Dino, antes de ter a mínima chance de dar play na fita.
“Aw, aw!”
— Bom dia pra você também, anãozinho! — Ela ri, se ajoelhando para interagir com o cão. — Você me assustou... É, é sim... Seu folgado.
A mulher brinca com o pet até ele se cansar e sair correndo para fora do quarto. Ok... De volta ao walkman misterioso. Ela aperta o play. Escuta-se algum barulho de vento no fundo, previamente a voz de Brittany se revelar.
“Oi, meu amor... Bom dia. Espero que tenha dormido bem, aliás, melhor que bem. Divinamente bem. Qualquer coisa, imagine que estou aí te dando uns beijos.” — Santana ri junto à gravação. — “Hã, seguinte: os próximos dias vão ser um pouquinho diferentes San, e eu peço que você não trapaceie, porque eu passei dias bolando isso até conseguir chegar até aqui. Combinado?”
Ela faz uma pausa, e a Lopez começa a caminhar pelo quarto.
“Então, beleza. Bom, quando estiver ouvindo essa fita eu vou estar num avião com destino ao Canadá... É, você ouviu bem. Não é brincadeira, antes que se pergunte. Sei que não falei nada sobre isso, não me despedi e você provavelmente vai ficar puta comigo, mas por favor, não fica até entender o porquê disso. Ok?”
— Difícil, Pierce. — Ela fala sozinha.
“Vou passar uns dias na casa dos meus pais, mas você vai estar comigo o tempo todo. E eu com você... Prometo. Essa semana é sua, aniversariante. Então, simbora! Sua missão de hoje é ir até o nosso quarto de visitas, vulgo deposito de tranqueiras como gosta de chamar, e lá você vai saber o que fazer. Fui! Beijo, tchau.”
A gravação acaba e Santana devolve o aparelho para o criado-mudo. Ainda não entendera qual é a de Brittany com este evento inusitado, mas mentiria se dissesse que não está curiosa. Ela sai do quarto e vai até o “deposito” de tranqueiras e abre a porta, deparando-se com a parede preenchida por diversas fotos Polaroid.
São muitas fotos.
E elas são tão, mas tão vívidas, que as bagunças perdem feio protagonismo para elas. Isso deve ter sido trabalhoso, a morena tem certeza. Em meio a tantas fotografias, é possível enxergar algumas embaralhadas que possuem números romanos escritos em suas bordas brancas, fora o “alto relevo” se comparadas ao restante. Em cima de todo o mural está escrito: Uma foto por dia. Sendo assim, Santana chega perto e descola a foto de número I, que carrega o corpo da árvore Violeta e suas lindas folhas roxas, e a gira, vendo que em seu verso há um papel grudado, o que explica o alto relevo. Sem demora, ela desdobra a cartinha, para poder ler.
1º dia
Ei Sannie,
Tirei essa foto no dia em que a gente se conheceu, antes de você aparecer. Pode soar meio besta, mas... Se não fosse a Violeta, a gente não seria nada. Andamos negligenciando demais a natureza, já pensou? Hoje, eu quero que você vá sozinha até um parque, ache uma árvore que te chame atenção a abrace (descalça) e a dê um nome, depois deite ao pé dela, como fizemos naquele dia. E aí você me liga.
Sua, Brittany.
PS: Sim, eu disse pra me ligar.
PS²: Não, você não vai pagar mico abraçando uma árvore assim.
PS³: Sem trapacear, hein? Siga todos os passos direitinho. Por mim ♥
— Rá, rá. — A Lopez acaba rindo de verdade. — Nem tá querendo demais.
— Olha só... — Quinn entra no cômodo de fininho. — Você finalmente achou a obra de arte da Britt.
A dos olhos castanhos se vira, fitando-a.
— Bom dia, Q. Pois é, ficou lindo... Imagino que já saiba de tudo.
— Mas, é claro! Quem você acha que ajudou? — A loira de diverte, aproximando-se. — É uma das vantagens de se morar aqui. Perdendo apenas para o fato maravilhoso de se ter a melhor cozinheira do mundo como melhor amiga te mimando... Por falar nisso, a Brittany pediu pra eu encomendar café da manhã pra você. E acabou de chegar, por isso tô aqui.
— Sério? Nem ouvi a campainha...
Lucy ri.
— É porque eu fiquei lá fora esperando, nem precisaram tocar. Vamos?
— Claro.
Elas começam a sair do quarto, juntas.
— Me fala aí, o que tá escrito na foto?
— Você não leu?
— Não. A Britt não deixou.
Santana se alegra gargalhando da cara dela e acaba por entregar a foto a loira.
— Aqui. Olha.
— Hum... — Quinn lê, risonha, e a latina vai no embalo. — Isso é muito Brittany.
— Eu sei!
(...)
— Tá legal. Eu consigo. — Santana diz para si mesma, enquanto tira os calçados no parque. Então, respira fundo e se alonga, olhando disfarçadamente para os lados para se certificar de que não tem ninguém a assistindo. — Eu consigo.
Ela aprecia a árvore em sua frente, preparando-se psicologicamente para abraçá-la. Dá um passo de cada vez, lembrando-se da primeira vez que viu a canadense. Aquela doida... Nunca se interessaria por outra pessoa naquele lugar, é de se admirar. Também nunca faria o que está prestes a fazer, se Brittany não fosse Brittany. Mas, já que a Brittany é a Brittany, é isso aí.
Santana envolve os braços no tronco do Cedro e fecha os olhos. Brittany falou para ela nomeá-la, só que francamente: não estava botando muita fé nessa parte, mas... Foi só abraçar a árvore que pronto, um nome lhe apareceu. Não está acreditando na bizarrice.
— Ok... Chega. — Ela deita no chão e se apossa do celular, ligando para Brittany de fones de ouvido, mal acredita na rapidez que a mesma a atende (considerando de quem se trata, claro). — Alô, B?
— [‘Tardee, Sant! E aí, você cumpriu a missão do dia?]
— Sim... Tô aqui deitada no chão agora mesmo, em frente à árvore. Não foi tão difícil quanto pensei. E... Até que foi legal.
— [Eu sabia que deveria ter pegado no seu pé pra fazer isso antes!]
Elas riem.
— Olha, eu ainda tô meio brava por você ter viajado sem falar comigo, mas vou relevar porque essa sua ideia de semana de aniversário parece promissora.
— [Obrigada. Fico lisonjeada, vida... Você dormiu bem?]
— Sim. E Você?
— [Também. Só não sei como vai ser hoje sem você... Terei uns bons dias aí redescobrindo como dormir bem. Mas, é a vida, né.]
A Pierce ri, e Santana se contagia.
— [E o Dino?]
— Nem percebeu seu sumiço, já tá acostumado... Tô brincando.
— [Aí! Quase me matou aqui, isso não se faz. Que maldade, Sannie!]
— Você merece...
— [Não mereço não... Já mereci. Mas, não mais.]
— Tá certo. Parei, Britt-Britt... Dino também tá bem. Na verdade, muito felizinho se quer saber. A Fabray tá passeando com o monstrinho em algum lugar aqui do parque nesse exato instante, nós viemos juntos até a entrada e nos separamos.
— [Que bom, espero que todos vocês se divirtam! Agora me diz o nome da árvore que tô curiosa... Não! Não! Tenho uma ideia melhor. Primeiro me manda uma foto dela e aí você me fala.]
— Ok... — A morena levanta, bate uma foto do Cedro e manda para a namorada. — Tá aí.
— [Nossa, muito bonita... Qual o nome escolhido, huh?]
— Grinch.
Brittany gargalha, e a Lopez a ajuda no trabalho.
— [Tô falando sério!]
— Também tô falando sério! Grinch foi o nome que eu senti... Não me julgue.
— [O que? Julgar? Longe de mim, imagina... É um lindo nome, amor. Parabéns.] — A dos olhos azuis brinca, cochichando as próximas palavras: — [Sorte do Dino que foi eu quem o batizei.]
— Vai se catar, Pierce!
Elas riem, animadas.
— O que tá fazendo, hein?
— [Segredo... Sacanagem. Tô numa ponte observando o mar, já, já te mando foto. Por falar nisso, quando eu voltar lá pra casa dos meus pais, vou dar uma de Rosa e te convidar pra uma chamada de vídeo, tá? Minha mãe tá louca pra te ver.]
A cozinheira sorri, besta. Não sabe como irá lidar com a sogra após todo esse tempo, mas sabe que leva Olivia no coração desde sempre e a ideia de revê-la a apazigua. Isso é família.
— Sem problemas.
(...)
2º dia
A foto II é Dino filhote, em seus primeiros dias com elas. O corgi era e ainda é a coisa mais fofa do mundo. Jogo baixo.
Ei Sannie,
Você é a melhor humana que um bichinho poderia ter, sério. Dino tem muita sorte (e vice-versa). Bom, mas isso você já sabe, haha... Hoje, quero que você corte um pedaço de melancia e o dê, depois converse e brinque muito com ele e se possível, guarde todas as broncas para si ao longo do dia. Sei que é complicado, já que ele tá meio empolgado com a ideia de aumentar aquele buraco no quintal... Mas, releve só dessa vez. Sim?
Sua, Brittany.
PS: Lembre-se, Dino é só uma criança.
PS²: Grava a cena pra mim, por favorzinho ♥
(...)
3º dia
A foto III é Santana toda sorridente vestindo o uniforme do restaurante de Sue Sylvester (o Spice Cheerio), com uma colher em mãos apontando em direção à câmera.
Ei Sannie,
Lembra dessa foto? Foi quando você voltou de Nova York, depois daquele verão com a sua “ídola”... Acho que nunca te vi tão feliz. Você sorria com os olhos e as covinhas a cada palavrinha que saia da boca. E eu me apaixonei de novo e de novo dezenas de milhares de vezes, só nesse dia... Mas, antes que eu me prolongue, vamos lá. Hoje, quero que você seja simpática até com a pessoa que menos gosta no Flavortones porque mesmo esse ser, merece uma palinha desse seu lado.
Sua, Brittany.
PS: Se for impossível, você pode pular essa.
PS²: Tenha um bom dia no trabalho, linda ♥
PS³: Ah, mais uma coisa, quando voltar do restaurante pode ser que você ache algo pela casa. Liga pra mim, que eu vou te dizer se tá quente ou frio. Ansiosa aqui.
Pouco depois de retornar à residência, conseguindo concluir parcialmente a missão de simpática pelo dia, Santana toma um banho, janta e pega o celular para ligar para a fotógrafa.
— [Oi...]
— Oi, Britt-Britt.
— [Nossa... É uma delícia ouvir sua voz, San. Melhor parte do meu dia.]
— Igualmente.
Elas sorriem uma de cada canto, abobalhadas.
— [Preparada pro jogo?]
— Eu espero que sim.
— [Ok. onde você tá?]
— Na sala.
— [É. Tá bem frio. Congelando...]
As mulheres continuam o jogo que perdura por alguns bons minutos, até a Lopez se encaminhar à despensa, encontrando uma embalagem de presente escondidinha atrás de alguns mantimentos. Grudada a ela, um bilhete: não use nos inimigos, por favor. A cozinheira ri.
— Já tô entendendo a piadinha.
— [Foi proposital...]
Ela rasga o papel de presente e dá de cara com um kit de facas deslumbrante.
— Eu amei.
— [Não tá mentindo pra me agradar, não né?] — A loira brinca.
— Até parece.
(...)
4º dia
A foto IV é Quinn e Santana com fantasias de Halloween, uma de Aurora e a outra de Malévola. Elas estão abraçadas de lado. A Lopez, a qual é a trajada de vilã, está beijando a bochecha da loira e, Lucy, por sua vez, faz uma careta sorridente.
Ei Sannie,
Sei que passamos o último Halloween sentadas no sofá resmungando de ter que atender a porta pras crianças, mas essa não é a questão, haha... Lembra dessa foto? Acho que ela resume bem a amizade de vocês duas e toda aquela ideia maravilhosa do filme, sobre o amor verdadeiro não ser nem de longe cargo exclusivo do amor romântico, coisa e tal... Vocês amaram e até combinaram de fazer parzinho temático, foi lindo de ver. Diferente de mim, Quinn sempre esteve ao seu lado. E você do dela. Eu admiro muito a amizade de vocês. O amor que tem uma pela outra e a habilidade que ambas têm de se entender tão rápido e se dar tão bem, apesar de briguinhas que possam surgir pelo caminho. Bom, sem mais delongas: hoje, quero que você vá ao cinema com a Quinnie depois que chegarem do trabalho. Não olhem o que está em cartaz, simplesmente cheguem lá e decidam na hora. Aproveitem a companhia uma da outra.
Sua, Brittany.
PS: Amo vocês e já tô mortinha de saudades enquanto escrevo ♥
(...)
5º dia
A foto V é Santana junto a Alma, em um dos jantares proporcionados pela Lopez mais velha em sua casa em LA. Foram tantos jantares que só Deus sabe em que posição este ficava. Na imagem, a morena e a avó pareciam conversar distraídas.
Ei Sannie,
Família é uma coisa importante. E não, eu não digo só de sangue não. Seria o máximo se toda família biológica fosse o suporte que deveria ser. Mas, enfim... Família é quem a gente escolhe e quem nos escolhe de volta, sendo de sangue ou não. E preconceitos e tudo de ruim que carregamos na cabeça vão ficando em segundo plano, para podermos aprender a nos entender e amar. Como a Alma fez, seus irmãos, eu, Quinn, aquele seu amigo Spencer que te liga quase todo dia, Mercedes, Kurt, Rachel... O que não falta é amor. Ainda não tenho uma foto sua com seus irmãos, mas, definitivamente, eles são um presente na sua vida e você na deles, como é na vida de qualquer um tem a oportunidade de te conhecer de perto. E que se foda o seu pai e companhia. Hoje, nos horários que tiver disponível, quero que converse com todos que são importantes pra você, seja por texto, áudio, telefonema, vídeo chamada, pessoalmente, você escolhe.
Sua, Brittany.
PS: Dá uma olhada no seu colar de família, eu dei uma atualizada ♥
(...)
6º dia
A foto VI é a mão de Santana entrelaçada a de Brittany, e grama ao chão.
Ei Sannie,
Bom dia, meu amor. Tenho muitas coisas pra dizer sobre essa foto. Mas... Você já sabe. Tem a mão mais bonita que eu já vi na galáxia todinha e eu nunca soube lidar... E, provavelmente, nunca vou. Enfim, é só pra ilustrar as próximas palavras. Hoje, quero que você defina uma missão pra mim. O que quiser, com exceção da minha volta, porque aí vou ficar te devendo. Pense bem, estarei à espera de sua mensagem.
Sua, Brittany.
PS: Tá chegando! ♥
A latina ri da cartinha e leva a foto para o quarto, guardando em uma gaveta junto as outras. Ok... Qual será a tarefa de Brittany? Ela pensa, pensa e aí tem uma ideia. Pega o celular, para poder digitá-la à namorada.
[Santana]
Já sei [6:26 a.m]
Quero que você crie um Instagram [6:27 a.m]
Me passe o @ [6:27 a.m]
E atualize a conta com a foto que quiser [6:27 a.m]
Pelo menos uma vez por mês [6:27 a.m]
Começando por hoje [6:28 a.m]
[Brittany]
Wow, você é boa nisso [8:55 a.m]
Demorou ;) [8:55 a.m]
Já, já te mando o @ [8:56 a.m]
(...)
7º dia
A foto VII é uma selfie de Brittany e Santana, a morena fazendo biquinho para a lente e a loira rindo, apaixonada.
Ei Sannie,
Feliz aniversário! Parabéns pra você, nesta data querida... Imagine que estou aí do seu lado cantando do jeitinho que você odeia, haha. Mas, falando sério agora... Caramba, 26 anos. Dá última vez que me lembro, você tinha 22. Perdi os últimos três aniversários, e só nesse estou fazendo o que deveria ter feito. Bom, antes tarde do que nunca, né não? Haha, muitos anos de vida... No mínimo uns 80, fechado? Então tá bom. Hoje, quero que você vá até a fachada da Evans Comics às nove horas e meia da noite.
Sua, Brittany.
PS: Eu te amo ♥
Ela sorri, e o dia passa relativamente rápido. Recebe parabéns dos amigos e família por vídeo chamada, dos colegas de trabalho também, algumas lembrancinhas de Blaine, Mercedes, Kurt e Rachel. E é liberada uma hora mais cedo que o habitual. No final do dia, Quinn a presenteia com um projeto de seu futuro restaurante, uma peça de roupa e um bolo de chocolate.
Perto das nove da noite, ela sai de casa, para poder ir até a fachada da loja de quadrinhos, como Brittany pediu. Quase não há movimento naquela parte da cidade. A não ser por um barzinho e lanchonete próximos dali e então ela espera algo acontecer, tranquila. Quando dá nove e meia, uma lambreta azul e branca aparece no fim da rua com uma garota em cima, a princípio a Lopez não se dá conta de que se trata de Brittany, até a garota estacionar o moto ao pé da calçada e tirar o capacete, saltando para fora da lambreta.
— Britt!
— Oi, aniversariante! — A fotógrafa abraça forte Santana. — Que saudades.
— Sim...
Ela enche a namorada de beijos, contente. Depois segura às mãos dela, olhando-a nos olhos. Sorri um pouco mais, sendo correspondida a todo o momento.
— E aí, Sannie? Cê já me perdoou?
— Óbvio... Adorei a semana, B. Cada presente. Obrigada.
— Aah, que bom... Você não precisa agradecer não. — A Pierce volta a abraçar a mais baixa. — Parabéns! Tudo de bom, meu amor... Eu te amo demais, demais, demais.
— Eu também te amo... — Santana diz risonha, e encara aquela lambreta nas costas da mais nova, de novo. — Hum, posso saber qual é a da lambreta? Você alugou isso, foi?
— Então... — A loira se afasta. — Não. Ela é minha. Já é usada, e o preço foi ótimo. Mas, ela tá em perfeito estado.
— Ah, Brittany. Não sei não... Desde quando anda de moto? Comprar essas coisas usadas não é muito seguro.
— É confiável, juro. Testei e tudo o mais.
— Mas, dá onde surgiu a ideia disso?
— Humm, por onde posso começar? Tô tentando seguir o que a Holly disse sobre ouvir mais meu eu interior, e uma coisa que sempre quis foi ter uma lambreta. Agora eu tenho uma.
— Sabe, eu odeio essa mulher...
A dos olhos azuis ri, envolvendo os braços na cintura da cozinheira.
— Odeia não. — Ela dá um selinho na namorada. — Agora, vamos. Tenho que te levar para o último presente.
— Nessa coisa? — A latina gesticula. — Não, nisso eu não subo não. Pode tirar o cavalinho da chuva, Pierce.
— Vem logo.
A canadense puxa Santana, aos risos. Conseguindo convencê-la a subir na lambreta, em algum minuto.
— Sério. Se acontecer alguma coisa com a gente em cima dessa lata velha, eu nunca vou te perdoar.
— Não vai acontecer nada, vida. Palavra de escoteira. — Ela olha para trás, de relance. — Segura firme.
(...)
As namoradas descem da moto, ao chegarem frente ao lar delas. Brittany deu uma boa voltinha pela cidade, como se estivesse enrolando até alguma ocasião. Bom, fato é que Santana estranha a casa estar toda apagada, mas mesmo assim, não acha que irá ter uma festa surpresa, Brittany sabe muito bem que ela desaprova uma coisa dessas e, mesmo se tratando de uma sexta-feira, não é hora de fazer barulho, visto que a polícia poderá ser alarmada pelos vizinhos. Então, ela vai despreocupada até a entrada da casa.
Quando a morena abre a porta, leva um susto.
— SURPRESA! — Alma, Rosa e Juan dizem em coro, abraçando-a. Começam a cantar feliz aniversário.
“Aw, aw!”
— O-o que... O que estão fazendo aqui?
Enquanto isso, Brittany corre para tirar foto deles, Quinn faz um vídeo e Dino corre elétrico pela residência.
— Brittany nos convidou para vir conhecer a casa de vocês, Santana. — A Sra. Lopez conta, sorridente. — Ela é uma querida, você sabe.
— Mas, e o Alejandro? Ele concordou com isso?
— Papai sempre perde a discussão pra abuela, né Juan? — Rosa comenta e o menino assente, em silêncio.
— É mesmo? — Santana ri com a baixinha.
— Sim, você já deveria saber.
— Ok, praguinha. Agora tô sabendo.
— Ah! — Sua irmã começa a puxá-la. — Vem ver a barraca que a Quinn, eu e o Juan estamos montando na sala.
— Vocês vão ficar aqui, é?
— Sim. — Brittany responde por eles. — E nós também. Compramos colchões infláveis pra todo mundo e o sofá já tá no jeito.
— Não é legal?! — Rosa se empolga. — É tipo uma festa do pijama de aniversário, Santana! Tem até lugar pro cachorrinho de vocês! A Quinnie trouxe a caminha dele aqui pra baixo.
— É, é bem legal mesmo... — Ela ri, cochichando para a Pierce em seguida. — Olha só, ela já tá mais intima da Fabray do que de mim.
— Impressão sua.
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