Our Hands Tied - Brittana
24 The One With The End-Of-Year Festivities
Notas iniciais
Primeiro ocorreu um jantarzinho de Ação de Graças, que não estava planejado – já que todos foram convidados por suas famílias separadamente antes disso – mas, que contou com Santana, Brittany, Quinn e Sam celebrando o feriado de última hora na residência das garotas. Nada muito elaborado, eles terminaram a noite relativamente cedo, gratos pelas coisas boas que aconteceram ao longo do ano... Que foram muitas, a propósito. Mesmo com as partes ruins.
Mas, é a vida.
Se não fossem as partes ruins, como se reconheceriam as partes boas, não é mesmo? Tudo se trata de uma balança. Não que seja justo... Longe disso. Só é o que é.
Alguns dias depois, os quatro estavam mais uma vez reunidos para montar a árvore de natal. A Lopez havia encontrado uma árvore de bom tamanho por um ótimo preço, e o Evans foi colocado pelas mulheres para botá-la de pé. Lucy e Brittany foram as responsáveis pelas luzinhas e enfeites da mesma, e Dino por se enroscar nela e derrubá-la no mínimo quatro vezes, antes deles resolverem que era mais seguro mudar a árvore de lugar, porque senão ela dificilmente duraria até Janeiro. Eis que foi colocada em um canto, perto da janela.
E o cão deu-a descanso, enfim.
Na véspera de Natal, Quinn vai buscar o namorado para a ceia, e Brittany e Santana ficam em casa, fazendo os primeiros preparativos para o banquete. A loira não é – e nunca foi – alguém muito habilidosa na cozinha, mas com os comandos da namorada até que ela se saia uma boa ajudante. Bom, a verdade é que a Pierce sempre foi apaixonada por ver a outra com as mãos na massa, o que explica muito de seu cuidado em não foder com tudo.
A televisão está ligada na sala, com algum especial comemorativo que elas não prestam a mínima atenção passando e Dino as abandonara há algum tempo pelo sofá, após seu emocionante dia de incessantes corridas pelos cômodos da casa. Há neve da porta para fora. Nada que se compare a Nova York, ou a Vancouver, mas ainda sim: neve.
A dos olhos azuis se apoia na bancada e sorri, toda boba.
— Que foi? — Santana pergunta, cortando alguns vegetais.
— É só que... Eu te amo. E não é pouco.
A latina comprime os olhos, com um sorrisinho nos lábios.
— Você tá me distraindo, sabia?
— Claro. Essa é a intenção...
— Certo, Srta. Carente. Quer me ajudar com a massa do bolo?
Repentinamente, elas ouvem a porta da residência se abrir.
— Chegamos!
Quinn aparece no cômodo, puxando Sam consigo e para, altiva. Os três se entreolham, cumprimentando-se sorridentes.
— Oi, Sam!
— Evans.
— Garotas.
A Fabray anda até a melhor amiga, praticamente saltitando.
— Seguinte: eu tava conversando com o Sam, e nós decretamos que a senhora já fez muito e está livre da função de cozinhar... — Lucy diz, segurando os ombros de Santana e empurrando-a para longe. — Então, tchauzinho Lopez. A cozinha é nossa hoje... Tomados daqui. Ah, você também Britt... Fora.
A fotógrafa ri.
— Ok.
— Espera aí... — A morena franze as sobrancelhas. — Vocês estão nos expulsando da nossa própria cozinha?
— Basicamente.
— Onde eu deixo isso? — O Evans pergunta, levantando duas sacolas cheias de presentes. — Quinn disse que não estão colocando os presentes embaixo da árvore ainda porque senão o Dino toma para si.
— Pois é... Duas vítimas já são o suficiente.
— Deixa comigo. — Brittany se apossa das sacolas, saindo de cena de mãos dadas com a Lopez. — Vem, Sannie.
— Sério isso?
(...)
Brittany não aguenta e solta algumas risadas, enquanto tem a cabeça de Santana repousada em suas pernas, e as mãos acariciando o rosto moreno. A Lopez está um tanto quanto emburrada desde que fora expulsa da própria cozinha, era um ultraje.
— Você é uma graça com esse biquinho...
— Uhum. Continua rindo mesmo, Brittany.
— Eu tenho certeza que você não precisa se preocupar.
A Fabray brota na sala, desacompanhada.
— Eu tive uma ideia pra te animar, Lopez! Você anda muito tensa...
Olhos castanhos encontram azuis, de novo.
— Tem certeza, é?
— Relaxa, San.
— Um minutinho. — Quinn mexe em seu celular, conectando-o a TV. Coloca Jingle Bell Rock e joga para elas gorros de papai Noel. — Aqui. Vamos restabelecer nosso ritual finalmente esse ano. Fiquem de pé, por favor.
Santana revira os olhos e se levanta, junto à namorada. As três vestem os gorros vermelhos.
— Você abandonou o Projeto-de-Thor sozinho na cozinha?
— Ele sabe se virar.
— Hum...
— Em posições.
Ela dá play na música e elas começam uma coreografia baseada em Mean Girls, o que as geram e sempre gerou altas crises de boas risadas. No fim, a latina deixa o mau humor de lado.
— Tá isso até que foi divertido.
— “Até que foi divertido”, aaah toma vergonha nessa cara, Lopez. — Quinn gargalha, puxando-a para uma valsa. Na zoeira, engrossa a voz: — Venha ser a minha dama, milady.
— Certo. Mas, fique sabendo que você é o maior brutamontes, Sir Fabray.
— Ora, que calúnia. Eu sou um cavalheiro.
— A Srta. Pierce concorda comigo, não?
— Claro. — A dos olhos azuis entra na brincadeira, risonha. — Estou do seu lado sempre, ó vossa excelentíssima.
— Vê, Sir Fabray? Melhore, enquanto ainda pode. Ninguém sabe o que nos espera no além.
Lucy se aproxima um pouco mais da morena, mantendo a voz grossa.
— Não mencionei nada antes, mas essa mulher é muito suspeita. Não percebe? Ela concorda com tudo que diz dessa forma... Um caso sério de puxa-saquismo nervoso. Está cercada de cobras, madame. Corre perigo, fuja comigo.
— Temo não poder. — Santana dá alguns passos para trás, segurando a mão de Brittany. — Meu coração pertence à outra pessoa e... Eu te envenenei por engano no começo da noite. Espero que possa me perdoar no purgatório.
— O que? — Quinn leva a mão ao coração, chocada. E cai no sofá, rindo alto com as outras garotas. — O maior plot twist que você vai ver.
— Q, você pode fazer uma coisa pra mim? — O Evans pergunta da cozinha.
— Essa é minha deixa, amores da minha vida. Continuem alegres assim.
— Pode deixar.
Quinn se vai e Brittany sorri para a latina, levando-a até o quintal gelado. Santana recebe um selinho dela, antes da mesma descer as escadinhas de costas. Se pondo cada vez mais ao centro do espaço.
— Então, Sannie... Faz quanto tempo que você não brinca de guerrinha de bola de neve mesmo?
— Querida, eu cresci em Los Angeles. Tá esquecida?
— Claro que não. É só que... — A fotógrafa alcança a neve com as mãos agilmente, fazendo uma esfera dela, e a ataca na namorada. — Pra tudo tem uma primeira vez!
A morena fica pasma com a atitude da outra, mas logo embarca em risadas. É frio para um inferno tomar uma bola de neve no corpo, e umedece a roupa... Porém, gera uma adrenalina inexplicavelmente boa.
— Ah... — Santana enche as mãos de neve, correndo atrás da outra. Tenta acertá-la, ignorando a dor de gelo na pele. — Mas, você me paga!
— Esse é o espírito!
(...)
— Parece que vocês se divertiram bastante lá fora. — A Fabray ri, enquanto assiste as mulheres subindo as escadas de mansinho com Dino na cola. — Quando voltarem, vamos fazer uma votaçãozinha do que vamos assistir depois da ceia. Beleza?
— Sim, senhora.
“Aw, aw.. Aw!”
— Dino disse que tem voz na votação também.
— Mas, é claro Britt. Isso é indiscutível.
(...)
— Nossa... — Santana saboreia a comida. — Por que você nunca nos contou seus dotes culinários, Evans?
— Não é? — Lucy ri. — Tive a mesma reação, quando descobri. Ele é muito modesto.
A Pierce manda um joinha para Sam, partilhando da mesma opinião. Mas, abrir a boca agora, está totalmente fora de cogitação. Pelo menos, para ela.
— Obrigado. — Ele parece tímido.
— Você ainda não respondeu minha pergunta.
— Ah, é que só gosto de cozinhar em ocasiões específicas... Então, eu não sei. Mas, é uma honra receber um elogio vindo de uma chef como você, Santana.
— Imagina.
— Hum... E receber um elogio de uma namorada como eu não é uma honra não? — A designer de interiores finge incômodo, risonha.
— Claro que é. — Sam alcança a mão dela, rindo também. — Aliás, é mais que uma honra.
Ele se inclina para beijá-la.
— Senhores, isso é uma mesa de família. — A cozinheira brinca. — Contentem-se, por favor.
— Perdão. — Sam se desculpa, sorridente. E solta à mão da Fabray.
— Só unzinho. — Lucy dá um selinho no namorado. — Pronto. Ninguém viu.
Todos riem, alegres.
“Aw, aw!”
Dino apoia as patinhas nas coxas de Brittany, parecendo interessado em seu prato.
— Oi, pequeno... — Ela ri, afastando-o. — Não pode.
— Olha só quem acordou e veio se juntar a nós. — Quinn sorri, olhando para o cachorro. — Tudo bem, cara?
“Aw!”
Santana chega ao pé do ouvido de Brittany, para cochichar algo.
— Espero que seu presente para o Dino não seja outro ossinho...
— Não é. — Ela não se contenta, indo até a orelha da outra. — Pode ficar tranquila, amor da minha vida... Você vai adorar o presente.
— Senhoras, eu pensei que isso fosse uma mesa de família. — Quinn as chama a atenção, gargalhando. — Tsc, tsc.
(...)
— Feliz Natal!
Os quatro jovens trocam abraços na sala de estar, frente à árvore enfeitada.
Dino já havia recebido seu presente, para ficar quietinho. Ou, quase. Era uma roupinha natalina, pois a pelúcia em formato de peixinho com que se entretém fora trazida por Quinn e Brittany no dia em que elas se empolgaram com as “comprinhas” no petshop.
— Eu amei...
...
— Caramba, obrigada!
...
— O que? Não brinca... E-esse é o melhor presente.
— Não, não! O seu que é, claramente!
— Isso não é uma competição.
...
— Eu sei!
...
— De nada.
Os presentes trocados por Santana, Brittany, Quinn e Sam resumiram-se em suéteres, e meias e... Ah, claro: pôsteres emoldurados. Também teve um abajur, dois livros e ingressos para todos eles irem a um jogo de baseball que aconteceria logo menos. Bom, foi um dia legal. E divertido. Estavam mais próximos.
(...)
Dia 31 de Dezembro, lá estavam os dois casais juntos outra vez para comemorarem a passagem de ano e assistirem aos fogos de artifício da cidade. Dentre muitas qualidades, fogos silenciosos ainda não são o forte de Portland – ou qualquer outra cidade urbana do país – infelizmente. E, devido a isso, Dino recebera headphones/abafadores de som de Santana há uns dois anos e meio, e sempre era obrigado a vesti-los, para não ficar amedrontado e estressado com as explosões. A princípio ele odiava ter um treco desconhecido na cabeça, mas em algum momento esquecia. Principalmente, se recebia petiscos depois.
Assim foi feito.
As ruas estão muito bem movimentadas, apesar do frio. Rostos sorridentes e amigáveis preenchem-nas, com grupos pequenos como o deles. Parece que a qualquer hora começará a sequência de fogos e Santana e Brittany dividem um pacote de M&M's enquanto caminham pela rua, já Sam e Quinn falam sobre alguma música que toca nos fones em que ambos partilham.
— San... Tô curiosa. — A Pierce passa a embalagem para a namorada, fazendo uma breve pausa na fala para poder engolir o doce direito. — Onde você estava e o que fazia há exatamente um ano atrás?
— Desse jeito a senhorita vai ter uma overdose de chocolate, B... — Santana ri. — Hum, deixa eu pensar. Eu estava... Na Times Square com o Spencer e o namorado dele. Ele fez disso meio que um ritual, todo ano no dia 31 de dezembro está lá, sem exceção. Não importa quem vai se apresentar ou se tem companhia ou não, o Porter vai. Foi legal até, mas voltei logo pra casa pra ficar com o Dino. E você?
O celular da loira começa a vibrar.
— Ah, eu estava com a minha... — Ela pega o aparelho nesse meio tempo e o leva aos olhos. — Marley.
— Quê? — Santana engasga.
— Não... Você não entendeu, desculpa. Eu não tava com a Marley, é só que ela tá me ligando agora.
— Ah...
Como se isso deixasse de ser pior, Santana pensa ao passo que Brittany atende a ex.
— Alô? Tudo bem?
— [B-Britt..] — A Rose tem a voz trêmula, um tanto quanto chorosa e, à medida que fala, começa a ficar em prantos sem conseguir dizer as coisas com clareza. — [Eu acho que deixei a Naomi morrer... Foi sem querer. Ando muito desligada. Ah, meu deus... D-desculpa atrapalhar seu fim de ano, eu não sabia pra quem ligar. E... E... É melhor eu desligar. Eu vou desligar. Boa noite.]
— Ei, não! Espera, Marley... — Brittany tenta entender, sem repetir as coisas relacionadas à “morte” em voz alta: — Quem é Naomi?
— [É a minha... Minha... É besteira, me perdoa. Feliz ano novo. V-você é muito legal.]
Ao passo que Marley desliga a chamada, deixando a Pierce intrigada com a ligação, os fogos de artifício começam a aparecer no céu pois já é meia-noite. Por que Marley acha que deixou a tal Naomi morrer? Aliás... Quem é Naomi? Uma pessoa? Um pet? Ela é abraçada por Sam e Quinn, e saí um tanto do transe de pensamentos que lhe a atazanam.
— Feliz ano novo!
Santana é a última a abraçar a canadense, notando sua preocupação.
— Feliz ano novo...
— Feliz ano novo, Sant. — Ela beija uma bochecha da morena, suspirando em seu pescoço quando repousa o queixo por lá. — Eu te amo.
— O que a Marley queria?
— Nada... Só estava abalada com alguma coisa. Acho que ela tá sozinha em casa, ou sei lá.
A Lopez aperta os olhos, nada feliz com suas próximas palavras:
— Você devia ir checar se tá tudo bem... Com ela.
— É. Eu devia. — A loira assente e se afasta, apertando as mãos da mais baixa. — Não vou demorar. Tá?
A dos olhos castanhos balança a cabeça e Brittany a beija, e depois, se direciona ao namorado da prima.
— Sam, se tiver... Você pode me passar o endereço da Marley, por favor?
— Hum, eu não tenho certeza. Mas, vou dar uma confirmada com o Kurt pra você. — Ele se equipa de seu celular. — Um minuto, Britt.
— Obrigada.
— O que aconteceu? — Quinn quer saber. — Tô meio perdida aqui.
— Nada. É só que a Marley me ligou, meio pra baixo... Eu não sei.
— Vish. Espero que esteja tudo bem.
— Eu também...
— Ah, aqui! É o endereço que me veio à cabeça mesmo. — O Evans virou a tela do celular para o lado da Pierce. — Vou te mandar por mensagem.
— Muito obrigada. — A loira começa a se afastar, depressa. — Eu já volto pessoal, nos encontramos em casa!
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