Our Fury
17 You made a deal And now it seems you have to offer all
Notas iniciais
Ela entrou apressadamente dentro da cela onde o anão se encontrava preso. Os olhos dela eram pura mágoa e acusação, até mesmo certa dose de fúria. Pelo olhar indecifrável de Tyrion, Megara sabia que ele já esperava aquela reação dela.
– Megara...
– Você me traiu.
O anão suspirou diante da acusação, ergueu-se de onde estava sentado, olhando-a com cautela e esperando alguma reação a mais.
– Eu iria contar a você.
– Iria? – questionou, com um sorriso sem humor e duro. – Quando? Quando ele estivesse entrando no pátio para enfrentar Sor Gregor?
– No momento em que falou comigo no julgamento, mas não houve tempo.
– Eu fiz um acordo com o seu maldito pai para salvá-lo e tudo foi em vão!
– Eu não poderia esperar, Megara! – Ele retrucou tentando convencê-la. – É a minha cabeça que estava em jogo, no próximo dia, eu seria condenado.
– Eu disse que ajudaria você.
– E o que você fez? Nada!
Aquilo foi demais para ela.
Ela o esbofeteou com força.
– Eu prometi me casar com Jaime para livrá-lo da morte, com seu irmão, sabe o quanto nos detestamos? Mesmo assim eu aceitei isso por você. Para que tivesse uma chance. Para salvar você. Se não fosse isso, seria capaz de ajuda-lo a fugir e você acha mesmo que eu não faria nada? Seu desgraçado!
Tyrion tocou o local onde ela havia batido.
Megara se afastou dele indo na direção do pequeno banco, sentando-se nele, cruzando os braços diante do corpo.
– O que prometeu a ele? – Tyrion indagou. – Casar com Jaime? Vocês dois fizeram o que ele queria. Um herdeiro para Casterly Rock e ainda o ajudava a se livrar de mim me despachando para a muralha. Você casada com o Jaime, daria a ele a continuação, herdeiros com sangue Lannister e sangue real. Era bom demais para ele, era perfeito.
– Não importa, se isso salvasse você.
– Foi bom ter tirado isso dele. – Tyrion sorriu de lado. – E eu tirei você desse acordo, esta livre. – Ele insistiu. – Aquele julgamento nunca teria nenhuma chance de me inocentar, um julgamento por combate era minha única chance e um campeão me apareceu para lutar por mim, por que eu seria tolo de recusar?
– Sor Gregor vai lutar por Cersei.
– A Montanha não deve ser invencível.
– Ele quase matou Loras.
– Loras é um cachorrinho arrogante, é talentoso, mas é jovem demais e sedento por glórias...
– E Oberyn é sedento por vingança. – Ela o cortou. – A Montanha matou a irmã e os dois sobrinhos dele, é por ela que ele vai lutar e não por você, pela vingança.
– Alguns dizem que um guerreiro com um propósito certo é muito poderoso.
– Confiança em excesso é inimiga da cautela, vai acabar perdendo. A Vingança vai cegá-lo, ele poderá colocar tudo a perder.
Tyrion a encarou por alguns minutos.
– Você o ama.
O silêncio dela pareceu ser uma resposta.
– E nem mesmo tenta negar. – Tyrion murmurou. – Megara, você tem consciência em quão estúpida está sendo por se apaixonar Oberyn Martell?
– O tempo todo.
O anão suspirou.
– Então deve saber, que não deveria se arriscar por ele, Oberyn não fará por você...
– Ele me ama, Tyrion. – ela sussurrou, mais para si mesma do que para ele. – Ele disse que...
– Vai acreditar nas palavras de uma Víbora? Só por que ele disse que a ama, não significa que seja verdade, Megara. Os homens mentem. Eu acreditei nas palavras de amor de uma puta, olhe onde eu estou. Não cometa a mesma idiotice que eu.
Megara respirou fundo, não tinha uma resposta para aquilo.
– Eu preciso ir.
Ela deu as costas a Tyrion e abandonou a cela.
As palavras de Tyrion tiveram mais impacto do que ela quis. Temeu que ele estivesse certo, como sempre. Afinal, ele sempre estivera.
–- X –-
Depois de tantos anos, Moira nunca pensou que colocaria seus pés novamente naquele local. Aquele maldito bordel. As lembranças vinham em sua mente sem serem convidadas, sem que ela pudesse ao menos repelir. Ao olha para alguns tecidos, podia se ver atrás deles. Aquela menina chorona e perdida que um dia fora. Escondida nos cantos do lugar, chorando e soluçando, implorando aos deuses para que a levassem para casa, de volta a Lys, para perto de sua velha mãe que falecera.
Se sua mãe estivesse viva, nunca teria deixado seu pai lhe vender aquela casa de prazer em Lys quando era apenas uma criança. Logo após, vendida a preço de ouro para o maldito Littlefinger. Para ele, uma mercadoria que não lhe rendia lucro nenhum. Ela o temia tanto. Costumava correr e se esconder em todos os lugares possíveis no bordel quando ele chegava, mas ele sempre a achava.
Chorando novamente, minha querida? A voz dele parecia estar por trás daquelas cortinas.
Ao chegar no quarto, largou a capa que lhe cobria sobre uma das mesas e sentou-se na cama. Deixou que seus dedos tocassem o tecido sedoso, lembrando-se de como costumava se encolher naquela cama, em lágrimas. Seus pensamentos foram cortados pelo som da porta se abrindo.
– Lysena. – A voz de Oliver soou surpresa. – O que faz aqui? Como...
Ela suspirou.
– Ah, garoto, eu conheço esse lugar melhor do que você. – Ela sorriu. – Eu já vivi aqui, faz algum tempo, mas até alguns anos atrás eu era um de vocês.
– Uma puta?
– Há formas mais sutis de se dizer isso. – Moira deitou-se sobre a cama. – Embora, eu acredite que você não faz questão de ser sutil comigo.
– Era de se esperar de alguém vindo de Lys.
– Você tem algum problema sério com Lys.
– Tenho com você.
– Por quê, garoto? – Ela questionou. – Somos até meio parecidos, ambos somos espertos, sabemos sobreviver aos jogos dos grandes mesmo sendo são pequenos.
– Algo em que me concordamos.
Ela indicou o lado da cama para ele que deitou-se ao lado dela.
– Como saiu daqui? – Oliver indagou curioso. – Você certamente não trabalha para Petyr.
– É verdade, não trabalho para ele, mas você trabalha. – Ela ergueu-se servindo duas taças de vinho para os dois. – Agora, você é o procurador dele no Bordel.
– Não apenas isso.
– Não? Estou curiosa. — ela tomou um gole do vinho. — Façamos um acordo, conte-me seus segredos e te contarei os meus.
– Sou informante dele. – Ele inclinou-se para sussurrar algo a ela. – Sei de muita coisa, lysena.
Moira sorriu ao ouvir aquilo.
–- X –-
Tommen olhou com o canto dos olhos para Megara na galeria, ela assentiu em apoio ao sobrinho. Os conselheiros ao seu redor, entre eles, os olhos de Megara só conseguia permanecer no dornês ao lado de Mace Tyrell. Oberyn a olhava vez ou outra. Ainda não encontrara tempo para ir até ele, nem ele tivera como ir até ele para se questionarem. Toda vez que ele a olhava, Megara via que ele se questionava a razão do rancor nos olhos dela.
As palavras de Tyrion lhe despertaram a dúvida. Sentia medo de estar sendo usada, de não passar de um brinquedo nas mãos do dornês. Sabia o que tinha todas as razões no mundo para não confiar nele.
Mas, por que ela não sentia nada disso quando estava perto dele?
Eu o amo tanto.
– Lady Megara.
Lorde Varys surgira de uma forma tão silenciosa que ela mesma não percebera ou talvez estivesse tão absorta que não prestara atenção.
– Olá, Lorde Varys.
– Há culpa em você, jovem senhora. – Ele concluiu a fitando. – O seu empenho em ajudar Lorde Tyrion foi admirável.
– Não adiantou nada.
– Mesmo assim fez de tudo para salvá-lo, até mesmo um casamento com alguém que odeia. – Varys suspirou. – Então, se tudo tivesse saído como planejaram, Lorde Tyrion estaria a esse momento a caminho da muralha, Jaime Lannister estaria fora da Guarda Real e a você seria em breve senhora de Casterly Rock, além de que uma certa Víbora não esta mais indo no caminho de uma morte iminente.
– Não importa.
– A morte de certa Víbora? – Ele questionou com uma ponta de divertimento na voz. – Quer enganar a mim ou a si mesma, Lady Megara?
– Acho que não conseguiria enganar nenhum dos dois, Lord Varys. – Megara suspirou. – Estive perto de salvar os dois, ainda sim os perdi.
O homem sorriu afetado.
– Lorde Varys, acabo de me lembrar que o seu depoimento contra Tyrion também foi admirável.
– A senhora também não depôs em momento nenhum a favor de Lorde Tyrion.
Ela abaixou os olhos.
– Ele não deixou.
– Sempre achei que a senhora fosse boa em desobedecer ordens.
– Nada disso importa mais agora, Lorde Varys. – Ela disse rapidamente. – Meu depoimento ou o seu não seriam capaz de inocentar Tyrion, não com aquele júri todo contra ele, a corte inteira desejando vê-lo condenado, eles queriam vê-lo condenado, nada importa se ele for mesmo inocente.
– De fato, ele seria mesmo condenado. – Varys suspirou. – A menos que provas fossem encontradas. Algo forte o suficiente para inocentar Lorde Tyrion.
– Outro culpado. – completou Megara para si mesma.
– Sim, outro assassino do rei. – Ele segurou a mão dela fechando-a nas suas. – Mas quem mais teria motivos para matar o Rei Joffrey?
Megara não respondeu, mas ela já sabia a resposta.
– Se precisar de qualquer coisa, senhora. – Ele sussurrou. – Pode me pedir, com certeza.
Então, deixou-a sozinha com seus pensamentos.
Quando abriu sua mão encontrou o que Varys havia deixado nela, um pequenino frasco com alguns pequenos cristais de cor purpura dentro. Megara não precisou pensar muito para perceber que se tratava de um veneno.
O Estrangulador.
–- X –
Quando Loras a encontrou no pátio de treinamento, ela pode suspirar aliviada. Abaixou o arco ainda com a flecha, espero que ele se aproximasse. Loras olhou para os lados parecendo temeroso por estar ali, mas ainda assim viera até ela.
– Você demorou.
– Vim o mais rápido que pude, Megara. – Ele encolheu os ombros. – Sou um membro da Guarda Real, eu tenho deveres.
– Sua irmã recebeu minha carta?
– Sim, recebeu. – Ele colocou-se ao lado dela. – Embora não me disse do que se tratava, disse para que lhe falasse que ela concordava.
Megara sentiu-se aliviada com aquilo.
– O que era?
Ela ficou em silêncio.
– Megara, o que pediu a minha irmã que eu não pude saber o que era?
– Saberá no momento certo.
Ele colocou a mão em seu ombro, preocupado.
– Megara, por favor, não faça nada estúpido. – Ele praticamente implorou.- Eu sei que Lorde Tyrion é importante para você, mas não há nada que possa fazer.
– Sinto muito, Loras.
Ela viu um pouco de medo nos olhos dele.
– Eu prometi a seu irmão que manteria você a salvo.
– Mas eu não prometi nada a Renly.
Ela mirou a flecha no alvo e atirou certeiramente.
– Por que está treinando o arco de novo? Você não tem que matar ninguém.
Ela sorriu amargamente ao ouvir as palavras do cavaleiro.
– Talvez eu tenha sim.
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