Our Fury
18 Sacrifice
Notas iniciais
Meu tempo está acabando e minha paciência também. Era tudo que Moira conseguia pensar enquanto estava naquela cama, bebendo e tagarelando com Oliver, após ter ganhando um pouco da simpatia dele com alguns sorrisos e beijos. O garoto era sedento por alguém no qual pudesse falar suas conquistas, como a confiança de Petyr. Ela lhe deu ouvidos, parecendo admirada com cada palavra que e lhe dizia, tentando achar algo de útil em tudo que ele falava, mas o garoto era também cuidadoso, parecia sempre parar sempre no que parecia mais interessante para ela, aquilo já estava lhe irritando.
– Então, lysena, você me disse como era sua vida aqui, mas não me contou como saiu do bordel para o virar dama de companhia da irmã do rei.
– Quer seguir meus passos?
– Talvez. – O garoto respondeu, dando uma risada alta.
Ela soltou um longo suspiro e afastou a taça de vinho de seus lábios.
– Eu era uma péssima puta, Eu não dava lucro, os homens não tinham como se satisfazer com uma mulher em lágrimas, então Petyr encontrou um homem disposto a me ajudar. – murmurou. – Ele disse que tinha a maneira correta de me utilizar, como Petyr não ganhava nada comigo, acho que essa era sua única oportunidade de ter algum lucro.
– Então ele te vendeu, quem era esse homem? O rei?
– Lorde Varys. – ela disse-lhe, uma mentira.
– Um dos tais passarinhos – Oliver pareceu admirado. – E o que já contou de interessante para ele? Quem você espiona? Sua senhora?
– Um passarinho conta todos os segredos, mas somente ao seu mestre. – Moira sussurrou. – Essa é a nossa única lei, mas saiba de uma coisa: todos estão na teia da Aranha, ele sabe de todos os passos de todos os que importam, até mesmo Petyr.
– Devo alertar a Littlefinger para tomar cuidado com Lorde Varys?
Não, ele deveria tomar cuidado comigo, garoto.
– Ele é esperto, isso não é novidade para Petyr Baelish, nosso amigo em comum sempre soube jogar com Lorde Varys. – Moira sorriu e ergueu uma taça. – Um brinde ao grande Lorde Petyr Baelish!
– Um brinde! – Oliver sorriu erguendo sua taça e rindo alto.
Está bêbado. Ela notou com entusiasmo. Agora tudo ficará mais fácil.
– Ah, acabou. – Oliver anunciou vendo sua taça vazia.
– Deixa que eu pego mais.
Moira tomou a taça e pegou a sua, levantando-se da cama e indo até a jarra com vinho, ficando de costas para ele. Fitou o anel que tinha em seu dedo, tocando a pedra azul que tinha sobre ele. Um sorriso leve brilhou em seus lábios.
– Por falar em Petyr, onde ele está agora?
– Ele viajou, assuntos da coroa foi o que ele disse.
– Eu ouvi sobre um casamento entre ele e Lysa Arryn. – ela comentou. – É verdade? Agora ele será um senhor?
– Sim, parece que sim.
Ela puxou a pedra de cima do anel, revelando um pequeno pó branco escondido dentro dele e despejando dentro de uma das taças, então encheu-as com o vinho dornês e voltou para perto de Oliver que tomou a taça das mãos dela com um sorriso.
– Então, um brinde ao seu casamento e ao mais novo senhor do Vale.
– Ele não deve estar casado ainda, nem é senhor de nada, afinal o navio que ele ia só saiu há um dia ou dois.
– Tão pouco tempo? – indagou Moira, refletindo sobre o que ouvira.
Oliver encolheu os ombros e bebeu sua taça enquanto Moira bebeu um pequeno gole da sua. Estava esperando por alguém, só podia ser por Sansa. Ela pensou imediatamente. Petyr esperou apenas o escândalo da morte do Rei para arrastar a garota de Porto Real com si, mas estava mais perto dela do que imaginava, por isso Shae falara sobre um homem rondando a garota Stark alguns dias antes. Ele nunca saíra de Porto Real quando foi ordenado, ele ficara a espreita, apenas esperando o momento certo de levar a garota com ele.
– Demorou, mas você acabou sendo útil. – Ela constatou vendo o garoto adormecido na cama. – Bons sonhos, Oliver e boa sorte com a dor de cabeça que esse vinho vai dar em você. – Moira pegou a capa que deixara sobre a mesa e jogou sobre os ombros.
Missão cumprida. Moira pensou ao voltar as ruas de Porto Real, rumo da Fortaleza Vermelha.
_X_
– Você está linda, minha senhora. – admirou a aia atrás de Megara, fitando-a refletida no espelho.
– Obrigado, Madelyn. – ela lhe sorria. – Poderia me deixar sozinha agora?
– Claro, senhora.
A aia saiu, deixando-a com seus pensamentos. Diante do espelho, Megara encarou seu reflexo com o vestido negro com detalhes dourados, com as cores de sua casa, mas ainda erguendo o luto pelo rei. Queria ter recusado o chamado de Olenna Tyrell para aquele maldito jantar, mas não teve como, disseram que sua presença era extremamente necessária. Ela tinha até medo de imaginar o que seria aquilo. Em quais planos estavam tentando coloca-la no meio, como um mero peão a ser jogado por eles. Como Sansa havia sido. Pensar no sumiço da garota ainda era angustiante para ela e fazia com que se lembrasse de Moira.
A aia havia passado uma noite desaparecida, sem dar noticiais. Megara já julgava ter mandado Moira para a morte certa quando lhe disse para procurar noticias de Sansa. Se algo tivesse acontecido a ela, nunca se perdoaria.
– Você me parece preocupada.
– Moira? – Ela viu a imagem da lysena surgir refletida atrás dela e ao se virar, encontrou-a parada na porta, com um ar ofegante e cansado.
A lysena sorriu de leve, indo na direção dela e abraçando com força.
– Onde você estava?
– — Fazendo o que me pediu, atrás de noticias de Sansa Stark.
– Você passou uma noite desaparecida, achei que estivesse em apuros. – Megara segurou as mãos dela, estavam geladas. – Você está bem?
– Meio zonza, deve ter sido o vinho.
– Você bebeu?
– Uma garrafa e meia de vinho dornês, mas eu vou sobreviver a isso.
Megara arqueou uma sobrancelha para ela.
– Um homem bêbado não possui segredos, não é? – indagou a Baratheon.
– Achei que fosse me acusar de algo.
– Eu convivi com um homem bêbado metade da minha vida, esqueceu quem era Robert Baratheon? Não havia segredos para ele quando estava bêbado, falava as mais absurdas coisas que possa imaginar.
Moira riu, mas Megara apenas abaixou o rosto com tristeza ao mencionar o nome do falecido irmão.
– O passarinho voou para o ninho.
– O quê?
– O passarinho nortenho voou para o ninho. – Moira cantarolou levantando-se e indo até uma mesa, onde pegou uma folha e uma pena. – Voou para longe, onde os monstros não podem pegar, sem perceber que o maior dele está ao seu lado, pobre passarinho, mal sabe em quantos perigos pode estar.
Megara encarou-a sem entender ao certo, até que Moira sentou-se diante dela escrevendo na folha com atenção e então a mostrou o que escrevia.
A Fortaleza Vermelha tem ouvidos. Todos estão em busca de Sansa, sempre há alguém prestes a nos espionar. Ela pensou um pouco no que ela quis dizer. Então se lembrou de como todos chamavam Sansa. Passarinho. Ninho...Ninho da Águia! Era tão claro, como ela demorara tanto para entender. Sansa havia ido para o Ninho da Águia, onde estava sua tia, Lysa. Assentiu para Moira, entendendo o que ela quis dizer.
– Quem a levou? – indagou.
– Alguém daqui, alguém perigoso demais, não se pode confiar nele. – Moira respondeu. – Ela continua em perigo, está longe de estar a salvo, não com ele, não com essa pessoa.
– Quem?
– Você vai entender em breve, mas precisa dar um jeito de ir atrás dela.
Megara pensou por alguns instantes, até pensar em alguma solução. Era sua única saída. Correu até suas coisas, puxando uma caixa com algumas joias que possuía guardadas e então entregou-a para Moira que a olhou sem entender.
– Eu quero que compre uma cabine no próximo navio para o mais próximo do Ninho da Águia que conseguir, quando conseguir, quero que volte para mim e me avise, certo?
– Como quiser, minha senhora.
Megara a deixou no quarto ao sair, indo rumo ao jantar oferecido pela Rainha dos Espinhos. Seus passos ecoavam pelo corredor enquanto ela caminhava sozinha. A partir de agora, ela estava mesmo sozinha. Talvez sempre estivesse. Quando as portas se abriram para que ela passasse, todos os olhos se voltaram para ela com atenção. Com o queixo erguido, ela caminhou entre as pessoas, sustentando o semblante indecifrável até ir aonde a maldita velha a esperava.
– Olhe só, você resolveu vir, menina. – Ela sorriu com um ar debochado de sempre. – Seja bem vinda, venha se aproxime, deixe-me vê-la.
– É um prazer vê-la, Lady Olenna.
– Ah, é mesmo? Desde quando é pra você, menina? Você nunca pareceu muito feliz em nos ver, não é? – retrucou. – Mas são águas passadas, agora você está mais próxima de nós, vejo que você e Willas se deram bem.
Então ela notou o garoto atrás de Lady Olenna, parecendo levemente incomodado com o que ouvia. Megara assentiu para ele que lhe dera um sorriso tímido em resposta.
– Willas é muito gentil, eu me sinto bem ao lado dele.
– É bom que se sinta, terão bastante tempo juntos.
Megara arqueou uma sobrancelha sem entender direito, percebeu o receio de Willas aumentar ao mesmo tempo. Antes que pudesse perguntar algo, percebeu que todos estavam prestes a sentar-se a mesa para o banquete. Willas veio mancando até seu lado e a estendeu a mão levando-a até a mesa, onde se sentaram lado a lado, com apenas Garlan Tyrell ao lado de Megara, mas a sua frente, ela conseguiu encontra o olhar inquisidor de Oberyn a fitando sem medo algum.
Ela quer respostas, ele quer uma explicação para a minha raiva.
– Após a trágica morte do Rei, os laços entre os Tyrell e a coroa foram quebrados de uma forma cruel, mas sua lealdade permanece conosco. – Tywin Lannister começou. – O Rei Tommen ainda é jovem, o luto e o peso da coroa não permitem que um casamento ocorra agora, mas nossos laços devem permanecer unidos mais do que nunca.
Megara viu o olhar de soslaio de Tywin Lannister passar para Willas Tyrell que ergueu-se da cadeira, com certa hesitação.
– Minha senhora. – Ele olhou para ela com um os olhos castanhos gentis, tenso. – Você é do sangue do antigo e adorado Rei Robert, mas mais do que isso, é a mais brava e gentil mulher que eu pude conhecer, se me de a honra de unir nossas casas por essa aliança, eu prometo honrar o seu coração e amá-la até o fim dos meus dias. – pediu. – Eu a peço para que se case comigo, Lady Megara da Casa Baratheon, me daria essa alegria? – ele lhe ofereceu a mão.
Que escolha eu tenho? Willas Tyrell não merecia ser envergonhado na frente de todas aquelas pessoas por causa das conspirações cruéis que entre os Lannister e os Tyrell. Aquele casamento seria a salvação de Tommen, ele era uma criança, o peso de uma união naquele momento seria mais que uma criança poderia suportar. Ela sabia bem o que era ter uma infância roubada de si. Megara crescera durante uma guerra, ao lado de Renly e com apenas Stannis ao seu lado, ela sabia o que era o peso de um grande nome sobre seus ombros.
Prendeu as lágrimas que se formavam em seus olhos e ofereceu o sorriso mais gentil e sincero que conseguiu fingir para Willas, dando-lhe sua mão e se erguendo da cadeira.
– A honra será minha, meu senhor.
As pessoas na mesa os aplaudiram calorosamente, todos mentirosos. Enquanto ela sorria para eles, sendo a melhor das mentirosas, por dentro ela gritava. Sempre carregando o fardo dos outros, dando a si mesma pela vida daqueles que amava. Ao abaixar a vista, ela encontrou o olhar furioso de Oberyn a encarando, a raiva era tanto que ela sentia sua pele queimar ao corar. Porém, quando Willas lhe beijou a mão e a olhou por alguns instantes, mas dentro dos olhos dele, tudo que ela via era um pedido de desculpas silencioso. No fim, ele estava sendo obrigado igual a ela.
Que os Deuses tenham piedade de nós, Willas.
_X_
Diante da porta do quarto, ela soltou um longo suspiro.
O que ela estava prestes a fazer?
Não podia ter dito não a Willas e envergonha-lo na frente de todos. Ele não merecia aquilo, mas também não merecia casar com uma mulher que nunca o amaria. Embora, ela soubesse que provavelmente ele desejava aquele casamento tanto quanto ela, pelo olhar dele, sabia que também estava sendo obrigado aquilo. Ainda tenho um plano a seguir. Megara lembrou a si mesma, sabia que teria que continuar com aquilo até o dia seguinte, iria com ele até o fim.
Foi tirada de seus pensamentos por uma mão agarrando seu braço com força e a puxando para frente.
– Quem você acha que é? – vociferou Oberyn a sacudindo pelo braço
– Me solte!
– Acha que tem o direito de jogar comigo como se eu fosse um peão no seu tabuleiro? Está achando que eu sou algum tolo? – Ele indagou.
– Eu mandei você me soltar! – Ela puxou o braço com força e o empurrou. – Ficou louco?
– Talvez você tenha ficado também, o que diabos foi tudo aquilo?
– Um pedido de casamento. – disse. – Sei que não deve estar acostumado com isso, afinal você nunca se casou como um homem deve fazer.
– Não, porque ninguém me diz o que eu devo fazer!
– Ótimo, continue assim. – retrucou. – Mas não me peça que fique aqui esperando por você, até que se canse de mim e me jogue de lado como as mães das suas bastardas, Willas será o melhor destino que eu posso ter.
– Acha que ele vai se contentar com as sobras que eu deixei?
Ela acertou a mão com força no rosto dele fazendo a tapa estalar.
– Eu não sou uma sobra, eu sou Megara Baratheon, verdadeira herdeira de Ponta Tempestade, noiva do futuro Senhor de Jardim de Cima! – ela vociferou. – Não sou uma puta, nem mãe de uma das suas bastardas, você não tem o direito de se referir a mim desse jeito, príncipe Oberyn!
Ele a olhou com frieza por alguns instantes.
– O que houve com você? – questionou. – Em uma noite está na minha cama me sussurrando sobre amor por mim e no outro resolve se casar com Willas como se nada tivesse acontecido? Depois de tudo que eu fiz por sua causa, até mesmo lutar pela vida de um Lannister, olhe o que você me fez fazer por você, sua garota maldita!
– Não pedi pra você se matar indo lutar com a Montanha, não fale como se estivesse fazendo isso por mim, está fazendo pela única coisa que você realmente se importa, que vai te deixar cego e logo morto, sua vingança.
– Você não tem o direito de ficar entre mim e a vingança pela morte da minha irmã.
– E eu não vou ficar esperando você morrer para tudo que me restar ser vinga-lo, Oberyn, estou cansada de perder aqueles que eu amo e depois só poder vinga-los. – ela murmurou. – Eu estive perto de salvar a Tyrion sem nem saber que poderia salvar você, mas vocês dois agiram pelas minhas costas e me deixaram as cegas, então eu perdi a chance ou talvez eu nunca tive essa chance. – Ela o olhou com firmeza. – Porque é pra essa vingança que você vive e apenas ela que você ama, Oberyn. – Megara respirou fundo. – Vá, príncipe de Dorne, lute por sua vingança, morra pelo que acredita se quiser, mas não espere que eu vá ficar lá, para parada para assistir você morrer.
– A decisão foi sua.
Então ela a deixou, somente quando ele sumiu no corredor, Megara deixou as lágrimas presas a tanto tempo deixarem seus olhos. Eu não vou ficar parada vendo você morrer, Oberyn.
_X_
O pátio do da Fortaleza Vermelha estava silencioso como uma tumba. Todos queriam ver aquela maldita luta, mas ela permaneceu no castelo, dizendo não querer ver aquela trágica luta. Quando vira Oberyn naquela manhã, caminhando pelos corredores de braços dados aos de sua amante Ellaria Sand, ela prendeu as lágrimas o melhor que pode. Ela sentia que a cada minuto que passava, estava o perdendo cada vez mais. Seja para a mulher ao seu lado ou para a própria morte. Megara não via nenhum fim para ele naquela luta que não fosse sua queda, porque não seria a Montanha que o derrotaria, mas sim a sua sede por vingança.
Estava parada naquela galeria do castelo há algum tempo, encostada a parede, apertando os próprios dedos com o nervosismo. Está tão perto, falta tão pouco tempo. Ela sabia no momento em que tomasse aquela decisão, tudo mudaria para sempre.
– Achei que nunca encontraria você! – Moira surgiu no corredor correndo na direção dela. – Pensei que estivesse treinando.
– Eu não tenho mais o que treinar. – Megara disse, mas para si mesma do que para ela. – Conseguiu o navio?
– Sim. – ela sorriu. – Uma cabine no próximo navio que sai para Vila Gaivota, de lá, só precisa tomar um cavalo e cavalgar para o Ninho, não levará muito tempo para chegar lá.
– Quando sai o navio?
– Daqui há algumas horas.
Megara sorriu tristemente, olhando para a lysena.
– Então você deve se apressar.
– A loira arregalou os olhos, assustada.
– O quê?
– Você entendeu, Moira. – disse-lhe. – Esse é o último dever que eu lhe dou. Vá atrás de Sansa Stark, proteja-a de quem você acha que está com ela, cuide dela como eu cuidaria, cuide dela como cuidou de mim durante todo esse tempo.
– E quanto a você? – retrucou. – Não vou deixar você sozinha!
– Você tem que fazer isso. – Megara deixou uma lágrima escapar de seus olhos. – É um dever que estou lhe dando, uma missão. Por favor. – segurou as mãos dela. – Faça isso por mim, por favor, é só isso que lhe peço.
– O que você pretende fazer?
– A última escolha que me restou. – ela respondeu. – Agora vá, tem que ser rápida, não pode estar aqui quando tudo acontecer, eu preciso que vá agora, Moira!
Ela viu algumas Moira deixar algumas lágrimas escaparem de seus olhos, então depositou um beijo na testa da lysena.
– Obrigado por tudo que já fez por mim, Moira.
A lysena sorriu de repente.
– Isso não será um adeus. – ela sorriu. – Nos veremos de novo, eu sei quem sim, você foi feita para sobreviver. – Moira disse. – E lembre-se, senhora: Valar Morghulis.
Moira deu-lhe as costas, então correu para longe, sumindo no meio dos corredores para seguir o que lhe fora pedido. O último dever que Megara dera para ela. Após isso, Megara limpou as lágrimas que derramara ao se despedir dela e então foi até o estábulo. Embaixo do feno, ela encontrou o que procurava. A aljava repleta de flecha e um grande arco prateado. Colocou a aljava em suas costas e o arco também. Cobriu-se com uma capa e levou o capuz sobre sua cabeça, escondendo seu rosto.
É minha última chance.
Esgueirando-se pelas pilastras, ela correu para aproximar-se da arena de lutas da Fortaleza Vermelha. Uma enorme multidão estava ali para ver a luta, esperando para que Tyrion fosse condenando a morte. Os nobres estavam nas arquibancadas principais. Haviam as paredes que erguiam-se atrás das arquibancadas, altas o suficientes para que se subisse nelas, poderia ver a luta de forma privilegiada. Megara escalou-a, subindo sobre o muro e ando sobre ele lutando para se equilibrar nas pernas que tremiam.
Puxou o ar com força da dentro de seus pulmões, tentando se manter firme. Não posso ter medo. Então agachou, sobre o muro, atrás das arquibancadas e das pessoas que estavam nelas, as costas de todos. Lá do alto, ela podia ver toda a arena.
Ao longe, ela avistou quando Tyrion chegou escoltado pelos guardas e ficou próximo de seu campeão. Ela viu Oberyn junto a Ellaria, trocando beijos com ela. Megara sentiu o ciúme corroê-la por dentro ao vê-los juntos, mas aquele era o certo. Os destinos dos dois não se juntariam de novo, era justo que ele tivesse Ellaria ao seu lado. Quando Gregor Clegane entrou na arena, todos os olhos e gritos se voltaram para ele, alguns com medo, outros apenas o incentivavam.
Megara puxou o arco de suas costas e o apoiou sobre as pernas, logo após, puxou uma flecha, pondo-a na corda, mas mantendo-o o arco abaixado.
– Em frente aos deuses e dos homens, nós determinaremos a culpa ou a inocência desse homem, Tyrion Lannister. – anunciou o Grande Meistre Pycelle.
Neste momento, os olhos de Varys que estava no palanque com os outros passaram por cima da parede onde Megara estava, avistando de longe a silhueta da figura sobre a mesma. Um sorriso misterioso passou pelos lábios do eunuco que olhou para Margaery Tyrell, sentada ao lado de seu pai, ainda vestida em seu luto.
A trombeta soou anunciando que a luta começaria.
Megara sentiu o coração bater acelerado dentro de seu peito com força. Sua boca estava seca e ela sentia os dedos tremerem de leve, com o nervosismo ao ver Oberyn pegar sua lança, após beijar Ellaria apaixonadamente. Ela fechou suas mãos ao redor do arco com força, segurando-o como se tivesse medo de deixa-lo cair. Viu quando ele rodou com sua lança mostrando ao povo sua habilidade arrancando aplausos e gritos deles.
– Eles lhe disseram quem eu sou?
– Algum homem morto. – respondeu Gregor Clegane partindo para cima dele com sua espada.
Os dois começaram a travar uma batalha, cada vez que Gregor lançava sua espada, Oberyn desviava ou parava o golpe com sua lança rodopiante. Ligeiro como uma serpente, ela o viu desviar de cada golpe com destreza, como se dançasse com um misto de graça e fúria.
– Eu vou ouvir você confessar, antes de morrer. – anunciou Oberyn. – Você estuprou minha irmã, você a assassinou, você matou os filhos dela. Confesse agora e nós podemos resolver isso rápido.
Oberyn avançou nele com golpes de sua lança, furiosamente. Fazendo com que o elmo do cavaleiro fosse lançado fora. Os dois começaram a lutar ferozmente, entre gritos e as palavras de Oberyn se repetindo. Você a estuprou. Você a assassinou. Você matou os filhos dela. Ela ouvia ele repetir a cada golpe furioso ser lançado contra ele. Até que ela viu Oberyn cair no chão, seu coração parou por alguns minutos. Não, por favor, não. Então ele se ergueu de novo, tornando a atacar o Montanha, até que esse com um golpe de sua espada, partiu a lança de Oberyn ao meio, fazendo-o ter que desviar com sua agilidade dos golpes até que o escudeiro lhe jogasse outra lança. Os dois trocaram novamente lances, mais uma vez Oberyn foi ao chão. Megara ergueu um pouco do arco, levando-o para próximo da posição certa de atirar, mas parou um pouco.
Oberyn se ergueu de repente, acertando Gregor com a ponta da lança, cortando-o duas vezes. Ele ficou de pé aos gritos, tornando-a a acusa-lo do que acontecera a Elia com suas palavras. Quando Gregor voltou a ataca-lo, Oberyn saltou sobre ele com sua lança erguida cravando-a nele enquanto voltava a gritar o que ele fizera a Elia Martell.
– Espere, você está morrendo? – Ele indagou ao homem no chão. – Não, não, não... Você não pode morrer ainda. Você ainda não confessou! – então retirou a lança cravada nele. Megara notou que ele ainda respirava e que a cada momento Oberyn lhe dava as costas, era ainda um perigo. – Diga. Diga o nome dela. Elia Martell. Você a estuprou. Você matou os filhos dela. Elia Martell. – Notou o quanto ele estava ensandecido pelo momento, apontava para Tywin Lannister quase como louco, a vingança estava o cegando. – Quem te deu a ordem?
Megara ergueu-se ficando de pé sobre a parede, com o arco pronto para atirar, próximo de seu rosto e o dedo sobre a flecha. Ela manteve os olhos firmes, mesmo quando as lágrimas marejaram seus olhos. Eu o amo tanto. Ela se lembrou, então lembrou-se do que disse para ele. Não espere que eu vá ficar lá, para parada para assistir você morrer.
– Diga o nome dela! – Oberyn gritou para ele.
Então a mão de Gregor agarrou o calcanhar do dornês, levando-o ao chão imediatamente no mesmo momento que o gigantesco homem o puxou de volta e a acertou um soco em seu rosto e rolou ficando sobre ele e segurando sua cabeça entre as mãos, mas antes que pudesse apertá-la, Megara soube que era o momento certo. Um sorriso duro e cruel surgiu nos lábios de Megara. Então soltou a flecha com um disparo frio que acertou na cabeça do homem bem no meio, fazendo-o seu corpo dar um espasmo. Ela puxou outra flecha rapidamente e mirou de novo, soltando-a com força e acertando a nuca de Gregor Clegane que soltou um uivo ao ser atingido. Ela o fez repetidas vezes, acertando onde a armadura deixava brechas, onde conseguia alcançar.
O homem levantou-se de cima do dornês com dificuldade para se por de pé, então sua frente ficou visível. Megara puxou outra flecha com frieza e mirou na testa soltando a corda rapidamente e vendo-a atingir em cheio o homem que tremeu. Por último, ela puxou uma última flecha e mirou-a na garganta do Montanha olhando diretamente nos olhos do homem, então abaixou a vista encontrando Oberyn no chão desacordado e todos os olhos postos nela, então soltou sua última flecha que silvou e atravessou o ar até acertar a garganta de Gregor Clegane fazendo-o ir ao chão, engasgando-se no seu próprio sangue.
– Prendam esse assassino! – gritou o Grande Meistre Pycelle.
Megara abaixou o capuz que lhe cobria a cabeça, mostrando seu rosto a multidão que começou a murmurar e gritar entre si. Os olhos no palanque a fitavam com ódio e confusão, mas Varys parecia saber o que fazer. No mesmo momento, ela ergueu-se de sua cadeira e falou em alto e bom som.
– Senhores! – gritaram. — Eu tenho que acusar o verdadeiro assassino do Rei Joffrey! Eu não posso mais esconder esse segredo de todos e deixar alguém pagar por algo que não fez. – Varys anunciou. – Megara Baratheon assassinou o rei, seu próprio sobrinho, aqui está a prova encontrada em seu quarto. – Ela ergueu o veneno em suas mãos mostrando a todos. – Foi ela quem o assassinou colocando o veneno no cálice quando o pegou do chão. – Varys explicou. — Ela fez isso por Stannis, a mando dele. – acusou. – Dê a ordem, Lorde Tywin, as provas existem contra Lady Megara, dê a ordem.
Tywin Lannister olhou para ela com os olhos frios e acusadores e então apontou para os guardas.
– Megara da Casa Baratheon, você é acusada da morte do Rei Joffrey Baratheon, seu próprio sobrinho e agora de Sor Gregor Clegane. – elevou a voz. – Guarda Real, cumpra seu dever! Levem a traidora para as celas negras!
Antes que eles pudessem chegar até ela, Megara respirou fundo. Está feito. Ela olhou por uma última vez encontrando o olhar de Tyrion nela, fitando-a com medo. Ela olhou para trás, abaixando a vista e vendo o barranco atrás de si, então olhou para frente vendo os guardas vierem em sua direção, mas antes que eles chegassem, Megara virou-se de costas para todos.
Está feito. Foi a última coisa que pensou antes de saltar diante de todos eles.
Fale com o autor