Our Fury
19 I'm In Details With The Devil
Notas iniciais

Dor. Quanto tentava correr entre as ervas e árvores tortas ou caídas, Megara sentia uma dor insuportável em sua perna a cada passada que dava para correr, mas mantinha-se firme, tentando correr no terreno íngreme que era o barranco. Após saltar, caíra nos arredores da Fortaleza Vermelha, o barranco dava diretamente para a água da Baía da Água Negra, estava cercada por mato e árvores tortas. Correr era difícil, ainda mais com uma perna queimando em dor. Ao cair, ela caíra sobre sua própria perna e agora correr um sacrifício.
Ela parou por alguns instantes ao ouvir os passos tilintantes. Os guardas estavam atrás dela. Podia ouvir o som de suas armaduras enquanto corriam se aproximando cada vez mais. Megara puxou o ar para dentro de seus pulmões mais uma vez e voltou a correr, mancando e sentindo os pés deslizarem para a areia arrastando-a para baixo.
– Ali! Ela está ali! – gritou um dos cavaleiros. – Peguem-na!
Megara tentou apressar o próprio passo, mas sentiu o equilíbrio sumir de suas pernas quando ela tropeçou em um dos troncos das árvores e foi ao chão. A perna de uma fisgada forte que a fez gritar. Em seus lábios, ela sentiu um gosto metálico do sangue. Tentou se colocar de pé, arrastando-se no chão, mas parou ao sentir algo gélido em sua garganta. A lâmina de uma espada encostava-se em seu pescoço tocando seu queixo. Ela ergueu os olhos, avistando o rosto de Jaime Lannister acima do seu.
Jaime apontou ser Meryn Trant ao lado dela com algemas em mãos, esperando para prendê-la. Ela respirou fundo, então estendeu os pulsos para o guarda que tinha um sorriso zombeteiro nos lábios, o que lhe deixou furiosa.
– Lady Megara da Casa Baratheon, eu, Sor Jamie Lannister, Comandante da Guarda Real a declaro presa pelo assassinato do Rei Joffrey Baratheon.
– Você deve estar muito feliz com isso não é?
– Não há alegria aqui, senhora, estou cumprindo o meu dever. – Ele respondeu enquanto a puxava junto com Sor Meryn. – É a justiça. Que alegria eu teria nisso? A mesma que sentiu ao matar o rei? Nosso sobrinho.
Megara parou e o encarou, então cuspiu no rosto dele.
– Ele não era meu sobrinho! – ela gritou. – Ele era um bastardo! O seu bastardo!
Jaime pareceu se controlar para não acertá-la com uma tapa.
– Sabe de uma coisa, garota? – ele indagou. – Ver a sua cabeça em uma estaca nessas Muralhas, é isso que vai me deixar feliz, garota! – Ele vociferou a encarando com fúria nos olhos verdes. – Levem-na!
Os guardas voltaram a arrastá-la rumo a Fortaleza Vermelha.
_X_
A liberdade não era um alivio. Tyrion estava livre das algemas, da acusação mentirosa de ter matado Joffrey, mas não se sentia livre. Não depois de ver o que Megara havia feito por ele. Somente agora, ele virar que ela salvar não apenas a vida de Oberyn Martell com aquelas flechas, mas também a sua. Tyrion deixara sua única chance de salvação nas mãos de um louco sedento por vingança. Foi um idiota por pensar que aquilo poderia beneficiar a ambos, afinal. A vingança o levaria a morte, Megara havia o avisado para não deixar suas vidas nas mãos da Víbora de Dorne e sua vingança, mas ele foi tolo o suficiente para não ouvi-la.
Matar Gregor Clegane fora um feito, mas assumir a culpa pela morte de Joffrey no lugar dele fora a maior loucura que ela poderia ter feito. Tudo isso fora por ele e por Oberyn Martell, mas o que mais lhe assustava, era ela ter feito aquilo por ele. Ninguém nunca faria isso por mim além dela. Tyrion sabia que precisava fazer algo por ela, mas parecia difícil quando ele não tinha mais poder nenhum em suas mãos. Era isso que fazia com que a culpa o fizesse querer se estapear de tanta raiva. Ele tinha que tirá-la daquela enrascada antes que fosse tarde.
– Duende!
Ao olhar para o lado no corredor, ele avistou a dornesa vir em sua direção em passos duros e decididos. Ellaria Sand parecia furiosa, pronta para estapeá-lo ou mata-lo de uma vez.
– Olá, minha senhora.
– Senhora? Você sabe bem que eu não sou nenhuma senhora, anão. – ela cortou-o. – Isso é tudo culpa sua! É tudo culpa sua por nos trazer para essa maldita cidade, pelo que aconteceu com ele, por isso tudo!
– E da sede de vingança do seu amante também!
Ellaria parecia prestes a esbofeteá-lo.
– Ele está morto? – indagou. – O príncipe morreu?
– Não. – ela respondeu, olhando para o lado. – Mas não morreu por um triz, o soco o deixou desacordado, causou algumas fraturas e o aperto que aquele monstro fez quando segurou a cabeça dele poderia tê-la explodido segundo nosso Meistre, mas ele ficará bem após algum tempo. – Ellaria fechou os olhos. – suspirando aliviada. — Ele precisa de tempo para se recuperar, vai ficar desacordado por algumas horas, mas com algum tempo, vai estar bem de novo.
– A garota o matou Gregor Clegane no momento certo, eu espero que saiba disso.
– Nunca vou esquecer o que ela fez, quando souberem em Dorne, ninguém também esquecerá. – Ellaria parecia agradecida. – Megara salvou a vida dele, isso só tem um motivo... Amor. – disse com um fio de voz. – Mas ela salvou a vida do homem que eu amo também, isso me faz em divida com ela.
– Não só a dele, mas a minha também. – Tyrion murmurou para si mesmo. – Deixá-la morrer pela morte de Joffrey não está em meus planos, mas você pode ajudar a partir de agora.
– Não vejo como.
– Leve-o daqui. – Tyrion disse. – Oberyn, você tem que leva-lo de volta para Dorne, reúna os dornenses, aqui não é mais seguro para nenhum de vocês.
– Não sei como isso ajudaria ela.
– Faça o que ela fez valer a pena. – respondeu. – Você sabe que Oberyn não é seguro para ela, enquanto estiver perto de Megara, Oberyn vai ser uma fraqueza para ela. – Tyrion respirou fundo. – Voltem para Dorne e deixe-o ele longe dela, eu farei o mesmo.
– Ele não aceitará isso de bom grado.
– Oberyn Martell está fraco e sem chances de dizer o que quer ou não.
– Não importa. – Ellaria retrucou. – Quando ele acordar irá atrás dela.
– Não se ele não souber como acha-la.
– O que você realmente sente por ela? – A dornesa indagou com desconfiança, insinuando algo com o olhar negro e luxurioso.
– Megara é a única mulher leal que eu conheci em toda minha vida, é minha amiga, nesse momento salvou minha vida, eu só quero vê-la bem e a salvo, isso não vai acontecer enquanto Oberyn Martell estiver em seu caminho.
– E ela? – indagou. – Vai aceitar isso?
– A essa altura, ela provavelmente pensa o mesmo que eu, ela sabe que é o certo. Estou apenas tentando protege-la, minha senhora. – Tyrion respondeu. – Ela merece isso de mim. – murmurou. – Faça o que eu digo e volte para casa antes que seja tarde.
Os dois pararam diante da alta galeria, observando quando os mantos dourados chegaram a Fortaleza Vermelha. Os olhos de Tyrion pararam ao ver Megara ser puxada pelas correntes, com os pulsos algemados, guiada por Sor Meryn Trant durante o caminho. Jaime estava a frente deles, mas parou no meio do pátio ficando diante do senhor pai deles, Tywin.
Quando ela ergueu a cabeça, ela os viu do alto da galeria. Os olhos de Megara ficaram nele durante todo o tempo. Não me peça para perdê-la, Meg. Ele pensou. Porque eu não irei.
_X_
Ninguém, eu não quero ver ninguém. Ela lembrava-se de ter dito para os guardas. Ninguém deve entrar nessa cela, nem Tyrion, nem Loras, ninguém. Desde então, sua vontade havia sido feita. Estava ali, naquela cela imunda e escura, sentada no chão com a cabeça encostada a parede. No entanto, ao ouvir o som da porta se abrindo, ela abriu-os rapidamente, olhando para a porta com os olhos arregalados.
– Saiu tudo como você planejava? — Varys indagou ao entrar.
Ela revirou os olhos, dando um sorriso sarcástico.
– Não foi um plano, foi um ato de desespero.
– Para alguém desesperada para se matar, você planejou tudo muito bem, Lady Megara.
– Obrigado, Lorde Varys.
– Você se tornou a acusada perfeita em pouco tempo, Lady Megara, foi um plano e tanto, eu apenas cooperei para o seu sucesso. – ele argumentou, ajoelhando-se diante dela. – Arrumou uma testemunha, eu lhe dei a prova do crime, suas duas cumplices do assassinato estão sumidas, sua aia não pode ser encontrada e Sansa Stark também não, ainda conseguiu matar Gregor Clegane antes que ele assassinasse o homem que você amava, foi tudo realmente como você planejou?
– Oberyn está vivo? Tyrion está livre?
– A resposta é sim para ambos. – Varys sorriu afetado. — Um tanto debilitado pela luta pelo que sei, mas vivo. Lorde Tyrion foi inocente depois que você se tornou a principal acusada pela morte do rei, já Sor Gregor Clegane, garanto que ele não teve escapatória dos cortes da lança envenenada do príncipe e das flechas também envenenadas que eu lhe entreguei, ele terá uma morte lenta e agonizante.
Megara respirou fundo, após se sentir um pouco mais feliz em saber que ambos estavam bem. Ela vira Oberyn ser atingido rosto por Gregor Clegane e segurar a cabeça dele entre as mãos, pensou por alguns momentos que tinha atirado tarde demais e o deixado morrer. Ele ficará bem, ele está vivo. Isso era o bastante para lhe fazer feliz. Além dele, Tyrion estava a salvo e fora de alguma cela, por hora.
– Então sim, Lorde Varys, foi tudo como eu planejei. – Megara respondeu. – Eu queria que Tyrion se livrasse da acusação e que Oberyn não morresse pelas mãos de Sor Gregor, foi o que eu consegui. – disse. – Só eu poderia me tornar uma suspeita melhor que ele, mais ninguém faria isso por ele.
– Margaery já se colocou como testemunha de acusação hoje na reunião do conselho e seu julgamento será amanhã, afinal o rei morreu e alguém precisa ser punido o mais rápido possível, não acha?
– O que faremos agora?
– Bom, seu plano de ser julgada e condenada a morte está indo bem, se ainda for o que você quer, é só segui-lo.
– Algum dos seus truques que me salve perder a cabeça?
– Eu posso pensar em algo que a...
– Depois do julgamento, não quero correr o risco de que tudo acabe sendo em vão, só depois que a minha sentença seja dada.
– Mas, Lady Megara... E se for considerada culpada? E se for condenada a morte?
– Então, o plano vai ter dado certo. – Megara respondeu – Mas saiba, Lorde Varys, morrer não uma das minhas opções, eu pretendo sair muito viva de Porto Real.
_X_
O tilintar das correntes em seus pulsos e das armaduras seguindo os passos em marchas de cada cavaleiro que a escoltava até a Sala do Trono eram os únicos sons que Megara ouvia nos salões. Mesmo assim, quando olhava para os lados, podia ver os servos e pessoas no palácio a olhando ser levada. Podia vê-los curiosos, acusadores, assustados, pensativos ao olharem para ela. Que olhassem, nenhum deles saberia do peso que ela carregava nas costas, para salvar aqueles que ela realmente amava.
Quando as portas do salão são abertas, ela vê que está lotado. As arquibancadas postas estão repletas de lordes e senhoras de alto nascimento. Todos os olhos caem sobre ela enquanto ela anda até a frente do trono.
– Assassina! Traidora! – As vozes gritavam em acusação ao vê-la passar. – Regicida! Assassina de parentes! – gritavam. – Traidora! Assassina! Regicida! – Ela via as os olhares furiosos e acusadores daqueles que gritavam. – Mentirosa!
Os guardas a deixaram na mesma estrutura de madeira onde Tyrion ficara em seu julgamento, ainda algemada e diante do Trono de Ferro. Tommen estava sentado sobre ele, mas ela duvidava que fosse ele a julgá-la. Nos olhos do menino, Megara via lágrimas que ele lutava para não derramar. Aquilo a atingiu mais do que ela queria, fez com que seu coração pesasse dentro dela. A tristeza e o medo nos olhos dele fizeram com que os olhos dela também se tornassem marejados. Perdoe-me, Tommen, me perdoe por não ficar com você quando você precisar de mim. Ele nunca fora seu sobrinho de verdade, mas dentro dela, ele era sim como se fosse, era como Shireen que era do seu sangue.
– Eu, Rei Tommen da Casa Baratheon, me abstenho desse julgamento e para meu lugar nomeio meu avô, Tywin Lannister, Mão do Rei, que os deuses lhe deem sabedoria para julgá-la... tia... Megara da Casa Baratheon.
O garoto levantou-se do Trono dando lugar para que seu avô ficasse nele, descendo as escadas até ficar diante dela. Tommen parou e a encarou por alguns instantes, com os olhos ainda cheios de lágrimas. Ela sabia que ele queria dizer algo a ela. Por que, tia Megara? Por quê? Megara via que nos olhos dele havia essa pergunta, cheia de dor e mágoa. Após isso, ele foi levado por um dos membros da guarda real deixando-a para ser julgada por Tywin Lannister.
Ao lado dele, estavam seus juízes. A lei dizia que ao ser julgado deveria ter juízes, se fosse uma mulher, dois de seus juízes deveriam ser mulheres também. Junto a Tywin Lannister, estava Lady Olenna e do outro lado estava Cersei, com um olhar cheio de ódio.
– Megara Baratheon, você está sendo acusada da morte do Rei Joffrey Baratheon, seu sobrinho. – disse Lorde Tywin severamente, arqueando uma sobrancelha ao vê-la sorrir sarcasticamente ao ouvir a palavra sobrinho. – O que tem a dizer em sua defesa?
– Com que provas?
– Não tem mais nada a dizer em sua defesa?
– Eu quero ver as provas que tem contra mim, Lorde Tywin.
– Como desejar. – Ele olhou para o lado e deu a ordem. – A Coroa pode chamar a primeira testemunha.
Varys foi chamado para depor, aproximou-se se colocando diante dos juízes com sua expressão simples e branda. Ele fez o juramento de falar apenas a verdade, olhando com o canto de seus olhos para Megara.
– No dia da luta, você afirmou que havia provas que Lady Megara havia envenenado o Rei Joffrey, como pode provar isso, Lorde Varys? – questionou Lorde Tywin.
Varys soltou um longo suspiro.
– É triste afirmar que por trás da amorosa tia que jurou lealdade ao Rei Joffrey naquela noite, planejava assassiná-lo desde o principio, esteve tão perto do nosso atual e jovem Rei Tommen. – começou o eunuco. – Lady Megara já tinha a morte do rei em mente desde o dia que seu irmão, Stannis, tentou invadir Porto Real. Ela não demonstrou, mas torcia para que ele tivesse sucesso e matasse a todos em seu caminho, uma de suas criadas ouvia a conversa dela com sua aia lysena que está desaparecida. – contou. – Além disso, no dia em que achamos que Lady Megara havia sofrido uma tentativa de assassinato, na verdade, o plano da morte do rei começou a ser planejado.
O burburinho começou em meio ao salão, fazendo com que Lorde Tywin erguesse a mão para parar.
– Silêncio!
– Do que está falando?
– Enquanto todos achavam que Lady Megara estava sendo perseguida ou morta, um de meus passarinhos afirmaram terem a visto nos arredores da Fortaleza Vermelha, saiu do palácio por uma das passagens secretas, indo até lá para encontrar-se com Sor Davos Seaworth, o Cavaleiro das Cebolas. – ele apontou. – Lá, ela recebeu um vidro das mãos dele, o Estrangulador, sua missão era matar o rei.
– Como ninguém mais viu isso? – indagou Cersei, desconfiada.
– Sor Davos é um contrabandista, majestade, ele sabe bem como entrar e sair de um lugar sem ser notado. – respondeu. – Na verdade, o plano era que ela assassinasse cada um dos filhos do rei, deixando o caminho livre para que Stannis subisse ao trono, favorecendo sua pretensão.
Megara estava surpresa com o jeito que ele usara tudo que sabia contra ela, parecia convencer a todos.
– Por que ela demorou tanto? – Lady Olenna parecia custar a acreditar.
– Ora, Lady Megara é esperta, sabia que precisava do momento certo para matar e não ser considerada suspeita. – Varys ergueu o vidrinho que continha o veneno mostrando-o a todos. – Esse vidro contendo o veneno Estrangulador foi encontrado dentro nos aposentos de Lady Megara, com a ajuda de Lady Sansa, ela conseguiu leva-lo para o banquete de casamento.
– Sim, claro. – Lady Olenna pareceu interessada. – Como Sansa Stark pode ter sido cúmplice de Lady Megara?
– Ambas queriam vingança por seus irmãos, já que Lady Megara acredita nas palavras de seu irmão, Stannis, sobre a origem do rei. – Varys insinuou fazendo Cersei olhá-lo furiosamente. – As duas eram vistas muitas vezes juntas, entre sussurros e conversas misteriosas, Lady Megara usou um colar onde o veneno estava em suas pedras, o mesmo que Lady Sansa usava no casamento do rei.
A cada palavra as pessoas comentavam mais entre si, estavam cada vez mais convencidas. Tywin ainda parecia custar a acreditar nas palavras de Varys, enquanto Lady Olenna ainda tinha um semblante indecifrável. Porém, Cersei a fitava com os olhos concentrados e cheios de ódio. Queira vê-la morta, era certo, mas talvez ela ainda desejasse que Tyrion tivesse sido condenado ou talvez estivesse sendo julgado com ela.
– As duas estavam próximas no casamento, em algum momento, Lady Megara tirou uma das pedras com o veneno e colocou-a no cálice do rei, envenenando-o.
Os gritos se tornaram mais fortes em todo o salão no mesmo momento.
– Assassina! Traidora! Regicida!
– Silêncio! – gritou Lorde Tywin, trazendo ordem ao salão e logo após voltando os olhos para ela. – Tem algo a dizer, Lady Megara?
Megara montou o semblante mais incerto que podia, como se realmente fosse culpada. Ela tinha que tentar defender-se. Não podia se entregar facilmente ou poderia levantar suspeitas de sua mentira.
– Essas são suas únicas provas? – indagou, com um tom sarcástico. – O eunuco é sua única testemunha? Quem comprova o que ele diz? Tudo isso são palavras ao vento se ele não tiver como provar.
Varys deixou a frente dos juízes e passou por ela com um semblante brando, indo para algum lugar que ela seguiu com os olhos, até encontra-lo parando ao lado de Tyrion no canto da sala.
– Que entre a próxima testemunha.
Após ele, uma criada entrou com um ar hesitante. Madelyn seguiu em passo tímidos até a frente dos juízes. A garota lhe servira algumas vezes, inclusive no dia anterior quando estava se aprontando-se para o jantar em que foi prometida a Willas Tyrell. A jovem contou as mentiras que Varys havia lhe ensinado a falar, contou sobre como achou o veneno no quarto de Megara, sobre o colar que havia sido entregue a Sansa que Moira havia feito, sobre como ouvira Megara falar o quanto odiava os Lannister e Joffrey – a única parte que Megara não julgou tão mentirosa. No fim, ela fizera um bom trabalho com suas mentiras, Varys havia lhe ensinado bem o que dizer.
Após o depoimento da criada, veio o de Sor Meryn Trant que resolvera depor falando do que ouvira Megara falar quando fora presa, quando chamara Joffrey de bastardo e cuspira em Jaime Lannister, o que era verdade. Megara já se sentia cansada de tudo aquilo, mas sabia que era necessário. Para que a culpa caísse por fim sobre ela e não sobre Tyrion. Para que tudo que ela tivesse feito não fosse em vão. Após o Sor Meryn, Tywin anunciou uma pausa no julgamento e retirou-se junto com os juízes.
– Você está tentando se matar? – A voz de Tyrion surgiu ao lado dela.
– Talvez.
– Está tendo muito sucesso, devo-lhe dar os parabéns?
Megara olhou para ele com um sorriso seco.
– Sinta-se a vontade.
Tyrion parecia estar com raiva e preocupado ao mesmo tempo.
– Eu não quero que você termine perdendo a cabeça por minha causa, por que está fazendo isso por mim?
– Você me obrigou a fazer isso.
– Eu? – ele forçou uma risada sem humor. – Desde quando eu pedi pra que você fosse julgada e condenada por minha causa, a ideia era que nós dois saíssemos vivos dessa, não que você assumisse a culpa por algo que nem você nem eu fizemos.
– Você e Oberyn agiram pelas minhas costas, eu poderia ter livrado você da morte e a ele ao mesmo tempo, mas não...
– Megara. – ele a interrompeu. – Eu sei que deveria ter dito a você antes, me perdoe por isso, sei que não deveria ter entregado minha chance nas mãos de Oberyn Martell quando tudo pelo qual ele lutava era pela vingança maldita dele, foi um erro, você me alertou sobre isso, mas assumir a culpa no meu lugar e não fazer nada para se defender em seu julgamento não é a melhor saída.
– Se salvar você, é sim. – ela insistiu. – Eu não posso perdê-lo, você é tudo que eu tenho agora, meu amigo. – Ela estendeu a mão tocando a cicatriz sobre o rosto dele. – Eu não poderia deixar Oberyn ser morto naquela luta, cego pela vingança, nem poderia deixar que você morresse sendo inocente. Estou cansada de perder aqueles que eu amo. Só eu poderia ser uma suspeita melhor que você. – sorriu de leve. – Agora volte para o seu lugar, me deixe aqui.
– E se você for condenada?
– Então, eu acho que estarei morta, não é mesmo?
– Não se eu puder impedir. – Tyrion murmurou afastando-se e voltado ao seu lugar, deixando-a com um ar pensativo após as palavras dele.
Quando todos voltaram a seus lugares, Tywin Lannister sentou-se novamente no trono, cercado por Cersei e Olenna Tyrell. A leoa a fitou com os mesmo olhar furioso de antes. Ela está acreditando. Megara pensou satisfeita. Assim como todos os outros também acreditam que eu o matei. Menos Lady Olenna parecia acreditar, isso poderia atrapalhar. Se ela não se convencesse da culpa dela, poderia acabar impedindo algo e ela precisava ser condenada para Tyrion não corresse mais riscos, teria que convencer a velha a aceitar a condenação ou pelo menos força-la a aquilo.
– A coroa pode chamar a próxima testemunha.
Margaery entrou acompanhada de Loras, ficando diante dos juízes para prestar seu depoimento. A garota começara a falar com o ar mais convincente sobre como Megara parecia demonstra ódio por Joffrey, acusando-a de ter trocado cartas com Renly durante a época em que ele ainda era vivo, tramando a carta que a faria herdeira de Ponta Tempestade, insinuando que a ambição que ela teria em matar Joffrey para ter o direito a Ponta Tempestade.
– Ela nos odeia, senhor. – acusou Margaery. – Ela queria o rei fora do caminho do irmão dela, por isso matou o próprio sobrinho a sangue frio. O sobrinho que cresceu ao lado dela, ela o matou por um título e por um castelo. – Margaery dizia com lágrimas nos olhos.
Convincente, como sempre. Megara avaliou ao observá-la voltar a falar. O bilhete que Megara mandara pelas mãos de Loras para ela tinha uma acusação e uma proposta. A verdade, é que Varys havia lhe dito que Olenna Tyrell envenenara Joffrey, isso fazia sentido, já que Margaery não teria um destino feliz nas mãos do que monstro que o bastardo era. Megara deixou bem claro que sabia disso no bilhete, dando a ela a única opção de acusa-la, para deixar sua avó livre da acusação.
– Lady Margaery, talvez você esteja certa.
Os olhos de todos simplesmente voltaram-se para ela no mesmo instante que esteve em silêncio durante todo o julgamento.
– Sobre o quê?
Megara sorriu com um tom sarcástico, olhando para a garota.
– Eu os odeio. – Ela disse pausadamente fazendo os olhos da garota se arregalarem. – Você e seu covil de flores traidoras e mentirosas, sua família traiçoeira e bajuladora que lhe enfiou na cama do meu irmão e você nem esperou que o corpo dele esfriasse para se enfiar na cama de Joffrey. – ela vociferou. – E você seria a rainha traidora de um bastardo! – Ela elevou a voz para se fazer audível. – Com prazer eu teria visto aquele maldito bastardo tortura-la durante anos até que esses seu sorriso falso sumisse de seu rosto e essas suas lágrimas se tornassem verdadeiras.
– Lady Megara! – Lorde Tywin tentou silenciá-la.
– Quer uma confissão, Lorde Tywin? – indagou. – Eu o matei, com prazer e alegria, eu o matei colocando aquele veneno no cálice e o vi engolir diante de todos, eu o vi sufocar e arranhar a própria garganta querendo sorrir a todo instante, para mim, ele poderia morrer mil vezes e ainda seria pouco. – Ela gritou. – Eu o vi envergonhar Robert na frente de todos, eu o vi assassinar Lorde Stark por capricho, eu o vi rir da morte do irmão gêmeo a qual essa rosa traiçoeira traiu, eu o vi zombar do meu irmão mais velho enquanto estava no trono que é dele por direito! Eu estava cansada! Eu não aguentaria mais! Não iria mais ver aquele bastardo tomar o que é meu e do meu sangue por direito, não mais! Então eu aceitei a missão que Stannis me deu, eu decidi tirar de vocês também, cada bastardo, até que não restasse um único deles para tomar o que é meu!
As vozes gritavam ao redor dela pedindo por sua condenação. O salão estava agitado e o barulho era quase ensurdecedor. Lorde Tywin a fitava com os olhos frios, mas dentro deles ela via fúria. Ela estava envergonhando a casa dele na frente de todos, diante de toda Porto Real. Ele teria que condená-la, assim como Lady Olenna que também tivera sua casa envergonhada diante de todos.
– Então você o matou? Você confessa?
Não, eu sei que não o matei, mas como eu queria ter feito isso.
– Com prazer e alegria, eu o matei.
– Você se arrepende?
– Nunca.
Ele olhou para Cersei ao seu lado esquerdo, a leoa assentiu para ele, consentindo. Após isso, Tywin fitou Olenna Tyrell por alguns momentos, esperando uma resposta dela. A velha Rainha dos Espinhos olhou para Margaery por alguns minutos, então olhou para Megara com um ar pensativo como se tentasse entender o porque dela fazer isso, mas depois assentiu para Lorde Tywin.
– Que assim seja. – Lorde Tywin anunciou. – Megara da Casa Baratheon, pelo assassinato do Rei Joffrey da Casa Baratheon, com o poder que me foi concedido e pelo voto dos juízes, sentencio-lhe a morte.
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